Mar Vermelho, Mar Negro e Canal do Panamá: UNCTAD alerta sobre perturbações no comércio global

O UNCTAD, o órgão de comércio e desenvolvimento da ONU, levantou profundas preocupações sobre a escalada das perturbações no comércio global. Afirma que os recentes ataques a navios no Mar Vermelho, combinados com as tensões geopolíticas que afectam o transporte marítimo no Mar Negro e os impactos das alterações climáticas no Canal do Panamá, deram origem a uma crise complexa que afecta as principais rotas comerciais. O chefe de logística comercial da UNCTAD, Jan Hoffmann, descreveu a análise detalhada da situação feita pela organização na conferência de imprensa diária da ONU em 26 de Janeiro. Sublinhou o papel crítico do transporte marítimo no comércio internacional, observando que é responsável por aproximadamente 80% do movimento global de mercadorias. Perturbações no Mar Negro e nos Canais do Panamá e Suez O Canal de Suez, uma via navegável crítica que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, movimentou aproximadamente 12% a 15% do comércio global em 2023. A UNCTAD estima que o volume de comércio que passa pelo Canal de Suez diminuiu 42% nos últimos dois meses.

O conflito em curso na Ucrânia também desencadeou mudanças substanciais no comércio de petróleo e cereais, remodelando os padrões comerciais estabelecidos. Entretanto, o Canal do Panamá, outra artéria fundamental para o comércio global, enfrenta uma grave seca que diminuiu os níveis da água, resultando numa redução impressionante de 36% no total de trânsitos no último mês, em comparação com o ano anterior. As implicações a longo prazo das alterações climáticas na capacidade do canal estão a levantar preocupações sobre os impactos duradouros nas cadeias de abastecimento globais. A crise no Mar Vermelho, marcada por ataques liderados pelos Houthi que perturbaram as rotas marítimas, acrescentou outra camada de complexidade.

Em resposta à crise do Mar Vermelho, os principais intervenientes na indústria naval suspenderam temporariamente os trânsitos de Suez. Notavelmente, o trânsito semanal de navios porta-contentores caiu 67%. O trânsito de petroleiros e os transportadores de gás também estão a sofrer quedas significativas. Enquanto isso, os preços do transporte marítimo estão aumentando. O aumento de 460€ nas taxas médias de frete spot de contentores durante a última semana de dezembro foi o maior aumento semanal de todos os tempos. As taxas médias de transporte spot de contentores de Xangai mais que dobraram (+122%) desde o início de dezembro. Mais especificamente, as tarifas de Xangai para a Europa mais do que triplicaram (+256%), enquanto as tarifas para a costa oeste dos Estados Unidos aumentaram 162%, embora os navios nesta rota não passem pelo Canal de Suez. Os prémios de seguro também aumentaram, agravando o custo global do trânsito. Além disso, os navios desviados das rotas do Suez e do Canal do Panamá são obrigados a viajar mais rapidamente para compensar desvios, queimando mais combustível por milha e emitindo mais Co2, agravando ainda mais as preocupações ambientais. “Aqui vemos o impacto global da crise, à medida que os navios procuram rotas alternativas”, afirmou Hoffmann.

A UNCTAD sublinhou as implicações económicas de longo alcance destas perturbações. Interrupções prolongadas, especialmente no transporte de contentores, representam uma ameaça directa às cadeias de abastecimento globais, aumentando o risco de atrasos nas entregas e custos mais elevados. Embora as actuais taxas de contentores sejam aproximadamente metade do pico observado durante a crise da COVID-19, levará algum tempo até que os preços mais elevados atinjam os consumidores, com o impacto total esperado dentro de um ano. Os preços da energia estão a registar um aumento à medida que o trânsito de gás é interrompido, afectando directamente o fornecimento de energia, especialmente na Europa. A crise também está a ter impacto nos preços globais dos alimentos, com distâncias mais longas e taxas de frete mais elevadas, potencialmente resultando em aumento de custos. As perturbações nos embarques de cereais provenientes da Europa, da Federação Russa e da Ucrânia representam riscos para a segurança alimentar mundial, afectando os consumidores e reduzindo os preços pagos aos produtores.

“Os países em desenvolvimento são particularmente vulneráveis ​​a estas perturbações e a UNCTAD permanece vigilante na monitorização da evolução da situação”, acrescentou. A organização enfatizou a necessidade urgente de adaptações rápidas por parte da indústria naval e de uma cooperação internacional robusta para navegar na rápida remodelação da dinâmica do comércio global. Os desafios actuais sublinham a vulnerabilidade do comércio às tensões geopolíticas e aos desafios relacionados com o clima, exigindo esforços colectivos para soluções sustentáveis, especialmente em apoio aos países mais vulneráveis ​​a estes choques.

Trabalhadores da Silopor com "paralisação total" a 31 de janeiro

Os trabalhadores da Silopor, empresa pública gestora dos silos da Trafaria e do Beato e se encontra em liquidação desde 2000, decidiram, aprovar em plenário, para uma greve no próximo dia 31 de janeiro, depois das reivindicações relativas ao nível dos aumentos salariais não terem sido seguidas pela comissão liquidatária da empresa detida a 100% pelo Estado.

De acordo com Célia Lopes, do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal,  decisão foi de uma “paralisação total a 31 de janeiro”, sendo que os trabalhadores da Silopor vão concentrar-se, de manhã no terminal da Trafaria, e à tarde, junto do Ministério das Finanças.

Estes trabalhadores já tinham estado em greve no ano transacto, mas somente relativa às horas extraordinárias.

Mesmo tendo sido somente às horas extraordinárias, meia dezena de associações da indústria alimentar lançaram um alerta de que haveria risco em relação ao abastecimento de produtos alimentares essenciais, que iria afectar os sectores da produção de pão e de alimentos compostos para animais, e áreas como a suinicultura e avicultura. 

 

Excluida subida da inflação na Europa devido a crise no Mar Vermelho

Diversos analistas apontam que a subida dos fretes dos transportes marítimos, poderão causar matérias-primas mais caras, que se irá reflectir no preço final ao consumidor, mas não consideram esta crise de igual forma com a que houve na pandemia.

De acordo com o Economista Filipe Garcia, Presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros, em declarações à NAM, afirmou que:  

“Claro que ao subir os preços dos fretes, acaba por ser inflaccionista, mas temos de reconhecer que não é um fenómeno global e por isso tem impacto limitado”.

O economista explicou que, “ao contrário do que sucedeu durante e após o período da pandemia, não estamos perante algo generalizado ou que afecte o funcionamento dos portos”.

“Também não há, de momento, registo de escassez de navios. Portanto, é algo que afeta as cadeias de abastecimento, mas não de forma global”, aponta.

Prada apoia educação para a protecção do oceano

 

O grupo de luxo italiano anunciou a terceira edição do programa educacional Sea Beyond, uma iniciativa em parceria com a Unesco que vai chegar a mais de 34 mil estudantes em 56 países, incluindo Portugal.

O Sea Beyond pretende consciencializar para a sustentabilidade e a preservação do oceano. O programa educacional, que é apoiado pelo Grupo Prada desde 2019 e organizado pela Comissão Intergovernamental Oceanográfica da UNESCO, tem contribuído para a educação sobre o oceano a uma escala mundial através de uma série de iniciativas dedicadas aos mais novos.

Nesta terceira edição, que terá, pela primeira vez, a parceria também com a Bibliothèques Sans Frontières, está prevista a participação de 34.385 estudantes de 184 escolas secundárias de 56 países, e o foco estará na inter-relação entre o oceano e o clima, assim como nos desafios ambientais associados. O programa vai oferecer sessões de formação em literacia dos oceanos para estudantes e professores, incluindo sessões com especialistas da UNESCO.

O programa vai decorrer de janeiro a junho de 2024 e terminar, como as edições anteriores, com um concurso internacional. Neste âmbito, a Unesco e o Grupo Prada vão convidar as escolas a criar uma campanha de sensibilização com texto, grafismos ou conteúdo interativo, com o objetivo de explicar aos seus pares como adotar comportamentos mais conscientes para preservar o oceano. O júri que vai avaliar as campanhas será composto pelos chamados Sea Beyonders, pessoas que colocaram a paixão pelo oceano no centro das suas vidas pessoais e profissionais.

«O número recorde de estudantes inscritos no programa deste ano mostram que estamos a progredir na direcção certa e que o Sea Beyond é capaz de gerar uma mudança real», considera Lorenzo Bertelli, Director de responsabilidade social do Grupo Prada. «Queremos inspirar as novas gerações, consciencializá-los para a importância e a necessidade de preservar os oceanos e queremos fazer isso sem deixar ninguém para trás», acrescenta.

“A Humanidade depende do oceano, mas o futuro do oceano está em risco devido à atividade humana. Se queremos ser bem-sucedidos a salvá-lo, temos de apoiar a investigação científica e o avanço do conhecimento, mas também investir em educação. Este programa apoiado pela UNESCO e o Grupo Prada é um exemplo muito positivo de como aumentar a consciencialização entre as gerações mais novas e evoluir para práticas virtuosas”, sublinha Audrey Azoulay, Directora-geral da UNESCO.

Na edição de 2023 – na qual participaram, tal como na primeira edição, as portuguesas Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade e o Agrupamento de Escolas de Vialonga, em Portugal –, a abrangência do programa extravasou o seu foco na educação dos mais novos e o apoio estendeu-se também a projetos humanitários e de disseminação de investigação científica dedicados ao oceano, assim como à formação de mais de 14 mil funcionários do Grupo Prada sobre os princípios de literacia do oceano, através de conteúdos em realidade virtual e a aplicação AWorld, a plataforma oficial selecionada pelas Nações Unidas para uma vida mais sustentável.

Foto: Prada.

Portos de Leixões e Viana não sentem "impacto directo" e dizem que cadeia se "reajusta."

Os Houthis tornaram-se ‘uma pedra no sapato’ para muitos países: os ataques a navios comerciais e embarcações ocidentais fazem com que algumas das principais companhias marítimas prefiram contornar toda a África, apesar da viagem ser mais cara e mais longa.

Este conflito faz com que a rota dos navios seja a aumentada entre 15 e 20 dias, dependendo da origem do navio, estendendo um percurso de 18 mil para 25 mil quilómetros, o que representa um aumento de custo que pode ficar entre os 40 e 60%, sobretudo devido ao maior consumo de combustível.

No entanto, em Portugal, os Portos de Leixões e Viana do Castelo não sentiram ainda um “impacto direto” do conflito.

Fonte oficial da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana explicou à Executive Digest que, actualmente, 80% da frota de contentores que está a operar nas linhas da Ásia e Europa, e que são cerca de 400 navios, estão a navegar numa viagem muito mais longa, o que representa mais 10.000 milhas náuticas, ou seja, cerca de 18.000 km, o que acresce 20 dias na viagem total destes navios.

“Portanto, isto são custos significativos tanto no consumo de combustível, tempo de viagem, tudo isso acaba por trazer custos para o produto final. E achamos que isso vai acontecer”, afirmam.

No entanto, ”impacto direto, na entrada e na saída, não temos. Agora, o navio que estava previsto chegar numa data demora mais 20 dias, mas a cadeia acaba depois por ficar reajustada. O impacto achamos que vai ser esse, de acordo com os dados que recolhemos”, explicam.

A fonte afirmou ainda que o facto de não sentirem um impacto directo se deve muito também à locação do Porto, que é um Porto de entrada de matérias-primas para as empresas da região e um ponto de saída de mercadorias já transformadas.

ONE estabelece outro recorde de movimentação.

 

A ONE – Ocean Network Express bateu o recorde novamente, estabelecendo mais um,  para o maior número de contentores carregadas num navio porta-contentores. 

O novo porta-contentores ONE Intelligence, o último membro de sua nova classe de navios porta-contentores ultragrandes (ULCV), carregou mais contentores do que o seu navio irmão ao concluir o embarque na Ásia antes de partir para aEuropaa.

O navio é recente, tinha acabado de ser entregue e agora soma o quinto recorde consecutivo estabelecido pela ONE em pouco mais de três meses. 

O ONE Intelligence concluiu o carregamento na Ásia com uma paragem em Singapura entre 12 e 14 de janeiro. Na partida, ela foi carregada com uma carga calculada de 22.202 TEU (não a carga real porque os navios geralmente carregam caixas FEU de tamanho 2X, mas é relatado na escala TEU).

O ONE Intelligence está implantado no serviço FE3 que liga a Europa e a Ásia. É o último dos seis navios ONE introduzidos na rota a partir de junho de 2023. Os navios medem cada um 1.312 pés (399,95 metros) de comprimento e uma largura de 201 pés (61,4 metros). Eles estão registrados na Libéria e são operados por 34 tripulantes.

A ONE orgulha-se de que os navios foram projectados para aumentar a eficiência na movimentação de contentores com capacidade de 24.136 TEU. Um design exclusivo e uma tela de proa permitem o carregamento de contentores mais à frente das embarcações no convés de atracação. 

Também possuem a primeira aplicação de uma tecnologia para impedir a propagação de trincas frágeis em placas de aço ultraespessas e de alta resistência, como parte dos esforços para aumentar a eficiência de carregamento. Cada navio possui 24 fiadas para contentores e capacidade para 2.000 unidades de referência.

O primeiro recorde da ONE foi de 21.954 TEUs carregados em Singapura nos dias 11 e 12 de novembro a bordo do navio ONE Integrity. O ONE Innovation, que foi o primeiro da classe a ingressar na frota em junho de 2023, superou isso com 22.000 relatados enquanto estava em Singapura no dia 14 de ddezembro.O navio ONE Ingenuity teve uma carga de 22.071 TEUs e isso foi seguido por outra carga recorde de 22.159 TEUs no navio ONE Inspiration.

Petroleiro em chamas no Mar Vermelho após ataque dos houthis

Um petroleiro operado pela Trafigura, um gigante de metais e de petróleo, foi atingido por um míssil das milícias houthis do Iémen, enquanto navegava no Mar Vermelho.

Este é o ataque mais relevante de todos desde que os houthis começaram a ameaçar navios de passagem na região. Aconteceu a 55 milhas a sudeste de Aden no Iémen, informou a Ambrey Analytics.

De acordo com um comunicado da empresa que a Bloomberg teve acesso afirmava que: “O equipamento de combate a incêndios a bordo já está a ser usado para suprimir e controlar o fogo causado por um tanque a estibordo” da embarcação.”

A empresa acrescentou: “Mantemo-nos em contacto com o navio e estamos a monitorizar a situação cuidadosamente. Navios militares na região estão a caminho para dar assistência”.

Os rebeldes houthis reivindicaram o ataque ao Marlin Luanda, um petroleiro que transporta um combustível denominado de nafta, usado para produzir gasolina e plásticos.

Ainda ontem misseis explodiram perto de um navio registado no Panamá, mas afiliado à Índia, que carregava barris de crude provenientes da Rússia. Isto mesmo depois de um porta-voz dos houthis ter afirmado ao jornal russo Izvestia de que os navios russos e chineses estariam seguros na passagem pela região.

Qual o impacto do Ano Novo Chinês no transporte marítimo?

 

Chegamos a altura do ano, em que a festividade que possui impacto no transporte marítimo decorre. Falamos do Ano Novo Chinês, também mencionado como “Festival da Primavera”, que é uma altura de celebração, com muitas tradições e reuniões familiares, à semelhança do que sucede com o Natal no Ocidente. Mas o seu impacto vai muito mais além do que se vê, e indirectamente a cadeia de abastecimento global é afectada, sendo um momento actual já esperado por quem trabalha directamente no sector. 

Neste período festivo, muitas das unidades industriais e fábricas encerram ou funcionam num ritmo muito mais lento, devido ao facto dos trabalhadores regressarem às suas cidades e regiões para ficarem próximos das famílias. É considerado por muitos, como “a maior migração humana do mundo”. A produção baixa, atrasos são esperados e sucedem, sem um problema de toda a cadeia logística. 

Por norma, nas semanas anteriores a esta celebração, há um aumento expectável na procura de bens e matérias, para finalizar por um lados as suas encomendas, por outro lado para reforçar stock para a procura necessária. Se normalmente o aumento na procura causa problemas logísticos, este ano, com o bloqueio do Canal do Suez, mais sobrecarregou uma rede já de si saturada.  Os contentores em trânsito por norma sofrem atrasos na carga e descarga, enquanto a capacidade de carga aérea pode ser prejudicada devido ao aumento da demanda. Este congestionamento pode causar um efeito dominó, afectando a eficiência global da cadeia de abastecimento.

À medida que o Ano Novo Chinês se aproxima, garantir espaço disponível para remessas marítimas torna-se cada vez mais desafiador. Muitas empresas correm para reservar slots de envio com bastante antecedência para garantir que as suas mercadorias sejam transportadas antes das interrupções por causa das festividades. Esta disponibilidade limitada pode resultar em custos de envio mais elevados e possíveis atrasos para aqueles que não garantiram o espaço antecipadamente.

O Ano Novo Chinês, sem dúvida, coloca desafios à logística de transporte marítimo, com o seu impacto sentido globalmente. As empresas devem estar cientes dos efeitos potenciais do feriado na produção, transporte e comunicação. O planeamento estratégico, a comunicação eficaz e a flexibilidade na gestão da cadeia de abastecimento são cruciais para navegar nas complexidades que surgem durante este período festivo. À medida que o mundo se torna cada vez mais interligado, compreender e enfrentar os desafios associados ao Ano Novo Chinês é essencial para manter a eficiência e a resiliência da logística global de transporte marítimo.

Porta-Contentores desafiam "dinâmicas de trânsito" no Canal do Panamá

As dinâmicas gerais de trânsito do Canal do Panamá caíram 42% em relação ao ano anterior em dezembro, mas o transporte de contentores  está observando um aumento nos trânsitos à medida que outros tipos de embarcações desviam da hidrovia.


No seu último relatório sobre o Canal do Panamá, a Drewry relatou que os trânsitos de dezembro de 2023 caíram 25%, para 746 , com passagens em comparação com outubro, e isso representou um declínio anual de 42%, de 1.281 navios em dezembro de 2022. No entanto, um olhar mais atento aos números revela que os navios porta-contentores aumentaram o número de passagens em 5% para 30,6%, em Dezembro, em comparação com os valores de Outubro.

O consultor da Drewry, Simon Heaney, afirmou: “Suspeito que, com o aumento dos trânsitos diários, continuaremos a ver os navios porta-contentores ocupando uma fatia maior do bolo menor do Panamá, com números médios diários comparáveis ​​aos que são agora, talvez um pouco mais altos”.

Esperava-se que o número global de navios caísse ainda mais este ano, depois da ACP – Autoridade do Canal do Panamá, ter afirmando em Dezembro que iria reduzir os trânsitos em Janeiro e Fevereiro para 20 e 18 diariamente, mas após algumas fortes chuvas, o ACP reverteu a sua decisão.

Ao invés, aumentará os números para 24/dia, oferecendo alguma trégua aos armadores, mas isto permanece bem abaixo da média de 34-40 trânsitos/dia em 2022, mas quando analisado por sector, as maiores diminuições ocorreram no granel sólido e sectores de GLP ( Gás Liquefeito de Petróleo ) permitindo que os navios aumentem os seus trânsitos diários.

“Efectivamente, os navios porta-contentores estão achando mais fácil reservar slots, já que alguns outros sectores (mais obviamente os de granéis sólidos) continuam a desocupar a rota, mesmo que os transportadores queiram mais”, afirmou Heaney.

De acordo com Drewry, os trânsitos médios de navios porta-contentores foram calculados em 7,7 e 7,6/dia nos exercícios de 2022 e 2023, respectivamente. O exercício financeiro da ACP decorre de Outubro a Setembro.

No actual exercício financeiro, os números de Novembro e Dezembro mostram que as taxas de trânsito diário dos navios porta-contentores estavam um pouco abaixo da média, de 7,4/dia, mas caíram um por dia em relação à média de Outubro, de 8,4/dia. Mesmo assim, o número real de contentores transportados pode ainda estar abaixo dos níveis ideais, uma vez que as restrições de tiragem nas eclusas permanecem em vigor.

As eclusas neo-panamax do Panamá têm calados máximos de até 13,4 m, abaixo dos 15,25 m em condições anteriores à seca, enquanto as eclusas panamax não têm limitações de calado a partir do limite de 12 m.

Drewry estima que os navios porta-contentores “perdem aproximadamente 350 TEUs de capacidade para cada pé [0,3 m] de calado perdido. Para os maiores navios porta-contentores capazes de navegar pelas eclusas Neo-panamax, isso poderia reduzir a carga útil em cerca de 2.000 TEUs.”

Maersk nomeia o 1° navio da sua frota movida a metanol como “Ane Maersk”

O primeiro grande navio porta-contentores movido a metanol do mundo foi nomeado “Ane Mærsk” numa cerimónia no estaleiro da HD HHI – HD Hyundai Heavy Industries localizado em Ulsan na Coreia do Sul. 

O navio tem o nome de Ane Mærsk Mc-Kinney Uggla, Presidente da Fundação AP Moller e da AP Moller Holding. A neta mais velha de Ane serviu de madrinha e baptizou a embarcação quebrando uma garrafa de champanhe na proa. 

“Ane Mærsk” é o primeiro dos 18 grandes navios movidos a metanol da Maersk, que serão entregues entre 2024 e 2025. É o segundo navio porta-contentores movido a metanol do mundo. No início de fevereiro, entrará em serviço na cadeia AE7 que liga a Ásia e a Europa, marcando um marco significativo no compromisso da empresa com soluções pioneiras de transporte marítimo de baixas emissões. As embarcações da nova série têm um design inovador, pioneiro no sector, com a ponte e as acomodações colocadas bem na frente da embarcação, o que garante operações com eficiência de combustível.

Vincent Clerc, CEO da Maersk, afirmou: “Esta série de navios terá um impacto transformador na nossa ambição de progredir nas nossas ambições climáticas como líderes da indústria. É uma prova visual e operacional do nosso compromisso com uma indústria mais sustentável. Com o “Ane Mærsk” e os seus navios irmãos, estamos a expandir a nossa oferta ao número crescente de empresas que pretendem reduzir as emissões das suas cadeias de abastecimento.”

“Ane Mærsk” iniciará a sua viagem inaugural com metanol verde1 e a Maersk continuará a trabalhar diligentemente em soluções de abastecimento e abastecimento 2024-2025 para a sua frota de navios movidos a metanol.