Repor areia nas praias e demolir casas junto ao mar

O Grupo de Trabalho do Litoral aponta várias medidas para reduzir o impacto da subida do nível do mar e de outros factores associados às alterações climáticas nas zonas costeiras. Neste processo, designado por “adaptação”, os especialistas sublinham três opções principais, que em muitos casos terão de ser complementares.

Protecção
Esta tem sido a estratégia mais utilizada nas últimas décadas e pode continuar a ser, desde que combinada com outras medidas. No caso das praias entre o Douro e o Cabo Mondego, um dos troços de costa mais críticos em termos de erosão costeira, os autores recomendam a alimentação artificial com 50 milhões de metros cúbicos de areia por década até 2100. Este tipo de intervenção é também apontado como sendo o mais adequado para a zona da Costa da Caparica, embora se admita que possa ser insuficiente no médio e longo prazo. Outra sugestão é a utilização dos sedimentos dragados nas barras e canais de acesso aos portos para alimentar as praias submersas, e ainda a construção de estruturas portuárias destacadas, separadas da linha de costa.

Relocalização
Nas zonas costeiras onde existe risco elevado de galgamento, inundação ou erosão, a resposta prioritária é a demolição das construções existentes e o seu recuo planeado. Para isso, os especialistas recomendam a revisão da Rede Ecológica Nacional, de forma a facilitar a relocalização das casas para fora da zona de risco, nas áreas adjacentes. É recomendada ainda a proibição total de novas construções nas faixas de risco máximo junto às arribas.

Acomodação
A estratégia de acomodação permite aumentar a capacidade das populações para lidar com os impactos da erosão costeira e da subida do nível do mar, sem abandonarem os locais. Como exemplo, os autores apontam a gestão controlada de lagunas, como foi feito na Barrinha de Esmoriz, permitindo a gestão controlada da abertura da lagoa ao mar para minimizar as cheias na área habitada. Incentivar usos sazonais das zonas costeiras e utilizar estruturas móveis ou flutuantes são outras hipóteses.

Fonte: Público

Universidade do Algarve está a criar pepinos-do-mar em terra

Os chineses correm meio mundo em busca de uns animais, com o corpo em forma de chouriço, que fazem as delícias à mesa dos orientais – são os pepinos-do-mar, desprezados pelos portugueses. No mercado asiático, depois de secos, chegam a custar 150 a 200 euros por quilo.

Qual a diferença entre os pepinos produzidos em terra ou no mar? Só existe semelhança na forma e no facto de ambos serem comestíveis e de agrado popular – mas um é vegetal e o outro não. O preço de um pepino dos oceanos – animal da família dos ouriços-do-mar e das estrelas-do-mar – pode chegar aos 150 a 200 euros por quilo seco. Os chineses correm o mundo em busca destes animais, atribuindo-lhes propriedades singulares na alimentação e, na medicina popular, dizem ter poderes afrodisíacos. No Norte da Turquia, nos últimos dois anos, foram pescados 700 mil a um milhão de indivíduos por dia – uma razia que se está a repetir no Norte de África.


No Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a investigadora espanhola Mercedes González Wangüemert, está a investigar há cinco anos aos pepinos-do-mar. Antes, esteve em Girona e Múrcia, Espanha, a estudar a genética de populações marinhas de outros animais, como pargos e lesmas-do-mar. Está preocupada com a inexistência de legislação que proteja estes invertebrados marinhos em risco de extinção nalguns pontos do globo e defende a monitorização das capturas. “Não existe legislação que regule a pescaria. A zona Norte da Turquia foi dizimada, e agora viraram-se para sul, colocando em perigo a sobrevivência das espécies.”


A partir do Norte de Marrocos estão agora a ser exportadas “toneladas de pepinos-do-mar” para São Francisco, nos Estados Unidos, onde há uma importante comunidade chinesa. A informação sobre o que se está a passar nesses mares tem-lhe chegado através de um investigador local que colabora com a equipa da Universidade do Algarve.


Nos mares do Índico e Pacífico, devido à procura desenfreada, há zonas onde estes animais quase desapareceram por completo. Por isso, uma vez esgotados os recursos nas zonas dos trópicos, as capturas passaram a fazer-se no Mediterrâneo e no Atlântico europeu. Além do valor nutricional (possíveis antioxidantes e ácido gordo ómega-3), pode ainda ser utilizado na obtenção de substâncias para fins terapêuticos. Na ausência de normas que protejam estes animais, as capturas são livres.


No Algarve, entre a comunidade piscatória, os pepinos-do-mar são conhecidos pelo nome popular que deriva da sua forma fálica. O tamanho médio da espécie Holothuria arguinensis oscila entre 15 a 20 centímetros, mas na ilha da Culatra, na ria Formosa, já foi encontrado um exemplar com 65 centímetros.


A equipa do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, que inclui dez investigadores, conseguiu entretanto reproduzir pepinos-do-mar em sistema de aquacultura, na estação-piloto do Ramalhete, na ria Formosa. Nasceram há cerca de três meses as primeiras crias de uma das espécies de pepinos-do-mar de maior valor comercial – precisamente a Holothuria arguinensis, existente no Algarve, na costa ocidental de Portugal até Peniche, nas ilhas Canárias e no Noroeste de África.


“Isto é como cuidar de uma criança”, comenta Mercedes González Wangüemert, a coordenadora do projecto, ao observar o aquário os 40 juvenis, com 1,5 centímetros de comprimento.


É neste mundo aquático da Estação Experimental do Ramalhete – instalada num velho armazém de apoio às antigas armações de atum da Companhia de Pescarias do Algarve, perto de Faro, e rodeada de salinas – que a vida corre numa aparente tranquilidade. Jorge Domínguez Godino, um jovem biólogo espanhol com um doutoramento nesta área, recorda o momento em que, através de um choque térmico, na última Primavera, promoveu a reprodução induzida da Holothuria arguinensis – os machos lançaram o esperma na água, as fêmeas os óvulos e natureza fez o resto. O resultado não podia ser melhor. “Um êxito”, enfatiza.


Na fase seguinte, para o próximo ano, espera que não faltem apoios financeiros para levar a cabo o estudo noutras latitudes. “Ainda falta saber muito sobre estes animais”, comenta Jorge Domínguez Godino, lembrando que há 66 espécies comestíveis de pepinos-do-mar.


Próximo passo: a produção em escala
O CumFish, como se chama este projecto de investigação iniciado em 2012 e a terminar no próximo mês de Janeiro, permitiu estudar as cinco espécies de pepinos-do-mar sobre as quais se exerce a maior pressão a nível mundial: além da Holothuria arguinensis, a Holothuria polii e Holothuria tubulosa (que se encontram só no Mediterrâneo) e a Holothuria mammata e Parastichopus regalis (que se encontram Mediterrâneo e Atlântico).


A reprodução conseguida no Algarve revestiu-se de particular significado por ser de uma das espécies de pepinos-do-mar mais cobiçadas, e não se conheciam as formas de a fazer multiplicar fora do seu habitat. O sucesso, explicou a coordenadora do projecto, foi conseguir fazer a passagem da fase de larva para juvenil, que é marcada pela “ocorrência de muitas mortes”, tanto em meio natural como em aquacultura. Por outro lado, salienta que, em paralelo, a equipa do Centro de Ciências do Mar “fabricou” as microalgas para alimentar as crias.
Entretanto, o Outono foi trazendo o frio e a temperatura da água dos tanques e do mar baixou. E os pepinos-do-mar mudaram de hábitos. Para se protegerem do frio, agruparam-se como se estivessem à lareira. “Muito interessante”, observa Mercedes González Wangüemert.


Centrado na estação do Ramalhete, o trabalho contou com uma vasta rede internacional de parcerias, de que se destaca a Universidade de Ordu, na Turquia, a Universidade de Reunião, na Polinésia Francesa, Museu de História Natural de Paris, o Instituto de Ciências Marinhas da Austrália e o Instituto de Investigações Marinhas e Costeiras, na Colômbia. “Juntámos esforços e unimos os conhecimentos”, observa Mercedes González Wangüemert, sublinhando ainda contributos de cientistas no Irão, Grécia, Itália, Holanda, Panamá e Reino Unido.


Para o avanço deste projecto, a investigadora considera que foram determinantes os 163 mil euros da Fundação para Ciência e a Tecnologia, além de outros 88 mil euros de outras entidades. “Não me posso queixar”, diz. “Em tempo de dificuldades, é importante valorizar a transferência de conhecimento para a investigação aplicada”, observa, sublinhando a necessidade de dar seguimento ao projecto, com vista a produzir pepinos-do-mar em aquacultura.


Nesse sentido, a equipa ultima uma proposta em que prevê um investimento de 250 a 300 mil euros, nos próximos três anos, para saltar da fase de laboratorial para a produção na escala das toneladas.


É certo que os chineses já cultivam pepinos-do-mar em aquacultura há décadas. Mas são espécies da região, diz Mercedes González Wangüemert. A maior parte da produção, cerca de 80%, é obtida em sistema de aquacultura (100 mil hectares), na província chinesa de Shandong. Em 2010, a China produziu 100 mil toneladas de pepinos-do-mar, mas a produção não chega para as encomendas. É por isso que ter conseguido reproduzir em aquacultura uma espécie de grande valor comercial como a Holothuria arguinensis é importante.


Da Turquia, em 2012, a China importou mais de 600 toneladas de pepinos-do-mar. Mas as suas importações globais vão para além disso: por exemplo, em 2011 importou 6000 toneladas, sendo o país com a maior fatia de importações destes animais (Singapura ou a Malásia também os importam, mas em quantidades muito mais pequenas).


“Cozinhei-os com cerveja e é muito bom”
Em Portugal, não existe sequer tradição no consumo destes bichos, mas as coisas poderão estar a mudar. “Já encontrámos duas ou três pessoas a pescar na ria Formosa. Julgamos que será apenas para consumo local, nos restaurantes chineses”, refere Jorge Domínguez Godino.


Em Quarteira, o mestre da pesca do polvo José Agostinho fala do lado não científico do seu contacto com os pepinos-do-mar. “Quando apanhamos esses bichos – e durante o Verão aparecem com frequência nos covos –, devolvemo-los ao mar, porque ninguém lhes dá valor”. Do que se recorda, José Agostinho diz que “só há dois ou três anos é que apareceu um indivíduo a dizer que pagava entre 70 a 90 cêntimos por quilo”.


O pepino-do-mar, depois de capturado, é submetido a uma operação de limpeza em que lhe é retirado todo o aparelho digestivo e fica a secar. Quando chega à cozinha, é confeccionado como se fosse polvo. Apesar da falta de hábitos de consumo destas espécies em Portugal, José Agostinho garante: “Cozinhei pepinos-do-mar com cerveja, e é muito bom.”


Em Sesimbra, há cerca de sete meses, instalou-se uma empresa de capitais da Malásia para começar a exportar este produto. Mas não foi bem-sucedida. Ao fim de dois meses, cancelou o contrato de aluguer do armazém à empresa Docapesca, porque as capturas feitas pelos pescadores da zona não terão obtido a quantidade e a qualidade que esperariam. “Provavelmente, faltou-lhes o conhecimento”, observa Mercedes González Wangüemert, que gosta de meter os pés e as mãos nos sapais da ria Formosa para estudar a morfologia destes animais – bonitos aos olhos dos cientistas, mas não de toda a gente.



Fonte: Público

Nível do mar anda a subir mais rápido em Portugal

O ritmo de subida do nível do mar acelerou em Portugal no século XXI. As conclusões estão num relatório preliminar de que o jornal Público dá conta.

O Governo encomendou um relatório que se debruçou sobre o nível médio do mar e as políticas do país nesta área. As conclusões são preocupantes. Desde 2000 o ritmo de subida aumentou consideravelmente mas não se consegue descortinar uma política coerente para fazer face à situação.

Como dá conta o jornal Público sobre este relatório, ainda preliminar, o nível do mar subiu a partir do ano 2000 o dobro do ritmo a que subira nas últimas duas décadas do século passado. E o que se tem feito para acompanhar a situação? Segundo este relatório as políticas têm sido ditadas pelas circunstâncias, tanto políticas como meteorológicas.

Uma análise mais detalhada aos pontos críticos, que consta neste relatório, faz referência à necessidade de um investimento avultado. Só para repor em circulação a areia que faz falta À costa seriam necessários 221 milhões de euros nos próximos seis anos. Até 2050, este valor sobe para os 734 milhões de euros, destaca o mesmo jornal.
A preocupação aqui é a erosão costeira, algo que advém da combinação da subida do nível do mar mas também à retenção nas barragens.

Fonte: Público/Notícias ao Minuto.






Cientistas estudam sardinha no mar para definir quotas

Navio do IPIMAR vai sondar stock de sardinha para que se possa definir quanto se pode pescar em 2015
Com mais de 300 homens ligados directamente à pesca da sardinha e mais de um milhar indirectamente, pode dizer-se que o sector está, por estes dias, na expectativa, já que hoje o IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) deverá fazer-se hoje ao mar com o navio oceanográfico “Noruega” (que desenvolve estudos nas pescas em Portugal), para iniciar o processo de avaliação do estado em que se encontra o stock de sardinha, após o período da desova (de Setembro ao início de Dezembro), segundo apurou o nosso Jornal, junto de fonte ligada ao processo. Esses estudos, considerados como «fundamentais», para o sector, irão servir de “base” ao Ministério e Secretaria de Estado das Pescas, para «rectificação de uma forma justa», da quota permitida em 2015, «para que o sector não venha a atravessar as dificuldades e impossibilidades que em 2014 foram definidas pelos órgãos competentes», explica a mesma fonte. 

Fonte: Diário de Coimbra

A temperatura dos oceanos está a aumentar desde abril de 2014

A temperatura dos oceanos está a aumentar desde Abril, após uma ligeira pausa entre 2000-2013, apesar de nesse período se ter verificado uma crescente concentração de gases de efeito estufa.

A temperatura dos oceanos está a aumentar desde abril, após uma ligeira pausa entre 2000-2013, apesar de nesse período se ter verificado uma crescente concentração de gases de efeito estufa, refere um estudo publicado esta sexta-feira pela ScienceDaily.
De acordo com a publicação, que cita uma investigação coordenada pelo cientista do clima Axel Timmermann, do Centro de Pesquisa Internacional da Universidade norte-americana de Havai, o último verão registou um recorde em termos de aumento da temperatura, se comparado ao período em que se fez sentir intensamente o efeito do fenómeno natural ‘El Niño’, em 1998.
“De 2000-2013, o aumento da temperatura do oceano a nível registou uma pausa, apesar do incremento das concentrações de gases de efeito estufa. Esse período, conhecido como o Hiato do aquecimento global, suscitou um grande interesse do público e da comunidade científica. No entanto, a partir de abril 2014, o aquecimento dos oceanos ganhou novamente velocidade, de acordo com a análise feita por Axel Timmermann a um conjunto de dados sobre a temperatura dos oceanos”, destaca o estudo.
Segundo o cientista, “o aquecimento global dos oceanos assenta sobre o aumento do Pacífico Ocidental, que tem aquecido muito além de qualquer valor registado e mudou o rasto do furacão, enfraqueceu os ventos alísios e produziu branqueamento de corais nas ilhas havaianas”.
Axel Timmermann associa os acontecimentos que levaram a esta ascensão às temperaturas da superfície do mar que “começaram a subir muito rapidamente na região extratropical do Pacífico Norte logo em janeiro de 2014″.
“Poucos meses depois, em abril e maio, ventos predominantes de oeste empurraram uma quantidade enorme de água muito quente, normalmente armazenada no oeste do Pacífico ao longo do Equador para o Pacífico Oriental. Esta água quente espalhou-se ao longo da costa norte-americana do Pacífico, libertando na atmosfera quantidades enormes de calor – calor que estava contido no Pacífico tropical ocidental por quase uma década”, explicou.
“As concentrações de gases de efeito estufa e os anormais ventos fracos de verão do Pacífico Norte, que normalmente esfriar a superfície do oceano, contribuíram ainda mais para o aumento da temperatura da superfície do mar. As temperaturas quentes agora se estendem a uma ampla faixa desde o norte de Papua Nova Guiné para o Golfo do Alaska”, afirmou Axel Timmermann.
Vários estudos científicos indicam que o aquecimento global tem provocado o aumento das temperaturas e dos níveis do mar, degelo dos glaciares e alteração dos cursos de água.
Fonte: Observador

Portugal é o primeiro país mediterrânico com mexilhões sustentáveis

Certificação internacional pioneira obtida por empresa do Algarve é a segunda no país, depois da sardinha.

Sabem bem os mexilhões do Algarve? Então agora saberão melhor: a sua produção acaba de ser declarada sustentável pela mais importante organização internacional da área. Ou seja, em tese, podemos comê-los com a certeza de que a sua cultura não está a poluir o mar ou a dar cabo da própria espécie.

É a segunda pescaria portuguesa a ser certificada com o selo do Marine Stewardship Council (MSC), uma organização sem fins lucrativos. Os mexilhões seguem os passos da sardinha, que obteve a mesma certificação em 2010, mas agora suspensa.
A iniciativa partiu da Companhia de Pescarias do Algarve, uma empresa que está prestes a completar 150 anos de existência. “É uma certificação que achamos que valia a pena”, afirma António Farinha, presidente do conselho de administração. O selo de sustentabilidade, explica António Farinha, é importante para se conquistar mercados exigentes, como os do Norte da Europa e América do Norte.
E a empresa quer precisamente tornar-se no maior fornecedor de mexilhões para a Europa e num dos maiores exportadores do mundo.
O que faz do mexilhão do Algarve sustentável é sobretudo a forma como é criado. As “sementes” – como são conhecidos os juvenis de bivalves – foram recolhidas manualmente nas rochas do litoral da região. O processo é feito uma só vez.
Os juvenis são então largados sobre linhas que pendem de longas cordas, às quais os mexilhões agarram-se e se desenvolvem. Submersas, ocupam uma área de cerca de mil hectares em mar aberto, uma milha marítima (cerca de 1,8 quilómetros) ao largo da ilha da Armona, em Olhão.
À parte a manutenção diária da própria estrutura, não é preciso fazer mais nada. “É um processo completamente natural, não damos qualquer alimento, qualquer antibiótico”, explica António Farinha. “A qualidade da água é tal que permite ter mexilhões em cinco a seis meses”, completa o responsável da empresa.
Os animais reproduzem-se naturalmente, não é preciso voltar a “semeá-los”. E as próprias cordas acabam por funcionar como uma espécie de recife de coral, onde outras espécies marinhas vão-se alimentar, incluindo peixes com interesse comercial como douradas e gorazes.
O processo parece ser simples, mas conseguir o selo de sustentabilidade não foi fácil. O processo implica garantir que o stock do recurso permanece estável, que não há impacto no ecossistema e que a pescaria é gerida com as melhores técnicas ambientais. E tudo tem de ser confirmado por auditorias independentes do MSC, já que a entidade apenas fixa as normas. “O processo de certificação levou um ano”, diz António Farinha. O resultado é hoje celebrado numa cerimónia em Olhão.
Com várias delegações em todo o mundo, o MSC já certificou até agora 246 formas de pesca e tem mais 106 em avaliação. O foco são as artes de captura de animais em meio natural. Os mexilhões são um caso particular, pois podem ser criados praticamente sem intervenção humana, a não ser associá-los a um suporte. “É uma pescaria que está entre a aquacultura e a pesca selvagem”, afirma Laura Rodríguez, responsável do MSC para Portugal e Espanha.
Além das pescarias em si, o selo pode ser usado nos produtos que dela resultam. Na prática, o rótulo significa que aquele produto – uma conserva, por exemplo – provém de uma pescaria certificada e seguiu uma cadeia também alvo de certificação até chegar ao consumidor final.
“O objectivo da certificação é ambiental. Mas é também um incentivo comercial para os produtores”, explica Laura Rodríguez.
A Companhia de Pescarias do Algarve espera, por exemplo, utilizar o selo em patês e conservas de mexilhão, bem como no mexilhão congelado, com o qual quer competir no mercado internacional, dominado por países como Nova Zelândia, Espanha e Chile.
Em Portugal, há 39 empresas – sobretudo conserveiras, que processam pescado certificado como sustentável – autorizadas a utilizar o selo do MSC. No mundo todo, são mais de 25 mil produtos comercializados com o selo.
Pescarias em si, são apenas duas no país. A pesca do cerco à sardinha foi a primeira a obter a certificação, em 2010. Mas a espécie tem sofrido altos e baixos na sua população reprodutora. Em Janeiro de 2012, a certificação foi suspensa, porque não havia sardinhas suficientes para garantir a sustentabilidade do recurso a longo prazo. Retomada um ano depois, a certificação voltou a ser suspensa em Agosto passado, pelo mesmo motivo.

Fonte: Público

Mistério das placas de borracha da Indonésia que desagua na Europa

A história de como uma plantação numa ilha do Oceano Índico levou pessoas de toda a Europa a unir-se em redor de um mistério que envolve navios naufragados, guerra e placas. Muitas placas.


Tjipetir. A palavra era absolutamente desconhecida para Tracey Williams no verão de 2012, quando, certa manhã, enquanto passeava o cão numa praia da Cornualha, Reino Unido, deu de caras com uma placa com essa inscrição. A Benjamin, um francês que passeava com a família na praia de Mimizan, perto de Bordéus, aconteceu o mesmo. E também a Lou, a Yael, a Nick e a muitos outros. Desde há uns anos, placas com a palavra Tjipetir têm dado à costa em várias praias da Europa e, agora, parece ter-se descoberto finalmente a sua origem.
Primeiro os factos: Tjipetir é uma pequena localidade da ilha indonésia de Java onde existiu, entre o fim do século XIX e início do XX, uma plantação de borracha e derivados. As placas que chegam às costas europeias não são de borracha, como pensaram inicialmente aqueles que as encontraram, mas sim de guta-percha, uma substância semelhante à borracha obtida a partir da árvore Palaquium, encontrada em países do subcontinente asiático.

Como é que placas de uma substância semelhante à borracha produzidas há mais de 80 anos na Indonésia acabam nas praias europeias? É isso que Tracey Williams tenta descobrir desde aquele verão de 2012. Para tal, criou a página de Facebook “Tjipetir Mistery“, onde são publicadas fotografias e testemunhos de pessoas que também encontraram placas destas. Para já, não há registo de que Tjipetir tenha chegado a praias lusas, mas isso não será improvável, uma vez que já se encontraram exemplares na Galiza, em Espanha.
Neste momento, parece ponto assente que a guta-percha de Tjipetir chegou à Europa devido ao naufrágio de um navio. Resta saber qual. Quando, em abril, o jornal francês Le Figaro contou como Benjamin tinha descoberto a sua placa, avançou no mesmo artigo que o mais provável era que esses materiais viessem no Titanic. “Consultei o manifesto de bordo e descobri que realmente transportava guta-percha”, conta Tracey Williams à BBC.
Poderia ser o fim da história, o último segredo do Titanic, como o apelidou o Le Figaro. Mas, em 2013, um navio japonês veio interferir com a lenda e adensar o mistério em redor das placas. Miyazaki Maru. Era assim que se chamava o barco nipónico construído em 1909 e afundado em plena Primeira Guerra Mundial, em 1917, por um submarino alemão, enquanto viajava de Yokohama para Londres. Entre a carga que transportava, placas de Tjipetir.
Essa informação chegou a Tracey através de duas pessoas diferentes sem qualquer relação entre si. E parece encontrar apoio junto das autoridades britânicas responsáveis pelos navios naufragados e sua carga. “As nossas investigações com estes materiais apontam para esse naufrágio específico. Apesar de ainda não o termos confirmado, o Miyazaki Maru é a fonte mais provável dessas placas”, explicou à BBC Alison Kentuck, responsável governamental por naufrágios.



Mistério resolvido? Talvez. Mas é muito provável que as placas continuem a aparecer nas praias da Europa. Segundo alguns especialistas em destroços oceanográficos, até podem continuar a chegar nos próximos cem anos.

Fonte: Observador

Começaram as demolições na Ria Formosa

As 23 edificações existentes no ilhote do Ramalhete, na Ria Formosa (Algarve), são as primeiras a ir abaixo. No total, o Ministério do Ambiente contabiliza 808 estruturas – entre casas, casebres e barracões – que serão demolidas nas Ilhas Barreira até final de 2015. Para demolições e recuperação dos espaços naturais prevê-se um investimento total de mais de 17 milhões de euros.
As primeiras edificações a demolir situam-se no ilhote do Ramalhete, uma extensão de areia onde se chega por terra, atravessando um sapal. As pessoas que detinham estes espaços de segunda habitação e arrumos já retiraram os respectivos pertences e algumas até levaram as casas pré-fabricadas por inteiro. Esta quarta-feira avançaram as máquinas para arrasar o que ficou.
Para marcar o momento anunciado há mais de 10 anos, o ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território esteve no local. “Não queremos que o cenário de destruição pelo mar vivido na Fuseta, em 2010, se repita noutros locais”, sublinhou Jorge Moreira da Silva, recordando que, há quatro anos, naquele outro canto das Ilhas Barreiras, vagas de mais de seis metros se encarregaram de derrubar a maioria das casas ali erguidas.
As máquinas fizeram o resto e hoje é um espaço renaturalizado. No total, entre os ilhotes – Ramalhete, Deserta, Cobra, Ratas, Coco e Altura – somam-se 193 casas ou casebres para deitar abaixo até ao final do ano.
A partir de Janeiro as máquinas irão derrubar mais cerca de 700 edificações entre casebres, arrumos e casas de segunda habitação) nas zonas poente e nascente da Ilha de Faro (península do Ancão), nos Hangares, na zona nascente do Farol e no núcleo da Culatra. Na área poente da ilha do Farol, na Armona e na zona desafectada do domínio público marítimo da Praia de Faro serão futuramente.
No total, serão realojadas 110 famílias. Das oito centenas de casas a demolir, “apenas 12% são de primeira habitação”, afirma o ministro. Moreira da Silva garante que as autoridades tiveram “grande cuidado com as questões de apoio social e que nenhuma habitação será demolida sem que as pessoas sejam realojadas”. O ministro lembra também que “a zona costeira de Portugal tem uma elevada vulnerabilidade à erosão”.
Para as intervenções de demolição nas ilhas Barreira está previsto um investimento de €9,7 milhões e para a recuperação e renaturalização daqueles espaços mais €7,5 milhões, o que totaliza mais de €17 milhões com recurso a apoio de fundos comunitários.
Entre 2014 e 2015 estas verbas inserem-se no pacote de €300 milhões que o Governo anunciou para obras de defesa de pessoas e bens no litoral do país. Segundo Moreira da Silva, os investimentos no litoral vão continuar: “Até 2050 estão previstos investimentos de mais de mil milhões para proteção de pessoas e bens”. Na base destes cálculos estão as estimativas do Grupo de Trabalho do Litoral, o plano de ação para as zonas costeiras até 2020.
Além da protecção de pessoas e bens, as intervenções previstas pretendem também salvaguardar as actividades económicas da Ria Formosa e a sua valorização ambiental. Moreira da Silva lembra que “sem ilhas Barreira, não há Ria formosa nem protecção para as baixas de cidades como Faro ou Olhão”.
Fonte: Expresso

Nova esperança para a vida dos golfinhos

Os golfinhos são uma das espécies mais cativantes do ecossistema animal. Infelizmente, desde 2013 que no oceano Atlântico têm sido muitos os animais desta espécie a aparecer mortos devido a uma doença parecida com o sarampo.
Mas agora apareceu uma nova esperança para estes animais, alguns investigadores desenvolveram um dispositivo que pode salvar a vida de muitos golfinhos em todo o mundo.

Cristina Davis e alguns dos seus colegas investigadores da National Marine Mammal Foundation em San Diego, da UC Davis Department of Mechanical and Aerospace Engineering e do Chicago Zoological Society’s Mote Marine Laboratory em Sarasota, Florida, juntaram-se para desenvolver um dispositivo que pode ser colocado na bolha do golfinho, de modo a determinar o seu estado de saúde de uma forma não evasiva.
Como funciona?
O dispositivo recolhe e congela a respiração do animal num tubo isolado, sendo depois analisados os metabólitos presentes na respiração. Através destes metabólitos podem ser retiradas informações sobre a dieta destes animais, a sua actividade, exposições ambientais e até mesmo doenças.
Pelo facto destes animais serem “respiradores explosivos”, enchendo a sua capacidade pulmonar a 90% em menos de 1 segundo, é o suficiente para ser feita uma análise à sua saúde.
Depois da criação deste dispositivo, os investigadores criaram perfis padrão associados a golfinhos saudáveis. Agora, analisando outros golfinhos, é possível comparar os seus metabólitos com estes padrões, de forma a perceber se o animal sofre de algum tipo de doença.
Esta técnica não serve só para golfinhos, podendo ser utilizada noutro tipo de mamíferos marinhos.
Com certeza, estes investigadores manterão toda a sua atenção virada para a preservação destes magníficos animais. Mas será este dispositivo importante para a monitorização e para o salvamento da espécie?

Fonte: pplware


Atrás dos peixes-lua do Algarve, que gostam de apanhar banhos de sol

Equipa liderada por cientistas portugueses aliou a biologia à robótica marinha para conhecer melhor os hábitos de um peixe carismático e ver como é que as alterações climáticas o estão a afectar.


O peixe-lua é o maior peixe ósseo do mundo: o seu corpo bastante arredondado pode ter mais de três metros de comprimento, quatro de altura, incluindo as barbatanas, e pesar duas toneladas. Até está no Livro Guinness dos Recordes, porque as fêmeas produzem até 300 milhões de ovos de cada vez. Ora foi atrás de 20 peixes-lua que andou uma equipa liderada por cientistas portugueses: prenderam-lhes marcadores e, durante três semanas, seguiram-nos desde a costa de Olhão em direcção a Espanha.

Os peixes-lua, ou Mola mola, vivem no Atlântico e Pacífico, nas zonas temperadas e quentes. Em Portugal, são comuns em toda a costa, sobretudo no Algarve. O seu comportamento pode dar indicações sobre as alterações climáticas, uma vez que a sua distribuição e migração são influenciadas pela temperatura da água. Identificam-se facilmente pela ausência de uma barbatana caudal e presença de uma barbatana dorsal e outra anal, que são simétricas.

Neste estudo, que incluiu ainda cientistas norte-americanos, espanhóis e noruegueses, os animais foram observados ao longo da costa de Olhão, durante Maio, para compreender a sua biologia, comportamento e hábitos alimentares (comem zooplâncton gelatinoso e pequenos crustáceos). “Queríamos conhecer melhor o comportamento do peixe-lua e, acima de tudo, através de observações in situ, caracterizar o habitat dos peixes em tempo real”, diz Nuno Queiroz, biólogo no Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio), no Porto.

Como ao largo de Olhão, a três milhas da costa, há uma rede de captura de atuns, os peixes-lua também acabam por ser apanhados por ela, o que se por um lado pode provocar o declínio das suas populações, por outro facilitou a obtenção de peixes para estudo (apanharam-se os mais pequenos, com 30 ou 40 quilos).

“Apanhávamos os peixes-lua e: ou os colocávamos num tanque em terra e posteriormente eram largados no mar, ou eram logo sinalizados com um marcador GPS”, refere o engenheiro electrotécnico e de computadores João Tasso Sousa, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, envolvido na parte da robótica marinha do estudo.

Presos aos peixes por um fio, os marcadores ficavam a flutuar e emitiam a sua localização geográfica. “Quando o marcador estava à superfície, começava a emitir a posição GPS via satélite e nós recebíamo-la em terra. Quando os peixes mergulhavam, o marcador desligava-se para não gastar bateria. Basicamente, os peixes fazem este ciclo: vão ao fundo — podem ir até cerca de 600 metros — e depois vêm à superfície.”



Uma espécie-modelo
Apesar de ser um migrador de grande profundidade, também passa longos períodos à superfície. “Por que vêm à superfície? É para regular a temperatura. Colocam-se na horizontal para apanhar banhos de sol”, conta João Tasso Sousa, dizendo que têm dados em eles estavam umas horas à superfície. “Os colegas biólogos queriam saber qual é o comportamento dos peixes: quanto tempo passam à superfície e depois, quando mergulhavam, o que faziam.”

“O objectivo principal era obter, com elevada precisão e em tempo real, a localização dos peixes marcados. E, através de veículos autónomos, obter simultaneamente informação ambiental, como por exemplo a temperatura e a quantidade de potenciais presas”, explica Nuno Queiroz.

“Tal como outros peixes, deslocam-se a distâncias consideráveis e concentram-se em zonas produtivas [com zooplâncton]. É assim uma boa espécie-modelo: ao estudarmos o peixe-lua, podemos inferir características comuns a outras espécies”, conta o investigador do Cibio.

Uma vez recebidos os sinais GPS emitidos pelos marcadores nos 20 peixes-lua, eram accionados, em fases diferentes, três veículos robóticos, que iam ao encontro dos peixes-lua, graças à baixa velocidade com que se movimentam.

Atrás dos peixes, um veículo autónomo subaquático recolhia primeiramente os dados sobre a água, como a salinidade (obtida pela condutividade eléctrica), a temperatura e a pressão (profundidade). De seguida, um pequeno veículo autónomo aéreo fazia a confirmação visual dos peixes, para verificar se estavam realmente no local assinalado pelos receptores GPS. Por fim, um veículo autónomo de superfície recolhia dados oceanográficos, como a temperatura da água, a concentração de clorofila, a direcção e a força das correntes e dos ventos. O uso destas tecnologias, considera João Tasso Sousa, facilita o estudo da dinâmica dos ecossistemas.

“A ideia é tentar relacionar diferenças de temperatura com nutrientes e outros aspectos”, conta João Sousa. “Com uma câmara GoPro que tínhamos num dos veículos, conseguimos identificar, nalgumas zonas, concentrações grandes de zooplâncton.”

Fonte: Público