Portugal "vinga-se" na Greve Portuária de Espanha


A Greve Portuária de Espanha, que tem causado um período de turbulência, com falta de diálogo, tensão e um ambiente de ruptura entre ambas as partes, continua numa situação sensível, sem que se veja ainda qualquer solução consensual. O sistema de trabalho portuário espanhol, que muitos defendem que criou um “monopólio” das empresas da estiva que afecta a competitividade por um lado, sendo que outros vêem como uma tentativa de ataque aos direitos dos trabalhadores. O processo que Espanha passa agora, já Portugal passou em 2013, em período de vigência da Troika, onde o Governo PSD/CDS-PP impôs uma remodelação da Lei Portuária, que fazia parte do memorando de entendimento assinado pelo PS, para a atribuição da verba do resgate do Estado Português. Recorde-se que durante esse período de luta e conflito, os portos espanhóis receberam sempre e sem qualquer limitação, navios que originalmente eram destinados para Portugal, não existindo qualquer tipo de cooperação entre os trabalhadores do sector. O principal porto afectado por essa falta de cooperação foi o Porto de Lisboa, que durante os quatros anos de conflito laboral e social, beneficiou e muito o país vizinho. No sector, no lado das empresas, essa “vingança” é bem vista, no aproveitar dos benefícios do conflito do lado lá da fronteira para crescer mais um pouco durante este período. Os Sindicatos da Estiva em Espanha, suspenderam as greves previstas para os  dias 13 e 15 de Março, devido ao adiamento do Governo Espanhol do debate e posterior votação no congresso da Reforma Portuária, mas mantém as greves marcadas para 17, 20, 22 e 24 de marçoEm Lisboa, há o regresso ( não sabendo se temporário ou não ), de linhas que tinham saído do porto da capital, embora a movimentação de navios provenientes de Espanha seja residual, sendo que o SETC – Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal está solidário. Em Sines, o Sindicato XXI, que é o Sindicato local, não está favorável com a Greve de Espanha, depois de não ter sido manifestado apoio pelo SETC ou pelos congéneres espanhóis na greve marcada no ano passado. Estima-se a que greve em Espanha irá ter um impacto negativo de 50 milhões de euros por dia.

Homem atravessa Oceano Atlântico com uma prancha

Um homem atravessou o Oceano Atlântico numa prancha de remo em pé sem qualquer tipo de assistência.
O nome do aventureiro é Chris Bertish, começou a aventura há 93 dias, na cidade marroquina de Agadin e terminou esta quinta-feira ao chegar à Ilha de Antigua no Mar do Caribe.
Chris Bertish percorreu 7 242 quilómetros e, aos 42 anos, tornou-se a primeira pessoa a atravessar o Oceano Atlântico numa prancha de stand-up paddle sem qualquer ajuda.
O surfista passou o Natal e o Ano Novo no mar e alimentava-se sobretudo de batidos proteicos e produtos enlatados.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o surfista enfrentou tubarões, tempestades e a solidão.

Energias renováveis no Mar podem criar mais valias de 250ME

A industrialização das energias renováveis, a nível de eólicas ‘offshore’ e de marés, poderá criar uma mais valia económica de 250 milhões de euros e mil postos de trabalho directos até 2022, estimou a ministra do Mar.
Em entrevista à agência Lusa, Ana Paula Vitorino, explicou ter terminado a discussão do roteiro sobre energias renováveis oceânicas, que inclui contributos de cientistas e de empresas a operar na área energética.
“Podemos agora aprovar o roteiro final e começar já a execução”, disse a ministra que, apesar de não gostar de “dar estimativas”, revelou que os estudos desenvolvidos mostram “ser possível criar valor acrescentado bruto para o país na ordem dos 250 milhões de euros até 2022 (o período estendido dos actuais fundos comunitários)”.
A estimativa de criação directa de emprego é “substancial e ultrapassa os mil postos de trabalho”, adiantou, referindo ainda o “benefício ambiental óbvio e imensurável”.
“A estimativa que os estudos dão são 1.500 postos de trabalho, mas vamos ser conservadores nessas estimativas e dizer que podemos ter várias centenas de novos postos de trabalho”, precisou Ana Paula Vitorino.
Este roteiro surge no âmbito, nomeadamente, do compromisso europeu de reduzir em 40% a emissão de gases de efeito estufa até 2030, da obrigação de diminuir o consumo da electricidade em 27% e aumentar na mesma percentagem a utilização de energias renováveis.
“As energias oceânicas têm, a prazo, a possibilidade de suprir cerca de 25% o consumo de electricidade. Por isso, temos que começar já”, alertou a ministra, recordando ainda o objectivo traçado pelo seu Governo de até 2050 a economia ter um balanço neutro em termos de carbono.
Para colmatar as dificuldades de existirem apenas “tecnologias ainda pouco maduras para implementação industrial” e os custos de produção elevados, que impedem unidades competitivas, deve haver a “aposta na inovação”.
Assim, haverá a aposta na criação de ‘clusters’ (concentração de empresas) para “apoiar e desenvolver a investigação dirigida a tecnologias, nomeadamente de eólicas ‘offshore’ (no mar) flutuantes e da energia das marés”, com incentivos públicos.
Ana Paula Vitorino destacou ainda a associação que será feita das energias renováveis à indústria naval e aos portos para “criar sinergias e baixar o custo da inovação e da produção” e “atingir custos competitivos na energia produzida nestes parques com o resto do mercado”.
“Temos que agir já”, defendeu a ministra, explicando que o “sentido de urgência é porque Portugal precisa de ocupar este espaço”, porque “vai ganhar quem liderar estas matérias”.
Quanto a fundos comunitários, a ministra indicou a “esperança” de ver ultrapassada a estimativa de execução de 17% do programa Mar2020, com uma dotação global que ronda os 400 milhões de euros.
Por seu lado, o Fundo Azul entrou oficialmente em vigor no início do ano, estando actualmente o ministério a preparar as divulgações para formalização de candidaturas.
Para este ano, o fundo tem garantida uma verba de 13,6 milhões de euros, à qual acresce uma parte das percentagens cobradas para o licenciamento de actividades e de coimas relacionadas com o mar.
Este é um fundo complementar ao Mar2020 e destina-se a financiar “actividades ligadas à economia azul, que pela sua inovação ainda têm níveis de risco muito elevados e a banca comercial tem dificuldade em financiar”, resumiu a ministra.
Fonte: Dnoticias

Mar destruiu o bar mais bonito do mundo

O Cella Bar, no porto da Barca, Madalena, na ilha do Pico, foi destruído pela força do mar. O temporal deixou o premiado edifício irreconhecível.
As imagens que estão a ser divulgadas nas redes sociais não deixam grande margem para dúvidas. O Cella Bar ficou gravemente danificado no piso térreo após o mar ter galgado a estrutura de madeira cerca das 13.00. Um dos proprietários do bar, Fábio Matos, disse que teve “muitos prejuízos” e está neste momento a trabalhar “para fechar as janelas” porque há previsão de agravamento do estado do mar.
Fábio Matos adiantou ainda que o bar tem seguro mas ainda está a analisar se este cobre os prejuízos provocados pelo mar.
O Cella Bar, inaugurado em 2015, é um projeto do arquiteto Fernando Coelho/FCC Arquitetura. Localiza-se junto à orla marítima no lugar da Barca, Madalena, na parte Norte da zona classificada pela UNESCO Património Mundial. Tem sido considerado por várias publicações “o bar mais bonito do mundo”. Do corpo de pedra basáltica sai um icónico volume de madeira, com forma ovalada de contornos irregulares. 
O Cella Bar foi premiado em 2016 pela ArchDaily na categoria Lazer.
O presidente da Câmara da Madalena, José António Soares disse à Lusa que a “ondulação fortíssima” destruiu o museu onde está a exposição de lulas de Malcolm Clarke e ainda o rés-do-chão do premiado Cella Bar. A ondulação atingiu os 13 metros, situação considerada “invulgar” pelos meteorologistas.
“De acordo com a informação das boias ondógrafo, do projeto CLIMAAT, as ondas atingiram cerca de 13 metros de altura. Não estava previsto. A altura significativa da onda prevista era de 5,5 metros, mas chegou quase aos oito metros”, informou o responsável da delegação regional dos Açores do IPMA, Diamantino Henriques, justificando que, por essa razão, não foi emitido qualquer aviso meteorológico para agitação marítima.
Fonte: DN

Campanha global declara guerra aos plásticos nos oceanos

A ONU Meio Ambiente (UN Environment) lançou na passada quinta-feira (23) uma iniciativa global para eliminar uma grande fonte de lixo marinho até 2022: as embalagens de plástico e os plásticos em geral. A campanha #CleanSeas [#MaresLimpos], foi lançada durante a Cúpula Mundial dos Oceanos, que foi realizada em Bali; na Indonésia, e apela aos governos do mundo que aprovem políticas de redução do material plástico.

A acção também é voltada à indústria, para que minimize embalagens plásticas e redesenhe produtos no sentido de minimizar o uso do material. A campanha pede ainda a consumidores que mudem os seus hábitos de produção de lixo antes que eles causem “danos irreversíveis” aos mares.

Segundo a ONU Meio Ambiente, a cada ano, mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, causando grande prejuízo a animais marinhos, à pesca e ao turismo e provocando pelo menos 8 mil milhões de dólares em danos aos ecossistemas marinhos.

Mais plástico do que peixe

A agência das Nações Unidas alerta que até 80% de todo o lixo nos oceanos é feito de plástico. De acordo com algumas estimativas, no ritmo em que itens como garrafas, sacolas e copos de plástico estão a ser jogados fora após terem sido usados apenas uma vez, até 2050, os oceanos terão mais plástico do que peixes.
A UN Environment calcula que neste prazo, 99% das aves marinhas terão ingerido plástico. Ainda este ano, a campanha #MaresLimpos anunciará “medidas ambiciosas” por parte de países e empresas para eliminar microplásticos de produtos de cuidado pessoal, banir ou colocar impostos sobre sacolas descartáveis e reduzir “dramaticamente” outros produtos de plástico de uso único.
Dez países já se uniram à campanha para reverter o uso do produto, incluindo o Uruguai que irá taxar sacolas plásticas descartáveis este ano. O músico Jack Johnson e o actor Adrian Grenier apoiam a campanha.
Segundo a ONU Meio Ambiente, “grandes anúncios”sobre o assunto são esperados para a próxima Assembleia Ambiental da ONU, a ser realizada em Dezembro no Quénia, África, e na Conferência dos Oceanos, que terá lugar em Junho próximo, em Nova Iorque.
Um encontro preparatório para a Conferência dos Oceanos foi realizado nos dias 15 e 16 de Fevereiro, na sede das Nações Unidas. Na ocasião, o embaixador de Portugal junto à organização, Álvaro Mendonça e Moura, um dos organizadores do evento, fez um alerta sobre a situação da poluição com plásticos nos mares e oceanos.

Copyright © 2017 Agência Brasil. Todos os direitos reservados.

Armada reforça meios permanentes no Mar

A Marinha vai reforçar o dispositivo naval padrão, que está sempre no mar para missões de busca e salvamento e fiscalização de pescas e ilícitos, com mais duas embarcações, uma nos Açores e outra na Madeira. Serão assim onze os navios permanentemente em missão, a que se acrescentam outros três prontos a largar da Base Naval de Lisboa. “É uma decisão em função da directiva de planeamento do Chefe do Estado Maior da Armada [almirante Silva Ribeiro]. O reforço será realizado com navios hidrográficos”, explica o comandante naval, vice-almirante Gouveia e Melo. Estes hidrográficos “além de busca e salvamento e eventuais acções de fiscalização, irão também estar comprometidos nas suas campanhas de oceanografia, hidrografia e cartografia náutica”, assegura. O dispositivo naval padrão passará assim dos actuais 11 para 14 navios. “São 1500 homens e mulheres diariamente empenhados, 365 dias por ano”, afirma. Onze navios estarão nas suas zonas definidas de missão. Os restantes três “são a reserva e serão pré-posicionados em função de circunstâncias especiais”, como no início de Fevereiro com o mau tempo no mar. Reconhecer a formação para conseguir recrutar mais praças em contrato   A Armada quer ver a formação que dá aos seus praças “reconhecida no catálogo nacional de qualificações” por forma a que “terminado o contrato na Marinha esses consigam ver reconhecidas as qualificações”, afirma o vice-almirante Jorge Novo Palma, superintendente do pessoal da Marinha. Em 2016 foram preenchidas apenas 401 das 880 vagas (45%) para praças. “A dificuldade em recrutar praças no regime de contrato é mais um desafio do que um problema. Estamos a melhorar as condições”, diz. 

Fonte: CM

Subida do mar pode custar milhões à economia

A subida do nível do mar pode ser mais rápida do que o previsto e custará dezenas de milhões de euros por ano se nada for feito. Alerta para Portugal. A Agência Oceânica norte-americana considera possível um aumento entre 2 a 2,7 metros do nível do mar até 2100, em casos extremos de emissões de gases com efeitos de estufa. No entanto, estudos da paleoclimatologia (estudo das condições e alterações climatéricas de períodos geológicos antigos) apontam para uma subida de 6 a 9 metros. Portugal é um país costeiro e actividades ligadas ao turismo ou imobiliário seriam as primeiras a sofrer as consequências. Os custos para a economia podem chegar a dezenas de milhões de euros por ano. 

Conhecimento do futuro com base no passado 

“Os estudos mais recentes descobriram que a Gronelândia e o Oeste da Antárctida são mais instáveis do que se pensava, isto é, parece agora mais provável que derretam até 2100. Há 125 mil anos, houve um período quente (Eemiano). Desde há 10 mil anos, temos tido temperaturas mais baixas. No Eemiano a temperatura média global não foi muito superior à actual, que se situa nos 16.º C, tendo subido 1.º C durante o período pré-industrial (até 1750)”, explica Filipe Duarte Santos, professor e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa “O acordo de Paris selou, em 2015 (entrou em vigor em 2016), o compromisso de não subirmos a temperatura média global mais de 2.º C. Temos 1.º C de folga. No Eemiano, a temperatura era muito próxima da actual, mas o nível do mar estava 6 metros acima do valor actual. O compromisso de não aumentar mais de 2.º C foi feito quando se pensava que o nível do mar não aumentaria mais do que os tais 2 a 2,7 metros até 2100. Mas o Eemiano diz-nos que pode aumentar muito mais”, acrescenta Duarte Santos. Essa realidade é bem visível na imagem abaixo apresentada. 

Riscos e custos em Portugal “Sendo Portugal um país costeiro, situado numa península e constituído por mais dois arquipélagos, está sujeito aos riscos inerentes à subida do nível médio da água do mar. Embora algumas actividades marítimas possam vir a ser atingidas, o imobiliário afecto a diversos usos, como habitação, estacionamento, hotelaria, cultura, transportes, distribuição… localizado em cotas negativas, muito em cima da costa, será o que estará mais exposto”, afirma Miguel Marques, partner da PwC, consultora que elabora anualmente o LEME – Barómetro da Economia do Mar. A fileira do mar, que tem crescido de forma significativa em Portugal, conforme o comprovam os dados mais recentes publicados pelo INE e PwC, não ignora a ameaça. “No âmbito da última edição do LEME – Barómetro PwC da Economia do Mar, efectuámos um inquérito a 50 líderes da economia do mar, em Portugal, sobre risco e impacto da subida do nível médio da água do mar. 51% considerou que o risco é elevado, 27% considera o risco razoável e 22% considera o risco baixo. No que respeita ao impacto, 61% considera o possível impacto elevado, 28% considera o possível impacto de médio e 11% considera o possível impacto de baixo”, revela Miguel Marques. 

A única forma de contabilizar os eventuais prejuízos para a economia resultantes de uma subida acentuada do nível do mar é olhar para os custos de contenção da linha costeira portuguesa. O Relatório do Grupo de Trabalho do Litoral, apresentado em Dezembro de 2014, dá uma ideia muito aproximada do impacto económico. Nas duas últimas décadas, Portugal teve um investimento médio anual de 8,3 milhões de euros. Segundo Filipe Duarte Santos, o custo de não intervenção seria multiplicado por seis, isto é, 50 milhões de euros anuais. O projeto ClimateCost avaliou em 11 mil milhões de euros o valor médio anual dos estragos provocados pela erosão e inundação nas zonas costeiras da União Europeia no período de 2040-2070 num cenário de não adaptação conjugado com um cenário intermédio de emissões de gases com efeito de estufa. O mesmo estudo projecta para os custos médios anuais do investimento em adaptação no mesmo intervalo de tempo valores compreendidos entre 1 e 1,5 milhares de milhões de euros (a preços de 2005). Com essa adaptação os custos dos prejuízos provocados pelos impactos seriam reduzidos, relativamente aos custos da não adaptação, por um factor de 6. “O agravamento do nível do mar é certo. Mas há fenómenos muito locais que podem diferenciar o impacto. As actividades económicas têm tempo para se adaptarem e os desportos radicais até podem ganhar com isso. Há, de facto, areais que podem desaparecer. Essa realidade já existe. A Norte de Espanha ou a Sul de Viana do Castelo há calhau rolado e não areal. Esmoriz é um bom exemplo. A verdade é que muitas actividades balneares não precisam de areal. A Sul de Barcelona, não há areal, mas os cidadãos também não querem a sua reposição”, explica Veloso Gomes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e especialista nas áreas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente.

“Espinho é bom exemplo de como é possível conter o avanço do mar. A sua linha de costa é igual a 1911”, acrescenta Veloso Gomes. No entanto, este feito não foi isento de custos. Segundo o Grupo de Trabalho do Litoral, entre 1995 e 1998, as obras naquela cidade chegaram aos 10,2 milhões de euros e entre 2008 e 2011 a 7,9 milhões de euros, o que significa a necessidade de reinvestimentos em defesa costeira de cerca de 80% relativamente aos efectuados na década anterior. Um fenómeno global Embora seja um fenómeno lento, o problema é que o fenómeno é cumulativo. Conforme recorda Miguel Marques, o problema agrava-se quando se juntam outros factores, como por exemplo a acidificação dos oceanos, os episódios climáticos extremos e a concentração urbana junto ao mar e aos planos de água. 

Por exemplo, o Kiribati é um país insular, com uma zona económica exclusiva de cerca de 3,5 milhões de Km2 (12.ª maior Zona Económica Exclusiva do mundo), cujo ponto mais elevado mede cerca de 2 metros. “Neste país, o seu presidente procura incessantemente, tomar medidas de protecção em relação a cheias e ao mesmo tempo procura, num país vizinho (Ilhas Fiji), adquirir uma área capaz de receber toda a população do seu país (mais de 100 mil habitantes) em caso de necessidade de evacuação total. Tendo em conta que já algumas aldeias desapareceram, que os cientistas prevêem que, a manter-se o ritmo de degelo nos pólos e os efeitos da erosão costeira durante este século (acelerados pela acidificação dos oceanos que retarda a formação de novos corais), a maior parte do país afundará”, refere Miguel Marques. 

Na Europa, o caso mais falado é o da Holanda, que através de um sistema de diques e de barreiras ganhou território em cotas abaixo do nível médio do mar. Sempre que o nível médio do mar sobe, o país estuda formas de mitigar o problema através do reforço do sistema de diques e de barreiras de protecção. A população mundial está a crescer e continua a deslocar-se de zonas rurais para zonas urbanas, criando mega cidades. “Muitas destas megacidades estão localizadas em zonas costeiras (Xangai, Istambul, Nova Iorque), com índices de construção imobiliária elevados””, alerta Miguel Marques, um dos responsáveis pelo Barómetro da Economia do Mar. 

Governo quer apostar na economia circular do Mar

Uma das ideias do Governo, por exemplo, passa por transformar resíduos numa matéria-prima “geradora de lucro” . A ideia foi defendida pela ministra na World Ocean Summit 2017, em Bali.

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, defendeu, na World Ocean Summit 2017, que a chave do desenvolvimento sustentável do oceano reside na adopção da economia circular do mar, informou  o Ministério do Mar em comunicado.
A governante, que participou no painel sobre a Economia do Mar, no World Ocean Summit, em Bali, na Indonésia, explicou que “os novos modelos de negócio devem conseguir compatibilizar a rentabilidade atractiva com um desempenho ambiental positivo”.
Como exemplo, falou da recolha do lixo plástico marinho para aplicação no fabrico de novos produtos, transformando assim “os resíduos numa matéria-prima geradora de lucro e eliminando este problema ambiental dos oceanos”.
Em declarações à agência Lusa, na segunda-feira, 20 de Fevereiro, antes de partir para a cimeira de Bali, Ana Paula Vitorino realçou o facto de Portugal ter como objectivo para os próximos dez anos aumentar a economia marítima, que representa 3,1% do Produto Interno Bruto português, aproveitando até 2020 para contar com o quadro comunitário de apoio actual.
“É muito pouco, porque o território marítimo representa mais de 90% do território nacional”, disse a ministra, embora tenha referido que iria explicar em Bali “a bondade da candidatura” portuguesa para a extensão da plataforma continental, pedida em 2009 e que vai ser discutida este ano nas Nações Unidas.
A ministra do Mar disse ainda na World Ocean Summit, que decorreu entre quarta e sexta-feira (22 a 24 de Fevereiro) que Portugal está a promover “Port Tech Clusters” nos portos do país, estimulando a criação de ‘startups’ de base tecnológica que permitam às empresas beneficiar do acesso facilitado ao mar que os portos oferecem e de condições favoráveis para testar tecnologias marítimas que estão ainda em fases iniciais de desenvolvimento.
O evento, que foi organizado pela revista The Economist e decorreu desde a passada quarta-feira na capital indonésia, reuniu decisores políticos, empresas, Organizações Não-Governamentais (ONG) e cientistas de todo o mundo que discutiram temas relacionados com o financiamento de uma economia sustentável nos oceanos.
Durante o debate, em que foram abordadas questões de governação dos oceanos, Ana Paula Vitorino destacou a importância de Portugal ter criado um Ministério do Mar dotado de competências para assegurar coordenação transversal dos assuntos do mar, e do transporte marítimo e dos portos em particular, assegurando ainda a integração de políticas e a gestão dos fundos nacionais e europeus relativos ao mar, nomeadamente a criação do Fundo Azul.
Na intervenção, a ministra do Mar falou também do Roteiro para as Energias Renováveis Oceânicas, que visa criar um cluster industrial voltado para a exportação destas tecnologias.
Ana Paula Vitorino referiu também que “as energias renováveis do oceano têm potencial para suprir 25% das necessidades de geração eléctrica de Portugal”.
À margem da conferência, a governante reuniu-se com empreendedores e investidores, além de divulgar as oportunidades de investimento em Portugal e o potencial de estabelecer parcerias “win-win” [em que ambos ganham] com centros de investigação e empresas nacionais.
A ministra do Mar realizou ainda encontros bilaterais com várias entidades internacionais, nomeadamente o secretário-geral da IMO (Organização Marítima Internacional), Kitack Lim, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Peter Thomson, bem como o comissário europeu do Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vella, tendo estabelecido as linhas para “uma possível colaboração” com Portugal.
Fonte: Observador

Bomba recolhida na Nazaré foi detonada no Mar

A bomba encontrada, esta segunda-feira, ao largo da Nazaré por um arrastão foi já detonada a cerca de mil metros da costa.
A operação foi preparada em terra e contou com a colaboração do arrastão “Mar Salgado”, que hoje de manhã ‘pescou’ o engenho.

“A bomba foi detonada às 16.30 horas, em segurança, e meia hora depois foram feitos dois mergulhos de verificação, tendo sido confirmada a sua completa destruição”, disse à Lusa o comandante do Porto da Nazaré, Paulo Agostinho.
De acordo com o responsável, às 17.30 já não havia “embarcações nem homens no mar”. Prevê-se que até às 18 horas “esteja recolhido todo o material usado na operação e os mergulhadores possam regressar a Lisboa”.
“Operação correu com sucesso. A embarcação “Mar Salgado” colaborou connosco porque era mais seguro não movimentar muito mais a bomba. Saíram para o mar para uma posição pré-definida e a embarcação retirou-se, ficando só elementos das autoridades”, revelou o comandante do Porto da Nazaré, Paulo Agostinho. De seguida, realizou-se a detonação do engenho explosivo.
O engenho, que tinha entre 1,50 e 1,60 metros de comprimento, foi identificado como sendo uma bomba de aeronave do tipo MK82 que teria no seu interior mais de 200 quilos de H6, um tipo de explosivo equivalente a 600 quilos de TNT [trinitrotolueno].
A bomba foi afundada a 20 metros de profundidade e foi realizada a contradetonação por uma equipa de mergulhadores do Destacamento de Mergulhadores Sapadores, que tem entre as suas áreas de atuação reconhecer e inativar engenhos explosivos convencionais ou improvisados, na área de responsabilidade da Marinha e em áreas de conflito.
Questionado sobre a possibilidade de se tratar de uma bomba da Segunda Guerra Mundial, o comandante do porto sublinhou não ter sido encontrada qualquer inscrição que o confirme, dado o estado de corrosão do engenho.
“Não sabemos há quanto tempo se encontraria submerso”, declarou.
A operação de desmantelamento foi preparada em terra e contou com a colaboração do arrastão “Mar Salgado”, que hoje de manhã ‘pescou’ o engenho e à tarde o transportou de volta ao largo da Nazaré, auxiliando com gruas a colocação da bomba no mar.
A deslocação do arrastão foi acompanhada por lanchas da Polícia Marítima e da Estação Salva-Vidas da Nazaré e a detonação foi efetuada numa área com um perímetro de segurança de mil metros.

Fonte: JN

Aitor Francesena: "É um desafio fazer surf sendo cego"

No horizonte deste pioneiro espanhol do surf esteve desde muito novo a perda total de visão devido a um glaucoma congénito. Tratou, então, de viver a vida ao máximo. Como faz agora, quatro anos depois de, como diz, “o ecrã ter ficado todo preto”…
Há quatro anos, Aitor Francesena, natural de Zarautz, no País Basco espanhol, deparou-se com o abismo que temera toda a vida: um acidente de surf levou-lhe a visão do olho esquerdo, o que restava desde que aos 14 um glaucoma levara o direito. Duas horas depois do acidente, porém, ao chegar ao hospital, já tinha desenhado uma nova vida na sua mente. E, como até então… não pára!
Recorda como perdeu a visão?
Tenho um glaucoma congénito. Fiz várias operações, mas não correram bem. Sabia que poderia ficar cego. Aos 14 anos, perdi o olho direito, fiquei só com o esquerdo. Fui aguentando, fiz várias operações com as técnicas mais avançadas; aos 26, tive muitos problemas no olho esquerdo e fiz mais operações, até que aos 35 ou 36 o glaucoma ficou resolvido mas, como ao tratar uma coisa se prejudica outra, perdi a córnea. Fiz um primeiro transplante que correu mal, esperei dois anos por outro, mas também não ficou bem. Há quatro anos, mesmo sabendo que deveria ter cuidado e não surfar, apanhei com uma onda que me fez perder definitivamente a visão.
Como consegue surfar?
Fiz surf toda a minha vida e o mar dá muitas pistas, sei em que direção estou, se para norte, sul, este ou oeste. Mas tive de começar a surfar quase desde o princípio.
E como escolhe a onda que vai apanhar?
Quando estou sozinho, pelo som sei onde está o princípio e o fim de uma onda. Deixo passar uma e então remo com toda a força para apanhar a que virá a seguir; depois, ponho-me de pé na prancha e conforme a sensação que me dá a onda, quanto ao tamanho, por exemplo, faço manobras.
Passa por baixo das ondas para atravessar a rebentação?
Pelo som, sei a distância a que está a espuma e faço um “patinho”. Nunca falho! A princípio os meus amigos diziam-me “3… 2… 1…”, mas agora faço sozinho.
Passou a apoiar-se na audição…
Sim. Se cair uma moeda no chão, sei a distância e o sítio exato em que caiu. A audição tornou-se tão nítida, tão apurada… Nesta vida, quando um sentido falha, os outros trabalham muito mais. Quando passeio pela praia, por exemplo, o som diz-me o tamanho das ondas. Sempre ouvi dizer que os cegos usavam muito os ouvidos, mas custava-me acreditar que fosse assim. Além disso, desenvolve-se outro sentido de orientação, passei a estar sempre superatento.
Não recorre ao cão-guia?
Em abril vai fazer um ano que o tenho, mas não ando sempre com ele. Sou um pouco teimoso: aprendi a usar a bengala, como qualquer cego, mas não a uso. No máximo, uso o cão dez minutos por dia. Prefiro ir agarrado a alguém ou até de skate agarrado a uma bicicleta… Sei que o cão não sofre quando o levo, porque é esse o seu trabalho – e nunca falha -, mas prefiro deixá-lo solto. E na minha terra sei sempre onde estou. Sou cego, mas tento não levar uma vida de cego!
Como era a sua vida antes de perder a visão?Era muito ativo, como agora. Atualmente, se não estiver a surfar, estou a caminhar no monte. Estou a dar a volta à Península Ibérica a pé, por etapas. Tenho dez anos para o fazer [risos]… Antes, tinha uma oficina de surf, fazia pranchas e reparava-as; depois abri a primeira escola em Espanha, em Zarautz. Treinei muitos miúdos, os melhores espanhóis, Kepa Acero, Aritz Aranburu – que me tornou o primeiro treinador espanhol a pôr um atleta no WCT -, Axi Muniain…E fui muitas vezes a Portugal em competições, lembro-me de praias como Supertubos, Ericeira, Guincho, Espinho… Já depois de ficar cego, escrevi dois livros sobre surf que foram um sucesso em Espanha.
Vê-se como um exemplo também para pessoas sem qualquer incapacidade?
Vou responder mesmo correndo o risco de soar arrogante: tento ser um exemplo! Sempre gostei de ajudar os outros, de transmitir o que sei. Faço surf porque gosto, porque sou fanático por surf e porque é um desafio fazer surf sendo cego. Mas também para mostrar que qualquer um pode fazê-lo. Quando se quer algo com muita vontade e se lhe dedica muitas horas, consegue-se tudo.
É um lutador…
Sim, muito. Fiquei cego aos 43 anos e penso que se tivesse sido aos 20 ter-me-ia suicidado. Teria sido muito duro. Aos 43, já tinha vivido muito, viajado muito, plantei árvores, tenho uma casa no monte e uma filha maravilhosa… Vivi cada momento ao máximo, tirando fotografias com a mente para as ter na cabeça e poder voltar a desfrutar de tudo.
“Frederico Morais tem feito um trabalho incrível e fico contente pelo que conseguiu”
Aitor Francesena conhece a atual coqueluche portuguesa do surf, Frederico Morais, que este ano integrará o principal circuito profissional mundial da modalidade. “Conheci-o em miúdo, porque participava nas mesmas competições que os meus atletas”, lembrou o espanhol, que treinou muitos jovens e aproveitou para deixar algumas opiniões e elogios: “Quando se chega lá acima, por vezes o mais difícil é manter a cabeça no sítio. Mas parece-me que ele tem feito um trabalho incrível para chegar onde chegou e fico contente pelo que conseguiu. Temos de ver o que faz daqui para a frente.”
Fonte: OJogo