
A escalada de tensão no estreito de Ormuz está a aumentar a pressão sobre os seguros marítimos de guerra, numa altura em que armadores, carregadores e seguradoras enfrentam um quadro de risco cada vez mais incerto.
O problema já não passa apenas pelo aumento dos prémios. Em causa está também a disponibilidade da própria cobertura, sobretudo em cenários de ataque, bloqueio, apresamento de navios ou outros incidentes ligados a conflitos geopolíticos. Ao contrário dos riscos normais de navegação, os riscos de guerra costumam estar excluídos das apólices marítimas comuns, exigindo seguros específicos. Ainda assim, essas coberturas podem ter limitações importantes, especialmente quando estão envolvidos Estados, forças militares ou situações de conflito aberto.
A complexidade aumenta quando um sinistro resulta de várias causas. Um ataque que provoque incêndio ou perda de carga pode ser enquadrado como risco de guerra, mas um acidente ocorrido no meio do caos de uma zona de conflito pode levantar dúvidas sobre que apólice deve responder. Ormuz é uma rota crítica para o transporte mundial de energia e não dispõe de alternativas equivalentes. Por isso, qualquer agravamento prolongado da tensão poderá afectar navios, cargas, custos de seguro e a continuidade das cadeias de abastecimento.
A crise mostra que o transporte marítimo enfrenta hoje um risco que vai além da operação. A geopolítica está a condicionar directamente a segurança das rotas, a disponibilidade de seguros e o funcionamento do comércio global.