O Auditório Infante D. Henrique, no Porto de Leixões, acolheu, a 26 de janeiro, a Conferência “Mulheres nas Profissões Marítimas”, promovida pela Escola Superior Náutica Infante D. Henrique (ENIDH) e pelo Clube de Oficiais da Marinha Mercante (COMM).
Com Lúcia Silva, membro do Conselho Diretivo do Clube de Oficiais da Marinha Mercante e vastíssima experiência no sector marítimo, a fazer a abertura da sessão e apresentação das oradoras convidadas.
Claudia Soutinho, Administradora da APDL, na sua intervenção, realçou a importância do papel das mulheres em profissões onde a presença do homem é ainda dominante, sendo necessário quebrar estereótipos de género e reforçar a representatividade feminina, neste caso, no sector marítimo e portuário. Da sua experiência pessoal, considera nunca ter sentido qualquer tipo de discriminação, muito, considera, pelo facto, de ter uma posição de gestão e não operacional, em todo o caso, acha determinante para a sociedade, o papel das mulheres em profissões, ditas, ainda dominadas pelo sector masculino e quebrar esse estereótipo é essencial, afirma.
Partilharam os seus percursos profissionais, Inês Soares, Piloto da Barra na APDL, a contar-nos o que a levou a ingressar numa carreira, ainda, predominantemente dominada pelos homens, e a destacar a excelente aceitação que teve por parte dos colegas homens, na APDL, que a fizeram e fazem sentir totalmente integrada e aceite; Carla Vieira, Gestora de Tripulação na S&C – Shipmanagement & Crewing Ltd, apresentou também a sua história e experiência profissional, destacando o percurso com episódios menos positivos, pautado por alguma discriminação, não por parte dos colegas homens, mas sim por uma entidade patronal.
Por último, Vítor Franco, Presidente da ENIDH, encerrou este debate, apresentando a Escola Náutica Infante D. Henrique, única instituição de Ensino Superior portuguesa dedicada à educação e formação de profissionais qualificados para carreiras marítimas com Certificação reconhecida internacionalmente e a sua variada oferta formativa, realçando a crescente participação feminina nos vários cursos e consequentemente nas carreiras do sector.
Dados recentes de um estudo do ITF – International Transport Workers’ Federation, indica que as mulheres representam apenas 2% da força de trabalho dos marítimos e que a maior parte destas trabalham em navios de cruzeiro ou ferries de passageiros, tendo ainda demonstrado que os países com maior igualdade de género possuem um maior desenvolvimento económico e que as companhias com mais mulheres em cargos de liderança, têm um melhor desempenho, pelo que, é evidente que uma efetiva igualdade de género é crucial para o desenvolvimento equilibrado das sociedades.