Vítor Caldeirinha vai coordenar equipa técnica para pôr em marcha estratégia Portos 5+.

O Governo nomeou a equipa técnica que vai acompanhar a implementação da estratégia Portos 5+, colocando Vítor Caldeirinha na coordenação de uma estrutura que junta responsáveis das administrações portuárias do continente.

A decisão foi formalizada por despacho do secretário de Estado das Infra-estruturas, Hugo Espírito Santo, e publicada em Diário da República. A nova equipa integra os presidentes dos conselhos de administração dos portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, Douro, Leixões e Viana do Castelo, Aveiro, Figueira da Foz, Sines e Algarve, bem como Ana Maria de Lemos Nunes, vogal da administração portuária de Lisboa, Setúbal e Sesimbra. No caso de Sines, a estrutura passa também a contar com a participação de Pedro do Ó Ramos.

No essencial, este grupo terá a missão de acompanhar os planos estratégicos e de acção de cada porto, apoiar a preparação dos cadernos de encargos e dos programas dos concursos de concessão previstos até 2035, além de propor metodologias e indicadores de monitorização para medir a execução da estratégia. A estratégia Portos 5+ foi apresentada no final de Julho do ano passado e assenta numa ambição de crescimento para a próxima década, prevendo um investimento global de cerca de quatro mil milhões de euros e o lançamento de 15 novas concessões. Segundo a informação tornada pública, o plano aponta para uma forte componente de investimento privado, complementada por verbas das autoridades portuárias e fundos comunitários. Entre as tarefas atribuídas à equipa está ainda a articulação com outras entidades públicas e privadas, incluindo a Infraestruturas de Portugal e os municípios com jurisdição em áreas portuárias.

O despacho refere igualmente a elaboração de um plano de acessibilidades rodoviárias e ferroviárias aos portos, incluindo a ligação à rede de portos secos e às plataformas intermodais de carga. A nomeação desta equipa representa, na prática, um passo de organização e execução num momento em que o sistema portuário nacional procura ganhar escala, reforçar capacidade e preparar o lançamento de novas concessões.

APS consolida cultura organizacional centrada no bem-estar e na responsabilidade social.

A Administração dos Portos de Sines e do Algarve renovou, em Março, as certificações NP 4552:2022 e NP 4590:2023, reforçando uma linha de actuação centrada no bem-estar organizacional, na conciliação entre vida profissional e pessoal e na responsabilidade social.

A APS foi a primeira administração portuária a implementar estes referenciais, sublinhando uma posição pioneira nesta matéria no contexto portuário nacional. A renovação destas certificações confirma a continuidade de uma estratégia interna assente na valorização das pessoas, na criação de condições de equilíbrio no trabalho e na construção de um ambiente organizacional mais estável e sustentável.

Numa actividade marcada por exigência operacional permanente, este tipo de reconhecimento ganha peso adicional por mostrar uma preocupação que vai para além da eficiência e toca directamente a gestão humana das organizações. Segundo a informação divulgada, este percurso reflecte uma cultura baseada na confiança, no equilíbrio e na satisfação dos trabalhadores, factores que a APS associa ao desempenho sustentável e à consolidação de um contexto profissional positivo. Trata-se de um sinal relevante num sector onde a competitividade também depende da capacidade de atrair, reter e valorizar equipas.

Nos últimos dois anos, a APS foi ainda distinguida com o Prémio de Excelência, na categoria Public Organizations, nos Wellbeing Awards promovidos pela Workwell. A distinção reforça a ideia de que os Portos de Sines e do Algarve procuram afirmar-se não apenas pela sua dimensão operacional, mas também por práticas de gestão alinhadas com padrões mais exigentes de responsabilidade institucional.

Terminal Vasco da Gama entra em fase de escrutínio público em Sines.

O futuro Terminal Vasco da Gama deu mais um passo no seu percurso administrativo, com a entrada em consulta pública da fase relativa ao terrapleno e às novas accessibilidades terrestres.

O procedimento decorre até 28 de Abril e incide sobre uma componente estrutural para a concretização daquela que é vista como a próxima grande expansão portuária de Sines no segmento dos contentores. Em causa está a apreciação pública do projecto de execução associado à Fase 1, num momento em que o desenho da futura infraestrutura começa a ganhar maior definição ao nível da sua base física e das ligações em terra. Para lá da componente marítima, esta etapa é decisiva porque toca em dois pontos centrais para a viabilidade operacional do terminal, a preparação da plataforma e a articulação logística com os acessos rodoviários e ferroviários.

O avanço deste processo volta a colocar o Terminal Vasco da Gama no centro da estratégia de crescimento de Sines. O projecto tem sido apontado, há vários anos, como peça-chave para reforçar a capacidade instalada do porto, aumentar a sua margem de resposta no tráfego contentorizado e consolidar o papel de Sines nas cadeias logísticas internacionais.Numa altura em que os grandes portos competem por escala, eficiência e profundidade de hinterland, a evolução deste dossiê é acompanhada com especial atenção pelo sector. Em Sines, o novo terminal é visto não apenas como uma ampliação física da capacidade portuária, mas como uma infra-estrutura com potencial para reposicionar o porto num patamar superior de competitividade atlântica.

A consulta pública agora em curso representa, por isso, mais do que um simples passo formal. É mais uma etapa concreta num processo de longa maturação, com implicações directas na evolução futura do porto de Sines e na forma como este se prepara para responder às exigências do comércio marítimo internacional.

CPLS entra em novo ciclo com Rui Cruz na presidência

Rui Cruz é o novo presidente da Direcção da Comunidade Portuária e Logística de Sines, sucedendo a Jorge D’Almeida, após a assembleia-geral realizada a 8 de Abril.

O novo mandato terá a duração de três anos. A mudança ocorre numa fase em que Sines mantém um peso crescente no sistema portuário e logístico nacional, apoiado na sua centralidade marítima, na movimentação de mercadorias e na capacidade de atracção de investimento associado à indústria e à logística.

Neste enquadramento, a liderança da CPLS ganha particular relevância enquanto ponto de articulação entre operadores, empresas e restantes entidades ligadas ao ecossistema portuário local. A Comunidade Portuária e Logística de Sines reúne vários actores do universo portuário, logístico e empresarial da região, funcionando como estrutura de ligação entre interesses operacionais e estratégicos num porto que continua a afirmar-se como activo central da economia portuguesa.

A entrada de Rui Cruz na presidência marca, por isso, o início de uma nova etapa numa entidade com peso directo na coordenação e representação desse cluster.

Foto: CPLS

Lucros dos armadores de contentores estabilizam acima dos valores pré-pandemia.

Apesar da acentuada quebra nos resultados financeiros registada em 2025, os principais armadores de transporte marítimo de contentores conseguiram manter os seus lucros num patamar significativamente superior ao que se verificava antes da crise pandémica. De acordo com um relatório recente da consultora Sea Intelligence, o sector logrou o que se denomina uma “aterragem suave”, evitando o colapso catastrófico que muitos analistas chegaram a prever após o período de ganhos excepcionais dos anos anteriores.

As maiores companhias do sector, ( com excepção da MSC, que não divulga resultados públicos), apresentaram um EBIT combinado de 15,4 mil milhões de dólares no último ano. Embora este valor represente uma descida considerável face aos 35,4 mil milhões alcançados em 2024, a performance global permanece robusta. A COSCO liderou o grupo com ganhos de 4,93 mil milhões de dólares, seguida pela Evergreen e pela OOCL.

A análise detalhada da Sea Intelligence revela que indicadores fundamentais, como o lucro operacional por unidade transportada (EBIT/TEU), continuam a mostrar uma resiliência notável. Empresas como a ZIM, a HMM e a própria COSCO registaram valores por contentor superiores a qualquer ano da década de 2010. Em suma, as transportadoras marítimas parecem ter encontrado um novo ponto de equilíbrio, estabilizando as suas contas em níveis que, embora mais modestos que os picos recentes, garantem uma rentabilidade muito superior à dos períodos de mercado deprimido que antecederam a Covid-19.

Armadores mantêm cautela e adiam regresso ao Estreito de Ormuz por falta de garantias

Apesar das notícias recentes sobre um cessar-fogo e dos esforços diplomáticos entre Washington e Teerão, os grandes armadores internacionais, como a Maersk e a Hapag-Lloyd, mostram-se reticentes em retomar a navegação plena pelo Estreito de Ormuz. O sector encara com cepticismo a estabilização da zona, defendendo que as actuais garantias de segurança não são ainda bastantes para assegurar a integridade das tripulações e dos próprios navios face aos riscos latentes na região.

Embora o governo dos Estados Unidos tenha assinalado que a via está aberta ao comércio, as companhias de navegação sublinham que a decisão de regresso dependerá sempre de avaliações técnicas rigorosas e constantes. A Hapag-Lloyd estima mesmo que a normalização total poderá levar entre seis a oito semanas, período necessário para que as consequências do bloqueio anterior sejam ultrapassadas e as sobretaxas de transporte possam ser revistas.

Até que existam provas concretas de um corredor seguro, a prioridade dos armadores mantém-se na evacuação das frotas que ainda se encontram no Golfo, privilegiando a segurança em detrimento da rapidez das rotas.

Autoridade do Canal de Suez suspende desconto de 15% para grandes navios porta-contentores

A Autoridade do Canal de Suez (SCA) decidiu suspender o desconto de 15% nas taxas de trânsito que era anteriormente concedido aos grandes navios porta-contentores, uma medida que entrou em vigor na passada terça-feira, de acordo com uma circular oficial publicada pela entidade no dia 2 de Abril de 2026. Este benefício tarifário, que havia sido anunciado em Maio de 2025, visava incentivar o regresso das embarcações àquela via marítima, após muitas terem optado por rotas alternativas em torno do Cabo da Boa Esperança devido a questões de segurança e logística.

O desconto aplicava-se especificamente a navios com uma tonelagem líquida (SCNT) igual ou superior a 130.000 toneladas, independentemente de navegarem com carga ou em lastro, e era atribuído de forma automática em trajectos para norte ou para sul. Com o fim desta iniciativa, as grandes embarcações de transporte de mercadorias passam agora a pagar as taxas de trânsito normais, assinalando uma mudança na estratégia comercial da SCA face às actuais condições operacionais e económicas do sector marítimo internacional.

Foto: iStock

Yilport admite interesse no futuro terminal de contentores Vasco da Gama em Sines.

De acordo com o Jornal de Negócios, a Yilport manifestou interesse no futuro terminal de contentores de Sines, com Robert Yildirim, líder do grupo, a sublinhar a importância estratégica dessa infraestrutura para o posicionamento portuário em Portugal.

A posição assumida reforça a ideia de que Sines continua a ser visto como um activo de grande valor no panorama logístico e marítimo europeu. O porto alentejano tem vindo a consolidar-se como uma das principais portas atlânticas da Península Ibérica, com capacidade para captar fluxos internacionais de mercadorias e servir cadeias logísticas cada vez mais exigentes. O interesse da Yilport surge num contexto em que o reforço da capacidade portuária em Sines é olhado como uma etapa relevante para responder ao crescimento do transporte contentorizado e à crescente pressão competitiva entre portos.

A eventual entrada de novos operadores ou investidores internacionais num projecto desta dimensão mostra que o futuro terminal continua a ser encarado como uma peça central para a expansão do porto. Mais do que uma manifestação empresarial isolada, esta indicação revela também o peso que Sines mantém nas estratégias de longo prazo dos grandes grupos ligados à actividade portuária. A localização, a profundidade natural e a ligação às principais rotas marítimas internacionais continuam a fazer do porto um ponto particularmente atractivo para projectos de escala global.

A eventual concretização de um novo terminal poderá representar um novo salto na capacidade operacional de Sines e reforçar o seu papel no sistema portuário nacional. Para já, a declaração conhecida através confirma que há grupos internacionais atentos ao próximo ciclo de desenvolvimento daquela infraestrutura.

Irão tenta transformar Ormuz em posto de portagem digital durante cessar-fogo.

A tentativa do Irão de exigir pagamentos em criptomoedas para autorizar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz representa mais do que uma medida financeira em contexto de cessar-fogo.

Trata-se de um ensaio de controlo político e operacional sobre um dos principais chokepoints do comércio marítimo mundial, num momento em que a liberdade de navegação continua longe de estar plenamente restabelecida. Segundo vários relatos internacionais, Teerão pretende sujeitar o trânsito a coordenação militar, autorização prévia e cobrança de taxas, num quadro que mantém o estreito sob forte condicionamento apesar da trégua anunciada. Para o sector marítimo, a questão central não é apenas o custo directo da travessia.

O verdadeiro problema está no precedente. Se uma potência ribeirinha conseguir transformar uma rota internacional numa passagem sujeita a pagamento discricionário, abre-se uma brecha séria no princípio da liberdade de navegação, com impacto potencial muito para além do Golfo. A reacção internacional mostra bem essa preocupação: Grécia e Reino Unido já vieram rejeitar a ideia de um Ormuz pago, defendendo que o estreito deve permanecer livre de portagens e acessível sem imposições unilaterais. Do ponto de vista legal e marítimo, a proposta iraniana colide com as normas que regem o trânsito em estreitos internacionais. A leitura dominante entre analistas e governos é a de que não há base aceitável para cobrar simplesmente pela passagem, salvo em situações muito específicas ligadas a serviços efectivamente prestados, o que não corresponde ao cenário agora descrito.

A Associated Press sublinha precisamente que a iniciativa iraniana contraria as normas internacionais de navegação e de comércio, ao procurar monetizar uma rota que, na prática, serve de artéria vital ao abastecimento energético global. O efeito imediato sobre o shipping é claro: mais risco, mais incerteza e mais custos. Mesmo sob cessar-fogo, a circulação está longe dos níveis normais e continua dependente de critérios políticos, militares e diplomáticos impostos por Teerão. O Wall Street Journal refere que o número de navios em trânsito caiu drasticamente face ao período pré-crise e que o Irão está a usar esse controlo para consolidar influência efectiva sobre a passagem. Isso significa prémios de risco mais elevados, maior prudência por parte de armadores e seguradoras e nova pressão sobre cadeias energéticas já fragilizadas.

Para o mercado marítimo, o sinal é inequívoco: Ormuz não regressou à normalidade. O cessar-fogo pode ter reduzido a intensidade militar imediata, mas não eliminou o risco estrutural. Enquanto o estreito continuar dependente de autorização política, vigilância armada e tentativas de cobrança fora dos mecanismos normais do direito internacional, continuará a ser um ponto de pressão sobre o shipping, sobre o crude e sobre a estabilidade do comércio mundial.

Irão abre excepção para navios iraquianos em Ormuz.

O Irão anunciou uma excepção para os navios iraquianos no Estreito de Ormuz, permitindo a sua passagem sem restrições, numa decisão que evidencia uma gestão cada vez mais selectiva do trânsito num dos corredores energéticos mais sensíveis do mundo.

A medida surge num momento em que o número de travessias voltou a subir ligeiramente, embora continue muito longe dos níveis normais. De acordo com os dados mais recentes citados pela imprensa internacional e por plataformas de inteligência marítima, registaram-se 53 trânsitos na última semana, acima dos 36 da semana anterior.

Ainda assim, o movimento permanece mais de 90% abaixo do padrão habitual, o que mostra que a recuperação é, para já, limitada e ainda fortemente condicionada pelo ambiente de guerra e pelo controlo exercido por Teerão sobre a passagem. Para o shipping, o sinal é claro: há uma reabertura parcial e cuidadosamente calibrada, mas não um regresso à normalidade. O Irão está a demonstrar que consegue modular o acesso a Ormuz conforme os seus interesses estratégicos, distinguindo entre países que considera hostis e outros com os quais pretende preservar canais políticos e comerciais. Isso mantém o risco operacional elevado, obriga armadores e afretadores a avaliações constantes de exposição e sustenta prémios de risco mais altos em toda a região.

O impacto não se limita ao crude. Ormuz continua a ser uma artéria crítica para o petróleo e para o gás natural liquefeito, pelo que qualquer restrição, mesmo parcial, prolonga a pressão sobre cadeias logísticas, seguros, fretes e mercados energéticos. O próprio Brent tem permanecido acima da fasquia dos 109 dólares por barril em dias recentes, reflexo da persistência do risco geopolítico e da incerteza quanto à liberdade de navegação na zona. No imediato, a autorização dada ao Iraque pode aliviar uma parte da pressão regional, sobretudo num país cuja dependência das exportações petrolíferas é crítica.

Mas, do ponto de vista marítimo, o essencial mantém-se: Ormuz continua longe de estar estabilizado, e cada novo trânsito bem-sucedido vale mais como teste de tolerância ao risco do que como prova de normalização.

Foto: Reuters.