Projecto de investigadores do IST recebe Prémio de Economia Azul

O projecto SurfACT, desenvolvido pelo IST – Instituto
Superior Técnico através do Instituto de Bioengenharia e Biociências (iBB), foi
um dos projectos premiados na quarta edição do Blue Bio Value Ideation.

Os investigadores envolvidos neste projeto são os estudantes
Joana Almeida (Mestrado em Biotecnologia) e Miguel Nascimento (Doutoramento em
Biotecnologia e Biociências) e os Professores Frederico Ferreira e Nuno Faria.

O SurfACT pretende valorizar resíduos na indústria
conserveira, promovendo uma economia circular ao transformar estes materiais em
compostos de valor acrescentado utilizados em detergentes e cosméticos,
contribuindo assim para um futuro mais sustentável. Um dos investigadores
inseridos no projecto, Nuno Faria, comenta que este sucesso “é um
reconhecimento da importância do trabalho” que a equipa tem vindo a
desenvolver.

O prémio atribuído à equipa do SurfACT inclui o montante de
cinco mil euros para desenvolvimento de projectos através da Blue Demo Network
em Portugal, entidade que apoia startups nos domínios tecnológicos e de mercado
ligados à economia azul. Nuno Faria explica que isso permitirá o “acesso a uma
rede de laboratórios e empresas” que serão “muito valiosos” para o crescimento
do projecto.

“Os próximos passos envolvem aumentar a escala de produção,
em paralelo com o co-desenvolvimento de produtos finais”, acrescenta o docente.
Cumpridas essas etapas, estarão “mais perto de ser os primeiros produtores de
tensioativos biológicos [(compostos na base de detergentes e outros agentes de
limpeza)] a partir de resíduos agroindustriais em Portugal”.

O programa Blue Bio Value é promovido pela Fundação Oceano
Azul e pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com a Bluebio Alliance e
a maze impact, visando apoiar projectos de investigação e desenvolvimento que
utilizem recursos biológicos marinhos para ‘fazer a ponte’ entre o laboratório
e o mercado.

Portugal vai participar em missão no Mar Vermelho. Ataques dos houthis em causa.

Sobre a matéria, o ainda Ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho afirmou que: “Portugal apoiará esta missão […], incluirá uma componente de capacidade de intervenção em defesa de navios que estejam a ser ameaçados e do nosso lado o Ministério da Defesa dirá qual é a disponibilidade para apoiarmos. Não será seguramente com uma fragata ou um navio, mas haverá alguma participação do nosso lado”, após uma reunião de Ministros com a tutela da diplomacia em Bruxelas.

A diplomacia comunitária discutiu a criação de uma missão no Mar Vermelho para repelir os ataques das milícias houthis do Iémen à navegação internacional, tendo essa possibilidade já circulado há algum tempo.

Para que a possibilidade da missão avance, é necessário cuidar das fases relativas ao mandato e ao respectivo plano militar da missão, à necessidade de participação do Comité Militar da UE e ao adiamento do lançamento para fevereiro, de acordo com fontes comunitárias.

O plano seria formar uma operação conjunta de vários países, nomeadamente Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Noruega, Países Baixos e Portugal, utilizando comandos e fundos da UE, que já existem há praticamente 4 anos,  no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã.

Maersk envolvida com EDP e Eni Next juntas na captura CO2 através do oceano

De acordo com um comunicado, a gigante marítima Maersk, (através
da  Maersk Growth), juntamente com a Eni
Next e a EDP (através da EDP Ventures), decidiram investir conjuntamente numa
Startup denominada Captura, que tomou a iniciativa de desenvolver  uma tecnologia que utiliza a capacidade do
oceano para absorver o Co2 ( Dióxido de Carbono) da atmosfera.

A empresa oriunda dos EUA, finalizou recentemente uma ronda
de investimento no valor de 20 milhões de euros para comercializar a nova
tecnologia, a ” Direct Ocean Capture”. Esta foi a segunda ronda, a
anterior tinha sido efectuada há um ano, mas de acordo com a nota, decidiu
“aumentar o seu financiamento para suportar o desenvolvimento desta tecnologia
inovadora e lançar a fase comercial” da mesma. Apesar de ter instalações nos
EUA, o objectivo é instalar-se igualmente na Europa, nomeadamente na Noruega.

Na nota, pode ler-se ainda: “A EDP comprometeu-se com metas
net zero até 2040 e estamos entusiasmados por colaborar com a Captura na sua
missão de aumentar a remoção de carbono”, afirmou Luís Manuel, administrador da
EDP Inovação e responsável pela EDP Ventures, citado na nota.

Acrescentou ainda: “Está a tornar-se cada vez mais
importante incluir tecnologias de remoção de carbono como parte de uma
estratégia de emissões líquidas zero, e a Captura destaca-se como líder neste
campo promissor”, acrescentou.

Qatar deixa de enviar GNL para a Europa devido à crise no Mar Vermelho.

Devido à actual crise no Mar Vermelho, o Qatar, nomeadamente a QatarEnergy ( Que são operadores do maior projecto de GNL do mundo) vai deixar de enviar navios-tanque GNL para Europa pela rota mencionada. 

De acordo com um relatório da Bloomberg, indica que pelo menos cinco navios de GNL oriundos do Qatar foram travados desde a semana passada. 

O adiamento na exportação de GNL para a Europa, pode ter impacto muito negativo no que concerne ao aquecimento e para as centrais eléctricas

O Qatar tornou-se vital para a Europa no que concerne ao GNL, após o corte do abastecimento oriundo da Federação Russa na sequência da guerra contra a Ucrânia, tendo tornado no 2° maior fornecedor de GNL à Europa, a seguir aos EUA, tendo atingido os 13% do consumo da Europa Ocidental no ano passado.

Avanços do 1° ano de NEXUS apresentados na 2ª edição das "Agendas Mobilizadoras no Alentejo"

Decorreu, a 19 de Janeiro, a 2.ª edição do evento “Agendas Mobilizadoras no Alentejo”, no Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT) em Évora e sob a responsabilidade da PACT e CCDR Alentejo. 

Esta iniciativa voltou a reunir os líderes dos consórcios das agendas mobilizadoras com investimentos na região do Alentejo, numa sessão que pretendeu apresentar os principais avanços e resultados do 1º ano de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Neste âmbito, e enquanto líder da Agenda NEXUS, a APS -Administração dos Portos de Sines e do Algarve S.A., apresentou o ponto de situação do projecto, cujo principal objectivo é o de criar um ecossistema de inovação e promoção para a transição verde e digital do sector dos transportes e da logística, com especial enfoque nos corredores multimodais de Sines, e através do desenvolvimento de 28 produtos e serviços. 

No centro deste ecossistema, o NEXUS OPEN DATA COLLABORATION PLATFORM, compreende um conjunto de aplicações e serviços que exploram princípios de loT e promovem importantes sinergias entre a plataforma colaborativa de dados abertos e as demais aplicações e serviços destinados a melhorar a performance das operações logísticas.

Este evento de acompanhamento dos principais desenvolvimentos do PRR no Alentejo contou ainda com a presença do Presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR, Professor Pedro Dominguinhos, IAPMEI e as principais entidades com investimentos previstos na região, representantes de diversos agentes regionais e respectivos municípios.

Crise no Mar Vermelho aumenta custos em 300%

De acordo com um relatório de uma empresa de seguros de crédito, a espanhola Crédito y Caución, a contínua crise no Mar Vermelho e os constantes ataques dos rebeldes houthis aos navios que passam pelo estreito de el-Mandeb, causaram um efeito nos aumentos de custos de transporte em cerca de 300%.

A análise provoca um impacto negativo e faz aumentar receios de mais bloqueios na cadeia de abastecimento, ainda mais com um possível agravar da inflação. Esta brutal subida é derivada do facto óbvio, de os navios terem sido empurrados pada “rotas mais longas e mais onerosas para evitar a zona de conflito e suportar os crescentes custos com seguros”, de acordo com o relatório.

A maioria dos economistas ainda acreditam que seja um problema de curto prazo, apesar dos problemas causados tanto aos armadores como às empresas que dependem do transporte marítimo.

Pode ler-se ainda no relatório: “Cerca de 30% de todo o transporte de contentores passa pelo Mar Vermelho, um canal crucial para a carga que viaja da região Ásia-Pacífico para a Europa. Os grandes transportadores marítimos suspenderam as operações na área, desviando os navios para o Cabo da Boa Esperança. O efeito cumulativo de mais nove dias no mar irá inevitavelmente perturbar a logística global e as cadeias de abastecimento. O encerramento efectivo da rota do Mar Vermelho poderia reduzir a capacidade de transporte marítimo internacional em cerca de 20%”.

Um dos economistas ouvidos menciona que é pouco provável que a crise inverta a tendência descendente da inflação ou obrigue à suspensão das reduções das taxas de juro previstas para meados deste ano. Citando o mesmo: “Espera-se que o impacto dos ataques houthis e do aumento dos custos de transporte marítimo na inflação global seja bastante limitado. No máximo, desacelerará o ritmo actual de normalização da inflação em relação ao pico pós-pandemia”.

Será a Wan Hai substituta da Hapag-Lloyd na "THE Alliance"?

 

De acordo com alguns meios de comunicação asiáticos, haverá a possibilidade de o armador Wan Hai substituir a Hapag-Lloyd na THE Alliance.

O ex-presidente de um dos membros dessa aliança, da Yang Ming Marine Transport, sugeriu que a Wan Hai Lines poderia ser um substituto adequado para a Hapag-Lloyd na Aliança. Bronsok Hsieh mencionou que a Wan Hai, que opera rotas transpacíficas, tinha algumas ambições de lançar serviços Ásia-Europa. 

Wan Hai iniciou a recepção de dezoito navios de 13.000 TEU encomendados durante a pandemia de Covid-19. No dia 17 de janeiro, a Hapag-Lloyd, que com mais de 1,9 milhões de TEU de capacidade, e que é o maior membro da Aliança, anunciou que deixará a aliança para formar a Cooperação Gemini com a Maersk Line em 2025. 

Bronson Hsieh, tal como outros, acredita que isto poderá desencadear uma reestruturação das alianças existentes. Com mais de 592.000 TEU de capacidade, incluindo cerca de 112.000 TEU encomendados, Wan Hai é o 11º maior operador do mundo. Hsieh afirmou: “Se Wan Hai relançar as suas ambições de iniciar serviços para a Europa, poderá ser convidado a aderir à Aliança”. 

Por outro lado, Hsieh opinou que é improvável que a 10ª maior, a  ZIM Line, sendo uma empresa israelense, seja aceite para participar em qualquer aliança, devido à actual crise do Mar Vermelho. 

O actual acordo da THE Alliance é válido até 2030 e a saída da Hapag-Lloyd deixará a ONE – Ocean Network Express como o membro com maior capacidade. Se a Aliança continuar, isso pode depender de ONE. Principalmente uma transportadora intra-asiática, a Wan Hai reiniciou os seus serviços Transpacíficos quando as taxas de frete atingiram o pico durante a pandemia. 

Desde que o mercado começou a corrigir em meados de 2022, os lucros da empresa oriunda de Taiwan baixaram. Os observadores do mercado pensam que a Wan Hai poderia melhorar a sua rentabilidade juntando-se a uma aliança. 

Porto de Lisboa recebe MSC Euribia – Navio que fez a 1ª viagem com zero emissões.

O Porto de Lisboa recebe amanhã o MSC Euribia, o primeiro navio de cruzeiro a realizar uma viagem com zero emissões de gases com efeito de estufa. 

Foi um pequeno trajecto de quatro dias entre Saint-Nazaire e Copenhaga, mas um enorme salto para uma nova era na indústria.

Essa viagem histórica de mais de mil milhas alcançou as zero emissões de gases com efeito estufa, pela utilização do combustível bio-LNG (Gás Natural Liquefeito) e pela aplicação da abordagem de balanço de massa, demonstrando, assim, que os cruzeiros com zero emissões são possíveis.

O MSC Euribia recebeu o nome da antiga deusa Eurybia que aproveitou os ventos, o clima e as constelações para dominar os mares, reforçando a missão do navio, que é dominar a implantação de tecnologias sustentáveis de última geração para proteger e preservar o precioso ecossistema marinho.

Nova fonte de medicamentos: Fungos do fundo do Mar.

Investigadores esperam que dados de novo catálogo de genes do Oceano que revela abundância de fungos do Mar possa indicar o caminho para novos tipos de antibióticos.

Os oceanos são o meio onde existe um enorme biodiversidade, que embora muito pesquisada, ainda segue como sendo um grande mistério para a ciência. Esse paradogma pode ser alterada, com a publicação do maior estudo já feito sobre a biodiversidade marinha na revista Frontiers in Science.

Este novo catálogo possui informações de mais de 317 milhões de grupos de genes de organismos marinhos, proporcionando dados como a função biológica, localização e tipo de habitat. Desta maneira, indicou que há abundância de fungos numa parte do oceano denominada de zona crepuscular.

Por isso, os investigadores da área possuem esperança de que o estudo destes peculiares organismos possa indicar novos medicamentos que podem ter o mesmo poder por exemplo de uma penicilina.

Entre os 200 e mil metros de profundidade no oceano, a ausência de luz solar, as baixas temperaturas e a pressão alta proporcionam um ambiente mais extremo. Por isso, a zona é casa de uma enorme diversidade de seres vivos que se adaptaram, como tubarões lanterna e kitefin, que têm olhos enormes e pele bioluminescente que brilha.

“Isso poderia levar potencialmente à descoberta de novas espécies com propriedades bioquímicas únicas”, mencionam os autores da investigação.

Além disso, o catálogo da biodiversidade genética dos oceanos ofereceu outras informações aos cientistas. Uma delas é o papel dos vírus em impulsionar a diversidade genética. Os vírus inserem-se e movem genes de um organismo para outro. Isso significa que os vírus criam biodiversidade genómica e aceleram sua evolução”, explicou Carlos Duarte, autor do estudo.

Agora, investigadores descobriram que a zona crepuscular também abriga uma grande quantidade de fungos. E, por suas características específicas, esses organismos podem apresentar adaptações únicas.

“Isso poderia levar potencialmente à descoberta de novas espécies com propriedades bioquímicas únicas”, explicam os autores da pesquisa.

Algas cultivadas em laboratório salvam espécies no Mar Negro

 

Segundo avança o EuroNews, durante dois anos, biólogos romenos cultivaram em laboratório uma espécie de alga que esperam agora propagar no Mar Negro, para ajudar à sobrevivência de outras espécies em vias de extinção.

Uma espécie de alga, em risco de extinção no Mar Negro, mas essencial à vida marinha, foi multiplicada por biólogos em laboratório e está agora a ser plantada nas zonas costeiras de Constanta e Agigea, na Roménia.

Esta espécie, que antes era abundante na região, é crucial para o desenvolvimento de outras espécies marinhas, mas tem sido destruída desde a década de 70 do século passado devido à acumulação de sedimentos e poluição.

As sementes da alga foram colocadas numa área de costa com cerca de 300 metros quadrados e os especialistas esperam que a plantação ajude algumas espécies de peixes e crustáceos a sobreviverem na região. O processo de cultivo em laboratório da alga levou cerca de dois anos.

Além de ser essencial para a sobrevivência do ecossistema, esta espécie de alga é também um indicador preciso da qualidade da água: só permanece quando as águas estão suficientemente limpas e livres de poluição.

Dependendo do ritmo de crescimento, a alga poderá ser depois propagada por toda a costa romena, permitindo a reconstrução dos ecossistemas ameaçados pela falta de preservação do meio ambiente.