Zachariae Isstrom. O glaciar que está a deixar os cientistas preocupados

Glaciar está a despejar grandes icebergues no oceano, que levarão a subida do nível do mar nas próximas décadas.
A forma e o deslocamento do Zachariae Isstrom, um enorme glaciar da Gronelândia, mudou dramaticamente nos últimos anos, alertou esta quinta-feira Jeremie Mouginot, investigador do departamento científico da Universidade Californiana de Irvine (UCI).
O glaciar está a despejar “grandes icebergues no oceano, no que resultará na subida do nível do mar nas próximas décadas”, referiu o investigador.
As descobertas baseiam-se em imagens de satélite recolhidas ao longo dos anos pelas agências espaciais e pela monitorização da forma, tamanho e posição do glaciar durante um largo período de tempo.
O aquecimento das águas dos oceanos estão a corroer os glaciares por baixo e o aumento das temperaturas do ar a derretê-los à superfície.
“Zachariae Isstrom está a ser comido por cima e por baixo”, declarou, por seu turno, Eric Rignot, professor de ciências do sistema terrestre da UCI.
O topo do glaciar está a derreter em resultado de décadas em que se registou um aumento das temperaturas do ar, enquanto a parte submersa está comprometida pelas correntes de água quentes. Isto provoca a quebra do glaciar em pedaços, fazendo-o recuar”, relatou o especialista.
Outro grande glaciar junto do Zachariae Isstrom – conhecido por Nioghalvfjerdsfjorden – também está a derreter, mas não de forma tão rápida porque está protegido pelo relevo.
Estudos indicam que estes dois glaciares possuem cerca de 12 por cento do gelo da Gronelândia e que o seu colapso total causaria uma subida global dos oceanos em 99,06 centímetros.
O glaciar Zachariae Isstrom estende-se por uma área de 91,780 km2.
Lusa

Clima: oceanos na agenda oficial da COP21

A ministra francesa da Ecologia, Ségolène Royal, anunciou que o debate sobre a preservação dos oceanos fará pela primeira vez parte da agenda oficial da cimeira mundial sobre o Clima, que arranca a 30 de Novembro em Paris. A capital francesa viu chegar, para a ocasião, o veleiro “Tara”, que se dedica há uma década ao estudo da vida marinha do planeta.

Fonte: Euronews

Em Novembro, Peniche promove o Mar

Cultura, Desporto, Economia, Educação, Investigação e Sensibilização Ambiental
Numa organização conjunta da Câmara Municipal de Peniche, do Peniche Surfing Clube e da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar – Politécnico de Leiria, Novembro – mês do mar 2015 incluirá um conjunto diverso de eventos que abordarão a Cultura, o Desporto, a Economia, a Educação, a Investigação e a Sensibilização Ambiental.
Novembro – mês do Mar pretende ser uma vez mais uma iniciativa que irá promover um dos maiores recursos locais e nacionais. A programação da edição 2015 incluirá uma vertente cultural – exposição de bússolas de Estevão Henriques – À procura de um rumo e a Poesia anda por Aí; uma componente desportiva – bodyboard meeting 2015, campeonato Alemão e Austríaco de SUP Wave; uma abordagem à educação e formação (ESTM na formação da cidadania para o Mar, livro Peixes Marinhos de Portugal); não esquecendo a economia e turismo (Actividades marítimo-turísticas na Reserva da Biosfera das Berlengas, Peniche Seabird count 2015) e a investigação científica (lixo na costa alguém gosta? e plataformas oceanográficas).
A promoção e divulgação do mar, incluirá igualmente a exibição de documentários produzidos e realizados pelo Politécnico de Leiria sobre a identidade marítima, nomeadamente o Fishtour – uma experiência única na rota da sardinha e Lagoa de Óbidos – o património e as gentes.
A organização Novembro – mês do Mar 2015 é da responsabilidade da Câmara Municipal de Peniche, do Peniche Surfing Clube e da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar – Politécnico de Leiria, contando com o apoio do MARE-IPLeiria, Forum Estudante, Núcleo de Estudantes de Biologia Marinha e Biotecnologia, SPEA, GITUR – Grupo de Investigação em Turismo, ICNF, GAC Oeste, Centro Formação Centro-Oeste e Associação David Melgueiro.
Mais informações em www.cm-peniche.pt ou www.ipleiria.pt/estm ou www.ppsc.pt



Dia Nacional do Mar: SPEA lança «Atlas das Aves Marinhas de Portugal»

No Dia Nacional do Mar, que se assinala hoje, a SPEA lança o “Atlas das Aves Marinhas de Portugal”. A obra, editada em livro mas também disponível através de uma plataforma digital, resulta de uma parceria com o ISPA e o MUHNAC, e será apresentada no Oceanário de Lisboa.
“O Atlas das Aves Marinhas de Portugal representa a mais completa e detalhada caracterização até hoje realizada da distribuição e da abundância de aves marinhas e costeiras que utilizam as águas portuguesas”, revela a SPEA em comunicado.
São 65 as espécies visadas sendo, em cada caso, indicado o tipo e frequência de ocorrência em Portugal continental, nos Açores e Madeira e apresentado um mapa em que é possível apreciar as variações sazonais na probabilidade de ocorrência, bem como na densidade e presença de acordo com os dados recolhidos por mais de 150 observadores a partir de embarcações e durante censos costeiros.
Para cada espécie é ainda disponibilizada informação sobre a distribuição, movimentos e fenologia, abundância e tendências populacionais, ecologia e habitat e, por fim, ameaças e conservação com base em fontes bibliográficas devidamente referenciadas.
Joana Andrade, coordenadora do Departamento de Conservação Marinha da SPEA considera que a obra agora apresentada é “um marco na história da ornitologia em Portugal”. Por seu lado, Iván Ramirez, coordenador da Birdlife que colaborou na edição do Atlas, acredita que este “está destinado a ser um exemplo a seguir no mundo da ornitologia marinha, não só pela quantidade e qualidade dos dados, mas também porque é o primeiro que combina uma publicação “tradicional” e uma plataforma interactiva que permitirá conhecer e divulgar mundialmente a distribuição de todas as espécies, algumas das quais extremamente raras de ver no mar”.
A publicação do Atlas foi cofinanciada pelo Espaço Atlântico e patrocinada pelo INAQUA, FCT e Swarovski Optik. A obra será apresentada às 18 horas num evento em que será ainda dado a conhecer o spot do projecto LIFE Berlengas, que também envolve a conservação de aves marinhas.
Atlas das Aves Marinhas de Portugal online 

Universidade do Porto decidiu "dar a mão" ao Mar

Com os pés encostados à água, o Polo do Mar acolhe projectos empreendedores que prometem impulsionar um sector da economia onde Portugal é rico em recursos.

Foi uma vontade a três que começou a ser desenhada em 2008 e abriu portas dois anos depois. A Universidade do Porto, a Administração do Portos de Leixões (APDL) e a Câmara Municipal de Matosinhos uniram-se e assim nasceu o Polo do Mar, que faz parte do Parque de Ciência e Tecnologia (UPTEC) e acolhe jovens empreendedores que querem apostar nesta área.
A responsável, Susana Pinheiro, salienta a convergência de interesses.
O Polo do Mar vive perto do mar, no Porto de Leixões, e não é por acaso, como sublinha Susana Pinheiro. “As empresas têm necessidade de fazer testes, daí a importância de estarem junto da água”.
Dez empresas e 50 postos de trabalho. São estes os números do Polo do Mar. Alexandre Sousa, da OceanScan, foi dos primeiros inquilinos. A parceria com o Polo do Mar traz, à empresa, uma proximidade ímpar, porque “esta é uma empresa de tecnologia. Aqui temos acesso às novidades ao nível da investigação mais rapidamente”.
Alexandre Sousa e Susana Pinheiro partilham a ideia que o mar, em Portugal, é ainda um oceano de oportunidades empresariais. No caso de Alexandre, no próximo ano vai recrutar mais funcionários. Susana espera pela abertura do CIIMAR – Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental -, para captar mais negócios para o Polo do Mar.
Fonte: TSF


Marinha Portuguesa recebe prémio nos EUA

A Marinha Portuguesa foi distinguida com o prémio internacional ‘Balanced Scorecard Hall of Fame for Executing Strategy’, durante a 15.ª Cimeira Anual Global da Palladium, nos Estados Unidos da América (EUA) anunciou a instituição. 

“O prémio, entregue pelos criadores do modelo de gestão estratégica ‘Balanced Scorecard’ (BSC), Dr. David Norton e Professor Robert Kaplan da Universidade de Harvard [Estados Unidos da América], foi o primeiro a ser atribuído a uma entidade nacional e distingue a Marinha, e toda a sua subestrutura, pelo esforço efectuado na adaptação deste modelo de gestão estratégica à realidade da organização”, lê-se numa nota da Marinha Portuguesa. 

O prémio foi atribuído pelo grupo Palladium, uma empresa de consultoria em gestão estratégica. 

A Marinha informa também que se junta a cerca de duas centenas de organizações públicas e privadas a nível mundial, que foram reconhecidas nos últimos 15 anos “pela excelência da sua execução estratégica”. 

O prémio ‘Balanced Scorecard Hall of Fame for Executing Strategy’ foi criado em 2000 “com o objectivo de reconhecer publicamente as organizações que, a nível mundial, usam a metodologia ‘Balanced Scorecard’ para executar com sucesso as suas estratégias e alcançar resultados de desempenho excepcionais”. 

A nota refere ainda que os cinco lados prémio, em cristal, representam os “cinco princípios de uma organização orientada para a estratégia”.

Fonte: TVI

Contentores afundam no último trimestre. Portos Nacionais ressentem-se.


Uma enorme queda geral no mercado dos envios em grande escala por contentor ao nível global, tem marcado fortemente o panorama do Sector Portuário. Todos os Portos ressentem-se, perante uma crise em tudo semelhante a de 2009, em que os armadores fazem redução de custos perante a falta de trabalho e procura por parte das empresas. Portugal não é excepção, e todos os portos nacionais tem-se ressentido perante uma forte quebra na movimentação. Se no Porto de Lisboa, a situação não é favorável, porque para além da quebra de movimentos derivadas da falta de confiança dos investidores devido às greves de anos anteriores, a venda da Tertir, gestora de terminais portuários aos turcos da Yildirim, com a forte possibilidade de saída de pessoal, devido à caducidade do contrato colectivo de trabalho, abriu brechas entre Estivadores e o Patronato, inclusive já com um período de greve de 10 dias marcado, começando no próximo dia 14. Mais a sul, no maior terminal portuário de Portugal, em Sines, a situação de quebra é fortemente notória, ficando o Terminal XXI possivelmente pouco acima do atingido o ano passado. Num Terminal em que predomina o Transhipment, com concorrência forte, principalmente em Tânger Med, a quebra já fez os seus estragos. Num panorama claramente desfavorável, as dispensas de trabalhadores em Sines já se fizeram sentir, perante as descidas de movimentos, e mesmo nos armadores, nomeadamente na Maersk, [ parte integrante com a MSC na Aliança 2M], já anunciou que irá dispensar 4 mil Trabalhadores de modo a redimensionar a empresa, para passar esta fase decrescente que não poupa todos os cantos do globo. A nível nacional, a indefinição política em Portugal, também não está a ajudar o Sector, porque enquanto não houver essa clarificação, muitos dos projectos-lei e reformas para o Sector, ficarão em banho-maria. A nível internacional, o afundar das economias emergentes, mas em especial a queda da Economia Chinesa, [ Que tem a menor taxa de crescimento desde 2009 ], não augura nada de bom para este sector, em virtude, não só da queda do crescimento chinês, mas também da anunciada mudança de paradigma económico na China, que irá dar maior ênfase no consumo doméstico, em detrimento das exportações e investimento, que asseguraram três décadas de trepidante crescimento económico. 2016 é uma profunda incógnita para o Sector Portuário, com previsões em baixa, quebra de investimento e com as estratégias em stand by na expectativa de ver o que vai acontecer de seguida.

Estudo faz mapa do lixo jogado nos Oceanos

É sujidade para todos os lados. A poluição dos oceanos atinge locais isolados e de protecção ambiental, como a costa da república de Palau, um santuário marinho. A maior parte dos resíduos é plástico que vem de longe, trazido pelas ondas. O levantamento desse problema ambiental está sendo feito por investigadores suíços que integram a expedição Race for Water Odyssey. No passado dia 5, a embarcação que saiu há 300 dias de Bordéus, na França, chegou ao Rio de Janeiro.
Ao todo, a expedição já percorreu 32 mil milhas náuticas até agora (um pouco mais de uma volta em torno da Terra), recolhendo dados, cujo resultado será apresentado até o ano que vem. Mas o que já sabem é preocupante: 80% da poluição dos oceanos é composta por plásticos, segundo amostras de resíduos retiradas pela equipe da Race for Water. Estima-se que a humanidade produz 250 milhões de toneladas de plástico cada ano, dos quais 10% acabam no mar. Plástico esse que poderia ser drasticamente reduzido com mudança de consumo, já que 35% são usados apenas uma vez e logo descartado. 
“Encontramos plástico em todo lugar, mesmo em áreas isoladas e bem preservadas”, explica Marco Simeoni, presidente da Race for Water e organizador da expedição. Em conversa com jornalistas, Simeoni explicou que embora seja possível encontrar resíduos em qualquer lugar, existem cinco grandes áreas que concentram a poluição devido às correntes marítimas. São as chamadas zonas de convergência. As manchas de poluição estão distribuídas nos oceanos Atlântico (Sul e Norte), Pacífico (Sul e Norte) e Índico, numa área que, juntas, totaliza duas vezes o tamanho do Brasil.  

Uso sustentável dos nossos Oceanos

A proximidade do mar é algo que nós, humanos, sempre desejamos porque as costas oferecem várias oportunidades e benefícios para os que aí residem. Porém, com o rápido crescimento da população mundial, precisamos pensar sobre o futuro dos nossos oceanos e costas. A pressão sobre os nossos oceanos aumentou imensamente, principalmente devido ao uso humano, mas os recursos marinhos não são infinitos. Como se pode conciliar o uso e a conservação? Que critérios devem ser utilizados para avaliar os possíveis caminhos de desenvolvimento para um uso sustentável do ambiente marinho? Que medidas práticas devemos tomar para garantir esse uso sustentável? Que tipos de acordos de compensação devem ser estabelecidos entre vencedores e perdedores? E o que exactamente faz a “sustentabilidade” – palavra que é uma das mais utilizadas actualmente – em relação aos oceanos e as regiões costeiras?    
Esta quarta edição do “World Ocean Review”, intitulada “Uso sustentável dos nossos oceanos – colocando as ideias para funcionar” (WOR 4) e publicada pela maribus gGmbH, organização sem fins lucrativos com apoio da revista mare, do Instituto Oceânico Internacional (International Ocean Institute – IOI) e do pólo de excelência “Oceano do Futuro” analisa a sustentabilidade e os oceanos do ponto de vista mundial. “Sustentabilidade” se tornou uma das palavras mais exageradamente utilizadas actualmente e seu significado varia de acordo com a definição ou o contexto. Os colaboradores do WOR do pólo de excelência “Oceano do Futuro” relacionam a teoria da sustentabilidade com a pesquisa sobre novas maneiras de gestão responsável os oceanos e seus recursos. Apresentam os robustos conceitos científicos de maneira clara e acessível para o leitor não especializado, e mostram como a sociedade civil e os responsáveis pela criação de políticas também podem fazer uma contribuição significativa. 
“Com o ‘World Ocean Review’, o nosso objectivo é dar ao público em geral as ferramentas básicas para aguçar o seu entendimento sobre a sustentabilidade, fornecendo informações abrangentes sobre os vários serviços prestados pelo oceano”, disse o professor Martin Visbeck, porta-voz do “Oceano do Futuro”, pólo de excelência dos cientistas de Kiel, e oceanógrafo do GEOMAR Centro Helmholtz para a Pesquisa Oceânica, em Kiel. “O progresso para o uso sustentável dos oceanos é possível se todos os grupos envolvidos trabalharem juntos. Para uma agenda de desenvolvimento sustentável global, portanto, é essencial coordenar os vários tipos de uso e a protecção do ambiente marinho de forma mais eficaz, especialmente em termos transnacionais.” 
O “World Ocean Review” oferece também uma visão detalhada dos vários serviços ao ecossistema prestados pelos oceanos para as comunidades humanas, como produção de oxigénio, alimentos, energia das ondas e eólica, e rotas para transporte marítimo. Examina o papel dos recursos não renováveis como petróleo, gás e agregados marinhos (por ex., cascalho e areia) e mostra como as dunas e barreiras podem proteger a região costeira. Hoje, vários desses serviços estão ameaçados pela exploração exagerada, poluição e emissão de gases de efeito estufa. Além de identificar as causas, o WOR 4 define a dimensão do problema e mostra as tentativas que estão sendo feitas em várias disciplinas científicas para desenvolver modelos e hipóteses viáveis através de descobertas de teóricos da sustentabilidade que podem ser traduzidas em estratégias sociais, políticas e económicas com relevância prática. 
“A conservação marinha é mais eficaz quando o próprio público toma medidas. Um público bem informado e que tenha um bom entendimento sobre o ambiente marinho pode fazer a pressão necessária para promover mudanças de políticas”, disse Nikolaus Gelpke, Director geral da maribus gGmbH, editor da mareverlag e presidente do IOI. “Para isso, porém, é geralmente necessário fornecer apoio de modo que as pessoas possam assumir responsabilidade pela gestão sustentável do seu ambiente. A criação dessa capacidade é agora algo necessário em matéria de política no mais alto nível e faz parte da nova agenda mundial sobre sustentabilidade das Nações Unidas.”  

A Internet é um Mar de cabos

Imagine que está num terraço em Lisboa e envia uma mensagem de WhatsApp para um amigo que vive no Rio de Janeiro, no Brasil. O telemóvel dele apita em menos de um segundo. O recado foi à velocidade da luz. Parece que voou, mas, na verdade, foi a nado. Mergulhou no Atlântico. Mais de 99% das comunicações entre continentes são feitas através dos 900 mil quilómetros de cabos instalados debaixo do mar. Eles ajudaram a Internet a crescer e os preços das comunicações a baixar – na prática, ajudaram o mundo a encolher.
Terá sido mais ou menos isso que sentiram Vitória de Inglaterra e James Buchanan em Agosto de 1858, quando o primeiro cabo transatlântico fez um telegrama da Rainha chegar ao então Presidente dos Estados Unidos. A festa foi tão grande que houve fogo-de-artifício. E prejuízo – a câmara de Nova Iorque pegou fogo e o cabo avariou ao fim de 26 dias. Por essa altura, um cabo submarino suportava 48 chamadas internacionais em simultâneo e cada uma custava 3 dólares por minuto (21 euros hoje). Em 1866, quando se conseguiu assentar no fundo do mar um cabo mais durável, um telegrama custava 10 dólares por palavra (136 euros).

Feliz Natal ao tio do Brasil
Às 7h25 do dia 8 de Junho de 1870, o Rei D. Luís recebia, no Palácio da Ajuda, a primeira mensagem telegráfica da história de Portugal – a Rainha Vitória de Inglaterra felicitava-o pela ligação. Pouco depois, o Rei português enviaria uma mensagem de feliz Natal ao tio, o Imperador Pedro II do Brasil.
Três décadas depois, um cabo passou a poder suportar 7.560 conversas em simultâneo. No ano 2000, o SEA-ME-WE 4, que liga a Austrália, Ásia e Europa, transportava 40 GB (oito DVDs) de informação por segundo.
Hoje, os cabos mais modernos transportam 1.600 vezes mais. É esta rede que liga os arquipélagos dos Açores e da Madeira entre si e ao continente – o satélite é usado em situações de excepção (é muito mais caro). A estrutura é tão importante que não é raro ser objecto de discórdia.
Os cabos que chegam às ilhas são propriedade da Portugal Telecom – há anos que os operadores concorrentes se queixam dos preços cobrados pelo aluguer da rede. Na semana passada, a Anacom impôs uma redução de 50%. A dona da Meo não quis comentar o assunto.
E há desacordos de muito maior envergadura – alguns até metem espiões. Em 2013, o The Guardian noticiou que os serviços secretos do Reino Unido tinham acedido a vastos fluxos de informação pessoal e sensível (telefonemas, emails, histórico de navegação na Internet) transportada através de cabos submarinos e que a tinham partilhado com a Agência de Segurança Nacional norte-americana. Não foi uma estreia: durante a guerra fria, os norte-americanos também mergulharam até aos cabos para espiar os russos.

Fonte: Público