Comissão Europeia lança estratégias para portos e indústria marítima.

A Comissão Europeia apresentou duas novas estratégias para reforçar o sector marítimo europeu, uma dirigida aos portos e outra à indústria marítima. O objectivo passa por aumentar a competitividade, a segurança, a resiliência e a sustentabilidade de áreas consideradas estratégicas para a economia europeia.

No plano industrial, Bruxelas quer apoiar a construção e reparação naval, os retrofits, as tecnologias marítimas avançadas e outras cadeias de valor ligadas ao mar, procurando travar a perda de capacidade produtiva europeia em sectores-chave.

No plano portuário, a prioridade vai para o reforço da segurança física e digital, da cibersegurança, da electrificação, da ligação ao hinterland e da redução de dependências externas em sistemas e activos sensíveis.

A mensagem é clara: a União Europeia quer portos e indústria marítima mais verdes, mas também mais fortes, mais autónomos e mais preparados para responder à concorrência global e aos novos riscos estratégicos.

Estudo sobre Terminal Vasco da Gama em Sines deverá ficar concluído em Abril.

O estudo de mercado relativo ao futuro Terminal Vasco da Gama, no Porto de Sines, deverá estar concluído durante o mês de Abril, num avanço considerado importante para a preparação de um novo concurso internacional para esta infraestrutura.

O objectivo deste trabalho passa por avaliar com maior rigor o interesse do mercado, perceber as expectativas de operadores portuários e armadores e definir um modelo mais ajustado à realidade actual do sector. A intenção é criar condições para que o projecto avance com bases mais sólidas, depois de a tentativa anterior não ter gerado propostas. A conclusão deste estudo deverá abrir caminho à preparação de nova documentação técnica e contratual, indispensável para o relançamento do processo. O calendário apontado para esse passo seguinte situa o possível lançamento de um novo concurso entre o final de 2026 e o início de 2027. O Terminal Vasco da Gama continua a ser visto como uma aposta estratégica para o crescimento do Porto de Sines, sobretudo na movimentação de contentores.

A concretização deste projecto poderá reforçar a capacidade portuária instalada, aumentar a competitividade do porto alentejano e consolidar a sua posição nas grandes cadeias logísticas internacionais. Ao mesmo tempo, o actual enquadramento das concessões portuárias poderá tornar o investimento mais atractivo, ao permitir horizontes temporais mais longos para projectos de grande dimensão e forte exigência financeira.

Irão condiciona passagem em Ormuz à expulsão de embaixadores dos EUA e de Israel.

A tensão no Golfo Pérsico continua a escalar e volta a colocar o Estreito de Ormuz no centro das atenções do transporte marítimo mundial. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que poderá permitir a passagem segura de navios pertencentes a países árabes ou europeus que decidam expulsar os embaixadores dos Estados Unidos e de Israel.

A declaração surge num momento em que o tráfego marítimo na região enfrenta fortes constrangimentos. O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta, é responsável pela circulação de cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Qualquer ameaça ou interrupção nesta rota tem impacto imediato nos mercados energéticos e no comércio global.

Segundo informações divulgadas nas últimas horas, a pressão militar e as ameaças da Guarda Revolucionária iraniana estão a provocar um forte recuo no tráfego marítimo, com várias companhias de navegação e operadores a evitarem a zona ou a reavaliar rotas.A instabilidade já se reflecte nos mercados internacionais, com o preço do petróleo a ultrapassar a fasquia dos 100 dólares por barril, numa reacção directa ao risco de interrupção no fluxo energético proveniente do Golfo.

Para o sector marítimo e energético global, o Estreito de Ormuz volta assim a afirmar-se como um dos pontos mais sensíveis da geopolítica contemporânea, onde qualquer escalada militar pode ter consequências imediatas nas cadeias logísticas e no abastecimento mundial de energia.

Portugal quer liderar protecção e valorização económica do oceano.

Portugal deve assumir um papel de liderança na protecção e valorização económica do oceano. A ideia foi defendida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, na abertura do I Fórum Mar Portugal, realizado em Faro, onde sublinhou a necessidade de conciliar defesa ambiental com crescimento sustentável.

Na sessão promovida pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve, a governante afirmou que o oceano é um activo estratégico de enorme importância para Portugal e para a humanidade, recordando a dimensão da zona económica exclusiva portuguesa e a responsabilidade do país na sua preservação e valorização. Maria da Graça Carvalho defendeu uma estratégia assente na protecção dos meios marinhos, mas também no desenvolvimento da economia azul, com actividades orientadas por princípios de sustentabilidade ambiental e transição ecológica. Entre os exemplos destacados estiveram o ecoturismo marinho sustentável e a biotecnologia azul, incluindo o potencial para o desenvolvimento de novos fármacos, sempre com salvaguarda dos habitats marinhos.

A ministra considerou ainda que Portugal deve liderar pelo exemplo na defesa do oceano enquanto ecossistema essencial à regulação do clima do planeta e reserva fundamental de biodiversidade. No fórum, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve entregou formalmente à ministra a carta de intenções “Algarve Capital Natural”, através da qual os 16 municípios algarvios assumem o compromisso de afirmar a região como referência na valorização sustentável do capital natural, com especial atenção à protecção do oceano e dos ecossistemas costeiros.

O I Fórum Mar Portugal reuniu decisores políticos, investigadores, instituições financeiras, empresas e organizações internacionais para debater o papel do oceano como motor de desenvolvimento e reforçar o posicionamento de Portugal na transição ecológica.

Foto: Sara Matos/MAEN

Fundação Oceano Azul pede mais ambição na futura Lei Europeia dos Oceanos.

A Fundação Oceano Azul defendeu, em Bruxelas, que a futura Lei Europeia dos Oceanos deve colocar o mar no centro das prioridades da União Europeia.

A organização considera que o oceano não pode continuar a ser tratado apenas como uma questão ambiental, sublinhando também a sua importância estratégica para a economia, a segurança, a energia, a ciência e os transportes.

A posição foi apresentada num documento conjunto com o Europe Jacques Delors, que apela a uma abordagem mais ambiciosa por parte de Bruxelas. Para os autores, a nova lei deve ir além de uma simples actualização da política marítima europeia e assumir o oceano como uma dimensão essencial para o futuro do projecto europeu.

A Fundação Oceano Azul defende ainda que proteger e valorizar o mar é uma necessidade estratégica, num momento em que os oceanos ganham peso crescente nas questões climáticas, geopolíticas e económicas.

Consórcio nacional aposta na produção de pregado e robalo em aquacultura.

A aquacultura portuguesa prepara-se para dar um novo passo na valorização da produção nacional de pescado com o desenvolvimento do projecto OmegaPeixe, um consórcio que reúne empresas, centros de investigação e instituições científicas com o objectivo de melhorar a qualidade nutricional do pregado e do robalo produzidos em Portugal.

A iniciativa junta várias entidades ligadas à economia do mar e à investigação aplicada, entre as quais a Acuinova, a ALGAplus, a Sparos, a Riasearch, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto e o laboratório colaborativo B2E CoLAB. Em conjunto, estas organizações pretendem desenvolver soluções inovadoras que permitam produzir peixe com maior teor de ómega-3, mantendo elevados padrões de sustentabilidade ambiental e de bem-estar animal.

O trabalho do consórcio centra-se sobretudo no desenvolvimento de novas dietas e estratégias de alimentação para estas espécies, recorrendo a ingredientes mais sustentáveis e a conhecimento científico avançado para optimizar o crescimento dos peixes e o seu perfil nutricional. A aposta passa por reforçar a qualidade do pescado produzido em aquacultura e aumentar a competitividade da produção nacional. O pregado e o robalo são duas das espécies mais valorizadas no mercado europeu e têm vindo a ganhar importância na aquacultura portuguesa.

Com este projecto, pretende-se demonstrar que é possível produzir pescado com maior valor acrescentado, contribuindo ao mesmo tempo para uma fileira do mar mais inovadora, sustentável e preparada para responder à crescente procura por alimentos de origem marinha.

Alterações climáticas podem acelerar correntes à superfície dos oceanos.

O aquecimento global poderá estar a alterar o comportamento das correntes oceânicas à superfície, com impacto potencial em grande parte dos mares do planeta.

Se acordo com investigadores citados pela Green Savers, a subida da temperatura dos oceanos pode levar a um aumento da velocidade das correntes superficiais em mais de 75% da área oceânica mundial, num fenómeno que poderá ter consequências importantes para o equilíbrio climático e para os ecossistemas marinhos.

As correntes desempenham um papel central na circulação de calor, no transporte de nutrientes e na distribuição de vida marinha, sendo também essenciais na capacidade do oceano para absorver carbono e regular a temperatura do planeta. Qualquer alteração neste sistema poderá, por isso, repercutir-se muito para além do meio marinho.Os cientistas admitem que esta evolução poderá influenciar cadeias alimentares, padrões climáticos e a própria dinâmica dos oceanos num contexto de aquecimento global cada vez mais evidente.

A confirmar-se esta tendência, o mar volta a mostrar que é um dos principais barómetros das mudanças profundas em curso no planeta.

Alphaliner: Evergreen tem a frota mais jovem entre os grandes armadores.

A Alphaliner, empresa especializada em dados e indicadores da actividade económica do sector portuário, indicou que a Evergreen lidera actualmente o ranking das frotas mais jovens no transporte marítimo de contentores, com uma idade média de 9,3 anos por navio. Logo depois surgem a Wan Hai, com 9,4 anos, e a HMM, com 9,6 anos, num sinal claro de aposta em tonagem mais moderna num sector cada vez mais pressionado pela eficiência energética e pela descarbonização.

O contraste com alguns dos maiores operadores mundiais é evidente. A MSC, apesar de continuar a liderar em capacidade, aparece bastante mais abaixo nesta tabela, com uma idade média próxima dos 17 anos, muito por força da sua estratégia de crescimento assente na compra de navios em segunda mão. Já a Maersk, a CMA CGM, a Hapag-Lloyd e a COSCO apresentam frotas com idades médias superiores a 13 anos.

A renovação das frotas está a ganhar peso estratégico numa fase em que os armadores enfrentam novas exigências ambientais e operacionais, desde o EEXI ao CII, ao mesmo tempo que o baixo número de navios enviados para abate tem contribuído para o envelhecimento gradual da frota mundial.

Petróleo dispara com escalada no Golfo e tensão em Ormuz.

PO petróleo registou um forte disparo nos mercados internacionais, com o Brent a aproximar-se dos 119 dólares por barril, num movimento impulsionado pela escalada da guerra no Médio Oriente, pelos ataques a infraestruturas energéticas no Golfo e pelo risco crescente de bloqueio no Estreito de Ormuz.

No centro da tensão está precisamente Ormuz, uma passagem decisiva para o comércio mundial de energia, por onde circulam diariamente milhões de barris de petróleo e produtos refinados. O receio de uma interrupção prolongada no tráfego marítimo está a alimentar a volatilidade dos mercados e a aumentar a pressão sobre a oferta global. Apesar da possibilidade de libertação de reservas estratégicas por parte das grandes economias, o mercado continua a olhar para a situação com grande cautela, uma vez que essas medidas teriam apenas efeito temporário.

Ao mesmo tempo, os relatos de ataques a instalações de produção e refinação em vários países do Golfo reforçam o sentimento de insegurança.Sem alternativas logísticas suficientes para contornar Ormuz, os operadores temem que a crise passe rapidamente de um choque nos preços para uma perturbação efectiva no abastecimento energético mundial. É esse risco que ajuda a explicar a forte subida do crude nos últimos dias.

Petroleiro “Monte Urbasa” retido no Golfo Pérsico.

O petroleiro Monte Urbasa, navio de bandeira portuguesa registado na Madeira, está entre as embarcações que permanecem retidas no Golfo Pérsico devido ao aumento da insegurança na região, numa altura em que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz registou uma forte quebra.

Com 274 metros de comprimento, o Monte Urbasa transporta petróleo saudita e encontrava-se ligado a uma operação sensível do ponto de vista energético, depois de ter carregado crude da Saudi Aramco poucos dias antes de a refinaria de Ras Tanura ter sido alvo de drones iranianos.

Esse enquadramento ajuda a perceber a relevância do caso: Trata-se de um navio inserido numa das cadeias de abastecimento mais estratégicas do mundo, numa zona onde qualquer incidente pode afectar o mercado petrolífero e a navegação comercial. A retenção do Monte Urbasa reflecte o clima de prudência que se instalou entre armadores e operadores marítimos, com muitos navios a evitarem avançar enquanto persistirem riscos de ataque ou de agravamento militar no Golfo.

O caso de um navio com bandeira portuguesa sublinha, além disso, como a instabilidade no Médio Oriente tem impacto directo, independentemente da origem da carga ou do registo do navio.