Portugal é o primeiro país mediterrânico com mexilhões sustentáveis

Certificação internacional pioneira obtida por empresa do Algarve é a segunda no país, depois da sardinha.

Sabem bem os mexilhões do Algarve? Então agora saberão melhor: a sua produção acaba de ser declarada sustentável pela mais importante organização internacional da área. Ou seja, em tese, podemos comê-los com a certeza de que a sua cultura não está a poluir o mar ou a dar cabo da própria espécie.

É a segunda pescaria portuguesa a ser certificada com o selo do Marine Stewardship Council (MSC), uma organização sem fins lucrativos. Os mexilhões seguem os passos da sardinha, que obteve a mesma certificação em 2010, mas agora suspensa.
A iniciativa partiu da Companhia de Pescarias do Algarve, uma empresa que está prestes a completar 150 anos de existência. “É uma certificação que achamos que valia a pena”, afirma António Farinha, presidente do conselho de administração. O selo de sustentabilidade, explica António Farinha, é importante para se conquistar mercados exigentes, como os do Norte da Europa e América do Norte.
E a empresa quer precisamente tornar-se no maior fornecedor de mexilhões para a Europa e num dos maiores exportadores do mundo.
O que faz do mexilhão do Algarve sustentável é sobretudo a forma como é criado. As “sementes” – como são conhecidos os juvenis de bivalves – foram recolhidas manualmente nas rochas do litoral da região. O processo é feito uma só vez.
Os juvenis são então largados sobre linhas que pendem de longas cordas, às quais os mexilhões agarram-se e se desenvolvem. Submersas, ocupam uma área de cerca de mil hectares em mar aberto, uma milha marítima (cerca de 1,8 quilómetros) ao largo da ilha da Armona, em Olhão.
À parte a manutenção diária da própria estrutura, não é preciso fazer mais nada. “É um processo completamente natural, não damos qualquer alimento, qualquer antibiótico”, explica António Farinha. “A qualidade da água é tal que permite ter mexilhões em cinco a seis meses”, completa o responsável da empresa.
Os animais reproduzem-se naturalmente, não é preciso voltar a “semeá-los”. E as próprias cordas acabam por funcionar como uma espécie de recife de coral, onde outras espécies marinhas vão-se alimentar, incluindo peixes com interesse comercial como douradas e gorazes.
O processo parece ser simples, mas conseguir o selo de sustentabilidade não foi fácil. O processo implica garantir que o stock do recurso permanece estável, que não há impacto no ecossistema e que a pescaria é gerida com as melhores técnicas ambientais. E tudo tem de ser confirmado por auditorias independentes do MSC, já que a entidade apenas fixa as normas. “O processo de certificação levou um ano”, diz António Farinha. O resultado é hoje celebrado numa cerimónia em Olhão.
Com várias delegações em todo o mundo, o MSC já certificou até agora 246 formas de pesca e tem mais 106 em avaliação. O foco são as artes de captura de animais em meio natural. Os mexilhões são um caso particular, pois podem ser criados praticamente sem intervenção humana, a não ser associá-los a um suporte. “É uma pescaria que está entre a aquacultura e a pesca selvagem”, afirma Laura Rodríguez, responsável do MSC para Portugal e Espanha.
Além das pescarias em si, o selo pode ser usado nos produtos que dela resultam. Na prática, o rótulo significa que aquele produto – uma conserva, por exemplo – provém de uma pescaria certificada e seguiu uma cadeia também alvo de certificação até chegar ao consumidor final.
“O objectivo da certificação é ambiental. Mas é também um incentivo comercial para os produtores”, explica Laura Rodríguez.
A Companhia de Pescarias do Algarve espera, por exemplo, utilizar o selo em patês e conservas de mexilhão, bem como no mexilhão congelado, com o qual quer competir no mercado internacional, dominado por países como Nova Zelândia, Espanha e Chile.
Em Portugal, há 39 empresas – sobretudo conserveiras, que processam pescado certificado como sustentável – autorizadas a utilizar o selo do MSC. No mundo todo, são mais de 25 mil produtos comercializados com o selo.
Pescarias em si, são apenas duas no país. A pesca do cerco à sardinha foi a primeira a obter a certificação, em 2010. Mas a espécie tem sofrido altos e baixos na sua população reprodutora. Em Janeiro de 2012, a certificação foi suspensa, porque não havia sardinhas suficientes para garantir a sustentabilidade do recurso a longo prazo. Retomada um ano depois, a certificação voltou a ser suspensa em Agosto passado, pelo mesmo motivo.

Fonte: Público

Mistério das placas de borracha da Indonésia que desagua na Europa

A história de como uma plantação numa ilha do Oceano Índico levou pessoas de toda a Europa a unir-se em redor de um mistério que envolve navios naufragados, guerra e placas. Muitas placas.


Tjipetir. A palavra era absolutamente desconhecida para Tracey Williams no verão de 2012, quando, certa manhã, enquanto passeava o cão numa praia da Cornualha, Reino Unido, deu de caras com uma placa com essa inscrição. A Benjamin, um francês que passeava com a família na praia de Mimizan, perto de Bordéus, aconteceu o mesmo. E também a Lou, a Yael, a Nick e a muitos outros. Desde há uns anos, placas com a palavra Tjipetir têm dado à costa em várias praias da Europa e, agora, parece ter-se descoberto finalmente a sua origem.
Primeiro os factos: Tjipetir é uma pequena localidade da ilha indonésia de Java onde existiu, entre o fim do século XIX e início do XX, uma plantação de borracha e derivados. As placas que chegam às costas europeias não são de borracha, como pensaram inicialmente aqueles que as encontraram, mas sim de guta-percha, uma substância semelhante à borracha obtida a partir da árvore Palaquium, encontrada em países do subcontinente asiático.

Como é que placas de uma substância semelhante à borracha produzidas há mais de 80 anos na Indonésia acabam nas praias europeias? É isso que Tracey Williams tenta descobrir desde aquele verão de 2012. Para tal, criou a página de Facebook “Tjipetir Mistery“, onde são publicadas fotografias e testemunhos de pessoas que também encontraram placas destas. Para já, não há registo de que Tjipetir tenha chegado a praias lusas, mas isso não será improvável, uma vez que já se encontraram exemplares na Galiza, em Espanha.
Neste momento, parece ponto assente que a guta-percha de Tjipetir chegou à Europa devido ao naufrágio de um navio. Resta saber qual. Quando, em abril, o jornal francês Le Figaro contou como Benjamin tinha descoberto a sua placa, avançou no mesmo artigo que o mais provável era que esses materiais viessem no Titanic. “Consultei o manifesto de bordo e descobri que realmente transportava guta-percha”, conta Tracey Williams à BBC.
Poderia ser o fim da história, o último segredo do Titanic, como o apelidou o Le Figaro. Mas, em 2013, um navio japonês veio interferir com a lenda e adensar o mistério em redor das placas. Miyazaki Maru. Era assim que se chamava o barco nipónico construído em 1909 e afundado em plena Primeira Guerra Mundial, em 1917, por um submarino alemão, enquanto viajava de Yokohama para Londres. Entre a carga que transportava, placas de Tjipetir.
Essa informação chegou a Tracey através de duas pessoas diferentes sem qualquer relação entre si. E parece encontrar apoio junto das autoridades britânicas responsáveis pelos navios naufragados e sua carga. “As nossas investigações com estes materiais apontam para esse naufrágio específico. Apesar de ainda não o termos confirmado, o Miyazaki Maru é a fonte mais provável dessas placas”, explicou à BBC Alison Kentuck, responsável governamental por naufrágios.



Mistério resolvido? Talvez. Mas é muito provável que as placas continuem a aparecer nas praias da Europa. Segundo alguns especialistas em destroços oceanográficos, até podem continuar a chegar nos próximos cem anos.

Fonte: Observador

Começaram as demolições na Ria Formosa

As 23 edificações existentes no ilhote do Ramalhete, na Ria Formosa (Algarve), são as primeiras a ir abaixo. No total, o Ministério do Ambiente contabiliza 808 estruturas – entre casas, casebres e barracões – que serão demolidas nas Ilhas Barreira até final de 2015. Para demolições e recuperação dos espaços naturais prevê-se um investimento total de mais de 17 milhões de euros.
As primeiras edificações a demolir situam-se no ilhote do Ramalhete, uma extensão de areia onde se chega por terra, atravessando um sapal. As pessoas que detinham estes espaços de segunda habitação e arrumos já retiraram os respectivos pertences e algumas até levaram as casas pré-fabricadas por inteiro. Esta quarta-feira avançaram as máquinas para arrasar o que ficou.
Para marcar o momento anunciado há mais de 10 anos, o ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território esteve no local. “Não queremos que o cenário de destruição pelo mar vivido na Fuseta, em 2010, se repita noutros locais”, sublinhou Jorge Moreira da Silva, recordando que, há quatro anos, naquele outro canto das Ilhas Barreiras, vagas de mais de seis metros se encarregaram de derrubar a maioria das casas ali erguidas.
As máquinas fizeram o resto e hoje é um espaço renaturalizado. No total, entre os ilhotes – Ramalhete, Deserta, Cobra, Ratas, Coco e Altura – somam-se 193 casas ou casebres para deitar abaixo até ao final do ano.
A partir de Janeiro as máquinas irão derrubar mais cerca de 700 edificações entre casebres, arrumos e casas de segunda habitação) nas zonas poente e nascente da Ilha de Faro (península do Ancão), nos Hangares, na zona nascente do Farol e no núcleo da Culatra. Na área poente da ilha do Farol, na Armona e na zona desafectada do domínio público marítimo da Praia de Faro serão futuramente.
No total, serão realojadas 110 famílias. Das oito centenas de casas a demolir, “apenas 12% são de primeira habitação”, afirma o ministro. Moreira da Silva garante que as autoridades tiveram “grande cuidado com as questões de apoio social e que nenhuma habitação será demolida sem que as pessoas sejam realojadas”. O ministro lembra também que “a zona costeira de Portugal tem uma elevada vulnerabilidade à erosão”.
Para as intervenções de demolição nas ilhas Barreira está previsto um investimento de €9,7 milhões e para a recuperação e renaturalização daqueles espaços mais €7,5 milhões, o que totaliza mais de €17 milhões com recurso a apoio de fundos comunitários.
Entre 2014 e 2015 estas verbas inserem-se no pacote de €300 milhões que o Governo anunciou para obras de defesa de pessoas e bens no litoral do país. Segundo Moreira da Silva, os investimentos no litoral vão continuar: “Até 2050 estão previstos investimentos de mais de mil milhões para proteção de pessoas e bens”. Na base destes cálculos estão as estimativas do Grupo de Trabalho do Litoral, o plano de ação para as zonas costeiras até 2020.
Além da protecção de pessoas e bens, as intervenções previstas pretendem também salvaguardar as actividades económicas da Ria Formosa e a sua valorização ambiental. Moreira da Silva lembra que “sem ilhas Barreira, não há Ria formosa nem protecção para as baixas de cidades como Faro ou Olhão”.
Fonte: Expresso

Nova esperança para a vida dos golfinhos

Os golfinhos são uma das espécies mais cativantes do ecossistema animal. Infelizmente, desde 2013 que no oceano Atlântico têm sido muitos os animais desta espécie a aparecer mortos devido a uma doença parecida com o sarampo.
Mas agora apareceu uma nova esperança para estes animais, alguns investigadores desenvolveram um dispositivo que pode salvar a vida de muitos golfinhos em todo o mundo.

Cristina Davis e alguns dos seus colegas investigadores da National Marine Mammal Foundation em San Diego, da UC Davis Department of Mechanical and Aerospace Engineering e do Chicago Zoological Society’s Mote Marine Laboratory em Sarasota, Florida, juntaram-se para desenvolver um dispositivo que pode ser colocado na bolha do golfinho, de modo a determinar o seu estado de saúde de uma forma não evasiva.
Como funciona?
O dispositivo recolhe e congela a respiração do animal num tubo isolado, sendo depois analisados os metabólitos presentes na respiração. Através destes metabólitos podem ser retiradas informações sobre a dieta destes animais, a sua actividade, exposições ambientais e até mesmo doenças.
Pelo facto destes animais serem “respiradores explosivos”, enchendo a sua capacidade pulmonar a 90% em menos de 1 segundo, é o suficiente para ser feita uma análise à sua saúde.
Depois da criação deste dispositivo, os investigadores criaram perfis padrão associados a golfinhos saudáveis. Agora, analisando outros golfinhos, é possível comparar os seus metabólitos com estes padrões, de forma a perceber se o animal sofre de algum tipo de doença.
Esta técnica não serve só para golfinhos, podendo ser utilizada noutro tipo de mamíferos marinhos.
Com certeza, estes investigadores manterão toda a sua atenção virada para a preservação destes magníficos animais. Mas será este dispositivo importante para a monitorização e para o salvamento da espécie?

Fonte: pplware


Atrás dos peixes-lua do Algarve, que gostam de apanhar banhos de sol

Equipa liderada por cientistas portugueses aliou a biologia à robótica marinha para conhecer melhor os hábitos de um peixe carismático e ver como é que as alterações climáticas o estão a afectar.


O peixe-lua é o maior peixe ósseo do mundo: o seu corpo bastante arredondado pode ter mais de três metros de comprimento, quatro de altura, incluindo as barbatanas, e pesar duas toneladas. Até está no Livro Guinness dos Recordes, porque as fêmeas produzem até 300 milhões de ovos de cada vez. Ora foi atrás de 20 peixes-lua que andou uma equipa liderada por cientistas portugueses: prenderam-lhes marcadores e, durante três semanas, seguiram-nos desde a costa de Olhão em direcção a Espanha.

Os peixes-lua, ou Mola mola, vivem no Atlântico e Pacífico, nas zonas temperadas e quentes. Em Portugal, são comuns em toda a costa, sobretudo no Algarve. O seu comportamento pode dar indicações sobre as alterações climáticas, uma vez que a sua distribuição e migração são influenciadas pela temperatura da água. Identificam-se facilmente pela ausência de uma barbatana caudal e presença de uma barbatana dorsal e outra anal, que são simétricas.

Neste estudo, que incluiu ainda cientistas norte-americanos, espanhóis e noruegueses, os animais foram observados ao longo da costa de Olhão, durante Maio, para compreender a sua biologia, comportamento e hábitos alimentares (comem zooplâncton gelatinoso e pequenos crustáceos). “Queríamos conhecer melhor o comportamento do peixe-lua e, acima de tudo, através de observações in situ, caracterizar o habitat dos peixes em tempo real”, diz Nuno Queiroz, biólogo no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio), no Porto.

Como ao largo de Olhão, a três milhas da costa, há uma rede de captura de atuns, os peixes-lua também acabam por ser apanhados por ela, o que se por um lado pode provocar o declínio das suas populações, por outro facilitou a obtenção de peixes para estudo (apanharam-se os mais pequenos, com 30 ou 40 quilos).

“Apanhávamos os peixes-lua e: ou os colocávamos num tanque em terra e posteriormente eram largados no mar, ou eram logo sinalizados com um marcador GPS”, refere o engenheiro electrotécnico e de computadores João Tasso Sousa, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, envolvido na parte da robótica marinha do estudo.

Presos aos peixes por um fio, os marcadores ficavam a flutuar e emitiam a sua localização geográfica. “Quando o marcador estava à superfície, começava a emitir a posição GPS via satélite e nós recebíamo-la em terra. Quando os peixes mergulhavam, o marcador desligava-se para não gastar bateria. Basicamente, os peixes fazem este ciclo: vão ao fundo — podem ir até cerca de 600 metros — e depois vêm à superfície.”



Uma espécie-modelo
Apesar de ser um migrador de grande profundidade, também passa longos períodos à superfície. “Por que vêm à superfície? É para regular a temperatura. Colocam-se na horizontal para apanhar banhos de sol”, conta João Tasso Sousa, dizendo que têm dados em eles estavam umas horas à superfície. “Os colegas biólogos queriam saber qual é o comportamento dos peixes: quanto tempo passam à superfície e depois, quando mergulhavam, o que faziam.”

“O objectivo principal era obter, com elevada precisão e em tempo real, a localização dos peixes marcados. E, através de veículos autónomos, obter simultaneamente informação ambiental, como por exemplo a temperatura e a quantidade de potenciais presas”, explica Nuno Queiroz.

“Tal como outros peixes, deslocam-se a distâncias consideráveis e concentram-se em zonas produtivas [com zooplâncton]. É assim uma boa espécie-modelo: ao estudarmos o peixe-lua, podemos inferir características comuns a outras espécies”, conta o investigador do Cibio.

Uma vez recebidos os sinais GPS emitidos pelos marcadores nos 20 peixes-lua, eram accionados, em fases diferentes, três veículos robóticos, que iam ao encontro dos peixes-lua, graças à baixa velocidade com que se movimentam.

Atrás dos peixes, um veículo autónomo subaquático recolhia primeiramente os dados sobre a água, como a salinidade (obtida pela condutividade eléctrica), a temperatura e a pressão (profundidade). De seguida, um pequeno veículo autónomo aéreo fazia a confirmação visual dos peixes, para verificar se estavam realmente no local assinalado pelos receptores GPS. Por fim, um veículo autónomo de superfície recolhia dados oceanográficos, como a temperatura da água, a concentração de clorofila, a direcção e a força das correntes e dos ventos. O uso destas tecnologias, considera João Tasso Sousa, facilita o estudo da dinâmica dos ecossistemas.

“A ideia é tentar relacionar diferenças de temperatura com nutrientes e outros aspectos”, conta João Sousa. “Com uma câmara GoPro que tínhamos num dos veículos, conseguimos identificar, nalgumas zonas, concentrações grandes de zooplâncton.”

Fonte: Público

Laboratório submarino irá explorar os Oceanos

Começa em este mês na França a construção de um navio que promete mudar a maneira como a exploração e o estudo dos oceanos é realizado.

Desenhado pelo arquitecto francês Jaques Rougerie, oSeaOrbiter pretende ser um laboratório em movimento, equipado com a tecnologia mais avançada existente. A construção do barco irá começar no final deste ano e deve ser completada em 2016. Dos 50 milhões de dólares investidos nopprojecto 95% do valor veio do governo da França e da iniciativa privada. O último 1% do projecto foi financiado por um site de crowdfunding, que conseguiu arrecadar mais do que os 325 mil euros inicialmente previstos.

De acordo com o seu criador, o principal objectivo do navio é pesquisar a biodiversidade e o clima dos oceanos, além de dar às pessoas a real noção de como os mares são vitais para o bem-estar da Terra.

Entre os projectos já previstos para as viagens do SeaOrbiter, está a análise química dos mares, a busca por novas espécies de vida, o mapeamento do solo oceânico e até expedições arqueológicas submarinas.

Para isso, o SeaOrbiter terá 12 andares, seis deles abaixo do nível da água, permitindo a observação ininterrupta do que acontece no fundo do mar. A construção do barco de 2 600 toneladas foi feita com sealium, uma espécie de alumínio reciclável feito para resistir mais tempo sob condições marinhas.

Apesar de lembrar a Enterprise, nave espacial da série Star Trek, a principal inspiração para a construção e desenvolvimento do SeaOrbiter foi a Estação Espacial Internacional. A intenção dos criadores é tornar o navio um laboratório para aplicações úteis para a vida na terra, assim como a ISS.

No total, 22 tripulantes poderão ficar a bordo do SeaOrbiter, que fará viagens com duração entre três e seis meses.



Fonte: 360 Graus

Ciência avança sobre parte inexplorada dos Oceanos

Apesar de cobrir 70% da superfície do planeta, os oceanos são o ecossistema menos explorado da Terra. Para cientistas, a necessidade de compreender melhor os oceanos é uma questão de sustentabilidade.
“A exploração dos recursos marinhos aumenta cada vez mais, fazendo dos oceanos uma fonte que muitos julgam inesgotável para a satisfação de diversas demandas humanas. É preciso compreender melhor a complexidade da vida marinha para estabelecer uma relação sustentável com ela”, disse Rick Grosberg, Director do Coastal and Marine Sciences Institute (CMSI) da University of California em Davis (UCD), à Agência FAPESP.
Esforços para avançar no conhecimento sobre a vida marinha, correntes oceânicas e as suas relações com a vida em terra firme foram partilhados por investigadores dos Estados Unidos na FAPESP Week California, realizada de 17 a 20 de Novembro nas cidades de Berkeley e Davis.
Grosberg falou sobre pesquisas com invertebrados marinhos, incluindo anêmonas, hidrozoários, ascídias e caracóis, e do uso de abordagens genômicas no estudo de suas populações. “Os trabalhos de meu grupo envolvem actividades de campo e de laboratório, com genética molecular, genética populacional e filogenia, além de uma quantidade ainda modesta de modelagem”, disse.
Entre esses trabalhos estão pesquisas em genética da conservação de invertebrados marinhos e crustáceos de piscinas vernais, conjuntos temporários de águas formados em determinadas épocas do ano, que servem de habitat para plantas e animais. “Em menos de um século, a urbanização e a conversão agrícola destruíram 90% desses habitats”, disse.
Ivestigadores do laboratório de Grosberg iniciaram estudos genéticos para caracterizar os efeitos do habitat na diversidade de espécies endêmicas – que ocorrem em apenas um ecossistema – de camarão girino. De acordo com o investigador, várias dessas espécies são agora protegidas pelo governo dos Estados Unidos em razão dos trabalhos do laboratório.
O objectivo agora é expandir o projecto para outras espécies simpátricas – variações genéticas de populações que habitam a mesma região geográfica, tornando-se espécies diferentes. “Também estamos examinando os efeitos das mudanças climáticas, da pesca excessiva, da poluição e da fragmentação de habitat sobre a resiliência dos recifes de coral”, disse Grosberg.
Luciano Martins Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) e membro da coordenação do Programa BIOTA-FAPESP, falou sobre a importância do monitorização da biocomplexidade em todos os ecossistemas.
“Seja no meio aquático ou terrestre, precisamos de mecanismos de monitorização que nos permitam tomar decisões de intervenção humana para corrigir problemas gerados por pressões – como, por exemplo, de pesca excessiva ou uso de produtos agroquímicos – que contaminam o meio, mas são necessários à actividade agrícola”, considerou.
Verdade destacou na sua palestra a necessidade de o processo produtivo levar em consideração a conservação da biodiversidade.
“Hoje, mais do que nunca, a paisagem em que a pesca ou a agricultura são feitas é a mesma ocupada pela diversidade biológica. O que se pretende é uma paisagem que seja de facto multifuncional, que tenha a missão de produção de espécies domesticadas, mas comporte também uma missão de conservação da diversidade biológica”, disse.
Correntes marítimas
Outro factor directamente ligado à vida nos oceanos e fora deles, as correntes marítimas, foi abordado na FAPESP Week California por Edmo José Dias Campos, professor do Instituto Oceanográfico da USP.
Campos apresentou as actividades de pesquisa conduzidas no âmbito do Projecto Temático Impacto do Atlântico Sul na célula de circulação meridional e no clima, realizado com apoio da FAPESP e que integra o projecto internacional South Atlantic Meridional Overtuning Circulation (Samoc).
“Estamos actuando para entender o comportamento das regiões profundas do oceano em uma área onde não há observações anteriores”, destacou Campos. Segundo ele, as observações mais recentes surpreenderam pela intensidade das correntes do Atlântico Sul.
“Já temos um conjunto de correntes medidas a quatro mil metros de profundidade que estão mostrando variações de amplitude muito maiores do que o esperado. Também verificamos que a componente leste-oeste dessa corrente tem uma variabilidade muito grande, como se houvesse uma espécie de meandramento ou oscilação lateral, com amplitudes muito grandes. Precisamos revisitar os dados e analisá-los, mas tudo indica que se trata de um fenómeno inédito”, disse.
O conhecimento sobre o comportamento das correntes pode ajudar na compreensão das mudanças climáticas. “Se conseguirmos manter esse sistema de observação ao longo do tempo, vamos poder dizer se há alterações de mais longo período e considerar suas relações com o clima”, disse Campos.
Os trabalhos são realizados com o navio de pesquisa oceanográfica Alpha-Crucis, adquirido pela FAPESP.
Fonte: Exame

Google lança ferramenta de controlo à pesca ilegal

Entre 11 e 26 milhões de toneladas de peixe são pescados anualmente de forma ilegal
Para combater a pesca ilegal, a Google lançou uma ferramenta que monitoriza, via satélite, milhares de embarcações pesqueiras em todo o mundo. O “Global Fishing Watch” permite acompanhar os movimentos de toda a frota pesqueira, através de um sistema semelhante ao GPS.

O sistema foi criado numa parceria com a Oceana, uma organização internacional direccionada na conservação dos oceanos, e a Skytruth, uma organização sem fins lucrativos que usa o mapeamento digital para expor os impactos ambientais. A Google espera que a informação esteja disponível para o público a curto prazo. Apesar de estar ainda em fase de protótipo, já foram identificadas cerca de 3 mil embarcações.

De acordo com os dados das Nações Unidas, cerca de 90% das espécies marinhas sofrem as consequências da sobrepesca. Entre 11 e 26 milhões de toneladas de peixe são pescados anualmente de forma ilegal.
Fonte: Ionline

Barcos de pesca portugueses na lista negra da Greenpeace





Embarcações “Ártico” e “França Morte” fazem parte da lista negra de pesqueiros da UE. 


Duas embarcações, de bandeira portuguesa, figuram na lista da organização ambientalista Greenpeace, divulgada esta terça-feira, dos 20 pesqueiros da União Europeia mais nocivos para os oceanos, devido a práticas de “pesca destrutiva”. Segundo o relatório “Barcos-Monstro”, disponível no portal da Greenpeace, o “Ártico” constitui uma ameaça para certas espécies de tubarão, tartarugas e aves marinhas, enquanto ao “França Morte” é atribuída a responsabilidade pela diminuição de reservas de peixes como o bacalhau. O “Ártico”, cuja propriedade não é clara, ressalva o relatório, dedica-se à pesca de atum e espadarte no Pacífico, ao passo que o “França Morte”, que a Greenpeace atribui ao armador Pedro França, da Gafanha da Nazaré, se dedica à pesca de bacalhau, raia e “red fish”, no Atlântico Norte. A Lusa procurou confrontar Pedro França com as considerações da Greenpeace, mas não conseguiu contactá-lo. Barcos de pesca mais nocivos da UE A lista da organização ecologista inclui mais 18 embarcações de pesca, entre as mais nocivas, uma delas operada por uma empresa grega e as restantes com bandeira de Espanha, Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Lituânia, Holanda, Polónia e Reino Unido. Em comunicado, citado pela agência Efe, a Greenpeace justifica a seleção dos pesqueiros com a sua “enorme capacidade para capturar peixes” e o seu “impacto na sobre exploração das populações de peixes, nas espécies vulneráveis e nos habitats marinhos”. A organização não-governamental salienta que a pesca excessiva é um problema mundial com consequências “alarmantes e indiscutíveis”, uma vez que 90 por cento das populações de peixes estão sobre exploradas, acrescentando que segmentos da frota europeia têm uma capacidade de pesca duas ou três vezes maior do que o nível considerado sustentável.  A Greenpeace apela aos 28 Estados-Membros da União Europeia para que proporcionem acesso preferencial à pesca tradicional e de baixo impacto, como o defende a nova Política Comum de Pescas, para os próximos cinco anos.

Fonte: CM

Timor encomenda navio a empresa portuguesa

O Governo de Timor-Leste encomendou um navio de carga e passageiros à empresa portuguesa AtlanticEagle Shipbuilding. O site macauhub avança que o administrador da empresa, Carlos Costa, não revela os valores da encomenda esclarecendo que o navio, com 72 metros de comprimento, terá capacidade para transportar carga, 377 passageiros e 22 viaturas. Carlos Costa explica também que o navio servirá para ligar Dili, à ilha de Ataúro e ao enclave de Oecussi.
O administrador afirmou ainda que a empresa está em conversações “adiantadas” para fornecer navios, como a Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Guiné Conacri.

Este será o primeiro navio a ser construído pela empresa da Figueira da Foz, que se dedicava apenas à reparação naval, tendo adicionou há seis meses a componente comercial de construção, refere o mesmo site.



Fonte: TeR