Estações Náuticas: Seis novas Candidaturas.

No dia 30 de setembro terminou a 6.ª fase de candidaturas
para os territórios que se pretendem certificar como Estação Náutica,
integrando a Rede “Estações Náuticas de Portugal” (ENP) que, neste
momento, já conta com 32 ENP.

O Fórum Oceano, enquanto entidade certificadora, registou a
entrada de seis candidaturas, submetidas por municípios enquanto Entidades
Coordenadoras: “EN do Alto Côa” (Sabugal), “EN dos Lagos do
Sabor”, “EN de Pedrógão Grande”, “EN de Penamacor”,
“EN de Amarante” e “EN da Ericeira” (Mafra).

As candidaturas recebidas nesta fase reflectem o interesse
crescente de regiões que se encontram no interior de Portugal em aproveitar os
recursos hídricos locais para a prática de actividades náuticas e para a
promoção do turismo, estimulando o desenvolvimento económico e organizando-se
em Estratégias de Eficiência Colectiva.

Estudo: Até 2100, os Oceanos irão ser 5 vezes mais ruidosos.

O aumento do barulho no oceano devido às mudanças climáticas é uma realidade que já começou a afectar a vida marinha, de acordo com um estudo publicado no passado mês de outubro no “Environmental Science.”

As contínuas emissões de gases do efeito estufa têm tornado as águas oceânicas mais ácidas. Com o aumento da temperatura, esse é um factor que impacta a transmissão de sons subaquáticos. 

“Em alguns lugares, até ao final deste século, o som dos navios, por exemplo, será cinco vezes mais alto”, afirmou num comunicado Luca Possenti, oceanógrafo do NIOZ – Instituto Real de Pesquisa Marinha dos Países Baixos, na Holanda. “Isso interferirá no comportamento de muitas espécies de peixes e mamíferos marinhos.”

A pesquisa foi feita em colaboração com o TNO – Universidade de Utrecht e a Organização Holandesa para Pesquisa Científica Aplicada e utilizou modelos matemáticos para analisar cenários climáticos extremos e moderados, se acordo com o IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

Num caso moderado, é previsto um aumento de 7 decibéis nos níveis de som debaixo de água até ao final do século no norte do Oceano Atlântico. Devido à mudanças nas correntes oceânicas e nas camadas de temperatura, uma provável diminuição de fornecimento de água superficial mais quente na região levaria à formação de um “canal sonoro” que transporta sons por distâncias maiores.

Um aumento de 7 decibéis corresponde a quase cinco vezes mais energia sonora subaquática, o que intensificará os sons gerados pelo tráfego marítimo – que irá provavelmente aumentar 
com o número de navios no oceano.

“Na ausência de boa visibilidade debaixo de água, os peixes e também os mamíferos marinhos comunicam-se principalmente por meio de sons”, explicou Possenti. “Se os peixes não puderem mais ouvir os seus predadores ou se as baleias tiverem mais dificuldade para se comunicar umas com as outras, isso afectará todo o ecossistema.”

Para avaliar as mudanças estudadas, o TNO e o MARIN – Maritime Research Institute Netherlands também estão efectuando medições dos sons subaquáticos. Através de esferas de vidros que se quebram, os investigadores geram sons nas profundidades semelhantes àquelas usadas por mamíferos marinhos e gravam de dezenas a centenas de quilómetros de distância.

Possenti reiterou que ainda não se sabe muito sobre os efeitos das condições subaquáticas sobre a velocidade do som. “Devido aos efeitos potencialmente profundos sobre o ecossistema, esse conhecimento é essencial se quisermos entender o que as mudanças climáticas podem fazer com a vida marinha”, concluiu o autor do estudo.

Portos congestionados ameaçam fornecimento de trigo à indústria alimentar.

Sendo 2023, um ano já de si complicado no que concerne à gestão dos portos, outra complicação surge no horizonte.

A sequência do aumento de custos logísticos provenientes da paragem global devido à pandemia e a guerra na Ucrânia, (um dos maiores produtores de cereais a nível global), agora é o congestionamento dos silos portuários em Leixões e Lisboa (Beato), que faz com que haja uma ameaça no abastecimento de trigo para a produção de produtos baseado neste cereal como pão, produtos de pastelaria, massas, bolachas ou cereais de pequeno-almoço. Os intervenientes do sector avisam que o aumento de custos irão reflectir-se no preço de venda dos produtos.

O motivo encontra-se chegada nos últimos tempos aos nossos portos de navios de enormes dimensões com carregamentos de milho, soja e diversas matérias-primas para às rações animais. 

Devido às cada vez maiores obstruções na importação proveniente da  Ucrânia (embora nos últimos tempos tenham saído navios pelos corredores alternativos abertos pela União Europeia), factor esse que tem exercido pressão nos portos, sendo que cada vez mais quantidade, faz com que haja mais dificuldades na gestão dos armazéns.

De acordo com as declarações de Luís Ramos, presidente da APIM:  “Com esta sobrelotação em Leixões e no Beato, quando chegam de França os nossos barcos mais pequenos com trigo panificável ou trigo duro, não têm espaço em silo e os barcos inclusivamente não podem acostar – porque não vão ocupar cais se não podem manobrar. E ficam ao largo a aguardar vez para descarregar, com custos muito significativos para a indústria. Corremos o risco de eventualmente faltar o cereal e de não haver farinha para fazer pão, bolachas ou massas alimentícias porque a capacidade de armazenagem nas fábricas é muito reduzida e estamos habituados a fazer uma rotação quase semanal de navios”.

ZIM continua o caminho do crescimento da estrutura.

 

A transportadora israelense Zim diz que precisa “capturar volume”, pois recebeu 46 navios fretados de longo prazo e continua a pagar altas taxas diárias de aluguer pela tonelagem que já aluga por si.A transportadora disse que estaria num “período de transição” até 2025, durante o qual entregará novamente 34 navios “caros fretados da era Covid” no próximo ano e 40 no ano seguinte.

Entretanto, a Zim tem estado activa no mercado de fretamento, relocando parte da sua tonelagem excedentária – embora a taxas de aluguer diárias abaixo dos seus compromissos de fretamento.

Entretanto, as receitas do terceiro trimestre caíram 61%, em comparação com o mesmo período do ano passado, para 1,3 mil milhões de dólares, a partir de levantamentos de 867.000 TEU, o que foi 3% superior, para uma taxa média de 1.043€ por TEU. Isso produziu uma perda de EBITde 195M€ no período e uma perda operacional de 341M€ nos nove meses.

No entanto, o resultado líquido da Zim no terceiro trimestre foi impactado por uma redução no valor recuperável de 11,9 bilhões€, resultando no lucro líquido da operadora sendo registrado como uma perda de 2,1 bilhões€. E a perspectiva para o ano inteiro é de uma perda de EBIT entre US$ 400 milhões e 549,6M€ o que significa que espera que o quarto trimestre resulte em uma perda de EBIT de até 366M€. O presidente e CEO Eli Glickman disse que os resultados do 3º trimestre da transportadora “refletiram o ambiente operacional actual, uma vez que a procura permaneceu fraca e as taxas de frete continuaram a deteriorar-se”. Ele acrescentou: “Dada a nossa perspectiva negativa para as taxas de frete no futuro próximo, registramos uma perda por redução ao valor recuperável não monetária de aproximadamente 1,9 bilhões€”.

Ele explicou: “Estamos atualmente num período de transição, que esperamos que se prolongue até 2024”, acrescentando que se espera que o programa de renovação da frota da Zim, que inclui 28 navios movidos a GNL, “melhore a nossa estrutura de custos e impulsione a rentabilidade a longo prazo”. crescimento”.

E o CFO Xavier Destriau também disse aos analistas durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre que não esperava muita melhoria nas perspectivas para 2024.

“… indo para 2024, muito pouco mudará no sentido de que as taxas de frete hoje estão em um nível muito baixo e muito desafiador para a indústria, e não vemos nenhum catalisador para que isso mude no futuro imediato… o excesso a oferta parece ter vindo para ficar por um tempo, reduzindo assim o otimismo de que as taxas se recuperem significativamente”, disse ele.

Ambientalistas esperam valorização do oceano na COP28

 

Responsável pela absorção de cerca de 90% do excesso de
calor na Terra, o oceano é “um bombeiro e uma vítima” das alterações
climáticas. Foi assim que o caracterizou Tiago Pitta e Cunha, presidente
executivo da Fundação Oceano Azul.

Numa sessão informativa, organizada em colaboração com a
Zero, sobre a conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP28), que se
realiza no Dubai de 30 de novembro a 12 de dezembro, os representantes das duas
associações defenderam a necessidade de valorizar o papel do oceano, muitas
vezes esquecido, no combate às alterações climáticas.

O grande passo nessa direção foi dado há dois anos, com o
Pacto Climático de Glasgow, que resultou da 26.ª conferência, realizada naquela
cidade escocesa, e em que ficou reconhecida a importância do oceano e do
problema do lixo marinho, tendo sido, na altura, considerado uma mudança de
paradigma.

No entanto, a COP27, realizada há um ano em Sharm El Sheikh,
Egipto, representou um “retrocesso proporcional”, recordou Tiago Pitta e Cunha,
admitindo que “agora não há perspectiva de que as coisas estejam a correr
melhor”.

Ainda assim, a Fundação prepara-se para participar na COP28
com o objetivo de “combater a falta política e a enorme ignorância em
compreender que o oceano é uma parte crítica e central dos debates sobre o
clima”.

Sublinhando a mesma mensagem, Emanuel Gonçalves, responsável
científico e administrador da Fundação Oceano Azul, sublinhou que “medidas
paliativas não vão servir” para a conservação marinha e, existindo instrumentos
suficientes, seria necessário utilizá-los todos.

Indústria conserveira dá garantia de 14 mil toneladas de sardinha

A ANOPCERCO – Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco e a ANICP, Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe assinaram em Matosinhos, um acordo de parceria para “garantir um abastecimento global de não menos de 14 mil toneladas de sardinha entre Novembro de 2023 e Dezembro de 2024”, de acordo com a fonte oficial da Secretaria de Estado das Pescas.

De acordo com a mesma fonte, “confere estabilidade e previsibilidade nesta relação comercial entre a frota e a indústria conserveira” e irá “permitir à frota e à indústria subir um enorme degrau, de cerca de 2,8 mil toneladas de sardinha comercializadas directamente (frota para a indústria) em 2023, para cerca de 14 mil toneladas”, sendo duas mil toneladas garantidas ainda em 2023 e 12 mil em 2024.

Esta diferença “representa um aumento de cerca de 500% em relação ao volume de sardinha transaccionado directamente entre a frota e a indústria em 2023”.

MSC Cruzeiro: Chegar aos 50 mil clientes nacionais este ano e a 20 saídas de Lisboa em 2024

Eduardo Cabrita, o Diretor-Geral da MSC Cruzeiros em Portugal, prevê que a companhia poderá atingir os 50 mil clientes nacionais ainda em 2023, e atingir um crescimento superior a 40%, face a 2019.

Com um espírito optimista com os resultados que a companhia de cruzeiros prevê atingir este ano: 50 mil clientes, um crescimento de 40%, em comparação com o 2019 (35 mil), mas também com o ritmo de reservas, até outubro, para 2024, alcançando já um aumento de 25% face ao mesmo período do ano anterior, isto porque “este ano as pessoas começaram a reservar mais cedo, em julho, para 2024, e continuam”, embora haja algum travão desde o início do conflito Israel-Hamas.

A MSC Cruzeiros deu notícia há pouco tempo, do cancelamento do programa completo de inverno do MSC Orchestra que estava previsto navegar no Mar Vermelho, de 8 de novembro de 2023 a 17 de abril de 2024, devido à proximidade de alguns portos de escala do navio a Israel (Haifa), e tem alterações em andamento noutros itinerários. De acordo com o Director-Geral, ainda é prematuro fazer contas ao impacto na operação da MSC Cruzeiros, porque só será retirado um navio de toda frota (22).

Os clientes portugueses tem sido atentos à situação e escolhido das várias opções oferecidas pela companhia, desde o reembolso total à possibilidade de transferirem a sua reserva para outro cruzeiro equivalente. A MSC Cruzeiros previa que as reservas para cruzeiros à partida do Dubai iriam baixar, mas a previsão foi somente nos primeiros dois dias da guerra, tendo retomado ritmo “minimamente estável”, afirmou Eduardo Cabrita.

MSC quer emissões zero até 2050.

Foi na apresentação no Funchal do navio de cruzeiro ‘Grandiosa’, ( “um dos mais ecológicos do mundo”), que Eduardo Cabrita, Director da MSC Portugal, que conta com uma frota de 22 navios de cruzeiro, a propósito da sua pegada sustentável, sendo objectivo da empresa atingir as emissões zero até 2050.

Pedro Vasco, Director comercial da MSC, apresentou, por seu turno, as características do navio: desde as suites privadas com vista mar aos variados restaurantes, onze no total, com gastronomia de todos os cantos do globo.

O navio tem capacidade 6.400 passageiros, e fez desta a sua escala inaugural no Funchal.

Apresentação da nova Licenciatura Ocean Studies

Foi hoje, no Dia Nacional do Mar, que celebrou-se os 50 anos da Universidade NOVA de Lisboa de uma forma muito especial: para dar a conhecer a licenciatura Ocean Studies. 

Fruto do trabalho conjunto de cinco Faculdades da Universidade NOVA de Lisboa – a NOVA School of Law, Nova SBE, NOVA FCT, NOVA FCSH e NOVA IMS – e ainda da Universidade do Algarve e da Universidade de Évora, a licenciatura Ocean Studies é totalmente em inglês, porque o tema é global e a licenciatura foca-se não apenas em Portugal, mas no mundo inteiro.

Esta nova licenciatura destina-se a estudantes que tenham em comum uma paixão pelo Mar e vontade de apanhar esta nova e desafiante onda de conhecimento, que lhes irá permitir actuar como verdadeiros agentes de mudança com capacidade de resolução de problemas ambientais e de desenvolvimento de uma verdadeira economia sustentável do oceano.

Porque se hoje existe uma maior sensibilidade para todas estas questões, o conhecimento é fulcral para resolver problemas e criar oportunidades.

A Sessão de Abertura contou com a participação de João Amaro de Matos, Vice- Reitor da Universidade NOVA de Lisboa, Alexandra Teodósio, Vice-Reitora da Universidade do Algarve e de Ana Paula Canavarro, Vice-Reitora da Universidade de Évora.

Houve uma Mesa Redonda Ocean Studies, que contou com Assunção Cristas, NOVA School of Law (overview e moderação), Antonieta Cunha e Sá, Nova SBE, Marta Martins, NOVA FCT, João Paulo Costa, NOVA FCSH, Roberto Henriques, NOVA IMS, Teresa Cruz, Universidade de Évora, Luísa Lamas, Instituto Hidrográfico e Pedro Pintassilgo, Universidade do Algarve

Palavra aos parceiros com Tiago Pitta e Cunha, Fundação Oceano Azul, José Guerreiro, IPMA e António Nogueira Leite, Presidente do Fórum Oceano e Professor da Nova SBE.

Comissão Europeia com processo de infração a Portugal por pesca acidental de golfinhos

 


Segundo noticiou a agência Lusa, a Comissão Europeia abriu,
esta quinta-feira, um processo de infracção a Portugal por falha na adopção de
medidas para evitar a captura acessória de espécies de golfinhos por navios de
pesca, ao abrigo da diretiva Habitats.

O país tem agora dois meses para responder às questões
levantadas na carta de notificação e, se tal não acontecer, a Comissão poderá
decidir pelo envio de um parecer fundamentado.

Para Bruxelas, Portugal não estabeleceu um sistema de
monitorização da captura acidental e morte de espécies protegidas como o
golfinho comum, o roaz-corvineiro e o boto nas águas da sua jurisdição,
espécies estritamente protegidas ao abrigo da diretiva Habitats.

O executivo comunitário considera ainda que Portugal não deu
os passos necessários para evitar perturbações significativas das duas últimas
espécies em vários sítios Natura 2000 designados para a sua protecção.