Maersk encomenda mais seis navios movidos a metanol

Outros seis grandes navios porta-contentores movidos a metanol foram encomendados pela AP Moller – Maersk com classe ABS. O pedido eleva para 19, o total de embarcações com motor bicombustível que podem navegar com metanol verde para a Maersk com classe ABS.

Essas embarcações de 17.000 TEUs serão construídas na Hyundai Heavy Industries, com entrega prevista para 2025. Quando todas as 19 embarcações sob encomenda forem entregues, substituirão os navios mais antigos. Em consequência, estima-se uma economia anual de emissões de CO2 de cerca de 2,3 milhões de toneladas.

“A descarbonização do transporte marítimo é um desafio complexo com muitas partes móveis. O metanol verde é um combustível promissor para a descarbonização de nossa indústria e essas embarcações são um passo vital na criação de cadeias de suprimentos globais mais sustentáveis. A ABS orgulha-se de poder usar a sua visão sobre o metanol como combustível marítimo para apoiar a Maersk”, disse Christopher Wiernicki, chairman, presidente e CEO da ABS.

“Todas as embarcações que temos actualmente sob encomenda poderão operar com metanol verde, que vemos como a melhor solução de combustível verde para esta década. Estamos ansiosos para aproveitar o momento actual e continuar a cooperação com a ABS no nosso caminho para descarbonizar a nossa frota”, afirmou Palle Laursen, chief fleet & technical officer da Maersk.

Mais uma dúzia de navios para a MSC

A ítalo-suiça MSC estabeleceu contrato com os estaleiros chineses Yangzijiang Shipbuilding para a construção de uma dúzia de porta-contentores de 16 000 TEU, com sistema dual fuel, facto que foi avançado pela companhia chinesa numa nota sobre as mais recentes encomendas. O contrato da MSC está avaliado em 2,16 mil milhões de dólares. Os novos porta-contentores, estão preparados para operarem a GNL, e deverão ser entregues entre o final de 2024 e meados de 2025, acrescentou a Yangzijiang Shipbuilding. Com este anúncio, a MSC passa a contar 126 navios encomendados, num total de 1,8 milhões de TEU de capacidade, o equivalente a 39% da sua capacidade actual 4,5 milhões de TEU), segundo os dados da Alphaliner.

Alberto II do Mónaco vai apoiar esforços dos Açores na protecção do oceano

O príncipe do Mónaco alertou para a necessidade de preservar os oceanos “nestes tempos de alterações climáticas e de destruição da biodiversidade”

O príncipe Alberto II do Mónaco garantiu ontem que vai apoiar os “esforços” dos Açores na protecção do oceano, enquanto o presidente do Governo Regional reforçou que a ciência do mar permite ao arquipélago ter dimensão mundial.

Falando no Palácio de Sant’Ana, sede da Presidência do Governo dos Açores, em Ponta Delgada, acompanhado pelo líder do executivo regional, José Manuel Bolieiro, Alberto II do Mónaco elogiou a actuação da região na defesa dos oceanos, dando o exemplo do projecto Blue Azores.

“Aproveito para lhe dar os parabéns pelo seu projecto e ambição de preservar um território imenso como são os Açores, contando, é certo, com o apoio da Fundação da Oceano azul, mas também poderá contar com o apoio da minha própria fundação porque ela também está orientado para esse trabalho de futuro”, afirmou, dirigindo-se a Bolieiro.

O príncipe do Mónaco alertou para a necessidade de preservar os oceanos “nestes tempos de alterações climáticas e de destruição da biodiversidade”.

Alberto II reforçou ainda a importância de preservar os cetáceos do oceano atlântico e lembrou que o arquipélago está localizado numa “rota migratória de várias espécies” de aves. “Espero que possamos reunir os nossos esforços nesta perspectiva de cooperação”, vincou.

Por sua vez, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, exortou o príncipe a apoiar o arquipélago na “defesa dos oceanos”.

“Os Açores gostariam de contar com o apoio de Vossa Alteza Sereníssima nos seus desafios em prol da sustentabilidade ambiental e na defesa dos oceanos. Sei que podemos contar consigo”, afirmou.

Trimestre recorde para o shipping de contentores

No segundo trimestre de 2022, as companhias de topo de shipping de contentores atingiram um EBIT global de 41,6 mil milhões de dólares, segundo o cálculo da Sea-Intelligence. A soma não tem em conta o resultado da CMA CGM, que ainda não divulgou o EBIT ( Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do respectivo trimestre, ainda que, mesmo sem esse resultado, o EBIT alcançado já transforma o segundo trimestre de 2022 no melhor segundo trimestre de sempre do sector. Relativamente aos valores, assim que for contabilizado o EBIT da CMA CGM irá fazer com que os mesmos ultrapassem os excelentes resultados obtidos no último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano. Ainda assim, nem tudo é positivo, já que a consultora antecipa que a rendibilidade do sector poderá baixar no próximo trimestre, devido a uma mudança de circunstâncias.

Este país é 99% oceano e 1% terra. Nova expedição visa revelar os seus mistérios

Pense-se “Maldivas” e as primeiras imagens que vêm à mente de muitos são filas de moradias de luxo sobreaquáticas que saem de longas docas de madeira, ou praias deslumbrantes rodeadas de areias brancas deslumbrantes.

Mas apesar das Maldivas serem um dos lugares mais cobiçados do mundo para férias – para não mencionar serem um destino de sonho para mergulhadores -, os cientistas dizem que ainda há muito a aprender sobre os seus ecossistemas subaquáticos.

Agora, o governo das Maldivas e o instituto de investigação marinha britânico Nekton juntaram-se para desvendar alguns desses mistérios, lançando uma ambiciosa expedição para as águas inexploradas do país.

A Missão Nekton Maldives, inclui equipas de cientistas das Maldivas e do estrangeiro, planeia realizar uma extensa investigação abaixo dos 30 metros utilizando dois submersíveis de alta tecnologia – um dos quais pode ir até aos mil metros de profundidade.

O objectivo é ajudar as Maldivas a gerir o impacto da crise climática global.

“As Maldivas são 99% oceano e apenas 1% terra, assente em média 1,5 metros acima do mar. Como resultado, a nação enfrenta uma ameaça crescente da subida dos mares “, diz uma declaração da Nekton.

“Mas, armado de mais conhecimentos sobre o que as suas águas contêm, o trabalho pode começar a proteger o que aí vive e salvaguardar o ambiente que essas espécies habitam, o que, por sua vez, torna o país mais capaz de resistir melhor às alterações climáticas”.

O instituto diz que 10 cientistas marinhos das Maldivas foram selecionados como os primeiros “aquanautas das Maldivas” a liderar mais de 30 primeiras descidas em submersíveis para explorar as profundezas do país. A primeira descida será liderada por uma equipa só de aquanautas mulheres.

“Estamos a determinar a localização, saúde e resiliência dos nossos recifes de coral, especialmente os ecossistemas mais profundos, sobre os quais sabemos muito pouco, de modo a que os principais habitats possam ser identificados para proteção e gestão”, disse o líder da equipa das Maldivas, Shafiya Naeem, director-geral do Instituto de Investigação Marinha das Maldivas, numa declaração.

“Os recifes que rodeiam os nossos atóis ajudam a reduzir os impactos da subida do nível do mar e o aumento da frequência e intensidade das tempestades, e formam a base das nossas economias, meios de subsistência e sustento”.

"Expedição à vela" quer fazer "mapa do lixo marinho" em Portugal e Espanha

Uma “expedição à vela” com “carácter científico” vai fazer “o mapa do lixo marinho” das costas de Portugal e Espanha durante os próximos dez meses, numa iniciativa divulgada em San Sebastián, no País Basco espanhol.

A iniciativa “Espanha Azul” tem como protagonista o espanhol Nacho Dean, que já deu a volta ao mundo a pé e uniu os continentes do planeta a nado, em travessias de estreitos e outros pontos, com o objectivo de sensibilizar para as alterações climáticas, documentando os seus impactos nas diversas regiões do globo.

Desta vez, Nacho Dean e uma equipa que integra investigadores na área dos oceanos vão percorrer as costas da Península Ibérica e dos arquipélagos espanhóis das Canárias (no Atlântico) e das Baleares (no Mediterrâneo), para recolher amostras de lixo e poluição e assim construir um “mapa do lixo marinho“, segundo um comunicado divulgado pela iniciativa “Espanha Azul”.

Esta “expedição”, que conta com o apoio da Universidade de Cádiz, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha e do Instituto Espanhol de Oceanografia, entre outras entidades, levará dez meses a concluir e recolherá três “amostras” de lixo e poluição em cada uma das regiões espanholas e em Portugal — uma amostra na foz de um rio, outra numa cidade costeira e a terceira numa “zona virgem“.

Em Portugal, esta expedição terá lugar em dezembro deste ano e as amostras serão recolhidas no Porto, na foz do Tejo e no Parque Natural do Sudoeste Alentejano.

O projecto “Espanha Azul” arranca este mês no País Basco Espanhol e vai contornar a costa da Península Ibérica, das Canárias e das Baleares, até terminar na Catalunha.

Serão recolhidas conjuntos de três amostras no País Basco, Cantábria, Astúrias, Galiza, Portugal, Canárias, Andaluzia, Múrcia, Baleares, Comunidade Valenciana e Catalunha.

Entre os objectivos da “Espanha Azul” estão “realizar um relatório que apoie a declaração de 30% destas zonas como Parques Naturais Marinhos e Áreas Marinhas Protegidas” e registar níveis de poluição, percentagens de oxigénio nas águas, perdas de biodiversidade, subida dos níveis do mar ou impactos das construções urbanísticas e do turismo.

Quais os 6 países responsáveis pelo "continente de plástico"?

Os cientistas acabam de descobrir num estudo que 90% dos resíduos do “continente de plástico” do Oceano Pacífico são originários de somente seis países. A maioria destes países são asiáticos. Mais de um quarto dos resíduos é equipamento de pesca.

O “continente de plástico”, também conhecido como o “vórtice dos resíduos do Pacífico Norte”, não pára de aumentar. Localizado entre o Havai e a Califórnia, este sétimo continente de plástico, descoberto em 1997 pelo navegador Charles Moore, ocupa agora 1,6 milhões de quilómetros quadrados (três vezes o tamanho da França continental).

Estes resíduos recolhidos poderiam representar uma massa de mais de 80.000 toneladas. Investigadores do Ocean Cleanup Project e da Universidade de Wageningen nos Países Baixos descobriram recentemente, num estudo, que 90% destes resíduos plásticos provinham de apenas seis países. Então, quem são os responsáveis?

Para encontrar a origem destes resíduos, os investigadores examinaram 6.000 deles dentro do “vórtice”, procurando palavras impressas (para encontrar uma língua reconhecível), símbolos ou logótipos. No entanto, um terço dos resíduos não foi identificado.

O Japão encabeça a lista, sendo responsável por 33,6% dos resíduos identificados. A seguir vem a China (33,3%), seguida da Coreia do Sul (9,9%). Estes três países asiáticos são, portanto, responsáveis por mais de três quartos dos resíduos plásticos analisados e identificados.

Pagos 2 milhões em apoio aos sectores da pesca e aquicultura

O sector das Pescas e da Aquicultura recebeu dois milhões de euros para compensar custos energéticos, depois de liquidada na passada sexta-feira a segunda tranche de pagamentos das candidaturas, anunciou o Governo.

“Foram aprovados 795 pedidos de apoio, o que representa mais de 80% do total de pedidos apresentados, dos quais 754 já foram pagos aos beneficiários, decorrido cerca de um mês e meio após o termo do prazo de submissão de candidaturas”, afirma o executivo, em comunicado divulgado, dando conta de que o apoio ascendeu a 2.069.652 euros.

Ao todo, o valor pago aos operadores económicos do sector da pesca, da aquicultura e da transformação e comercialização de pescado totaliza 4,95 milhões de euros.

Portos do Norte da Europa menos produtivos

 


A produtividade dos terminais de contentores dos principais portos do Norte da Europa degradou-se nos últimos três anos, sustenta a Drewry.

A principal razão para a quebra de produtividade terá a ver com as dificuldades dos portos do Norte da Europa em lidar com o aumento do número de contentores baldeados, à medida que as companhias de shipping consolidaram as escalas em função da maior volatilidade da procura.

De acordo com o mais recente Ports & Terminals Insight da Drewry, a duração média das escalas nos principais portos do Norte do Velho Continente aumentou 50% no primeiro trimestre de 2022 face ao período pré-pandemia.

O pico dos atrasos terá acontecido em Fevereiro, quando se registou um tempo médio por escala de 2,3 dias, 58% acima da média de antes da pandemia. Já em Maio, a situação melhorou, em termos relativos, para 37% acima da pré-pandemia.

Ainda de acordo com a Drewry, a maior parte do tempo de escala – cerca de 60% – foi gasto nas operações de carga e descarga, ao passo que a espera para acostar consumiu apenas cerca de 20% do tempo de escala, em média. Uma situação bem diversa daquela que se viveu nos portos da costa oeste da América do Norte, sublinha a consultora.

Curiosamente, o agravamento do tempo de duração das escalas aconteceu num contexto de menos volumes movimentados e menos escalas também. Considerando os portos de Roterdão, Antuérpia, Bremerhaven e Hamburgo, a Drewry estima uma quebra de 3,5% nos volumes e de 15,1% nas escalas no primeiro trimestre de 2022 face ao período homólogo de 2019.

Ao invés, o número de contentores baldeados terá aumentado 14% em média: 20% em Antuérpia, 12% em Bremerhaven. Contas feitas, ambos os portos viram a sua produtividade degradar-se mais de 30%, considerando o número de dias por mil TEU movimentados.