Blue Games em Portugal

Pela primeira vez, 48 jovens entre os 14 e os 16 anos, vão participar nos Blue Games, um formato pioneiro a nível mundial que está enquadrado na década da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável que a ONU definiu para 2021-2030. A iniciativa é financiada pelo programa Crescimento Azul dos EEA Grants.

Vão ser 8 equipas de 6 alunos (3 rapazes e 3 raparigas) que vão testar em simultâneo as capacidades físicas e o conhecimento em várias áreas ligadas ao Oceano. O promotor dos jogos, Francisco Lufinha, diz que o objectivo é promover a literacia do oceano “logo desde cedo nas escolas”.

Os jogos vão passar pela areia e pelo mar, com jogos sobre espécies de peixes, limpeza da praia e desporto náutico, como explicou o também ‘kitesurfer’ Francisco Lufinha.

Francisco Lufinha considera que é preciso captar a atenção dos jovens para a importância de preservar o oceano, “mas se não houver um conhecimento do que é o mar eles também não vão gostar do mar e se não vão gostar do mar não vão fazer muito para o proteger”.

“O prémio maior é aprender”, sublinha Francisco Lufinha, no entanto, as três equipas que subirem ao pódio vão receber uma viagem de barco, da Terra Incógnita, para observar golfinhos no rio Tejo.

Os Blue Games acontecem terça-feira, 24 de maio, entre as 09h00 e as 13h15, na Praia Velha de Paço de Arcos.

Vila Franca suspende PDM para construção de cais de contentores

O município de Vila Franca de Xira aprovou por unanimidade e implementou na última semana a sua primeira suspensão do Plano Director Municipal (PDM), visando permitir o avanço dos trabalhos de construção do novo terminal fluvial de contentores da Castanheira enquanto são realizados os procedimentos necessários de revisão do documento. 
Todas as forças políticas representadas no executivo consideram o projecto de sete milhões de euros importante para o concelho, não apenas por gerar postos de trabalho mas também por ajudar a reduzir o volume de camiões que diariamente atravessam o concelho. “Terá impactos positivos na economia, turismo e ambiente. Termos um Tejo navegável em toda a extensão do nosso concelho permite crescimento económico e reforço da nossa capacidade turística”, defende o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira. 
O Porto de Lisboa movimenta anualmente mais de doze milhões de toneladas de carga, que tem como principal destino a região norte de Lisboa e cuja expedição ocorre na sua maioria por via rodoviária, implicando uma grande pressão em concelhos como Vila Franca de Xira e Alenquer. 
O terminal fluvial da Castanheira é promovido pela Empresa de Tráfego e Estiva (Grupo ETE), que é hoje responsável por mais de metade do total de mercadorias movimentadas no Porto de Lisboa e faz mais de 300 viagens por ano entre os terminais de Lisboa, Mar da Palha e a Cimpor em Alhandra. 
As barcaças serão movimentadas Tejo acima entre os terminais de Lisboa e Castanheira por rebocadores que vão consumir 120 litros por hora de gasóleo. Os contentores vão em barcaças de modelo “Europa” com capacidade para 99 contentores cada, sem propulsão. Segundo o estudo de impacte ambiental, entre o primeiro ano de funcionamento e o trigésimo espera-se que as viagens entre os dois portos passem de uma para cinco por semana. 

Um navio que pode ser o futuro da Marinha portuguesa

O Governo já autorizou o início do projecto de um navio que pode ser configurado todas as semanas para missões diferentes.

O nome provisório oficial é “Plataforma Naval Multifuncional”. O projecto foi inscrito desta maneira no Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). O primeiro custo estimado são quase cem milhões de euros.

Mas é preciso consultar as especificações técnicas para perceber que este navio polivalente, é diferente de tudo o que a Marinha tem no presente, ou teve no passado.

Integrado na componente de investimento no mar do PRR, o navio terá componentes de resposta a emergências civis e ambientais, vigilância marítima, e investigação científica.

Como exemplos de emergência, são apresentados cenários de “derrames de petróleo ou blooms de plásticos, algas ou anémonas”.

Em certo sentido, pode ser também, um navio “porta-drones”. Vai poder lançar esquadras de aparelhos não tripulados, tanto aéreos como submersíveis.

Neste caso, os exemplos apresentados são as sondas de recolha de amostras submarinas ou com sensores óticos e de outro tipo, aparelhos não tripulados aéreos e de superfície.

O almirante chefe do Estado-Maior da Armada, Gouveia e Melo, na entrevista desta semana à TSF e ao Diário de Notícias, explicou que uma das características deste projecto, é a possibilidade de ser alterado de uma semana para o outro, em função da missão que é pedida.

“É o primeiro navio que vai ser desenhado de raiz com um conceito totalmente revolucionário, em que pretendemos envolver a indústria portuguesa, a academia portuguesa e a ciência que se faz em Portugal para podermos desenvolver no futuro navios do mesmo tipo, mais evoluídos, que possam vir a substituir as fragatas e outras necessidades que temos”, explicou.

Gouveia e Melo descreve o navio como “multidomínio e que vamos poder transformar de semana a semana, em função das necessidades de cada semana e do local geográfico em que temos de actuar.”

“É um conceito completamente revolucionário e se o conseguirmos fazer, e há todas as condições para isso com a nossa tecnologia, envolvendo a academia, a ciência e a indústria portuguesa, estaremos muito mais preparados para um futuro de médio prazo em que temos de substituir as fragatas e outros navios que estão a chegar ao fim de vida”, concretiza o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada.

Quase 6 milhões para proteger Vila do Conde do mar e do rio

Obras na praia de Árvore avançam até ao fim do mês. Segue-se muro de contenção do Ave.

São 5,7 milhões de euros para proteger a cidade dos avanços do mar e conter o rio Ave no seu leito. O ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, veio a Vila do Conde visitar as obras já em curso e anunciar os próximos passos. Na cidade, a obra já arrancou. Em Árvore avança até ao fim do mês. Seguem-se os passadiços e a beira-rio. O presidente da Câmara, Vítor Costa, congratula-se por ver “Vila do Conde começar a contar” para o governo e chegarem, finalmente, obras “há muito ansiadas”. Entre 2018 e 2020, o muro e parte da marginal da praia de Árvore caíram quatro vezes. Desde então, a rua está cortada e no areal acumulam-se as pedras. Agora, explicou o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, a obra já tem visto do Tribunal de Contas e vai começar “antes do fim do mês”. 1,8 milhões de euros para fazer o enrocamento dos 160 metros entre o restaurante Areal e o fim da marginal. A obra irá demorar 300 dias, mas começará de norte para sul, a fim de não perturbar a época balnear. Mais avançada está a obra na marginal da cidade, que, conforme o JN noticiou, já decorre, orçada em 1,1 milhões de euros. APA e Câmara assinaram ainda um protocolo para a empreitada de 800 mil euros de protecção do sistema dunar entre Mindelo e a Ribeira de Silvares. Em várias zonas, os passadiços foram “engolidos” pela duna. A empreitada está, agora, em fase de candidatura a fundos comunitários. Na beira-rio, já há dois anos que o muro de contenção do rio Ave ameaça colapsar e há grades a vedar o acesso. Pimenta Machado diz que a APA está “a preparar o projecto”. Serão mais dois milhões de euros. “Todo o litoral vai obrigar a uma actuação permanente, vigilante e persistente de recarga de praias, reposição do sistema dunar, manutenção de estruturas de defesa costeira, de desassoreamento dos sistemas dunar e das barras”, afirmou o ministro do Ambiente, sublinhando que Portugal é dos países da Europa “que mais sente e vai sentir” os efeitos das alterações climáticas e da subida do nível das águas.

National Geographic Summit está de volta

A National Geographic dedica um dia para mudar os próximos. Nas anteriores edições desta conferência internacional marcaram presença vozes icónicas como as de Jane Goodall, Sylvia Earle ou Brian Skerry. Este ano, o painel de oradores conta, entre outros, com Céline Cousteau, neta do mais famoso oceanógrafo de todos os tempos, Jacques Cousteau.

Os limites planetários são ultrapassados mais cedo a cada ano, sobrecarregando a Natureza com a utlização indiscriminada de recursos. Um cenário alarmante mas que ainda não é irreversível. O momento de actuar é agora, de reconhecer a coexistência entre todos os seres vivos e agir para assegurar um futuro sustentável para todos. A natureza é resiliente e a nossa maior aliada para um outro planeta possível, mas é urgente garantir tempo e espaço para a sua regeneração.

Guiados pelos pilares da humanidade, biodiversidade e sustentabilidade, exploradores da National Geographic e especialistas de renome internacional partilharão histórias inspiradoras e mensagens mobilizadoras para provocar mentes e dar aos participantes uma visão mais ampla do mundo que os rodeia.

À semelhança dos anos anteriores, a manhã deste dia será dedicada exclusivamente aos mais jovens, com o National Geographic Summit Junior 2022, para que a mudança comece pelos mais novos, e sejam agentes em que serão convidados a embarcar nesta grande expedição para que cimentem a sua consciência mas actuem para mudar o ambiente à sua volta.

Dia 31 de maio, o Teatro Tivoli BBVA Lisboa.

Porto acolhe Centro Tecnológico da Maersk

 

A Maersk passa a ter no Porto um hub tecnológico. O hub do gigante logístico dinamarquês arranca com 50 colaboradores e espera chegar aos 150 até 2023. Este passo estratégico acontece oito meses depois da aquisição da portuguesa HUUB.

Situado no Porto Office Park (POP), na zona da Boavista, o espaço ocupa um andar, com 850 metros quadrados. Considerado um dos mais modernos edifícios de escritórios da cidade invicta, o POP é constituído por dois blocos que integram as mais avançadas soluções tecnológicas e de eficiência energética, num total de 31.500 m2 de área de construção bruta e mais 15 mil m2 de áreas verdes exteriores.

A HUUB continua assim em casa, já que foi no Porto que a startup nasceu com o objectivo de transformar a logística na área da moda, isto com a gestão da cadeia de canais das marcas. O desempenho, o crescimento e as várias rondas de investimento que foram atraindo, acabaram por colocar a empresa na mira da Maersk, que queria entrar naquele segmento e que avançou para a aquisição em setembro de 2021.

O novo centro tecnológico da Maersk será vizinho de empresas como a líder mundial em consultoria e engenharia tecnológica, Alten, ou a Concentrix, especializada em outsourcing e na prestação de serviços de apoio técnico e de interação com o cliente.

Já nasceu a nova Rede Ibero-Americana de Pesca Artesanal

A nova Rede Ibero-Americana de Pesca Artesanal, que representará mais de 20 milhões de pescadores foi criada no passado dia 11 de Maio. 

Nesse dia, foi feita a assinatura dos protocolos desta rede, na Casa da Ibero-América, em Cádiz, com a presença de representantes de vários países e diferentes autoridades políticas, como as secretárias de Estado das Pescas Alicia Villauriz, de Espanha, e Teresa Coelho, de Portugal.

“Esta iniciativa pioneira, liderada pela Organização de Produtores de Pescadores de Conil (OPP72) e em colaboração com WWF Espanha e Soldecocos, foi criada para se tornar um palestrante da pesca artesanal em fóruns internacionais e para enfrentar os muitos desafios que o sector tem para alcançar ambiental e socialmente pesca sustentável”, diz a Quarpesca – Associação dos Armadores de Pesca de Quarteira, que é membro, em comunicado.

Mais de 24 organizações de pesca artesanal da Ibero-América “uniram-se com o objectivo de fortalecer as suas capacidades institucionais, como um ‘laboratório’ para a troca de experiências e soluções para os desafios que unem todas essas comunidades: a crise climática, a perda de biodiversidade e a crise eco social”, acrescenta.

A Rede Ibero-Americana “também trabalhará nas políticas de género e tornará este sector visível para os jovens, a fim de garantir a mudança geracional”, conclui.

Os oceanos estão a começar a perder a memória

O efeito da inércia térmica na superfície do oceano, a que os cientistas se referem como a “memória” do mar, está em declínio devido às alterações climáticas. Isto tem implicações para a vida marinha e torna os fenómenos meteorológicos extremos mais imprevisíveis.

Com as alterações climáticas, os oceanos estão a tornar-se mais barulhentos — e também estão a começar a perder a sua memória e a tornar-se mais imprevisíveis, o que pode afectar a sua temperatura, estrutura, correntes e até a sua cor.

Um novo estudo publicado na Science Advances debruçou-se sobre este fenómeno “A memória do oceano, a persistência das condições do oceano, é uma enorme fonte de previsibilidade no sistema climático para além das escalas de tempo meteorológicas”, escrevem os autores.

Na pesquisa, a equipa estudou as temperaturas da superfície do mar na camada superior do oceano. Apesar das águas serem relativamente rasas — estendendo-se apenas até uma profundidade de 50 metros — esta camada superficial exibe uma grande persistência ao longo do tempo em termos da inércia térmica, especialmente comparada com as variações vistas na atatmosfera.

No entanto, os modelos sugerem que este efeito de “memória” na inércia térmica deve descer globalmente no resto do século, com variações dramáticas na temperatura previstas para as próximas décadas.

“Descobrimos este fenómeno ao examinarmos as semelhanças na temperatura na superfície do oceano de um ano para o outro como uma medida simples para a memória do oceano”, explica Daisy Hui Shi, investigadora climática e autora principal do estudo.

O efeito vai levar a uma maior mistura de águas no topo do oceano, o que efetivamente vai tornar a camada superficial mais fina.

Por sua vez, isto vai diminuir a capacidade do oceano para a inércia térmica, o que deixa a superfície mais susceptível a anomalias de temperatura aleatórias e dificulta as previsões das dinâmicas do mar e dos fenómenos extremos, como as monções.

Ainda não se sabe ao certo o que é que esta mudança significa para a vida marinha, mas os investigadores acreditam que o impacto é “provável”, apesar de haver algumas espécies que se devem adaptar melhor a este cenário do que outras.

Google Equiano: O cabo submarino de alta capacidade chegou a Portugal

Nas comunicações transoceânicas, grande parte dos dados entre Continentes, passa por cabos submarinos sendo que as ligações por satélite são usadas normalmente num segundo plano, especialmente pela questão da fiabilidade e largura de banda.

Portugal fica na história pelo anúncio da chegada do cabo Equiano, que vai ligar Portugal à Africa do Sul.

A Google realizou um evento que marca a chegada do cabo Equiano da Google. Segundo um relatório, 59% dos cabos submarinos estão nas mãos de empresas privadas, enquanto “apenas” 20% desses cabos são estatais ou geridos pelos governos dos diferentes países.

Com amarração em Portugal, mais concretamente em Sesimbra, que acontecerá até dia 23 de maio, o cabo Equiano tem mais de 12.000 kms ao longo da costa oeste da África, passando por Lomé, Togo, Lagos, Nigéria, Swakopmund, Namíbia, Rupert’s Bay e Santa Helena, e Melkbosstrand, África do Sul.

Transporte global de contentores é o pior em 50 anos

A consultora Drewry Shipping relatou que uma deterioração contínua na precisão dos tempos de trânsito e chegada no transporte global de contentorea significa que o sector está no pior estado em que esteve nos últimos 50 anos. A situação não deve começar a melhorar até o primeiro semestre de 2023 e isso está afectando a indústria num momento de maior incerteza na cadeia global.

No entanto, na conferência “Automotive Logistics and Supply Chain Europe” deste mês, Philip Damas, director administrativo da Drewry, disse que havia medidas de contingência que a indústria poderia tomar. Isso inclui a diversificação de médio prazo de fornecimento de peças e materiais, usando portos alternativos e prestadores de serviços de transporte marítimo, diferentes rotas de entrega, bem como uma maior atenção às taxas de frete e indicadores semanais de congestionamento.

O congestionamento portuário está aumentando em todas as regiões do mundo, com altos volumes reportados na América do Norte, Ásia, Europa e Médio Oriente. Concentrando-se na situação actual do transporte de contentores entre a China e os EUA, Damas disse que os tempos médios de trânsito para carga e descarga entre a China e as duas costas dos EUA estão num estado sombrio e imprevisível, com grande variabilidade, o que causa dores de cabeça para o abastecimento.