Nada nua com os tubarões mais perigosos do mundo

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A mergulhadora Lesley Rochat decidiu promover uma campanha contra o abate de espécies em vias de extinção um pouco por todo o mundo e levou a cabo uma tarefa bastante arriscada. Ela nadou quase nua, ao lado de tubarões tigre, uma das espécies mais perigosas do mundo. 

Lesley Rochat usa apenas um biquini branco em algumas das fotografias e nada completamente nua noutras. 

Algumas das fotografias foram divulgadas na sua página do Facebook, onde também vai dando conta do impacto da iniciativa na imprensa mundial.

Fonte: TVI

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Ilha Sentinela do Norte: Conheça o lugar mais difícil de visitar no mundo

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É difícil acreditar que existem pessoas neste mundo que não sabem sobre a Internet ou telemóveis. Porém, ainda existem tribos que estão completamente à parte da civilização global e não mantêm qualquer tipo de contacto com o mundo exterior.

Com quase 60 mil anos de idade, a Ilha Sentinela do Norte é uma parte das ilhas de Andaman e Nicobar, que fica no Oceano Índico, entre Mianmar e Indonésia. Lá, é o local onde existe uma das tribos mais isoladas do planeta.

Os sentinelenses são tão hostis ao contacto externo que a ilha foi considerada o lugar mais difícil para se visitar no mundo. Os sentinelenses parecem ser descendentes directos dos primeiros seres humanos que surgiram a partir da África. A quantidade de habitantes ainda não pode ser certificada, mas estima-se que ela gire em torno de 40 e 500 nativos.

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Não importa o carácter do visitante, ao chegar às margens da ilha, seja de propósito ou por acidente, os moradores recebem o intruso quase sempre da mesma forma: com lanças e flechas, em posição de ataque. Presentes como alimentos e roupas não têm importância para eles. Essa hostilidade chegou a ponto dos nativos terem resistência no recebimento de missões de salvamento após o tsunami em 2004.

No momento em que o tsunami desastroso atingiu o Oceano Índico, um grupo de socorristas ofereceu ajuda para os sentinelenses, por meio de um helicóptero da marinha indiana. Eles queriam encontrar e ajudar os sobreviventes, embora as chances fossem pequenas. Tentaram descer pacotes de comida para o chão, mas foram recebidos com a hostilidade dos moradores, inclusive um guerreiro sentinelense emergiu da selva densa e atirou uma flecha tentando atingir o helicóptero.

Não se sabe muito sobre esse povo tribal: a sua linguagem é estranha e os seus hábitos desconhecidos. As suas habitações estão escondidas na mata cerrada, por isso não se tem nenhuma pista sobre como eles vivem. Tudo o que se sabe é que os sentinelenses são caçadores e colectores, pois eles não cultivam nada, em princípio. Eles vivem de frutas, peixes, porcos selvagens, lagartos e mel.

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A Índia tem a soberania sobre Sentinela do Norte, mas acredita-se que as pessoas dessa ilha sequer sabem o que é a Índia. Depois de várias tentativas fracassadas de fazer contacto amigável, o governo indiano finalmente afastou-se e fez com que todas as visitas à ilha fossem proibidas. A Marinha da Índia impôs uma zona de protecção de 3 milhas para manter os turistas, exploradores e outros intrometidos à distância. Encontros acidentais ainda ocorrem e nenhum deles termina bem.

Há várias histórias de horror de como os sentinelenses têm tratado os seus “convidados”: a maioria das pessoas retorna da ilha aterrorizada e ferida. Em 1896, um fugitivo das prisões britânicas da Andamans ficou à deriva no mar e acabou indo para as margens da ilha por acidente. Poucos dias depois, um grupo de busca encontrou o seu corpo numa praia, perfurado por flechas e com a garganta cortada. Em 1974, um grupo foi até lá para fazer um documentário e o Director do filme acabou sendo ferido por uma flecha na perna.

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O antropólogo indiano T.N. Pandit realizou diversas viagens patrocinadas pelo governo para Sentinela do Norte no final dos anos 80 e início dos anos 90. “Às vezes, eles viram as costas para nós e se sentam em seus quadris como se fossem defecar“, disse ele. “Isso é um símbolo de insulto para eles, já que não éramos bem-vindos”.

Surpreendentemente, houve apenas um caso em que uma pessoa de fora não enfrentou uma recepção agressiva. Em 4 de Janeiro de 1991, um grupo de 28 pessoas composto de homens, mulheres e crianças, se aproximou com Pandit e sua comitiva. “Foi inacreditável como eles se apresentaram ao nosso encontro voluntariamente“, disse ele. “Eles devem ter decidido que havia chegado a hora de entrar em contacto com outras pessoas“.

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Infelizmente, o último contacto com os habitantes da ilha, em 2006, não foi tão bom como se esperava. Dois pescadores foram mortos, enquanto pescavam ilegalmente dentro da faixa de protecção da ilha.

Os sentinelenses estão entre as últimas comunidades que vivem sem contacto com a globalização. Talvez seja melhor deixá-los da forma como está, pois trazê-los para a civilização pode ser algo extremamente maléfico. Afinal, eles podem não ser imunes a várias doenças existentes nos dias de hoje e pode ser extremamente complicado se adaptarem ao mundo moderno.

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Mar profundo da Europa está cheio de lixo humano

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Garrafas, sacos de plástico e redes de pesca foram alguns dos tipos de lixo humano encontrados no mar profundo da Europa, segundo um estudo que destaca a necessidade de acções para impedir o aumento do lixo nos ambientes marinhos.

“O lixo foi encontrado ao longo de todo o Mediterrâneo e costas da Europa, estendendo-se até à crista dorsal mesoatlântica, a 2.000 quilómetros de terra”, lê-se no recente trabalho de investigação a que a Lusa teve acesso, que envolveu 15 organizações de toda a Europa e foi liderado pelo centro IMAR da Universidade dos Açores, sediado no Departamento de Oceanografia e Pescas.

“A grande quantidade de lixo que chega ao mar profundo é um assunto de importância mundial. Os resultados do estudo destacam a extensão do problema e a necessidade de acções para prevenir a crescente acumulação de lixo nos ambientes marinhos”, sublinham os investigadores.

De acordo com o estudo, que beneficiou de uma colaboração entre dois projectos de investigação – o projecto HERMIONE, financiado pela União Europeia e coordenado pelo Centro Nacional de Oceanografia em Southampton, e o projeto “Mapping the Deep”, liderado pela Universidade de Plymouth -, “o lixo é um problema no ambiente marinho ao ser confundido com alimento por alguns animais, podendo enlear corais e peixes — um processo conhecido como ‘pesca fantasma'”.

Cerca de 600 amostras foram recolhidas pelos cientistas ao longo do oceano Árctico e do oceano Atlântico, incluindo o mar Mediterrâneo, entre os 35 e os 4.500 metros de profundidade, indica o relatório.

“Concluímos que o plástico foi o item de lixo mais comum no fundo marinho, enquanto o lixo associado às actividades da pesca (redes e linhas presas no fundo) são particularmente comuns em montes submarinos, bancos e cristas oceânicas”, precisou Christopher Pham, investigador da Universidade dos Açores.

“Esta pesquisa demonstrou que o lixo humano está presente em todos os habitats marinhos, das praias às zonas mais profundas e remotas dos oceanos”, observou.

“A maior parte do mar profundo continua inexplorada pelos humanos e esta é a nossa primeira visita a muitos destes locais, pelo que ficámos chocados ao descobrir que o lixo chegara lá primeiro que nós”, acrescentou o cientista.

Segundo o estudo, foi encontrado lixo “em praticamente todos os locais investigados, com o plástico a contribuir globalmente com cerca de 41 por cento e aparelhos de pesca abandonados com cerca de 34 por cento do total”, tendo também sido descoberto “vidro, metal, madeira, papel/cartão, roupa, cerâmica e outros materiais não identificados”.

Uma das descobertas mais interessantes, de acordo com a investigadora Kerry Howell, professora associada no Instituto Marinho da Universidade de Plymouth, foi “terem-se encontrado depósitos de carvão queimado no fundo marinho, largados no mar por navios a vapor desde o final do século XVIII”.

“Já se conheciam alguns depósitos no leito marinho, mas conseguimos perceber que a sua acumulação está associada às rotas marítimas modernas, o que indica que os principais corredores de navegação não foram alterados nos últimos dois séculos”, frisou.

O cientista Christopher Pham sublinhou que “no geral, as acumulações mais densas [de lixo] foram encontradas nos desfiladeiros submarinos profundos” e a investigadora Veerle Huvenne, do Centro do Oceanografia de Southampton, explica que “os desfiladeiros submarinos formam a principal ligação entre as águas costeiras e o mar profundo” e que “os desfiladeiros localizados perto de grandes cidades costeiras, como o desfiladeiro de Lisboa ou o de Blanes, em Barcelona, podem transportar o lixo marinho até profundidades superiores a 4.500 metros”.

O artigo científico, intitulado “Marine litter distribution and density in European Seas, from the shelves to deep basins”, está publicado no jornal de acesso livre PLOS ONE (http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0095839).

Fonte: Lusa/SOL

Proteína de corais australianos barra vírus da sida

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Uma classe de proteína que se encontra em corais das águas australianas impede que o vírus da sida penetre nas células do sistema imunitário humano, revela um estudo apresentado na terça-feira num congresso nos Estados Unidos.

As proteínas em causa, chamadas cnidarinas, existem em corais das águas costeiras do norte australiano, tendo os investigadores se fixado nelas depois de examinarem milhares de extractos naturais no acervo biológico do Instituto Nacional do Cancro norte-americano.

O coordenador do estudo, Barry O’Keefe, assegurou, na reunião anual de Biologia Experimental, em San Diego, que tais proteínas bloqueiam a infecção do VIH e “parecem fazê-lo de uma maneira completamente nova”.

Os cientistas identificaram e “purificaram” as cnidarinas e provaram a sua actividade contra estirpes do vírus da sida produzidas em laboratório.

Na apresentação do estudo, Barry O’Keefe descreveu como “surpreendentemente potente” a capacidade destas proteínas bloquearam o VIH em concentrações de mil milionésimo de grama, quantidade suficiente para impedir que ocorra o primeiro passo da transmissão do vírus: a penetração do VIH na célula do sistema imunitário, conhecida por célula T.

As cnidarinas ligam-se ao vírus e impedem que se funda com a membrana da célula T, pelo que os cientistas crêem que estas proteínas têm um mecanismo de acção único.

Fonte: Lusa/SOL

PSA Sines encomendou três novos pórticos

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A PSA Sines encomendou três pórticos à Paceco España para o Terminal XXI do porto de Sines, que operar os maiores navios da nova geração. Cada pórtico tem uma capacidade de 65 toneladas, uma largura de 70 metros para filas de 24 contentores e uma altura por baixo de ‘spreader’ de 48 metros. Estes pórticos serão os maiores a serem construídos pelo fabricante espanhol e um dos maiores do seu género no mundo. 

Os novos pórticos começam a ser entregues, de forma gradual, em finais de agosto. Quando todos estiverem instalados, o Terminal XXI passará a estar equipado com nove pórticos, incluindo oito fornecidos pela Paceco España e o outro pela Mitsui Engineering and Shipbuilding.

 
Fonte: TeR


Assunção Cristas quer investimento estrangeiro na área da economia do mar

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O ministério da Agricultura e do Mar inicia em Junho na Noruega, Japão e Coreia do Sul um “roteiro de captação de investimento directo estrangeiro” para Portugal na área da economia do mar, com destaque para a aquacultura ‘offshore’.

Em declarações à agência Lusa à margem de uma cimeira sobre os oceanos que decorre desde a passada segunda-feira em Haia, na Holanda, a ministra Assunção Cristas adiantou que o objectivo é “apresentar Portugal como um país que tem a preocupação de crescer na sua economia azul de uma forma equilibrada e sustentada e, para isso, está empenhado e disponível para encontrar investimento directo estrangeiro”.

Segundo a governante, estão “já em preparação” para o mês de junho viagens à Noruega, ao Japão e à Coreia do Sul, a que se seguirão “mais iniciativas até ao final do ano”, em busca “dos investidores que possam ajudar Portugal a fazer este desenvolvimento sustentável”.

“A nossa preocupação é reunir com potenciais investidores e fazer uma apresentação da Estratégia Nacional do Mar e das condições que temos no nosso país para atrair investimento”, afirmou Assunção Cristas, destacando a aquacultura ‘offshore’ como “uma área que vai estar em grande foco”.

É que, explicou, estando neste momento em curso o processo que levará à concessão de 62 novas áreas de aquacultura ‘offshore’ entre a zona do Algarve e de Aveiro — “dentro da lógica de projetos chave na mão, com o licenciamento todo já pré-definido, quer para o espaço, quer para a atividade e para o licenciamento ambiental” – tudo “está já facilitado para apresentar aos investidores”.

De acordo com a ministra, “esta será, seguramente, uma área prioritária na captação de investimentos”, mas o roteiro servirá também para fazer “uma apresentação genérica da Estratégia Nacional do Mar” e das oportunidades e do apoio financeiro a dar a esses investimentos, “quer genericamente, quer ao nível de apoios específicos para a área do mar no âmbito do próximo quadro financeiro plurianual”.

Organizada pelo governo holandês em parceria com a Noruega, EUA, Indonésia, Maurícias e Grenada, além do Banco Mundial e da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), a cimeira “Global Oceans Action Summit for Food Security and Blue Growth” discute até sexta-feira, em Haia, questões como o equilíbrio entre o desenvolvimento económico e a proteção do oceano, numa lógica de desenvolvimento sustentável.

A ministra portuguesa da Agricultura e do Mar, que hoje participou no segmento ministerial do encontro, diz ter “sinalizado que Portugal pode ser visto como exemplo” porque “está à frente num conjunto relevante de matérias” relacionadas com a Estratégia Nacional do Mar e com a lei de bases de ordenamento e gestão do espaço marítimo.

“Foi mais uma vez sinalizada esta evolução e liderança que Portugal tem. Aliás, estamos cá ao nível de ministros, coisa que não acontece com muitos outros países, o que é também um sinal positivo e de destaque”, afirmou Assunção Cristas, recordando o “objetivo claro” previsto na Estratégia Nacional do Mar de “aumentar em 50% o peso da economia do mar no PIB [produto interno bruto] até 2020”.

PD // VC

Lusa/fim

Por um Portugal de Mar

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Ricardo Diniz é um navegador solitário e pode gabar-se de perseguir um sonho de criança, surgido aos oito anos.

Mal nota as primeiras rajadas de vento, Ricardo Diniz começa a puxar vários cabos e, em alguns minutos, a vela “que faz lembrar a cauda de um avião” é desembainhada à nossa frente. “Tiveram sorte, com este vento posso mostrar-vos a vela mais pequena”, diz. Para a maior, seriam precisos uns 40 minutos. É indisfarçável a ansiedade no rosto de Ricardo. A partir de hoje e durante os próximos 45 dias, a rotina deste navegador solitário será um autêntico “jogo de xadrez” entre ele, o vento e o mar, rumo a Salvador da Bahia (Brasil). O objectivo é fazer chegar à selecção portuguesa uma mensagem de apoio para que se supere durante o Campeonato do Mundo.

“Das coisas mais difíceis, é chegar à linha de partida”, confessa Ricardo Diniz, em conversa com a Revista 2, algumas semanas antes. Não é novo nestas andanças, mas antecipa o momento tal como uma criança aguarda a manhã de Natal, mesmo não sendo novidade para ele aquilo que vai encontrar. “Quando partir e passar ali à frente do Padrão dos Descobrimentos, é uma vitória brutal. A partir daí, só tenho de velejar.” Este “só” transporta mais do que aquilo que imaginamos. 

A bordo do seu veleiro, Ricardo terá de assumir várias funções: “Meteorologista, navegador, costureiro, carpinteiro, enfermeiro.” Pelo meio, há ainda uma gata, sem nome, que irá ser a sua única companhia e vai exigir escovadelas periódicas.

As “saudades” de Portugal e a promoção dos produtos nacionais, a par da paixão pelo mar, são os grandes motores daquilo que foi o percurso de Ricardo Diniz. Na viagem que inicia hoje, junta tudo isso. A ideia surgiu enquanto ouvia o relato do jogo entre a selecção portuguesa e a Suécia, de apuramento para o Mundial. Os escandinavos tinham marcado e a qualificação portuguesa estava em risco. “Estava um bocadinho tenso, comecei a imaginar um país que não vai ao Mundial”, lembra. Previu quatro anos de auto-estima baixa de uma nação inteira. “Senti-me impotente, não podia fazer nada para ajudar a selecção e então disse: ‘Ganhem isto que eu até vou à vela sozinho para o Brasil.’” A partir daí, não teve dúvidas. Portugal iria conseguir vencer os suecos e ele próprio iria fazer a viagem. 

Em campo, a equipa das “quinas” não desiludiu e, logo após o jogo, já Ricardo se mexia para pôr em marcha o seu plano. “Fiz uma coisa muito arriscada, que foi anunciar o que quero fazer sem ter nada ainda confirmado”, observa. Mas a confiança neste “alinhamento” — um termo crucial para o navegador que o irá usar várias vezes durante a conversa — era inabalável e Ricardo conseguiu reunir os patrocínios necessários, remodelar o veleiro e estar na melhor forma para uma façanha de grande exigência. Enquanto estiver a navegar, Ricardo tem de estar quase sempre em alerta para qualquer alteração meteorológica. Não vai dormir mais de 15 minutos de seguida, diz-nos. E todo o barco foi remodelado para as suas funções de navegador solitário. Por exemplo, o local onde vai repousar, mesmo em frente ao GPS e ao rádio, está construído para que Ricardo se deite com uma omoplata de fora, nunca ficando totalmente confortável, “senão, ia até à Índia sem acordar”.

Apesar do grande desafio em mar, “a parte em terra é monstruosa”, admite Ricardo. Entre as reuniões com patrocinadores, entrevistas e preparações de última hora, o navegador tem de apontar na sua agenda horas para comer. Mas tudo vale a pena para Ricardo voltar ao seu elemento e fazer aquilo de que gosta, a bordo da sua “embaixada flutuante de ‘portugalidade’”.

Ricardo recebe a Revista 2 no interior do FlyTap, um veleiro totalmente reconstruído que tem sido seu companheiro de aventuras nos últimos anos. Mas foi outra embarcação que o cativou para esta vida ainda em criança. Estamos no Museu Marítimo de Greenwich, em Londres, e Ricardo, de oito anos, descobre com o pai a grandiosa história naval britânica. A atracção é o navio Cutty Sark, que passou pela coroa portuguesa no início do século XX, mas é um pequeno veleiro que chama a atenção de Ricardo. Trata-se do Gipsy Moth, no qual sir Francis Chichester deu a volta ao mundo entre 1966 e 1967.

Na cabeça de Ricardo tudo se torna claro: “Decidi que queria fazer a volta ao mundo à vela sozinho.” Aos oito anos, estava longe de prever que esse sonho iria determinar quase toda a sua vida futura. “Só sabia que adorava o mar, tinha uma prancha de esferovite e estava doido para voltar a Portugal por causa da praia”, diz-nos, agora com 37 anos. A ideia nunca mais o abandonou. Aos 11 anos regressou a Portugal, depois de ter vivido seis anos em Inglaterra, onde raramente via o mar. Matou as saudades com uma juventude passada entre a doca de Alcântara, a ajudar estrangeiros que lá atracavam, e a Costa de Caparica, para vender bolos na praia. Apesar da tenra idade, muito daquilo que Ricardo é hoje já se podia vislumbrar. “Tudo o que me surgiu na vida foi assim, a identificar necessidades e ao identificar esses alinhamentos, trabalhar para eles.” 

Voltou a Inglaterra, aos 17 anos, para estudar Ciência Ambiental Marítima, mas os bancos de faculdade não o seguraram. O sonho nascido no Museu Marítimo era mais forte e Ricardo acabou por abandonar o curso e prosseguir o seu projecto. “Dizer que se quer ser velejador é uma coisa esquisita”, admite. E confessa que foi difícil tomar a decisão de recusar o investimento feito na sua educação. Tirou a carta de comandante e tornou-se Yachtsman aos 19 anos. Estudou muito naqueles tempos, antes de se fazer ao mar. “Ia para oficinas de mecânica para aprender a desmontar os motores, trabalhei em velarias para aprender a manejar as velas do barco e os cabos e levava barcos de um lado para o outro para na costa Sul de Inglaterra como forma de ganhar dinheiro e aprender.”

No horizonte tinha uma meta bastante definida. Começou em 1996 a planear o início de uma volta ao mundo em veleiro, cuja partida deveria coincidir com o encerramento da Expo-98, em Lisboa. “Queria aproveitar aquele alinhamento do último dia da Expo, que era o evento cujo tema era os oceanos, no Ano Internacional dos Oceanos, e ainda os 500 anos dos Descobrimentos”, observa Ricardo. Desta vez, contudo, o tal “alinhamento” não deu frutos. “Dei o máximo, esforcei-me muito, fiz muitos contactos, falei com milhares de empresas”, recorda. Ricardo não conseguiu reunir patrocínios suficientes e viu gorado o seu projecto. 

Seguiu-se um período de revolta e incompreensão. “Se não foi agora, não vai ser nunca”, era o pensamento que mais vezes atravessava a sua mente. Queria criticar tudo e todos. Logo ele, que hoje em dia não se cansa  de combater a mentalidade da crítica fácil portuguesa. “Não percebia muito da vida ainda”, reconhece ao olhar para trás. Desistiu, temporariamente, de Portugal. Foi comandar barcos para as Caraíbas, juntou algum dinheiro e rumou a norte, para os Estados Unidos, um país onde “todos os sonhos são possíveis”, até aqueles que nascem aos oito anos. “Nos EUA, senti mais força, mais apoio e mais compreensão em relação aos meus sonhos do que senti em Portugal, o que me levou a perceber que estava um bocadinho a partir o gelo.” Desporto em Portugal era futebol, relembra. “Todas as modalidades reclamavam, muito em especial uma coisa que nem sequer é uma modalidade: É um gajo sozinho num barco a caminho não sei de onde para comunicar portugalidade.”

As pazes com o país foram feitas no alvor do novo milénio. “Aceitei, em 2001, que Portugal está na fase em que está em relação a outros países.” Deixou de fazer comparações, por exemplo, entre ele próprio e um velejador solitário de outro país que conseguia facilmente patrocínios multimilionários. Não desistiu de fazer a sua volta ao mundo, apenas percebeu que teria de ir por “um caminho diferente” do que planeava.

E aí entra uma mudança fundamental na relação entre Portugal e o mar, que Ricardo tem vindo a identificar. Um novo “alinhamento”. “Dezasseis anos depois da Expo-98, temos de facto um Portugal de mar, que tem noção do seu mar”, explica, notando, por exemplo, que “o termo ‘economia do mar’ já é muito comum”. Ele próprio tem contribuído para esta mudança. Uma das últimas viagens de Ricardo Diniz foi um percurso à volta da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa, em 2012, “para mostrar que Portugal é mar”. 

Antes disso, fez Lisboa-Dakar durante duas semanas em que acompanhou o rali, em 2005. Recorda que tudo foi organizado em tempo recorde e que o veleiro tinha o piloto automático avariado. Nesta viagem até ao Brasil, vai atingir a marca das cem mil milhas, o equivalente a várias voltas ao globo. Experiência não lhe falta, mas não são os números ou recordes que lhe importam. Fala da sua relação com o mar como algo de místico ou espiritual. Diz haver uma dualidade dentro de si próprio, o “Ricardo-mar e o Ricardo-terra”.

“Em terra, não tenho bem a certeza de como é que o Ricardo-mar consegue fazer o que faz”, admite. Cada vez que navega, sente um “renascer para o mar” e nota que esse Ricardo-mar fica lá. “Quando chego a terra, tudo anda rápido, as pessoas andam tensas, os carros andam a uma velocidade irreal.” É no meio dos oceanos que volta a ser um “bicho da terra”, por oposição à espécie humana, “que passa meses sem tocar no mar”, num “triste divórcio com a Natureza”. Foi o “Ricardo-mar” que o tornou conhecido, mas é em terra que passa a maior parte do seu tempo. Faz palestras em vários pontos do mundo, gere empresas e lida constantemente com muitas pessoas. Um cenário bem longínquo da tranquilidade oceânica. É um comunicador por natureza, sempre pronto a contar alguma história e a dar muitos exemplos a propósito de qualquer tema. Diz estar permanentemente à procura de oportunidades para apoiar alguém ou algum projecto em que encontre potencial. Hoje tem negócios de mel, no têxtil, no vinho e no turismo.

Lançou recentemente a Papillon, uma empresa que “já varreu mundo” para promover Portugal como “shipyard country” [país de estaleiros navais]. “Já gastámos seis dígitos em promoção mundial do nosso país”, revela. Como comandante de super-iates, Ricardo Diniz conhece muita gente nesse mundo, junto de quem está a promover as marinas portuguesas. “O impacto económico de um barco destes numa marina na costa portuguesa é brutal, são dezenas de multimilionários que chegam, vão a restaurantes, alugam carros.”

Não consegue estar parado. Talvez apenas enquanto contempla o azul infinito de um oceano. Defende que no mundo existem pastores e ovelhas. “Há as pessoas que não sabem liderar as suas próprias vidas e são empregados, precisam de trabalhar para alguém, não fazem ideia de como se cria um negócio e de como se gere.” Trata-se das ovelhas: “São excelentes empregados de mesa, são excelentes taxistas, são excelentes costureiros.”

No entanto, é sempre necessário alguém “que paga as contas, consegue os financiamentos e que trata dos clientes”, ou seja, os pastores. Não tem qualquer dúvida em posicionar-se como um “pastor”, alguém que luta pela sua ideia e não se perde em críticas. Perguntamos-lhe se Portugal é um país para pastores, ao que responde, num inglês que lhe é recorrente: “If you really want something, you really go for it” [Se queres mesmo alguma coisa, tens de te esforçar.] Diz ficar doente ao ver “pessoas que até têm uma esfera de influência grande a utilizarem o seu pindérico palco de redes sociais para criticar constantemente o Governo”. “Isso gera o pânico, a histeria colectiva, a depressão, o descrédito.” 

No meio de tantos projectos, Ricardo não esquece o sonho dos oito anos, mas já não tem pressa. “Quando tiver de ser a volta ao mundo, vai ser bastante óbvio para mim que chegou o momento.” Um momento que pode estar próximo, talvez ainda nesta década, diz. De uma coisa tem a certeza: “A primeira volta ao mundo vai ter que ver com as comunidades portuguesas pelo mundo, os 5,5 milhões de portugueses que vivem fora do país, produtos portugueses, promover empresas e Portugal como um país fantástico e que precisa de investimento e pastores.”

Fonte: Público

 

Conferência Europeia Short Sea 2014 com programa definido

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Já está fechado o programa da ‘Short Sea 2014 European Conference’, que terá lugar nos dias 14 e 15 de maio na Gare Marítima de Alcântara, Porto de Lisboa.

No primeiro dia, António Belmar da Costa (SPC Portugal), Marina Ferreira (Porto de Lisboa) e Sérgio Monteiro (Secretário de Estado dos Transportes) estarão na cerimónia de abertura. Segue-se uma apresentação sobre o panorama geral da indústria, por John Corres (ESN), a intervenção de Jean Marie Millour (SPC France) e um painel interessantíssimo dedicado aos ‘players’: Vítor Caldeirinha (APP), François de Brugiére (Port of Dunkerque), Giovanni Bandini (Tarros Line), Antonio Vargas (Grimaldi Logistica), Hugo Franco (Emergosol), Stefan Heintjes (H&S Group) e Eduard Rodés (Escola Europea de SSS). O primeiro dia terminará com algumas conclusões a cargo de Marco Sorgetti (FIATA), um representante da DG MOVE, Nicolette van der Jagt (CLECAT), Jonathan Williams (FONASBA), Fabien Becquelin (ESC) e Patrick Verhoeven (ECSA).

O segundo dia do evento está mais virado para o futuro. A primeira sessão abordará o SSS de amanhã, com intervenções de Markku Mylly (EMSA), Martin Fournier (Quebec SSS Council), Hans Haram (SPC Norway), Guy Adams (MacAndrews), Luís Martins (Prio Energy) e Gilles Guyonnet-Dupérat (CASE). A segunda sessão será sobre o mesmo tema, da parte da tarde, e contará com intervenções de um representante do DG MOVE, de Nicolette van der Jagt (CLECAT), Jonathan Williams (FONASBA), Fabien Becquelin (ESC) e Patrick Verhoeven (ECSA).

Belmar da Costa, João Carvalho (IMT) e Luís Valente de Oliveira vão encerrar os trabalhos.

Fonte: Cargo

João Soares: “Privado investiria mais depressa na Trafaria”

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As declarações de Pires de Lima, ministro da Economia, onde adiantou que o futuro terminal de contentores de Lisboa terá como missão servir o hinterland e não funcionar como terminal de transhipment foram recebidas com alguma desconfiança pelo setor. O Comandante João Soares falou à CARGO sobre o assunto.

João Soares referiu que a intenção não será má se a intenção passar por “acabar com os terminais na margem norte do Tejo”, até porque na margem sul seria complicado um terminal de águas profundas na zona em questão. “O que é preciso é ter um plano estratégico”, refere o Comandante, recordando que o porto de Lisboa é o único que não viu um plano estratégico aprovado.

“Passar o movimento de carga de short-sea para a margem sul tem depois um acréscimo de custo” referiu ainda, numa referência à necessária deslocação da carga para  margem norte onde está o grande consumo.

Sobre o interesse de privados num terminal com estas características, João Soares mostrou-se cauteloso: “Um privado investiria mais depressa num terminal na Trafaria com grandes fundos para transhipment do que investirá num terminal desta natureza (…) principalmente se continuarem terminais na margem norte activos”. 

Fonte: Cargo