Concessões portuárias renderam 16,2 milhões no primeiro trimestre

As administrações portuárias de Leixões, Aveiro, Lisboa, Setúbal e Sines encaixaram 16,2 milhões de euros, no primeiro trimestre, das respectivas concessões, maioritariamente de terminais de movimentação de mercadorias, apurou a UTAP (Unidade Técnica de Acompanhamento de Projectos).


Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, verifica-se uma quebra de rendas de cerca de 3%, que contrasta com o aumento de 7% nas mercadorias movimentadas pelas concessões (18,9 milhões de toneladas). Mas a UTAP desvaloriza a situação.
Para o final do ano, a estimativa das rendas pagas pelas concessões às administrações portuárias é de 69,4 milhões de euros, valor que  concretizar-se superará os 68,8 milhões de euros do ano passado mas ficará abaixo do máximo de 70,4 milhões de euros registado em 2014.

APDL é quem mais recebe

A APDL continua a ser a administração que mais recebe das concessões. No primeiro trimestre foram 7,1 milhões de euros (44% do total), menos 5% em termos homólogos.
Seguiu-se-lhe, a grande distância, a autoridade portuária de Sines, com um total de 3,95 milhões de euros, a receber mais 3% do que no primeiro trimestre de 2015.
Em Lisboa, as  rendas das concessões baixaram 6% at+e aos 3,5 milhões de euros, ao passo que em Setúbal se mantiveram nos 1,6 milhões de euros e em Aveiro recuaram 6% para 112 mil euros.

TCL é quem mais paga

Sozinha, a Terminal de Contentores de Leixões, concessionária da infra-estrututura com o mesmo nome, arca com 27% das rendas pagas pelos detentores de concessões portuárias. A empresa agora detida pelos turcos da Yilport pagou, só entre Janeiro e Março, 4,4 milhões de euros à APDL.
Neste ranking particular das concessionárias, o grupo Petrogal é o segundo classificado, mercê da concessão do terminal de granéis líquidos de Sines (pagou 2,1 milhões de euros à APS) e da concessão do terminal de produtos petrolíferos de Leixões (pela qual pagou 1,5 milhões de euros à APDL).
A concessão do terminal multipurpose de Sines rendeu à administração portuária do porto alentejano 1,2 milhões de euros. Acima do milhão de euros de rendas pagas situaram-se ainda os terminais de contentores de Santa Apolónia, em Lisboa, com 1,1 milhões, e o terminal de carga geral e granéis de Leixões, com um milhão de euros.
Fonte: T e N

Água do mar nunca esteve tão quente em 35 anos

A temperatura da água do mar no Algarve registou em Julho valores superiores em cerca de dois graus Celsius em relação ao mesmo período de 2015, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

A temperatura da água do mar no Algarve registou em Julho valores superiores em cerca de dois graus Celsius em relação ao mesmo período de 2015, anunciou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com a informação disponível na página da internet do IPMA, durante o mês de julho a temperatura da água do mar na costa sul do Algarve apresentou uma tendência de subida, verificando-se valores médios entre 22 a 23 graus na região de Sagres e superior a 24 graus a leste de Faro.
Segundo o IPMA, entre meados de Julho e meados de Agosto a boia ondógrafo de Faro do Instituto Hidrográfico registou temperaturas entre os 22 e os 26 graus, valores superiores aos verificados em igual período de 2015, “de que são exemplo os registos de 17 a 19 graus entre Sagres e Portimão e de 22 a 23 graus próximo de Vila Real de Santo António”.
“Quando comparando com o período de referência 1981-2010, verifica-se que, entre 17 de Julho e 13 de Agosto de 2016, a anomalia da temperatura da água do mar na região [do Algarve] foi de 0,5 a um grau centígrado, sendo que os valores típicos neste período se encontram no intervalo entre 22 e 24 graus”, referiu ainda o IPMA.
O instituto atribui a subida da temperatura da água do mar da costa sul do Algarve aos “episódios de vento de levante no estreito de Gibraltar, ao qual está associado um transporte de águas mais quentes do Mediterrâneo para o oceano Atlântico, e que atingem a costa sul da Península Ibérica, em particular o sotavento algarvio”.
Na segunda quinzena de Julho e na primeira quinzena de Agosto, “o regime de levante no estreito de Gibraltar ocorreu com persistência, e com interrupções pouco duradouras, favorecendo assim, a manutenção de ­temperaturas superficiais elevadas”.
O instituto indicou ainda que, durante este período, na costa oeste do continente, a temperatura da água do mar variou entre os 15 e os 19 graus, registando-se a partir do final de Julho um aumento gradual da temperatura da água do mar a sul da Península de Setúbal, com valores entre os 20 e 23 graus em meados de Agosto.
Fonte: Observador

Pescador guardava pérola de 34 quilos debaixo da cama

Um pescador filipino escondeu debaixo da cama, durante dez anos, uma pérola, com 34 quilos, que poderá ser a maior do mundo.

O filipino descobriu a pérola no interior de uma ostra-gigante, na qual a âncora do seu barco tinha ficado presa, contou Cynthia Amurao, responsável do turismo de Palawan, a maior ilha a oeste do país.
Desconhecendo que a sua descoberta, com 30 centímetros de espessura e 60 de comprimento, poderia valer milhões, o pescador guardou a pérola como um talismã debaixo da cama.

Em Julho, deu a pérola a uma tia e pediu que a guardasse.

“Fiquei espantada quando vi a pérola em cima da mesa da cozinha. Propus expor a pérola”, contou Amurao.
A pérola encontra-se, desde segunda-feira, numa vitrina da câmara de Puerto Princesa, capital de Se for considerada legítima, poderá ser a nova detentora do título de “maior pérola do mundo”, ultrapassando a “pérola de Alá” ou “pérola de Lao Tzu”.

Esta pérola, que também foi encontrada em Palawan, na década de 1930, tem apenas cerca de seis quilos mas foi avaliada em dezenas de milhões de dólares.
“O pescador não assinou qualquer documento de doação à cidade”, sublinhou um responsável de Puerto Princesa, Ricard Ligad. “A pérola continua a pertencer-lhe”, acrescentou.
De acordo com a imprensa, a pérola poderá ser avaliada em cerca de 100 milhões de dólares.Palawan. Os responsáveis da ilha esperam a avaliação de gemólogos.

Portugal regressa à liderança dos Mundiais de surf

A selecção portuguesa de surf regressou no passado sábado à liderança nos Mundiais de surf, que decorrem em Jacó, Costa Rica, colocando três surfistas na prova final.

A selecção portuguesa de surf regressou no sábado à liderança nos Mundiais de surf, que decorrem em Jacó, Costa Rica, colocando três surfistas na prova final: Guilherme Fonseca, Pedro Henrique e Teresa Bonvalot.
Pedro Henrique e Guilherme Fonseca alcançaram um ‘score’ de 16,03 e 16,33 pontos, respectivamente e vão agora disputar o quadro principal, tendo como adversários o costa-riquenho Noe Mar McGonagle, campeão mundial em título, e o venezuelano Francisco Bellorín.
Teresa Bonvalot, bicampeã nacional, conseguiu 17,10 pontos (7,67 e 9,43), garantindo o apuramento para a primeira final do evento. Caso a atleta supere esta prova, vai directa para a grande final.
Na primeira bateria da ronda 4, Carol Henrique perdeu e foi relegada para as repescagens. Ainda venceu uma bateria, mas na ronda 7 das repescagens foi afastada da competição.
Tanto na categoria masculina como na feminina, se os atletas não passarem na prova poderão ter uma nova oportunidade nas finais de repescagem, já que os dois primeiros lugares da final de repescagem são apurados para a grande final.
“Estamos muito orgulhosos do nosso percurso até ao momento. Estar na final de um campeonato do mundo de surf é, sem dúvida, um feito para Portugal. Os nossos atletas têm sido irrepreensíveis nas suas prestações, por isso acreditamos que temos hipótese de conquistar este título para o país”, afirmou João Aranha, Presidente da Federação Portuguesa de Surf.
Fonte: Observador

Lula derrete coração de Cientistas

Fofura não é uma característica frequentemente associada com cefalópodes; no entanto, uma recente expedição às profundezas do sul da Califórnia provou que até lulas que habitam o oceano mais de 900 metros abaixo da superfície podem ser tão “encantadoras” quanto um brinquedo. Isso aconteceu quando os cientistas a bordo do navio de pesquisa Nautilus viram dois grandes olhos os encarando de volta, pertencentes a uma pequena lula roxa e atarracada (Rossia pacifica).
Os investigadores explicam que a adorável criatura marinha é uma espécie de lula sepiolida nativa do norte do Oceano Pacífico. Elas habitam as águas do Japão ao sul da Califórnia e normalmente encontram-se ao longo do fundo do oceano. As lulas atarracadas normalmente podem ser encontradas em profundidades de cerca de 300 metros, mas podem ir até 1.300 metros de profundidade, como observado pelo Instituto de Pesquisa do Monterey Bay Aquarium.
Os “bizarros olhos arregalados” do cómico cefalópode em formato de bola, como apelidado por um dos observadores durante a transmissão de um vídeo, fizeram com que até mesmo a tripulação de cientistas profissionais tivesse uma crise de riso e brincasse que os olhos da criatura pareciam falsos, como se eles tivessem sido pintados. No entanto, os olhos das lulas atarracadas são reais e são um recurso crucial para a sobrevivência da espécie em águas profundas, onde a luz solar é muito escassa.
Fonte: Eatglobe

Maersk Line perde mais do que o esperado

A forte degradação das tarifas médias, que nem o aumento dos volumes transportados nem a redução dos custos unitários lograram compensar, atiraram o resultado do primeiro semestre da Maersk Line para um prejuízo de 114 milhões de dólares, em contraste com o lucro de 1,2 mil milhões de dólares de há um ano.


O resultado anunciado superou as expectativas negativas dos analistas. A culpa foi do agravamento da situação do mercado no segundo trimestre.
No primeiro semestre, a Maersk Line transportou 5,02 milhões de FEU (mais do que os 4,69 milhões da primeira metade de 2015) mas a tarifa média caiu para 1 782 dólares/FEU (2 370 dólares há um ano). E assim de pouco valeu o aumento dos volumes, a redução dos custos operacionais unitários (de 2 342 dólares para 1 982 dólares) ou a quebra do preço do combustível (186 dólares contra 346 dólares/tonelada).
As receitas caíram de 12,5 mil milhões para dez mil milhões de dólares, o EBITDA (que foi de 2,2 mil milhões de dólares no período homólogo de 2015) ficou-se pelos 851 milhões de dólares, o resultado líquido foi negativo em 114 milhões de dólares (contra 1,2 mil milhões positivos) e o ROIC anualizado afundou para -1,1% (12,2% há um ano).
Excesso de oferta, falta de procura, redução do preço do combustivel são as explicações avançadas para o descalabro das contas.
E assim sendo, a Maersk Line avisa que o final do ano ficará muito longe dos 1,3 mil milhões de dólares de lucros conseguidos em 2015.
Fonte: T e N

7º Iate mais caro do Mundo esteve em Sines.

Depois do «Radiant», foi agora a vez do «Yas». Primeiro, o 7º mais caro iate do mundo, avaliado em 258 milhões de euros, agora o 6º mais caro, que deverá rondar os 300 milhões de euros. Ambos passaram pelas águas alentejana nos últimos dias, tendo estado atracados no largo da baía comercial do Porto de Sines.
O «Radiant», com 365 pés de comprimento (cerca de 110 metros, o comprimento de um campo de futebol) e com 19 de largura máxima, tem heliporto, armas sónicas e jactos de água capazes de afundar qualquer embarcação que se aproxime.
Antes de chegar a Sines, esteve fundeado no porto de Portimão, proveniente de Ibiza. Acomoda 16 passageiros, servidos por uma tripulação de 44 pessoas.
Pertenceu a Boris Berezovsky, o milionário russo encontrado morto em 2013, que antes o vendeu ao actual proprietário, Abdulla Al Futtaim, o 4º mais rico dos Emirados Árabes Unidos.
Abdulla Al Futtaim ocupa ainda a posição número 549 no ranking dos mais ricos do mundo e a sua fortuna está avaliada em mais de 2,8 mil milhões de euros, segundo a revista Forbes. A sua fortuna provém de negócios de distribuição das marcas de automóveis Toyota e Honda nos Emirados Árabes Unidos, assim como franchisings do Ikea, Toys ‘R’ Us, entre outros.
Quanto ao «Yas», é propriedade do xeque Hamdan bin Zayed Al Nikh al Nahyan, quarto filho do falecido emir do Abu Dabi e fundador dos Emirados Árabes Unidos. É meio irmão do actual emir. Já foi ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros dos EAU. O iate deve ter sido baptizado com o nome do seu filho Yas bin Zayed Al Nahyan.
O «Yas» tem 141 metros de comprimento (463 pés) e foi entregue ao seu dono em 2013. Foi construído nos estaleiros de Abu Dabi, usando como base o casco de uma antiga fragata da marinha real holandesa. Tem acomodações para 60 passageiros, com uma tripulação de 56 pessoas.
O seu casco foi combinado com uma estrutura de vidro, o que lhe dá um aspecto muito futurista. Está equipado com heliporto, spa, zona de lazer, entre muitas outras comodidades.

Reserva Mundial de Surf da Ericeira tem centro interpretativo digital

A Ericeria tem visto a sua comunidade alterada desde 2011, altura em que foi declarada a primeira Reserva Mundial de Surf na Europa. O turismo sofreu um ‘boom’, a oferta de camas e hostels explodiu, assim como despertou a realização de surf camps para surfistas e aspirantes de todo o mundo, sobretudo dos países do norte da Europa.
Para explicar toda esta temática e as condições excepcionais da Ericeira para a prática da modalidade, dispersas em sete ‘spots’ (Pedra Branca, Reef, Ribeira d’Ilhas, Cave, Crazy Left, Coxos e São Lourenço) lançou um centro interpretativo que está instalado num dos edifícios mais emblemáticos do centro da vila outrora piscatória, e agora tão surfista.
O espaço não é megalómano, mas chega para albergar um conjunto alargado de ecrãs tactéis que nos vão guiando em explicações detalhadas, como o caso de uma maquete em que através da técnica de videomapping que as ondas não são iguais em todas as praias.  Além dos oceanos, também a riqueza ambiental e a importância desta vila do concelho de Mafra para história do surf, e os nomes dos filhos da terra como Joana Rocha e Tiago ‘Saca’ Pires. Desde 1977 que se realizam campeonatos de surf na mais emblemática das praias, Ribeira de Ilhas, conhecida pelo fantástico por do sol, além das míticas ondas que tantos atraem. Todas estas informações são completadas e complementadas por sete Ipads numa experiência interactiva e digital.
A inauguração aconteceu em Junho e resultou da colaboração da Câmara Municipal de Mafra em conjunto com mais de 20 criativos da Experimentadesign. Entre ondas e marés, há ainda espaço para o Surf Café, que dá a conhecer os ricos produtos da região saloia: pão de Mafra, queijo fresco, limão e pera-rocha.
Centro de Interpretação da Reserva Mundial de Surf da Ericeira > Pç. da República, 17, Ericeira > T. 261 863 122 > seg-dom 10h-20h (jul-ago), até às 19h (jun, set), até às 18h (out-mai) > grátis

Tubarão-galha-branca-oceânico pescado sem trégua

Quando o documentário Morte Branca em Água Azul estreou nos cinemas, em 1971, as imagens de tubarões-brancos investindo contra as gaiolas dos mergulhadores tiveram um impacto estrondoso. Mas, hoje, a parte que mais se destaca é a cena dos galha-branca-oceânicos destroçando uma carcaça de baleia no litoral da África do Sul.
As imagens são impressionantes por dois motivos: primeiro, porque os mergulhadores abandonam a segurança das gaiolas na primeira vez em que alguém arriscava essa técnica de filmagem em meio a tubarões ocupados em alimentar-se. E, depois, por ser uma cena que, talvez, jamais pudesse ser reproduzida. “Nem dava para contar de tantos que eram”, comenta Valerie Taylor, que fazia parte da equipa. “E isso nunca mais vai acontecer de novo – não nesta geração. Talvez noutra, mas duvido muito.”
Houve uma época em que se achava que os galha-branca-oceânicos estavam entre as mais numerosas espécies de tubarões pelágicos (que vivem em mar aberto) do planeta. Um conceituado livro publicado em 1969, The Natural History of Sharks, chegava até a dizer, a respeito dos galha-branca, que eram “possivelmente o mais abundante animal de grande porte – ou seja, aqueles pesando mais de 45 quilos – na face da Terra”. Antes conhecidos por assediar naufrágios e barcos de pesca, agora estão quase desaparecidos devido à pesca comercial e à demanda por barbatanas – os galha-branca, ao mesmo tempo, foram objecto de raros estudos científicos e receberam ainda menos atenção das pessoas em geral. “Em termos globais, aniquilamos por completo a espécie”, afirma Demian Chapman, um dos poucos cientistas especializados nesses tubarões. “E, no entanto, quando menciono ‘galha-branca-oceânico’, muita gente não tem a menor ideia do peixe a que estou me referindo.”

Se assistiu ao filme Tubarão, então sabe algo a respeito deles. É também provável que tenha sido a principal espécie que atormentou a tripulação do USS Indianapolis depois que esse navio americano foi afundado por um submarino japonês, no fim da Segunda Guerra Mundial – um episódio conhecido das gerações mais jovens pelo dramático monólogo do fictício capitão Quint, em Tubarão, relatando a sua experiência como sobrevivente do naufrágio. “Mil e cem homens foram ao mar, 316 conseguiram sobreviver. E os tubarões cuidaram dos restantes.”
Há, contudo, um problema no relato de Quint: ainda que os factos estejam mais ou menos correctos, a vivência da tripulação é apresentada de um modo equivocado. De uma coisa não há dúvida: dos quase 1 200 tripulantes a bordo do Indianapolis, cerca de 900 abandonaram o navio, e a maioria deles pereceu em meio a sofrimentos infernais nos cinco dias seguintes. Apenas 317 sobreviveram. Havia tubarões por ali – muitos, na verdade –, e eles realizaram ataques horrendos.
No entanto, quando se perguntou a Cleatus Lebow, de 92 anos – um texano de fala mansa e que estava no Indy –, o que havia sido mais difícil durante o tempo em que passou na água, ele respondeu, antes mesmo que eu concluísse a pergunta: “A sede. Eu faria qualquer coisa por um gole de agua”. E os tubarões? “Vez por outra dava para ver que nadavam ao redor, mas não incomodavam.” Outro sobrevivente, Lyle Umenhoffer, de 92 anos, contou que “tinha de ficar atento quando os tubarões se aproximavam e, se chegassem muito perto, era preciso afastá-los com pontapés. Mas não lembro de ter sentido medo deles – tinha outras preocupações”. (Umenhoffer faleceu pouco depois de conceder o seu depoimento.)
É preciso recordar que, no momento em que foram resgatados, os sobreviventes do Indy estavam dispersos por uma área superior a 250 quilómetros quadrados, e, por isso, as experiências de uns e outros foram muito variadas. E também cabe dizer aqui que talvez os mortos contassem outras histórias. Porém, nenhum dos homens com quem conversei numa reunião de sobreviventes no verão passado – 14 dos 31 tripulantes remanescentes estavam presentes – colocaria os tubarões no topo da sua lista de temores durante aquela provação. Tecnicamente, Quint tinha razão ao afirmar que os tubarões “cuidaram dos restantes” – ou seja, daqueles que não conseguiram sair da água –, mas a maioria desses homens morreu, na verdade, de outras causas: ferimentos, hipotermia, afogamento, desidratação e ingestão de água salgada. “Vi poucos serem mortos por tubarões”, conta o sobrevivente Dick Thelen, de 89 anos. Como lembrou um dos presentes à reunião, “Quint nem sequer menciona de passagem a sensação de sede”.
Contar direito essa história é importante, pois a descrição dos tubarões-galha-branca-oceânicos como sendo matadores vorazes – e, portanto, uma espécie passível de ser eliminada – pode ter acarretado consequências ruinosas. Em terra, já se sabe o que acontece quando são removidos os predadores dominantes: uma bagunça ecológica. (Na África, por exemplo, a redução nas populações de leões e leopardos levou a um aumento tanto de babuínos como dos parasitas que carregam nos intestinos, os quais, por sua vez, passaram a infectar mais os seres humanos.) Que efeito o sumiço quase total dos galha-branca tem naqueles ecossistemas oceânicos em que antes eram tão presentes? Não fazemos a menor ideia. Nada. Tão incipientes são as pesquisas já realizadas sobre a espécie que até mesmo a tentativa de entender como se deu o seu declínio – deixando de lado o modo como esse declínio afecta outras espécies – mais parece a tentativa de solucionar um quebra-cabeça sem que esteja disponível a maioria das peças. E, se atribuirmos erroneamente a esses tubarões o papel de vilão, provavelmente não vamos nos sentir muito motivados em encontrar essas peças ausentes. Se o naufrágio do Indianapolis ocorresse hoje, os sobreviventes quase certamente não seriam atormentados na água por bandos de galha-branca-oceânicos – e isso, na verdade, não seria uma boa notícia.
JACQUES COUSTEAU, O PIONEIRO do mergulho autónomo, certa vez referiu-se ao galha-branca como sendo “o mais perigoso dos tubarões”, mas mergulhadores acostumados a lidar com esses peixes tendem a adoptar uma opinião mais suave. Stan Waterman, outro membro da expedição do Morte Branca em Água Azul, conta que parte do que tornou excepcional o mergulho deles foi que lhes permitiu ver como os galha-branca se comportavam de facto – em contraste com o que imaginavam. “Foi uma aprendizagem”, conta, “pois não sabíamos bem o que ia acontecer assim que saíssemos das gaiolas de protecção.” E acabaram comprovando o relato feito pelos sobreviventes do Indianapolis: os galha-branca- oceânicos não temem se aproximar e tocarcom os focinhos, mas não é provável que ataquem – pelo menos nas ocasiões em que há abundância de outros alimentos na água. “Fomos examinados de perto centenas de vezes”, conta Valerie Taylor, “mas aí decidiam que não valíamos a pena e iam embora.”
Medindo de 2,5 a 4 metros quando adulto, o galha-branca-oceânico é, sem dúvida, grande o suficiente para ser perigoso, além de ser atrevido e persistente. As áreas de mar aberto são uma espécie de deserto ecológico, e os galha-branca são adaptados para gastar o mínimo de energia possível ao explorar o oceano, e o máximo de tempo necessário ao investigar os animais que encontram e que talvez sejam boas fontes de nutrientes. Por isso, deslizam pela água com as compridas barbatanas peitorais que mais parecem asas e, quando encontram um alimento em potencial – um náufrago, uma baleia morta, um cardume de atuns –, eles aproximam-se e fazem uma verificação completa. Se for a única opção alimentar ao redor, é um tubarão muito perigoso. Caso contrário, provavelmente vai ser o encontro mais assustador da sua vida. E só.
Na década de 1950, estudiosos de áreas de pesca no Golfo do México ficaram surpreendidos ao abrir estômago de mais que um exemplar do galha-branca e ali encontrar atuns pesando de 2,5 a 4,5 quilos.Noutra ocasião, esses investigadores avistaram, na superfície do mar, um grupo numeroso de tubarões nadando de boca aberta no meio de um cardume de atuns – eles não são velozes o bastante para perseguir os atuns de pequeno porte. “Não se notava nenhuma tentativa por parte dos tubarões de perseguir ou capturar algum peixe entre as centenas ali existentes”, relataram. “Os galha-branca ficavam apenas à espera e prontos para engolir os atuns que nadassem para dentro das suas bocas.”
A grande ironia é que os investigadores que registaram o espectáculo estavam ajudando a preparar o caminho para a extinção desses tubarões. “Eles foram para lá a fim de descobrir que tipo de pesca comercial poderia ser explorado em águas territoriais americanas”, comenta a ecologista marinha Júlia Baum, que comparou os dados da década de 1950 com os mais recentes a respeito da quantidade de atum pescadol. “E não sabiam se poderiam instalar áreas de pesca viáveis devido ao facto de haver tantos tubarões, devorando os atuns presos nos anzóis e ficando eles próprios presos nas linhas”, diz ela.
Os pescadores então apresentaram duas soluções: ou abater os tubarões a tiros, antes que chegassem aos atuns nos anzóis, ou lançar linhas de pescas separadas para os tubarões, cujas barbatanas, já então se davam conta, eram valiosas. E, juntas, essas duas forças – a brutal desconsideração pelos tubarões e a crescente demanda por sopa de barbatana na Ásia – acabaram nas últimas décadas por dizimar as populações de tubarões no planeta, e afectaram de modo grave os galha-branca-oceânicos. Tendo como base o seu levantamento, Júlia concluiu, em 2004, que as populações dos galha-branca haviam caído em até 99% no Golfo do México, e, embora o estudo tenha sido criticado, outros investigadores constataram declínio igualmente alarmante nos oceanos Atlântico e Pacífico.
Em 2010, ficou tão claro que os galha-branca oceânicos estavam ameaçados que as cinco principais organizações encarregadas da regulamentação da pesca de peixe-espada e atum proibiram que os barcos de pesca ficassem com os galha-branca capturados – até agora, essa foi a única espécie de tubarão a desfrutar de tal protecção. E, em 2013, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (Cites, na sigla em inglês) impôs restrições visando a redução do comércio legal de barbatanas.
O problema é que talvez essas medidas sejam pouco eficazes e tardias. Muitas populações de peixes com esqueleto ósseo podem se recuperar com rapidez após a pesca excessiva, pois procriam relativamente cedo durante o ciclo de vida e põem milhares de ovos de cada vez, ao passo que a maioria dos tubarões, que são peixes cartilaginosos, demora mais para alcançar a maturidade sexual e aí dar à luz pequenas ninhadas com intervalos de um ou dois anos. Por isso, os tubarões são muito vulneráveis. E, no caso do galha-branca-oceânico, “nem sequer sabemos se dão à luz a cada ano ou de dois em dois anos”, lembra o biólogo marinho Edd Brooks.
Brooks faz parte do grupo de cientistas que, desde 2010, vem implantando identificadores e estudando os galha-branca ao largo da Ilha Cat, nas Bahamas. “A ilha é o último lugar conhecido no planeta onde temos certeza de encontrá-los em quantidade considerável”, diz o cientista.
A Ilha Cat fica na beira da da plataforma continental, e isso permite que as águas profundas do Atlântico cheguem até o seu litoral, tornando esse lugar perfeito para encontrar peixes pelágicos de grande porte, como os marlins e os atuns. Cerca de uma década atrás, começaram a circular rumores de que os pescadores que trabalhavam perto da ilha estavam incomodados com os tubarões-galha-branca, os quais roubavam os peixes capturados. O fotógrafo Brian Skerry vislumbrou nisso uma oportunidade rara e contratou uma agência de mergulhadores para fazer fotos submarinas. O êxito fez com que realizassem mergulhos regulares ao largo da ilha. A história correu e os cientistas se mobilizaram.
“Esse era o projecto que sempre planeamos fazer”, diz a bióloga marinha Lucy Howey, “mas não achávamos que seria possível encontrá-los.” A equipe de Lucy, que inclui Edd Brooks e Demian Chapman, instalou localizadores por satélite em quase uma centena de galha-branca, o que lhes permitiu registar os padrões de deslocamentos e outros dados. Com isso, fizeram várias descobertas importantes: primeiro, embora percorram todas as regiões do Atlântico, os tubarões passam a maior parte do ano nas águas resguardadas das Bahamas, em que a pesca com espinhel foi proibida na década de 1990. Portanto, a existência de áreas protegidas talvez seja essencial para a recuperação da espécie.
Em segundo lugar, os galha-branca passam 93% da sua vida entre a superfície e a marca dos 100 metros de profundidade, o que sugere que a pesca comercial em seus primórdios, quando o atum e outros peixes eram abundantes nessa zona, deve ter tido um impacto desproporcional sobre os tubarões. A regulamentação da pesca nessa faixa pode contribuir para a conservação.
Todavia, a terceira constatação é preocupante: a população de galha-branca que frequenta as águas da Ilha Cat talvez seja minúscula, da ordem de apenas 300 indivíduos. Após cinco anos de identificação, a quantidade elevada de indivíduos recapturados sugere um número bem menor de tubarões do que se pensava no início.
Talvez existam populações relativamente robustas em outros locais. Tubarões-galha-branca são vistos com frequência no Mar Vermelho, ao redor das Ilhas Cayman e nas águas do Havaí. Porém, como nessas áreas o mais comum é o avistamento de indivíduos solitários ou de grupos bem restritos, não dá para propor nenhuma estimativa da quantidade total de tubarões.
De acordo com Lucy, a questão crucial é descobrir em quais locais as fêmeas costumam ter os filhotes. A quarta coisa descoberta por sua equipe é que muitos dos galha-branca que vivem ao largo da Ilha Cat são fêmeas grávidas. Mas não há nenhum indício de que dão à luz nessa região. “Nunca vimos filhotes recém-nascidos nas Bahamas”, diz a bióloga. “Se soubermos onde é que dão à luz, poderemos proteger essas áreas.”
NÃO DÁ para voltar no tempo, nem tão pouco resgatar a inocência perdida. Os mares relativamente intocáveis da década de 1950, tão repletos de peixes que os países temiam não conseguir aproveitar esses recursos do que esgotá-los, parecem, hoje, algo quase incompreensível. No entanto, Cuba, que se projecta como uma ponte entre o sul das Bahamas e o Golfo do México, talvez seja também uma ponte para uma época passada. O embargo comercial de mais de meio século imposto pelos Estados Unidos não só prejudicou o desenvolvimento económico: conteve também a exploração dos recursos naturais. Em consequência, as reservas marinhas ao largo da ilha estão entre as mais bem preservadas do planeta.
Neste exacto momento, as autoridades cubanas actuam para formular um plano visando a preservação dos tubarões. Nos últimos seis anos, cientistas do país vêm realizando levantamentos com base nos tubarões capturados por pescadores, chegando a conclusões que vão deixar satisfeitos os seus colegas no resto do mundo. No norte da ilha, na orla do vilarejo de Cojímar, pescadores estão capturando montes de tubarões. E a terceira espécie mais abundante em suas redes é a dos galha-branca-oceânicos. Quase sempre espécimes jovens, e até alguns filhotes.
Fonte: Viajeaqui

Vive na Pobreza e dá aulas de surf gratuitas.


  • Actualmente, Ricardo não tem sítio para viver, tendo de dormir no chão da própria escola. Contudo, ninguém lhe tira o sorriso, pois sabe que o seu projecto social é mais importante que o dinheiro.
  • Chama-se Ricardo e (sobre)vive numa das muitas favelas do Rio de Janeiro. É descrito como sem-abrigo, mas este brasileiro prova que os pobres também podem ser felizes. Ele é o protagonista de um curto documentário produzido pela google, que promete tornar-se viral pela história de vida única.
    Ricardo tinha um negócio lucrativo mas arriscado: levantava balões de ar quente, que serviam para os traficantes fazerem os seus negócios. Até que um dia descobriu o oceano. Depois o surf. E a sua vida mudou. Decidiu abrir uma escola na Rocinha e há 29 anos que ajuda as crianças locais, ensinando-lhes a arte de deslizar nas ondas.
    Mas há um pormenor importante: há 29 anos que dá aulas às crianças desfavorecidas e até a pessoas de mobilidade reduzida, mas sem lhe cobrar nada. Actualmente, Ricardo não tem sítio para viver, tendo de dormir no chão da própria escola. Contudo, ninguém lhe tira o sorriso, pois sabe que o seu projecto social é mais importante que o dinheiro.
    Um belo exemplo de vida que nos é contado no mais recente episódio da série “Beyond the Map, Rio de Janeiro”, produzida pela própria Google. São cerca de 3 minutos de um testemunho emocionante, onde o mar surge como elemento pacificador e de união.
  • Fonte: Beachcam