Volume de negócios do Mar cresceu 2% em 2013

O volume de negócios das empresas do sector do mar aumentou 2% em 2013, mas continua a representar apenas 1,1% da actividade económica, segundo um estudo da Central de Balanços do Banco de Portugal.

Entre 2009 e 2013, o volume de negócios das empresas ligadas ao mar, incluindo pescas, construção e reparação naval e transportes marítimos, cresceu 0,1%.

No entanto, ao longo da década, o sector do mar apresentou uma evolução negativa, passando de um peso de 1,3% na actividade económica em 2003, para 1,1% em 2013, enquanto o número de pessoas ao serviço diminuiu de 1,1% para 0,9% face ao total das empresas.
Em 2013 mais de metade das empresas de pesca apresentaram uma redução do volume de negócios, enquanto a construção e reparação naval e os transportes marítimos cresceram acima da média (8 e 9% respectivamente).
O crescimento do volume de negócios no sector do mar foi suportado pelo mercado interno, ao contrário do que se verificou na generalidade das empresas.
A pesca e actividades conexas representavam, no ano em análise, 79% do total de empresas, 72% do volume de negócios e 72% dos empregos.
Lisboa concentrava cerca de um quinto das empresas (21%), um quarto do volume de negócios (25%) e 17% das pessoas ao serviço do sector do mar.
Os distritos do Porto e de Setúbal, com 28% das empresas e 29% dos postos de trabalho ligados ao mar, foram responsáveis por 24% do volume de negócios total.
O peso das actividades favorecidas pela proximidade do mar (alojamento e restauração e actividades recreativas e culturais) manteve-se inalterado nos 2,8% entre 2009 e 2013.


Homem morreu cozido com 550 kg de Atum em fábrica dos EUA

A empresa da Califórnia ‘Bumble Bee Foods’ foi acusada de violar as regras de segurança no trabalho pela morte de um funcionário que morreu cozido no forno industrial junto de toneladas de atum em 2012. 

Dois gerentes da companhia foram processados pela responsabilidade do incidente. As informações são do The Independent.

De acordo com a publicação, o Director de operações e o ex-gerente de segurança foram julgados por três acusações de violarem regras de Segurança do Trabalho e Administração de Saúde, causando a morte de uma pessoa.

Os promotores do caso disseram que José Melena estava limpando o forno de 10 metros de comprimento, em Santa Fé, quando colegas de trabalho jogaram mais de 550 kg de peixe para cozinhar e ligaram o fogo. As temperaturas do forno industrial chegam a mais de 270 graus.

A Agência de segurança do trabalho do estado citou a empresa baseada em San Diego por violações por de perigo para os empregados que trabalham em grandes fornos.
 
Fonte: Aquiduana

Ericeira prepara-se para ser a grande maternidade dos ouriços

O país, afirmam os peritos, tem boas condições para apostar no ouriço-do-mar, em meio natural ou aquacultura – e responder assim ao interesse crescente dos consumidores mundiais.

Em alguns locais do mundo “os mananciais do ouriço-do-mar foram já explorados até à exaustão” e os países que são grandes consumidores desta iguaria, como o Japão ou a França, começam a procurar alternativas. É com base nesta constatação que surge o projecto Ouriceira, uma iniciativa conjunta da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche do Instituto Politécnico de Leiria, da Universidade de Évora e da Faculdade de Ciências de Lisboa, apresentada por José Lino, professor desta faculdade, durante o recente Festival do Ouriço, na Ericeira.

A zona, afirmam os especialistas que participaram nas jornadas técnicas do festival, tem um bom potencial para o aumento da produção, tanto na apanha como na aquacultura. A par do interesse dos mercados externos, verifica-se também já um aumento da procura no mercado interno – que o Festival do Ouriço quis reforçar, convidando chefs portugueses e espanhóis a encontrar novas formas de apresentar o ouriço nos seus pratos. Mas, explicou José Lino, para dar resposta a este interesse é fundamental fazer-se primeiro um estudo que deverá incidir em três pontos: cultivo, mananciais selvagens e repovoamento.

O que se come do ouriço-do-mar são as gónadas (o sistema reprodutor muitas vezes, incorrectamente, chamado ovas) e o seu valor é maior no período pré-reprodutor, entre Janeiro e Abril, quando se encontram mais desenvolvidas. Isto significa, naturalmente, que a apanha está a comprometer os futuros stocks, impedindo a reprodução natural dos ouriços.

Por isso, salientou José Lino, é fundamental “evitar a sobre-exploração generalizada”. No entanto, em Portugal “existe pouca informação”. Daí que seja “imperativo” estudar as populações de ouriço em Portugal, caracterizar a apanha e desenvolver técnicas de cultivo em cativeiro e de repovoamento em zonas que já são muito exploradas. Serão estes os objectivos do projecto Ouriceira, que está actualmente na fase de procurar financiamento, e que, segundo o biólogo, deverá começar em Janeiro de 2016 e tem uma duração prevista de 36 meses.

Actualmente, segundo dados apresentados na mesma ocasião por Edgar Afonso, da Direcção Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, a venda em lota de ouriço é (números de 2014) de apenas 9100 quilos, mas o número de licenças dadas para a apanha tem vindo a aumentar: em 2003 foram emitidas 46 licenças a nível nacional e em 2014 o número subiu para 211.

Quando à aquacultura, “tem havido manifestações de interesse mas poucas concretizações”, disse, referindo a existência de apenas um estabelecimento licenciado, na região de Aveiro, cuja actividade é de crescimento e engorda dos ouriços. Não existe ainda nenhuma unidade licenciada para a “reprodução de juvenis”.

Na opinião de Ana Pombo, do Politécnico de Leiria, e também envolvida no projecto Ouriceira, “o ouriço é um bom candidato” à aquacultura que “em Portugal precisa de se diversificada”. A água tem a temperatura adequada (entre os 18 e os 22 graus) e o que é necessário para o desenvolvimento de boas gónadas é que os animais recebam poucas horas de luz. “Na escola de Peniche já conseguimos fazer a reprodução”, afirmou. Quando os ouriços atingem entre 5 e 10 milímetros passam a um sistema de engorda, sendo que “nas fases larvares são alimentados com micro-algas e nas seguintes passam a alimentar-se com macro-algas”.

Ana Pombo explicou que no que diz respeito à alimentação “já existem rações desenvolvidas por noruegueses e norte-americanos, mas não dão a cor laranja que os consumidores apreciam nas gónadas”. Esse é, no entanto, um problema que pode ser ultrapassado com a adição de carotenóides naturais “como se faz com o salmão”.

A bióloga, coordenadora do Mestrado em Aquacultura do Politécnico de Leiria, defende que as empresas que já se dedicam à aquacultura para a produção de peixes podem “aproveitar zonas das suas explorações que não são usadas para fazer a produção de ouriços”, através da reprodução ou apenas do melhoramento das gónadas. Identificou também os principais problemas: “as dietas são muito caras, a janela de maturação das gónadas é curta pelo que é necessário manipular o fotoperíodo, há uma mortalidade elevada das larvas o que significa que é necessária mais investigação e há pouca disponibilidade de juvenis para a engorda.”

Se, com maior conhecimento e investigação neste domínio, Portugal conseguir ultrapassar estes problemas, tem, segundo os especialistas, boas condições para se juntar ao grupo de países produtores que existe hoje no mundo, como o Chile, o Canadá, os Estados Unidos, a Noruega, a Rússia ou o Japão.

Fonte: Público


Armadores voltam a pescar sardinha, mas pouco

Os armadores de Peniche e da Nazaré retomam hoje a pesca da sardinha mas com o cuidado de evitar que a quota se esgote antes do final do mês.


No início de Abril, os barcos foram ao mar, mas decidiram suspender a actividade para uma melhor gestão dos limites de pesca existentes até ao final deste mês.
A partir de hoje e “por precaução”, as embarcações vão tentar pescar abaixo do limite imposto. Humberto Jorge, presidente da associação de armadores de pesca do cerco, adianta à TSF que a pesca vai ser retomada “com limites de captura inferiores ao que está no despacho do secretário de Estado”.
“Iremos com 4 toneladas diárias no máximo”, refere, acrescentando que o “objectivo continua a ser o de esticar ao máximo a quota diminuta” que foi atribuída, “de forma a que ela dure até ao final de maio”.
“Não queremos chegar a essa altura, onde julgamos que a sardinha vai ter um preço mais elevado em lota, e não ter mais possibilidade de pesca de sardinha”, remata.

Fonte: TSF

Os satélites que ajudam a conhecer os oceanos



Plymouth é um dos portos históricos de Inglaterra. Durante séculos, a cidade viu partir marinheiros e soldados. Agora vê embarcar cientistas do Laboratório Marinho, rumo a uma estação de monitorização situada em pleno Canal da Mancha. “Vamos recolher amostras de água, utilizar sensores electrónicos, efectuar testes no ecossistema, medir a coluna de água, e ver o que se está a passar na estação”, explica o oceanógrafo James Fishwick.


O conteúdo das amostras que recolhem é muito valioso para os oceanógrafos que utilizam os resultados das análises para construir modelos para ajudar a explicar a evolução dos oceanos. Segundo Fishwick, “é uma abordagem em conjunto. As amostras dão-nos uma ideia do que se passa no ambiente, medem as interacções entre os vários parâmetros – sejam químicos, físicos ou biológicos. Depois comparamo-los com o que os satélites nos dizem.”
Entre os cientistas a bordo, encontra-se Victor Martinez Vicente, um especialista que aprofunda a combinação entre os dados que chegam dos satélites e as informações fornecidas pela superfície do mar. O estudo hoje debruça-se sobre a cor das amostragens, porque é um dos parâmetros que permite conhecer melhor o fitoplâncton, as algas microscópicas que são a base da cadeia alimentar nos oceanos e que produzem metade do oxigénio do nosso planeta.
Os resultados vão permitir também aumentar a precisão dos dados recolhidos por satélite. “Neste pequeno frasco existem milhares de pequenas células – o fitoplâncton -, que procedem à fotossíntese, assim como as bactérias e outras partículas. Isto é possível detectar através dos instrumentos laboratoriais que contam a quantidade de células presentes. Fazemos isto para também poder comparar os dados dos satélites com o que existe efectivamente na água”, declara Vicente.
Ainda este ano, o satélite Sentinel-3, da Agência Espacial Europeia, vai juntar-se à frota de observadores em órbita. É um dos passos do programa europeu Copérnico e representa um novo capítulo no estudo dos oceanos, oferecendo um fluxo contínuo de informações. Jérôme Benveniste, da Agência Espacial Europeia, afirma que “um satélite leva 50 minutos a atravessar um oceano do Pólo Norte ao Pólo Sul e mais 50 a fazer o círculo completo. Sabendo que vamos efetuar 14 órbitas por dia, vamos dispor de uma cobertura global no espaço de 24 horas. Se fosse com um barco, demorávamos um ano a fazer o mesmo.”
Os oceanos determinam o clima do planeta. O olhar dos satélites permite-nos obter uma perspectiva das mudanças em tempo e escala reais. “A partir do espaço, podemos medir parâmetros físicos à distância, como a temperatura, a salinidade, a massa através das variações no campo gravitacional, e podemos também medir o nível do oceano, que nos elucida sobre vários fenómenos, e estudar a cor da água”, diz-nos Benveniste.
Ou seja, do espaço aprendemos muita coisa, mas é preciso ir comparando sempre com os dados recolhidos em alto mar. A cor da água pode, de facto, revelar muita coisa sobre o nosso planeta, nomeadamente como é que a vida nos oceanos se adapta às mudanças. Shubha Sathyendranath, do Laboratório Marinho de Plymouth, realça que “o fitoplâncton é microscópico, é dinâmico, é muito ativo. Qualquer alteração que haja, ele vai colocá-la em evidência muito rapidamente.”
A revolução dos satélites na oceanografia significa que cada parâmetro pode ser monitorizado, mapeado e representado a uma escala global. Os investigadores podem detectar tendências e interacções entre os factores mencionados: cor, nível das águas do mar e temperatura. Sathyendranath sublinha que “o nível das águas tem vindo a aumentar. Não em todo o lado, e não de maneira uniforme, mas é uma tendência global que está a avançar. A temperatura dos oceanos está a aumentar também, à superfície, mas não tanto nos últimos anos, e isso está a intrigar os cientistas.”
Cada vez mais a diversificação de recursos na obtenção de dados é o caminho a fazer no aprofundamento do estudo dos oceanos. “Neste momento estamos a recolher informações cruciais sobre os oceanos – temos os satélites, os observatórios, a monitorização in loco, sistemas autónomos constantemente em alto mar. Graças à tecnologia, sabemos mais do que nunca. E basta perceber isso para olhar para o futuro e tentar entender como é que as coisas podem evoluir, como é que o meio ambiente se vai adaptar”, sintetiza James Fishwick,
Fonte: Euronews

Panamá aprova novos preços de “portagens” para o Canal

O governo do Panamá aprovou a nova estrutura tarifária do Canal, proposta pela ACP. A nova tabela entrará em vigor dentro de um ano, a 1 de Abril de 2016.

Os novos preços variarão consoante as dimensões e os tipos de navios que usam a via navegável. No caso dos navios porta-contentores, a medida de referência continuará a ser o número de TEU. Os navios graneleiros pagarão os direitos de passagem em função da tonelagem deadweight e das toneladas métricas de carga. Os navios de transporte de GNL e de GPL pagarão pelos metros cúbicos, etc..
Novidade na tabela de tarifas é a introdução de incentivos para os clientes frequentes no segmento do transporte de contentores.
A nova estrutura tarifária é o resultado de um ano de negociações informais com todos os stakeholders envolvidos. A ideia inicial da Autoridade do Canal do Panamá era aumentar os direitos de passagem para assim financiar os custos da expansão da via navegável. Com o passar do tempo a posição evoluiu para considerar as especificidades de cada segmento do mercado.
Os novos preços entrarão em vigor a 1 de Abril, já com o Canal do Panamá alargado em pleno funcionamento.
 Fonte: T e N 


MSC Portugal inova com Academia em parceria com a ENIDH

Carlos Vasconcelos diz desconhecer iniciativas semelhantes da MSC no mundo. A “sua” MSC Portugal lançará em Setembro, em parceria com a ENIDH, um curso de shipping e logística, dando assim início à Academia MSC.

“Gostaríamos que os nossos futuros quadros proviessem todos da Academia”, referiu Carlos Vasconcelos ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS, a propósito do que é que motiva esta iniciativa da empresa.
O curso de shipping e logística promovido conjuntamente pela MSC Portugal e pela Escola Náutica Infante D. Henrique foi ontem apresentado. Terá uma duração de 440 horas (cerca de 36 semanas) e destinar-se-á a licenciados da ENIDH, colaboradores da MSC ou profissionais do sector do shipping e da logística ou que nele pretendam ingressar. Para os profissionais os requisitos de admissão “serão definidos brevemente”.
O “curriculum” foi determinado “em conjunto pela ENIDH e pela MSC”, tendo em conta o objectivo de promover “uma formação adicional direccionada para o transporte contentorizado e a logística, com uma forte componente prática, centrada na actividade do agente de navegação”, justificou o administrador da MSC Portugal.
Também por isso, as aulas serão ministradas nas instalações da ENIDH mas numa sala própria e em ambiente MSC, com os sistemas informáticos e programas que a companhia utiliza no seu dia-a-dia.
De resto, “os custos da Academia são suportados pela MSC, com excepção dos vencimentos dos professores da ENIDH”, disse Carlos Vasconcelos ao TRANSPORTES & NEGÓCIOS. “Os professores externos são suportados pela MSC”, acrescentou.
“Esperamos que a Academia constitua um elo de ligação entre a Escola e a Empresa, que seja uma referência para os jovens que pretendam ingressar na actividade do shipping e da logística, que ofereça aos jovens uma oportunidade de reforçar os seus conhecimentos e de ganhar competências práticas.
“Gostaríamos que os nossos futuros quadros proviessem todos da Academia e que esta fosse um marco de excelência e de qualidade no sector, para benefício de todos quantos a ele estão ligados: trabalhadores, empresas e organismos públicos”, resumiu Carlos Vasconcelos.
No primeiro ano o objectivo é formar 50 alunos, a quem será atribuído o competente certificado de formação profissional reconhecida.
Fonte: T e N


Cavaco Silva quer ver a Economia do Mar a criar Emprego

O Presidente da República iniciou uma visita de três dias à Noruega, acompanhado por uma extensa comitiva de empresários e investigadores (cerca de 70), e com os assuntos do Mar a dominarem a agenda. Cavaco Silva considera que, nesta área, a Noruega é um parceiro natural.

Cavaco Silva admite que nunca falou tanto de economia do mar em tão pouco tempo, como vai falar nesta visita. Em conversa informal com os jornalistas, ainda no voo para Oslo, o Presidente da República sublinhava a dimensão da comitiva, com cerca de 70 empresários e investigadores, e não hesitou em classificar esta como uma das mais importantes viagens presidenciais.
Esta manhã, no Centro de Investigação da Noruega, perante uma plateia de investigadores e empresários dos dois países, Cavaco Silva definiu o objectivo: “Temos de construir novos caminhos para o crescimento económico sustentável e para a criação de emprego. Tenho sido um forte defensor da necessidade incontornável de Portugal consignar mais recursos ao desenvolvimento da economia do mar, e transformar a sua pequena base numa fonte económica sólida para o país”.
Aquacultura, biotecnologia marinha, exploração de recursos energéticos, seja nas fontes tradicionais ou alternativas. O Presidente diz que esse é um desígnio que começa a entrar nas políticas públicas em Portugal, e deixa um elogio a Assunção Cristas.
“Esta linha de pensamento tem sido incorporada nas nossas políticas públicas e a Ministra da Agricultura e do Mar tem sido a sua principal promotora”, afirmou.
A Noruega já percorreu esse caminho há décadas, e mesmo excluindo a exploração de petróleo e gás natural, o peso da economia do mar no PIB norueguês é de cerca de 20%. Em Portugal não passa dos 3%. Daí que este seja um parceiro óbvio.

Fonte: TSF

Oceanos avaliados em 24 triliões de dólares americanos

O valor dos oceanos está à altura das economias mais importantes do mundo, mas os seus recursos estão a diminuir de forma acelerada, de acordo com um relatório divulgado hoje pela WWF.
O relatório, ‘Reviving the Ocean Economy: the case for action – 2015’ (Revitalizar a Economia dos Oceanos: o caso de ação 2015), analisa o valor dos oceanos, à altura de uma grande potência económica, e destaca as ameaças que podem ditar o seu colapso.

O valor dos activos dos oceanos é estimado no relatório como sendo de, pelo menos, US $ 24 triliões. Num exercício de comparação com as 10 melhores economias do mundo, os oceanos ocupariam o sétimo lugar com um valor anual de bens e serviços de US $ 2,5 triliões.

O relatório, produzido em parceria com o ‘Global Change Institute’ da Universidade de Queensland e com o ‘Boston Consulting Group (BCG)’, é a análise mais actual e mais focada nos activos dos oceanos. Reviving the Ocean Economy revela a enorme riqueza do mar através de avaliações de bens e serviços que vão desde a pesca à protecção contra tempestades costeiras; mas o relatório também descreve o ataque implacável aos recursos do oceano através de sobre-exploração, o seu uso indevido e alterações climáticas.

“O valor dos oceanos está à altura das riquezas dos países mais ricos do mundo, mas está a naufragar até às profundezas de uma economia fracassada”, disse Marco Lambertini, Director Geral da WWF. “Como accionistas responsáveis, não podemos manter esta forma imprudente de agir, se queremos continuar a extrair bens valiosos dos oceanos, sem investir no seu futuro.”

De acordo com o relatório, mais de dois terços do valor anual dos oceanos dependem das condições saudáveis ?que garantam a sua produção económica anual. Pescarias em colapso, desflorestação de zonas húmidas, desaparecimento dos corais e ervas marinhas estão a ameaçar este motor económico marinho que protege vidas e meios de subsistência um pouco por todo o mundo.

“Ser capaz de quantificar o valor anual dos oceanos no mundo mostra-nos que estão em jogo números concretos, do ponto de vista económico e ambiental. Esperamos que isto sirva como uma chamada de atenção aos líderes empresariais e decisores políticos, para que, de forma mais informada, possam tomar decisões mais calculadas quando se trata de pensar o futuro da nossa economia oceânica”, disse Douglas Beal, Director do Boston Consulting Group.

Uma pesquisa apresentada no relatório demonstra que o oceano está a mudar mais rapidamente do que em qualquer outro momento em milhões de anos. Ao mesmo tempo, o crescimento da população humana e a dependência do mar faz com que a recuperação da economia do mar e dos seus activos principais tenha um carácter de urgência global.

“O oceano vive um risco maior agora do que em qualquer outro momento registado na história. Estamos a extrair demasiados peixes, a despejar muitos poluentes; o aquecimento e acidificação do oceano estão num ponto em que os sistemas naturais essenciais simplesmente vão parar de funcionar”, disse Ove Hoegh-Guldberg, o principal autor do relatório e Director do Instituto de Mudança Global da Universidade de Queensland, na Austrália.
O Relatório “Reviving the Ocean Economy: the case for action – 2015” está disponívelonline
Fonte: Naturlink

UE impõe monitorização das emissões dos navios

Poderá ser o primeiro passo para a inclusão do transporte marítimo no mecanismo de comércio de licenças de emissões. O Parlamento Europeu aprovou legislação que impõe aos operadores divulgarem a performance energética dos seus navios.

O regulamento sobre o “Monitoring Reporting and Verification” agora aprovado aplica-se a navios de mais de 5 000 toneladasde arqueação bruta. Os respeectivos armadores/operadores terão de monitorizar as suas emissões de CO2 e a sua eficiência energética e comunicá-la a Bruxelas, que processará os dados e os tornará públicos num relatório anual.
A medida aplica-se a todos os navios que naveguem em águas comunitárias, independentemente da sua nacionalidade e da nacionalidade dos respectivos armadores/operadores.
A ideia subjacente à legislação comunitária é que a maior informação e transparência levarão a maior concorrência entre os operadores ante o mercado, à adopção de novas tecnologias e, no limite, à contenção ou mesmo redução das emissões poluentes.
Um estudo da IMO (Organização Marítima Mundial) sobre as emissões de GEE (gases de efeito de estufa) estima que as emissões da responsabilidade do transporte marítimo crescerão entre 50% e 250% até 2050. Isto porque a eventual maior eficiência dos navios novos será superada pelo crescimento do tráfego.
No mesmo horizonte temporal, o peso do transporte marítimo nas emissões globais de GEE aumentará dos actuais 3% para os 10%, calcula a IMO.
A Comissão Europeia prevê que a adopção de novas tecnologias para a redução dos consumos e das emissões dos navios permitirá poupanças anuais de 1,2 mil milhões de euros e terá um impacto positivo na criação de emprego e na saúde pública.
A iniciativa europeia surge num momento em que a IMO se prepara para discutir uma proposta das Ilhas Marshall para reduzir as emissões poluentes do transporte marítimo a nível mundial.
O presidente da IMO já avisou para os riscos de uma atitude unilateral da União Europeia ser mal recebida pelos demais estados. A exemplo, recorde-se, do que aconteceu aquando da inclusão do transporte aéreo no comércio de licenças de emissões.
O relator do Parlamento Europeu para o novo Regulamento foi o eurodeputado português José Inácio Faria (Partido da Terra).
Fonte: T e N