Consumidores portugueses preocupados com os oceanos e prontos para mudar hábitos

Os consumidores portugueses estão preocupados com o estado actual dos oceanos, especialmente com a poluição e a sobrepesca, e dizem-se prontos para alterar hábitos alimentares para proteger o ambiente, indica um estudo divulgado.

O estudo foi organizado pelo “Marine Stewardship Council” (MSC), organização não-governamental que criou um selo ecológico que identifica os produtos do mar provenientes de pesca sustentável, e envolveu mais de 25.000 consumidores de 23 países, um deles Portugal, explica o MSC em comunicado.

Em termos globais 44% das pessoas que disseram ter mudado a alimentação nos últimos dois anos explicaram que o fizeram por diferentes razões ambientais, entre elas, comer alimentos de fontes mais sustentáveis (23%), reduzir o impacto das alterações climáticas (20%) e proteger os oceanos (12%).

Em Portugal, 97% dos consumidores estão preocupados com os oceanos e divididos no que toca ao futuro ser positivo ou negativo, mas sentem-se cada vez mais capacitados (73%) para fazer mudanças através das suas escolhas de produtos do mar.

Além de manifestarem preocupação em relação à poluição dos mares e à sobrepesca, os consumidores defenderam (82%) que os princípios de sustentabilidade adoptados pelas marcas de grande consumo devem ser certificados por organizações independentes.

Os dados foram divulgados numa iniciativa para analisar o panorama do pescado sustentável certificado em Portugal, a propósito do início da II Semana Mar para Sempre (de segunda-feira a domingo da próxima semana).

A Semana Mar Para Sempre destina-se a sensibilizar os consumidores, a indústria da pesca e entidades públicas para a importância da adopção da pesca sustentável.

Tem o apoio de quase uma dezena de entidades, entre elas a Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), ou o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).

MSC anuncia, no comunicado, que vai desenvolver uma campanha de sensibilização para dar visibilidade ao “selo azul”, que é colocado em embalagens de peixe e marisco selvagens, que atesta que os produtos são provenientes da pesca sustentável, para que este seja mais reconhecido pelos consumidores.

Além de Portugal, o terceiro país do mundo a consumir mais pescado ‘per capita’ por ano, o estudo realizou-se em países como Austrália, Canadá, China, Dinamarca, Finlândia, França, Itália, Espanha e Estados Unidos.

Em outubro passado o MSC lançou uma nova norma global para a certificação sustentável da pesca de captura selvagem, quando destacou as crescentes pressões sobre a pesca e ecossistemas marinhos, devido às alterações climáticas, sobrepesca e perda de biodiversidade.

A norma inclui maior protecção de espécies ameaçadas e protegidas e uma nova política para aumentar a confiança de que a remoção das barbatanas de tubarão não está a ter lugar nas pescarias certificadas.

E estabelece também requisitos mais rigorosos para um controlo e vigilância eficazes das operações de pesca.

Actualmente, mais de 530 pescarias, representando 15% da apanha global, são certificadas com as normas do MSC, um valor que a organização quer aumentar até 2030.

Estaleiros Navais de Peniche construíram embarcação para pesca em Angola

Os Estaleiros Navais de Peniche lançaram à água no final de outubro uma nova embarcação polivalente de pesca, com o comprimento de 23,90m, totalmente construída pela empresa.

A embarcação tem como destino Angola, onde iniciará a sua actividade de captura e congelação de Polvo. Tem um casco construído na totalidade em materiais compósitos PRFV (fibra de vidro), com altos padrões de robustez e durabilidade e reduzida necessidade de manutenção. Esta embarcação, foi modelada de modo a optimizar o comportamento em navegação e na faina de pesca, aumentar as áreas de trabalho e habitabilidade para a tripulação e maximizar a capacidade de carga no porão.

Com um volume de cerca de 100m3, terá capacidade para 62 toneladas de polvo congelado, permitindo que a pesca, processamento e congelação de pescado ocorram em simultâneo, e foi dada especial atenção à eficiência do circuito do pescado, nas diversas fases, desde a captura até à operação de descarga.

A embarcação está equipada com congelador de placas e túnel de congelação, preparados para poderem funcionar em simultâneo, o que permite maximizar a capacidade total de congelação, e tirar partido da capacidade total do porão de congelados.

Com o lançamento desta embarcação à água, os Estaleiros Navais de Peniche concluem mais um objectivo num ano de 2022 bastante ambicioso, com o desenvolvimento de diversos projectos de grande dimensão.

Programa Mar 2030 abre candidaturas

O Programa Mar 2030 abriu as candidaturas ao processo de seleção dos Grupos de Acção Local para iniciativas de desenvolvimento das comunidades costeiras, contando com uma verba de 48 milhões de euros.

A apresentação das candidaturas, no âmbito do Programa Mar 2023 e para o período 2021-2017, decorre até 31 de janeiro de 2023, tendo de ser feita em suporte electrónico através do Balcão dos Fundos.

Em causa estão as candidaturas ao processo de selecção dos Grupos de Acção Local (GAL) que “serão responsáveis pela implementação de Estratégias de Desenvolvimento Local (EDL) das Comunidades Piscatórias e Aquícolas”, refere o  comunicado.

Este concurso, acrescenta a mesma informação, destina-se à qualificação das parcerias, “com o respectivo reconhecimento dos GAL, da determinação dos valores a alocar aos seus custos de funcionamento, dos seus territórios de actuação, bem como a aprovação das EDL, com as respetivas dotações financeiras”.

Do envelope de 48 milhões de euros para iniciativas de desenvolvimento das comunidades costeiras, 33,75 milhões de euros provêm do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e Aquicultura (FEAMPA), visando o “desenvolvimento, diversificação e competitividade da economia e a melhoria das condições de vida das populações locais”.

O programa Mar 2030 operacionalizará em Portugal os apoios do FEAMPA e terá por objectivo promover uma economia mais sustentável nas regiões costeiras, insulares e interiores, ou o desenvolvimento de comunidades piscatórias e de aquicultura.

O Ministério lembra que no âmbito do Programa Operacional (PO) Mar 2020, foram aprovados 12 Grupos de Acção Local da Pesca no continente e três na Região Autónoma dos Açores que agregam várias comunidades piscatórias, o que faz com que haja já entidades e actores locais com “experiência acumulada na elaboração e implementação das estratégias de desenvolvimento local”.

O aumento do nível dos oceanos destruiria ao menos 5 nações insulares

Até 2100, as projecções indicam que o nível do mar subirá cerca de 1 metro. Com isso, pelo menos 5 nações insulares nos oceanos Índico e Pacífico poderiam praticamente desaparecer e 600 mil pessoas seriam forçadas a migrar como refugiados climáticos.

As nações insulares das Maldivas, Tuvalu, Ilhas Marshall, Nauru e Kiribati podem ter os seus dias contados a longo prazo. Essas ilhas, localizadas nos oceanos Pacífico Ocidental e Índico, podem sofrer severamente com a elevação do nível do mar projectada para o final deste século.

Um metro parece pouco, mas estas ilhas não têm grandes montanhas e são bastante planas, muito próximas do nível do mar. Ao mesmo tempo, o aumento do nível do mar provavelmente será acompanhado pelo aumento das marés de tempestades.

Outra ameaça que paira sobre estas ilhas é a contaminação da água doce pela água salgada, diminuindo a oferta de água doce e potável e tornando as ilhas praticamente inabitáveis muito antes que o oceano as cubra.

Há pelo menos duas razões principais para o aumento global do nível do mar. A primeira, conhecida de todos, está associada às áreas polares que estão derretendo.

As regiões polares estão aquecendo tanto quanto o resto do planeta, o que, por sua vez, faz com que os calotes polares derretam e contribuam para o aumento do nível do mar. Isso é particularmente perigoso no caso da Antártica. O gelo da Antártica está no continente, então esse gelo derreter seria uma “extra” ao nível do mar. Não é assim com o gelo ártico, que é encontrado principalmente no próprio oceano (o ártico não é um continente) e, portanto, já está incluído no nível actual do mar.

Mas há um segundo factor que explica a subida do nível do mar: a expansão térmica. Isto está associado com o facto de que a superfície do mar está aumentando não apenas devido ao derretimento dos calotes, mas também porque os oceanos estão ficando mais quentes, assim como o resto do planeta e a atmosfera.

A água tem uma grande capacidade de armazenar energia, mas, ao mesmo tempo, expande-se ligeiramente à medida que a sua temperatura aumenta. Isso pode ser imperceptível num copo de água, mas nos oceanos é realmente crucial.

Os miúdos não pagam bilhete no Oceanário de Lisboa até Dezembro

O Oceanário Lisboa foi eleito “o lugar mais notável” do mundo nesta quarta-feira, 2 de novembro. A Tiqets anunciou, no Tourismo Innovation Summit, realizado em Sevilha, os vencedores mundiais dos Remarkable Venue Awards, prémios que distinguem os melhores museus e atracções do mundo. Para celebrar a distinção, o aquário da capital lançou uma campanha única.

Até ao dia 16 de dezembro, os miúdos podem fazer uma visita gratuita acompanhados por um adulto. Ou seja, oceanário está a oferecer os ingressos a os menores até aos 12 anos por cada bilhete adulto comprado online (22€).

“Este prémio é um reconhecimento que nos enche de um grande sentido de agradecimento, aos visitantes, que valorizaram a nossa missão e a experiência única vivida, e a cada colaborador, pela entrega diária no cuidado dos nossos animais, na simpatia do acolhimento e no contributo para a conservação do oceano”, comentou João Falcato, director-geral do novo sítio mais notável do mundo.

Além de conhecerem mais de 500 espécies diferentes, as famílias podem visitar as duas exposições temporárias. Na mostra “As Florestas Submersas by Takashi Amano” são apresentadas várias florestas tropicais do famoso aquascaper. Amano foi desafiado a criar o maior “nature aquarium” do mundo, com 40 metros de comprimento e 160 mil litros de água doce. Tratam-se de aquários que retratam ou reflectem a natureza real fora de água mas dentro de água, submersa, e que são de uma beleza extraordinária.

Já a instalação artística “ONE – O Mar como nunca o sentiu”, da artista Maya Almeida, que apresenta uma ligação profunda do Homem com o mar e invoca a grandiosidade do oceano através de uma experiência imersiva pelo território marítimo português.

Porto de Lisboa com novo Conselho de Administração

O novo Conselho de Administração, da Administração do Porto de Lisboa (APL), SA, presidido por Carlos Alberto do Maio Correia, iniciou funções no passado dia 26 de outubro. É ainda composto pelos vogais Ricardo Jorge de Sousa Roque, Isabel Sofia de Moura Ramos, António Hugo Lindo Santos Caracol, Carla Maria Lamego Ribeiro.

A eleição destes membros, precedida dos pareceres da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP), foi feita na sequência de Deliberação Social do accionista Estado para o mandato correspondente ao triénio 2022-2024.

Carlos Alberto do Maio Correia fez parte do Conselho de Administração da APL entre 2016 e 2022 e assume agora a Presidência. No passado, entre outras funções, foi Presidente da Comissão Executiva da AMTL – Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa, Vogal e Presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres, responsável do Departamento de Planeamento Estratégico da REFER – Rede Ferroviária Nacional e responsável do Departamento de Mobilidade e Clientes da Infraestruturas de Portugal. Nos períodos de 1996 a 1997 e de 2005 a 2007, desempenhou as funções de adjunto e assessor na Secretaria de Estado das Obras Públicas e na Secretaria de Estado dos Transportes.

O modelo de governação adoptado é consagração do princípio da coordenação estratégica entre os portos de Lisboa, e de Setúbal e Sesimbra, para efeitos de planeamento estratégico e promoção de sinergias, pelo que o Presidente e os quatro administradores são comuns às duas administrações, conforme Decreto-Lei no 15/2016, de 9 de março.

O citado diploma legal consagra que a referida coordenação estratégica “assenta na criação de um conselho de administração comum, na elaboração conjunta dos instrumentos de gestão, na elaboração de um plano estratégico comum às duas administrações portuárias e, tendencialmente, na constituição de serviços partilhados”.

Maersk segue na linha de crescimento

A Maersk atingiu um lucro de 8,9 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, o que representa um crescimento homólogo de 63%.

No período, as receitas do grupo atingiram os 22,8 mil milhões de dólares, numa subida de 37% face ao ano passado. Só a divisão Ocean registou receitas de 18 mil milhões de dólares (13 mil milhões no período equivalente de 2021), um EBITDA de 9,9 mil milhões (6,3 mil milhões) e um EBIT de 8,7 milhões (5,3).

Os volumes movimentados, é verdade, caíram 7,6%, para três milhões de FFE. Mas as tarifas médias aumentaram 42%, para 5 046 dólares. A maior queda dos volumes foi sentida no Leste – Oeste (menos 10,2%), precisamente onde se verificou o maior aumento dos fretes médios (+54,1%).

O aparente contrassenso é explicado pelo peso dos contratos de longa duração celebrados pela Maersk em alta e que de alguma forma agora a protegem do arrefecimento do mercado e, logo, da revisão em baixa dos preços.

José Luis Cacho permanece na liderança da APS

Todos os membros do conselho de administração da APS (que gere os portos de Sines e do Algarve), em funções desde 2016, foram reconduzidos para mais um mandato, tendo sido confirmados no mês passado.

Com José Luís Cacho como presidente, mantêm-se como vogais executivos Duarte Lynce de Faria e Fernanda da Luz Albino.

Após concertada a expansão do Terminal XXI e de ter concessionado o Terminal Multipurpose, a administração terá, certamente, entre os próximos desafios, o desenvolvimento das capacidades de Sines no abastecimento energético e a concessão do novo terminal de contentores, entre outras tarefas.

FCT Nova e Transitários de Portugal fazem parceria para novo Mestrado em Logística Marítima

A Nova School of Science and Technology (FCT Nova) estabeleceu uma parceria com a APAT – Associação dos Transitários de Portugal, de modo a contribuir para o desenvolvimento das Blue Skills a nível dos quadros superiores das organizações.

Esta parceria permite uma aproximação da FCT Nova “à realidade da indústria marítimo-portuária contribuindo, assim, para o desenho de ofertas educativas que satisfaçam as necessidades reais do tecido empresarial”, refere a instituição de ensino em nota de imprensa.

O protocolo oficial foi assinado com a presença do director da FCT Nova, José Júlio Alferes, e do presidente executivo da APAT, António Nabo Martins.

A mesma nota relembra que o Mestrado em Logística Marítima da FCT Nova é o primeiro Mestrado em Portugal especificamente focado neste tema. Reúne um conjunto fundamental de conhecimentos na área da Logística, com domínios adicionais em Engenharia e Gestão Industrial, e trata-se de um curso que permitirá aos profissionais da indústria marítimo-portuária desenvolver competências relevantes nas áreas de investigação, inovação, técnicas, digitais e soft skills, incluindo o raciocínio crítico e uma predisposição proactiva.

O novo sistema de monitorização europeu de navios SafeSeaNet

A Agência Europeia de Segurança Marítima está na origem da criação e implementação do novo sistema de tráfego e monitorização de navios, SafeSeaNet.  O sistema tornou-se totalmente operacional em 2009. 

“Cada embarcação, em função da sua dimensão e tipologia, deve, de acordo com determinadas convenções internacionais transmitir um sinal de rádio. Esse sinal fornece a identificação da embarcação, as coordenadas da embarcação, a velocidade, o rumo e informações sobre o destino, por exemplo. A Agência Europeia de Segurança Marítima centraliza essa informação recolhida pelos Estados membros. Essa informação é reunida e cruzada para compor um único quadro marítimo. O que nos torna muito mais eficientes porque partilhamos toda a informação entre os estados membros, e por isso há menos falhas de informação”, disse à euronews, Michael Risley, responsável da Agência Europeia de Segurança Marítima.

As torres SafeSeaNet

“A informação é transmitida pelos navios através de diferentes sistemas. Em torno da União Europeia, da linha costeira, há uma rede de torres chamadas SafeSeaNet que detectam os sinais transmitidos pelas embarcações. A tecnologia usada por essas torres chamada AIS (Automatic Identification System), também está instalada nos satélites. A agência recebe informação dos Estados membros que têm programas espaciais e do sector comercial. Essa informação AIS de satélite, é fundida numa única imagem. Deste modo temos à nossa disposição a posição mais actualizada para uma única embarcação, independentemente da fonte de onde provém”, acrescentou o responsável.

A prevenção de incidentes

“Há também muitas informações de segurança partilhadas pelos Estados membros. Por exemplo, será que a embarcação transporta material perigoso? É muito importante que os estados membros estejam cientes dessa questão, porque se houver um acidente no mar, precisamos de definir exactamente o que é preciso de colocar no local para responder à situação. Por exemplo, precisamos de determinados produtos químicos. Pode haver risco de explosão. A maior parte das vezes não há acidentes, felizmente. Quando a embarcação chega ao porto, precisamos de saber qual é o equipamento necessário para descarregar a embarcação em segurança. Se houver um determinado contentor que transporta um produto perigoso, será preciso ter um pouco de cuidado suplementar quando estamos a descarregar esse material”, concluiu Michael Risley.