Som misterioso no fundo do mar assusta população

Uma espécie de zumbido está a aterrorizar os animais e a confundir a população de Nunavut, no norte do Canadá. As autoridades ainda não determinaram a origem do som.
O fenómeno, descrito como “apito”, “zumbido” e “assobio”, é ouvido no Estreito de Hecla e Fury, a cerca de 120 quilómetros de Igloolik (Canadá), desde o verão.
O primeiro alerta foi dado pelos caçadores da localidade que, de acordo com a canadiana “CBC News”, estão desconcertados pelo murmúrio que, supostamente, virá do fundo do mar.
Qualquer que seja a causa, é certo que o som está a assustar os animais, disse à “CBC News” Paul Quassa, membro da Assembleia Legislativa local.
“Esta é uma das principais áreas de caça no verão e no inverno, porque tem um espaço de água rodeado por gelo, abundante em mamíferos marítimos”, explicou, acrescentando que este ano não foi possível avistar nenhum.
De acordo com ambientalistas e moradores locais, pode haver várias explicações para o sucedido. Fala-se na possibilidade de os sons serem causados por navios que navegam na zona ou por atividades da Greenpeace que, destinadas a salvar animais, acabam por assustá-los.
Aquela organização ambientalista descarta-se das acusações e as autoridades locais, bem como as Forças Armadas do Canadá, estão a investigar o caso.


Fonte: JN

Portugal fica de fora do network da THE Alliance

Dias depois da Ocean Alliance, foi a vez da THE Alliance (Hapag-LLoyd, K Line, MOL, Yang Ming e NYK) divulgar a sua oferta de serviços prevista para arrancar em Abril do próximo ano.
Serão 31 serviços, assegurados por mais de 240 navios, a ligarem mais de 75 portos na Ásia (mais de 24), América do Norte (20), Norte da Europa (seis), Mediterrâneo (13), Médio Oriente (seis) e América Central / Caraíbas (seis).
Entre os 31 serviços, haverá cinco no Ásia-Norte da Europa, três no Ásia-Mediterrâneo, 11 no Trns-Pacífico West Coast, cinco no Trans-Pacifico East Coast (através dos canais do Panamá e do Suez), seis no Trans-Atlântico e um no Ásia-Médio Oriente.
O network hoje anunciado não prevê qualquer escala em portos portugueses, ao contrário do que se verifica já com a aliança 2M (que opera em Sines), ou do anunciado pela Ocean Alliance (com um serviço previsto para Lisboa).

Fusão reequilibra forças na THE Alliance

A THE Alliance agrupa as principais companhias que ficaram de fora da 2M e da Ocean Alliance. Entre elas destaca-se a Hapag-Lloyd, a maior de todas, número seis mundial, com uma quota de mercado (em termos de capacidade) de 4,6%.
Uma posição que será reforçada com a integração da UASC, actual número dez do mundo com uma quota de 2,6%.
O (des)equilíbrio de forças no seio da THE Alliance será, entretanto, fortemente atenuado assim se concretize a anunciada fusão das operações de transporte marítimo de contentores da K Line, NYK e MOL.
Juntas, as três companhias japonesas detêm uma quota de mercado (em capacidade) de 6,5%, que lhes garante o sexto lugar no ranking da Alphaliner, à frente da Hapag-Lloyd, ou o sétimo, atrás daquela, assim se concretize a fusão com a UASC.
Fonte: TeN

Triple-E da Maersk pode afinal chegar à marca dos 20 mil TEU

Uma segunda geração do modelo Triple-E da Maersk está a ser construída e deverá marcar a chegada dos primeiros navios porta-contentores com capacidade para 20 mil TEU’s. Quem o diz é a Alphaliner, relativamente a um conjunto de 11 navios encomendados pela Maersk Line que estão já em construção e que serão entregues entre Abril de 2017 e Maio de 2018. 

A Alphaliner avança a previsão com base em fotografias (ver foto) tiradas aos primeiros navios dos 11 que estão a ser construídos para a Maersk Line em estaleiros navais na Coreia do Sul (na Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering – DSME) – com base nas imagens recolhidas, a consultora antevê que os novos Triple-E tenham capacidade acima dos 19.630 TEU que tinha previsto para esta nova geração.

«As primeiras imagens dos estaleiros sugerem que a Maersk Line terá modificado de forma significativa o design dos navios para aumentar ainda mais a capacidade», refere a Alphaliner.

Os novos Triple-E deverão assim ser manifestamente maiores que os anteriores, que tinham capacidade para 18.340 TEU. 


Fonte: Cargo

Siemens Portugal apoia modernização dos portos nacionais

A subsidiária portuguesa da Siemens foi escolhida como hub internacional de engenharia de sistemas de movimentação de carga pela empresa mãe, na Alemanha.
O trabalho que a Siemens Portugal tem feito no desenvolvimento de tecnologia e modernização dos portos portugueses levou a que fosse chamada para participar em projetos mundiais. A empresa tem trabalhado em portos marítimo na Europa, nos Emirados Árabes Unidos, no Egipto e em Aruba. As soluções permitiram a estes portos poupanças de energia de cerca de 70%.
Em Portugal, a Siemens contribui para a poupança de 8.7 milhões de euros e a diminuição das emissões de CO2 em 74 mil toneladas desde 2001. De acordo com a empresa, a tecnologia permitiu o aumento da capacidade de movimentação de carga, assim como melhorar o desempenho energético das infraestruturas portuárias portuguesas.
Com maior potencial de crescimento em Portugal estão os portos de Leixões, Lisboa, Aveiro, Setúbal e Sines que têm sido transformados de forma a responder aos desafios internacionais e tornarem-se a vanguarda portuária. O porto de Sines que foi equipado com tecnologia Siemens no primeiro semestre de 2016 cresceu 10,5%.
As tecnologias mais recentes são na área do controlo de acionamentos regenerativos, que devolvem à rede energia da movimentação de contentores (quando descem ou desaceleram) e software de controlo. Estes permitem “controlar o balanço dos contentores, aumentando a segurança, o que permite encurtar os percursos feitos pelos contentores e, por consequência, o tempo que demora a completar um ciclo, aumentando a produtividade.” assegura a Siemens.
Fonte: Bit

Mundo vive uma explosão na população de águas-vivas?

Ao longo da última década, surgiu uma especulação de que as águas-vivas estariam prestes a tomar conta dos oceanos. Muitos cientistas chegaram a defender que as populações destes animais estariam aumentando em todo o mundo em certas épocas e regiões do planeta.

No entanto, segundo uma pesquisa recentemente publicada pela revista Global Ecology and Biogeology, esta ideia parece não ter fundamento, devido a problemas na metodologia de estudos anteriores.
A bióloga Marina Sanz-Martín e seus colegas do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados, na Espanha, resolveram analisar a literatura científica sobre os surtos desses animais desde antes de 2012. Eles acabaram por descobrir que muitos cientistas que discursavam sobre o assunto não estavam bem fundamentados.
“Há uma tendência de um artigo acabar validando e dando solidez a outro anterior apenas por citá-lo. Isso significa que algumas descobertas são exageradas ou até distorcidas de uma pesquisa para a outra”, disse Sanz-Martín.
Segundo ela, praticamente metade dos estudos analisados citavam outros artigos de maneira incorrecta, mas um deles se mostrou particularmente sujeito a falhas de interpretação. A cientista Claudia Mills publicou um artigo em 2011, questionando se o mundo estaria às vésperas de um surto global desses animais. Sem uma reposta definitiva, ela intitulou o trabalho de “As populações de águas-vivas estão aumentando globalmente em reposta às mudanças nas condições dos oceanos?”.
Apesar de Mills não ter chegado a uma resposta definitiva no seu artigo, muitos cientistas acabaram citando o trabalho, assumindo que ela defendia o “sim”. Anos depois num congresso sobre surto de águas-vivas na Califórnia, a cientista testemunhou o impacto de seu trabalho. “A maioria dos presentes acreditava que as populações estavam aumentando. Foi um choque perceber que nenhum deles se dignou a ler meu artigo, que na realidade era bem equilibrado”. Para a investigadora, a própria quantidade de estudos disponíveis pode ser uma das causas do problema. “É muito difícil lidar com tanta informação e conseguir um equilíbrio de argumentos”.
Segundo um estudo de 2010, 25% das citações que aparecem em artigos de biologia marinha são distorcidos ou mal interpretados. As descobertas de Sanz-Martín, entretanto, não significam necessariamente que as populações não estejam aumentando. O que elas dizem é que a maior parte das evidências que existem actualmente não é confiável.


Oceanos da Melanésia 'valem' 548 biliões de dólares

Os oceanos da Melanésia, na Oceania, “valem” 548 biliões de dólares, e os líderes da região devem se mobilizar para fazer uma gestão sustentável deste recurso, afirma um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), divulgado na passada terça-feira.
Este estudo é uma versão local para esta área do Pacífico, do estudo global que a organização com sede na Suíça publicou em Abril de 2015, no qual calculava, em uma “estimativa conservadora”, o “valor económico” dos oceanos do mundo em 24 triliões de dólares.
A Melanésia é uma vasta região de 8,7 milhões de habitantes que compreende os territórios da Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Nova Caledônia, Vanuatu e Fiji.
Produzido conjuntamente com o Global Change Institute da Universidade de Queensland e o Boston Consulting Group (BCG), este relatório calcula o “valor” dos oceanos através das estimativas correspondentes aos ecossistemas oceânicos, aos recursos marinhos, ao turismo e ao seu potencial de absorção de carbono (o que reduz as consequências das mudanças climáticas).
No entanto, afirma que esta avaliação se encontra abaixo da realidade, porque ignora deliberadamente actividades cujos benefícios não podem ser quantificados.
Recursos ameaçados
Aplicando sempre esta leitura económica, o WWF determina a riqueza anual criada pelos oceanos da Melanésia. Calculado da mesma forma que um PIB nacional, este “produto marinho bruto” (PMB) anual da região é estimado em 5,4 biliões de dólares.
“No entanto, a pressão humana, cada vez maior, em particular a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro não planeado, a poluição gerada pela agricultura e pela indústria mineira, assim como as mudanças climáticas, degradam rapidamente importantes activos das águas melanésias, o que põe em perigo os benefícios que geram”, afirma o relatório.
O estudo observa que a pesca representa actualmente mais de 50% do “PMB” da Melanésia. Porém, levando em conta o crescimento demográfico actual, a Melanésia deveria pescar 60% mais para conseguir alimentar a sua população em 2030.
“Não existe dúvida de que o oceano é o principal recurso da Melanésia há muito tempo”, indica em um comunicado Ove Hoegh-Guldberg, da Universidade de Queensland.
“A pergunta que se formula então é: quanto tempo este durará?”, acrescenta.
O WWF insta os líderes da Melanésia a “se orientarem para um desenvolvimento sustentável”, com uma “liderança visionária”.
“Os países da região deverão tomar iniciativas audazes e decisivas”, continua a ONG, que faz várias sugestões para alcançar os objectivos, em particular a criação de “zonas marítimas geridas localmente”.

Um musical infantil para aprender tudo sobre os Oceanos

O Vasco, a Pat Sardinha e o Pinguim Joaquim são os protagonistas de uma grande aventura: “A Incrível Fábrica dos Oceanos”.

Até 4 de Fevereiro, assista, no Auditório dos Oceanos, no Parque das Nações, em Lisboa, a um musical infantil onde as suas crianças vão aprender mais sobre a conservação e protecção dos nossos mares e do planeta. 

A história:
Nesta aventura o Vasco parte para uma missão muito especial e conta com a ajuda da bióloga Pat Sardinha que, a partir do Centro de Controlo da casa do Vasco, dará todo o apoio à operação.
O Vasco e a Pat, dois apaixonados pelas belezas dos oceanos, vão guiar-nos numa viagem cheia de surpresas. A Incrivel Fábrica dos Oceanos é o mote. O vasto território marítimo de Portugal, o cenário.

Mas algo de muito estranho começa a acontecer… os sinais vitais dos Oceanos parecem estar em desequilíbrio. Será da acumulação de lixo plástico? Será do aumento da temperatura global do Planeta?
O pior é que os seus efeitos já se fazem sentir. Devido às alterações das correntes, o Pinguim Joaquim e a sua jovem filha perderam-se e estão muito longe de casa. Longe das temperaturas
geladas da Antártida os pinguins podem não sobreviver.

O Vasco e a Pat têm agora uma missão muito importante. Talvez a mais importante de todas – ajudar os pinguins e restabelecer o equilíbrio dos oceanos e do planeta. E a ajuda de todos os
trabalhadores da Fábrica dos Oceanos – o mais incrível e maravilhoso engenho que existe no nosso planeta – pode ser fundamental.

Esta é uma aventura para todas as idades, cheia de cores e de amizades que vão durar para sempre. Através desta história vamos todos aprender a respeitar e a amar um bocadinho mais os nossos oceanos. E vamos sobretudo mergulhar num mar de emoções impossíveis de esquecer!

O Ministério da Educação apoia e considera o projecto “A Incrível Fábrica dos Oceanos” de interesse educativo.

Bilhetes:
Auditório dos Oceanos, Parque das Nações, Lisboa – 8 de Outubro a 4 de Fevereiro 2016
Sessões exclusivas para escolas:
Segunda a sexta 11:00 e 14:30
Idades: A partir dos 2 anos

Sessões aos sábados, às 16h30 para público em geral.
Compre já o seu bilhete: aqui

Preço: 8€ por aluno
Entrada gratuita para educadores e auxiliares (Nº Limitado)

Preço especial: 7€ por aluno, para sessões realizadas até ao dia 28 de Outubro.
Faça já a sua marcação: carolina.venancio@plano6.pt / 213 304 152
Uma coprodução Plano 6 e Oceanário de Lisboa

“Mar de Sines” no Leste Europeu

Depois de vencer o prémio de “Melhor Filme Etnográfico” no Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife, Brasil, o documentário que mostra a herança piscatória de Sines continua a viajar pelos festivais internacionais dedicados à tradição e ao património imaterial. A escala mais recente do filme “Mar de Sines” foi o festival Ekofilm, que decorreu de 13 a 15 de outubro, em Brno, na República Checa.
Já na sua 42.ª edição, o Ekofilm é um dos festivais de cinema mais antigos baseados no ambiente. Ao festival de 2016 concorreram 1500 filmes, tendo ficado selecionados apenas 20, 10 na categoria “Ambiente” e 10 na categoria “Património”, sendo nesta segunda categoria que “Mar de Sines” esteve representado.
O filme dedicado aos pescadores de Sines foi apresentado à audiência do festival, a membros do Instituto Camões em Praga e a estudantes universitários checos que estão a aprender português em Brno.
A comitiva de Sines na República Checa foi composta pelo realizador, Diogo Vilhena, pelo produtor, António Campos, e pelo responsável pelo Museu de Sines, Ricardo Pereira. Os custos da deslocação foram suportados pela organização do festival e pela Câmara Municipal de Sines, com o apoio da Mútua dos Pescadores e da empresa EmViagem.
O próximo festival em que “Mar de Sines” vai aportar chama-se Zero Plus, a realizar em Tyumen (Sibéria, Federação Russa), de 27 de novembro a 3 de dezembro, tendo como destinatário o público juvenil.
Paralelamente, está a iniciar-se a exibição do filme para turmas de todos os níveis de ensino das escolas de Sines.
Produzido pela Câmara Municipal de Sines, o documentário “Mar de Sines” representou um investimento de €41 413,32, cofinanciado em 75% pelo PROMAR – Programa Operacional Pesca 2007-2013 / Governo de Portugal – Ministério da Agricultura e do Mar / Fundo Europeu das Pescas / União Europeia. A ADL – Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejo foi o parceiro gestor do GAC Além Tejo.

Governo quer reabrir negociações com a PSA Sines


O Governo PS, através da sua Ministra Ana Paula Vitorino manifestou o desejo na expansão do Terminal XXI quanto antes e do interesse em avançar para as negociações com a PSA Sines, que detem a concessão do Terminal XXI. Falando nas Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, Ana Paula Vitorino, afirmou que o Governo decidiu já a “ampliação imediata, tão rápido quanto possível, do Terminal XXI”, concessionado à PSA, pelo que a “renegociação [com a multinacional de Singapura] terá de começar já”. A Ministra mencionou ainda a intenção de avançar “também a criação do Terminal Vasco da Gama”, uma ideia que não é nova, que prevê um novo terminal de contentores perto do já existente. Com a futura expansão do Terminal XXI e a aposta no novo Terminal Vasco da Gama, a capacidade anual actual de movimentação de 2,1 milhões de TEU, irá passar para 4,5 milhões de TEU por ano, se o projecto se concretizar. Outra parte da estratégia para Sines passa igualmente pelo investimento no GNL para que Sines seja uma “referência para portos de transbordo”, e para valorizar o Terminal GNL existente para o acolhimento preferencial dos navios do Canal do Panamá que precisam de fazer transbordo, o que irá fazer com que haja a necessidade de um novo pipeline. A governante acredita que todos os projectos são essenciais para Sines e Portugal aproveitar ao máximo o alargamento do Canal do Panamá.

Falta de ferro deixa um terço dos oceanos com anemia

O ferro, presente no pó atmosférico, actua como um fertilizante natural dos oceanos e é importante para o crescimento do fitoplâncton.

Um terço dos oceanos está anémico, especialmente ao redor da Antárctida, devido à falta de nutrientes como o ferro, o que gera a presença de grandes porções de “desertos” marítimos.
O ferro, presente no pó atmosférico, actua como um fertilizante natural dos oceanos e é importante para o crescimento do fitoplâncton, que produz grande parte do oxigénio que se respira no planeta.
Além disso, estes organismos microscópicos que se encontram na superfície marinha absorvem o dióxido do carbono, um dos gases que provocam o efeito estufa.
“Os oceanos não estão em condições óptimas no que se refere ao crescimento do fitoplâncton e algumas partes estão desérticas. Isto não significa que não estejam sãos, mas o ecossistema poderia ser mais produtivo e ter mais vida”, disse à Agência Efe Andrew Bowie, oceanógrafo químico da Universidade da Tasmânia.
Bowie fez parte de uma equipe que este ano estudou o papel das partículas da atmosfera que são arrastadas da Austrália continental rumo ao mar, a bordo do navio “Investigator” da Organização para a Pesquisa Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (CSIRO).
O trabalho se centrou na análise da presença de micronutrientes como o ferro, além de outros minerais e metais como o cobre, cobalto, níquel, manganês, que vão parar em mares próximos em consequência de incêndios florestais ou outros tipos de emissões.
“Algumas águas do norte da Austrália parecem ter ferro suficiente para o crescimento do fitoplâncton, mas a falta de nutrientes necessários para o crescimento destes microrganismos e a baixa actividade de ferro se reflecte na anemia das águas antárcticas”, declarou Bowie.
“O oceano Antárctico está muito longe da Austrália e da América do Sul, é realmente remoto e a principal fonte de ferro tem que ser atmosférica e de partículas de pó. Mas está tão longe que não recebe a quantidade suficiente de ferro e por isso está anémico”, ressaltou.
Uma excepção são as águas que rodeiam a ilha Heard, situada em uma zona sub-antártica cerca de 4 mil quilómetros ao sudoeste de Perth, onde há abundância de ferro que, segundo os cientistas, poderia proceder de vulcões submarinos.
Bowie e sua equipe tentam elaborar um mapa que indique como estes elementos entram no oceano desde o território continental australiano e medir, com instrumentos sofisticados, a presença dos nutrientes no mar, o que o cientista descreve como buscar uma cabeça de alfinete em 200 mil piscinas olímpicas.
A outra face da moeda é que uma pequena variação na quantidade de ferro pode mudar a situação dos oceanos para melhorar rendimento no crescimento do fitoplâncton.
As causas da anemia dos oceanos ainda são desconhecidas para os cientistas, assim como a correlação entre uma alta presença de ferro e a pesca.
Também não se vislumbra com clareza o que poderia ocorrer no longo prazo com a mudança climática, embora uma das hipótese é que poderia mudar a forma como o ferro se arrasta até essa área.
Os especialistas cogitam a possibilidade de que em um cenário de mudança climática, com continentes mais secos e uma maior desertificação, possa ocorrer um aumento de ventos que consigam arrastar ferro até a Antártida e promover o crescimento do fitoplâncton.
“É muito difícil saber como será este processo em longo prazo. Estamos estudando como é transportado desde a Austrália continental e talvez possamos prever como mudaria no futuro”, disse Bowie, que espera que os dados de sua pesquisa lhe deem algumas pistas no final do ano. 
Fonte: Exame