Carregadores querem responsabilidade dos armadores por causa da ETS.

O primeiro relatório efectuado sobre o impacto do Sistema de Comércio de Emissões da UE (EU ETS) no Shipping pela Comissão Europeia coloca os armadores numa posição complicada perante os carregadores, que exigem ser “responsabilizados” pela enorme diferença entre o custo para as companhias marítimas e o preço pago pelos utilizadores em frete ou como uma sobretaxa.

O estudo conduzido pela DG Move – Direção-Geral da Mobilidade e dos Transportes da UE, que efectou a monitorização do impacto do ETS no ano passado — o seu 1° ano de implementação — calculou que o custo para uma transportadora esteja entre 7 e 10 euros/TEU, em comparação com a gama de 20 a 30 euros/TEU pagos pelo expedidor. Os números, que são médias para uma rota entre a Ásia e o Norte da Europa, revelam uma diferença abismal de 300%.

Calcular o preço das emissões cobradas não é um procedimento adequado para iniciantes. As companhias de navegação revisionam e actualizam a sobretaxa trimestralmente com base no preço médio dos três meses anteriores, usando o índice do mercado futuro de permissões da UE. Cada direito adquirido corresponde a uma tonelada de Co2.

Até ao final do ano, os armadores devem ter adquirido licenças suficientes para cobrir as suas emissões. Por exemplo, em 2025, irão pagar por 40% das suas emissões de 2024. Em 2026, irão pagar por 70% das emissões do ano actual.

UE responde a Trump e aprova tarifas de 25% sobre quase 1700 produtos dos EUA.

Os líderes da União Europeia se reuniram e chegaram a um acordo: a guerra comercial será intensificada com a imposição de taxas de 25%.

Com a Hungria sendo o único país a votar contra, os Estados-membros deram aval a um conjunto de medidas retaliatórias direccionadas aos Estados Unidos.

Após a entrada em vigor de uma tarifa de 20% contra a União Europeia nesta quarta-feira, Bruxelas decidiu reagir a Donald Trump implementando as suas próprias tarifas.

Trump aumenta tarifa aplicada à China para 125% e suspende as restantes por 90 dias

O presidente norte-americano fez o anúncio de uma autorização para uma pausa de 3 meses na aplicação de tarifas aos produtos nos Estados Unidos.

Fora desta “pausa”, está a China, que terá um aumento da taxa “recíproca” para 125% “com efeitos imediatos”.

No dia em que as tarifas anunciadas por Donald Trump entraram em vigor, é o próprio presidente norte-americano quem anuncia uma suspensão temporária de 90 dias de grande parte dessas taxas “recíprocas”.

“Autorizei uma PAUSA de 90 dias e [a aplicação de] uma Tarifa Recíproca substancialmente reduzida durante esse período, de 10%, também com efeito imediato”, declarou Trump nas redes sociais, sem adiantar mais informação específica.

O Presidente eleito norte-americano anunciou também hoje, um novo aumento das tarifas sobre as importações chinesas de 104% para 125%.

China aumenta tarifas aos EUA para 84%

A guerra das tarifas continua em força, com braço de ferro forte entre EUA e a China, com consequências cada vez mais imprevisíveis tanto para a indústria do Shipping como para a Economia.

Precisamente no dia em que as tarifas de 104% dos EUA à China entraram em vigor, Pequim retaliou e anunciou que a partir de amanhã vai taxar produtos norte-americanos em 84%.

Deste forma, a China responde de forma forte e decisiva ao Presidente norte-americano, aumentando as tarifas anteriores em 50%, resultando em taxas globais de 84%.

China tinha prometido ontem “lutar até ao fim”, devido a este diferendo com os EUA.

Incêndio a bordo do navio porta-contentores Victoria L

Houve registo de um incêndio, no dia de hoje, a bordo do navio porta-contentores Victoria L no Mar do Norte.

O incêndio ocorreu na sala de máquinas do Victoria L, com 19 tripulantes a bordo, a aproximadamente 56 quilómetros da costa de Scheveningen, nos Países Baixos.

Um helicóptero transportou a equipa especializada em combate a incêndios marítimos (MIRG-NL) directamente para o navio. Outro helicóptero permaneceu de prontidão, caso fosse necessário evacuar a tripulação.

Além disso, unidades da Guarda Costeira, barcos de resgate da KNRM, o rebocador de emergência Multraship Protector e o navio antipoluição Arca, do Rijkswaterstaat, participaram na ocorrência.

O fogo já foi dado como extinto. Embora ainda houvesse fumo e algum aparato, todos os membros da tripulação estão seguros e não houve registo de feridos.

Expo 2025 Osaka: Portugal regressa ao tema do oceano no Japão.

Portugal será um dos 160 países a participar na exposição mundial Expo 2025, que vai decorrer entre 13 de abril e 13 de outubro, sob o tema “Desenhar as sociedades do futuro para as nossas vidas” e que terá lugar na ilha Yumeshima, uma ilha artificial na baía de Osaka, no Japão. O evento vai decorrer até 13 de outubro e o tema central da participação de Portugal na Expo 2025 Osaka é o “Oceano: Diálogo Azul”.

Esta “navegação” portuguesa pelo tema dos oceanos em termos de exposições internacionais foi iniciada em 1998, com a realização, em Lisboa, da Expo’98, que lançou o tema dos oceanos na agenda política mundial, e foi consolidada em 2022, com a realização, na capital portuguesa, da segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas. Com jurisdição sobre 48% das águas marinhas da União Europeia, uma linha de costa de cerca de 2.500 km e com uma das maiores zonas económicas exclusivas do mundo, com 1,7 milhões de km2, Portugal contribuiu para a inclusão do tema do oceano nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), tendo responsabilidades acrescidas nas questões ligadas à governação do oceano, incluindo a sua conservação, conhecimento, defesa e “exploração”.

As três últimas exposições mundiais em que Portugal marcou presença foram Saragoça em 2008, Xangai em 2010 e Dubai em 2021. Agora, na Expo 2025 Osaka, Portugal pretende afirmar o seu papel na investigação científica e económica do oceano, bem como contribuir para um aprofundamento e consciência coletiva da importância de um oceano saudável. O próprio pavilhão de Portugal, criado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, é inspirado no oceano, utilizando 9.972 cordas marítimas suspensas, que pesam mais de 60 toneladas, e redes de pesca recicladas. Dando o seu exemplo de que a economia do mar representa actualmente mais de 4% do PIB nacional (dados INE), Portugal pretende demonstrar que as parcerias estratégicas entre governos, instituições públicas, empresas e ONG (Organizações Não Governamentais) são fundamentais para fomentar a solidariedade global e promover o desenvolvimento de soluções que tenham um impacto positivo no futuro da humanidade e no futuro do oceano.

A representação de Portugal na Expo 2025 Osaka foi construída através de diversas colaborações entre ministérios, municípios, empresas, universidades e associações, bem como de parcerias com entidades como a Fundação Oceano Azul e Fundação Calouste Gulbenkian.

Politécnico de Viana abre nova pós-graduação ligada ao oceano.

O Politécnico de Viana do Castelo anunciou a abertura das candidaturas para uma nova pós-gradução: Tecnologia de Energias Oceânicas.

A formação “inovadora” foi desenvolvida para “dotar os profissionais das competências necessárias para atuar num setor em rápido crescimento e mudança”.

Com um programa multidisciplinar, o curso oferece formação “especializada” em áreas “estratégicas” como energia eólica ‘offshore’, hidrogénio verde, operação e gestão de activos marítimos, abordando também “temas essenciais” como segurança em meio oceânico.

De acordo com a nota do IPVC, o objectivo desta pós-graduação é “preparar profissionais altamente qualificados para integrar a cadeia de valor das energias renováveis oceânicas, respondendo à necessidade crescente de especialistas na instalação, operação e comissionamento de sistemas de produção energética no mar”.

A pós-graduação decorre ao longo de seis meses e inclui um total de 210 horas, combinando uma “forte componente técnica e prática”, sustentada por um “corpo docente composto por especialistas com experiência académica e profissional no sector”.

Além da formação diferenciada, os actuais e antigos estudantes de licenciatura e de mestrado do Politécnico de Viana do Castelo beneficiam de isenção do valor das propinas.

Para os restantes formandos, será atribuída uma bolsa de incentivo no valor de mil euros, no âmbito do PRR – Blue Design Alliance, correspondente ao montante total da propina e outras taxas associadas.

As candidaturas já estão abertas e podem ser submetidas ‘online‘. Toda a informação sobre o programa e as condições de admissão estão disponíveis na página do curso.

O Enoturismo Subaquático da “Adega do Mar” por Joaquim Parrinha.

Em pleno coração do Litoral Alentejano, um projeto ousado está a colocar Portugal no mapa da inovação vinícola. A Adega do Mar, iniciativa liderada pelo agrónomo e mergulhador Joaquim Parrilha, aposta no envelhecimento subaquático de vinhos para criar sabores únicos e impulsionar o enoturismo na Costa Alentejana, oferecendo uma proposta que une tradição e criatividade.

Um conceito que vem do fundo do mar

A ideia de submergir garrafas não é inédita no mundo. Desde 2014, regiões como Champagne, Califórnia e Espanha já experimentam os efeitos do oceano nos vinhos. Em Portugal, porém, o conceito ganha vida com a Adega do Mar, que testa garrafas de diversas origens nacionais nas profundezas marinhas, explorando como o ambiente aquático transforma o paladar.

Valorização dos vinhos e da região

Para Parrinha, a iniciativa é mais do que uma experiência científica — é uma estratégia para destacar os vinhos alentejanos no cenário global, com foco no mercado norte-americano. “Queria inovar e dar à Costa Alentejana um produto que a diferenciasse, algo que levasse Portugal ao mundo”, declarou numa entrevista recente. Os vinhos envelhecidos no mar ganham mineralidade, suavidade e uma textura sedosa, com uma maturação acelerada que equivale a quatro anos extras, segundo especialistas. Hoje, 26 produtores já embarcaram no projeto, com um mínimo de 30 garrafas cada.

O impacto econômico também chama atenção: o valor das garrafas pode multiplicar-se por dez, variando de 12 a 48 euros, dependendo da imersão. E não para por aí: cerveja, gin, rum, aguardente, whisky, licores, azeite e mel também estão sendo testados.

Enoturismo subaquático: uma experiência única

A Adega do Mar vai além da produção. Com o enoturismo subaquático, turistas podem mergulhar para buscar suas garrafas e degustá-las em seguida, seja a bordo de embarcações ou em espaços parceiros, como restaurantes e turismos rurais. Com capacidade para mais de um milhão de garrafas, o projeto quer fazer de Sines um destino obrigatório para quem busca vinho e aventura, colocando a Costa Alentejana como referência em inovação e turismo.

Foto: Ecoalga

Macron pressiona CMA CGM por promessa de investimento de bilhões nos EUA.

O recente investimento de 18,2 bilhões de euros da CMA CGM em logística e construção naval nos EUA, parece já estar gerando impacto no seu próprio mercado.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, quer que as empresas europeias dêem uma pausa nos investimentos nos EUA, pelo menos até que as tarifas globais do presidente Donald Trump sejam mais bem esclarecidas.

“Acho que o que é importante, e isso é todo o trabalho que deve ser feito por sector, é que os investimentos que estão por vir ou os investimentos anunciados nas últimas semanas sejam suspensos até que as coisas sejam esclarecidas com os Estados Unidos”, afirmou Macron, durante uma reunião com representantes da indústria francesa.

O plano estratégico da CMA CGM é um dos principais investimentos anteriores aos quais Macron provavelmente se referiu, apesar de haver outros compromissos como os 4,5 bilhões de euros da Stellantis, ou os 638 milhões de euros da Schneider Electric.

As observações de Macron vieram um dia depois que o presidente Trump impôs à União Europeia tarifas de importação de 20%. As tarifas básicas de 10% na UE — o mesmo padrão aplicado ao restante dos países que foram tarifados entraram em vigor no passado sábado.

Panamá diz que empresa chinesa falhou no contrato para operar portos no Canal.

Ao que tudo indica a subsidiária da Hutchison Holdings não terá cumprido detalhes do seu contrato que lhe dá permissão para operar dois portos no Canal do Panamá , de acordo com a conclusão de uma auditoria divulgada ontem.

“Há muitos incumprimentos” no contrato de concessão de 1997, renovado por 25 anos, em 2021, para a Panama Ports, subsidiária da Hutchison Holdings, anunciou o controlador geral, Anel Flores.

De acordo com o dirigente, entre outras irregularidades, o Panamá não recebeu da companhia 1,09 bilhão de euros pelas suas operações nos portos de Balboa (Pacífico) e Cristóbal (Atlântico). Além disso, a empresa beneficiou de “muitas isenções fiscais” e houve irregularidades numa auditoria prévia para justificar a renovação do contrato.

“Este é um tema muito delicado”, afirmou Flores, que também anunciou que apresentará nos próximos dias as denúncias correspondentes ao Ministério Público.

O anúncio do resultado da auditoria foi feito horas antes da chegada ao Panamá do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, no meio das acusações dos Estados Unidos de uma suposta interferência da China no Canal.

Washington considera uma “ameaça” à segurança nacional e regional que uma empresa de Hong Kong opere dois portos nos extremos do canal, por onde passam 5% do comércio marítimo mundial. No entanto, Flores negou que o anúncio do incumprimento do contrato guarde relação com a visita do secretário de Defesa americano:

Analistas já tinham lançado a previsão de que a auditoria apontaria supostas irregularidades, o que facilitaria a retirada da concessão da empresa chinesa pelo Panamá, para ir aos desejos de Washington.