Como o aumento da temperatura do oceano afecta os Pinguins

As alterações climáticas vão ter impacto nos predadores marinhos por afectarem a distribuição de peixe – diminui o número de indivíduos e o sucesso reprodutivo.

A variação da temperatura do oceano obriga os pinguins a viajar mais para encontrar comida e isso tem impacto na população. A investigação que relaciona fenómenos climáticos que introduzem anomalias globais, como o El Niño, com a dificuldade de os animais no topo da cadeia alimentar (os predadores) encontrarem alimento no oceano foi publicadaesta terça-feira na revista científica Nature Communications.
Os casais de pinguins revezam-se no cuidado com a prole: enquanto um progenitor vai pescar, o outro fica no choco ou a cuidar da cria. Agora, o que a equipa de Charles Bost, investigador no Centro de Estudos Biológicos de Chizé (França), descobriu é que, quando havia fenómenos climáticos que provocavam alterações, por exemplo na temperatura da água, os pinguins eram obrigados a viajar mais quilómetros para se alimentarem e isto pode comprometer o sucesso reprodutor.
Os investigadores estudaram a colónia de pinguins-rei (Aptenodytes patagonicus) que nidificam nas ilhas Crozet – no sul do oceano Índico, entre a África do Sul e a Austrália – entre os anos 1992 e 2010. E no mesmo período registaram as principais anomalias no clima climáticas no sul do oceano Índico e Atlântico. Ao Observador, José Xavier, que também faz investigação na Antártida, elogia o trabalho que uma base de dados de longa duração, uma situação rara na investigação marinha.
Quando a temperatura do oceano aumentava um grau Celsius, a frente polar antártica – o limite entre as águas frias com influência da Antártida e as águas menos frias dos restantes oceanos – aproxima-se 130 quilómetros da Antártida. Isso faz com que os pinguins também tenham de aumentar essa distância para pescar. Com temperaturas do oceano mais altas, os pinguins também são obrigados a mergulhar mais fundo até à procura de peixe.
Em 1997, ano em que se iniciou um dos fenómenos El Niño mais fortes de sempre, os investigadores verificaram que os pinguins tiveram de se deslocar o dobro em relação a anos normais – entre 437 e 755 quilómetros para pinguins com crias. Neste período também tiveram de mergulhar cerca de 30 metros mais fundo que os habituais 170 metros.Neste período, a população reprodutora caiu 34%, o sucesso reprodutivo foi o mais baixo de todo o período estudado e a probabilidade de sobrevivência dos adultos também diminuiu.
Estes resultados contribuem significativamente para a nossa compreensão de como as mudanças no clima afetam o comportamento (e as populações) de predadores de topo, neste caso os pinguins-rei”, reforçou José Xavier, investigador na Universidade de Coimbra e no British Antartic Survey (Cambridge, Reino Unido).
Os investigadores concluem assim que o aumento do esforço de procura de comida tem consequências negativas nos parâmetros demográficos da espécie e no tamanho da população. Este padrão também já tinha sido verificado em predadores marinhos no hemisfério norte. Estes estudos mostram-se assim essenciais para avaliar que impacto poderão ter as alterações climáticas na sobrevivência das populações e ecossistemas.
Numa investigação publicada na revista Marine Biology em 2013, a equipa de José Xavier demonstrou que os albatrozes também sofrem os impactos das alterações climáticas no que diz respeito à procura de alimento. “Em anos ‘maus’ em termos climáticos [fora do normal], os albatrozes demoram cinco vezes mais tempo na procura de alimento do que em anos ‘bons’”, conta José Xavier ao Observador. “Isto também tem consequências a nível populacional porque nos anos ‘maus’ o sucesso reprodutor é muito baixo.” Os investigadores verificaram ainda que os albatrozes, quando não conseguem encontrar o alimento preferido (lulas) vão gradualmente alterando a dieta para outro tipo de alimentos.
Fonte: Observador/José Xavier


Saldanha Salva os Oceanos: Projeto lançou votação online para escolher herói

O projecto “Saldanha Salva os Oceanos”, que pretende promover a literacia dos oceanos nos mais novos, lançou uma votação para escolher o herói da história que será criada e editada sob a forma de e-book. Os candidatos a salvadores dos oceanos são quatro animais marinhos animados (cavalo-marinho, sardinha, tartaruga-verde e púrpura) que são apresentados no sítio web do projecto onde também decorre a votação, que termina no dia 10 de Novembro.
Uma iniciativa da Cocinfar em parceria com a AmBioDiv o projecto, que tem como objectivo principal “aumentar o conhecimento sobre a Biodiversidade Marinhas junto de crianças e jovens dos 2º e 3º ciclos de escolaridade”, está alinhado com a Estratégia Nacional para o Mar e o Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020, é explicado no texto de apresentação na já referida plataforma.
Com efeito, assiste-se actualmente a um crescente distanciamento dos portugueses do mar, apesar da nossa ligação histórica ao meio marinho, sendo necessário agir para reverter o processo, o que passa pelo investimento na educação e sensibilização para a conservação dos oceanos das camadas jovens, que serão os adultos “de amanhã”.
Assim nasceu o projecto “Saldanha Salva os Oceanos”, financiado através do programa EEA Grants na categoria “PT02 – Gestão Integrada das Águas Marinhas e Costeiras”, que envolve a concepção de um livro electrónico em que uma personagem de nome “Saldanha”, em homenagem ao Professor Luíz Saldanha, o grande impulsionador da Biologia Marinha em Portugal, intervém de forma decisiva para salvaguardar o futuro do meio marinho.
O projecto foi lançado em Setembro tendo a votação para a escolha do herói “Saldanha”, tido início já em Outubro. O resultado da votação vai ser dado a conhecer no Dia Nacional do Mar, que se celebra a 16 de Novembro.
Os três meses seguintes serão dedicados à dinamização, nas escolas que demonstrarem interesse, de actividades sobre as problemáticas de conservação do oceanos que serão tema de trabalhos a desenvolver pelos alunos.
O lançamento o e-book “Saldanha Salva os Oceanos” terá lugar no dia 20 de maio de 2016, no âmbito das comemorações do Dia Europeu do Mar e o livro electrónico será disponibilizado sob a forma de aplicação para sistemas Android e iOS com carácter interactivo, e num sítio web criado para o efeito, onde poderá ser descarregada uma versão estática em formato PDF.
O projecto terminará em Junho, quando se celebra o Dia Mundial dos Oceanos, com a realização de sessões de apresentação do e-book e dos trabalhos escolares desenvolvidos nas escolas visitadas pela equipa do projecto.
Mais informações estão disponíveis no sítio web do projecto ou podem ser solicitadas por e-mail para info@saldanhasalvaosoceanos.com.
Fonte: Naturlink

Força do mar invade Praia de Odeceixe

O mar invadiu esta terça-feira o areal da praia de Odeceixe (Aljezur), eleita em 2012 como uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de Praia de Arribas. Há quem culpe as obras do programa Polis, no início do verão, mas a Câmara de Aljezur nega a acusação. “Tiraram areia da praia apesar do alerta para os riscos”, critica David Rosa, dono de uma escola de surf naquela praia. José Amarelinho, edil de Aljezur, nega e garante que até ao final do ano serão colocados “estacaria e passadiços que contribuirão para reter a areia”. As marés vivas dos últimos dias atingiram outras praias algarvias, como Armação de Pera (Silves) e D. Ana (Lagos), que perderam areia.


Fonte: CM

Consumo de peixe em Portugal é dos mais prejudiciais ao planeta

Um novo relatório avisa que elevado consumo de peixe em Portugal pode ser um problema ambiental.
Portugal é o país mediterrânico cuja alimentação mais faz mal ao planeta. E, por irónico que pareça, a maior culpa é do elevado consumo de peixe – um alimento saudável.
Esta conclusão surpreendente resulta de um estudo publicado esta quinta-feira pela Global Footprint Network, a organização responsável pelos cálculos da “pegada ecológica”. Este indicador representa a área da Terra necessária para produzir o que cada pessoa consome ou necessita, dos alimentos a roupa, dos combustiveis a edifícios.
Para Portugal, este valor é de 4,5 hectares por habitante. É o quarto país mediterrânico com a maior pegada ecológica, depois de França, Eslovénia e Itália.
Mas na alimentação, o país lidera o ranking. Cerca de 1,5 hectares de terra ou mar são necessários para garantir o almoço, o lanche e o jantar dos portugueses. Ninguém necessita de tanto espaço produtivo para matar a fome entre os países do Mediterrâneo, região sobre a qual incide o estudo. A seguir vêm Malta (1,25 hectares por pessoa), Grécia (1,22) e Espanha (1,15).
Dois factores contribuem para este resultado. O primeiro é simples: em Portugal, come-se muito. A FAO – a agência das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura – recomenda como saudável uma dieta diária de 2500 quilocalorias por pessoa. Em Portugal, consomem-se 3500 – 40% a mais. “Isto não é exclusivo de Portugal. Encontramos valores similares noutros países, como Espanha, Grécia e Itália”, afirma Alessandro Galli, director da Global Footprint Network para a área do Mediterrâneo.
O segundo factor encerra uma grande ironia. Portugal é um dos países com maior consumo per capita de peixe no mundo – um dado positivo pelo lado da saúde. Mas o apetite nacional dirige-se muito para espécies de topo, como o bacalhau e o atum, que requerem mais recursos para se desenvolver.
O atum, explica Alessandro Galli, alimenta-se de sardinhas, que por sua vez se alimentam de plâncton, os minúsculos organismos em suspensão na água. Na prática, é preciso uma área muito maior da plataforma continental para produzir o plâncton necessário para um peixe num elo superior da cadeia alimentar. “O impacto do consumo de um quilo de atum equivale ao de dez quilos de sardinhas”, explica Alessandro Galli.
A importação também pesa. Em 2014, 481 mil toneladas de pescado vieram de fora, contra 283 mil toneladas da exportação, segundo dados oficiais.
Dizer que comer peixe faz mal à Terra é mais uma má notícia para a mesa nacional. Na segunda-feira, a Agência Internacional de Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde anunciou ter classificado as carnes processadas – como chouriços, presuntos e bacon – como produtos cancerígenos. As autoridades nacionais de saúde apressaram-se a esclarecer que o importante é garantir o uma dieta equilibrada.
No caso do pescado, Alessandro Galli diz que não está em causa deixar de os comer, mas sim escolher melhor. “A minha recomendação é comer peixe mas diversificar, preferir peixes em posição mais baixa na cadeia alimentar, como as sardinhas”, diz.
Porém, neste momento, a maré também não está para as sardinhas. O stock ibérico desta espécie nunca esteve tão baixo e os cientistas dizem que no próximo ano não se deve capturar mais do que 1600 toneladas nos mares de Portugal e Espanha – apenas 10% da quota de 2015. Mas outras espécies, como o carapau e a cavala, são hoje mais abundantes.
Os dados agora divulgados são uma nódoa na imagem positiva dos hábitos alimentares do Mediterrâneo. Alessandro Galli argumenta, porém, que a verdadeira dieta mediterrânica é composta sobretudo de produtos como legumes, verduras, cereais e azeite, com consumo moderado de carne ou peixe.
“O meu argumento é o de que a dieta mediterrânica é boa para o ambiente, mas acabámos por nos afastar um pouco dela”, afirma.
Com o peso da alimentação, Portugal vai muito além da sua capacidade biológica de satisfazer o consumo dos seus habitantes. A pegada ecológica é de 4,5 hectares por pessoa, mas o país só tem 1,3 hectares produtivos per capita.
A meta não é ser auto-suficiente, algo que seria impossível para a generalidade dos países. Mas, para a Global Footprint Network, cada nação deveria ter como guia a biocapacidade global para sustentar o consumo dos seus habitantes, que é de 1,8 hectares por pessoa.
Fonte: Sapo

Faleceu trabalhador ferido no Terminal XXI.

Miguel Naia, o trabalhador do Terminal XXI que teve um acidente no turno da noite, na madrugada de segunda-feira, no resultado do embate de dois prime movers ( Camiões de Transportes de Contentores), faleceu em virtude dos inúmeros ferimentos que possuía. A vitima de 38 anos, que era oriunda do Cercal, mas que vivia na aldeia de Porto Covo, estaria internado no Hospital de São José. Ainda não se sabe a data e hora do funeral, sabendo-se que a vitima deixou um filho menor.

Há mar e mar. E onde estão as oportunidades?

Até 2020, Portugal dispõe de mil milhões de euros para investir na economia azul. A aquacultura, a biotecnologia marinha ou a exploração de energias fósseis e renováveis são as novas áreas de aposta, ao mesmo tempo em que sectores mais tradicionais, como o transporte marítimo, a actividade portuária ou até mesmo a indústria de transformação do pescado, têm crescido em contraciclo

Há mar e mar, há ir e voltar”, dizia o slogan que o poeta Alexandre O’Neill, também publicitário, criou para uma campanha de prevenção contra o afogamento nas praias portuguesas e que foi para o ar nos anos 80, acabando por assumir o estatuto de dizer popular. É tempo agora de reinventar a frase, olhar para o mar de forma estratégica e como activo valioso que é para a economia portuguesa. “Há mar e mar, há oportunidades e procura-se investimento”, diz quem nos governa e quem no oceano já investe ou quer investir. E, de repente, três eventos coincidiram no tempo. Os velejadores Volvo Ocean Race, a maior regata à volta do mundo, chegaram a Lisboa nos últimos dias de maio. Dias depois, a 3 de Junho, decorreu a Semana Azul, evento que juntou mais de duas centenas de líderes políticos e empresários mundiais do sector do mar, a que se somou a conferência World Ocean Summit, promovida pela The Economist. Acontecimentos que colocam Portugal novamente no mapa dos grandes acontecimentos marítimos.
Nos últimos anos, insuflado pelo discurso político, o oceano voltou a entrar no imaginário dos portugueses: há uma Lei de Bases do Ordenamento do Espaço Marítimo prestes a entrar em vigor e que dá indicações precisas sobre como se podem explorar o território e os recursos marinhos; há uma nova estratégia para o mar; há um programa de fundos comunitários, o Mar 2020, a estrear-se para os que quiserem investir em actividades ligadas ao mar, e há a percepção cada vez mais nítida de que o oceano é muito mais do que pesca: os portos lusos batem recordes na movimentação de mercadorias, a indústria de transformação de pescado já está a exportar mais do que o sector do vinho e outras áreas de negócio, praticamente inexistentes há meia dúzia de anos, começam a ganhar massa crítica. Desde quando passámos a falar de biotecnologia marinha? E de economia azul? E do valor do nosso mar?
E se há mar… Portugal entregou em 2009, nas Nações Unidas, uma proposta para a extensão da sua plataforma continental para além das 200 milhas marítimas que delimitam as fronteiras da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE). Se for aceite, o país tornar-se-á num dos maiores países do mundo, com um território de quatro milhões de quilómetros quadrados o equivalente a mais de 90% da área (em terra) da União Europeia. O que se esconde nas profundezas deste mar ainda está por descobrir. Nem mesmo o Governo põe as mãos no fogo sobre quanto será o seu valor. Mas as perspectivas são auspiciosas: recorrendo a um estudo de um investigador norte-americano, Bramley J. Murton, que fez uma inventariação das várias plataformas continentais do planeta, e fazendo a extrapolação, Manuel Pinto de Abreu, actual secretário de Estado do Mar, acredita que ao nosso país cabe uma fatia de 10% numa riqueza global que se pode cifrar em oito biliões de euros. Contas feitas, são 880 mil milhões de euros para Portugal. E isto apenas no que diz respeito aos recursos marinhos que se escondem neste solo.
A nível global, o valor actualmente gerado pelos oceanos é de 21,2 biliões, segundo o WWF World Wide Fund, entre actividades directas, como a pesca e o transporte marítimo, e indirectas, como o turismo náutico. Números gigantes, impensáveis até, se compararmos com os valores bem mais modestos que as actividades ligadas ao mar representam, nos dias de hoje, no produto interno bruto (PIB) nacional: apenas 3% do PIB, perto de cinco mil milhões de euros (a que se acrescenta outros três mil milhões com as actividades indirectas). Até 2020, o objectivo é chegar a 4%.

NOVOS FUNDOS COMUNITÁRIOS

O crescimento deverá ser feito a reboque do novo Programa Operacional do Mar, o Mar 2020, que a partir do próximo ano e durante outros cinco vai injectar a liquidez no sector: serão 392 milhões de euros em fundos comunitários. A estes juntam-se mais 115 milhões do Orçamento do Estado nacional. Se, em média, os investimentos são comparticipados a 50%, a iniciativa privada terá de somar a estes incentivos mais outros 500 milhões. “Estamos a falar de mais de mil milhões de euros de investimento até 2020”, regozija-se Manuel Pinto de Abreu, sobretudo agora que “estamos a chegar ao momento em que o novo enquadramento legislativo vai permitir começar a concretizar muitas das manifestações de investimento”, continua.
Aprovada no ano passado pelos partidos do Governo, PSD e CDS, mas também pelo PS, a nova lei pretende impulsionar o investimento não apenas de cariz empresarial, mas também científico e de promoção da inovação em consonância com preocupações ambientais e de ordenamento: “Falta apenas concluir um conjunto de portarias que fixam uma série de matérias”, indica o governante. Entre outras aplicações, estabelece a forma como podem ser concessionados espaços marítimos, bens públicos por excelência, a agentes privados (as concessões podem ir até um máximo de 50 anos) e estipula planos de acção para actividades como a aquacultura.
Desde o ano passado que Pinto de Abreu e a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, têm visitado vários países e levam o mar português na bagagem. Noruega, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Chile foram alguns onde procuraram investimento estrangeiro. “Temos tido, todas as semanas, demonstrações de interesse”, atira. “Ainda agora cá tivemos um grande empresário colombiano que veio a Peniche estudar a possibilidade de lhe fornecermos peixe e marisco fresco. Como este há outros”, avança. Sem esquecer ainda os acordos de cooperação entre países, como o que foi firmado entre a Universidade de Kinki, pioneira na implementação da aquacultura, e a Universidade do Algarve. “Kinki está ligada a um grande grupo empresarial japonês. O nosso foco não está apenas na cooperação universitária. Queremos, a partir dela, concretizar investimentos produtivos. Sabemos que os japoneses não estão só interessados em vir cá trazer o atum, querem investir na aquacultura de outras espécies de pescado europeu”, diz o secretário de Estado.
De acordo com as prioridades definidas pela União Europeia (UE), o programa Mar 2020 estabelece como grandes linhas de ação a melhoria da eficiência e da sustentabilidade das pescas e da frota (103 milhões de euros), também com incentivos à diversificação da atividade dos pescadores e apoios à recolha de dados sobre o estado efetivo não só dos stocks das diversas espécies de peixe, mas também do sistema marinho (cerca de 31 milhões).
A aquacultura, em inshore (locais junto à costa) ou em offshore (alto-mar), apoiada em 59 milhões de euros, assim como o aproveitamento dos recursos ligados à pesca através da biotecnologia são outras das grandes áreas de investimento previstas no novo pacote financeiro comunitário, que vigorará entre 2016 e 2020 e que é o quinto mais elevado entre os países da UE. Até ao final deste ano, terá de ficar fechado o Promar, o programa referente ao quadro comunitário 2007-2013. A taxa de execução do pacote de 232 milhões de euros fixa-se agora em 70%. “Mas temos contratados investimentos na ordem de 500 milhões de euros, o que significa que temos investimentos contratualizados em 112,6% do Promar. Temos contratos em carteira. Estamos numa fase de avaliação muito criteriosa dos Projectos, para vermos os que são viáveis de acontecerem nos próximos meses e aqueles que devem transitar para o próximo programa”, explica. Se o Promar apenas podia apoiar pequenas e médias empresas, o novo Mar 2020 vai mais longe e abarca também as grandes empresas.
O sucesso da execução dos pacotes financeiros, lembra Pinto de Abreu, só depende dos investidores. Por vezes, a falta de arcaboiço financeiro das empresas nacionais, que têm primeiro de realizar despesa e só depois, mediante a apresentação da despesa, recebem as ajudas comunitárias, é um travão. Mas há também situações em que os empresários já efetuaram os investimentos mas não reclamam o capital que lhes foi previamente aprovado.
Existe ainda uma agravante “extraordinária” relativamente a outros sectores: são investimentos normalmente intensivos em termos de capital e muito morosos. “Acontece em qualquer parte do mundo, não é uma característica portuguesa”, assevera. Primeiro, há que vencer a barreira burocrática e conseguir aprovação para o financiamento comunitário. “Os resultados não irão aparecer no dia seguinte. Basta pensar na aquacultura: se decidir hoje lançar um projecto nessa área, mesmo tendo garantido o licenciamento e as ajudas ao financiamento, vou levar mais de um ano a ter o equipamento pronto para ser instalado no mar; depois, a instalação levará mais um ano; só depois é que posso começar a pensar na produção.” É necessário mudar o paradigma de investimento que Portugal tem conhecido nas últimas décadas, em que se procuram actividades que permitam rápidos encaixes, mesmo que não sejam estratégicas para o país. É a crença de Tiago Pitta e Cunha, especialista em assuntos do mar e consultor da Presidência da República. “Temos de mudar de investidores. Não podemos ter investidores que não querem arriscar. Assim, não iremos ter indústrias novas, vamos continuar a apostar nas velhas e grandes empresas deste país, como fizemos nas últimas décadas. E deu no resultado que vimos”, lamenta.
Os capitais portugueses são bem-vindos. Como o são os provenientes do estrangeiro, até porque empresas lusas padecem de uma crónica descapitalização. “Afinal, o que fizemos nos últimos 40 anos? Se o capital estrangeiro vier e for capaz de construir um sector dinâmico, uma economia azul global, qual o problema? É altura de começarmos a fazer alguma coisa”, atira o especialista. Já Pinto de Abreu conta que “a maior parte dos investimentos neste sector ainda é feita por empresários nacionais”. Os estrangeiros “podem acrescentar valor a esse investimento se trouxerem tecnologia, capital e mercado que ajudem a dar escala ao sector”.

MAR TEM SIDO PROFUNDAMENTE DISFUNCIONAL

A aposta deve ser feita nas vantagens comparativas de Portugal relativamente a outras economias. E que estão longe de serem entendidas pelos investidores portugueses. Ou não fosse este sector nacional “profundamente disfuncional”, afirma Pitta e Cunha. “Nos países com um sector marítimo interessante, o sector de transportemarítimo e atividade portuária é o que tem maior peso. Apenas nas economias que também têm petróleo e gás natural é que a energia ganha ao shipping. A fórmula mais frequente nesses países é: energias fósseis, transportes marítimos e turismo”, explica. Em Portugal, destaca-se uma actividade indirecta do mar (turismo) e, depois, a pesca, a transformação e o comércio por grosso.
“Não somos um país assim tão rico que se possa dar ao luxo de desperdiçar o seu principal recurso natural”, diz o especialista. Aponta para o exemplo de Singapura, economia que, apesar das suas fragilidades, a começar pela dimensão territorial diminuta desta cidade-Estado, fez da localização geográfica o ponto de encontro entre os oceanos Índico e Pacífico o seu maior ativo, transformando–se numa plataforma de transportes por excelência. E por causa dela outras indústrias se desenvolveram, como os serviços financeiros, incluindo seguros, e de apoio a esta atividade (qualificação de navios ou peritagens).
Por que razão Portugal ainda não entendeu como rentabilizar o seu mar? A Revolução de 1974 e a sua matriz marcadamente anti-imperialista impôs um corte profundo com o mar, um elemento central da propaganda do Estado Novo e que era nessa altura um verdadeiro cluster, já que as frotas pesqueira e da Marinha portuguesa eram das maiores do mundo, havia portos e estaleiros navais lusos no golfo Pérsico e tínhamos a maior indústria conserveira. “O 25 de Abril trouxe uma rutura nos padrões de produção e um corte com um estilo de vida que era, apesar de tudo, mal remunerado. Depois, haveria de chegar a Europa. Virámos as costas ao mar, metemo-lo numa gaveta e convencemo-nos de que ele não era necessário. O caminho era a Europa. Isso entrou na psique colectiva e é muito difícil de deitar abaixo ideias feitas”, diz Pitta e Cunha.

COMO FUNCIONA O CÍRCULO VIRTUOSO DO MAR?

Em média, a economia azul vale 5% da riqueza gerada nas economias europeias. Há, claro, excepções, como a Noruega (20%), onde a pegada marinha é muito maior, mas se Portugal, em 2020, conseguir acompanhar os congéneres europeus, então poderemos ser “ambiciosos e esperar uma década entre 2020 e 2030 muito bem sucedida, desenvolvendo uma plataforma produtiva nacional com base na economia domar”, acredita Tiago Pitta e Cunha. Mas será necessária uma abordagem industrial e inteligente perante os recursos do mar. No fundo, trata-se de gerar um ciclo virtuoso, gerido temporalmente.
Agora, é continuar a investir nos sectores tradicionais, que têm crescido contracorrente, como a indústria do pescado, que já exporta 900 milhões de euros. Ao mesmo tempo, é dar um grande impulso à aquacultura. Essa será uma das apostas para o futuro imediato da economia do mar, tendo sido definida como uma das grandes prioridades até 2020 da UE, que há 15 anos não aumenta as quotas de pescado aquícola. Em Portugal, o investimento permitirá contornar o grave problema de falta de matéria-prima: consumimos à volta de 600 mil toneladas de peixe e temos de importar cerca de 400 mil todos os anos.
Mas nem só de peixe vive a aquacultura. As algas também podem ser cultivadas no mar além de serem cada vez mais consumidas como alimentos (cada japonês consome, em média, 8 kg por ano), são o motor de um outro sector que também dará um salto futuro mais próximo: a biotecnologia azul. Através de tecnologia avançada (que contraria o padrão tecnológico de gama média-baixa próprio da economia portuguesa), é possível transformar os biorrecursos marinhos que Portugal tem em grande quantidade e variedade em produtos de valor acrescentado para indústrias como a farmacêutica, cosmética, nutriciência ou alimentação. A biodiversidade existe, assim como o conhecimento: desde 1998, Portugal sextuplicou o número de biólogos marinhos e doutorados neste campo de conhecimento. Há a matéria-prima e o capital humano necessários.
“Num futuro mais distante, digamos daqui a 10 anos”, a área das energias renováveis, sobretudo a eólica, pode já estar a ser explorada industrialmente, nomeadamente em estruturas offshore flutuantes, acredita Tiago Pitta e Cunha, “já que a nossa plataforma continental é muito funda”. Há projetos a decorrer, como o Wind Float, na Póvoa de Varzim, que apesar de recorrer a tecnologia estrangeira para construir uma turbina de 8 MW, em equilíbrio dinâmico, pode ser o princípio de um projecto que “pode até ter um impacto enorme na maior indústria portuguesa, a metalomecânica. Só isso deveria levar à criação de uma política de Estado para desenvolver e manter este protótipo em Portugal”. E, já agora, porque não aproveitar estas estruturas para as adaptar também à aquacultura de bivalves?
A exploração das energias fósseis petróleo e gás natural também será um desígnio a mais longo prazo,”dentro de duas a três décadas”, já que só agora se iniciarão as prospecções: o primeiro furo deverá ser feito pela Repsol-Partex ainda este ano. O mar não acaba aqui. A exploração das potencialidades do mar alto, começando nas turbinas eólicas flutuantes e acabando na mineração, será o estímulo necessário para fazer crescer um sector que, apesar de já existir, se mantém confinado ao ambiente académico: o das tecnologias subaquáticas, onde já existem algumas start-ups e onde instituições como a Faculdade de Engenharia, da Universidade do Porto, ou o Instituto de Sistemas e Robótica, do Instituto Superior Técnico, dão cartas neste tipo de robótica necessária, por exemplo, para as operações de prospecção e exploração do subsolo marinho.
Em rota de crescimento entrarão também as tecnologias de informação e comunicação marinhas. Também aqui já existem empresas nacionais de referência mundial, como Critical Software: em Abril, a tecnologia Oversee, concebida para ajudar nas operações de busca e salvamento, ganhou um prémio internacional.
Neste ciclo virtuoso do investimento no mar falta mencionar um sector que, afinal, é o essencial: o transporte marítimo. Não existirá um verdadeiro cluster do mar se não se estimular a actividade portuária, que tem vindo a bater recordes de mercadorias. Se não tivermos transportes marítimos, não teremos construção nem engenharia naval, não teremos tecnologia offshore, não teremos verdadeiro know-how. Se não tivermos isso, não conseguiremos desenvolver outras áreas da economia do mar.

MAR DE NÚMEROS

8
mil milhões de euros é quanto vale a economia do mar em Portugal, incluindo actividades directas e indirectas. Contabilizando apenas as primeiras, estamos a falar de cerca de cinco mil milhões de euros, à volta de 3% do PIB. São 120 mil os empregos associados ao sector e 11 mil as empresas com actividades ligadas ao mar.
70%
é a execução do Promar até agora, o programa operacional do anterior quadro comunitário (2007-2013) que chega ao fim no dia 31 de Dezembro deste ano. Uma dotação total de 232 milhões de euros, que, juntando-se ao investimento privado, permitiu desde 2007 investimento no mar na ordem de 500 milhões de euros.
1000
milhões de euros é o investimento disponível, entre capitais públicos e privados, para investir neste sector, ao abrigo do novo orçamento comunitário Mar 2020, que cresceu 60% relativamente ao Promar.
600
milhões de euros é quanto o sector da aquacultura poderá vir a valer, segundo a Associação Portuguesa de Aquacultores. Vale hoje 60 milhões de euros
5
mil milhões de euros poderá vir a ser o valor da biotecnologia azul em 2030, segundo dados da BlueBio Alliance.
82,7
milhões de toneladas foi o movimento geral de mercadorias nos portos do continente em 2014.
30
milhões de euros são as receitas directas para o país geradas com o stopover em Lisboa, entre 25 de maio e 7 de Junho, da Volvo Ocean Race, a maior regata oceânica à volta do mundo.
Fonte: Expresso/Exame

O que significou afinal o triunfo português no mar de Peniche?

Vasco Ribeiro e Frederico Morais venceram nas respectivas baterias ao número 1 e 2 do mundo.

No passado domingo, em Supertubos, em Peniche, os portugueses Frederico Morais e Vasco Ribeiro conseguiram a proeza de eliminarem o australiano Mick Fanning (atual número 1 do mundo) e o brasileiro Adriano de Souza (n.º 2).
Vasco Ribeiro, campeão do mundo de juniores, afastou Adriano ‘Mineirinho’ de Souza, um dos principais candidatos ao título mundial de surf, com 14,36 pontos (5,93 e 8,43). O surfista brasileiro fez apenas 11,80 pontos (5,77 e 6,03).
Já Frederico ‘Kikas’ Morais, 54.º do ‘ranking’ de qualificação, conseguiu 16,03 pontos (9,13 e 6,90), melhor do que os 14,40 pontos do australiano Mick Fanning (8,40 e 6,00). Recorde-se que o três vezes campeão do mundo (2007, 2009 e 2013) é o ídolo do surfista português.
“É inacreditável. Não posso esconder, o Mick Fanning é o meu surfista preferido, é um atleta inacreditável, e ganhar-lhe em casa com bom surf, boas ondas, é fora do normal”, afirmou o português.
Mick Fanning assumiu a derrota ainda na água e, com o tempo ainda a contar, abraçou e felicitou ‘Kikas’ pela vitória.
“Foi bom aquele abraço do Mick Fanning. Não posso esconder, pedi-lhe desculpa e disse-lhe que não quero interferir no título mundial”, contou.
Mas então o que representam as vitórias dos portugueses em Peniche e que influência terá no resto do campeonato?
Mick Fanning era o único que tinha hipótese de se sagrar campeão mundial de surf já em Peniche, mas, com a derrota perante o luso, vê assim cair por terra essa possibilidade, remetendo a decisão do título para a última etapa do circuito, em Pipeline.
Frederico Morais já assegurou pelo menos o quinto lugar na prova – o melhor resultado de um surfista luso nas etapas penicheiras. Vasco Ribeiro, actual 38.º do ‘ranking’ de qualificação e que compete pela primeira vez no circuito mundial de surf, não escondeu o favoritismo pelo ‘mineirinho’ na luta pela conquista do título mundial.
“O ‘mineirinho’, este ano, merece ser campeão do mundo. Há muitos anos que está no ‘tour’ e é um surfista que admiro muito. Por outro lado também fiquei aliviado porque o Fanning também perdeu e a decisão vai ser no Havai e vai ser, de certeza, emocionante”, sustentou, o português que ainda precisa de vencer uma bateria para subir ao mesmo patamar que ‘Kikas’.
Os dois portugueses, ‘wild card’ (convites por parte da organização) da etapa, nunca tinham conseguido ir tão longe na prova. Recorde-se que os dois portugueses competem na ‘II Liga’ do surf mundial, daí o triunfo da armada lusa ter estado nas bocas do mundo.
Em 2013, também em Peniche, Frederico Morais eliminou o norte-americano Kelly Slater (11 vezes campeão mundial). Depois de ‘Kikas’ ter eliminado Fanning, ainda relegou o antigo campeão mundial Joel Parkinson e Nat Young para a ronda de repescagem.
As vitórias de Ribeiro e Morais serviram acima de tudo para colocar o surf português nas manchetes da imprensa desportiva e para moralizar a estes dois jovens surfistas que, se acreditarem, é possível chegar à ‘I Liga’ do surf mundial, onde não mora um único português, depois da descensão de Tiago Pires, que já foi eliminado da prova deste ano em mar português, ele que também concorreu com um ‘wild card’.
No reatamento da prova, uma vez que esta segunda-feira não houve condições para praticar surf ao mais alto nível, Vasco Ribeiro defrontará Jeremy Flores e Keanu Asing e precisa de vencer para marcar um lugar nos quartos de final, onde já lá mora o compatriota ‘Kikas’. Mesmo que não fique em primeiro na sua bateria, tem ainda outra oportunidade na ronda de repescagem.
Feitas as contas, e ainda há muitas ondas para surfar, Mick Fanning e Adriano de Souza continuam com excelentes hipóteses de se sagrarem campeões, no caso do brasileiro será a primeira vez. Mas os conterrâneos Filipe Toledo e Gabriel Medina (atual campeão do mundo) ainda têm esperanças de dar a volta às contas do circuito mundial de surf.
Fonte: Sapo Desporto




Aliança 2M corta oferta no Ásia-Mar Negro

Por causa da fraca procura e dos fretes baixos, Maersk Line e MSC anunciam para a primeira semana de Novembro um corte nos serviços entre a Ásia e o Mediterrâneo Oriental, com particular incidência no Mar Negro.

Do lado da Maersk Line, a companhia dinamarquesa anuncia a fusão dos serviços AE3 (Ásia-Mar Negro) e AE15 (Ásia-Mediterrâneo Oriental), de que resultará a redução da oferta de capacidade no equivalente a nove navios de 5 500 TEU.
Em consequência, acrescenta, os portos do Mar Negro passarão a ser serviços por um serviço feeder ainda não detalhado.
A MSC, por seu lado, anuncia o fim do Great Sea Service, que liga a Ásia ao Mar Negro. As cargas com origem/destino no Mar Negro passarão a ser transferidas no Asyaport, na Turquia.
A nova oferta da MSC no Ásia-Mediterrâneo é, assim, composta por quatro serviços: Dragon, Jade, Phoenix e Tiger (sendo este último o que serve o Mediterrâneo Oriental e, via transhipment, o Mar Negro).
A fraca procura e, logo, a quebra do preço das tarifas está a atingir também duramente o tráfego Ásia-Mediterrâneo (e não apenas o Ásia-Norte da Europa). Mas os analistas sublinham que os operadores, e em particular os membros das alianças 2M e Ocean Three, “puseram-se a jeito” quando aumentaram a oferta no início do ano.
Fonte: T e N


MSC regista primeiros porta-contentores no MAR

A MSC acaba de registar dois navios no registo Internacional da Madeira e mais se seguirão até ao final do ano, adiantou o representante da companhia em Portugal, Carlos Vasconcelos.

Os dois primeiros navios a aderirem ao registo internacional português foram o MSC Isabelle e o MSC Jenny, até agora ambos registados no Panamá. O primeiro, construído em 1998, tem uma tonelagem bruta de 9 528 toneladas. O segundo, construído em 1995, tem 28 397 GT.
Até ao final do ano, outros cinco navios do armador suíço, número dois mundial no transporte marítimo de contentores, deverão também ser inscritos no MAR, passando a ostentar o nome da Madeira no casco e o pavilhão de Portugal.
Para Carlos Vasconcelos, este reforço da ligação da MSC a Portugal representa o realizar de mais um sonho e o culminar de esforços de vários anos. O empresário lembrou a propósito que já cerca do ano 2000 a MSC esteve para registar navios na Madeira, mas então a missão fracassou.
Curiosamente, também a Maersk Line, parceira da MSC na aliança 2M, tem já vários porta-contentores a operar sob o pavilhão português, inscritos no MAR.
O Registo Internacional da Madeira é actualmente o quarto registo “de conveniência” na União Europeia em número de navios e o terceiro em tonelagem.
De acordo com os dados disponibilizados no site da SDM, no final do primeiro semestre do ano corrente, o MAR contabilizava 377 navios registados (mais 52 que no final de Dezembro de 2014), com uma tonelagem bruta global de 6,49 milhões de toneladas (face aos 3,49 milhões GT de Junho de 2014).
Fonte: Transportes e Negócios


Pescadores só têm mais 150 toneladas de sardinha para pescar até final do ano

Despacho do Governo aumentou prazo permitido para a pesca da espécie. Anopcerco contesta e diz que a medida não tem em conta a preservação da espécie.

As organizações de produtores de Sesimbra e de Setúbal, as únicas que ainda têm quota disponível para pescar sardinha, vão poder fazer as capturas até 31 de Dezembro, mais dois meses do que estava inicialmente previsto. De acordo com a Secretaria de Estado do Mar restam apenas 150 toneladas para pescar e, um despacho publicado na passada quarta-feira, veio aumentar o prazo admitido para as capturas.

A medida apanhou de surpresa a Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (Anopcerco). Humberto Lopes, presidente daquela associação que representa sete organizações de produtores, lança duras críticas à secretaria de Estado garantindo que, ao contrário do que é mencionado no Diário da República, a Anopcerco não foi ouvida sobre o prolongamento do prazo.

Além disso, argumenta, Dezembro já é um mês de desova intenso e prolongar a pesca até essa altura não beneficia a preservação da espécie. “Neste momento não se pode dizer que a pesca da sardinha está parada em Portugal. [A interrupção] seria o rumo certo se estivéssemos preocupados com o estado do recurso”, disse ao PÚBLICO. Há apenas duas organizações com quota de sardinha disponível para pescar e, com o aumento do prazo, “torna-se difícil explicar aos restantes pescadores o sacrifício que têm de fazer ao estarem parados”.

Contactada, a secretaria de Estado do Mar explica que “a dilatação do prazo de captura de sardinha decorre da portaria em vigor e visou apenas garantir que toda a quota disponível seria sempre capturada”. Fonte oficial diz ainda as 150 toneladas que sobram representam “pouco mais de 1% do total”. “Ao ritmo a que tem estado a decorrer, a captura da totalidade da quota deve acontecer nas próximas semanas”, esclarece.

Este ano, foi definido um limite total de 13 mil toneladas para as artes de cerco, repartidas por dois períodos (4000 toneladas entre Março e Maio e 9000 toneladas entre Junho e Outubro) e atribuídas às organizações de produtores. Cerca de 3% foram reservadas para armadores independentes.

Com o prazo a aproximar-se do fim, o executivo decidiu “ajustar” os limites diários fixados para as embarcações, “aumentando-os na medida do necessário para melhor corresponderem ao contexto em que actualmente a pescaria se desenvolve”. Assim, as embarcações com comprimento igual ou inferior a nove metros não podem descarregar mais de 2,5 toneladas de sardinha por dia. Os barcos com mais de nove metros e menos de 16 têm como limite 4,5 toneladas diárias; os de dimensão superior a 16 metros têm seis toneladas. A Anopcerco deu o seu aval quanto ao aumento destes limites, mas não se pronunciou sobre o alargamento do prazo.

De acordo com o despacho publicado quarta-feira, nesta altura do ano a maior parte do peixe capturado destina-se “de forma mais acentuada ao abastecimento da indústria transformadora, nomeadamente da indústria conserveira”. As capturas estão a apresentar “um bom rendimento em algumas zonas da costa onde a pesca ainda decorre”, justifica.

No final de Agosto, a Organização de Produtores do Centro (Nazaré e Peniche) esgotou a sua quota e a pesca foi interdita naquelas zonas. Também os armadores de Portimão ficaram impedidos de sair para o mar, porque esgotaram a quota local anual de 700 toneladas de captura de sardinha.

Ainda não se sabe qual o limite de pesca para 2016. O Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (ICES na sigla inglesa) recomendou que a captura de sardinha em águas ibéricas não deve ultrapassar as 1587 toneladas, quantidade que mereceu forte contestação dos pescadores. Assunção Cristas, ministra da Agricultura, disse que o parecer do ICES não será seguido por Portugal “porque parte de um pressuposto errado de metodologia”. Humberto Lopes lembra que foi prometido, até final de Outubro, fazer uma análise científica à espécie, o que ainda não se concretizou.

Fonte: Público