
Diego Aponte, presidente do Grupo MSC, reafirmou que a companhia continuará afastada do Estreito de Ormuz enquanto não estiverem reunidas condições de segurança para o regresso dos seus navios. O responsável deixou igualmente claro que a maior transportadora mundial de contentores não pretende utilizar a rota marítima do Árctico, apesar do crescente interesse internacional por esta alternativa entre a Ásia e a Europa.
À margem da cerimónia de entrega e baptismo do navio de cruzeiros Explora III, em Génova, Aponte explicou que a MSC acompanha permanentemente a situação geopolítica no Médio Oriente, mas não está disposta a expor navios, tripulações e cargas a riscos considerados excessivos. “Mantemo-nos afastados de Ormuz”, afirmou o presidente do grupo, defendendo que qualquer regresso dependerá de uma estabilização efectiva da região.
A posição reflecte a estratégia prudente adoptada pela MSC perante a instabilidade nas principais passagens marítimas do Médio Oriente. As tensões no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho obrigaram vários armadores a suspender serviços, alterar escalas e desviar navios para rotas mais longas. Para Aponte, a segurança continua a prevalecer sobre a redução das distâncias ou dos custos operacionais.
O líder da MSC mostrou-se também frontalmente contrário à possibilidade de utilizar a Rota Marítima do Norte, que acompanha a costa russa através do oceano Árctico. Embora esta ligação possa encurtar determinadas viagens entre a Ásia e o Norte da Europa, Aponte considera-a ambientalmente errada e demasiado perigosa para uma utilização regular pelo transporte marítimo comercial.
“É uma passagem errada, perigosa para o ambiente, e estaremos sempre contra”, declarou. A posição não é nova. Diego Aponte assumiu publicamente este compromisso em 2019, defendendo que o desaparecimento progressivo do gelo marítimo não deve ser encarado como uma oportunidade comercial, mas como um sinal preocupante das alterações climáticas. A MSC voltou a confirmar essa decisão nos anos seguintes, mesmo quando as perturbações no Canal do Suez e no Mar Vermelho aumentaram o interesse por rotas alternativas.
A companhia sustenta que possui capacidade suficiente para transportar as mercadorias dos seus clientes através das rotas tradicionais, sem recorrer ao Árctico. Além dos riscos para os ecossistemas, a navegação naquela região apresenta dificuldades relacionadas com o gelo, as condições meteorológicas extremas, a limitada capacidade de assistência e salvamento e a falta de infraestruturas portuárias ao longo do percurso.
As declarações de Aponte revelam uma estratégia assente em dois princípios distintos, mas complementares. No Médio Oriente, a MSC admite regressar quando estiver garantida a segurança da navegação. No Árctico, porém, a recusa assume um carácter permanente e está associada à protecção ambiental e à oposição à exploração comercial de uma região particularmente vulnerável.
Ao manter os seus navios afastados de Ormuz e ao fechar definitivamente a porta à rota do Árctico, Diego Aponte reforça uma política de prudência operacional num momento em que as grandes companhias procuram equilibrar segurança, custos, tempos de trânsito e responsabilidade ambiental.