O que não acaba no lixo acaba no Mar [ Com Vídeo ]

Primeira campanha da Fundação Oceano Azul visa alterar comportamentos para salvar o Oceano
A Fundação Oceano Azul e o Oceanário de Lisboa, em parceria com a Olá, lançam campanha com o mote «O que não acaba no lixo acaba no mar». A iniciativa visa alertar os portugueses para um dos maiores problemas ambientais do planeta: o lixo marinho, em particular a poluição por plástico. Esta é a primeira campanha publicitária da Fundação Oceano Azul, que, através da sua missão de contribuir para a sustentabilidade do planeta do ponto de vista do oceano, amplifica a importância da participação de cada um na redução do lixo que chega ao mar e às praias diariamente.
A campanha “O que não acaba no lixo acaba no mar” foi desenhada para informar sobre a importância de colocar o lixo no sítio adequado e para consciencializar as pessoas sobre o impacto negativo dos seus comportamentos.
«Não há, ainda, uma consciência inequívoca sobre a importância de colocar o lixo no sítio certo. O que pretendemos com esta campanha é alertar as pessoas para a possibilidade de o lixo acabar no mar, degradando assim o ambiente marinho e atingindo milhões de espécies» refere o CEO da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha.
Com três filmes publicitários televisivos, nos três canais generalistas, a campanha visa informar o público de forma directa e simples que, o que não acaba no lixo acaba no mar. «As mensagens da campanha são claras. Se nada fizermos, o lixo no oceano continuará a matar milhares de animais marinhos todos os anos. Se nada fizermos, haverá no mar mais plástico do que peixe daqui a 30 anos», conclui Tiago Pitta e Cunha.
A poluição por plásticos é uma das maiores ameaças do oceano global. Mais de 8 milhões de toneladas de plástico chegam ao oceano anualmente, o equivalente a despejar um camião de lixo de plástico a cada minuto. Os efeitos são muito negativos para toda a vida selvagem e para os ecossistemas marinhos, com um milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos a morrer, todos os anos, devido à poluição por plástico (fonte: Unesco, Comissão Oceanográfica Intergovernamental). Existe a convicção de que muito do lixo que chega ao oceano não é
intencional, mas fruto do desconhecimento. A Fundação Oceano Azul, através desta campanha, vem encorajar e envolver os portugueses a mobilizarem-se inequivocamente por um #oceano azul.


Estará o mar Morto a morrer?

A resposta à pergunta feita no título é desoladora: sim, o mar Morto está a morrer. A costa do mar Morto não é a única zona do planeta onde se abrem crateras no solo, mas é aquela onde estas se espalham com maior velocidade. O geólogo e biólogo Eli Raz chegou a Ein Gedi, em Israel, em 1973. O convite foi-lhe feito para um trabalho de poucos meses; hoje, 44 anos depois, continua a estudar este mar único e a forma como a irresponsabilidade do ser humano se reflecte na morte progressiva de um ecossistema. A paisagem da costa do mar Morto, diz no vídeo do projecto Great Big Story, “mudou drasticamente”. A primeira cratera foi registada no final dos anos 80 do século XX. Em 1980, imagens aéreas mostravam uma costa livre de crateras. Hoje, são mais de 6000. “Como pode a superfície da Terra colapsar?”, questionou-se Eli Raz. “O Homem não pensa a longo prazo, precisa de água, quer água agora, por isso é que o consumo de água aumenta e aumenta, mas as fontes não são renovadas.” As imagens aéreas impressionam: as crateras vão aumentando, engolem terra, estradas, casas, carros — e houve uma que chegou a “engolir” Eli Raz, que permaneceu num buraco durante 12 horas. “Se o nível da água do mar continuar a diminuir ao ritmo actual, o mar Morto vai secar até 2050”, acredita o especialista.

Fonte: Público

Europeus entendem alterações climáticas no oceanos mas acreditam que pouco vai mudar

Os
europeus estão relativamente bem informados sobre o impacto das
alterações climáticas nos oceanos, mas uma grande percentagem
acredita que até 2100 nada de especial vai acontecer e defende uma
melhoria na explicação da ciência ao público.
Um estudo
envolvendo 10.000 europeus de 10 países, e que ontem foi publicado
na revista “Frontiers in Marine Science”, indica que 54% dos
cidadãos europeus acredita que os humanos influenciam apenas
parcialmente ou não influenciam as alterações climáticas.
E embora a
maioria dos inquiridos esteja relativamente bem informada “um
número surpreendente está mal informado, ou mesmo desinformado,
revelando uma grande falha na comunicação das alterações
climáticas à população”, disse um dos autores do trabalho,
Carlos Duarte, director do Centro de Pesquisa do Mar Vermelho, na
Arábia Saudita.
Muitos dos
entrevistados que pensam que estão bem informados sobre alterações
climáticas acreditam que o pior que pode acontecer até 2100 já
aconteceu, como perda de gelo no Ártico ou o aumento da temperatura
do mar. “Isso é muito perturbador porque se essas mudanças já
ocorreram nas suas cabeças o que é que os pode incentivar a exigir
medidas de prevenção” das emissões de gases com efeito de
estuda, questionou o responsável.
Ainda de
acordo com o inquérito, a opinião pública europeia considera a
poluição como o impacto humano mais grave nos oceanos, mas está
mal informada sobre a acidificação da água causada pelas emissões
de dióxido de carbono.
O
derretimento do gelo nos pólos, as inundações nas zonas
ribeirinhas, o aumento do nível do mar e situações climáticas
extremas são motivo de preocupação. Mas países que já enfrentam
problemas desses, como a subida das águas na Holanda ou a perda de
gelo na Noruega, são também os menos preocupados com o impacto das
alterações climáticas.
O estudo
mostra ainda que as pessoas mais conscientes e mais preocupadas são
as que vivem mais perto do mar, as mulheres, os habitantes dos países
do sul da Europa e as pessoas com mais idade.~
Fonte: Dnoticias

 

  

Almada Atlântica: a exposição sobre o fundo do oceano

A
mostra assinala o dia Mundial da Conservação da Natureza e apela à
preservação dos habitats e espécies existentes ao longo da costa
A
iniciativa da Câmara Municipal de Almada convida os visitantes a
“darem um mergulho” no oceano e a conhecerem a outra face
da costa da cidade, que vai além das praias de areia branca. A
exposição “Almada Atlântica – um mergulho no oceano” é
inaugurada na passada sexta-feira e assinala o dia Mundial da Conservação
da Natureza.
A
mostra é composta por fotografias recolhidas na região, por
fotógrafos de natureza prestigiados, jogos interactivos e esculturas
feitas a partir de lixo marinho, assinadas pelo artista Xandi
Kreuzeder, do projecto 
Skeleton
Sea
.
Além de guiar os visitantes pela natureza submersa da frente
atlântica de Almada, a iniciativa lança também o apelo à
conservação dos habitats e espécies que se escondem do olhar
humano ao longo da costa.
A
exposição, integrada na Estratégia Local de Educação para a
Sustentabilidade, pode ser visitada até Março de 2018, sendo que ao
longo desse período serão dinamizados encontros e actividades educativas sobre a temática dos oceanos. A iniciativa conta com o
apoio de entidades como a National Geographic Portugal e o Aquário
Vasco da Gama, entre outros. 
A mostra tem lugar no Centro de Monitorização e Interpretação
Ambiental da Costa da Caparica (CMIA).

Fonte: DN

Ministra só decide sobre o futuro dos Portos do Algarve depois das Autárquicas

A ministra do Mar garantiu que não haverá decisões sobre o futuro dos Portos de Portimão e Faro «antes de Outubro» e que tudo depende, ainda, da análise que vier a ser feita pelas diversas entidades envolvidas no projecto “Portos do Algarve”.
«Esta é uma matéria que, como já foi anunciado, terá de ser analisada com a AMAL e com todos os municípios algarvios. Teremos que encarar toda esta área no âmbito do projecto piloto que é o dos Portos do Algarve. Não será a dois meses de eleições que vamos tomar uma decisão», disse Ana Paula Vitorino, à margem de uma sessão de assinatura de protocolos em Olhão.
Em Dezembro, a ministra veio ao Algarve anunciar a criação de uma nova estrutura, denominada Portos do Algarve, que englobará todos os portos comerciais, marinas e portos de recreio da região. Os “accionistas” desta nova entidade são os 16 municípios algarvios que constituem a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, a Docapesca e a Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS).
O processo, garantiu na altura Ana Paula Vitorino, é liderado pela AMAL, que terá «sempre a presidência dessa entidade, seja qual for a sua natureza jurídica».
Em Portimão, há já um projecto consolidado, ligado ao seu Porto de Cruzeiros. «Aquilo que está previsto, a não ser que haja alteração definida pela região, é que, relativamente a Portimão, seja dado um enfoque muito maior na parte dos cruzeiros. Será uma aposta forte no aumento dos cruzeiros, mais do que triplicando os passageiros, no horizonte até 2030», disse a ministra, em Dezembro.
Para conseguir isso, estão previstos «quase 20 milhões de euros de investimento, todo ele investimento público, cerca de metade proveniente de fontes nacionais [Porto de Sines] e a outra metade de fundos comunitários, que também já estão garantidos pelo Compete».
Em Faro, «o que está em cima da mesa é uma proposta de transformação do porto comercial numa zona de marina, ligada à náutica de recreio», disse, na altura, Ana Paula Vitorino.
Foi neste âmbito que surgiu a proposta FarFormosa, apresentada em conjunto pelo Centro de Ciências do Mar e pela Câmara de Faro no âmbito de um levantamento de ideias levado a cabo pela comissão instaladora da Portos do Algarve.
Este plano prevê a criação de um espaço que junta no mesmo espaço espaços de investigação científica, de ensino e de incubação, com um aquário associado, e uma marina, hotéis e uma zona de residências assistidas. Mas, como ficou bem claro num debate sobre esta «visão» da autarquia e do centro de investigação farenses, tudo depende da avaliação que se vier a fazer.
Segundo revelou a ministra do Mar, «a Docapesca está a analisar o processo, como outros, em Vila Real de Santo António e em mais concelhos».
«Há questões que são inequívocas, outras não o são, dependem de opções de ordenamento do território e urbanísticas dos municípios», concluiu a Ana Paula Vitorino.

Portugal é um paraíso do surf ao alcance de todos

O surf está na moda em Portugal e a nossa costa é notícia a nível mundial pela qualidade das suas ondas. Conheça aqui alguns destinos de surf em Portugal
Agosto é sinónimo de mês de férias para milhares de portugueses espalhados pelo mundo, entre os quais muitos com ‘juventude’ suficiente para se iniciarem numa modalidade que é uma forma de desporto saudável, divertida e ao alcance de qualquer um. O surf em Portugal está na moda, a nossa costa é notícia a nível mundial pelas suas ondas, depois da publicidade do ‘canhão da Nazaré’, registado no livro Guinness por causa do recorde protagonizado pelo norte-americano Garrett McNamara, que em Novembro de 2011 surfou uma onda com 23,77 metros na praia do Norte.
A publicidade mundial a este feito levou à existência actual de 611 empresas a operar na área do surf, ou seja, muito mais que as 586 que havia. Os números são da Secretaria de Estado do Turismo, referindo que o desporto continua a ser prioridade na comunicação do destino ‘Portugal’ a nível mundial.
Portugal é assim já considerado um dos melhores países da Europa para o surf. Peniche, Ericeira e Nazaré estão entre os destinos mais procurados, mas são também muito procuradas as ondas nos concelhos de Cascais e Viana do Castelo, na Costa Vicentina e nos Açores.
Desde Sagres, na ponta sul “onde o mar acaba e a terra começa”, à Arrifana, na Costa Vicentina rodeada por falésias e a passos de uma pequena aldeia piscatória, a praia da Arrifana é um destino popular entre surfistas e bodyboarders. A Praia do Amado, também na Costa Vicentina, é outra das melhores zonas de surf de Portugal graças às suas correntes fortes e ondas íngremes, e a praia do Amado é regularmente anfitriã de competições internacionais e é muito popular durante o verão. 
Mais perto de Lisboa, a Praia de Carcavelos, no concelho de Cascais, a apenas 24 quilómetros de Lisboa, é uma das mais populares e concorrida. Na Ericeira, uma vila piscatória no concelho de Mafra, a norte de Lisboa, há bons locais de surf por onde escolher, como Ribeira d’Ilhas, S. Lourenço, Coxos, Pedra Branca ou a Foz do Lizandro.
Os casos da Nazaré e de Peniche
A Praia do Cabedelo, na Figueira da Foz, é outro local de eleição, segue-se depois Espinho, que ao longo dos anos tem-se tornado muito popular para quem quer passar uns dias ao sol. Na Pérola do Atlântico, a Madeira, Paúl do Mar também conhecida como Ribeira das Galinhas, é praia calma e escondida, numa zona bastante remota da ilha. 
Mas a mais mítica é talvez a Supertubos, conhecida em todo o mundo pelas suas ondas poderosas, e a que muitos surfistas chamam a ‘European Pipeline’. A Praia do Norte na Nazaré ganhou fama pelas suas ondas gigantes, especialmente depois de Novembro de 2011. 
As praias de Peniche também ajudam a erguer a reputação de Portugal como uma das ‘capitais’ do surf europeu. Peniche fica localizado na rica região do Oeste de Portugal, a cerca de 90 quilómetros a norte de Lisboa. Hoje em dia com o declínio das actividades piscatórias o concelho tem apostado na horto fruticultura e no turismo. Com uma localização ideal para o surf, este desporto tornou-se importante para o futuro do concelho e da região. Peniche é umas das regiões de surf mais importantes de Portugal e para muitos actualmente a verdadeira capital do surf. 
O surf é praticado aqui desde o final do anos 60 e início dos anos 70, quando os primeiros surfistas locais começaram a praticar este desporto nos picos do Molhe Leste e do Baleal. Antes disso existem registos de surfistas estrangeiros a viajarem pela costa portuguesa e que identificaram as penínsulas do Baleal e Peniche como locais de excelência para a pratica do surf.
Desde esses primórdios o surf cresceu extraordinariamente e faz actualmente parte do quotidiano em Peniche e Baleal com actividades desde a reparação e fabrico de pranchas de surf e bodyboard, lojas de surf, escolas de surf e ‘surf camp’s’ até mesmo alojamentos idealizados precisamente para surfistas de todo o mundo e, claro, o clube de surf de Peniche.
E para os principiantes…
As escolas de surf são a porta de entrada para os iniciantes da modalidade. E com pessoal qualificado e entusiasta do surf, há muitos locais perfeitos para começar a conhecer-se as ondas, ambientar à prancha e ganhar alguma autoconfiança.
O que vai aprender se for um principiante? Desde a introdução ao tipo de equipamento a utilizar, aos aspectos de segurança e como se formam as ondas nos oceanos. Depois a colocação do corpo na prancha, como remar, manusear e sentar na prancha. Como passar a rebentação e lidar com as espumas, além de iniciação às técnicas do ‘take off’ (pôr de pé em cima da prancha).
O Baleal Surf Camp foi o primeiro ‘surf camp’ português e começou a sua actividade junto do pico do Cantinho da Baía. Actualmente existem dezenas de escolas de surf e surf camps a operar na região, sendo frequente ver escolas e clubes de França e Espanha deslocarem-se à zona de Peniche para realizarem semanas de treino. É uma tradição longa do Baleal Surf Camp acolher famílias de todo o mundo para umas férias de surf.
Fonte: Mundo Português 

Os portugueses são o povo europeu que come mais peixe. Porquê?

Mar azul no horizonte, pé na areia e um peixe grelhado na brasa. Para muitos, a definição perfeita de um almoço de férias. A trabalhar com este alimento há 30 anos, Miguel Reino, proprietário do restaurante Aqui Há Peixe, tem clientes que o procuram o ano inteiro, mas no verão, partilha, vêm sempre mais pessoas. “Pela maresia, pelo contexto”, o peixe grelhado apetece mais com os ares estivais, quando o bom tempo chega e pede uma ementa a combinar com a época balnear. Miguel tem uma elevada percentagem de clientes regulares — alguns ainda do tempo do Aqui Há Peixe na praia do Pêgo, antes de se ter mudado, há nove anos, para o cosmopolita Chiado. Ali, regressam “clientes de Hong Kong, que vêm a Portugal jogar golfe duas vezes por ano”, mas também há comensais “de Évora, do Porto e do Algarve” que não se importam de se meter no carro e percorrer centenas de quilómetros para comer “um cherne, um pregado grande, um imperador ou um robalo bem fresco”.
Reino conhece bem o apetite dos portugueses pelo peixe. Esse apetite tão voraz que, assegura a FAO (a Organização da Alimentação e Agricultura das Nações Unidas), faz de nós o terceiro consumidor mundial de peixe — apenas ultrapassados pela Islândia e pelo Japão. Consumimos mais de 55 kg de peixe per capita num ano, mais do dobro da média dos cidadãos europeus, que se fica pelos 22,3 kg. As espécies mais consumidas são a sardinha, o carapau, o polvo, a pescada e o peixe-espada — e o polvo destronou a sardinha pela primeira vez, o ano passado. Ao todo, são umas impressionantes 600 mil toneladas de peixe que os portugueses consomem por ano, entre peixe fresco e congelado. O que coloca um problema: o consumo nacional é superior àquilo que a nossa frota pesca dentro da UE. E isso torna-nos dependentes da importação. A partir de 1 de abril, deixámos de ter peixe próprio para satisfazer os níveis de procura interna — facto agravado com o aumento de turistas, que também veem no peixe grelhado um elemento de cultura local.
A escassez de espécies marinhas é um facto consumado a nível mundial. O estudo “The Sea Around Us”, realizado entre 1950 e 2010 e publicado na revista “Nature”, em 2016, demonstra que a captura de peixe decresceu à razão de 1,22 milhões de toneladas por ano desde 1996. Miguel Reino sabe que trabalhar com peixe é hoje mais difícil e mais caro, e que o futuro reserva desafios. “Usamos muito peixe novo dos Açores, que tem mares mais limpos, como bicudas”, conta… “Em agosto, por exemplo, é muito difícil arranjar peixe em Lisboa, porque vai todo para os apoios de praia.” Também já se rendeu à evidência de que “a aquacultura é o futuro”. Só esta poderá saciar o apetite mundial por peixe. Defende que, hoje em dia, já não é linear “distinguir um peixe selvagem ou de aquacultura pelo sabor, dependendo da sua origem e da forma como as espécies são alimentadas”. “Zé Camarão”, como é conhecido em Sesimbra José Filipe Batalha Pinto, o dono do restaurante O Velho e o Mar, concorda: “O nosso peixe de viveiro é muito bom, é quase igual ao do mar”, no que toca o sabor. “Não tem nada a ver com o da Grécia, que é muito mais barato”, e que inunda as grandes superfícies nacionais. Só assim se pode fazer face à procura crescente de peixe, que “aumenta cerca de 30% nos meses de verão, entre clientes nacionais e estrangeiros”, considera.
Em 2013, a produção de peixe de aquacultura totalizou qualquer coisa como dez mil toneladas em Portugal. Mas poderia chegar facilmente às 100 mil, se “fossem aproveitados seis mil hectares de salinas abandonadas”, garantia Fernando Gonçalves, secretário-geral da Associação Portuguesa de Aquacultores (APA). A verdade, contudo, é que um robalo ou uma dourada demoram um ano e meio a passarem dos 10 gramas com que chegam aos 400 gramas com que podem ser comidos no restaurante. Ou seja, estamos muito longe da produtividade dos aviários…
Portugal acompanha a tendência mundial de aumento do consumo de peixe. As vantagens nutricionais deste alimento, sobretudo relativamente à carne, para isso contribuem. Lípidos, proteínas e outros nutrientes como os ácidos gordos polinsaturados ómega-3 são alguns dos seus benefícios. Contudo, em 2016 transacionou-se menos peixe nas lotas nacionais — 104 mil toneladas — do que no ano anterior (118 mil toneladas). Mas o valor das vendas aumentou, passando de €195 milhões de euros para €202 milhões de euros. Come-se hoje em Portugal menos peixe do que em 2011, quando se consumiram 127 mil toneladas, mas a refeição é mais cara. E o custo aumenta ainda mais no verão.

O MELHOR PEIXE DO MUNDO

Quando o gastrónomo José Bento dos Santos coordenou o livro “O melhor peixe do mundo”, em 2012, fê-lo por considerar que fazia falta registar um facto de exceção do nosso país, nem sempre devidamente valorizado. Oceanógrafos e biólogos marinhos, dos Açores e não só, discorreram sobre as condições naturais do nosso mar, que conjuga “planura, profundidade, temperatura e biodiversidade”, para explicar a qualidade do pescado português. Além disto, Bento dos Santos chama a atenção para factos que comprovam a cunhagem desta expressão: uma, a de chefes de renome internacional como Ferran Adriá que admitiram, em entrevista ao Expresso em 2011, que “o peixe português é o melhor do mundo”; outra, a do melhor restaurante de Nova Iorque, o Per Se, abastecer-se de peixe português, religiosamente transportado de avião. Nas “centenas de restaurantes” onde comeu por este mundo fora, provando peixe de vários oceanos, rios e lagos, garante “nunca” ter provado peixe “com músculo semelhante ao nosso”. “Como é que sabemos que estamos a comer o melhor peixe do mundo?”, questiona. “É como dizia aquele chefe: parece que temos o Oceano Atlântico a entrar pela boca dentro. O nosso peixe é tão bom que nunca precisámos de criar uma receita para ele. Basta grelhá-lo.”
Fonte: Expresso

Rações para “Peixes do Futuro”

Investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) em cooperação com o CSIC (Espanha) concluíram que os ingredientes utilizados em Aquacultura podem ser substituídos por ingredientes de origem vegetal, sem que isso prejudique o crescimento do pescado ou comprometa a qualidade do mesmo. É mais um passo que a ciência dá no caminho da aquacultura sustentável.
Os cientistas descobriram que a adição de suplementos de butirato nas rações de peixes ajudam a preservar a função intestinal na dourada que é alimentada à base de rações vegetais. A investigação foi liderada por equipas do Instituto de Aquicultura Torre de la Sal (IATS-CSIC), em colaboração com os cientistas da Norwegian University of Life Sciences e CCMAR, em estreita cooperação com parceiros industriais (BIOMAR, NOREL).
O estudo foi conduzido no âmbito dos projectos AQUAEXCEL, AQUAEXCEL2020 e ARRAINA, todos eles financiados pela União Europeia.
As rações de aquacultura à base de vegetais são vistas como mais sustentáveis do que as produzidas à base de farinha peixe. Contudo, embora em algumas espécies não haja registo de limitações, noutras verificou-se uma diminuição na eficiência com que digerem alimentos, aumentando a susceptibilidade a doenças e stress.
O butirato de sódio é um dos aditivos alimentares mais promissores a ser utilizados na aquacultura para evitar efeitos adversos. O cientistas explicam que este sal de ácido gordo de cadeia curta é produzido por fermentação bacteriana de carbo-hidratos não digeridos. Os estudos conduzidos possibilitaram aos cientistas definir a dose mais efectiva de butirato para a dourada, tendo por base o desempenho do crescimento e as medidas da função intestinal, arquitectura e permeabilidade.
A dourada, espécie que serviu como teste e à qual foi administrado o suplemento de butirato, apresentou menos problemas intestinais do que outras espécies quando submetidas a dietas vegetais, descoberta essa que foi suportada por várias abordagens de diferentes equipas dos projectos.
A investigação levada a cabo cruza diversas áreas de investigação e só foi possível graças à interacção transfronteiriça que permitiu a troca e partilha de conhecimento entre os vários centros parceiros dos projectos, onde se inclui o CCMAR.
Fonte: Região Sul

Organizações exigem posição firme contra mineração no Mar

O apelo surge na fase de preparação do encontro anual da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, a decorrer de 7 a 18 de Agosto, na Jamaica.

A “Seas at Risk”, uma associação europeia de organizações não-governamentais (ONG) dedicadas à defesa de questões ambientais, exige ao Governo que tome uma posição contra a mineração em águas profundas. O apelo surge na fase de preparação do encontro anual da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, a decorrer de 7 a 18 de Agosto, em Kingston, capital da Jamaica.
Para a associação europeia, o executivo deve assegurar que a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos aplica “o princípio da precaução e que determina o fim dos trabalhos de prospecção e exploração de minérios em curso actualmente”.
A próxima sessão anual da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, entidade responsável pela regulamentação da exploração dos fundos marinhos e subsolo que estão para além da jurisdição nacional de um país, terá lugar em Agosto. No encontro, serão votadas possíveis reformas da própria instituição e dos procedimentos ambientais internacionais.
A “Seas At Risk” já tinha apelado para o fim da mineração em águas profundas na Conferência dos Oceanos das Nações Unidas no início de Junho.
O GEOTA, a LPN, a Quercus e a Sciaena solicitaram ainda ao Governo uma reunião para expor as suas ideias e preocupações. Para estas ONG, há vários argumentos contra a mineração de fundos marinhos e a favor da aposta numa economia que respeite os ecossistemas e a biodiversidade nos fundos marinhos.
A mineração em mar profundo contraria as metas definidas na Agenda de Desenvolvimento Sustentável da ONU para 2030. O impacto ambiental negativo destas actividades pode ser irreversível.
A “Seas At Risk” é composta por organizações como o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), a Liga Para a Protecção da Natureza (LPN), a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e a Sciaena – Associação de Ciências Marinhas e Cooperação.
Fonte: RR

Javali resgatado a 300 metros da costa algarvia

O insólito aconteceu. Um javali foi encontrado a nadar no mar a cerca de 300 metros da praia de Vale Garrão Nascente, entre Vale do Lobo e a Quinta do Lago, no Algarve. O animal selvagem foi salvo com uma mota de água e libertado pela Polícia Marítima. O salvamento aconteceu no domingo e ninguém queria acreditar que estava a acontecer. “O meu colega que estava no barco ligou-me a dizer que estava a ver um javali a nadar. Disse-lhe: ‘Estás a gozar’? Peguei nos binóculos e depois percebi que estava a falar a sério”, recordou ao CM Nelson de Sousa, elemento da concessão de desportos náuticos, que enviou uma mota de água para resgatar o animal do mar. “Quando chegámos ao local a primeira coisa que fizemos foi amarrar-lhe a boca com uma corda, porque como é um animal selvagem podia ser perigoso. Depois, conseguimos puxá-lo para cima da mota de água para o trazermos para a praia”, explicou Tiago Gomes, que confessa ter sido “um dia estranho” mas “engraçado”. E se um porco a andar de bicicleta é difícil de imaginar, um javali a andar numa mota de água foi “um espectáculo que as centenas de turistas não quiseram perder”, recordou Nelson de Sousa, que acha que terá sido “o primeiro javali no Mundo a andar de mota de água”. Tiago Gomes não se acha um herói, mas diz que o que interessa é que “foi salva uma vida”. O javali foi baptizado de ‘Júlio’, porque a praia é conhecida por Júlias, e foi libertado pela Polícia Marítima no mato. 

Fonte: CM