Gelado «do mar» faz bem à saúde


Iguaria criada no Instituto Politécnico de Leiria vai começar a ser comercializada em breve.

A pesquisa sobre o potencial dos recursos marinhos levou investigadores do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) a criar um gelado de microalgas, com benefícios para a saúde, que vai começar a ser comercializado em breve.

Nos laboratórios do grupo de investigação em recursos marinhos da Escola Superior de Tecnologia do Mar, pertencente ao IPL e localizada em Peniche, as microalgas, já antes utilizadas em suplementos alimentares, são estudadas desde há um ano, à medida que o gelado tem vindo a ser alvo de provas de degustação para melhor se adaptar ao paladar dos consumidores.

Os investigadores afirmam que o gelado tem «um grande efeito benéfico» na regularização do trato intestinal, pelo que os problemas de obstipação «serão minimizados».

«Em termos da capacidade antioxidante associada às algas, sabemos que as algas vão minimizar problemas de stress oxidativo, que poderão dar origem a doenças cardiovasculares, oncológicas, que serão minimizadas pela capacidade de antioxidação das algas. Sendo o teor de lactose reduzido em 50 a 55%, um intolerante à lactose pode consumir este gelado», explica Susana Bernardino, docente envolvida na investigação.

Com o aproveitamento dos recursos marinhos, os cientistas querem, neste caso, trazer as algas para a alimentação ocidental, à semelhança do que acontece na cultura oriental.

Ao fim de um ano, o resultado final é um gelado fabricado a partir de algas e uma substância denominada kefir (microorganismos compostos), de cor verde, que a partir de hoje e até domingo vai ser oferecido à saída da praia na Figueira da Foz aos transeuntes pela Emanha, uma geladaria de fabrico artesanal com lojas na Figueira da Foz e Lisboa.

O projecto de investigação, financiado por fundos comunitários em cerca de 33 mil euros, destinados a comparticipar investigadores bolseiros, insere-se na estratégia de desenvolver investigação aplicada às necessidades das empresas, criando soluções que facilitem a inovação e competitividade das empresas.

Fonte: TVI 24

Peixe-gota eleito o animal mais feio do mundo

Parece um velhinho narigudo, de cara triste e bochechas flácidas. Foi este aspecto desgraçado e gelatinoso que valeu ao peixe-gota (Psychrolutes marcidus) o título de animal mais feio do mundo, atribuído num concurso destinado a chamar a atenção para as espécies ameaçadas.
O peixe-gota vive no Oceano Pacífico, entre os 600 e os 1200 metros de profundidade, ao largo da costa australiana. Apesar de estar bem longe da superfície, não escapa às redes dos pescadores. A espécie está em risco de extinção devido à pesca intensiva por arrasto.
Para dar a conhecer este e outros animais de aspecto “estranho” a Sociedade para a Preservação dos Animais Feios (Ugly Animal Preservation Society) organizou um concurso online, em parceria com a Associação Britânica de Ciência. Os promotores desafiaram um grupo de famosos e de humoristas, que criaram vídeos de campanha para o animal escolhido por cada um como candidato ao título de “mais feio do mundo”.
Apesar do tom humorístico da iniciativa, esta tem um fim bem mais sério: alertar para o risco de extinção que muitas destas espécies enfrentam, ignorado por muitos pelo facto de serem animais pouco agradáveis à vista.
Os resultados do concurso foram anunciados quinta-feira. O peixe-gota teve 795 dos mais de 3000 votos – além de ter ganho o título, tornou-se também a mascote da Sociedade para a Preservação dos Animais Feios.
Em segundo lugar ficou o kakapo (Strigops habroptilus), ou papagaio-mocho, um pássaro da Nova-Zelândia que não voa e parece uma mistura de papagaio com coruja. Esta espécie está já extinta na Natureza (apenas existe em cativeiro). O axolote (Ambystoma mexicanum), ou peixe-andarilho, uma espécie de salamandra que não passa da fase de larva, com ar de boneco feliz de cabelos em pé, ficou em terceiro lugar. Existe no México mas está em perigo crítico de extinção.
Na lista dos cinco mais votados está ainda a rã do Titicaca (Telmatobius culeus), que vive neste lago da cordilheira dos Andes, mais conhecida como rã-escroto, devido às várias dobras que tem na pele. E ainda o macaco-narigudo (Nasalis larvatus), endémico do Bornéu, conhecido pelo seu enorme nariz e testículos vermelhos.
Quase noventa mil pessoas visitaram a página do concurso, segundo os promotores. O fundador da Sociedade para a Preservação dos Animais Feios, Simon Watt, explicou ao The Telegraph que a iniciativa visa mostrar às pessoas que os animais menos bonitos também existem e estão em perigo. “Somos muito bons a falar de mamíferos – todas as pessoas conhecem o panda e o leopardo da neve e os tigres e os leões, e às vezes parece que só nos importamos com eles”, afirmou.
“Precisávamos de um rosto feio para as espécies ameaçadas há muito tempo e fiquei surpreendido com a reacção do público. Durante muito tempo, os animais bonitos e fofinhos foram o centro das atenções, mas agora o peixe-gota vai ser a voz dos feios, que são sempre esquecidos”, disse Watt, citado pelo The Guardian.
Fonte: Público

Transporte Marítimo: a indústria secreta crucial para a nossa existência

O mundo do transporte marítimo é crucial para a nossa existência quotidiana, mas poucas pessoas têm ideia do que acontece em alto-mar.
Rose George, jornalista e autora britânica, publica um livro fascinante de nome “Deep Sea and Foreign Going: Inside Shipping, the Invisible Industry that Brings You 90% of Everything”, onde mergulha profundamente dentro da indústria do transporte marítimo global, abordando a mesma de forma transversal e transparente.
Efectivamente, mais de 100.000 navios transportam actualmente 90% do comércio mundial e empregam 1.5 milhões de marítimos, constituindo um pilar fundamental da civilização que conhecemos.
Para melhor documentar o livro, Rose George embarcou no navio porta-contentores Maersk Kendal, um navio com 299 metros de comprimento por 40 de largura, com capacidade para transportar 84.771 toneladas e 6188 contentores, numa viagem de Felixstowe para Singapura, durante cinco semanas e 9.288 milhas náuticas.
Rose constata que existe um enorme silêncio e falta de informação sobre a importância do transporte marítimo, o que alguns classificam como “sea blindness”. Ironicamente, quanto mais os navios crescem em dimensões e importância, menos espaço ocupam na nossa imaginação.
No entanto o comércio por mar cresceu 4 vezes desde 1970 e continua a crescer. Existem mais de 100 mil navios no mar, transportando todos os sólidos, líquidos e gases que precisamos para viver. Apenas 6.000 são navios porta-contentores, como o Maersk Kendal, mas compensam essa pequena proporção pela sua capacidade estonteante de carga. O maior navio porta-contentores pode transportar 18 mil unidades. Pode armazenar 746 milhões de bananas, uma para todos os europeus, apenas num navio. Se, apenas os contentores da companhia dinamarquesa Maersk, fossem alinhados em fila, iriam criar uma linha com 11.000 milhas, mais de meio caminho em redor do planeta. Se fossem empilhados, teriam 1.500 milhas de altura, 7.530 Torres Eiffel. Se o Maersk Kendal descarregasse toda a sua carga em camiões, a linha de tráfego teria 60 quilómetros de comprimento.
Podemos perceber a transformação que se registou na visibilidade do transporte marítimo, analisando as páginas dos grandes jornais. Há 50 anos atrás, a informação de transporte marítimo era notícia, com o registo diário de partidas de carga. Hoje, o negócio mais necessário no planeta, tem sido quase sempre desviado para as páginas de publicações comerciais especializadas. Porém a sua importância não se pode descurar.
Vejamos o caso da MAERSK. É a Coca-Cola do transporte marítimo mas sem nenhuma da sua fama. A empresa que a controla, a AP Moller-Maersk, opera 600 navios e é a maior empresa na Dinamarca, com vendas iguais a 20 por cento do PIB da Dinamarca; os seus navios usam mais combustível que a nação inteira. Onde se vê esta notícia?
20 milhões de contentores atravessam o mundo neste momento. Antes dos contentores, os custos de transporte consumiam 25% do valor da mercadoria enviada. Hoje, com as eficiências extremas obtidas pela intermodalidade, os custos foram reduzidos a uma ninharia. Uma camisola pode agora viajar 3.000 milhas por 2,5 cêntimos de dólar, uma lata de cerveja por 1 cêntimo. O transporte marítimo é tão barato, que faz mais sentido financeiro enviar o bacalhau escocês para a China, a 10.000 milhas, para ser processado.
E finalmente, mas nada menos importante, os marítimos. Afirma Rose, que a vida no Mar é extremamente regulada mas que o mar “dissolve” papel. O que tem consequências negativas para os marítimos, que lidam muitas vezes com dificuldades acrescidas e alarmantes e deficientes condições de trabalho. Impera muitas vezes o espírito do mar-alto, terra de ninguém onde quem tem o poder absoluto é o comandante do navio.
Dois terços dos marítimos não têm acesso a Internet. Rose menciona que existe uma frase célebre entre os marítimos, que afirma que trabalhar no mar é como estar preso mas a ganhar um salário. Sublinha porém que não é totalmente verdade. Em alguns casos de navios e armadores menos escrupulosos, a prisão tem melhores condições.
E quando falamos de registo de navios, bandeiras de conveniência ou registos abertos, como se queira chamar, falamos, afirma, de uma anarquia gerida e organizada.
Publicação de leitura obrigatória – http://rosegeorge.com/site/about
Notícia recente na imprensa – Jornal The Telegraph 6 Setembro

Moçambique: Leixões e Portos do Norte assinam acordo de cooperação empresarial

No seguimento da relação de cooperação empresarial que tem vindo a ser fomentada desde há 3 anos, entre os Portos de Leixões e os Portos do Norte, em Nacala, Moçambique, foi assinado um Protocolo de Cooperação empresarial, pelos Presidentes das duas Administrações Portuárias, Emílio Brogueira Dias e Fernando Couto, respectivamente, numa cerimónia que decorreu no dia 5 de setembro, em Maputo.

Fonte: APP

Team New Zealand soma quarta vitória na Taça América em vela


O Team New Zealand somou na terça-feira a quarta vitória sobre o Oracle Team na final da 34.ª Taça América em vela, dia em que o defensor Team Oracle utilizou o pedido de adiamento de regata.
Apesar de James Spithill, “skipper” da equipa, não ter justificado o porquê da decisão de utilizar o seu direito de adiamento de uma regata, a clara derrota na primeira e única regata do dia (diferença de 1.05 minutos) pode ter ditado a decisão de adiar a segunda, não tendo sido ainda revelado se houve algum problema técnico com o veleiro.
A derrota na segunda manga de domingo (quarta regata da final) deixou em alerta a equipa do Team New Zealand, liderado por Dean Barker, que na regata efetuada na terça-feira deu um recital de navegação.


Fonte: Expresso.

Midnight Riders, o surf à noite na Costa da Caparica

Temos a certeza que não faltaste ao Midnight Riders supported by Red Bull & O’Neill, evento de surf à noite que aconteceu no passado dia 7 de Setembro na Costa da Caparica!

Como nunca é demais relembrar grandes eventos, e como este foi um deles, temos de o fazer. O evento começou ainda com luz do dia, altura em que houve uma fabulosa sessão de treino de tow out onde os surfistas envolvidos, como os irmãos Guichard, voaram pelo céus da Costa da Caparica perante milhares de pessoas.
Com o cair da noite e após a sessão de treinos, foram vários os que aproveitaram os mais de 100.000 wats de luz para experimentarem surfar à noite, enquanto muitos optavam pelas demos de skate ou apenas por aproveitar a música e o ambiente de praia ao som do DJ Thurster.
Foi por volta das 22h que a Demo de Tow Out de Hugo Pinheiro (o mentor do evento) & Friends começou. Os gémeos Guichards voltaram a voar pela noite e a eles juntou-se também um dos grandes experts do surf aéreo português, Tomás Valente. Milhares de pessoas tiveram o prazer de ver, durante duas horas, um espectáculo raro, e, melhor que tudo, puderam novamente experimentar a sensação de surfar com luz artificial durante uma noite cerrada pois só às duas da manhã é que as luzes desligaram de vez.
Foi incrível ver dentro de água mais gente do que é habitual num dia de sol, só por isso penso que valeu a pena!”, confessou no final (perto das 2:30h da manhã) Hugo Pinheiro. “Penso que o balanço é muito positivo, porque mostrámos uma vez mais a união da comunidade do surf e bodyboard. As condições não estavam perfeitas, mas foram suficientes para mostrar toda a velocidade do Tow-Out e um conjunto de boas manobras. Valeu a pena e estou certo que esta é uma ideia para continuar”, concluiu.
A encerrar esta grande noite e este grande evento estiveram os Nubai Sound System! E, para o ano, temos a certeza que haverá mais!

Fonte: ONFIRE Surf

Eurodeputado quer intervenção da Comissão Europeia sobre Selvagens

O eurodeputado da Madeira no Parlamento Europeu, Nuno Teixeira, defendeu hoje que a Comissão Europeia deve tomar posição na “disputa” entre Portugal e Espanha na questão da Zona Económica Exclusiva sobre as Ilhas Selvagens.
“Embora este diferendo só possa ser sanado ou arbitrado junto das Nações Unidas, existem matérias que são competência da União Europeia e que acabam por estar, quanto mais não seja de uma forma indirecta  relacionadas com isto”, disse o parlamentar social-democrata madeirense à agência Lusa.
Nuno Teixeira adiantou que questionou na passada semana a Comissão Europeia e Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança sobre esta situação relacionada com o facto de Espanha ter voltado a contestar junto das Nações Unidas a pretensão de Portugal de alargar a sua Zona Económica Exclusiva de 200 para 350 milhas com base na jurisdição sobre as Ilhas Selvagens.
O eurodeputado sustentou que, visto a “União Europeia ter competência no que diz respeito aos recursos piscatórios e pescas, o que acaba por ser uma questão que está intimamente relacionada a esta (…) também é pertinente que a Comissão Europeia possa vir dizer se está a par desta disputa entre dois estados-membros e, estando, se tenciona tomar algum tipo de iniciativa no sentido de a sanar”.
Nuno Teixeira adiantou que vai estar presente hoje num jantar com o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, em Estrasburgo, sublinhando que “aproveitará para suscitar esta questão e tentar saber que tipo de iniciativas o Governo português tenciona tomar”.
O deputado considerou ainda “estranho” que o Ministro dos Negócios Estrangeiros tenha declarado “desconhecer esta questão”, dado ser uma “iniciativa que Espanha terá tomado junto das Nações Unidas no sentido de contestar a classificação das Selvagens como ilhas”.
“É estranho uma vez que o embaixador de Espanha junto da ONU pertence ao corpo diplomático espanhol (…), depende directamente do MNE espanhol. Não me parece credível que tenha tido essa iniciativa junto das Nações Unidas por modo próprio e deverá com certeza ter recebido instruções nesse sentido por parte do Governo espanhol”.
O Diário de Notícias divulgou uma carta enviada a 05 de Julho pela missão da Espanha junto das Nações Unidas em que se dizia que o Governo espanhol “não aceita que as Ilhas Selvagens venham a gerir de alguma maneira uma zona económica exclusiva”.
A Espanha alega que as Selvagens não podem ser consideradas “ilhas”, mas “rochedos”, o que significaria uma redução substancial da Zona Económica Exclusiva de Portugal.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, desloca-se na quinta-feira a Madrid para encontros com o homólogo espanhol com quem “poderá abordar” o diferendo sobre as ilhas Selvagens, disse à agência Lusa fonte oficial.

Fonte: Noticias ao Minuto.

Pesca de polvo: Queixas de excesso de fiscalização

Associação Armalgarve acusa autoridades de “caça à multa”. Marinha refuta perseguição.
Uma associação de pesca de polvo queixa-se de “perseguição” e “caça à multa” por parte da Autoridade Marítima. Em causa as fiscalizações ao isco utilizado que, dizem, se intensificaram no último mês, ao ponto de lhes estarem a criar problemas financeiros.

“Por diversas vezes foram abordadas embarcações já de volta à barra, muitas vezes uma hora depois de terem acabado a actividade  e são obrigadas a voltar, gastando combustível e com os homens exaustos da faina, para ser inspeccionado o isco colocado nos covos”, diz José Agostinho, presidente da Armalgarve – Associação dos Armadores da Pesca do Polvo do Algarve.

O dirigente defende que esta é uma das situações que revelam a “caça à multa” da Autoridade Marítima, uma vez que “o natural seria que abordassem os pescadores durante a faina e não depois”.

“Os armadores e pescadores já sofrem o suficiente com as dificuldades extremas que passam para terem uma vida digna, já que os custos de produção estão cada vez mais altos”, lamenta ainda José Agostinho.

O comandante da Zona Marítima do Sul, Malaquias Domingues, refuta as acusações de perseguição e garante mesmo que as fiscalizações vão continuar. “Independentemente dos incómodos que a fiscalização possa trazer, temos de fazer cumprir a lei”, explica ao CM o comandante.


Fonte: CM

"O equipamento de salvamento que têm nas praias só serve para tirar fotografias"

A época balnear está a acabar e esta nunca é uma altura fácil para os nadadores salvadores. Para além disso, há quem acredite que a formação e o material disponível nas praias são insuficientes em situações de maior aflição.
Fernando Martinho é professor na Escola Profissional de Economia Social do Porto (EPES), que detém o curso de Segurança e Salvamento em Meio Aquático, um dos responsáveis da Associação Nacional de Salvamento Aquático (ASNASA) e um dos primeiros nadadores-salvadores do país.
Com a criação da associação, começou a preocupar-se mais com uma “formação profissional e qualificada” dos nadadores salvadores. “Fomo-nos apercebendo das insuficiências da situação para os riscos que corriam as pessoas e nós próprios [nadadores-salvadores]”, explica Fernando.

O objectivo é “afogamentos zero”

Uma delas prende-se com o material disponibilizado: “O equipamento de salvamento que têm nas praias só serve para tirar fotografias, garante Fernando. “O mar tem uma coisa chamada marés”, explica, “com um metro de água já se pode ter problemas e é água suficiente para a pessoa desaparecer. Aos cinco metros, com o mar revolto, o nadador salvador deixa de ter visibilidade e já é muito complicado ir a nadar, em apneia, buscar a pessoa”.
Por isso, em situações mais complicadas, “se houver um afogamento ou for preciso recolher cadáveres, passado meia hora vê aparecer motas de água, mergulhadores, pessoas qualificadas, pessoal aéreo… só que isto tem de estar tudo meia hora antes”, esclarece. O objectivo é “afogamentos zero”.
Mas apesar de a associação já existir desde 1877, ainda não alcançou o pretendido: “Pessoas a treinar, com formação, uma praia com planeamento, um quadro superior e intermédios, motas de água, barcos e afins”. Um cenário mesmo à “Marés Vivas”, que tem de facto “muito romance, mas também tem muita realidade”, garante o professor.

“É impossível ter em cada praia um helicóptero”

Nuno Leitão, Comandante do ISN, garante que “o material disponibilizado é o adequado”. “Nós somos considerados um dos países do mundo de referência no que diz respeito ao material alocado aos nadadores salvadores”, diz. “É impossível ter em cada praia um helicóptero, ou agregar a cada praia um hospital”, sublinha. Já “ter uma mota em água em cada praia”, por exemplo, é “uma irrealidade”.
Fernando, por sua vez, acredita que “uma vida vale mais que o investimento e diz que este poderia ficar aquém do esperado, já que é tudo uma questão de “posicionamento”: muitos dos meios “já existem” – só “não estão perto dos espaços aquáticos. E o ex-nadador salvador não perde a esperança: “Vai haver uma evolução pela qualidade e não pela obrigatoriedade”, já que as pessoas vão percebendo que “se trata de vidas”. “Há concessionários que, em conjunto com associações de nadadores salvadores, já vão investindo em novos meios e equipamentos de salvamento. Motas de água, sistemas de comunicação e afins”, conta.

Nadadores salvadores têm “pouca capacidade de resposta”

Mas outra questão tem suscitado debate no meio: a formação dos nadadores salvadores. Fernando acredita que, com a formação que têm, os nadadores têm “pouca capacidade de resposta”. “Há praias e praias. (…) Numa piscina ou numa praia plana, só preciso de um indivíduo que saiba mergulhar e apanhar alguém, mas se as coisas complicam, não”, explica. “A solução tem de corresponder à complexidade do espaço aquático”, afirma.
“O mar tem uma coisa chamada marés”, explica Fernando. “Aos cinco metros, com o mar revolto, o nadador salvador deixa de ter visibilidade e já é muito complicado ir a nadar, em apneia, buscar a pessoa. Se for a mais, é quase impossível e é preciso recorrer a mergulhos assistido com garrafas”, para o qual não têm formação.

“Portugal é um dos países do mundo com menor taxa de mortalidade por afogamento”

Diogo Mariz, com 24 anos, tirou o curso de nadador salvador aos 19 anos. Foram quatro horas por dia, todos os dias, durante um mês. Actualmente a trabalhar numa praia em Matosinhos,depois de Vila Nova de Gaia, admite que “quando se sai do curso não se sabe tudo o que é necessário fazer na praia”, mas também que se vai aprendendo com a experiência e é uma óptima ajuda “trabalhar com pessoal mais velho no primeiro ano”.
O ISN também não tem dúvidas: “A formação é adequada para o tipo de costa que temos e para a padronização de situações que os nadadores salvadores enfrentam”, garante Nuno Leitão. “Claro que o ideal seria nós termos na praia um médico, campeão de natação e com outras valências e mais algumas”, ironiza. “Mas a prova que a actual formação chega é que, como o ministro da Defesa, Aguiar-Branco referiu na passada quarta-feira, Portugal é um dos países do mundo com menor taxa de mortalidade por afogamento nas praias”.
Segundo dados da instituição, reveladas recentemente por Nuno Leitão em conferência de imprensa, foram onze as pessoas que morreram este ano nas praias portuguesas, entre 1 de maio e 31 de Agosto, sendo que apenas duas das mortes ocorreram em praias vigiadas.
Fonte: JPN/ Liliana Pinho