Tecnologia "made in" FEUP transforma a água do mar em potável

As investigadoras Eva Sousa e Sofia Delgado, do Laboratório
de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE), sediado
na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), criaram um método
de valorização dos materiais presentes na salmoura – associada muitas vezes a
água extremamente salgada e carregada de toxicidade em resultado da
dessalinização da água do mar – obtidos através de um processo designado por
Osmose Inversa.

Com um potencial de mercado estimado em 7 mil milhões, esta
nova tecnologia poderá ser a solução para vários problemas associados à
sustentabilidade no sector da água. Os resultados preliminares são promissores
e deram já origem à SeaMoreTech, uma spin-off da FEUP.

A dessalinização é uma das soluções apontadas para combater
a escassez de água e a seca, que vão acontecer com mais frequência e
intensidade nos próximos anos, por causa das alterações climáticas.

Esta solução vai permitir obter minerais absolutamente
necessários na indústria farmacêutica, automóvel e também no campo da
electrónica que têm visto as suas cadeias de valor muito atrasadas, em
consequência da dependência da Rússia e da China neste processo e de toda a
situação geopolítica que se vive com o conflito na Ucrânia.

“Ao valorizarmos uma corrente que é vista tipicamente como
um subproduto, um resíduo, que é a salmoura, nós podemos, de facto, de uma
forma muito rápida e também muito eficiente, devolver todos estes minerais para
estas indústrias que tanto necessitam, e em simultâneo, viabilizar a própria
tecnologia da osmose inversa no ponto de vista de duplicar, por exemplo, a
eficiência na recuperação de água potável”, explica Sofia Delgado.

“Estamos em Portugal, um país com 900 quilómetros de costa,
temos que nos virar para o óbvio, que é trabalhar no desenvolvimento de uma
economia azul sustentável. Há aqui um potencial enorme que tem que ser
aproveitado até para podermos viabilizar tudo o que vem a seguir, como a
proteção de espécies marinha e dos ecossistemas”, acrescenta Eva Sousa.

As duas jovens engenheiras conheceram-se quando desenvolviam
trabalho no âmbito das respectivas teses de doutoramento no LEPABE, baseadas em
eletrolisadores e pilhas de combustível para a produção e utilização de
hidrogénio verde.

Focadas e fortemente motivadas pelos resultados que têm
obtido à escala laboratorial, Eva Sousa e Sofia Delgado assumem que o grande
objectivo para os próximos meses passa por trabalhar na comercialização desta
tecnologia de uma forma sustentável e conseguir viabilizar a utilização da água
do mar para a produção hidrogénio verde ou para a utilização pelas comunidades
como água potável.

APDL e ETG com contrato para lote na plataforma logística do Porto de Leixões

A Administração dos portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, S.A., e a ETG, Empresa de Transportes e Gestão do Grupo ETE, celebraram um contrato para a utilização do lote 12 do Polo I da Plataforma Logística do Porto de Leixões, com vista à instalação de um parque de contentores de apoio ao tráfego marítimo e actividades conexas.

A ETG integra o Grupo ETE, um grupo logístico português e uma referência no sector marítimo-portuário, com experiência acumulada em mais de 85 anos. 

A empresa oferece serviços de logística integrada, destacando-se as operações em armazém de (des)consolidação de contentores, peação, serviço de picking e armazenagem. Paralelamente, realiza a gestão de parques de contentores de 2ª linha, incluindo-se serviços de reparação e manutenção de contentores aliado aos melhores parceiros.

Porto de Lisboa recebe pela 1ª vez o Silver Nova.

 

O Porto de Lisboa recebeu esta sexta-feira, pela primeira vez, o cruzeiro Silver Nova, navio que dispõe de fontes de energia híbridas, algo de inovador na indústria, o que faz com que, em porto, alcance as zero emissões. Trata-se do navio de cruzeiro mais sustentável da actualidade e está na sua viagem inaugural.

A escala na capital portuguesa é a última da viagem que teve início em Barcelona e passou por Palma de Maiorca, Valência, Cartagena, Málaga, Gibraltar, Casablanca, Tanger e Cádis. No mesmo dia, o navio parte de Lisboa para um cruzeiro de oito dias no sentido inverso.

O Silver Nova utiliza gás natural liquefeito (GNL) como principal combustível, e a tecnologia de que dispõe não só ajuda no porto, mas permite também uma redução global de 40% nas suas emissões de gases com efeito de estufa por suite dupla, quando comparado com a respectiva classe anterior destes navios. As características sustentáveis do Silver Nova e de todos os futuros navios da classe Evolution incluem um sistema de microgaseificação automática, que reduz o volume de resíduos a bordo, resultando em menores emissões de incineração.

Para assinalar a passagem por Lisboa, a Administração do Porto de Lisboa vai presentear o Comandante com a habitual placa comemorativa da ocasião, com o navio a ser escoltado por rebocadores da empresa Portugs.

O Silver Nova é o mais recente navio de cruzeiro da Silversea Cruises, tem cerca de 244 metros de comprimento e 54 700 toneladas, pode acomodar até 728 passageiros em 366 suites diferentes distribuídas por 4 decks, e tem capacidade para 544 tripulantes.

No geral, o design hidrodinâmico inovador do navio e a tecnologia de inovação optimizada ajudam a diminuir o impacto do navio no meio ambiente. Graças às suas credenciais ambientais inovadoras, o Silver Nova fortalecerá a posição da Silversea na vanguarda das viagens de cruzeiro sustentáveis.

CMA CGM encomenda oito navios porta-contentores adicionais movidos a metanol


O armador francês CMA CGM fez outra encomenda significativa de navios porta-contentores movidos a metanol, elevando a sua carteira de pedidos movidos a metanol para uns eventuais 34 navios . 


O armador encomendou oito navios de 9.200 TEU à Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding (SWS) na China, com entregas programadas para 2027. O pedido está supostamente avaliado em quase 1 bilhão de euros. O pedido marca a quarta rodada de novas construções de metanol/ bicombustível da CMA CGM desde o ano passado, após seis navios de 15.000 TEU encomendados à Dalian Shipbuilding (China), uma dúzia de navios de 13.000 TEU encomendados à Hyundai Samho (Coreia do Sul) e seis navios de 15.000 TEU encomendos ao Estaleiro Jiangnan (China). 

Com esta última encomenda, a carteira de encomendas da CMA CGM é agora de 123 navios, representando uma capacidade de 1,2 milhões de TEUs, e coloca-a no caminho certo para ultrapassar potencialmente a Maersk como a segunda maior companhia marítima de contentores do mundo. Até recentemente, a CMA CGM concentrou-se principalmente em novas construções movidas a GNL, que têm potencial para serem convertidas em biometano e metano sintético no futuro. A empresa reconhece que, embora o GNL não seja uma solução a longo prazo para eliminar as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), oferece benefícios a curto prazo, incluindo a redução das emissões de partículas finas, das emissões de óxido de enxofre e das emissões de óxido de azoto, e acredita que o GNL é actualmente a melhor opção de combustível para reduzir o impacto ambiental dos seus navios. 

Na semana passada, a CMA CGM e a Maersk uniram forças para acelerar a transição energética no transporte marítimo, trabalhando em conjunto para desenvolver combustíveis verdes alternativos, incluindo, entre outros, metanol verde (bio/e-metanol) e bio/e-metano. Neste ponto, não está claro se a CMA CGM irá optar por usar metanol verde, com o qual o seu novo parceiro Maersk se comprometeu para as suas 25 novas construções movidas a metanol, ou metanol tradicional produzido a partir de gás natural para as suas novas construções.

Atlânticoline quer adjudicar navios eléctricos até final do ano

O concurso público internacional para a construção dos dois
novos navios elétricos da Atlânticoline, a empresa pública que realiza o
transporte marítimo de passageiros e viaturas nos Açores, deverá ser lançado já
no próximo mês de outubro.

A Atlânticoline estima que a adjudicação dos dois novos
navios, no valor global de 25 milhões de euros, possa ser feita até ao final
deste ano para que, dentro de um prazo de construção entre um ano e meio e dois
anos, os navios possam chegar aos Açores até ao final de 2025.

Conforme explica em declarações ao Açoriano Oriental o
presidente da Atlânticoline, Francisco Bettencourt, o caderno de encargos para
o concurso está na fase final da sua elaboração e a características gerais dos
novos navios serão muito parecidas aos ferries atuais – o Gilberto Mariano e o
Mestre Feijó – “que apresentam características muito ajustadas à operação e às
condições do mar nos Açores”, nomeadamente ao nível da conceção do casco.

Com um motor alimentado a baterias, os dois novos navios da
Atlânticoline irão operar exclusivamente nas rotas Horta/Madalena e Velas/São
Roque do Pico, as mais curtas e adaptadas à autonomia da tecnologia atual para
a motorização elétrica dos navios, para além de serem também as rotas com mais
passageiros anuais nos Açores.

E a questão ainda em aberto no caderno de encargos é a da
decisão sobre se os navios terão a mesma dimensão e capacidade ou dimensões e
capacidades diferentes. Ou seja, inicialmente e de acordo com o volume de
passageiros, foi previsto um navio com 35 metros de comprimento e capacidade
para 250 passageiros e 10 viaturas para a ligação Horta/Madalena e um segundo
navio, com 30 metros de comprimento para uma capacidade de 150 passageiros e
seis viaturas, para a ligação Velas/São Roque do Pico.  Afetos exclusivamente a estas rotas, os
navios deverão fazer mais viagens do que as atuais com os ferries.

No entanto, durante o desenvolvimento do caderno de
encargos, os peritos consultados pela Atlânticoline colocaram a possibilidade
dos navios terem as mesmas dimensões – neste caso os 35 metros de comprimento
para 250 passageiros e 10 viaturas – o que permitiria “uma economia de escala”
em caso de avaria, podendo um navio substituir o outro sem limitar a operação.

Por isso, explica Francisco Bettencourt, “se o orçamento o
permitir e dentro do caderno de encargos, existe a possibilidade de
eventualmente os dois navios serem idênticos, mas estamos ainda a trabalhar
informação nesse sentido”.

Questionado sobre se o prazo de lançamento do concurso e da
adjudicação dos navios até ao final deste ano não será muito apertado, o
presidente da Atlânticoline responde, afirmando que “o risco, existe sempre,
mas o essencial na nossa perspetiva é o caderno de encargos: se ele for bem
feito, depois todo o concurso e a construção dos navios decorrem de forma
célere”.

A chegada dos dois novos navios elétricos da Atlânticoline
irá permitir, segundo já revelou o Governo Regional, o retomar da ligação
marítima de transporte de passageiros e viaturas entre São Miguel e Santa
Maria, que deverá acontecer durante o verão e com o recurso ao navio Mestre
Feijó, o que tem maior capacidade dos ferries atuais da Atlânticoline,
nomeadamente cerca de 330 passageiros e 15 viaturas. Dependerá, no entanto, do
Governo Regional a decisão sobre a data em que retomam as ligações entre São Miguel
e Santa Maria.

 

Zulu Associates: Navio "shortsea" eléctrico, autónomo e assistido por vento entra em fase de projecto.

 

A empresa belga avançará num projeto do navio porta-contentores
de shortsea de 200 TEU, que será movido por tecnologia de propulsão com
emissão zero.

O Zulu Mass será totalmente eléctrico e alimentado por
contentores modulares de energia. Usando baterias e/ou sistemas de energia
baseados em hidrogénio. Além da propulsão eléctrica com emissão zero, a
embarcação será equipada com propulsão eólica auxiliar e será investigada a
viabilidade da propulsão das ondas.

A embarcação também será projectada para não ser tripulada
como parte de um Sistema de Autonomia Marítima, o que lhe permitirá competir
com embarcações movidas a combustíveis fósseis.

O conceito de navio, que recebeu aprovação em princípio
(AiP) do Lloyds Register, está planeado para ser inicialmente operacional com
a Anglo Belgian Shipping Company em corredores verdes entre o continente
europeu e o Reino Unido.

A Bélgica estabeleceu um quadro jurídico para
projectos-piloto de navios não tripulados no Mar do Norte em 2021. Agora,
ocorreu um desenvolvimento significativo quando a Bélgica, o Reino Unido e a
Dinamarca uniram-se para assinar um acordo. Esta colaboração elimina a
necessidade de pedidos de licença separados, simplificando muito o processo
regulatório, segundo a empresa.

Qual é a estrutura e os códigos obrigatórios sob a Convenção SOLAS?

Já tínhamos feito um artigo sobre a Convenção SOLAS, mas ainda não tínhamos falado sobre a sua estrutura e códigos obrigatórios.

A Convenção SOLAS é constituída por um articulado e por um anexo. O articulado inclui 13 artigos os quais abrangem, nomeadamente, os aspectos relativos às obrigações gerais, o procedimento de adopção de emendas, a forma como um Estado pode tornar-se Parte à SOLAS, etc.

Do anexo constam as regras técnicas as quais encontram-se distribuídas por 14 capítulos. Os capítulos da SOLAS são:

Capítulo I – Disposições Gerais

Capítulo II-1 – Construção – subdivisão e estabilidade, máquinas e instalações elétricas

Capítulo II-2 – Prevenção, detecção e extinção de incêndio

Capítulo III – Meios e dispositivos de salvação

Capítulo IV – Radiocomunicações

Capítulo V – Segurança da navegação

Capítulo VI – Transporte de cargas

Capítulo VII – Transporte de mercadorias perigosas

Capítulo VIII – Navios nucleares

Capítulo IX – Gestão para a exploração segura de navios

Capítulo X – Medidas de segurança a aplicar às embarcações de alta velocidade

Capítulo XI-1 – Medidas especiais para reforçar a segurança marítima

Capítulo XI-2 – Medidas especiais para reforçar a protecção do transporte marítimo (Security)

Capítulo XII – Medidas adicionais de segurança para navios graneleiros

Capítulo XIII – Verificação do cumprimento

Capítulo XIV – Medidas de segurança para os navios que operam em águas polares.


Códigos Obrigatórios sob a Convenção SOLAS

Código Internacional de Aplicação dos Procedimentos de Teste de Fogo (Código FTP)

Código Internacional dos Sistemas de Segurança Contra Incêndios (Código FSS)

Código Internacional de Estabilidade Intacta (Código IS 2008)

Código Internacional dos Meios de Salvação (Código LSA)

Código Marítimo Internacional para Cargas Sólidas a Granel (Código IMSBC)

Código Internacional para a Construção e Equipamento de Navios que Transportam Substâncias Químicas Perigosas a Granel (Código IBC)

Código Internacional para a Construção e Equipamento de Navios que Transportam Gases Liquefeitos a Granel (Código IGC)

Código Marítimo Internacional para as Mercadorias Perigosas (Código IMDG)

Código para a Segurança do Transporte de Combustível Nuclear Irradiado, do Plutónio e de Resíduos Altamente Radioativos em Barris a bordo de Navios (Código INF)

Código Internacional de Gestão para a Segurança (Código ISM)

Código Internacional das Embarcações de Alta Velocidade, 1994 (Código HSC 1994)

Código Internacional das Embarcações de Alta Velocidade, 2000 (Código HSC 2000).

Código das Normas Internacionais e Práticas Recomendadas para uma Investigação de Segurança de um Acidente ou Incidente Marítimo (Código de Investigação de Acidentes)

Código Internacional para a Proteção dos Navios e das Instalações Portuárias (Código ISPS).

A Aplicação do ISPS em Terminais Portuários: Segurança Marítima em Foco

A segurança marítima é uma preocupação fundamental em todos
os aspectos da navegação e operações portuárias. No pós 11 de Setembro, tornou-se noutra prioridade ( logo de seguida do sector aeroportuário). Para abordar as ameaças
potenciais ao transporte marítimo e garantir um ambiente seguro para o comércio
internacional, a Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o Código
Internacional de Segurança para Navios e Instalações Portuárias (ISPS, na sigla
em inglês).  Neste artigo, exploraremos a aplicação do ISPS em terminais
portuários e seu impacto na segurança e eficiência das operações marítimas.

O que é o ISPS?

O ISPS, adoptado em 2002 pela OMI, é um conjunto de
regulamentos internacionais que visa aumentar a segurança marítima e reduzir as
ameaças de actos de terrorismo e actividades ilegais em instalações portuárias e
navios. Ele estabelece directrizes e medidas específicas que as autoridades
portuárias, empresas de transporte marítimo e terminais portuários devem seguir
para proteger a vida humana, as embarcações e as instalações. O ISPS é fundamental na questão securitária, e inclusive, já tínhamos dedicado um artigo a falar sobre esta matéria.

Os Três Níveis de Segurança ISPS:

O ISPS divide a segurança marítima em três níveis,
dependendo da avaliação de risco da instalação ou embarcação:

Nível 1 – Nível Normal de Segurança: Este é o nível básico
de segurança que deve ser mantido o tempo todo. Envolve medidas de rotina, como
controle de acesso, identificação de pessoal e verificação de cargas.

Nível 2 – Aumento do Nível de Segurança: Este nível é
implementado quando há uma ameaça percebida ou aumento no risco de segurança.
Medidas adicionais, como aumento do patrulhamento e inspeções mais rigorosas,
são implementadas.

Nível 3 – Nível Excepcional de Segurança: Este é o nível
mais alto de segurança, activado em resposta a uma ameaça iminente ou incidente
de segurança. Isso envolve medidas extremas, como a suspensão de operações ou a
evacuação de instalações.

A Aplicação do ISPS em Terminais Portuários

A aplicação bem-sucedida do ISPS em terminais portuários é
crucial para a segurança e o funcionamento eficiente do comércio internacional.
Aqui estão algumas áreas-chave em que o ISPS é aplicado em terminais
portuários:

1. Controlo de Acesso:

Os terminais portuários implementam sistemas rigorosos de
controlo de acesso para garantir que apenas pessoas autorizadas tenham
permissão para entrar nas instalações. Isso inclui a verificação de
identificação, triagem de antecedentes e a emissão de identificações de acesso. Podemos pensar que se fala somente do pessoal com acesso, como trabalhadores, mas nos terminais portuários há muitas empresas que gravitam à volta dos terminais, seja como parceiros, ou prestadores de serviços. Como um terminal portuário é uma zona considerada fora do território nacional, mais imperativo é, que este controlo seja feito de forma adequada e assertiva.

2. Inspecção de Cargas:

O ISPS exige que os terminais portuários realizem inspecções
rigorosas de cargas antes de serem embarcadas em navios. Isso ajuda a prevenir
a inclusão de materiais perigosos ou ilegais em contentores. Por norma, esse tipo de controlo é efectuado nos contentores que veem do exterior do nosso país. Infelizmente, por falta de capacidade de resposta, o número de inspecções é manifestamente inferior ao que seria desejado, fazendo com que não haja um completo sentimento de vigilância com uma eficiência elevadíssima no que respeita às inspecções. 

3. Patrulhamento e Vigilância:

Os terminais portuários deveriam aumentar o patrulhamento e a
vigilância para garantir que não haja actividades suspeitas nas instalações.
Isso inclui o monitorização das câmeras de segurança e a presença de pessoal de
segurança. Contudo, essa monitorização deverá ser efectuada sobre áreas sensíveis, do que propriamente no controlo de produtividade, que é proibida por lei. O pessoal da segurança, neste caso, das empresas exteriores de vigilância, deverão ter pessoal preparado, capacitado e activo para desempenhar este papel da melhor forma. Recrutamento de pessoal desta área, não pode ser feito de forma leviana, e deverá ter uma atenção redobrada.

4. Treino e Conscientização:

Os funcionários dos terminais portuários deveriam receber treino
regular sobre medidas de segurança e como responder a ameaças ou incidentes de
segurança. Não falamos das habituais palestras sobre Higiene e Segurança do Trabalho, mas sim, de como saber lidar com ameaças externas e diferentes das habituais. Um terminal portuário não é terra de ninguém, mas sim uma área com elevada importância. Deve de existir uma percepção colectiva não só sobre a importância do trabalho desenvolvido, mas igualmente sobre o quadro geral de actividade do sector.

5. Cooperação Internacional:

A segurança marítima é uma preocupação global. Os terminais
portuários cooperam com outras instalações e autoridades portuárias em nível
nacional e internacional para partilhar informações sobre ameaças potenciais
e melhores práticas de segurança. Isso deveria ser feito não só entre terminais do mesmo grupo, mas mesmo como empresas rivais, visto que o problema de segurança é um problema de todos e não somente de alguns, e que deve ser levado muito seriamente.

O Impacto na Eficiência das Operações Portuárias

Embora o ISPS tenha como objectivo principal melhorar a
segurança, também pode ter um impacto positivo na eficiência das operações
portuárias. Aqui estão alguns benefícios:

Redução de Riscos: Ao identificar e mitigar riscos de
segurança, os terminais portuários podem evitar atrasos causados por incidentes
de segurança. Porque de certa forma, aumenta o conhecimento geral, que pode gerar ferramentas importantes de prevenção e resolução, e por isso, a uma melhoria da eficiência portuária, o que pode ajudar a atingir objectivos de produtividade concretos.

Maior Confiança: O ISPS aumenta a confiança das partes
interessadas, como armadores e exportadores, na segurança das instalações
portuárias, o que pode atrair mais negócios. Mais que atrair negócios, aumenta não só a credibilidade, reforça ligações e o cumprimento da lei e promove um novo paradigma que pode de facto, abrir outros horizontes de evolução.

Fluxo de Carga Mais Rápido: A implementação eficaz do ISPS
pode permitir inspecções de cargas mais eficientes e processos de movimentação
mais rápidos, embora deve sempre ter em contas as condicionantes e peculiaridades operacionais de cada dispositivo do terminal. 

Redução de Custos: A prevenção de incidentes de segurança
pode resultar em economias de custos significativas associadas a interrupções e
danos. Infelizmente, os acidentes, para além de causar feridos, limitações e condicionamentos nos seus trabalhadores, causam prejuízos igualmente materiais. Uma boa aplicação e conjugação de iniciativas relativas ao ISPS, bem como uma boa preparação e desenho de um plano estrutural global do terminal, pode ajudar na questão de redução de custos, sempre importante na gestão económica do mesmo.

Em resumo, a aplicação bem-sucedida do ISPS em terminais
portuários desempenha um papel crucial na proteção das instalações, das
embarcações e das vidas humanas, ao mesmo tempo em que contribui para a
eficiência das operações portuárias e a confiabilidade do comércio
internacional. A segurança marítima continua a ser uma prioridade essencial
para garantir que o transporte marítimo global continue a ser uma força vital
na economia mundial. E se a força vital de um terminal tiver uma preparação elevada, seja nos trabalhadores que desempenham as suas funções, como nos mais variados procedimentos e regras, poderá assistir-se a uma progressão elevada nos factores-chave de um terminal portuário.

Transinsular segura abastecimento de combustíveis nos Açores até 2029.

A portuguesa Transinsular, empresa do Grupo ETE, renovou o
seu compromisso com a Região Autónoma dos Açores ao ganhar mais um concurso
internacional lançado pelo governo regional. O contrato afirma que a empresa
continuará a fornecer combustíveis para as diversas ilhas do arquipélago até
2029, com o seu navio-tanque: o “São Jorge”.

O concurso, promovido pelo governo da Região Autónoma dos
Açores, abarca o transporte de combustíveis essenciais para a região ao longo
dos próximos seis anos.

A Transinsular foi eleita para manter a operação com o
navio-tanque “São Jorge”, uma embarcação pertencente à empresa que permanece
constantemente em actividade nas águas açorianas.

O “São Jorge” desempenha um papel fundamental na
distribuição de diversas tipologias de combustíveis destinadas ao transporte
marítimo, rodoviário, aéreo e à produção de energia no arquipélago,
movimentando cerca de 80.000 toneladas anualmente.

Além disso, a embarcação opera sob bandeira portuguesa e com
uma tripulação composta por profissionais nacionais, o que reforça ainda mais o
seu papel na promoção do transporte marítimo de qualidade a nível nacional.

“A proposta vencedora da Transinsular resulta do contínuo e
forte compromisso da companhia para com a Região Autónoma dos Açores e com a
sua população perante a importância e responsabilidade deste serviço,
absolutamente essencial ao normal funcionamento da vida coletiva e economia
local”, declarou a empresa em comunicado.

MOL assina contrato para graneleiro ultramax movido a metanol

A japonesa Mitsui OSK Lines (MOL) vai adquirir um graneleiro
ultramax de metanol bicombustível num acordo de frete com a compatriota Kambara
Kisen, o braço marítimo do Grupo Tsuneishi.

O navio de 65.700 dwt será construído na Tsuneishi
Shipbuilding e entregue em 2027 para a MOL Drybulk. A MOL, que pretende ter 90
navios movidos a GNL e metanol em serviço até 2030, disse que o graneleiro foi
projectado para usar metanol produzido principalmente pela síntese de CO2
recuperado e hidrogénio produzido usando fontes de energia renováveis ​​e
biometanol derivado de biogás.

Espera-se que a nova construção sirva principalmente no
transporte de combustíveis de biomassa da costa leste da América do Norte para
a Europa e Reino Unido e na região do Pacífico, bem como grãos da costa leste
da América do Sul e do Golfo dos EUA para a Europa e o Extremo Oriente. Os
pedidos de novas construções foram feitos principalmente com opções prontas
para amónia ou metanol para futuras modernizações quando os combustíveis
estiverem disponíveis.

Apenas algumas excepções de duplo combustível foram
reveladas até agora. Além do ultramax de Kambara Kisen, J. Lauritzen, Cargill e
Mitsui & Co assinaram kamsarmaxes (Classe de navios lançados para
transportar mais carga, ser eficiente em termos de combustível, resistente às
ondas e ao vento e flexivel para navegar nos principais portos) em Tsuneishi,
enquanto a Eastern Pacific Shipping, controlada por Idan Ofer, tem
newcastlemaxes (Navios que carregam carvão, ferro e grãos), movidos a amónia na
sua carteira de pedidos.

Tsuneishi também ganhou um pedido de um graneleiro ultramax
de metanol com duplo combustível em fevereiro, que chegará à água em 2025. O
proprietário por detrás do negócio não foi identificado.