Quanto vale a sardinha na pesca portuguesa?

De
acordo com as Estatísticas de Pesca de 2016, que o Instituto
Nacional de Estatística (INE) divulgou em Maio, no ano passado foram
capturadas pela frota portuguesa 190.594 toneladas de pescado, mais
1,2% do que em 2015. E, daquele total, um volume de 124.264 toneladas
(menos 11,7%) foram de pescado fresco ou refrigerado, transaccionado
em lota, com o valor de 269.499 mil euros (mais 3,26%).

No
caso da sardinha, houve uma diminuição de 1,6% do volume, para
13.513 toneladas, equivalentes a 27.898 mil euros. A sardinha é,
aliás, o peixe marinho que em 2016 maior valor obteve em termos de
captura. O carapau, com 20.014 toneladas não foi além dos 17.130
mil euros no ano passado.

A
sardinha foi igualmente uma das três espécies com maior volume
descarregado pelas organizações de produtores (OP) de pesca em
Portugal em 2016, juntamente com a cavala e o carapau.

No
ano passado, foram descarregados por OP um total de 13.236 toneladas
de sardinha, uma queda de 0,8%, derivado da aplicação dos despachos
3112-B/2016 e 9806-A/2016, que “determinaram os limites de captura
para a espécie em Portugal Continental ao longo do ano de 2016”.
Na
sardinha, os preços médios anuais de pesca descarregada, de peixe
fresco ou refrigerado, não incluindo retiradas e rejeições, foi de
2,06 euros por quilo em Portugal continental em 2016, recuando 5,9%
face ao ano anterior. Nos Açores, o preço aumentou 52%, para 2,37
euros e na Madeira aumentou 41,3%, para 0,41 euros por quilo.
Incluindo
todas as espécies, o preço médio anual do pescado, fresco ou
refrigerado, descarregado em portos nacionais em 2016, registou, em
termos nacionais, um aumento de 0,29 euros em relação a 2015, ou
mais 15,9%, passando de 1,81 euros por quilo para 2,10 euros por
quilo.

A
título de comparação, em dois sites de
hipermercados consultados esta tarde, cada quilo de sardinha fresca
variava entre 6,98 euros e 7,99 euros. Já a congelada, entre pequena
e grande, recuava para valores abaixo dos quatro euros por quilo.
Na
Estatísticas de Pesca de 2016, o INE alertava para “alguma
preocupações” sobre as espécies de captura restrita ou com
limitações de quotas impostas pela União Europeia – uma delas
era a dos lagostins , o outro era “com a sardinha, que apesar de
apresentar uma ligeira recuperação, continua com um nível de
recrutamento baixo”.
O
desempenho foi em sentido inverso ao do total da pesca portuguesa de
espécies sujeita a stocks, em que as possibilidades de pesca
aumentaram 12% em 2016, após terem crescido 22% em 2015.

Vendas de conservas atingiram 58,22 milhões em 2015

Das
45 mil toneladas de pescado que representaram o segmento de
“preparações e conservas” a de conservas de sardinha em azeite,
com 4,2 mil toneladas, foi a segunda mais relevante, a seguir à de
atum para a indústria transformadora.
Mas
enquanto as conservas de atum recuaram 17,5% em 2015, as de sardinha
aumentaram 0,9%, “apesar das restrições impostas à captura desta
espécie que vigoraram” durante o ano de 2015 (último ano com
dados analisados pelo INE para este segmento).
Em
2015, da indústria transformadora saíram menos 25,5% de volume de
sardinha congelada (6.991 toneladas); menos 5,56% de conservas
sardinha em azeite (4.224 toneladas), menos 3,5% de conservas de
sardinha em outros óleos vegetais (3.393 toneladas) e mais 8,08% de
conservas de sardinha em tomate (3.020 toneladas).

nas Estatísticas Agrícolas anuais, publicadas esta quinta-feira, 20
de Julho, o INE revela que na preparação e conserva de sardinhas, o
valor vendido em 2015 subiu 11,59% face a 2014, para 58,22 milhões
de euros. Os volumes produzidos aumentara 2,8%, para 12.035 toneladas
e os volume vendidos cresceram 3,36% face a 2014, para 12.057
toneladas.

Portugal
importou 6.977 toneladas de “sardinhas, sardinelas e espadilhas”
vivas em 2016, estima o INE, o que representou uma quebra de 23,7%,
com um valor associado de 13,33 milhões de euros, recuando 18,73%
face a 2015.
Nas
exportações, como animais vivos, a sardinha, sozinha, representou
6,32 milhões de euros (mais 14,58%), com as 3.500 toneladas vendidas
para o exterior (mais 28,48% face a 2015).

Mas
como preparado de peixe, a “sardinha, as sardinelas e as
espadilhas” representaram vendas externas de 54,5 milhões de euros
em 2016 (recuando 1,88%), com 10.470 toneladas exportadas (menos
7,29% face a 2015).
Globalmente,
Portugal – 
que
tem um défice da balança comercial da pesca de 787,4 milhões de
euros
 –
exportou em 2016 um total de 1,13 mil milhões de euros (mais 8,2%)
face a 2015). O segmento de “peixes congelados excepto filetes” é
o que tem maior peso nas vendas externas do país, com 20,8% do
total. E este segmento cresceu 13,1% em 2016, explica o INE,
sobretudo devido ao “aumento das exportações de espadartes”
congelados para Espanha.

Espanha
é o nosso principal parceiro comercial no que toca às pescas –
seguido do Brasil (sobretudo por causa das vendas de bacalhau já
transformado). Mas no caso específico das conservas – o único
segmento em que Portugal é excedentário, como 68 milhões de euros
em 2016 – a França é o maior cliente de Portugal (a que não será
alheia a comunidade portuguesa naquele país) “sobretudo de
preparações e conservas e de ‘cavalas, cavalinhas e sardas’ e
de ‘sardinhas, sardinelas e espadilhas’.

Fonte: Público
Foto: RUF Rui Farinha /NFactos

Ministra do Mar afasta cenário de proibição de pesca da sardinha durante 15 anos

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afastou o cenário de uma proibição de capturar sardinha durante 15 anos, como proposto por um organismo científico que aconselha a Comissão Europeia, afirmando que isso é “impensável”. Ana Paula Vitorino, que falou aos jornalistas à margem de uma visita a Portimão, onde participou com o ministro da Defesa na assinatura de protocolos e na inauguração do sistema de radares “Costa Segura” na cidade algarvia, garantiu que a definição dos ‘stocks’ de sardinha para 2018 será definida, como estipulado, em Outubro, depois de ser feito um novo cruzeiro de monitorização da espécie em Agosto. “As decisões que existirem, não são tomadas agora, serão tomadas em Outubro, conforme planeado e previsto, conforme os dados que existirem na altura”, afirmou Ana Paula Vitorino, frisando que a definição dos ‘stocks’ de sardinha para Portugal é uma matéria “acompanhada pela Comissão Europeia mas não é fixada pela Comissão Europeia”. A governante precisou que a “capacidade de pesca é uma questão entre Portugal e Espanha, porque é um sector gerido conjuntamente” pelos dois países, e será feita “de acordo com essas avaliações” das quantidades de pescado existentes e em “diálogo intenso com o sector”. “Tal como fizemos no ano passado, este ano estamos a trabalhar com os pescadores, porque não é uma questão que se trate de forma majestática desde o ministério, é uma gestão que se faz com dados científicos, com dados reais, porque os próprios pescadores podem dar dados importantíssimas sobre o estado do stock, eles são extremamente conscientes e quando o ‘stock’ está bom dizem que está bom e quando está mau também”, explicou a ministra. Ana Paula Vitorino disse que o ministério vai “continuar a trabalhar com eles”, mas frisou que “a fixação da quota que poderemos ter só em Outubro” será definida. “Mas nunca será de parar a pesca e, muito menos, por um período de 15 anos, isso seria impensável”, assegurou. A governante disse haver neste momento “uma questão que é transversal” a todos os países e espécies e que o problema não se coloca só com a sardinha. “De facto as alterações climáticas têm provocado alterações nos fluxos migratórios de várias espécies e aquelas que havia maioritariamente nos países do sul estão também a aparecer nos países do norte, à procura de águas com temperaturas mais frias que costumavam existir na nossa costa”, argumentou. Ana Paula Vitorino acrescentou que esta situação obriga a ter “um maior controlo com o que se passa com as nossas espécies” e anunciou que, “por isso, vão existir este ano, contrariamente ao que havia no passado, três cruzeiros científicos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para avaliar o estado do ‘stock'”. “O próximo vai ser realizado em Agosto“, afirmou, frisando que esse trabalho permite ter “planos de gestão mais ajustados ao estado do stock” e saber, por exemplo, “quando se pode começar a pescar, quando se acaba, quais são as quantidades ou se há variações durante os dias da semana”.

Fonte: CM

Primeiro cargueiro eléctrico autónomo sai para o mar em 2018

Os planos contemplam uma autonomização gradual de forma a que o navio esteja inteiramente operacional de forma autónoma a partir de 2020.


O primeiro navio de carga autónomo vai ser lançado em 2018 e espera-se que navegue sem qualquer tripulação a partir de 2020. O Yara Birkeland, como foi baptizado, terá capacidade para 100 contentores, é um barco norueguês e vai utilizar GPS, radares, câmaras e outros sensores para se encaminhar pelos mares sem qualquer tipo de ajuda humana.
O preço deste cargueiro deverá ascender aos 25 milhões de dólares – o triplo do preço médio de um barco de carga deste tamanho – mas os investidores que estão por detrás deste projecto acreditam que o valor seja pago com as poupanças em pessoal e combustível. No total, acreditam, as despesas com a operação do navio podem cair 90% em comparação com um cargueiro tradicional.
“O Yara Birkeland vai operar como um navio tripulado, mudando depois para uma operação remota em 2019 e espera-se que seja capaz de funcionar de forma totalmente autónoma a partir de 2020”, declarou a empresa numa publicação feita online no passado mês de maio.
A Yara International e a Kongsberg Gruppen são as duas empresas envolvidas na construção do navio e a primeira já manifestou interesse em desenvolver cargueiros autónomos ainda maiores para servir rotas mais longas, uma vez que as normas internacionais para a utilização destes veículos estejam definidas.
Em 2018, o plano é colocar o Yara Birkeland a transportar cargas de fertilizante até ao porto de Larvik, a cerca de 60 quilómetros do ponto inicial desta rota. “Talvez possamos levar o nosso fertilizante até ao Brasil”, disse Petter Osbo, Director de produção da Yara, em conversa com o The Wall Street Journal.
Uma vez que é eléctrico, Ostbo assume ainda como missão a ideia de atingir o nível de emissões zero. “Mesmo que alguns digam que as alterações climáticas não são uma realidade, esta é, pelo menos, uma realidade comercial, uma vez que as fontes de energias renováveis são mais baratas que as os combustíveis fósseis”.
Fonte: Tek

Marinha investiga fundo do mar nos Açores

A Marinha investigou mais de 14 mil quilómetros quadrados do fundo do mar nos Açores, a profundidades médias de três mil metros, anunciou aquele ramo das Forças Armadas.
Segundo informação da Marinha, durante os últimos 12 dias, o navio hidrográfico “D. Carlos I” recolheu informação do fundo do mar nos Açores numa área de 14 mil quilómetros quadrados, “o equivalente a mais de 3.400 campos de futebol, a profundidades médias de 3.000 metros”.
“Este trabalho insere-se na missão actual que a Marinha desempenha nos Açores para mapeamento do fundo do mar na região, com recurso a um sistema moderno de sondador multifeixe de grandes fundos, para a aquisição de dados de profundidade”, adianta a Marinha.
Os levantamentos hidrográficos oceânicos efectuados durante este período “foram circunscritos” a áreas ao largo dos grupos oriental (ilhas de Santa Maria e de São Miguel) e central (Pico, Faial, Graciosa, Terceira e São Jorge) do arquipélago.
“Simultaneamente, uma equipa de militares da Brigada Hidrográfica do Instituto Hidrográfico realizou levantamentos multifeixe e topográfico do porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira”, acrescenta o comunicado.
De acordo com o mesmo documento, “todos os dados recolhidos, depois de processados a bordo e sujeitos a um processo de controlo de qualidade e validação pela Marinha, através do Instituto Hidrográfico, permitirão verificar a evolução do fundo do mar e actualizar as cartas de navegação, documentos essenciais para a segurança da navegação”.
A Marinha acrescenta que o navio “D. Carlos I” vai receber a bordo uma equipa de alunos e investigadores da Universidade dos Açores para realizar trabalhos de apoio à comunidade científica “numa área a sudoeste da ilha de São Miguel, entre a ponta da Ferraria e os Mosteiros”, até 03 de Agosto.

Vila-condense recupera mural em honra do “Mar das Mulheres”

A artista vila-condense Isabel Lhano e o seu filho Luís Costa concluíram a pintura e restauro da parte lateral do Mural de Arte Urbana, projecto de homenagem às mulheres da Seca do Bacalhau que foi vandalizado no final do ano passado.
O Mural, obra promovida pela Câmara Municipal, foi concebido em agosto de 2016. É uma tela com cerca de 500m2, na rua, onde se recupera a memória da actividade da Seca do Bacalhau que se desenvolvia no século XX, em Vila do Conde.
Em primeiro plano, estão as mulheres que ali trabalhavam na salga e na secagem do bacalhau e na lateral estava retratado o rosto de uma delas que deu, agora, lugar a um coração segurado pelas mãos de uma mulher, transmitindo segundo a artista uma mensagem de “bondade contra a maldade”. Isabel Lhano justifica a escolha deste motivo pelo facto de “aquelas mulheres tinham o coração no mar, pois os seus homens eram na maioria pescadores”. Ao meio, a frase de Valter Hugo Mãe: “Este foi o mar das mulheres. Aqui se glorificaram e aqui naufragaram”.

Estratégia do governo para Atlântico: não é um mar de rosas

Pequim tem planos para recuperar a sua rota da seda, por terra e mar, e Portugal (e Sines) são particularmente importantes neste gigantesco plano de ter portos em todos mares estrategicamente relevantes.

A estratégia dos governos da República para o Atlântico é mais ou menos como aquele velho adágio de Alexandre O’Neill: há mar e mar, há ir e voltar. O assunto é convidativo e tentador para se fazer política. O problema é que entre as ideias de uns e de outros, que vêm e que vão, corremos o risco das oportunidades naufragarem pelo caminho.
Como aqui tenho escrito abundantemente, já não estamos na fase do powerpoint ou do diagnóstico. Estamos no tempo de fazer.
Li há dias uma entrevista de Ana Paula Vitorino onde se reflete sobre a estratégia do governo para o Atlântico. Fiquei interessado e preocupado em doses iguais.
Bem, a ministra do Mar aponta ao arranque, muito em breve, do Fundo Azul, um acelerador financeiro dasstartups tecnológicas nocluster do mar. Bem, sobe a fasquia do peso da economia do mar na formação do pib português – dos atuais 3.1% para 5%. Positivo, também, uma referência justa ao trabalho positivo do anterior governo (autor da Estratégia Nacional para o Mar no horizonte 2013-2020) afirma que, mesmo do período de crise, o cluster do mar foi resiliente e cresceu.
Esta foi a parte do interesse. A parte da preocupação veio logo a seguir. Continuo a não ver no governo uma vontade e visão estratégica para capturar o momento único que vivemos. Como já aqui escrevi, há três acontecimentos que podem reforçar a centralidade marítima do país se deles soubermos tirar proveito. Primeiro: a extensão da Plataforma Continental na ONU.
Caso as Nações Unidas reconheçam os objetivos nacionais, teremos no mar uma área equivalente à da India e do Paquistão juntos. Com tudo o que isso implica em termos de política externa e de defesa, de desenvolvimento científico e tecnológico, de progresso económico. Não há sinais que esta visão holística e multissectorial esteja a ser trabalhada pelo governo. Segundo: a criação do Mercado Europeu de Energia. O sul da Europa será o coração energético na produção de energias limpas, nomeadamente a energia solar e eólica. Ora um mercado comum pode fazer do país um dos pontos geoestratégicos mais importantes na rota das energias limpas para a Europa. Também não se conhece uma ideia do governo sobre o assunto. Terceiro: a afirmação da China como ator marítimo global. Pequim tem planos para recuperar a sua rota da seda, por terra e mar, e Portugal (e Sines) são particularmente importantes neste gigantesco plano de ter portos em todos mares estrategicamente relevantes.
Também no domínio da preocupação, tenho notado nas últimas intervenções dos membros do governo a intenção de centralizar tudo em Lisboa. Devo lembrar aos mais desatentos que Cascais tinha acordado com o governo anterior a localização, em Cascais, do grande Centro de Mar. Tinha até acordado o espaço para acolher tal empresa nacional: o Forte de Santo António – que a história popularizou como Forte Salazar. Com este governo o projeto não saiu de doca seca. Pior: o forte acabou por ficar nas mãos do Estado apenas e só para se continuar a degradar. Tenho esperança que ainda não seja tarde para recuperar o tempo perdido. Por três razões. Em primeiro lugar, porque se falamos de Mar o centro não pode ficar em Lisboa (que tem frente de rio mas não tem frente de mar). Há algum lugar na área metropolitana melhor do que o Forte de Santo António para ser a sede do Centro Nacional de Mar? Não creio. Em segundo lugar, porque Cascais tem uma tremenda história marítima. Foi a partir de Cascais que o Rei D. Carlos encetou as suas primeiras investigações e expedições oceanográficas. Ou seja, foi em Cascais que começou verdadeiramente a ciência oceanográfica. Em terceiro lugar, porque Cascais é dos municípios portugueses mais avançados na construção de uma estratégia para o Mar. Em 2001 a SAER, liderada pelo saudoso Professor Hernâni Lopes, entregou a Cascais a primeira versão de um estudo para um Centro de Mar. Em 2013 recebemos a Fundação Drager, um relevantíssimo player alemão que trouxe a Cascais a sua grande conferência sobre sustentabilidade do mar na qual participaram o príncipe Alberto do Mónaco ou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros trabalhista, David Miliband – que em entrevista ao ‘i’ considerou que Cascais estava a “sair-se melhor da crise porque é a zona turística mais rica de Portugal”. Em 2014 acolhemos o BioMarine, a maior convenção mundial de CEO’s e empresas ligadas à exploração de recursos marinhos. Para o ano cá estarão outra vez. Em 2015 assistimos ao lançamento da BlueBio Alliance, uma organização não-governamental que reúne toda a cadeia de valor dos bio recursos marinhos, empresas que estão ao serviço do progresso científico e da exportação dos produtos do mar.
E até uma publicação exclusivamente dedicada aos assuntos do mar, o Jornal da Economia do Mar, tem sede em Cascais.
Cascais já é um player relevante na produção de pensamento e na afirmação da economia do Mar. Porque teve estratégia e visão. Porque tem massa crítica instalada no território. E porque tem ambição, tradição e vocação. Por todas estas razões, o grande Centro Nacional para o Mar não pode ir para onde não há Oceano. Só pode mesmo ter lugar neste concelho atlântico.

"Parar a pesca da sardinha 15 anos é um absurdo"

Carlos Sousa Reis, biólogo e investigador, diz que recomendação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar de parar a pesca da sardinha durante 15 anos não faz sentido. E que não vai resultar.

Um “absurdo” e uma “leviandade” que, no limite e a ser posta em prática, vai atirar para o desemprego uma geração inteira de pescadores, tornar obsoleta uma frota especializada de mais de 100 embarcações, e alterar profundamente os hábitos alimentares dos portugueses. Eis o que Carlos Sousa Reis, biólogo, professor universitário e investigador especialista em Pescas, Ecologia Marinha e Recursos Vivos Marinhos, tem a dizer sobre a recomendação de parar de pescar sardinha durante 15 anos que o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) apresentou recentemente à Comissão Europeia como solução para a reposição do stock no mar ibérico.
Ao Observador, o especialista, que foi vice-presidente e presidente do Instituto Nacional de Investigação das Pescas (INIP) e do Instituto Português de Investigação do Mar (IPIMAR) durante uma década, garante que a medida, que não foi ainda aprovada, não faz sentido e não vai resultar. Essencialmente porque negligencia os principais factores que, desde 2006, têm feito com que exista cada vez menos sardinha em Portugal.
O ciclo de vida da sardinha são 5 ou 6 anos. Quando falamos em suspender as pescas durante 15 anos estamos a falar em três ciclos de vida. Em que é que isso resolveria o problema? Por que não parar durante 150 anos? Mais vale dizer que os portugueses estão proibidos de comer sardinhas.”
De acordo com Carlos Sousa Reis, o primeiro e maior responsável por a população de sardinha estar tão diminuída é o homem. Além da poluição das águas, o biólogo aponta o dedo às barragens: “A primeira coisa que se devia fazer era acabar com todos os açudes e hidroeléctricas que não estão a produzir nada. Devíamos destruir barragens, como a Noruega fez. No total, entre açudes feitos em valas, mini-hídricas e grandes barragens, temos cerca de 800 retenções de água no país. Mais um vizinho com 180 barragens, Espanha é só o quinto maior país do mundo em número de barragens”.
O que tem uma coisa a ver com outra? Tudo, garante o especialista: com a retenção em barragens, as águas dos rios deixam de correr livremente para o mar, pelo que os nutrientes e sais minerais (que uma vez na água salgada e em contacto com a luz do sol se transformam em fitoplâncton e em zooplâncton) de que as sardinhas precisam para se desenvolverem, ainda em fase larvar, também ficam pelo caminho. “Se não tiverem nutrientes, as larvas não se conseguem alimentar e morrem“, explica.
Há mais: como os sedimentos também se depositam no fundo das barragens, há cada vez menos areia junto à orla costeira, o que também dificulta a vida da sardinha na fase mais incipiente, que é atirada pelo agitação marítima para longe — e aí, diz Sousa Reis, é que os níveis de alimento baixam radicalmente para zero.
E os predadores naturais da sardinha? Ninguém fala deles? Temos um acordo baleeiro desde 1986 — e ainda bem–, que fez crescer exponencialmente as populações de golfinhos na costa portuguesa. Como já não têm predadores naturais, hoje há uma superpopulação de golfinhos, que se alimenta de sardinhas e outras espécies. Mas ninguém se atreve a avaliar isso”, diz o especialista.
Apesar de dar a entender que parte da solução para o problema da falta de sardinha — a que também não é alheio o aquecimento global, que afecta directamente os níveis de salinidade e de temperatura da água — pode passar pelo controlo das populações de cetáceos, Sousa Reis diz que não arrisca sugerir tal medida, necessariamente impopular junto de ambientalistas e defensores dos animais.
“Uma vez aconselhei um senhor ministro da África do Sul sobre a necessidade de os cientistas começarem a estudar formas de controlar as populações de focas no país, que estavam cada vez maiores, sobretudo junto à Cidade do Cabo, chegavam até a atacar os pescadores. Acontece que foi dizer isso para os jornais e foi despedido no dia seguinte. Este problema com as focas existe também no Canadá, na Gronelândia, é um problema real, mas há coisas que não se podem dizer, porque caem mal. Percebo isso. Mas também acredito que há-de chegar uma altura em que vamos ter de decidir: ou o homem ou os outros.”
Fonte: Observador

Portugal pressionado para não pescar sardinha durante 15 anos

Parecer é do Conselho Internacional para a Exploração do Mar, o organismo científico que aconselha a União Europeia.

A recomendação é inédita. Um organismo científico de aconselhamento da Comissão Europeia defende que Portugal deve parar por completo a pesca de sardinha, pelo menos, por 15 anos para que o stock regresse a níveis aceitáveis.
Segundo o “Jornal de Negócios” o parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar, organismo científico que aconselha a União Europeia, não é vinculativo. 
O relatório conclui que o stock de sardinha no mar ibérico está muito abaixo dos limites mínimos, pelo que seria necessário que Portugal e Espanha suspendessem totalmente as capturas durante década e meia para permitir o regresso a níveis aceitáveis.
Em declarações ao jornal, o secretário de Estado das Pescas contesta o parecer por não ter dados actualizados sobre a sardinha em Portugal, mas reconhece que a evolução da população de sardinha na costa nacional é um problema.
Para José Apolinário a redução do stock “é uma consequência directa das alterações climáticas visto que não tem havido um aumento do esforço de pesca”. 
O diário lembra outro parecer, relativo a 2016, onde o mesmo organismo recomendou que as capturas não superassem as 1.584 toneladas e Portugal e Espanha. Mas após negociações com a Comissão Europeia, alcançaram um valor superior, primeiro de 14 mil e depois de 17 mil toneladas.
Em Março, um despacho publicado em “Diário da República” deu a conhecer os valores da captura.
“Portugal e Espanha definiram um total de capturas de 10.000 toneladas de sardinha, até 31 de Julho de 2017, das quais 6.800 toneladas a capturar pela frota portuguesa. Estas medidas de gestão complementam o período de interdição adoptado por ambos os países nos meses de Janeiro e Fevereiro”, referia o documento.
Fonte: RR

Frederico Morais fica em 2º lugar na final do circuito mundial de Surf

‘Kikas’, o primeiro português a chegar à final de um campeonato do circuito mundial de surf, foi batido pelo brasileiro Filipe Toledo, ficando em 2º lugar na final do Corona Open J-Bay, na África do Sul.



Frederico Morais perdeu hoje a final da etapa sul-africana do circuito mundial de surf para o brasileiro Filipe Toledo. No entanto, este foi o melhor resultado de sempre de um português na prova.
Depois de se ter tornado no primeiro português a marcar presença numa final de uma prova do circuito mundial de surf, ao derrotar nas meias-finais outro brasileiro, Gabriel Medina, Frederico Morais acabou por perder por uma diferença de 0,27 pontos, ao efetuar 8,33 e 9,40 (17,73), contra os 8,83 e 9,17 (18,00) de Toledo.
Com este resultado, o surfista português deu um salto no ‘ranking’ mundial, subindo de 18.º para 12.º e ficando assim cada vez mais perto de assegurar a manutenção entre a elite do surf mundial.
‘Kikas’ foi o primeiro português a chegar a uma final de um campeonato depois de, na quarta-feira, ter igualado a presença nas meias-finais alcançada por Vasco Ribeiro, na etapa de Peniche de 2015, e por Tiago Pires, que, durante os sete anos entre a elite, chegou por três vezes às meias-finais.
‘Saca’ foi terceiro classificado no Rip Curl Pro Search, em Bali, em 2008, no Quiksilver Pro France, em Hossegor, em 2009, e no Quiksilver Pro Gold Coast, na Austrália, em 2011, tendo sido afastado das finais por Freddy Patacchia Jr, Mick Fanning e Kelly Slater, respetivamente.
Esta foi a primeira vez que ‘Kikas’ participou neste circuito.
Veja a prova de Frederico Morais:

Porque é que a água do mar é azul e não transparente?

Quando estamos na praia e começamos a caminhar na água conseguimos ver tudo, pois a água é transparente. Porém, quando estamos em alto mar não vemos nada, pois a água torna-se azul escura e deixamos de ver o fundo.

Mas afinal por que razão isto acontece? A explicação é-nos dada num artigo do jornal catalão La Vanguardia.
A causa para esta diferença está na luz e na forma como os nossos olhos a percepcionam. A luz que nos chega do sol é branca, embora seja composta pela cores violeta, azul, roxo, verde, laranja e amarelo.
Mas ao penetrar na água, uma parte da luz é absorvida, em especial a parte onde estão as cores violeta, roxo e laranja. Em contrapartida, o verde e o azul não são absorvidos e, por isso, continuam a penetrar a água.
Esta é então a razão para a água do mar ser azul e em certos locais verde, pois são estas as cores que não são absorvidas pela água e, por isso, continuam a atravessá-la.
Claro que existem outros factores que condicionam a cor da água do mar, como as plantas marítimas ou as descargas poluentes.