Caravelas portuguesas avistadas na praia do Guincho


O maior número de avistamentos na costa continental pode
estar associado às alterações climáticas
Duas caravelas portuguesas foram avistadas na praia do
Guincho – uma foi encontrada no areal na segunda-feira e a outra tinha sido
vista a 11 de Janeiro. A informação é avançada pelo Instituto Português do Mar
e da Atmosfera (IPMA), que salienta que esta é uma das poucas ocorrências
registadas para Fevereiro na Península Ibérica e alerta para o risco do
contacto com estes organismos.
As caravelas portuguesas (Physalia physalis) são
frequentemente confundidas com medusas (ou alforrecas) devido ao seu aspecto
gelatinoso, mas têm longos tentáculos que libertam um veneno forte, quando em
contacto com outros organismos. As toxinas causam reacções cutâneas e dor
intensa, mesmo quando os organismos já se encontram mortos, pelo que o IPMA
aconselha a manter a distância.

Fonte: DN

Museu é construído a 15 m de profundidade no Mar

Esculturas representando moradores de ilha espanhola foram expostas no fundo do Atlântico; só é possível vê-las com fatos de mergulho.



Cerca de 300 estátuas foram colocadas a 15 metros de profundidade em Lanzarote, uma das ilhas Canárias. 
O novo museu da cidade conta com obras do artista britânico Jason DeCaires.
Ele fez esculturas dos moradores de Lanzarote em suas actividades diárias.
As estátuas são feitas de concreto que não prejudica o meio ambiente e devem durar 300 anos.
Veja o vídeo:
Fonte: BBC

Vitor Caldeirinha: Não há falta de Estratégia Nacional para os Portos

Para o Presidente da Associação dos Portos de Portugal, Vitor Caldeirinha, não falta uma Estratégia Nacional para os Portos, o que é necessário é prosseguir e intensificar a estratégia dos últimos 10 /15 anos, que tem sido muito positiva.


Na transcrição que fizemos do Debate sobre o Estudo da Concorrência, referimos que defendia a continuidade em detrimento da inovação uma vez os nossos portos não serem líderes nem desafiadores. O termos «inovação» estava aplicado em sentido lato mas estando hoje tão colado à inovação tecnológica, presta-se, de facto, a equívoco. Quer expor melhor a sua ideia?
O que defendo é alguma continuidade no prazo das concessionárias para criarem laços com as redes logísticas e o recurso a soluções das melhores práticas de portos no mundo, em vez de copiar outros sectores e ou entrar em experimentalismos (inovações arriscadas desadequadas e não testadas em portos).

No mesmo Debate, elencou uma série de princípios que afirmou importantes no desenvolvimento do sector portuários, quer destacar aqueles que considera, de facto, os mais determinantes?

A questão das economias de escala e da eficiência, muito importantes nos portos.
A questão da análise, caso a caso, pelas autoridades portuárias, sem soluções gerais chave na mão.
A proximidade local de administrações portuárias autónomas em coopetição entre si.

 Como é que vê o enquadramento dos nossos portos em termos de um mercado europeu mais vasto e mesmo, eventualmente, em termos mundiais?

Destaco o papel de Sines nesse enquadramento mundial da nossa economia. Muito relevante. Os restantes são portos locais ou regionais de ligação Atlântica e Europeia.
Até onde é que entende poder chegar o hinterland dos nossos portos?
Pode chegar a Madrid ou mesmo à Península ibérica toda. Será já muito bom. A França ou Alemanha parece difícil, pois nem Barcelona quase chega a França, nem Le Havre ou Marselha chegam à Alemanha.
Mas o nosso foreland regional pode chegar de forma mais frequente e intensa com a JUL (Janela Única Logística) à Europa e África em competição forte com a rodovia.
Como Presidente da Associação dos Portos de Portugal, quais os três principais factores que considera mais determinantes alterar tendo em vista um aumento da sua competitividade?
 Criar concessões livres sem obrigações de serviço público como fizeram no ano passado no Brasil, permitindo, por exemplo, os terminais dedicados a linhas.
Não limitar os prazos de concessão a não ser ao retorno do investimento.
Criar uma zona franca portuária pelo menos como a de Barcelona.

Como é que vê a integração dos nossos portos no Corredor Atlântico e na Rede Transeuropeia de Transportes?

 Essencialmente através da JUL, da ferrovia com regras e especificações técnicas harmonizadas e de parcerias com plataformas logísticas no hinterland.
O que pensa da política e respectiva estratégia europeia para os portos? O que gostaria de ver alterado?
Maior autonomia às Administrações Portuárias, mas maior transparência de contas e indicadores estatísticos e maior investimento europeu nos portos da coesão e de proximidade como pólos de desenvolvimento, em vez de apenas nos core.

Quais deveriam ser, em seu entender, as linhas gerais de uma estratégia nacional portuária?

Prosseguir e intensificar a estratégia dos últimos 10 /15 anos, que foi muito positiva.


Para liderar Economia do Mar, Portugal deve apostar na formação e na Marinha

Um especialista em economia do mar defendeu que Portugal tem de aumentar o número de alunos nos cursos relacionados com actividades marítimas, apostar na construção naval e reforçar as horas de navegação da Marinha, se pretende liderar o sector.

“Não se tem notado um grande crescimento, por exemplo, de alunos que entram em cursos ligados ao mar”, os dados sobre a construção naval “demonstram uma redução” da actividade e, “se há menos marinheiros da Marinha Portuguesa no mar e a tendência é continuar, teremos menos pessoas preparadas para a salvaguarda da vida humana e para as actividades de segurança no mar”, disse à agência Lusa Miguel Marques, sócio da consultora PricewaterhouseCoopers (PwC).
O responsável pela área da economia do mar da consultora falava a propósito da apresentação, em Lisboa, do LEME Portugal Barómetro PwC da Economia do Mar, trabalho da área da responsabilidade social da PwC que vai na 6.ª edição e reúne dados estatísticos de várias entidades sobre a evolução daquela área.
Os números do projecto LEME revelam que “há claramente áreas muito positivas de crescimento” na economia do mar, tendo em conta a crise, pelo que esta “é uma boa notícia”, mas também demonstram que “há áreas de preocupação”, resumiu o especialista.
Entre as preocupações está a formação marítima em que “não se tem notado um grande crescimento, por exemplo, de alunos que entram em cursos ligados ao mar”, o que “pode impactar no ritmo do desenvolvimento da economia do mar”.
“Só com pessoas bem preparadas, bem treinadas, é que a economia do mar pode crescer”, referiu Miguel Marques.
Os dados do estudo revelam que o acumulado de estudantes a entrar na primeira fase do acesso ao ensino superior naqueles cursos tem sido relativamente estável e, para Miguel Marques, “se Portugal quer ser líder em termos de economia do mar, este indicador terá de subir”.
“Temos monitorizado as horas de missão no mar, de navegação da Marinha Portuguesa e, ao longo do tempo, têm decrescido, logo, se há menos marinheiros e se a tendência continuar, teremos menos pessoas preparadas para a salvaguarda da vida humana para as actividades de segurança no mar”, frisou.
Assim, “a médio e longo prazo, esta tendência não pode continuar a descer, se queremos ser líderes da economia do mar”, concluiu Miguel Marques.
Por outro lado, os profissionais têm de contar com bons equipamentos e “isso leva-nos às embarcações, à construção naval”, pois “sem equipamento pesado para estar no mar não é possível aproveitar da melhor forma a economia do mar”.
A informação sobre a actividade na construção naval aponta para uma redução, enquanto na manutenção e reparação naval, “a indústria portuguesa tem dado resposta, tem empresas que estão bem economicamente”, segundo o especialista da PwC.
O responsável lembrou que o cuidado crescente com o ambiente pode levar ao aumento da construção de novas embarcações sustentáveis, o que pode ajudar o sector no futuro.
O LEME também traz “boas notícias” e, apesar da crise económica, “a exportação da indústria de conservas tem aumentado muito”, tal como a exportação de peixe transformado, a actividade dos cruzeiros, em alta desde 2008, e o volume de carga nos portos.
O sócio português da PwC defendeu que “são crescimentos a dois dígitos, de 20 a 30%, o que é bastante elevado, principalmente em períodos de crise”.
Também o registo internacional de navios português, sediado na Madeira, tem “crescido exponencialmente”, o que, não tendo ainda “impacto económico visível, é uma porta que se abre”, acrescentou.

EA // SO
Lusa/Fim

Lisnave reparou 107 navios de 19 países em 2015

Grécia, Singapura e Alemanha foram os países com mais navios reparados nos estaleiros navais da Mitrena no ano passado. A Lisnave reparou mais navios e para mais clientes.



A Lisnave efectuou em 2015 a reparação/manutenção de 107 navios, pertencentes a 56 clientes diferentes, provenientes de 19 países, divulgou a empresa numa nota sobre a sua actividade no ano passado.

Números que revelam um aumento quer relativamente aos navios reparados quer de clientes. Segundo os dados da actividade da Lisnave em 2014, a empresa reparou nesse ano 92 navios, de 52 clientes, oriundos de 21 países.

De acordo com a empresa, Grécia, Singapura e Alemanha continuam a liderar o quadro dos países com mais navios reparados nos seus estaleiros navais no último ano, “sendo 33 navios da Grécia, 20 navios de Singapura e 11 navios provenientes da Alemanha”.

A Lisnave destaca também Itália e Inglaterra, que repararam nove navios cada, e ainda o Japão, que confiou cinco navios aos seus serviços.

Na mesma nota, a Lisnave adianta que o grupo Teekay Marine voltou a ser a empresa de destaque no número total de navios docados na Mitrena, em Setúbal, com 11 navios, seguida da Tsakos Columbia Shipmanagement, com oito, a italiana Grimaldi Group, com sete navios, e a Navigator Gas e a Entreprises Ship and Trading, com cinco navios cada.

A Lisnave salienta a manutenção do seu segmento tradicional de actividade na reparação de petroleiros, com um total de 61 navios reparados em 2015, acrescentando que no ano passado registou também um aumento das reparações de outros tipos de navios. Como refere, foram reparados 14 porta-contentores, 13 navios graneleiros, 7 navios ro-ro e seis LPG (navios de transporte de gás de petróleo liquefeito).

 

No ano 2000, o grupo José de Mello vendeu a Lisnave, pelo preço simbólico de um dólar, a dois quadros da empresa. Os estaleiros da Margueira, em Almada, foram desactivados e a nova Lisnave concentrou-se na Mitrena, em Setúbal.


Fonte: Sábado 

Em 2050, os oceanos poderão ter mais plástico do que peixe

É uma previsão preocupante. Em 2050, a quantidade de lixo nos oceanos poderá superar a quantidade de peixes, assegura um relatório produzido pela Fundação EllenMacArthur e divulgado pelo Fórum Económico Mundial nesta terça-feira.
Por ano, oito milhões de toneladas de plástico vão parar aos oceanos — é como se, a cada minuto, um camião do lixo deitasse toda a sua carga no oceano, explica o relatório. No entanto, a tendência é para piorar: em 2030, esse número terá crescido para o equivalente a dois camiões do lixo por minuto, e quatro em 2050.
O relatório identifica a causa do problema: os sistemas de filtragem falham na recolha de 32% dos plásticos, que acabam por ir parar aos oceanos e aos restantes ecossistemas naturais.

EMPRESAS DEVEM REUTILIZAR EMBALAGENS

O relatório adianta também que a esmagadora maioria do plástico produzido — 95% — é deitado ao lixo logo após a primeira utilização, o que faz disparar a quantidade de plástico desperdiçado.
Um quarto do plástico que vai parar aos oceanos é utilizado em embalagens. Por isso, a proposta da Fundação Ellen MacArthur assenta precisamente em aumentar a importância da reciclagem e obrigar as empresas que vendem produtos envoltos em plástico a reutilizar o material. O estudo conclui que apenas 14% das embalagens feitas de plástico são recicladas.

Fonte: Expresso

Porto de Setúbal cresce no shortsea

Com o arranque do terceiro serviço da Wec Lines, o porto de Setúbal passa a contar com nove linhas regulares de shortsea shipping, sublinha a administração portuária.


Actualmente são quatro as companhias especializadas no SSS a escalarem o porto da foz do Sado: Wec Lines (com três serviços), MacAndrews (três serviços), OPDR (dois serviços) e Tarros (um serviço).
Juntas, oferecem 15 escalas semanais e ligações para portos da Europa, Mediterrâneo, Médio Oriente, Costa Ocidental de Marrocos e Canárias.
Em 2015, recorda a APSS, o tráfego de contentores cresceu 17% em termos homólogos para um novo recorde de 121 mil TEU.
Com características distintas, a administração portuária destaca também, em comunicado, o crescimento de 13% no tráfego ro-ro, em que operam seis linhas em Setúbal – três da Grimaldi, uma da VW Logistics, uma da NYK e uma da EML -, para um total de 168 mil viaturas.
Em complemento ao shortsea, Setúbal – “The South Lisbon Gateway” como agora se afirma – aposta também no desenvolvimento das ligações ferroviárias ao hinterland ibérico, já com quatro comboios semanais para Espanha.
Fonte: T e N


Tubarão surpreende visitantes de aquário ao comer outro tubarão


É
um fenómeno raro pelo que surpreendeu também os trabalhadores do
aquário. Um dia depois, ainda se via a cauda do animal na boca do
tubarão.

Os
visitantes de um aquário em Seul, na Coreia do Sul, tiveram a
oportunidade de assistir a mais do que certamente esperavam. Os
tubarões são sempre animais bastante procurados pelo público neste
tipo de locais, mas ver um comer outro é um fenómeno raro em
cativeiro.

Foi
por isso com surpresa que tanto visitantes como os próprios
trabalhadores do aquário assistiram ao momento. Um tubarão-areia –
uma fêmea de oito anos de 2,2 metros -, comeu um tubarão-leopardo,
que tinha cinco anos e media cerca de 1,2 metros.

Quase
24 horas depois, ainda se via a cauda na boca do tubarão-areia e que
assim poderá ficar até cinco dias, segundo especialistas citados
pela 
Sky
News
,
que acrescentam que como não irá conseguir digerir o tubarão, o
mais provável é que a fêmea acabe por vomitar o corpo.
Este
tipo de ataques entre tubarões em cativeiro são raros – foi a
primeira vez que aconteceu no aquário de Seul -, até porque os
animais são alimentados regularmente. Em causa terá estado a defesa
de território. “Os tubarões têm o seu território. No
entanto, às vezes chocam uns contra os outros e eles mordem-se.
Penso que o tubarão engoliu o corpo todo porque eles costumam comer
tudo quando mordem pela cabeça”, explicou um trabalhador do
aquário.


Aqui
fica o vídeo da SkyNews:

 

Descobrir Desafio “Descobrir os Oceanos”

Concurso escolar nacional sensibiliza para a literacia dos oceanos 

Cofinanciado pelo fundo europeu EEA Grants, o projeto “Descobrir os Oceanos” é promovido pela Formato Verde com o apoio de diversas entidades, nomeadamente: Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), ALGAR, Município da Maia, Município de Matosinhos, Centro Português de Actividades Subaquáticas (CPAS), Fórum Oceano, LIPOR e Serviços Municipalizados de Saneamento Básico de Viana do Castelo (SMSBVC). A Formato Verde promove este projecto inovador “Descobrir os Oceanos” com o objectivo de contribuir para aumentar a literacia dos oceanos, lançando um desafio nacional a todos os alunos do Ensino Básico e Secundário no sentido de criarem um argumento criativo e original, baseado em pelo menos um dos sete princípios da literacia dos oceanos. Os melhores argumentos serão ilustrados por talentosos artistas nacionais e internacionais e publicados num livro de Banda Desenhada denominado “Descobrir os Oceanos”.

O projecto “Descobrir os Oceanos” surge no âmbito do programa PT02 — Gestão Integrada das Águas Marinhas e Costeiras do EEA Grants, que visa elevar a consciência e o conhecimento sobre questões marinhas através de acções de sensibilização e de formação no domínio da gestão marinha integrada.

O livro de Banda Desenhada “Descobrir os Oceanos” constituirá um recurso criativo e lúdico,

simultaneamente educativo e informativo sobre os oceanos, baseado nos argumentos criados pelos alunos e ilustrados por talentosos artistas nacionais e internacionais de banda desenhada.

Todos os alunos do Ensino Básico e Secundário estão convidados a apresentar argumentos criativos e originais subordinados aos 7 princípios da literacia dos oceanos, que contribuam para a promoção da consciencialização, educação e conhecimento sobre a gestão integrada do meio marinho, conforme regulamento do concurso. Os argumentos deverão ser enviados para o endereço eletrónicooceanos@formatoverde.pt, de 1 de Fevereiro a 31 de Março do corrente ano. Os 4 melhores argumentos serão seleccionados por um júri e adaptados para um livro de banda desenhada, ilustrado por artistas nacionais e internacionais. O livro será publicado em versão impressa e digital.

O concurso é dinamizado através das redes sociais: facebook.com/descobrirosoceanos e

twitter.com/descobriroceano, onde é possível aceder ao regulamento.


Fonte: Náutica Press






Investigador do CCM desvenda genoma de Planta Marinha.

Este é considerado pelos cientistas um primeiro passo no estudo das redes genéticas e no cruzamento da ecologia e evolução destas plantas, que são extremamente importantes na gestão da orla costeira, e que têm sido ameaçadas em diversos ecossistemas pelas alterações climáticas.
A sequenciação do genoma da Zostera marina vem revelar algumas das alterações evolutivas que ocorreram durante a migração e adaptação dos ancestrais destas plantas do ambiente terrestre para o marinho.
Das centenas de milhares de espécies de plantas actualmente existentes no mundo, só cerca de 50 colonizaram o mar, as ervas marinhas, o único exemplo de plantas que conseguiram evoluir transitando com sucesso para uma vida permanente debaixo de água salgada.
As ervas marinhas são a base de produtivos ecossistemas costeiros, em todo o mundo, propiciando a existência de áreas que funcionam como berçários de peixes e outros organismos; contribuindo para a estabilização e protecção da orla costeira em relação à invasão do mar e cumprem ainda um importante papel na manutenção da qualidade da água e na remoção e armazenamento de carbono da atmosfera em níveis comparáveis às florestas tropicais.
De entre as ervas marinhas, a Zostera marina, é uma das espécies com maior distribuição mundial, formando extensas pradarias desde as águas do Árctico até ao sul de Portugal no Atlântico NE.
Um dos objectivos desta investigação é desvendar a carga genética que possibilita à Zostera florescer em ambientes tão diversos, demonstrando uma capacidade elevada de adaptação e tolerância a águas com elevada salinidade.
Conforme explica Gareth Pearson, investigador do CCMAR que participa neste estudo, «um dos sinais chave desta adaptação a águas com muita salinidade, parece residir numa parede celular muito específica da Zostera, que é fora do normal, mesmo para plantas aquáticas, apresentando características semelhantes às das algas».
O estudo que a Nature publica traz ainda novos dados, ao considerar que a Zostera, nesta migração para o ambiente marinho, perdeu os estomas, estruturas usadas nas plantas terrestres para as trocas gasosas da fotosíntese.
Ao analisar o genoma, os cientistas sabem agora que os genes responsáveis por produzir estomas se perderam, o que torna impossível o retorno destas plantas ao ambiente terrestre.
Há ainda outros dados revelados no estudo: alguns genes não foram identificados na Zostera, nomeadamente os responsáveis pela produção de sinais voláteis (a hormona etileno) que controlam tipicamente muitos processos de desenvolvimento em plantas, assim como um número de compostos tóxicos, designado por terpenóides que funcionam como insecticidas, detendo insectos predadores e patogénicos.
Gareth Pearson trabalha no CCMAR com uma equipa que realiza estudos e transplantes para recuperação de pradarias de Zostera que se perderam como resultado da acção humana e da pressão costeira, em zonas como a Arrábida.
Um dos projectos mais bem sucedido nesta área foi o Life-Biomares, que se desenvolveu no Parque Marinho Professor Luiz Saldanha e possibilitou o repovoamento desta zona com pradarias marinhas, a partir de outras zonas dadoras de ervas marinhas.
Este estudo vem trazer um conhecimento mais aprofundado da variação adaptativa e potencial destas plantas, ajudando a promover a reflorestação de ecossistemas baseados em ervas marinhas, tão importantes para a qualidade ambiental e riqueza em biodiversidade dos ecossistemas da costa portuguesa.
Fonte: Barlavento