Uma “expedição à vela” com “carácter científico” vai fazer “o mapa do lixo marinho” das costas de Portugal e Espanha durante os próximos dez meses, numa iniciativa divulgada em San Sebastián, no País Basco espanhol.
A iniciativa “Espanha Azul” tem como protagonista o espanhol Nacho Dean, que já deu a volta ao mundo a pé e uniu os continentes do planeta a nado, em travessias de estreitos e outros pontos, com o objectivo de sensibilizar para as alterações climáticas, documentando os seus impactos nas diversas regiões do globo.
Desta vez, Nacho Dean e uma equipa que integra investigadores na área dos oceanos vão percorrer as costas da Península Ibérica e dos arquipélagos espanhóis das Canárias (no Atlântico) e das Baleares (no Mediterrâneo), para recolher amostras de lixo e poluição e assim construir um “mapa do lixo marinho“, segundo um comunicado divulgado pela iniciativa “Espanha Azul”.
Esta “expedição”, que conta com o apoio da Universidade de Cádiz, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha e do Instituto Espanhol de Oceanografia, entre outras entidades, levará dez meses a concluir e recolherá três “amostras” de lixo e poluição em cada uma das regiões espanholas e em Portugal — uma amostra na foz de um rio, outra numa cidade costeira e a terceira numa “zona virgem“.
Em Portugal, esta expedição terá lugar em dezembro deste ano e as amostras serão recolhidas no Porto, na foz do Tejo e no Parque Natural do Sudoeste Alentejano.
O projecto “Espanha Azul” arranca este mês no País Basco Espanhol e vai contornar a costa da Península Ibérica, das Canárias e das Baleares, até terminar na Catalunha.
Serão recolhidas conjuntos de três amostras no País Basco, Cantábria, Astúrias, Galiza, Portugal, Canárias, Andaluzia, Múrcia, Baleares, Comunidade Valenciana e Catalunha.
Entre os objectivos da “Espanha Azul” estão “realizar um relatório que apoie a declaração de 30% destas zonas como Parques Naturais Marinhos e Áreas Marinhas Protegidas” e registar níveis de poluição, percentagens de oxigénio nas águas, perdas de biodiversidade, subida dos níveis do mar ou impactos das construções urbanísticas e do turismo.
