
O mercado internacional de compra e venda de navios porta-contentores perdeu dinamismo durante o primeiro semestre de 2026, depois de vários anos marcados por uma forte procura de tonelagem disponível. Apesar de os fretes e os valores de fretamento continuarem elevados, os armadores mostram-se mais prudentes perante a entrada de uma quantidade significativa de novos navios nos próximos dois anos.
Entre Janeiro e Junho foram transaccionados 126 porta-contentores, com uma capacidade conjunta próxima dos 352 mil TEU. O resultado fica abaixo das 199 unidades, representando 513 mil TEU, vendidas no mesmo período de 2025.
A redução das transacções não reflecte apenas uma quebra da procura. A disponibilidade de navios colocados à venda continua limitada, uma vez que muitos proprietários preferem manter as embarcações em operação e beneficiar das receitas geradas pelos actuais contratos de fretamento.
A situação poderá alterar-se a partir de 2027. Segundo dados da Alphaliner, cerca de 8,5 milhões de TEU de nova capacidade deverão entrar no mercado durante 2027 e 2028. Este volume poderá aumentar o desequilíbrio entre a oferta e a procura, pressionando os valores de fretamento e reduzindo o interesse por navios usados, sobretudo os mais antigos e menos eficientes.
Outro factor de incerteza está relacionado com a eventual normalização da navegação no Mar Vermelho e através do Canal do Suez. O regresso das principais linhas a esta rota reduziria os tempos de trânsito entre a Ásia e a Europa e libertaria parte da capacidade actualmente absorvida pelos desvios através do cabo da Boa Esperança.
A MSC manteve-se como o operador de linha mais activo no mercado de segunda mão durante o primeiro semestre de 2026. A companhia liderada pela família Aponte adquiriu 23 porta-contentores, embora tenha reduzido o ritmo face ao mesmo período de 2025, quando incorporou 38 unidades usadas.
A estratégia da MSC contrasta com a da CMA CGM, que adquiriu apenas um navio usado em 2026, depois de ter comprado 19 no primeiro semestre do ano anterior. A Maersk optou por adquirir cinco porta-contentores que já operavam ao seu serviço através de contratos de fretamento, enquanto a Evergreen comprou duas unidades com mais de 20 mil TEU.
A maioria das transacções concentrou-se em navios de menor dimensão. Das 126 unidades vendidas, 94 tinham capacidade inferior a três mil TEU. A idade média dos navios transaccionados situou-se nos 17 anos, com mais de metade a apresentar pelo menos 15 anos de serviço.
O mercado de porta-contentores usados continua sustentado pela rentabilidade da operação marítima e pela escassez de navios disponíveis. No entanto, a entrada de milhões de TEU de nova capacidade, o possível regresso das rotas pelo Suez e o envelhecimento da frota apontam para um período de maior pressão sobre os preços e de crescente selectividade por parte dos compradores.