Porto de Sines no centro da nova geração de portos mais sustentáveis e digitais.

O sector portuário mundial está a atravessar uma fase de profunda transformação, marcada pela necessidade de reduzir emissões, reforçar a segurança e acelerar a integração de novas tecnologias nas operações marítimas e logísticas.

De acordo com o relatório IAPH World Ports Tracker 2026, divulgado pela Associação Internacional de Portos, os portos estão cada vez mais focados na descarbonização, na resiliência operacional e na modernização dos seus sistemas. O documento reúne informação de infraestruturas portuárias responsáveis por mais de 8,6 mil milhões de toneladas de carga marítima e mostra que a transição energética deixou de ser apenas uma intenção para passar a fazer parte da estratégia de grande parte dos portos internacionais.

Segundo o relatório, 53% dos portos analisados já anunciaram objectivos públicos para atingir a neutralidade carbónica antes de 2050. Ao mesmo tempo, cresce a aposta na produção de energia renovável em zonas portuárias, com destaque para a energia solar, e no desenvolvimento de infraestruturas preparadas para combustíveis marítimos de baixo ou zero carbono. A digitalização é outro dos eixos centrais desta mudança. A utilização de inteligência artificial, automação, robótica e Internet das Coisas está a ganhar terreno, permitindo operações mais eficientes, maior capacidade de monitorização e melhor resposta aos desafios da cadeia logística internacional. cibersegurança surge, no entanto, como uma das principais preocupações das autoridades portuárias, num contexto em que a dependência de sistemas digitais aumenta também a exposição a riscos tecnológicos.

Neste cenário, o Porto de Sines assume particular relevância pela sua posição atlântica, pela ligação às principais rotas marítimas internacionais e pelo seu papel no sistema portuário nacional. A evolução global do sector cruza-se directamente com os desafios de Sines, enquanto plataforma logística, energética e industrial com peso estratégico para Portugal. A transição para portos mais verdes, seguros e tecnologicamente avançados coloca novas exigências às administrações portuárias, aos operadores e aos territórios onde estas infraestruturas se inserem, num momento em que competitividade e sustentabilidade caminham cada vez mais lado a lado no comércio marítimo mundial.

Despachantes defendem Zona Franca em Sines após criação da nova Alfândega.

A criação da Alfândega de Sines, prevista para entrar em funcionamento a 1 de Janeiro de 2027, foi recebida de forma positiva pelos representantes dos despachantes oficiais, que consideram a decisão importante para acompanhar o crescimento da actividade portuária no litoral alentejano.

A nova estrutura vai permitir que Sines deixe de funcionar como delegação da Alfândega de Setúbal, passando a ter maior autonomia administrativa e operacional numa área considerada estratégica para a economia portuguesa e para o comércio internacional.

Segundo a informação conhecida, a futura Alfândega de Sines terá 33 efectivos e uma estrutura própria, incluindo um director, um director adjunto, um Núcleo de Procedimentos Fiscais e um Núcleo de Impostos sobre Veículos.Para os despachantes, a decisão deve ser vista como um passo relevante, mas não suficiente. O sector defende que Sines reúne condições para acolher uma Zona Franca, à semelhança do que acontece na Madeira, reforçando a capacidade de atracção de investimento, operadores logísticos e actividade económica associada ao porto.

A localização geoestratégica de Sines, junto às principais rotas marítimas internacionais e com ligação directa aos mercados europeu, africano, americano e asiático, é apontada como um dos principais argumentos para dar maior ambição ao papel do porto.A nova Alfândega deverá também contribuir para procedimentos mais rápidos, maior capacidade de resposta, redução de custos operacionais e maior previsibilidade nos fluxos comerciais.

Com esta alteração, o Governo pretende reforçar a estrutura da Autoridade Tributária e Aduaneira numa região que tem vindo a ganhar peso na competitividade nacional e na dinamização da economia portuguesa.

Porto de Sines terá nova alfândega a partir de 2027.

O Porto de Sines vai passar a contar com uma alfândega própria a partir de 1 de Janeiro de 2027, deixando de funcionar como delegação da Alfândega de Setúbal.

A decisão foi anunciada pelo Governo e pretende reforçar a estrutura da Autoridade Tributária e Aduaneira no principal porto nacional, reconhecendo a crescente importância de Sines no comércio internacional, nas cadeias logísticas globais e na captação de investimento. A nova Alfândega de Sines ficará instalada no complexo portuário e terá 33 efectivos, além de uma estrutura orgânica reforçada, com director, director-adjunto, Núcleo de Procedimentos Fiscais e Núcleo de Impostos sobre Veículos.

Segundo o Governo, a criação desta estrutura responde à necessidade de garantir uma gestão mais eficiente e especializada das operações aduaneiras num porto com peso estratégico crescente para a economia portuguesa. O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, destacou que Sines é hoje mais do que um complexo industrial, assumindo-se como um território central na atracção de investimento, inovação e mão-de-obra qualificada.Também a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, sublinhou que a simplificação e digitalização dos processos aduaneiros são essenciais para facilitar o comércio internacional e aumentar a competitividade das empresas. Para a Administração dos Portos de Sines e do Algarve, a criação da nova alfândega representa o reconhecimento da importância estratégica do Porto de Sines para Portugal e para a Europa, reforçando a eficiência do ecossistema logístico e industrial instalado na região.

No âmbito da reorganização dos serviços aduaneiros, a Alfândega do Jardim do Tabaco, em Lisboa, será eliminada e transformada numa delegação aduaneira.

Houthis ameaçam navegação israelita no Mar Vermelho.

Os houthis, grupo do Iémen alinhado com o Irão, anunciaram que pretendem impedir a navegação marítima israelita no Mar Vermelho, agravando as preocupações em torno da segurança numa das rotas mais sensíveis do comércio internacional.

O grupo afirmou ter lançado um ataque contra Israel e declarou uma proibição total à navegação israelita no Mar Vermelho, avisando que poderá avançar para novas formas de escalada. Uma fonte houthi citada pela agência indicou que impedir a passagem de navios israelitas será apenas um primeiro passo. Segundo a mesma fonte, uma nova fase poderá incluir a interdição de navios com destino a Israel, bem como outras medidas ainda não especificadas.

O Mar Vermelho e o estreito de Bab el-Mandeb são pontos estratégicos para a ligação entre o oceano Índico, o canal do Suez e o Mediterrâneo. Qualquer perturbação prolongada nesta zona pode afectar o transporte de contentores, as cadeias logísticas e os fluxos energéticos entre a Ásia, o Médio Oriente e a Europa. Durante a guerra em Gaza, iniciada em Outubro de 2023, os ataques dos houthis contra navios no Mar Vermelho já tinham levado grandes companhias, incluindo a Maersk e a Hapag-Lloyd, a desviar navios pela rota do Cabo da Boa Esperança, uma alternativa mais longa e mais cara.

O impacto de uma ameaça sustentada no Mar Vermelho poderá agora ser maior, tendo em conta o encerramento do estreito de Ormuz há mais de três meses, no contexto da guerra envolvendo o Irão. A pressão simultânea sobre duas zonas críticas do transporte marítimo e energético aumenta os riscos para o comércio global.

Até ao momento, a ameaça anunciada pelos houthis surge sobretudo como uma declaração política e militar, mas volta a colocar o Mar Vermelho no centro das preocupações da segurança marítima internacional.

Somente 8% dos oceanos são considerados protegidos.

A protecção dos ecossistemas marinhos continua muito abaixo do necessário, com apenas cerca de 8% dos oceanos do planeta abrangidos por algum nível de protecção.

Os mares desempenham um papel essencial na regulação do clima, na preservação da biodiversidade, na segurança alimentar e no equilíbrio ambiental global, mas continuam expostos a fortes pressões, como a poluição, a pesca excessiva, o aquecimento das águas e a degradação dos habitats. A mensagem internacional centra-se cada vez mais na necessidade de criar Áreas Marinhas Protegidas mais robustas e eficazes, capazes de contribuir para a recuperação dos ecossistemas e para o cumprimento da meta global de proteger pelo menos 30% das áreas terrestres e marinhas até 2030.

Apesar dos compromissos assumidos por vários países, os dados mostram que a protecção efectiva dos oceanos continua longe do necessário. Actualmente, menos de 17% da superfície terrestre mundial e apenas cerca de 8% das áreas marinhas beneficiam de algum nível de protecção.

Portugal pretende antecipar esse objectivo e alcançar os 30% de áreas marinhas protegidas já em 2026, através da criação da Reserva Natural Marinha D. Carlos, uma vasta área com cerca de 173 mil quilómetros quadrados, situada entre Sagres e o arquipélago da Madeira. A futura reserva deverá abranger uma cadeia de montes submarinos e planícies abissais, reforçando a conservação de habitats de elevado valor ecológico e colocando Portugal entre os países que procuram acelerar a protecção do oceano.

A nível internacional, a entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar veio também criar novas ferramentas legais para a criação de áreas protegidas em águas internacionais, consideradas fundamentais para travar a perda de biodiversidade marinha.

ONU defende nova relação com o oceano no Dia Mundial dos Oceanos.

A Organização das Nações Unidas voltou a alertar para a necessidade de proteger os oceanos, assinalando o Dia Mundial dos Oceanos com um apelo a uma nova relação entre a humanidade e o maior ecossistema do planeta. A data, celebrada a 8 de Junho, pretende chamar a atenção para o papel essencial do oceano na regulação do clima, na produção de oxigénio, na alimentação de milhões de pessoas e no equilíbrio ambiental global.

Apesar dessa importância, os mares continuam sob forte pressão devido à poluição, à pesca excessiva, à perda de biodiversidade, ao aquecimento das águas e à subida do nível do mar. Segundo a ONU, o oceano absorve uma parte significativa do dióxido de carbono emitido pela actividade humana e retém grande parte do excesso de calor provocado pelo aquecimento global. Esta função tem ajudado a limitar os impactos das alterações climáticas, mas também tem consequências graves para os ecossistemas marinhos.A acidificação, a degradação dos habitats costeiros, a destruição de recifes de coral e a presença crescente de plásticos nos mares são alguns dos sinais de alerta apontados pelas Nações Unidas. A organização defende que a protecção do oceano deve passar por mais investimento na ciência, na conservação marinha e numa economia azul verdadeiramente sustentável.

A ONU sublinha ainda a importância de apoiar comunidades costeiras, pescadores, pequenos Estados insulares e populações mais vulneráveis, que estão entre os primeiros a sentir os efeitos das alterações climáticas e da degradação dos ecossistemas marinhos. O Dia Mundial dos Oceanos surge, assim, como um momento de reflexão, mas também de responsabilidade. A mensagem central é clara: proteger o oceano não é apenas uma causa ambiental, é uma condição essencial para o futuro da vida no planeta.

Taxa de subida do nível dos oceanos acelerou 50% em quatro anos.

A taxa de aumento do nível dos oceanos subiu cerca de 50% em apenas quatro anos, um sinal claro da aceleração dos efeitos das alterações climáticas sobre o sistema oceânico.

A subida do nível do mar resulta sobretudo do aquecimento dos oceanos, que provoca a expansão da água, e do degelo de glaciares e massas de gelo na Gronelândia e na Antárctida. A acumulação destes factores tem impacto directo nas zonas costeiras, nas comunidades ribeirinhas, nos ecossistemas marinhos e nas actividades económicas ligadas ao mar.

Organismos internacionais, como a UNESCO e o serviço europeu Copernicus, têm alertado para a aceleração deste processo. O nível médio global do mar aumentou entre 15 e 25 centímetros entre 1901 e 2018, mantendo uma tendência de subida que deverá prolongar-se nas próximas décadas. Mesmo quando os valores anuais parecem reduzidos, o efeito acumulado representa um risco crescente. A erosão costeira, as inundações em zonas baixas, a pressão sobre portos, marinas e defesas costeiras são alguns dos principais desafios.

Para Portugal, país com uma extensa frente atlântica e forte ligação ao mar, esta evolução exige maior capacidade de adaptação, planeamento costeiro e protecção das infraestruturas.

Portos da CPLP debatem adaptação às alterações climáticas em Lisboa.

A resposta das infraestruturas de transporte às alterações climáticas esteve em debate em Lisboa, no segundo Congresso da CPLP dedicado ao tema “Impacto das Alterações Climáticas na Infraestrutura de Transportes”.

O encontro reuniu responsáveis políticos, especialistas, académicos e profissionais de vários países, com o objectivo de discutir soluções de adaptação e mitigação para sectores como o marítimo-portuário, rodoviário, ferroviário e aeroportuário. O Porto Lisboa-Setúbal marcou presença através do seu presidente, Vítor Caldeirinha, que participou na sessão dedicada à estratégia e decisão política. Na intervenção, foram apresentados os principais desafios colocados pelas alterações climáticas ao sector portuário e as medidas previstas para reforçar a sustentabilidade e a resiliência das infraestruturas.

A estratégia dos portos de Lisboa e Setúbal enquadra-se no plano “Dois Portos, Uma Visão e Dois Gateways” e prevê um investimento de mil milhões de euros entre 2025 e 2035, centrado em dois eixos: descarbonização e adaptação climática. Entre as medidas previstas estão a alimentação eléctrica a navios atracados, soluções ligadas à economia circular, reforço da transferência modal, estaleiro naval associado à energia eólica offshore, melhoria da navegabilidade do Tejo, dragagens, deposição de areias, sensorização fluvial e reforço da resiliência dos cais.

O congresso sublinhou ainda a importância da cooperação entre os países da CPLP, da partilha de conhecimento técnico e científico e da articulação entre sector público, academia e iniciativa privada para preparar infraestruturas mais resistentes a fenómenos climáticos extremos.

Exportações marítimas de petróleo do Irão caem mais de 90% com pressão dos EUA.

As exportações marítimas de petróleo do Irão registaram uma quebra superior a 90% em Maio, num sinal do impacto do bloqueio naval norte-americano e do reforço das sanções contra a rede de transporte de crude iraniano.

De acordo com a United Against a Nuclear Iran, citada pela Seatrade Maritime, as exportações por via marítima recuaram 93% no mês de Maio. Apenas quatro petroleiros terão transportado petróleo iraniano para fora da região do Golfo, um contraste forte face aos volumes habituais.

A pressão dos Estados Unidos tem incidido sobre navios, empresas e intermediários ligados à comercialização de crude iraniano. Washington tem vindo a aplicar novas sanções a embarcações e entidades acusadas de facilitar estas operações. A situação aumenta a tensão numa região estratégica para o transporte mundial de energia. O Estreito de Ormuz continua a ser um dos pontos mais sensíveis da navegação internacional, com impacto directo nos mercados, nos seguros marítimos e nas rotas dos petroleiros.

Para o Irão, a quebra representa uma perda significativa de receitas. Para o sector marítimo, confirma o peso crescente da geopolítica no comércio global de energia.

MSC associada à compra de maioria em terminal de contentores na Ucrânia.

A MSC estará associada à aquisição de uma participação maioritária no operador ucraniano TIS Group, responsável por um importante terminal de contentores no porto de Pivdennyi, também conhecido como Yuzhny, na região de Odessa.

De acordo com a imprensa especializada internacional, a companhia suíça terá adquirido uma posição de 51% no terminal, num movimento que poderá marcar a entrada de um dos maiores armadores mundiais numa infraestrutura portuária estratégica da Ucrânia. A operação surge poucos meses depois de a DP World ter vendido a sua participação de 51% no terminal à própria TIS Group, após cinco anos de parceria.

Com este novo movimento, a MSC poderá passar a assumir uma posição de controlo num dos principais activos portuários privados do país. O investimento é visto como um sinal relevante para o sector marítimo ucraniano, num contexto ainda marcado pela guerra, pela reorganização das cadeias logísticas e pela necessidade de recuperar capacidade portuária no Mar Negro.

A entrada de um operador global como a MSC poderá contribuir para reforçar padrões operacionais, atrair tráfego internacional e apoiar a reconstrução gradual da actividade portuária ucraniana. Ainda assim, por se tratar de uma operação noticiada pela imprensa e sem todos os detalhes públicos confirmados, o impacto concreto dependerá da evolução regulatória, operacional e geopolítica nos próximos meses.