Nível do mar está mais alto do que nunca

Os níveis médios do Mar estiveram este ano mais altos do que nunca, o que torna as populações que vivem nas zonas costeiras mais vulneráveis a fenómenos climatéricos extremos como o tufão Haiyan, disse hoje a ONU.

Num relatório sobre o clima, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) estimou também que 2013 vá ser um dos anos mais quentes desde que os dados começaram a ser recolhidos.

A relação entre o aquecimento global e o aparecimento de fenómenos como os tufões tem sido um tema de debate entre os cientistas, mas o líder da OMM, Michel Jarraud, considera que «apesar de os ciclones tropicais não poderem ser atribuídos directamente às mudanças climatéricas, os altos níveis médios do mar já estão a tornar as populações costeiras mais vulneráveis às tempestades, como vimos recentemente nas Filipinas».

Com um aumento médio de 3,2 milímetros por ano, o aumento deste ano é o dobro da tendência registada no século XX: 1,6 milímetros por ano, acrescentou o responsável, que avançou também que uma das razões para este aumento tem a ver com o aquecimento dos glaciares e das zonas geladas da terra, que derretem o gelo e aumentam o nível da água dos oceanos, de tal forma que eles vão «continuar a aquecer e a expandir-se nas próximas centenas de anos».

No que diz respeito às temperaturas, a agência da ONU para o clima disse que os primeiros nove meses de 2013 eram, a par de 2003, o sétimo período mais quente desde que as temperaturas começaram a ser registadas e recolhidas, em 1850.

A temperatura andou quase meio grau acima da média entre 1961 e 1990, com especial destaque para a Austrália, o norte da América do Norte e boa parte da Euroásia.

Fonte: TVI 24

Cão à deriva no mar é salvo por marinheiros

Um grupo de marinheiros polacos conseguiu salvar a vida de um cão, que andava à deriva no mar apoiado apenas numa placa de gelo.

O animal terá percorrido cerca de 160 quilómetros, no nordeste da Rússia, antes de ser resgatado. Foi então que foi avistado por um grupo de marinheiros, que seguia num navio.

Um dos homens mergulhou e nadou até alcançar o cão e conseguir trazê-lo para junto do barco.


Oceanário entrega ao mar duas tartarugas em cativeiro há 30 anos

Duas tartarugas marinhas, que passaram mais de 30 anos em cativeiro e os últimos dois no Oceanário de Lisboa, em “estágio”, foram devolvidas ao mar, largadas na zona da Madeira, informou hoje a instituição.

Daisy” e “Touché”, apanhadas acidentalmente por pescadores, estiveram em aquários particulares e públicos, foram alimentadas à mão e alvo de curiosidade de milhares de pessoas. Em 2007, foram entregues ao Centro de Reabilitação de Animais Marinhos de Quiaios, onde começou um processo de reabilitação destinado a contrariar a rotina da alimentação à mão e a presença constante de pessoas.

Nos últimos dois anos, ainda segundo a mesma fonte, o Oceanário fez-lhes um estágio de adaptação às condições naturais, num aquário especialmente desenhado para receber répteis marinhos, 250 mil litros de água e um design em forma de “loop”, que permite a natação contínua.
Com o apoio da Marinha Portuguesa, que providenciou o transporte e a logística, “Daisy” e “Touché” voltaram ao mar, ao largo das ilhas Desertas, cada uma com um transmissor via satélite, que permitirá o acompanhamento no oceano.
“Touché”, diz ainda o Oceanário, tem mais de 40 anos e, como “Daisy”, teve de ganhar massa muscular antes de se voltar a fazer ao mar. As duas tiveram também de reaprender a comer alimentos vivos.
E aprenderam bem. “Touché” tinha 90 quilos quando chegou ao Oceanário e hoje tem 142, e “Daisy” passou de 75 para 91. Ambas são da espécie “caretta caretta”, considerada em perigo pela União Internacional de Conservação da Natureza. Podem chegar aos 80 anos.
O Oceanário de Lisboa foi inaugurado em 1998 e recebe anualmente cerca de um milhão de visitantes.

Fonte: Noticias ao Minuto

Juiz espanhol absolve arguidos do acidente do Prestige

O Prestige, com pavilhão das Bahamas, partiu-se em dois e afundou-se em 19 de novembro de 2002, depois de seis dias à deriva em águas ao largo de A Corunha

Um tribunal galego determinou hoje não haver responsabilidade penal imputável pelo acidente do Prestige, em Espanha, que atribuiu a um falhanço estrutural cuja origem “ninguém sabe precisar”, absolvendo os três arguidos acusados no processo.
O Tribunal Superior de Justiça da Galiza (TSJG) decidiu absolver o capitão do Prestige, o grego Apostolos Mangouras, e o chefe de máquinas do navio, o também grego Nikolaos Argyropoulos, analisando em detalhe as decisões tomadas para lidar com o acidente.
O tribunal absolveu também o ex-diretor geral da Marinha Mercante em Espanha José Luis López Sors, o terceiro acusado no processo, destacando que não lhe pode ser imputado qualquer responsabilidade penal.
Na sua sentença, lida pelo magistrado Juan Luis Pia, o tribunal absolve o Governo espanhol de responsabilidade penal, avaliando uma das decisões mais polémicas tomadas na altura do acidente: a de afastar o navio da costa, recordando, por exemplo, que as autoridades marítimas portuguesas rejeitaram a entrada do navio em águas portuguesas e que “a possibilidade de aproximar o navio da costa teria muitos riscos para a zona”.
“Descartou-se levar o barco para a costa por questões ambientais”, disse.
O magistrado começou a ler a sentença do julgamento às 11:00 de hoje (10:00 em Lisboa), na sala do TSJG, no dia em que se cumprem exactamente 11 anos do naufrágio do petroleiro, que causou a maior catástrofe ambiental da história de Espanha.
“O falhanço estrutural foi culpa de manutenção deficiente e que se ocultou à tripulação”, disse o magistrado, que detalhou, na leitura em galego, dados sobre o naufrágio, as ações do Governo – como a primeira ordem de afastar o barco da costa – e os impactos subsequentes.
Na sentença, o magistrado disse que “ninguém sabe exatamente a causa do acidente” e como tal “não há responsabilidade penal” que se possa imputar a empresas como a armadora ou as responsáveis pela inspecção.
“O navio não pode suportar o temporal devido ao seu estado de conservação. Não podia saber-se, nem ninguém sabia, o estado do navio. O aspecto não era bom, o navio não era novo, mas não se podia esperar esta situação”, refere a sentença.
Na sentença detalhou ainda o impacto do desastre na costa, com “63 mil toneladas de fuel vertidas, 170 mil resíduos, 2.900 quilómetros de costa e 1177 praias afectadas”.
“O único que se pode provar é o falhanço de um tabique estrutural. O estado do navio era precário”, disse Pia que critica o anterior capitão do Prestige por não ter avisado o armador, de maneira “formal” do estado do navio.
Ainda assim o magistrado reconhece diferenças de opinião entre os técnicos sobre se os defeitos no casco era ou não “muito visíveis” e atribui responsabilidade à empresa.
“A empresa proprietária do barco sabia que as suas condições não eram adequadas mas ocultou isso”, refere a sentença.
Fora do tribunal concentraram-se durante a leitura da sentença cerca de 30 pessoas da plataforma “Nunca Mais”, movimento criado depois da catástrofe ambiental, com um cartaz em que se pede o “fim da impunidade”.
O megaprocesso, o maior de sempre realizado na Galiza, foi concluído para sentença a 10 de julho depois de mais de 400 horas em 89 sessões ao longo de um período de oito meses em que foram ouvidos 204 testemunhas e peritos.
Dezenas de jornalistas estão a para acompanhar a leitura da sentença.
Recorde-se que a procuradoria pediu, por responsabilidade civil, 4.328 milhões de euros de indemnizações pelos danos causados pela ‘maré negra’ provocada pelo naufrágio do petroleiro, mas não pediu prisão efectiva para os acusados, todos com mais de 70 anos.
O processo, que envolveu mais de 133 testemunhas, 98 peritos, 51 advogados e 21 procuradores, custou mais de um milhão de euros e teve que se realizar, pela sua dimensão, no recinto de feiras de A Corunha.
O Prestige, com pavilhão das Bahamas, partiu-se em dois e afundou-se em 19 de Novembro de 2002, depois de seis dias à deriva em águas ao largo de A Corunha.
O naufrágio provocou o derrame de mais de 67.000 toneladas de fuel que afectou mais de 1.700 quilómetros de litoral, desde Portugal até França.

Fonte: Ionline

Um mar de oportunidades como tema de seminário em Albufeira

Dia 27 de Novembro, a partir das 9h00, a Biblioteca Municipal, em Albufeira, vai acolher o seminário «Um Mar de Oportunidades – Inovação e Empreendedorismo», uma iniciativa do Gabinete de Empreendedorismo (AGE) do Município de Albufeira, aberto a empresários, empreendedores, estudantes e público em geral. O evento tem por objectivo discutir as estratégias, instrumentos, projectos e potencialidades ligadas à economia do mar e, simultaneamente divulgar um conjunto de iniciativas empresariais desenvolvidas em torno de um dos pilares estratégicos nacionais: o mar. A energia, o turismo, construção naval, pesca, indústria, cosmética constituem os exemplos a conhecer e partilhar
O seminário está estruturado em duas sessões: Mar e Competitividade (Sessão I) e Inovação e Empreendedorismo (Sessão II). 

Fonte: Barlavento Online

Depois de bater o recorde mundial, Francisco Lufinha volta ao mar

Foi a primeira vez que alguém se atreveu a fazer a travessia de kite

Dois meses após ter batido o recorde mundial, percorrendo a costa portuguesa da Foz do Douro até Lagos, sem paragens e numa prancha de kitesurf, Francisco Lufinha voltou a atirar-se hoje ao mar, mas desta vez num percurso bem mais pequeno – Peniche/Berlengas.
O objectivo foi simples. Sair às 13 horas da praia do Baleal com a sua prancha e fazer o reconhecimento local desta zona para implementar uma prova de kitesurf nacional, ainda este ano. “Desde que passei por aqui, na Mini Kitesurf Odyssey, pensei que esta zona devia ser gira de dia e isso não me saiu da cabeça”, contou ao i, já com a missão cumprida. Ainda a recuperar da última viagem, em que percorreu 310 milhas náuticas (568 quilómetros), Lufada, como é tratado pelos amigos na brincadeira, não perdeu tempo. “Foi um regresso mesmo em grande. Estava receoso, não sabia se aguentava ou não porque ainda estou a recuperar. Embora esteja bastante cansado e tenha de trabalhar muito, acho que correu muito bem.” E o mar? “Estavam ondas grandes. O Cabo Carvoeiro tem esta característica: mar muito grande e vagas enormes a rebentarem com espuma. O vento sente-se mais assim que se sai de Peniche. No geral, estava umas condições óptimas para a prática da modalidade”, disse satisfeito.
No total, percorreu 18,5 milhas náuticas (cerca de 34,26 quilómetros) em três horas e sem treinar especificamente para este dia. A travessia “correu muito bem”, apesar de o vento não ter perdoado. “O maior desafio hoje foi aguentar-me. Tinha feito as contas para ir com o vento na lateral, mas com as correntes e com os ventos que não previ fui à bolina (contra o vento) para lá e para cá. Tive de fazer muito mais força e esse foi o maior desafio.”
Garantindo que o percurso se faz em menos de três horas, “a ideia é organizar uma prova de recordes. Ou seja, quem é que consegue sair de Peniche, dar a volta às berlengas e voltar mais rápido. Para já será uma prova a nível nacional e à medida que vamos ganhando popularidade vamos chamar os melhores lá de fora para ver quem é que ganha, se são eles ou nós.”
A partir de agora e como preparação para o campeonato  os treinos serão feitos no Centro de Alto Rendimento, em Peniche. “É óptimo poder treinar aqui”, concluiu.


Fonte: Ionline

F

"Se puder, quero organizar campeonatos de surf para sempre"

Francisco Spínola. “Se puder, quero organizar campeonatos de surf para sempre”

Responsável
pelo maior evento de surf combinado da Europa, Francisco quer acima
de tudo que se fale de Portugal

Quem
trabalha com ele critica-o por evitar conflitos a todo o custo. “Mas
esse é o meu tipo de gestão e não sou de entrar em guerras se isso
não for produzir nada”, explica. Por outro lado, a capacidade
para criar consensos fê-lo incluir Portugal no mapa do surf mundial
durante dois meses pela primeira vez, como acontece no Havai no fim
da época. Se tivesse de fazer um elogio a si mesmo, sublinharia o
facto de “trabalhar que nem um cão”, ao ponto de ter
interrompido a lua-de-mel para se ir enfiar em reuniões na
Califórnia. Patriota – e não diz isto “para ficar bem” -,
acredita de facto no potencial do nosso país e, em vez de “ir
fazer eventos de beach volley para mercados emergentes”, optou
por ficar cá, a dedicar-se àquilo de que mais gosta – organizar
campeonatos de surf.




tinhas um plano quando foste para a Austrália?

Não,
não tinha. Fazia campeonatos de surf, nunca fui dos top mas ainda
fiz Pro Juniores. Competi contra o Saca e outros da nossa geração e
hoje em dia faço surf sempre que posso. Na altura já tinha acabado
a universidade, feito um estágio, e não sabia bem o que fazer. Era
novo, tinha para aí 23 anos, e decidi ir para a Austrália fazer um
mestrado em Gestão. Primeiro fui para a Gold Coast, para teres ideia
do ponto a que ia centrado no surf… Comecei na Central Queensland
University, mas depois fui para Sydney. Sou de Lisboa, gosto de
surfar, mas adoro a vida da cidade. A Gold Coast é muito gira, mas é
uma vilazinha e a cidade mais próxima é Brisbane. Para ir ao cinema
tinha de andar uma hora e meia de carro, o que para eles não é
nada, vão lá jantar e vêm, mas para mim é o mesmo que ir jantar à
Nazaré e voltar, é giro fazer uma vez ou outra mas por sistema não
dá.



E
como foi depois, em Sydney?

Em
Sydney, passava a maior parte do tempo na Universidade de New South
Wales, que fica atrás da zona de Bondai, onde são as praias urbanas
e onde eu morava. Acabei o mestrado aí, depois voltei para cá e
comecei a trabalhar numa marca de champôs (nada a ver!), mas nunca
perdi o contacto com o mercado do surf, apesar de estar numa área
completamente diferente. Entretanto surgiu a oportunidade de ir
trabalhar para a Rip Curl – fui a uma entrevista através de uma
agência de recrutamento -, porque era preciso criar um departamento
de marketing cá.



E
foi aí que tudo começou.

Sempre
gostei de trabalhar em eventos e, no primeiro ano que lá estive a
trabalhar, fizemos um Pro Júnior que correu muito bem, numa altura
em que o Andy Higgins, que era o manager de eventos internacionais da
Rip Curl, estava aflito porque não sabia onde iam fazer o campeonato
Search porque tinham sido proibidos de surfar na onda onde queriam
fazer o evento, na Austrália. Os locais não queriam e a filosofia
do campeonato era não forçar. Por isso decidiram tentar cá, eu
comecei a mexer-me, mas apercebi-me de que nesse ano, 2008, já não
ia ser possível. Já estávamos muito em cima da data e decidiram ir
para Bali porque era mais fácil para os australianos. Mas fiquei com
as antenas no ar e comecei logo a trabalhar para o ano seguinte,
porque queria juntar uma panóplia de patrocinadores, chegar à Rip
Curl e dizer: “Aqui têm, preenchi todos os requisitos.”
Levei tudo o que havia sobre a onda de Supertubos, os acessos, a
flexibilidade da zona, e fiz o levantamento de quantas pessoas
podíamos receber. Mostrei-lhes que já tinha financiamento e que não
tinha de ser a Rip Curl a entrar com tudo, porque sabia que isso ia
ser muito importante na decisão, ainda por cima com a crise a bater
forte em 2009. A partir daí fizemos o Search, foi um grande sucesso,
altas ondas, o povo é muito hospitaleiro e o nosso serviço é
excelente, embora as pessoas achem que não, e essa é uma das razões
que fazem os turistas voltar. Todos eles, os surfistas e a ASP,
disseram “isto merece um público de massas”, “estes
gajos têm de ficar com esta prova” e o evento passou a ser uma
licença permanente, com renovação até ao ano passado, que foi
quando se deu a transferência para a minha empresa porque entretanto
a Rip Curl começou a não se querer atravessar. E eu, sabendo que no
ano a seguir ia haver toda uma nova organização, que ia entrar com
outros patrocínios e que portanto aí o risco já ia ser menor,
disse “vou arriscar”, porque se este ano não tivesse
havido evento, ia ser muito difícil recuperarmos o lugar. Olha
Mundaka: decidiram parar um ano e nunca mais recuperaram o lugar, e
isso era o que eu não queria. Por isso agarrei o comboio e mantive-o
a andar.



Sim,
mas não só fizeste um evento como organizaste mais três…

Sim,
mas isso foi para apresentar escala à Association of Surfing
Professionals, a ASP. Sabemos que os espanhóis estão desejosos de
ter um World Championship Tour e era a nossa força contra a deles
que estava em questão. Eles facilmente faziam dois primes e depois
diziam: “Atenção que nós queremos ter uma prova do circuito
mundial.” E nós tínhamos um player que era a Câmara Municipal
de Cascais, que depressa percebeu a importância do surf para o
município e para Portugal e que queria juntar-se ao evento, criando
condições para, não só mantermos o WCT cá, mas também para
termos o maior evento de surf combinado da Europa. E eu, porque tenho
uma visão disto a longo prazo – considero que os campeonatos devem
ser feitos onde as ondas são melhores, porque é isso que os
surfistas procuram, mas sabia que Cascais também tem altas ondas -,
sentei-me com os presidentes das câmaras de Cascais e de Peniche,
que deram o exemplo de como por vezes é importante pôr o interesse
nacional à frente dos interesses locais, falámos, e surgiu esta
oportunidade – também em conjunto com os Açores, que mais tarde se
juntaram – de termos dois WQS primes, World Qualifying Series, e um
WCT masculino. Quanto ao WCT feminino, já existia uma prova em
Cascais do WQS, na altura podíamos fazer o upgrade desse evento para
o último WCT da época e pensei “vamos agarrar nisto e coroar a
campeã do mundo em Portugal”. Eles acreditaram, juntamente com
a EDP, e a verdade é que o fizemos.



E
este ano só nos circuitos masculinos da ASP Portugal representou 11%
do prize-money total…

E
na Europa 50%, porque, além de nós, só França organiza
campeonatos. O regulamento da ASP só permite duas licenças por
região, mas isso agora está a ser alterado e, à partida, para o
ano vai dar para incluir Margaret River (Austrália). Isto foi uma
forma de conseguirmos ganhar escala num ano de transição, em que
tudo é incerto e está tudo a torcer o nariz às novas mudanças, e
foi claramente um sinal nosso a dizer: “Estamos aqui para
continuar e para mostrar que Portugal tem altas ondas e que os
governantes acreditam que isto pode ser um motor de desenvolvimento
económico para as regiões.” Durante este ano, a Região Oeste
apercebeu-se disto e entrou com uma ajuda especial, todos os
municípios participaram para conseguir ter a prova na região. Isto
beneficia muito mais que a quintinha de cada um, se formos ver a
quantidade de vídeos com as nossas ondas na internet… Este ano era
a Nazaré que estava a bombar porque estava com altos fundos. Era o
Kelly Slater na Nazaré, o Mick Fanning na Nazaré, os brasileiros na
Nazaré, o John John Florence foi surfar ao Guincho e depois foi
andar de skate para o Parque das Gerações, há vídeos? Podem dizer
o que quiserem, Portugal não tem as melhores ondas do mundo, nem
pouco mais ou menos, mas tem uma consistência muito grande, aqui há
sempre ondas e as distâncias são pequenas. Repara na quantidade de
ondas que há de Lisboa até à Nazaré – reef breaks, point breaks,
funcionam com sul, oeste e é isso que nos diferencia. Aquela
campanha do Turismo de Portugal “Our deal: no waves, come back
for free”, é claramente uma aposta nisso. Penso que o Turismo,
finalmente, começou a investir nos eventos e nas activações nos
próprios eventos. Não é “ah, temos cá um evento” e
pronto. Participaram, fizeram promoções, criaram um site
(portuguesewaves.com), onde explicam as ondas todas, e estão a
envolver-se não só do ponto de vista do paga o cheque mas a longo
prazo.




existe um umbrela sponsor para o WCT e se já existe vai aliviar os
produtores locais?

Vamos
trabalhar todos em conjunto e a figura da licença vai deixar de
existir, portanto nós, os produtores, já não temos a obrigação
de a adquirir e passamos a fazer parte da família ASP. Vamos
trabalhar todos em parceria e já não é aquela coisa do paga-me uma
licença, paga-me os prize-money e agora safa-te. Estamos todos muito
mais unidos e, por exemplo, nessa questão dos patrocínios, vamos
passar a fazer reuniões com todas as células locais, com o Michael
Lynch, que é o director de Marketing e Business Development da ASP,
e ninguém toma decisões de forma unilateral. E isso faz todo o
sentido, vamos poder promover a prova de Portugal em França, que
fica a oito horas de carro e acontece antes da nossa, e assim criamos
uma coerência do próprio circuito. Por exemplo, neste momento
existem três ou quatro heat analizer diferentes, vais ao site da
Quiksilver, eles têm um, a Rip Curl tinha outro, e não fazia
sentido. Há pormenores importantes do ponto de vista do utilizador
de que as marcas têm de abrir mão. As pessoas gostam de coisas
standard. Depois, claro, há alguns críticos que dizem “ah, vai
ser tudo igual e vai-se perder a essência do surf”, mas eu não
acredito.



E
qual vai ser o peso das marcas de surf no meio de tudo isto?

Creio
que as marcas, na maioria das etapas, vão continuar a ser o naming
sponsor das provas. Mas isso ainda está a ser definido. Houve uma
entrada de capital forte, como toda a gente sabe, e por isso é que
as coisas estão a ser bem feitas. Os produtores locais estão
preocupados com ter dinheiro para fazer o seu evento, e eles com
acrescentar valor para a audiência. Fizeram agora acordos com a
ESPN, com o YouTube e com o Facebook. Aqui em Portugal, ao contrário
do que achamos, temos estado muito à frente, aquilo que já fazemos
com a PT, que é o nosso main sponsor, é o que eles estão a tentar
fazer agora. Com a PT fechámos acordos de media commedia
partners 
grandes, para que, ao patrocinar a prova, a PT
ganhasse automaticamente exposição dentro dos próprios meios de
comunicação social. É isso que eles estão a fazer. Primeiro estão
a fechar grandes acordos de media para depois
chegarem ao pé das grandes marcas e lhes dizerem: “Olha, nós
conseguimos falar para todas estas pessoas.” E são poucos os
desportos que conseguem fazer isso, ter uma liga global. Por exemplo,
o futebol está dividido entre a FIFA, a UEFA…



Quais
vão ser as tuas obrigações para o ano?

Vão
ser as mesmas, mas antigamente ficávamos com a corda no pescoço e
hoje não. A ASP é só uma e, se não houver dinheiro para se fazer
em Portugal, tem de se fazer noutro lado. Agora claro que vou fazer
os possíveis e os impossíveis para conseguir aguentar o evento
aqui. No dia em que tudo estiver estruturado e entrarem players
internacionais, talvez aí comecem a aliviar os organizadores locais.
Mas não sei, sabemos que os prize-money vão aumentar, a ideia é
fazer crescer o desporto e não “ah, fazemos com 1,5 e
arranjamos 1,6”, “amanhã conseguimos 2 milhões, vamos
ganhar mais dinheiro”… A ideia, e é disso que eu gosto neste
projecto, é nós, todos juntos, fazermos crescer o desporto.
Obviamente que os parceiros locais são remunerados por isso, têm a
sua quota- -parte, porque isto é uma empresa que passa a ter uma
organização global e eles vêm aqui e, em vez de terem de montar um
escritório, chegaram e tinham tudo. Quando há dois anos me disseram
que ia entrar um grupo americano grande, disse “estes gajos vêm
com uma visão global de negócio, portanto vão-se estar nas tintas
para organizar o evento de Portugal, como é óbvio”. Mal deles,
coitados, morriam! Eles querem que a prova se mantenha cá, para
sempre se for possível – gostam da onda, do país, do sol, da
comida, as pessoas são simpáticas, isto tem tudo para dar certo. Só
quem não quiser ver é que não vê.



Com
a crise a obrigar as marcas de surf a fazerem cortes drásticos nos
custos e no pessoal e a fecharem lojas, isto é mesmo um bom negócio?

Acho
que é fundamental as pessoas perceberem que isto é um bom negócio
para Portugal, além do impacto mediático, de que toda a gente sabe,
embora os media não paguem contas. Imagina que
desses 8 milhões (segundo um estudo realizado pelo Instituto
Politécnico de Leiria a etapa de 2012 gerou 7,9 milhões de euros em
receitas) que entraram em IVA e IRC, impostos directos, 30% vinham de
investimentos de turistas estrangeiros. Se fores fazer as contas, com
o dinheiro que é investido, é um retorno enorme. Como muitas vezes
só recebemos esses apoios depois dos eventos, no limite, estamos a
ser pagos com dinheiro que gerámos para os cofres do Estado,
portanto isto é um negócio que se paga a ele mesmo. O investimento
público global nestes eventos não chegou a 25% do total e queremos
que assim continue, que seja uma parceria saudável, sem estarmos
dependentes só de um ou de outro patrocinador. Durante o campeonato
os estrangeiros vêm fazer surf, comem nos restaurantes, alugam
material… Já está no PENT, o Plano Estratégico Nacional do
Turismo, a aposta no surfing e penso que é uma
coisa que está para ficar e para crescer.

Esta
ideia do Triple Crown é para manter para o ano?

Sim,
nós gostávamos de manter, no entanto estamos a ver como podemos
criar isto a um nível mais…

Menos
disperso em distâncias e datas?

Isso
sim. O que fazia sentido, e já discutimos isso com a ASP, era fazer
Triple Crowns por regiões com prémios adicionais. Por exemplo, nós
este ano, o intervalo que houve entre Bells Beach e o Brasil foi
gigante, o tour parece que morreu. Então para nós, portugueses, que
temos as etapas australianas em directo à noite e ficamos todos
contentes a ver aquilo entre as nove e a meia-noite, que é quando as
provas lá estão on se começarem bem cedo… Outra coisa que acho
que pode ser melhorada é a questão da própria comunicação da
Triple Crown, não passou tão facilmente como queríamos, mas é
normal, é o primeiro ano. A data dos Açores deve ser mais colada à
das outras duas provas e depois há um milhão de coisas que para o
ano, se fizer, vou ter de fazer diferente. Foi o primeiro ano, é
fácil haver erros, para o ano também vai haver mas já vão ser
menos, e assim será, se Deus quiser, por muitos anos. A aposta de
Cascais foi muito boa, já tínhamos Peniche completamente
posicionado, e a ideia é que os estrangeiros comecem a perguntar: “E
Peniche? E Cascais? E a Nazaré? E a Ericeira…” Que se fale de
Portugal. Somos demasiado pequenos para entrar em lutas de bairro.



Achas
que a eventual saída do Tiago Pires do WCT pode vir a afectar-vos?

Penso
que a eventual saída do Saca do WCT tira um bocado o interesse. Não
há dúvida que o Tiago é importantíssimo para nós. Aliás, não
sei até que ponto é que esta prova estaria cá em Portugal se ele
não existisse. O Tiago é o nosso embaixador e falei mais com ele
este ano que nos anos anteriores, sempre a pedir-lhe conselhos para
saber a opinião dele. Acho que ele é uma peça fundamental, já o
disse várias vezes e, apesar de saber que a decisão da atribuição
dos injury wildcards é meramente técnica e não financeira, já o
transmiti à própria ASP. O problema é que existem quatro surfistas
que se lesionaram, os quatro casos são graves e apenas dois
wildcards. Não faço parte do painel que vai decidir isso, agora na
parte do business, que é o que me toca, já disse que é muito
importante termos o Tiago Pires, depois do investimento que fizemos.



Os
campeonatos do Havai (que começaram ontem) não têm nem um décimo
das estruturas que vemos em Portugal e em França. O que achas disso?

O
que acontece ali é que eles já estão noutra fase, mais avançada
que nós, em que os patrocinadores já dão muito mais importância
àquilo que se passa nos media do que ao que se
passa no evento em si. Perceberam que a activação no local é
importante, sim, mas mais importante ainda é a activação para o
mundo. Aquela gente toda em Peniche não é só malta que gosta de
surf, há muitos que não sabem bem para o que vão, vão lá
passear. Agora, no Havai, também acho que podiam melhorar um
bocadinho a apresentação [risos]. O que é aquilo? Não é
estrutura, não é nada, são umas cabanas. Devia e vai ter de ser
alterado agora, com estas transformações todas. Agora o Havai é o
Havai e ninguém se pode comparar com o Havai. Por isso talvez tenham
de ceder em certas coisas. Se tivesse de decidir, e eu gosto de tomar
de decisões, claramente optava por ceder em duas ou três coisas
para ter o Havai. E quem disser que não, das duas uma: ou não
entende nada de surf ou é burro. Há coisas lá que não se deviam
passar e tem de haver uma melhor regulamentação, mas é uma paragem
importantíssima. Houve um ano em que entraram em choque e o
campeonato do mundo acabou a ser decidido numas marrecas em
Narrabeen, na Austrália, com onshore. Fiquei chateado por não ter
coroado cá o campeão do mundo, isto do ponto de vista micro, mais
uma vez, olhando para a minha quinta, mas, agora tirando a minha
camisola e do ponto de vista do surfista sentado a ver o espectáculo,
há melhor que ter o campeão na última etapa em Pipeline? Há
coisas que só os surfistas percebem e, felizmente, nesta nova
organização, apesar de haver muitos que não são do surf, a
maioria dos produtores são surfistas, como eu.



Kelly
disse ao i que gostava de ver o campeonato
estender-se até à Nazaré. Qual é a tua opinião?

Isso
do ponto de vista do surfista é fácil de dizer. Para nós o ideal
era conseguirmos estar móveis por todo o lado, mas a estrutura é
gigante, tem fibra por todo o lado, era giro, era óptimo, era brutal
conseguirmos fazer isso, agora do ponto de vista logístico e prático
não sei até que ponto seria possível. Que faz sentido faz, lá
está, numa lógica das grandes quintas, o ideal é que a prova de
Portugal seja sempre a melhor, com as melhores ondas. Mas o Kelly
pode pedir o que quiser, é o Kelly!



Mas
este ano estiveram mesmo quase a passar a prova para Cascais…

Estivemos.
A partir do momento em que afirmámos no início do ano que a prova
era móvel, a prova podia ser móvel, mas as razões que me fizeram
não mudar de sítio foram as mesmas que me fizeram sempre querer a
prova em Supertubos, isto é, as melhores ondas. Enquanto for eu a
mandar, não cedemos a pressões monetárias. Se tivermos condições
para fazer nas melhores ondas, vamos fazê-lo, sempre. Foi isso que
tentámos durante a espera, arranjar as melhores condições. É
verdade que no Guincho até estavam umas ondas, mas não estava nada
de especial. É aquele tipo de bocas que ouves quando chegas ao pico
e perguntas: “Como é que está?” E respondem-te: “Há
meia hora estava óptimo.” Fomos a todo o lado à procura das
melhores ondas, este ano o WCT foi dos mais complicados que tivemos
porque a previsão era muito difícil. A verdade é que o Kelly
chegou dez minutos antes do heat, agarrou na lycra e foi para dentro
de água. Se nos tivesse dito “não vou surfar, acho que não
dá”, parávamos. Não houve reclamações antes, mas também
não houve depois. Azar, perdeu, sorte a dele que os outros perderam
também.



Houve
muita gente a dizer que as suas declarações eram polémicas…

Não
achei nada. O mar estava mau? Estava. E então? Mas ninguém quis
meter os surfistas num mar mau, aliás o Mick foi no heat anterior.
Ninguém quis beneficiar um e prejudicar o outro. Uma coisa era o
Mick estar na terceira ronda e o Slater na segunda, aí podia ser
mais polémico, mas também podia ter sido o Mick a perder para o
Xico [Alves].



És
um homem do surf um bocado sui generis porque também
apareces em revistas cor-de-rosa (Francisco é casado com Pimpinha
Jardim). Até que ponto isso te afectou no início?

Acho
que é só aquela coisa das pessoas olharem para mim e dizerem
“conheço a tua cara de algum lado”. Não sou nenhuma
figura pública, quem é é a minha mulher. Nós, nos nossos eventos,
também trazemos muito essa componente, aliás ela até trabalha
comigo para criar uma componente de lifestyle, trazer actores e
actrizes para os eventos se tornarem mais mainstream. Ninguém lê
essas revistas mas toda a gente as lê. Portanto, desde que não seja
em exagero, acho que é bom termos essa componente cor-de-rosa. Agora
em relação a mim, pessoalmente acho que me ajuda pouco, talvez me
ajude no sentido em que acabo por ser convidado para outros eventos
onde conheço outras pessoas, agora do ponto de vista “olha,
vou-lhe dar um patrocínio porque ele é casado com uma figura
pública”, isso não. Ainda outro dia uma revista qualquer
dessas veio dizer que me estava quase a separar porque ia na rua a
discutir uma coisa qualquer com a minha mulher. Quantos gajos é que
aparecem nas revistas cor-de–rosa e estão aí sem fazer nada?



Até
quando te vês a fazer a organizar campeonatos de surf?

Se
puder, quero organizar campeonatos de surf para sempre. Claro que vou
fazendo outras coisas em paralelo, mas, se puder estar envolvido no
surf o resto da minha vida, melhor. Neste momento Portugal só
precisa de mais dinheiro, mais liquidez no mercado, porque de resto,
em termos de pessoas, nisto dos hotéis e do empreendedorismo,
ninguém tenha dúvidas que somos um país espectacular. Mesmo. Não
estou a dizer isto para ficar bem. Acredito mesmo no nosso país, não
sou dos que desistem e se vão embora. Se calhar podia ir e pôr-me a
organizar eventos nos mercados emergentes, beach volley… É
importante que estes eventos grandes se mantenham cá.


Fonte: Ionline

"Se puder, quero organizar campeonatos de surf para sempre"

Francisco Spínola. “Se puder, quero organizar campeonatos de surf para sempre”

Responsável pelo maior evento de surf combinado da Europa, Francisco quer acima de tudo que se fale de Portugal

Quem trabalha com ele critica-o por evitar conflitos a todo o custo. “Mas esse é o meu tipo de gestão e não sou de entrar em guerras se isso não for produzir nada”, explica. Por outro lado, a capacidade para criar consensos fê-lo incluir Portugal no mapa do surf mundial durante dois meses pela primeira vez, como acontece no Havai no fim da época. Se tivesse de fazer um elogio a si mesmo, sublinharia o facto de “trabalhar que nem um cão”, ao ponto de ter interrompido a lua-de-mel para se ir enfiar em reuniões na Califórnia. Patriota – e não diz isto “para ficar bem” -, acredita de facto no potencial do nosso país e, em vez de “ir fazer eventos de beach volley para mercados emergentes”, optou por ficar cá, a dedicar-se àquilo de que mais gosta – organizar campeonatos de surf.

Já tinhas um plano quando foste para a Austrália?
Não, não tinha. Fazia campeonatos de surf, nunca fui dos top mas ainda fiz Pro Juniores. Competi contra o Saca e outros da nossa geração e hoje em dia faço surf sempre que posso. Na altura já tinha acabado a universidade, feito um estágio, e não sabia bem o que fazer. Era novo, tinha para aí 23 anos, e decidi ir para a Austrália fazer um mestrado em Gestão. Primeiro fui para a Gold Coast, para teres ideia do ponto a que ia centrado no surf… Comecei na Central Queensland University, mas depois fui para Sydney. Sou de Lisboa, gosto de surfar, mas adoro a vida da cidade. A Gold Coast é muito gira, mas é uma vilazinha e a cidade mais próxima é Brisbane. Para ir ao cinema tinha de andar uma hora e meia de carro, o que para eles não é nada, vão lá jantar e vêm, mas para mim é o mesmo que ir jantar à Nazaré e voltar, é giro fazer uma vez ou outra mas por sistema não dá.

E como foi depois, em Sydney?
Em Sydney, passava a maior parte do tempo na Universidade de New South Wales, que fica atrás da zona de Bondai, onde são as praias urbanas e onde eu morava. Acabei o mestrado aí, depois voltei para cá e comecei a trabalhar numa marca de champôs (nada a ver!), mas nunca perdi o contacto com o mercado do surf, apesar de estar numa área completamente diferente. Entretanto surgiu a oportunidade de ir trabalhar para a Rip Curl – fui a uma entrevista através de uma agência de recrutamento -, porque era preciso criar um departamento de marketing cá.

E foi aí que tudo começou.
Sempre gostei de trabalhar em eventos e, no primeiro ano que lá estive a trabalhar, fizemos um Pro Júnior que correu muito bem, numa altura em que o Andy Higgins, que era o manager de eventos internacionais da Rip Curl, estava aflito porque não sabia onde iam fazer o campeonato Search porque tinham sido proibidos de surfar na onda onde queriam fazer o evento, na Austrália. Os locais não queriam e a filosofia do campeonato era não forçar. Por isso decidiram tentar cá, eu comecei a mexer-me, mas apercebi-me de que nesse ano, 2008, já não ia ser possível. Já estávamos muito em cima da data e decidiram ir para Bali porque era mais fácil para os australianos. Mas fiquei com as antenas no ar e comecei logo a trabalhar para o ano seguinte, porque queria juntar uma panóplia de patrocinadores, chegar à Rip Curl e dizer: “Aqui têm, preenchi todos os requisitos.” Levei tudo o que havia sobre a onda de Supertubos, os acessos, a flexibilidade da zona, e fiz o levantamento de quantas pessoas podíamos receber. Mostrei-lhes que já tinha financiamento e que não tinha de ser a Rip Curl a entrar com tudo, porque sabia que isso ia ser muito importante na decisão, ainda por cima com a crise a bater forte em 2009. A partir daí fizemos o Search, foi um grande sucesso, altas ondas, o povo é muito hospitaleiro e o nosso serviço é excelente, embora as pessoas achem que não, e essa é uma das razões que fazem os turistas voltar. Todos eles, os surfistas e a ASP, disseram “isto merece um público de massas”, “estes gajos têm de ficar com esta prova” e o evento passou a ser uma licença permanente, com renovação até ao ano passado, que foi quando se deu a transferência para a minha empresa porque entretanto a Rip Curl começou a não se querer atravessar. E eu, sabendo que no ano a seguir ia haver toda uma nova organização, que ia entrar com outros patrocínios e que portanto aí o risco já ia ser menor, disse “vou arriscar”, porque se este ano não tivesse havido evento, ia ser muito difícil recuperarmos o lugar. Olha Mundaka: decidiram parar um ano e nunca mais recuperaram o lugar, e isso era o que eu não queria. Por isso agarrei o comboio e mantive-o a andar.

Sim, mas não só fizeste um evento como organizaste mais três…
Sim, mas isso foi para apresentar escala à Association of Surfing Professionals, a ASP. Sabemos que os espanhóis estão desejosos de ter um World Championship Tour e era a nossa força contra a deles que estava em questão. Eles facilmente faziam dois primes e depois diziam: “Atenção que nós queremos ter uma prova do circuito mundial.” E nós tínhamos um player que era a Câmara Municipal de Cascais, que depressa percebeu a importância do surf para o município e para Portugal e que queria juntar-se ao evento, criando condições para, não só mantermos o WCT cá, mas também para termos o maior evento de surf combinado da Europa. E eu, porque tenho uma visão disto a longo prazo – considero que os campeonatos devem ser feitos onde as ondas são melhores, porque é isso que os surfistas procuram, mas sabia que Cascais também tem altas ondas -, sentei-me com os presidentes das câmaras de Cascais e de Peniche, que deram o exemplo de como por vezes é importante pôr o interesse nacional à frente dos interesses locais, falámos, e surgiu esta oportunidade – também em conjunto com os Açores, que mais tarde se juntaram – de termos dois WQS primes, World Qualifying Series, e um WCT masculino. Quanto ao WCT feminino, já existia uma prova em Cascais do WQS, na altura podíamos fazer o upgrade desse evento para o último WCT da época e pensei “vamos agarrar nisto e coroar a campeã do mundo em Portugal”. Eles acreditaram, juntamente com a EDP, e a verdade é que o fizemos.

E este ano só nos circuitos masculinos da ASP Portugal representou 11% do prize-money total…
E na Europa 50%, porque, além de nós, só França organiza campeonatos. O regulamento da ASP só permite duas licenças por região, mas isso agora está a ser alterado e, à partida, para o ano vai dar para incluir Margaret River (Austrália). Isto foi uma forma de conseguirmos ganhar escala num ano de transição, em que tudo é incerto e está tudo a torcer o nariz às novas mudanças, e foi claramente um sinal nosso a dizer: “Estamos aqui para continuar e para mostrar que Portugal tem altas ondas e que os governantes acreditam que isto pode ser um motor de desenvolvimento económico para as regiões.” Durante este ano, a Região Oeste apercebeu-se disto e entrou com uma ajuda especial, todos os municípios participaram para conseguir ter a prova na região. Isto beneficia muito mais que a quintinha de cada um, se formos ver a quantidade de vídeos com as nossas ondas na internet… Este ano era a Nazaré que estava a bombar porque estava com altos fundos. Era o Kelly Slater na Nazaré, o Mick Fanning na Nazaré, os brasileiros na Nazaré, o John John Florence foi surfar ao Guincho e depois foi andar de skate para o Parque das Gerações, há vídeos? Podem dizer o que quiserem, Portugal não tem as melhores ondas do mundo, nem pouco mais ou menos, mas tem uma consistência muito grande, aqui há sempre ondas e as distâncias são pequenas. Repara na quantidade de ondas que há de Lisboa até à Nazaré – reef breaks, point breaks, funcionam com sul, oeste e é isso que nos diferencia. Aquela campanha do Turismo de Portugal “Our deal: no waves, come back for free”, é claramente uma aposta nisso. Penso que o Turismo, finalmente, começou a investir nos eventos e nas activações nos próprios eventos. Não é “ah, temos cá um evento” e pronto. Participaram, fizeram promoções, criaram um site (portuguesewaves.com), onde explicam as ondas todas, e estão a envolver-se não só do ponto de vista do paga o cheque mas a longo prazo.

Já existe um umbrela sponsor para o WCT e se já existe vai aliviar os produtores locais?
Vamos trabalhar todos em conjunto e a figura da licença vai deixar de existir, portanto nós, os produtores, já não temos a obrigação de a adquirir e passamos a fazer parte da família ASP. Vamos trabalhar todos em parceria e já não é aquela coisa do paga-me uma licença, paga-me os prize-money e agora safa-te. Estamos todos muito mais unidos e, por exemplo, nessa questão dos patrocínios, vamos passar a fazer reuniões com todas as células locais, com o Michael Lynch, que é o director de Marketing e Business Development da ASP, e ninguém toma decisões de forma unilateral. E isso faz todo o sentido, vamos poder promover a prova de Portugal em França, que fica a oito horas de carro e acontece antes da nossa, e assim criamos uma coerência do próprio circuito. Por exemplo, neste momento existem três ou quatro heat analizer diferentes, vais ao site da Quiksilver, eles têm um, a Rip Curl tinha outro, e não fazia sentido. Há pormenores importantes do ponto de vista do utilizador de que as marcas têm de abrir mão. As pessoas gostam de coisas standard. Depois, claro, há alguns críticos que dizem “ah, vai ser tudo igual e vai-se perder a essência do surf”, mas eu não acredito.

E qual vai ser o peso das marcas de surf no meio de tudo isto?
Creio que as marcas, na maioria das etapas, vão continuar a ser o naming sponsor das provas. Mas isso ainda está a ser definido. Houve uma entrada de capital forte, como toda a gente sabe, e por isso é que as coisas estão a ser bem feitas. Os produtores locais estão preocupados com ter dinheiro para fazer o seu evento, e eles com acrescentar valor para a audiência. Fizeram agora acordos com a ESPN, com o YouTube e com o Facebook. Aqui em Portugal, ao contrário do que achamos, temos estado muito à frente, aquilo que já fazemos com a PT, que é o nosso main sponsor, é o que eles estão a tentar fazer agora. Com a PT fechámos acordos de media commedia partners grandes, para que, ao patrocinar a prova, a PT ganhasse automaticamente exposição dentro dos próprios meios de comunicação social. É isso que eles estão a fazer. Primeiro estão a fechar grandes acordos de media para depois chegarem ao pé das grandes marcas e lhes dizerem: “Olha, nós conseguimos falar para todas estas pessoas.” E são poucos os desportos que conseguem fazer isso, ter uma liga global. Por exemplo, o futebol está dividido entre a FIFA, a UEFA…

Quais vão ser as tuas obrigações para o ano?
Vão ser as mesmas, mas antigamente ficávamos com a corda no pescoço e hoje não. A ASP é só uma e, se não houver dinheiro para se fazer em Portugal, tem de se fazer noutro lado. Agora claro que vou fazer os possíveis e os impossíveis para conseguir aguentar o evento aqui. No dia em que tudo estiver estruturado e entrarem players internacionais, talvez aí comecem a aliviar os organizadores locais. Mas não sei, sabemos que os prize-money vão aumentar, a ideia é fazer crescer o desporto e não “ah, fazemos com 1,5 e arranjamos 1,6”, “amanhã conseguimos 2 milhões, vamos ganhar mais dinheiro”… A ideia, e é disso que eu gosto neste projecto, é nós, todos juntos, fazermos crescer o desporto. Obviamente que os parceiros locais são remunerados por isso, têm a sua quota- -parte, porque isto é uma empresa que passa a ter uma organização global e eles vêm aqui e, em vez de terem de montar um escritório, chegaram e tinham tudo. Quando há dois anos me disseram que ia entrar um grupo americano grande, disse “estes gajos vêm com uma visão global de negócio, portanto vão-se estar nas tintas para organizar o evento de Portugal, como é óbvio”. Mal deles, coitados, morriam! Eles querem que a prova se mantenha cá, para sempre se for possível – gostam da onda, do país, do sol, da comida, as pessoas são simpáticas, isto tem tudo para dar certo. Só quem não quiser ver é que não vê.

Com a crise a obrigar as marcas de surf a fazerem cortes drásticos nos custos e no pessoal e a fecharem lojas, isto é mesmo um bom negócio?
Acho que é fundamental as pessoas perceberem que isto é um bom negócio para Portugal, além do impacto mediático, de que toda a gente sabe, embora os media não paguem contas. Imagina que desses 8 milhões (segundo um estudo realizado pelo Instituto Politécnico de Leiria a etapa de 2012 gerou 7,9 milhões de euros em receitas) que entraram em IVA e IRC, impostos directos, 30% vinham de investimentos de turistas estrangeiros. Se fores fazer as contas, com o dinheiro que é investido, é um retorno enorme. Como muitas vezes só recebemos esses apoios depois dos eventos, no limite, estamos a ser pagos com dinheiro que gerámos para os cofres do Estado, portanto isto é um negócio que se paga a ele mesmo. O investimento público global nestes eventos não chegou a 25% do total e queremos que assim continue, que seja uma parceria saudável, sem estarmos dependentes só de um ou de outro patrocinador. Durante o campeonato os estrangeiros vêm fazer surf, comem nos restaurantes, alugam material… Já está no PENT, o Plano Estratégico Nacional do Turismo, a aposta no surfing e penso que é uma coisa que está para ficar e para crescer.
Esta ideia do Triple Crown é para manter para o ano?
Sim, nós gostávamos de manter, no entanto estamos a ver como podemos criar isto a um nível mais…
Menos disperso em distâncias e datas?
Isso sim. O que fazia sentido, e já discutimos isso com a ASP, era fazer Triple Crowns por regiões com prémios adicionais. Por exemplo, nós este ano, o intervalo que houve entre Bells Beach e o Brasil foi gigante, o tour parece que morreu. Então para nós, portugueses, que temos as etapas australianas em directo à noite e ficamos todos contentes a ver aquilo entre as nove e a meia-noite, que é quando as provas lá estão on se começarem bem cedo… Outra coisa que acho que pode ser melhorada é a questão da própria comunicação da Triple Crown, não passou tão facilmente como queríamos, mas é normal, é o primeiro ano. A data dos Açores deve ser mais colada à das outras duas provas e depois há um milhão de coisas que para o ano, se fizer, vou ter de fazer diferente. Foi o primeiro ano, é fácil haver erros, para o ano também vai haver mas já vão ser menos, e assim será, se Deus quiser, por muitos anos. A aposta de Cascais foi muito boa, já tínhamos Peniche completamente posicionado, e a ideia é que os estrangeiros comecem a perguntar: “E Peniche? E Cascais? E a Nazaré? E a Ericeira…” Que se fale de Portugal. Somos demasiado pequenos para entrar em lutas de bairro.

Achas que a eventual saída do Tiago Pires do WCT pode vir a afectar-vos?
Penso que a eventual saída do Saca do WCT tira um bocado o interesse. Não há dúvida que o Tiago é importantíssimo para nós. Aliás, não sei até que ponto é que esta prova estaria cá em Portugal se ele não existisse. O Tiago é o nosso embaixador e falei mais com ele este ano que nos anos anteriores, sempre a pedir-lhe conselhos para saber a opinião dele. Acho que ele é uma peça fundamental, já o disse várias vezes e, apesar de saber que a decisão da atribuição dos injury wildcards é meramente técnica e não financeira, já o transmiti à própria ASP. O problema é que existem quatro surfistas que se lesionaram, os quatro casos são graves e apenas dois wildcards. Não faço parte do painel que vai decidir isso, agora na parte do business, que é o que me toca, já disse que é muito importante termos o Tiago Pires, depois do investimento que fizemos.

Os campeonatos do Havai (que começaram ontem) não têm nem um décimo das estruturas que vemos em Portugal e em França. O que achas disso?
O que acontece ali é que eles já estão noutra fase, mais avançada que nós, em que os patrocinadores já dão muito mais importância àquilo que se passa nos media do que ao que se passa no evento em si. Perceberam que a activação no local é importante, sim, mas mais importante ainda é a activação para o mundo. Aquela gente toda em Peniche não é só malta que gosta de surf, há muitos que não sabem bem para o que vão, vão lá passear. Agora, no Havai, também acho que podiam melhorar um bocadinho a apresentação [risos]. O que é aquilo? Não é estrutura, não é nada, são umas cabanas. Devia e vai ter de ser alterado agora, com estas transformações todas. Agora o Havai é o Havai e ninguém se pode comparar com o Havai. Por isso talvez tenham de ceder em certas coisas. Se tivesse de decidir, e eu gosto de tomar de decisões, claramente optava por ceder em duas ou três coisas para ter o Havai. E quem disser que não, das duas uma: ou não entende nada de surf ou é burro. Há coisas lá que não se deviam passar e tem de haver uma melhor regulamentação, mas é uma paragem importantíssima. Houve um ano em que entraram em choque e o campeonato do mundo acabou a ser decidido numas marrecas em Narrabeen, na Austrália, com onshore. Fiquei chateado por não ter coroado cá o campeão do mundo, isto do ponto de vista micro, mais uma vez, olhando para a minha quinta, mas, agora tirando a minha camisola e do ponto de vista do surfista sentado a ver o espectáculo, há melhor que ter o campeão na última etapa em Pipeline? Há coisas que só os surfistas percebem e, felizmente, nesta nova organização, apesar de haver muitos que não são do surf, a maioria dos produtores são surfistas, como eu.

Kelly disse ao i que gostava de ver o campeonato estender-se até à Nazaré. Qual é a tua opinião?
Isso do ponto de vista do surfista é fácil de dizer. Para nós o ideal era conseguirmos estar móveis por todo o lado, mas a estrutura é gigante, tem fibra por todo o lado, era giro, era óptimo, era brutal conseguirmos fazer isso, agora do ponto de vista logístico e prático não sei até que ponto seria possível. Que faz sentido faz, lá está, numa lógica das grandes quintas, o ideal é que a prova de Portugal seja sempre a melhor, com as melhores ondas. Mas o Kelly pode pedir o que quiser, é o Kelly!

Mas este ano estiveram mesmo quase a passar a prova para Cascais…
Estivemos. A partir do momento em que afirmámos no início do ano que a prova era móvel, a prova podia ser móvel, mas as razões que me fizeram não mudar de sítio foram as mesmas que me fizeram sempre querer a prova em Supertubos, isto é, as melhores ondas. Enquanto for eu a mandar, não cedemos a pressões monetárias. Se tivermos condições para fazer nas melhores ondas, vamos fazê-lo, sempre. Foi isso que tentámos durante a espera, arranjar as melhores condições. É verdade que no Guincho até estavam umas ondas, mas não estava nada de especial. É aquele tipo de bocas que ouves quando chegas ao pico e perguntas: “Como é que está?” E respondem-te: “Há meia hora estava óptimo.” Fomos a todo o lado à procura das melhores ondas, este ano o WCT foi dos mais complicados que tivemos porque a previsão era muito difícil. A verdade é que o Kelly chegou dez minutos antes do heat, agarrou na lycra e foi para dentro de água. Se nos tivesse dito “não vou surfar, acho que não dá”, parávamos. Não houve reclamações antes, mas também não houve depois. Azar, perdeu, sorte a dele que os outros perderam também.

Houve muita gente a dizer que as suas declarações eram polémicas…
Não achei nada. O mar estava mau? Estava. E então? Mas ninguém quis meter os surfistas num mar mau, aliás o Mick foi no heat anterior. Ninguém quis beneficiar um e prejudicar o outro. Uma coisa era o Mick estar na terceira ronda e o Slater na segunda, aí podia ser mais polémico, mas também podia ter sido o Mick a perder para o Xico [Alves].

És um homem do surf um bocado sui generis porque também apareces em revistas cor-de-rosa (Francisco é casado com Pimpinha Jardim). Até que ponto isso te afectou no início?
Acho que é só aquela coisa das pessoas olharem para mim e dizerem “conheço a tua cara de algum lado”. Não sou nenhuma figura pública, quem é é a minha mulher. Nós, nos nossos eventos, também trazemos muito essa componente, aliás ela até trabalha comigo para criar uma componente de lifestyle, trazer actores e actrizes para os eventos se tornarem mais mainstream. Ninguém lê essas revistas mas toda a gente as lê. Portanto, desde que não seja em exagero, acho que é bom termos essa componente cor-de-rosa. Agora em relação a mim, pessoalmente acho que me ajuda pouco, talvez me ajude no sentido em que acabo por ser convidado para outros eventos onde conheço outras pessoas, agora do ponto de vista “olha, vou-lhe dar um patrocínio porque ele é casado com uma figura pública”, isso não. Ainda outro dia uma revista qualquer dessas veio dizer que me estava quase a separar porque ia na rua a discutir uma coisa qualquer com a minha mulher. Quantos gajos é que aparecem nas revistas cor-de–rosa e estão aí sem fazer nada?

Até quando te vês a fazer a organizar campeonatos de surf?
Se puder, quero organizar campeonatos de surf para sempre. Claro que vou fazendo outras coisas em paralelo, mas, se puder estar envolvido no surf o resto da minha vida, melhor. Neste momento Portugal só precisa de mais dinheiro, mais liquidez no mercado, porque de resto, em termos de pessoas, nisto dos hotéis e do empreendedorismo, ninguém tenha dúvidas que somos um país espectacular. Mesmo. Não estou a dizer isto para ficar bem. Acredito mesmo no nosso país, não sou dos que desistem e se vão embora. Se calhar podia ir e pôr-me a organizar eventos nos mercados emergentes, beach volley… É importante que estes eventos grandes se mantenham cá.


Fonte: Ionline

Alterações climáticas podem mudar tipo de peixe à mesa

As alterações climáticas poderão obrigar os portugueses a mudar hábitos de consumo de peixe, com menos tamboril ou solha e mais carapau ou dourada, indica um estudo divulgado esta terça-feira.
De acordo com o estudo de investigadores do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve, há uma “alteração significativa” do tipo de peixe para venda que chega ao país e que “parece estar associada às alterações climáticas”.
Célia Teixeira, investigadora do Centro de Oceanografia, disse que, em anos mais quentes, diminuíram as chegadas de espécies de peixe das águas mais frias, que tenderão a deslocar-se mais para norte.
Pela mesma lógica, explicou hoje em declarações à Lusa, as espécies subtropicais/tropicais também tenderão a subir o oceano Atlântico.
Portugal fica numa zona de transição, onde há peixes de afinidade temperada e de afinidade subtropical/tropical.
O estudo analisou dados de desembarques comerciais (de peixe), entre 1927 e 2012 e concluiu que estão a diminuir os desembarques de peixes das águas temperadas e a aumentar as espécies das águas subtropicais/tropicais.
“Tendo em conta que os cenários climáticos prevêem um aumento da temperatura, espera-se que os desembarques das espécies subtropicais/tropicais venham a aumentar e, por isso, essas espécies possam vir a ser mais frequentes na costa portuguesa, estando assim disponíveis para os consumidores”, conclui o estudo hoje divulgado.
Com o aumento da temperatura da água do mar, os portugueses terão portanto menos raia, abrótea, badejo, faneca ou solha (entre outros), mas, em compensação, terão mais carapau, sargo, besugo ou dourada (entre outros).
Célia Teixeira, nas declarações à Lusa, admitiu ainda que, no futuro, à mesa dos portugueses, possam começar a chegar outras espécies de peixe que, até agora, não são pescados na costa.

Fonte: JN/Lusa
Foto: Fernando Fontes.