Fuga de ácido obriga a evacuação em larga escala no Porto de Antuérpia-Bruges.

Uma fuga de uma substância tóxica a bordo de um navio porta-contentores obrigou à evacuação de uma vasta zona do Porto de Antuérpia-Bruges, na Bélgica, e provocou perturbações nas operações do Deurganckdok.

O incidente ocorreu durante a noite de terça-feira, 14 de Julho, no navio Mia Summer II, que se encontrava atracado no terminal MPET. Um contentor que transportava ácido fluorídrico ficou danificado e começou a libertar a substância. Perante o risco associado ao produto, as autoridades activaram os procedimentos de emergência e estabeleceram um perímetro de segurança. Os trabalhadores das instalações portuárias próximas foram retirados preventivamente, abrangendo a evacuação diferentes zonas do Deurganckdok.

O ácido fluorídrico, também conhecido como fluoreto de hidrogénio, é uma substância altamente corrosiva e tóxica, capaz de causar queimaduras graves e problemas respiratórios em caso de contacto ou inalação. Equipas especializadas dos bombeiros, da protecção civil e dos serviços portuários foram mobilizadas para controlar a fuga, avaliar a concentração da substância no ar e garantir a segurança das operações.

O acesso à área afectada ficou condicionado enquanto decorriam os trabalhos de neutralização e remoção do contentor. A circulação de navios e as operações nos terminais próximos também sofreram perturbações devido às medidas de segurança. O Porto de Antuérpia-Bruges informou que estava a acompanhar a situação em conjunto com os serviços de emergência e as empresas envolvidas, mantendo as restrições até estarem reunidas condições para a retoma segura da actividade.

O Deurganckdok concentra alguns dos maiores terminais de contentores de Antuérpia e constitui uma das áreas mais importantes do complexo portuário belga. Uma interrupção prolongada das operações poderá provocar atrasos na movimentação de carga e nos horários dos navios que utilizam o porto.

Maersk e Hapag-Lloyd retomam serviço regular através do Mar Vermelho

A Maersk e a Hapag-Lloyd decidiram fazer regressar ao Canal do Suez um serviço completo da rede Gemini, dando mais um passo no retomar gradual das rotas marítimas através do Mar Vermelho.

O serviço AE15, que liga a Ásia ao Mediterrâneo Oriental, deixará de contornar o cabo da Boa Esperança e voltará a utilizar a passagem pelo Canal do Suez. A alteração foi decidida depois de as duas companhias terem analisado a evolução das condições de segurança na região. A Maersk considera que a mudança tem carácter estrutural e representa um avanço no regresso progressivo ao corredor que, antes do início dos ataques dos rebeldes hutis contra navios mercantes em 2023, era a principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa.

A rotação do AE15 inclui escalas em Qingdao e Ningbo, na China, Kwangyang, na Coreia do Sul, Tanjung Pelepas, na Malásia, Port Said e Damietta, no Egipto, Colombo, no Sri Lanka, e Singapura. O regresso ao Canal do Suez permitirá reduzir os tempos de trânsito e as distâncias percorridas. As companhias consideram esta rota mais rápida, eficiente e sustentável para servir o transporte de mercadorias entre a Ásia e a Europa.

Apesar da decisão, a Maersk e a Hapag-Lloyd esclarecem que não existem, para já, planos imediatos para transferir outros serviços da rede Este-Oeste para o Mar Vermelho. Qualquer nova alteração dependerá das avaliações de segurança realizadas nos próximos meses. Os armadores admitem também voltar a desviar o AE15 pelo cabo da Boa Esperança caso a situação na região se deteriore, sublinhando que a protecção das tripulações, dos navios e das cargas continua a ser a principal prioridade.

Embora os hutis não tenham reivindicado ataques contra navios comerciais no Mar Vermelho durante 2026, continuam a existir ameaças relacionadas com a instabilidade no Médio Oriente. Em paralelo, foi registado um novo aumento da actividade de pirataria no golfo de Áden, junto à entrada sul do Mar Vermelho.

O regresso deste serviço ao Suez é, assim, um sinal relevante para o transporte marítimo internacional, mas ainda não representa uma normalização completa das principais rotas entre a Ásia e a Europa.

Armadores europeus pedem isenções permanentes da EU ETS para ilhas e regiões ultraperiféricas.

A Associação de Armadores da Comunidade Europeia voltou a defender que as isenções aplicadas ao transporte marítimo no Sistema Europeu de Comércio de Licenças de Emissão devem tornar-se permanentes depois de 2030.

Numa posição dirigida à Comissão Europeia, a organização considera que as excepções destinadas às ilhas, regiões ultraperiféricas e navios preparados para navegar em zonas com gelo devem ser mantidas e reforçadas durante a próxima revisão da EU ETS. Os armadores recordam que o transporte marítimo assegura cerca de 76% do comércio externo da União Europeia e desempenha um papel essencial na ligação das ilhas e das regiões mais afastadas ao território europeu. Por esse motivo, defendem que as isenções sejam aplicadas automaticamente, sem dependerem de decisões individuais dos Estados-membros.

No caso das ilhas, a associação pretende que o regime abranja todos os territórios insulares da União Europeia, independentemente da dimensão da população, incluindo as ilhas com mais de 200 mil habitantes e os próprios Estados insulares. A medida deverá aplicar-se tanto ao transporte de passageiros como ao transporte de mercadorias. A organização sustenta que a conectividade e a competitividade das populações insulares não devem depender de limites populacionais. Defende igualmente a manutenção das excepções relacionadas com as ligações marítimas transnacionais asseguradas ao abrigo de obrigações de serviço público.

Para as regiões ultraperiféricas, os armadores propõem que a isenção inclua todas as viagens realizadas entre esses territórios e os Estados-membros da União Europeia, bem como as ligações efectuadas entre diferentes regiões ultraperiféricas. Segundo a associação, esta protecção é necessária para assegurar o abastecimento de mercadorias, o transporte de passageiros e a coesão territorial, evitando que os custos ambientais agravem ainda mais o preço das ligações com territórios geograficamente afastados.

Os armadores defendem também que a isenção concedida aos navios com classificação para navegar no gelo se torne permanente e seja harmonizada com as regras do FuelEU Maritime. Estes navios consomem mais combustível devido às exigências técnicas e de segurança necessárias para operar em condições meteorológicas extremas. A posição surge numa altura em que Bruxelas prepara a revisão do sistema europeu de comércio de emissões, que passou a abranger progressivamente o transporte marítimo a partir de 2024.

Portugal alcança melhor posição de sempre na Lista Branca do Paris MoU.

Portugal subiu para o 14.º lugar da Lista Branca do Paris MoU, alcançando a sua melhor classificação de sempre entre as bandeiras de registo de navios avaliadas por este organismo internacional.

A bandeira portuguesa melhorou três posições relativamente ao ano anterior, depois de já ter subido cinco lugares em 2024. Entre os países europeus, Portugal ocupa agora a 11.ª posição.

A classificação agora divulgada baseia-se nas inspecções realizadas entre 2023 e 2025. Durante esse período, os navios de bandeira portuguesa foram sujeitos a 2.268 inspecções, das quais resultaram 58 detenções. Estes resultados colocam Portugal imediatamente atrás da Alemanha e à frente de bandeiras como as Bahamas, Malta, Chipre, Espanha, Reino Unido e Grécia.

A Lista Branca do Paris MoU reúne as bandeiras com melhor desempenho ao nível do cumprimento das normas internacionais de segurança marítima, prevenção da poluição e condições de vida e trabalho das tripulações.

A classificação é calculada com base no número de inspecções e detenções registadas durante um período móvel de três anos. As bandeiras são distribuídas pelas listas Branca, Cinzenta e Negra, consoante o seu nível de desempenho e risco.

Uma posição elevada na Lista Branca é particularmente importante para os armadores, uma vez que pode contribuir para que os navios sejam considerados de menor risco e fiquem sujeitos a menos inspecções nos portos abrangidos pelo Paris MoU.

A evolução positiva reforça igualmente a credibilidade internacional do registo português, incluindo o Registo Internacional de Navios da Madeira, onde se encontra inscrita grande parte da frota mercante que navega sob bandeira nacional.

A nova lista entrou em vigor a 1 de Julho de 2026 e será válida até 6 de Julho de 2027.

EU ETS marítimo poderá gerar até 145 milhões de euros por ano para Portugal

Portugal poderá arrecadar entre 123 e 145 milhões de euros por ano com a inclusão do transporte marítimo no Sistema Europeu de Comércio de Licenças de Emissão, conhecido como EU ETS.

A estimativa consta de um estudo divulgado pela Associação de Armadores da Comunidade Europeia, que analisou pela primeira vez a distribuição das receitas geradas pelo sector marítimo entre os diferentes Estados-membros da União Europeia.

O valor destinado a Portugal dependerá da cotação das licenças de emissão. Num cenário em que cada tonelada de dióxido de carbono seja negociada a 85 euros, a receita poderá aproximar-se dos 123 milhões de euros. Caso o preço suba para os 100 euros por tonelada, o montante poderá atingir os 145 milhões.

À escala europeia, o transporte marítimo deverá gerar anualmente cerca de 7,65 mil milhões de euros, considerando um preço de 85 euros por tonelada de CO₂, ou aproximadamente nove mil milhões de euros num cenário de 100 euros. Destes valores, entre 6,6 e 7,7 mil milhões deverão reverter directamente para os orçamentos dos Estados-membros.

O EU ETS obriga as companhias de navegação a adquirir licenças correspondentes às emissões produzidas pelos navios abrangidos pelo sistema. A aplicação ao transporte marítimo começou de forma gradual em 2024, incidindo sobre as viagens entre portos europeus e sobre parte das emissões das ligações entre a União Europeia e países terceiros.

Apesar das receitas elevadas, os armadores europeus alertam que apenas uma pequena parcela do dinheiro arrecadado está a regressar ao sector para apoiar a transição energética. Segundo a associação, cerca de 5% das receitas do ETS têm sido aplicadas na transformação energética da economia, enquanto a navegação enfrenta custos elevados para renovar frotas, adoptar combustíveis alternativos e instalar novas tecnologias.

A organização defende, por isso, que uma parte mais significativa das verbas seja utilizada no financiamento de combustíveis marítimos sustentáveis, na modernização dos navios e na adaptação das infraestruturas portuárias.

Para Portugal, um dos países mais expostos ao transporte marítimo internacional, estas receitas representam uma oportunidade para apoiar a modernização dos portos e acelerar investimentos na descarbonização. O debate assume particular importância para infra-estruturas como o Porto de Sines, que enfrenta simultaneamente os custos da transição ambiental e a concorrência de portos exteriores à União Europeia.

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Bruxelas admite flexibilizar regras do mercado europeu de carbono.

A Comissão Europeia prepara uma revisão do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia, procurando reduzir os encargos suportados pelas empresas sem abandonar os objectivos definidos para a descarbonização da economia.

Entre as possibilidades em análise está uma aplicação mais gradual das metas previstas para depois de 2030, acompanhada por maior flexibilidade na atribuição de licenças gratuitas de emissão a sectores industriais particularmente expostos à concorrência internacional.

O sistema europeu obriga as empresas abrangidas a entregar licenças correspondentes às emissões produzidas. Como o número de títulos disponíveis diminui progressivamente, o custo associado à libertação de dióxido de carbono tende a aumentar, incentivando o investimento em tecnologias menos poluentes. A pressão para alterar o modelo intensificou-se perante os elevados custos da energia e as dificuldades competitivas enfrentadas pela indústria europeia. Vários Estados-membros e organizações empresariais defendem que a transição deverá decorrer de forma mais equilibrada, evitando a transferência da produção e das emissões para países com exigências ambientais inferiores.

A revisão deverá também avaliar o funcionamento do EU ETS no transporte marítimo, sector integrado no sistema desde 2024. Actualmente, o regime abrange os grandes navios que escalam portos europeus, aplicando-se à totalidade das emissões nas viagens dentro da União Europeia e a metade das emissões nas ligações com países terceiros. Bruxelas pretende, assim, manter a trajectória climática europeia, mas com mecanismos que reduzam o impacto económico imediato e permitam às empresas realizar a transição de forma mais sustentável.

Trump retoma bloqueio ao Irão e exige taxa de 20% no Estreito de Ormuz.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o regresso do bloqueio naval aos portos iranianos e afirmou que Washington pretende cobrar uma taxa equivalente a 20% do valor da carga transportada através do Estreito de Ormuz.

Trump justificou a medida com os custos associados à protecção da navegação e à segurança daquela passagem marítima estratégica, garantindo que os navios de outros países poderão continuar a atravessar o estreito. A aplicação prática e o enquadramento jurídico da taxa permanecem, no entanto, por esclarecer.

O Irão rejeitou qualquer tentativa dos Estados Unidos de controlar o tráfego marítimo na região e defendeu que Washington não tem legitimidade para impor pagamentos aos navios. A tensão voltou a aumentar, com novos ataques norte-americanos contra alvos iranianos e respostas da Guarda Revolucionária contra instalações ligadas aos Estados Unidos em vários países do Golfo. As autoridades iranianas anunciaram ainda a intercepção de dois navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sem autorização, enquanto os Estados Unidos divulgaram novas operações militares contra infra-estruturas navais iranianas.O Estreito de Ormuz continua a ser uma das mais importantes rotas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural.

A escalada militar está a aumentar os riscos para a navegação comercial, armadores, tripulações e seguradoras, ao mesmo tempo que prosseguem contactos diplomáticos para evitar um conflito de maiores dimensões.

Estados Unidos exigem ao Irão fim dos ataques a navios no Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos querem que o Irão assuma publicamente o compromisso de deixar de atacar navios comerciais e de garantir a livre circulação no Estreito de Ormuz, sem cobrança de taxas pela passagem das embarcações.

A exigência surge no âmbito das negociações destinadas a reduzir a tensão na região, depois de vários navios terem sido atingidos numa das rotas marítimas mais importantes do mundo. Washington considera que não será possível alcançar um entendimento sem garantias claras sobre a segurança da navegação.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é utilizado diariamente por navios que transportam petróleo, gás natural liquefeito e outras mercadorias. Qualquer perturbação nesta passagem tem impacto directo nos mercados energéticos e no transporte marítimo internacional. As negociações decorrem com mediação de Omã e incluem também o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem que Teerão entregue as suas reservas de urânio altamente enriquecido como parte de um acordo mais amplo.

Uma nova escalada na região poderá provocar desvios de rotas, aumento dos seguros marítimos, subida dos custos de transporte e novas perturbações no abastecimento mundial de energia.

Tensão no Estreito de Ormuz volta a ameaçar comércio marítimo internacional.

A tensão no Estreito de Ormuz voltou a colocar o transporte marítimo internacional em alerta, depois de os Estados Unidos terem lançado novos ataques contra alvos iranianos, na sequência de incidentes envolvendo navios comerciais na região.

A operação norte-americana terá visado sistemas de defesa aérea, radares costeiros, instalações ligadas a mísseis anti-navio e embarcações associadas à Guarda Revolucionária iraniana. Washington justificou a acção com a necessidade de reduzir a capacidade do Irão para ameaçar a navegação numa das passagens marítimas mais sensíveis do mundo

O Irão condenou os ataques e prometeu responder, aumentando o receio de uma nova escalada militar numa região já marcada por forte presença naval internacional e por sucessivos episódios de tensão. Para o sector marítimo, o principal risco está na possibilidade de o conflito deixar de ser apenas militar e passar a afectar de forma mais directa a circulação de navios mercantes.

Num mercado ainda condicionado por instabilidade geopolítica, qualquer ameaça ao Estreito de Ormuz representa um factor de incerteza para o comércio mundial.

Maersk e Hapag-Lloyd regressam de forma cautelosa ao Canal do Suez.

A Maersk e a Hapag-Lloyd vão voltar a utilizar o Canal do Suez em parte das suas operações, num sinal de possível normalização gradual de uma das rotas mais importantes do comércio marítimo mundial.

As duas companhias, que integram a Gemini Cooperation, decidiram alterar o serviço AE15, entre a Ásia, o Mediterrâneo e o Norte da Europa, deixando de contornar África pelo Cabo da Boa Esperança e retomando a passagem pelo Suez. A decisão surge após uma nova avaliação das condições de segurança no Mar Vermelho, zona que desde 2023 tem sido marcada por ataques a navios mercantes, levando vários armadores a escolher rotas mais longas e dispendiosas.Apesar deste regresso, a Maersk sublinha que a mudança será limitada. Para já, não está prevista uma retoma total da rota em toda a rede Gemini, ficando novas alterações dependentes da evolução da segurança na região.

A passagem pelo Canal do Suez permite reduzir tempos de viagem, consumo de combustível e custos operacionais nas ligações entre a Ásia e a Europa. Uma retoma mais alargada poderia também aumentar a capacidade efectiva disponível no mercado e influenciar os fretes marítimos. Ainda assim, o movimento continua a ser prudente. O Canal do Suez volta a entrar nos planos das grandes transportadoras, mas o Mar Vermelho permanece uma rota sensível, onde cada decisão continuará a depender da avaliação dos riscos.