Pesca portuguesa é a que mais captura acima do recomendado pelos cientistas

Quotas negociadas entre Portugal e Espanha com UE excedem, em média 37% as recomendações científicas.


Portugal é um dos países europeus com mais capturas pesqueiras acima do recomendado pelas entidades científicas, com aumentos de quota a exceder 37% os conselhos dos cientistas, disse um responsável da Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena) nesta quarta-feira.

“Portugal e Espanha, em termos de stocks pesqueiros, são dos piores, os que mais desrespeitam os pareceres científicos”, afirmou Gonçalo Carvalho, que falava num encontro com jornalistas sobre o ponto de situação da Política Comum de Pescas (PCP).

“Os ministros portugueses, com os espanhóis, negociaram os maiores aumentos de quota pesqueira da União Europeia (EU), excedendo em média 37% as recomendações científicas”, explicou Gonçalo Carvalho.

Os ministros das Pescas da UE reúnem-se a 14 e 15 de Dezembro para definir as quotas de capturas para o próximo ano, depois da proposta da Comissão Europeia e da análise do Parlamento Europeu, tendo em conta os pareceres científicos acerca do estado dos stocks.

Na Europa, apesar dos objectivos definidos na nova PCP, em vigor desde Janeiro de 2014, com metas ambientais “claramente definidas”, a Sciaena conclui que “a sobrepesca não está a diminuir conforme o desejado” e mesmo naquele ano, “a maior parte dos totais admissíveis de captura (TAC) foi fixada acima do recomendado pelos pareceres científicos”.

Aliás, a proposta da Comissão Europeia para 2016 continua neste caminho e “não segue os pareceres científicos para vários stocks”, um sinal de que dificilmente serão conseguidos os objectivos marcados para 2020 de acabar com a sobrepesca.

As organizações não-governamentais, principalmente da defesa do ambiente, têm vindo a alertar que várias espécies, como a sardinha, enfrentam problemas e a sustentabilidade das pescas exige limites nas capturas.

“Não somos contra a pesca, mas a sua gestão deve ser sustentável para garantir o futuro da actividade a longo prazo”, disse o biólogo da Sciaena, acrescentando que o assunto deve ser tratado como um objectivo político de curto prazo.

Para Gonçalo Carvalho, como para a generalidade das organizações não-governamentais das pescas (reunidas na PONG Pesca), é necessária uma mudança na forma como este assunto é gerido.

“Falta mudar a postura política”, realçou o especialista, e explicou que “Portugal continua a actuar politicamente como se tivesse uma frota industrial”, o que já não acontece, depois da redução exigida pela UE.

Portanto, “não tem capacidade para esgotar um recurso e passar para o próximo. Falta esta percepção a nível político”, defendeu.

Assim, “é preciso gerir bem o que temos, de forma sustentável, e permitir uma actividade económica estável e rentável”, resumiu Gonçalo Carvalho.

Questionado acerca do papel das alterações climáticas na evolução das espécies pescadas, o responsável da Sciaena disse que “é difícil quantificar” os efeitos destas mudanças, como o aumento da temperatura do mar, na evolução dos stocks, e “incorporá-los nos planos de gestão”, mas os especialistas estão a tentar.

Fonte: Público

Antuérpia recebe pórticos de 50 metros de altura

O porto de Antuérpia recebeu cinco pórticos de cais com 50 metros de altura, no âmbito do programa de expansão e modernização do MSC PSA European Terminal (MPET)

Estes “monstros”, que chegaram ao porto belga a bordo do Zhen Hua 27, navio de carga especial com bandeira de Hong Kong, podem operar navios com até 25 filas de contentores.
De acordo com o MPET, o terminal vai mudar-se de Delwaide (margem direita), onde está desde 15 de Junho de 2005, para Deurganckdock (na margem esquerda) para apoiar a expansão. Os responsáveis pelo MPET, que é uma joint-venture da PSA International e da Terminal Investment Limited (braço da MSC para o negócio dos terminais de contentores), prevêem que o terminal atinja uma capacidade de nove milhões de TEU, tornando-se no maior da Europa.
Nos primeiros nove meses de 2015, o porto de Antuérpia movimentou 156,5 milhões de toneladas, mais 5,5% do que no período homólogo do ano passado. Os responsáveis pelo porto belga acreditam estar no bom caminho para atingir 200 milhões de toneladas movimentadas no total do ano, o que será um recorde.
Fonte: T e N


Porta-contentores inactivos somam 1,24 milhões de TEU

A frota inactiva de navios porta-contentores atingiu, de acordo com a Alphaliner, 306 navios, com uma capacidade acumulada de 1,24 milhões de TEU.


Este valor representa 6,3% da frota mundial em capacidade, e é um máximo de cinco anos. Aquele número é mais elevado em 280 mil TEU que o anterior recorde de 1,52 milhões de TEU, registado em Dezembro de 2009.
Segundo a Alphaliner, a dimensão média dos navios imobilizados por falta de trabalho atingiu os 4 050 TEU, o que é um novo pico, resultado do facto de haver cada vez mais navios acima de 7 500 TEU a pararem. O maior  de todos é um Triple-E de 18 000 TEU da Maersk Line.
“Com as previsões a apontarem para que a procura no Ásia-Europa se mantenha fraca, ao mesmo tempo que as rotas trans-Pacífico entram na sua época baixa, o número de navios inactivos deverá aumentar nas próximas semanas”, remata o relatório da Alphaliner.
Fonte: T e N


França adopta novo regime de trabalho portuário

Ao cabo de dois anos de concertação, a França aprovou um novo regime laboral para os trabalhadores portuários. Os dirigentes sindicais satisfeitos mas atentos.


O objectivo da proposta de lei socialista é simplificar e clarificar o regime do trabalho portuário. A versão aprovada pelo Senado francês resultou da comissão mista paritária de deputadas e senadores. A proposta havia sido aprovada pela Assembleia Nacional no passado dia 17 de Novembro.
O diploma aprovado tem como base as conclusões, enviadas há praticamente um ano ao secretário de Estado dos Transportes francês, de um grupo de trabalho com os parceiros sociais implicados na actividade portuária. Este grupo foi criado em 2013, depois de terem sido encontradas ambiguidades na legislação, com o progressivo desaparecimento do estatuto dos estivadores temporários, que existia desde 1947, em favor da contratação mensal de estivadores profissionais, de acordo com a lei Le Drian, de 1992.
A proposta agora aprovada consolida o princípio da prioridade de emprego para os trabalhadores portuários e moderniza a definição do que é, e do que não é, trabalho portuário. Além disso, prevê a instituição de um acordo de incidência nacional entre os operadores portuários e os representantes dos trabalhadores portuários.
O secretário de Estado dos Transportes francês, Alain Vidalies, citado nos media gauleses, disse acreditar que “foi encontrada a solução adequada”. A confederação de sindicatos de trabalhadores portuários, CGT FNPD, também mostrou satisfação com a aprovação da proposta, mas salientou que “vai estar vigilante” quanto à regulamentação da lei, à definição do perímetro do trabalho portuário e à instauração do anunciado convénio nacional.
Fonte: T e N


Tanger Med regista descida de 11,5% no tráfego de contentores

No terceiro trimestre deste ano, o porto de Tanger Med, em Marrocos,  movimentou tráfegos de contentores que perfizeram 707 mil TEU, registo que representa um decréscimo de 11,5 % em relação à marca de  799 mil TEU movimentados pelo porto marroquino no período homólogo de 2014. 

O tráfego doméstico totalizou 26 mil TEUs (registando um decréscimo de 10,6% em relação ao terceiro trimestre de 2014), dos quais 12 mil TEUs em importações (queda de 5,7% em relação ao período homólogo) e 13 mil TEUs em exportações (nova queda, esta de 14,8 %), enquanto o tráfego de transbordo totalizou 681mil TEUs (descida de 11,5 % em relação a igual período de 2014).

Nos primeiros nove meses de 2015, o tráfego de contentores total representou cerca de 2,3 milhões de TEUs  uma queda de 1,0% em comparação com Janeiro- Setembro do ano passado. O tráfego doméstico ascendeu a 83 mil TEUs (+ 0,8%),  dos quais 41 mil TEUs em importações (-2,1%) e 42 mil TEUs em exportações ( + 3,8%) . O transbordo ascendeu a 2,2 milhões de TEUs (-1,0%).

Fonte: Cargo.

Taxa média de carga de contentores atinge mínimos históricos

Segundo informações avançadas pela analista de mercado Alphaliner, as taxas médias de carga de contentores caíram para seus níveis mais baixos da História, com perspectivas de uma queda ainda mais acentuada com o mercado a entrar agora na difícil temporada de Inverno, tradicionalmente lenta em termos de negócio, de acordo com a analista de mercado Alphaliner .

Os resultados são sintomáticos de uma quebra global: a China Index Freight Container (CCFI ) caiu para para os 752 pontos na semana passada, o menor nível já registado desde que o índice CCFI foi publicado pela primeira vez em 1998, analisa a Alphaliner, que afirma que as condições terríveis foram espelhadas pelos dados operacionais preliminares, do terceiro trimestre de 2015, da Maersk, OOCL e Hapag -Lloyd, todas relataram uma receita de frete média significativamente baixa.

Inclusivamente, a gigante Maersk foi forçada a anunciar uma revisão em baixa da sua estimativa no que aos ganhos diz respeito, reduzindo a sua previsão de lucro para o seu negócio de transporte de contentores (para o segundo semestre de 2015) de mais de mil milhões de dólares para 400 milhões de dólares. A Alphaliner prevê que as taxas de frete permaneçam débeis nos próximos dois meses.

Fonte: Cargo

Devido à greve, Hapag-Lloyd troca Porto de Lisboa pelo de Leixões

O anúncio aconteceu na passada Quarta-feira: a gigante armadora Hapag-Lloyd comunicou aos agentes portuários que não voltará a fazer escala no Porto de Lisboa enquanto a greve decretada pelo Sindicato dos estivadores (no dia 14 de Novembro, prevista até dia 11 de Dezembro) estiver em vigor. A companhia alemã trocará o Porto de Lisboa pelo de Leixões no serviço entre o Mediterrâneo e o Canadá (MCA – Mediterranean Canada Service), que tem operado regularmente no porto de Lisboa.

O jornal ‘Diário Económico’ teve acesso à carta enviada pela Hapag-Lloyd aos operadores portuários, e, nas razões para preterir o Porto de Lisboa ao de Leixões, a companhia alemã esclareceu que “o porto de Lisboa informou-nos que as paralisações laborais causaram restrições ao serviço, não sendo actualmente previsível quanto tempo durarão estas paralisações”. 

“Perante isto, queremos informá-los que devido à greve, a Hapag-Lloyd decidiu suspender a escala de Lisboa do MCA [serviço entre o Mediterrâneo e o Canadá] até surgirem novidades respeitantes à confiança programável”, transcreve o ‘Diário Económico na sua edição online. A greve dos estivadores dura há mais duas semanas e esta decisão é o primeiro efeito palpável imediato da paralisação decretada Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal.

A greve dos estivadores quebra, assim, um hábito da Hapag-Lloyd que perdura há já vinte anos, o de efectuar escala no Porto de Lisboa no seu serviço Mediterranean Canada Service da Hapag-Lloyd. 



Fonte: Cargo

Como limpar os Oceanos? Jovem de 21 anos explica

O problema dos resíduos nos oceanos, geralmente fora do frenesim dos media, é um dos que gera mais impacto ambiental no planeta. Segundo diversos especialistas, a quantidade de lixo que deixamos acumular todos os anos no Pacífico, no Atlântico e no Índico já é suficiente para formar uma ilha. 
Fazer uma barrela em alto mar é difícil, senão impossível. Mas há um projecto liderado por um jovem holandês de 21 anos, Boyan Slat, que o lançou em finais do ano passado e que agora chegou, graças ao mecenato pela internet e outros apoios, aos 15 milhões de euros de orçamento inicial.
Se a quantia parece grande, os números cedo se irão dissolver no oceano: o sistema concebido por Slat, que agora dirige uma equipa de engenheiros, chama-se Ocean Cleanup Array e consiste em barreiras flutuantes em forma de V para recolher os resíduos e, aproveitando as marés, levá-los para um local predeterminado. A partir daí, a missão será concluída por navios que os irão transportar para um local em terra, onde deverão ser reciclados.
O sistema piloto, de 2km, será testado em águas japonesas em 2016, mas o sistema já passou por algumas provas anteriores, na Holanda, onde, num tanque, se reproduz o movimento das marés e se simulam intempéries, para testar a resistência das barreiras.   
Fonte: Sol

Oceanos, a grande emergência


A massa de água que recobre mais de dois terços do planeta funciona como um “integrador do clima” e limita a extensão das mudanças climáticas por dois motivos principais. De um lado, absorve a quase totalidade do calor que se acumula na atmosfera: os oceanos armazenaram 93% do excesso de calor provocado pelo aumento de gases de efeito estufa (1), ao preço de seu próprio aquecimento e elevação dos níveis do mar, principalmente através da expansão e derretimento da camada de gelo da Groenlândia. Por outro lado, os oceanos capturam uma parcela significativa (28% desde 1750) de dióxido de carbono (CO²) gerado por actividades humanas, desta vez à custa do aumento da acidez da água do mar.
Uma função reguladora
Os oceanos exercem essa função reguladora em detrimento de si mesmos, pois se deterioram à medida em que atenuam as mudanças climáticas. Menos espectaculares que a elevação do nível dos mares, as perturbações físicas e químicas que resultam disso afectam consideravelmente os ecossistemas marítimos e, consequentemente, a humanidade inteira. O aquecimento e a acidificação dos oceanos tornam mais difícil a calcificação essencial de alguns organismos marinhos (corais, moluscos); muitos recifes de coral ficam esbranquecidos pela destruição da simbiose que eles têm com zooxantelas; os fitoplânctons diminuem em regiões mais quentes; a cadeia alimentar dos peixes é perturbada; algumas espécies têm de migrar para regiões mais frias, mas nem todas podem fazê-lo …
Contudo, a despeito do papel crucial dos oceanos para a segurança alimentar de centenas de milhões de indivíduos, as discussões internacionais conduzidas sob a égide da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas não lhes concederam senão um papel menor (leia o dossiê do Le Monde Diplomatique francês, “Como evitar o caos climático?“). É por isso que os investigadores (2) reunidos na Iniciativa Oceanos 2015 (3) enviaram aos negociadores da conferência de Paris um resumo das alterações em curso e as projectadas daqui até o final do século, com suas consequências para os ecossistemas do oceano ou para os bens e serviços que eles prestam. Dois cenários foram levados em conta: a manutenção das emissões de gás de efeito estufa segundo a curva ascendente actual – hipótese pessimista – ou sua redução, de maneira a limitar a alta da temperatura do planeta a 2°C no decorrer do século XXI – hipótese optimista.
Impactos irreversíveis
Além da limitação estrita das emissões de CO², a “comunidade internacional” deve assegurar a proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros, a restauração daqueles que foram danificados, e permitir que as sociedades que dependem dos recursos marinhos se adaptem. Algumas dessas medidas já foram objeto de experimentação em nível local, mas a margem de manobra se estreita à medida em que o mundo se afasta do objetivo dos “+ 2°C” e os oceanos se aquecem e se acidificam. Por exemplo, quanto mais os recifes de coral são degradados, menos eles serão capazes de resistir, e mais difícil será salvá-los. Outras pistas são contraditórias, como as chamadas técnicas de “gestão da radiação solar”, que propõem reduzir artificialmente o aquecimento global, aumentando a quantidade de radiação refletida para o espaço: uma solução que pode frustrar os incentivos de redução de emissões de CO² e, no entanto, não fornece qualquer solução para a acidificação dos oceanos.
Do inventário preparado pela iniciativa Oceanos 2015 surgiram quatro mensagens principais. Em primeiro lugar, os oceanos exercem uma influência decisiva sobre o sistema climático e a prestação de serviços humanos essenciais. Em seguida, os ecossistemas marinhos e costeiros já estão sofrendo de uma degradação em grande parte visível que não deixará de se agravar, mesmo no pressuposto optimista de uma redução das emissões globais de CO² – especialmente porque, o que quer que aconteça, os danos infringidos aos mares serão sentidos em todas as latitudes, tornando-se um problema global. Em terceiro lugar, uma limitação imediata e substancial de gases de efeito estufa, incluindo as emissões de CO², é um pré-requisito para evitar que excedam os limites de impactos irreversíveis para os oceanos. Todo tratado que não permita limitar o aquecimento global a 2°C conduzirá a consequências catastróficas para os nossos oceanos. Por último: quanto mais aumenta o teor de CO² na atmosfera, menos teremos meios para proteger os oceanos e restaurar ecossistemas degradados.
Projecto de civilização
Sabendo o espaço mínimo que foi concedido aos oceanos em cúpulas internacionais anteriores sobre o clima, os autores desta síntese defendem uma mudança radical de perspectiva: a COP21 deve finalmente tomar as medidas necessárias e propor projecto de civilização mais virtuoso para o mundo de amanhã. O futuro dos oceanos depende da quantidade de carbono que será emitido nas próximas décadas. O cenário optimista, o mais obrigatório, consiste em dividir por seis a quantidade de CO² que seria emitida até o final deste século sob a hipótese de uma ausência de regulamentação (cenário pessimista). Essa limitação deve mesmo ser reforçada, uma vez que a capacidade dos oceanos para absorver CO² será reduzida ao longo do tempo. As escolhas feitas durante a COP21 terão, portanto, graves consequências para os oceanos.
De acordo com os cenários, a taxa de acidez poderia ter crescido entre 38% a 150% entre a revolução industrial e o final deste século, enquanto os níveis médios dos oceanos poderiam ter subido um total de 60 a 86 centímetros entre 1901 e 2100. Por fim, o índice de oxigénio dos oceanos não vai parar de cair, de modo mais ou menos acentuado, dependendo do cenário a ser seguido, afectando a vida marinha em todas as suas formas.
Os corais tropicais já estão severamente afectados pelo aquecimento e a acidificação, bem como plantas marinhas de latitudes médias, pteropodes (caracóis marinhos) e krills (plânctons formados de crustáceos de altas latitudes, os moluscos bivalves de baixas latitudes e peixes em geral. Na hipótese mais favorável, o estado dos corais tropicais e dos bivalves de latitudes médias permanecerá muito preocupante. No entanto, no caso de continuidade das emissões de CO² no ritmo actual, o aquecimento teria um impacto desastroso sobre todos esses organismos, com migrações em grande escala, mortalidade em massa e uma redução da biodiversidade marinha na zona intertropical. Estes resultados, a partir do cruzamento de experiências, observações de campo e projecções do modelos, estão em consonância com a orientação fornecida pelo estudo de outros períodos da história do nosso planeta marcados por forte presença de CO² na atmosfera – em especial relacionada à actividade vulcânica.
Uma fonte vital de renda
As consequências dessas mudanças dos ecossistemas marinhos seguiriam também uma trajectória mais ou menos nefasta, segundo o cenário escolhido. Se o ritmo actual das emissões de gases de efeito estufa se mantém, a pesca será seriamente comprometida, particularmente na zona intertropical, onde constitui uma fonte vital de proteínas e de renda para milhões de pessoas. Os impactos seriam igualmente tremendos sobre os ecossistemas costeiros, que servem para proteger a terra (recifes de corais, mangues, plâncton vegetal), a aquicultura e o turismo.
Os danos gerados pelo aquecimento, a acidificação e o aumento do nível dos mares sobre os organismos e os ecossistemas marinhos, assim como sobre os recursos que eles encerram, são desde já detectáveis e podem ser significativos, mesmo no caso do cenário optimista. Eles se somam a outros danos causados pelo homem, tais como a sobre-exploração dos recursos vivos, à destruição do habitat e a poluições diversas. A combinação de todos esses factores pesará fortemente sobre o futuro da humanidade. Diante da magnitude das futuras alterações, é hora de perceber que nenhum país está imune: o problema se coloca numa escala demasiado grande para que se ofereça o luxo de manter a tradicional divisão Norte-Sul.
Por Jean-Pierre Gattuso e Alexandre Magnan

Marinha liberta tartaruga verde no Mar Algarvio

A Marinha Portuguesa, em colaboração com o Centro de Recuperação de Animais Marinhos de Quiaios (CRAMQ-Figueira da Foz), devolveu ao mar, ao largo do Algarve, uma tartaruga verde (chelonia mydas). 

A tartaruga tinha sido recuperada pelo CRAMQ, tendo sido submetida a um período de dois meses de reabilitação nas instalações desse centro. 

Esta operação decorreu com o apoio da Lancha de Fiscalização Rápida NRP Hidra, que se encontra em comissão na Zona Marítima do Sul. 

O navio largou do Ponto de Apoio Naval de Portimão durante a manhã, tendo-se afastado cerca de 30 km para sul da costa algarvia, procurando as melhores condições para a devolução da tartaruga ao seu habitat natural. 

A Marinha e o NRP Hidra, à semelhança de iniciativas anteriores, colaboraram desta forma em “mais uma acção de protecção do vasto ecossistema marinho, existente nas águas sob jurisdição nacional”.