Recorde. Um homem, um par de remos e o oceano Pacífico para navegar
John Beeden não foi o primeiro navegador a cruzar o Pacífico. Mas foi o primeiro a fazê-lo só e numa embarcação a remos. Precisou de 209 dias para chegar de S. Francisco, EUA, a Cairns, na Austrália.
Estivadores mantêm greve em Lisboa até 31 de Janeiro
Um dia depois de ter aceitado reiniciar as negociações de um novo CCT, o sindicato dos estivadores anuncia o prolongamento da greve no porto de Lisboa até ao próximo dia 31 de Janeiro.
Leixões à beira de um novo recorde anual
Mesmo com os contentores em baixa, o porto de Leixões prepara-se para encerrar o ano com um novo máximo de cargas movimentadas, na casa dos 18,5 milhões de toneladas. No final de Novembro somava 17,3 milhões.
MSC supera um milhão de TEU em transhipment em Portugal
A MSC ultrapassou este ano, pela primeira vez, a fasquia do milhão de TEU de transhipment movimentados em Portugal, anunciou a MSC Portugal.
APAT demonstra "preocupação" com Porto de Lisboa que arrisca "extinção"
Leia aqui o comunicado na íntegra:
“Confrontada com a notícia da saída do ‘maior armador do mundo’ – a MAERSK – do porto de Lisboa justificada, pelo grupo dinamarquês, pelas perturbações causadas pela greve dos estivadores em curso desde 14 de Novembro, e com o anúncio, no mesmo dia, de mais um pré-aviso de greve dos estivadores, a Associação dos Transitários de Portugal não pode deixar de publicamente manifestar a sua preocupação pelo futuro de um Porto que, não há muitos anos, era líder na movimentação de contentores e que agora se arrisca a definhar até à sua extinção.
É preocupante o impacto que a saída dos grandes armadores do Porto de Lisboa, como a MAERSK e a HAPAG LOYD, terá não só na economia local, mas na economia nacional e as repercussões negativas que essa saída trará às empresas cujo negócio depende directamente deste porto.
Não nos podemos esquecer que o Porto de Lisboa representa uma peça fundamental na cadeia logística da zona centro sul do país, e que a sua extinção anunciada prejudicará a competitividade não só de produtores/carregadores, que dependem directamente do Porto de Lisboa na distribuição dos seus bens/mercadorias, mas também dos seus parceiros directos, que os auxiliam na movimentação das mercadorias para exportação, como é o exemplo dos transitários.
A APAT considera lamentável que o Porto de Lisboa se esteja a condenar a si mesmo, no entanto quando uma entidade perde a vontade de viver, talvez não faça de facto sentido mantê-la ligada à máquina. Os estivadores e os operadores portuários são órgãos vitais de um mesmo organismo, que, desistindo de continuar a trabalhar em conjunto, condenam esse mesmo organismo necessariamente à extinção
A APAT apela, por isso, ao bom senso e, em última instância, à definição de uma estratégia séria para o Porto de Lisboa por forma a que os todos aqueles que com ele trabalham directamente saibam com o que podem contar no futuro.”
CDS-PP convoca ministra do Mar para explicar "razões por detrás destas greves"
“Iremos chamar ao parlamento a senhora ministra do Mar para que possa sobre esta matéria dizer quais são as razões que estão por detrás destas greves”, anunciou o partido, através de Hélder Cabral, vice-presidente da bancada parlamentar do CDS-PP. Como transcreve o jornal ‘Diário Económico’, Hélder Amaral afirmou que “um mês de greve a somar a um passado de greves que retiram credibilidade e estabilidade ao Porto e que levam à ameaça de saída de um dos grandes operadores mundiais é muito importante e merece resposta da tutela”.
De acordo com as palavras de Hélder Cabral, que podem ser lidas na versão online do ‘Diário Económico’, “a notícia de hoje da possível saída do maior operador mundial é um dano e um mal causado às empresas portuguesas, às exportações portuguesas, à economia portuguesa e à imagem de Portugal”.
O Declínio do Transporte Marítimo
É oficial. Ninguém pode dizer o contrário. O Transporte Marítimo saturou tanto, que entrou numa fase de declínio de onde deverá sair lentamente até 2018. A inauguração de novos navios, cada vez maiores, na sua dimensão e capacidade levou a uma enorme sobre-procura que inundou o mercado e o levou a estagnação. Os maiores armadores mundiais, andam em contenção de custos, redução de investimento e em certos casos em despedimentos. As alianças entretanto formadas, reduziram os custos, mas de certa forma também reduziu a autonomia de cada armador. Desde 2014 para cá, já fecharam 43 Terminais Portuários, sendo que dos últimos que fecharam, dois pertenciam a PSA Internacional ( Que opera em Sines ), e outro pertencente ao grupo Yildirim ( Que opera agora em vários Terminais nacionais, Lisboa incluída). Apesar do Transporte Marítimo de Contentores, ser o principal meio de transporte à nível Mundial, as crises cíclicas vem acontecendo de há anos para cá. Em 2009, 2012 e agora em 2015, os ciclos vão-se sucedendo, fazendo com que o mercado se tenha de redimensionar a cada ciclo de crise. Mas o futuro não augura nada de bom. A tendência dos concessionários portuários para a inovação, para o futuro da automatização, irá criar não só um novo paradigma, em que o meio automático será preferível que o meio humano, tornando os terminais mundiais em terminais sem vida, sem a componente humana, tornando-se quiçá numa qualquer cena de um filme futurista. A enorme pressão para conter custos, não só devido à enorme questão da oferta, irá fazer com que seja cada vez menos necessário a figura do Estivador, querendo esta nova mentalidade quase que extinguir aquele que foi o principal alicerce no crescimento do sector portuário. Chegamos a 2015, não com uma visão mais positivista deste Sector, mas com quase a certeza de que ao aumentar a oferta e a diminuir a procura, ao querermos automatizar em vez de incentivar o potencial humano, irá levar a um novo modelo de gestão que não beneficiara ninguém, ao não ser os interesses dos grupos portuários, cansados de ter de lutar contra uma classe laboral de valor e de trabalho. É o futuro dirão uns. É um retrocesso social que irá levar ao despedimentos ( Ainda mais do que tem existido ultimamente). Sem navios e movimentação, não há lucro. Sem investimento, não há crescimento. Sem todos estes factores, o sector dispersa e decresce. Será que queremos um futuro brilhante? Ou será que queremos um futuro frio?
Em Portugal, o futuro é ainda incerto. Ainda tem de clarificar o seu caminho. Mas é cada vez mais complicados para os concessionários lutarem contra a concorrência barata e quase desleal. Lisboa é um Terminal com futuro muito incerto, apesar do investimento milionário proveniente da Turquia. Em Sines, também afectada pela conjuntura global, também afundou, tendo ainda de lutar com a concorrência feroz do Transhipment proveniente do Norte de África. Os restantes terminais também com os seus problemas, nomeadamente a sua reduzida dimensão, hinterlands de baixo rendimento e estratégia sem sentido, com uma excepção clara de Setúbal, que tem tido o engenho de reinventar-se de modo a surgir como uma alternativa muito credível à Lisboa. Uma coisa temos a certeza. Quando a Economia Global reacender, a Economia do Mar irá recuperar. Mas que estragos irá existir até voltarmos ao crescimento ?









