Marca portuguesa vende água do mar para beber e cozinhar

Quando pensamos em água do mar imaginamos logo sol, praia e mergulhos. E quando engolimos um pirolito ficamos aflitos até porque sabe bastante mal. No entanto, há uma marca portuguesa que quer pôr o mundo a beber oceanos — desde que devidamente processados e engarrafados, claro. 
“Um dia vi uma pessoa que estava a beber água do mar e achei aquilo um disparate, uma ideia estranha, quase descabida até. Mas não deixei de ficar curioso e fui pesquisar. Rapidamente percebi que a água do mar não é um medicamento mas sim um alimento que pode trazer muitos benefícios à saúde”, conta o criador da “Água do Mar“, Paulo Palha, 35 anos, licenciado em Relações Públicas e Publicidade, e Pós-Graduado em Marketing.
Tudo isto aconteceu depois do fundador da marca ter sido pai. O desejo de viver o máximo possível para estar presente na vida do filho fez com que se interessasse mais pela nutrição e pela alimentação saudável, onde acabou por incluir a “Água do Mar”.
Na altura quis experimentar, mas não encontrava nada à venda em Portugal. “Encontrei água do mar em França, Espanha, EUA, Japão e na Coreia do Sul, e percebi que em Portugal não era comercializada. Como não estava no mercado, e como acontece em tantos outros negócios, esta marca surgiu de uma necessidade.”
Paulo Palha dedica-se a tempo a inteiro ao seu projecto “The Most Perfect View” — um site onde estão compilados os hotéis com as vistas mais incríveis do mundo —, que até já foi notícia na “Forbes“, em 2011. No entanto, arranjou tempo para avançar com um novo projecto.
A “Água do Mar” começou a ser idealizada em Janeiro deste ano, foi lançada em Agosto e já tem mais de 100 clientes.
Neste momento, a marca só vende online packs de seis garrafas de 1,5 litros por 41,33€, o que dá cerca de 7€ cada uma. A compra pode ser feita directamente no site ou através de transferência bancária. Contudo, o fundador garante que já há farmácias, parafarmácias, supermercados e lojas de suplementos interessadas em fazer a revenda.

Mas afinal, o que é que acontece à água até chegar a nós?

“As nossas praias estão sempre mais expostas à poluição, quer por descargas residuais quer por contaminação dos banhistas que a frequentam, e isso faz com que não seja a água adequada para se beber”, explica Paulo Palha.
Por isso mesmo a empresa recolhe a água numa zona de tráfego marítimo muito reduzido numa reserva natural afastada da costa. Ela é recolhida a 40 metros de profundidade, ou seja, segundo fundador, está livre de contaminação. No entanto, ainda é exposta à luz solar e isso “salvaguarda os minerais”.
Depois de recolhida, a água sofre uma microfiltração que garante que as algas e as bactérias, por exemplo, não passam. No controlo laboratorial, também é feito um despiste bacteriano, sendo que cada lote é sujeito a uma análise para controlo sanitário.

E podemos beber a água sem qualquer problema?

Não é bem assim. Primeiro, é preciso saber a diferença entre água hipertónica e água isotónica. De acordo com Paulo Palha, a água hipertónica (água no mar no seu estado puro) tem aproximadamente 36 gramas de sal por litro, enquanto que o nosso meio interno tem 9,4. “Afinal, as nossas lágrimas e o nosso suor é salgado, por exemplo.”
Como tem tanto sal, acaba por nos dar mais sede e, se consumida em excesso, pode desidratar o nosso corpo já que, quanto mais a bebemos, mais dificuldade terão os rins em eliminar o excesso de sal ingerido. Por isso mesmo, tem de ser diluída.
Para a tornar, então, isotónica (água do mar ajustada à tensão salina do nosso meio interno), que é o estado em que deve estar para a bebermos, tem de juntar “Água do Mar” em estado puro com água mineral. Por exemplo, para fazer um litro de Água do Mar isotónica devem misturar-se 250 mililitros de “Água do Mar” hipertónica e 750 de água mineral. A regra é sempre a mesma: uma parte de Água do Mar hipertónica e três de água mineral.
O fundador da marca compara beber “Água do Mar” a experimentar café sem açúcar: primeiro estranha-se mas depois torna-se um hábito. No caso de Paulo Palha, levou algum tempo até gostar de a beber. No entanto, explicou que a mulher, a actriz brasileira Joana Balaguer, bebeu a água pela primeira vez como se fosse algo normal. Para quem quer tentar, começar por colocar gotas do mar num copo de água mineral é uma solução.

Porque se deve cozinhar com “Água do Mar”?

“Na cozinha, podemos substituí-la pelo sal. A “Água do Mar” tem cloreto do sódio, mas também tem vários minerais , como iodo, magnésio, potássio e cálcio, e é uma forma de cozinhar sem estranhar o sabor. Às vezes faço risotto e massa com azeite e água do mar a substituir o sal”, conta.
Paulo Palha deu o exemplo do chef espanhol Ferran Adrià, que tem um vídeo em que apanha água do mar para utilizar nos pratos do seu restaurante. A verdade é que em Portugal, muitos restaurantes cozem o marisco com água do mar.
No site da “Água do Mar”, vão estar disponíveis várias receitas onde pode incluir esta água, como limonada do mar. 

Quais são os benefícios de consumir esta água?

Segundo a marca, a “Água do Mar” tem 70 vezes mais minerais do que a normal, é alcalina, funciona como revitalizante celular e é mais rica em cálcio e magnésio. Mais: retarda o processo de envelhecimento, reforça o sistema imunitário, acelera o metabolismo ajudando a controlar o peso, promove a eliminação de toxinas e diminui a acidez do estômago.
Paulo Palha destaca ainda o facto de poder ser colocada nos banhos de emersão, utilizando dois a cinco litros desta água, de forma a permitir que o corpo possa continuar em contacto com os minerais da água do mar ao longo do dia. Mas há mais: “Experimente bochechar com água do mar e sentirá instantaneamente o seu poder desinfectante e cicatrizante — caso tenha feridas na boca ou gengivas inflamadas.”

A “Água do Mar” é benéfica para todas as pessoas?

“Algumas pessoas reportam que quando começam a beber sentem algumas perturbações gastrointestinais, mas uma das funções da “Água do Mar” é desintoxicar o corpo. E esses sintomas são resultado dessa limpeza do corpo, até porque a Água do Mar tem propriedades laxantes pela quantidade de magnésio”, diz Paulo Palha.
Falou-se com André Casado, médico de Medicina Interna e Intensiva no Hospital da Luz de Lisboa, para perceber se a água do mar é mais vantajosa do que a água mineral. Segundo ele, as evidências em relação a isso são mínimas e não se conhecem estudos que evidenciem que a água do mar faça uma grande diferença para a saúde. 
“Esta água tem muito sal e andamos há décadas a lutar contra o seu consumo. Embora seja sempre diluída para baixar a quantidade de sal, acaba por ter na mesma. Para pessoas normais, isto é, saudáveis, não será prejudicial nem terá perigos eminentes, a não ser que alguém se lembre de ir apanhar água à praia para beber”, diz o médico.
Contudo, André Casado alerta que pessoas com insuficiência cardíaca, insuficiência renal e pedras nos rins jamais devem beber esta água. “Embora se diga que tem muito cálcio como algo positivo, isso tem sempre o lado negativo de agravar algumas doenças em que o cálcio não ajuda.”
Fonte: NIT

E se os ouriços-do-mar fossem o “caviar” português?

Apanham-se por cá, mas vão quase todos para Espanha. A excepção é a Ericeira, onde há a tradição de comer ouriços-do-mar, ou melhor, as suas “ovas”. Agora há projectos de investigação que estudam as ovas destes animais do ponto de vista económico e ambiental.


A
espécie de ouriços-do-mar mais abundante da costa portuguesa, e uma
das principais da Europa, está a ser estudada de forma aprofundada
desde 2016. Investigadores da Universidade do Porto pensam que as
“ovas” do 
Paracentrotus
lividus,
 abundante
no Norte do país, podem ser uma mais-valia para o mercado português.
Para tal, “afinaram” as melhores dietas para criar estes animais
em aquacultura, uma vez que acreditam que, assim, podem também
contribuir para a preservação das populações naturais desta
espécie.

Ao
longo de um ano, a equipa do Centro Interdisciplinar de Investigação
Marinha e Ambiental (Ciimar) da Universidade do Porto estudou ao
pormenor duas populações selvagens de ouriços-do-mar, nas praias
Norte e de Carreço, em Viana do Castelo. O que se pretendia era
avaliar o melhor período de captura destes animais e a qualidade das
suas gónadas (as “ovas”) para consumo humano – em termos de
valor económico, nutricional e características sensoriais (como a
cor, o sabor, a textura e o cheiro).
Este
parente próximo das estrelas-do-mar e dos pepinos-do-mar (também
cobertos de espinhos e, por isso, equinodermes) gosta de habitats
rochosos. A sua boca assemelha-se a uma garra, com cinco lâminas
(parecidas com dentes) viradas para dentro e vai deixando marcas nas
rochas, à medida que devora tapetes de algas.

Com
o estudo dos ouriços-do-mar selvagens concluído, os investigadores
puderam passar para a segunda etapa da investigação: a formulação
de dietas específicas para a produção destes invertebrados
marinhos em aquacultura. “Actualmente, não há em Portugal – e
são poucas no mundo – as dietas específicas para a produção de
ouriços-do-mar em cativeiro, que garantam gónadas de boa qualidade
para o consumidor final”, explica a bióloga Luísa Valente, do
Ciimar e a coordenadora do estudo.
Na
Europa, a bióloga diz ter apenas conhecimento de se estar a apostar
na aquacultura de ouriços-do-mar na Noruega, na Escócia e na
Islândia. Porém, o facto de as condições ambientais e a
temperatura da água em Portugal serem distintas das daqueles países
impossibilita que as ementas sejam directamente replicadas. Além
disso, estão a ser testados diferentes menus, de maneira que ainda
não há uma ração comercial capaz de dar “confiança suficiente”
aos aquacultores, para apostarem a sério neste negócio.
Em
Portugal, este projecto do Ciimar – o Inseafood – é pioneiro
para a produção de ouriços-do-mar em aquacultura. Conta com 4,2
milhões de euros, atribuídos em 2016 pelo programa Norte 2020 até
2018, e quer apostar em novas técnicas de exploração sustentável
de espécies economicamente relevantes para a aquacultura portuguesa.
Ao lado das algas, dos robalos e das ostras, estão os
ouriços-do-mar. “É algo inovador porque olha para a espécie de
ouriços-do-mar mais abundante da nossa costa – o 
Paracentrotus
lividus
 –
com uma clara vocação para o mercado nacional”, sublinha Luísa
Valente.
Sem
ser na 
Ericeira,
o consumo de gónadas de ouriços-do-mar não é uma tradição
portuguesa e os animais capturados são, na sua maioria, vendidos a
comerciantes de Espanha, onde são uma iguaria bastante apreciada. O
certo é que este produto de elevado valor nutricional e económico
parece encontrar as condições ideais para ser produzido em
cativeiro nas águas frias do Norte de Portugal.
A
alimentação ao certo desta espécie de ouriços-do-mar ainda requer
mais estudos. “Temos de perceber quais são as necessidades
nutricionais destes animais. Até agora, testaram-se rações com
matérias-primas diferentes (algas e outras fontes proteicas
vegetais) e com níveis de proteínas e gordura distintos”, informa
Luísa Valente. Após vários ensaios experimentais, ficou claro que,
tal como nós somos o que comemos, também a alimentação dos
ouriços-do-mar os influencia directamente.
Geralmente,
as gónadas dos machos são mais esbranquiçadas e as das fêmeas
mais alaranjadas. No entanto, “a cor depende essencialmente
do tipo de pigmentos das algas utilizadas nas suas dietas”, explica
a bióloga.
A
equipa do Ciimar ficou satisfeita com os resultados obtidos até
agora da investigação. Os resultados demonstraram que estas dietas
são capazes de potenciar um bom crescimento das gónadas destes
animais criados em cativeiro, com uma qualidade muito aproximada da
dos selvagens. “Estamos num bom caminho para viabilizar o cultivo
destes animais em cativeiro”, diz a bióloga, acrescentando que
estão em preparação dois artigos científicos.
Além
de se tentar superar o carácter sazonal da captura destes animais,
Luísa Valente destaca ainda “o elevado potencial económico das
gónadas”, do qual diz que o país pode retirar muito mais partido.

Gónadas gourmet

É
debaixo da carapaça espinhosa dos ouriços-do-mar que encontramos a
sua parte comestível, que não são mais do que os seus órgãos
reprodutores (ovários e testículos). Referimo-nos, concretamente,
às cinco “línguas” deste invertebrado marinho que representam
apenas 20% do seu corpo.
O
valor gastronómico deste “caviar do mar” já é
internacionalmente reconhecido pela cozinha 
gourmet e
pode exceder os 58 euros por quilo. Actualmente, o Chile é
responsável por cerca de 60% das capturas globais (que rondavam as
65 mil toneladas em 2010), mas em cada 100 consumidores mais de 80
são japoneses. No mundo, já se comem gónadas frescas, salgadas,
congeladas ou cozinhadas.
Ainda
que em 2014 se tenham capturado 14 toneladas de ouriços-do-mar em
Portugal, Luísa Valente diz que “o consumo nacional de gónadas é
reduzido”, acabando por serem, muitas vezes, exportadas. “Reter e
processar este produto para gerar valor acrescentado no mercado
interno” é considerado pela equipa como uma necessidade e a
degustação do 
Paracentrotus
lividus
 produzido
em cativeiro poderá ser uma opção.

E
se o ponto de partida deste projecto foram as praias de Viana do
Castelo e a primeira paragem a biologia marinha, a segunda foi a
gastronomia. Num almoço informal, três 
chefs de
cozinha com uma estrela Michelin provaram gónadas selvagens de
diferentes zonas do país – de Viana do Castelo, da Ericeira e do
Algarve.
O
objectivo era que os 
chefs André
Silva, Catarina Correia e Ricardo Costa ajudassem os investigadores
do Ciimar a perceber o que teria de ser aprimorado nas dietas dos
ouriços-do-mar, para se ir ao encontro das preferências dos
clientes nos restaurantes.
“O
sabor é muito especial e único, não se compara com mais nada. No
estado natural tem um sabor intenso a mar e é delicioso!”,
descreve Luísa Valente. “Pelo que pude perceber durante as provas,
o ideal será ter na mesa uma mistura de machos e fêmeas, para o
sabor ser mais equilibrado.” Além disso, averiguar se havia
uma variação do sabor das gónadas consoante a origem geográfica
do ouriço-do-mar era o outro propósito. “Os resultados ainda
estão a ser analisados, mas todos os ouriços têm características
semelhantes.”

Uma
aposta nas conservas?

Conseguir
que os animais cresçam saudáveis e que produzam gónadas com a cor
e o sabor desejados pelo consumidor final é a meta, mas Luísa
Valente também se pronuncia relativamente à aquacultura como uma
alternativa sustentável ao consumo de peixe. “A produção de
animais de baixo nível trófico pode ser uma solução”, afirma a
investigadora, referindo-se a animais que estão na base da cadeia
alimentar e não no topo.
Ao
longo dos anos, não só a captura mundial tem excedido a capacidade
de regeneração das populações naturais, como não se tem apostado
na investigação do 
Paracentrotus
lividus
.
Quem o diz é Susana Ferreira, bióloga da Escola Superior de Turismo
e Tecnologia do Mar do Instituto Politécnico de Leiria.
“Não
temos nem dados de quantidades nem da distribuição geográfica das
populações de ouriços em Portugal e no mundo. Só sabemos que há
menos ouriços-do-mar porque, empiricamente, se encontram menos”,
refere Susana Ferreira. “Estudos rigorosos precisam de ter em conta
possíveis diferenças interanuais, por isso levam muito tempo e
tornam-se bastante dispendiosos.”

são vários os pescadores portugueses que vão à procura de
ouriços-do-mar entre Outubro e Abril – o período da desova. A
captura está regulamentada por lei desde o início dos anos 90 e, no
âmbito da pesca lúdica, qualquer cidadão pode apanhar até dois
quilos diários para consumo próprio. Caso queira comercializar os
ouriços-do-mar, terá de ter uma licença e não pode exceder os 50
quilos por dia, de acordo com as 
normas
aprovadas em 2010
.

Contudo,
a clandestinidade não deixa de ser uma opção apelativa quando há
a hipótese da comercialização a preços elevados do outro lado da
fronteira. Este ano já foram feitas duas operações de
fiscalização: numa foram apreendidos 
124
quilos
(com
valor comercial de quase 500 euros) pela Polícia Marítima de Viana
do Castelo e noutra confiscados 
100
quilos
 pela
Polícia Marítima de Caminha. As multas vão dos 250 aos 50 mil
euros.
“Sendo
uma iguaria muito procurada no mercado espanhol, os ouriços-do-mar
têm um valor comercial considerável, sendo vendidos pelos
apanhadores a comerciantes espanhóis a quatro euros o quilo”,
adiantava na altura, em comunicado, o comando local da Polícia
Marítima de Viana do Castelo. “A quantidade apreendida traduz-se
num valor, na primeira venda no mercado, de 496 euros.”
Mas
os ouriços-do-mar não são caso isolado, uma vez que “outros
invertebrados como as lapas, as navalheiras ou os lavagantes também
estão em perigo e, por não serem peixes, é-lhes dada pouca
atenção”, nota ainda Susana Ferreira, que participou nas Jornadas
Técnicas do Festival do Ouriço-do-mar, na Ericeira, organizadas em
Abril pelo Mare – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente. Nessas
jornadas, o Mare apresentou outros dois projectos sobre
Paracentrotus
lividus
,
que começam este ano. Um é o Ouriceira Aqua, que pretende criar as
bases para produzir a espécie na Ericeira e em Portugal; o outro é
o Ouriceira Mar, para estudar a ecologia e explorar os ouriços-do-mar
na Ericeira e regiões vizinhas.
Quanto
ao Inseafood, já está a dar origem a outro projecto. “Dado o
elevado interesse dos ouriços-do-mar, queremos aprofundar o seu
estudo e, ainda este ano, começar o Valeour”, adianta Luísa
Valente, acrescentando que vai ser financiado em cerca de 700 mil
euros, durante três anos, pelo programa Mar 2020. “Irá testar a
melhor forma de fazer conservas, preservando o sabor das gónadas, em
articulação com a indústria conserveira portuguesa.”
O
projecto vai ter a colaboração das empresas Conservas Portugal
Norte, da RiaSearch (de aquacultura) e, ainda, da Sense Test (de
análise sensorial). Além das gónadas, procurar-se-á valorizar
outras partes dos ouriços-do-mar, como compostos bioactivos
potencialmente benéficos para a saúde humana.

Resta
saber se, após os vários projectos de investigação científica,
os ouriços-do-mar vão chegar à mesa dos portugueses.

Fonte: Público 

Oceanário de Lisboa foi eleito o melhor do mundo

Temos o melhor jogador do mundo, em julho recebemos o título de melhor moscatel e, ainda no mesmo mês, o de melhor restaurante no mundo. Em agosto, junta-se mais um à lista: o de melhor oceanário.
O Oceanário de Lisboa, que fica no Parque das Nações, foi considerado o melhor do mundo pelos utilizadores do Traveler’s Choice do site TripAdvisor. Esta é já a segunda vez que o espaço é distinguido pelo site de viagens e turismo como o que melhor impressão causa nos visitantes. A primeira distinção foi em 2015.
Das mais de 28 mil avaliações feitas no site, cerca de 18 mil têm a classificação de “Excelente”. Mais: posicionam o oceanário em primeiro lugar das 429 experiências a viver em Portugal.
A segunda e terceira posição do Top 10 apresentado pelo TripAdvisor, foram ocupadas pelo Ripley”s Aquarium Of Canada, no Canadá, e o Georgia Aquarium, nos Estados Unidos da América, respetivamente. A lista completa está disponível online.
Fonte: NIT

Há mar e mar…

Portugal pode e deve estar na linha da frente das respostas a dar às novas interrogações colocadas pelo mar. O INESC é o ponta-de-lança nacional, saibam os governos aproveitá-lo.


Interessa-me hoje, em contraciclo e para escapar ao marasmo silly do discurso morno e letárgico, que tende para a irrelevância com tons de nostalgia ou assomos sentimentalistas, falar sobre o mar. Quero falar do mar enquanto força motriz global e portuguesa, enquanto repositório infindável de riqueza sustentável e perspectivado como factor-chave da saúde ambiental do planeta.

É clara a tendência mundialmente observada para o crescimento da procura, intrinsecamente ligada ao crescimento demográfico. As indústrias marítimas, a economia do mar (a “economia azul”) têm aqui, neste cenário global, um papel decisivo a desempenhar, quer no âmbito do afinamento das respostas proporcionadas pelas indústrias “estabelecidas” – das pescas aos portos, passando pelo turismo e pela indústria naval e de transportes –, quer ainda, talvez com maior pertinência, no que respeita às indústrias ditas “emergentes” que colocam desafios novos e impactantes, que exigem respostas inovadoras, eficientes, sustentáveis e globais. Refiro-me a áreas como as energias renováveis de fonte marítima, a energia eólica offshore, a aquacultura, a segurança e vigilância marítimas, a biotecnologia marinha ou o desenvolvimento de produtos e serviços marinhos de base tecnológica intensiva. Todas estas indústrias (e outras), propulsionadas pelo crescimento da economia global e pelos avanços das tecnologias de ponta, contêm um potencial de contribuição para a riqueza mundial que tem que ser aproveitado sem hesitações e com os olhos postos no longo prazo, com benefícios claros sobre o valor acrescentado económico e o emprego – existem projecções que estimam que o crescimento da economia azul ultrapasse o crescimento da economia mundial até 2030.
Portugal pode e deve estar na linha da frente das respostas a dar às novas interrogações colocadas pelo mar – o nosso país tem um interesse ímpar nisso mesmo e uma oportunidade inigualável para o fazer, com um território nacional (incluindo a Zona Económica Exclusiva) que pode chegar aos quatro milhões de quilómetros quadrados – mais de 90% do território terrestre da União Europeia –, se se concretizar a pretensão de extensão da nossa Plataforma Continental. Para isso, é indispensável foco nacional (não meramente conjuntural) nos objectivos fundamentais, investimento sério em I&D, aposta concreta e duradoura na inovação e networking internacional permanente e credível. O INESC é o ponta-de-lança nacional – saibam os governos aproveitá-lo.
Agora vou a banhos, de dedos cruzados.

Milhares de salmões fogem das redes para o Pacífico

Cerca de 305 mil salmões escaparam das redes de uma empresa de aquacultura canadiana, situada no estado norte-americano de Washington, para as águas do Oceano Pacífico.
As redes da Cooke Aquaculture rasgaram-se ontem e os mergulhadores ainda estão a avaliar o número exacto dos peixes que fugiram.
A espécie está listada como predadora e poderá afectar o salmão Chinook da zona. O departamento ambiental desafiou os pescadores da zona a pescarem o maior número de peixes possível.
“A nossa primeira preocupação, claro, é proteger as espécies de peixe nativos”, disse Ron Warren, do departamento ambiental de Washington.

Sines como futuro do Sector Portuário


Pequena entrevista com Paulo Freitas:
Vice-Presidente do Sindicato XXI, que representa a maior fatia dos
trabalhadores portuários do maior Terminal do país – O Terminal
XXI em Sines

É de Sines ?

Sou 6ª Geração de Sines, a minha família já
cá anda no Concelho há muitas décadas. Tenho imenso orgulho de ser
de cá, de viver e sentir Sines.

Há já quanto tempo está na PSA Sines?

Há praticamente uma década. Na altura ainda só tínhamos 3 gruas. Era o início de tudo. Sentia-se que ainda
havia um longo caminho para percorrer. Ainda não se vislumbrava
minimamente o que temos hoje por cá. Mas todos os que estamos
praticamente desde do inicio, temos orgulho do que “criamos” por
cá.

Havia alguma perspectiva?

Perspectiva sempre existiu. Uma companhia
estrangeira (PSA) a investir forte em Sines, um cliente reputado ao
nível do melhor que há no mundo ( MSC ), tinha que existir
perspectivas positivas. Mas nem sempre foi fácil. Ainda houve um
longo caminho a percorrer.

Não foi fácil em que sentido ?

Não foi fácil no sentido de sermos poucos na
altura, apesar dos primeiros que vieram para a empresa já terem
muitos anos de estiva. Havia experiência de um lado e irreverência
por outro do lado do pessoal que entrou. Uma boa mistura. Fez-se
muita coisa que hoje em dia não se teria feito e catapultamos o
Terminal XXI para aquilo que se tornou hoje. O maior terminal do
país. Com níveis de produção altos, e trabalhadores com enorme
qualidade. Qualquer empresa teria orgulho em ter os activos que esta
empresa possui. Temos homens de garra que sabem o que custa trabalhar
num sector competitivo.

Entretanto o Terminal XXI cresceu muito mais.
Que pensa sobre essa ponte do passado e futuro ?

Cresceu em espaço, maquinaria, movimentação
e em trabalhadores. Cresceu rápido, e por ter crescido tão rápido,
a planificação prevista não foi acompanhando essa evolução tão
veloz, que acho que surpreendeu até a própria empresa. O
crescimento fez aumentar as necessidades, tanto de soluções, como
de novas caras. Mas sei o que o futuro é risonho, mas tem de se ir
mais ao encontro das expectativas que todos cá fora, no terreno
possuem.

Que expectativas essas?

Que fazem parte de um enorme projecto, que irá
ser ainda maior no longo prazo. Que iremos ter uma maior
redestribuição de tudo o que for conseguido. Só conseguindo essa
maior justiça no rácio ganho/produtividade é que seremos todos uma
empresa ainda maior. O nosso objectivo é a melhoria contínua de
todas as condições, sejam de trabalho, segurança ou
carreiras/progressões.


Quantos associados possuem? O que levou a
aderirem à Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores
Portuários?

Já estamos a caminho dos 600 associados. E
queremos atingir essa meta o mais rápido possível, porque a união
realmente faz a força. Queremos aumentar a nossa representatividade
e poder negocial, e isso só será possível com a força de todos.
Acredito que é possível e iremos fazer tudo para que tal se torne
uma realidade. A adesão à Federação aconteceu num momento
sensível entre nós Sindicato e a empresa. Mas já estava programada
há vários meses, foi no momento certo. A meu ver, quando concluímos
o processo de adesão, quebramos um certo isolamento que possuiamos.
E esta união, deixa-nos mais perto de outros colegas por todo o país
e para concretizarmos por objectivos comuns.

Que objectivos tem em mente ?

É obvio que a redução da idade de reforma
para os trabalhadores portuários e a sua inclusão nas profissões
de risco estão no topo da lista. O desgaste provocado pelos turnos,
pela profissão em si, merecia outro cuidado por parte de quem nos
governa. É imperativo que haja mais atenção para uma profissão
que no seu colectivo faz de facto mexer com a economia deste país.
Só o Porto de Sines já é equivalente a 2,5% do PIB. Ainda há um
caminho a percorrer, e acredito que não deveremos desistir dos
nossos objectivos.



Pensamentos sobre a greve que existiu no
Terminal XXI recentemente?

Foram momentos complicados e de conflito.
Permaneceu o bom senso após um braço-de-ferro tremendo. Houve
sempre tensão durante o período de duração da greve. No fim
venceram os trabalhadores, porque o esforço total vieram de todos
aqueles que se uniram e fizeram do sucesso da greve uma realidade.
Portaram-se todos lindamente e tenho orgulho em dizê-lo. Foram todos
de uma força extraordinária.


Que pensa sobre o Terminal Vasco da Gama ?

Relembro que já no anterior governo de José
Sócrates já se tinha falado nisso. E não se concretizou. Acredito
que possa existir interesse, mas acho que ainda está numa fase
embrionária e prematura. Mas considero um sinal positivo o
investimento da APS – Administração do Porto de Sines, no valor
de 88 milhões de euros para o aumento do molhe leste. Os projectos
que surgirem são da responsabilidade dos investidores, dos governos
e da administração portuária. Tudo o que vier para aumentar o
portfólio de Sines no sector portuário, com todas as condições de
projecção, investimento e impulsionamento serão sempre bem-vindos,
nunca esquecendo as condições de segurança, trabalho e laborais. É
esse “todo” que faz com que as coisas funcionem da melhor
maneira.


É Candidato à Câmara Municipal de Sines nas
próximas eleições? Que influência acha que um Presidente de
Câmara deveria ter no sector portuário?

Sou, e é um orgulho esse papel que foi
atribuido. Acredito que tem de manter um contacto sempre próximo,
não só com a Administração Portuária, mas igualmente com as
empresas que compõem esse importante cluster local. Sentir os
problemas, encaminhando sempre para os melhores caminhos, com
soluções à altura dos acontecimentos. Tem de existir uma enorme
sensibilidade para com as várias centenas de trabalhadores que por
lá trabalham no Porto de Sines. Acredito que tem de se ter
igualmente, um olho para o futuro, na captação de mais investimento
empresarial para a região. Com um Porto de Sines com as condições
que tem, com a internacionalização que já possui, chegando aos
cinco continentes, isso é uma mais valia, não só para as empresas
locais mas um sinal mais de atractividade para aquelas que veem Sines
como um ponto de aposta. Sines é o futuro do país, e acredito
plenamente não só na capacidade que temos para atrair e manter
esses investimentos, como os que já cá estão e utilizar o
potencial de uma população com muita capacidade de trabalho e de
produção para fazer existir este crescimento que tanto
necessitamos. Temos de apostar na sustentabilidade dos projectos,
porque tem de existir uma planificação de futuro e não somente no
curto prazo. Mas se acredito que deveremos ter mais empresas, mais
investimento e mais emprego, acredito que esse emprego tem de ser
bem remunerado, com condições de trabalho de qualidade. Não
acredito num capitalismo que esmaga as pessoas, mas acredito numa
ligação entre a valorização da empresa e dos seus trabalhadores,
como uma ligação forte de entreajuda. Será que há investidores e
empresários para dar o salto para uma melhor relação de futuro?
Em que haja um maior interesse nas pessoas e não somente nos
números? Quero acreditar que algum dia isso será possível na
globalidade das empresas e não só em algumas. Politicamente não é
uma questão de esquerda ou direita, mas sim de justiça e de aposta
certa nas pessoas. Vejo Sines como a Capital da Economia do Mar, e é
através desta visão que todos deveriam projectar o futuro deste
Concelho.

MSC à beira de encomendar 11 navios de 22 mil TEU

O contrato, com um valor global estimado em 1,5 mil milhões de dólares, será dividido entre a Samsung Heavy Industries (que construirá seis navios) e a a Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (que assegurará os restantes cinco).
A confirmar-se, este negócio segue de muito perto a encomenda de até nove navios de 22 mil TEU colocada há dias pela CMA CGM junto de dois estaleiros chineses.
A MSC, recorde-se, é parceira da Maersk Line na 2M, sendo que a companhia dinamarquesa, número um mundial, já descartou a colocação de novas encomendas nos tempos mais próximos por considerá-las injustificadas.
A SeaIntel foi a mais recente consultora a alertar para os riscos do regresso do excesso de capacidade no Ásia-Norte da Europa.

Tiago Pires: “Portugal pode ser uma potência mundial do surf”

Tiago Pires, também conhecido por “Saca”, passou a adolescência em Alvalade mas aproveitava todos os fins de semana e algum tempo livre durante a semana para surfar na Ericeira com o irmão, Ricardo, e um amigo. Foi assim que começou uma carreira a competir ao mais alto nível, onde esteve ao lado da elite mundial desta modalidade, como o australiano Mick Fanning, o norte-americano Kelly Slater ou o brasileiro Adriano de Souza.

Numa entrevista ao Jornal Económico, Tiago Pires recorda os primeiros campeonatos pelo país, as disputas com Slater e como esta modalidade lhe trouxe a independência financeira. O ano passado anunciou o adeus ao circuito mundial e não se coíbe de fazer elogios a Frederico Morais, surfista que fez história no passado mês de Julho ao tornar-se no primeiro português a classificar-se para uma final nesta competição.
A sua carreira confunde-se com a evolução do surf em Portugal. Quando é que o miúdo lisboeta, hoje com 37 anos, trocou o Bairro de Alvalade pela Ericeira?

Cresci em Lisboa, mas a Ericeira, sobretudo a praia de São Lourenço, sempre foi o meu destino de férias. E assim começou a paixão por andar na praia e no mar. Na adolescência comecei a ficar viciado no surf e praticava sempre que encontrasse algum tempo livre. Ainda na escola comecei a receber patrocínios para surfar. Aos 18 anos assumi o compromisso de parar de estudar (gostava muito de línguas, português e geografia) e ser profissional desta modalidade. Mudei-me de armas e bagagens para a Ericeira até regressar novamente a Lisboa há mais de dois anos.


Quanto lhe pagaram no primeiro contrato?
Recebi o meu primeiro ordenado aos 16 anos: 150 contos por parte da Quiksilver. Entre os 16 e os 18 anos já tinha dinheiro para viver sozinho e sempre investi muito na minha carreira.
E a reação da família?

Foi complicada. O surf era um desporto mais pequeno do que é hoje em dia e quase não se via casos de sucesso. Os melhores portugueses deviam receber salários à volta dos mil euros no máximo. Mas desde cedo comecei a dar provas de que poderia ter uma carreira internacional. O meu irmão tem mais quatro anos do que eu e começou a competir antes de mim. Hoje em dia é pintor, artista e ajuda-me nos negócios. Ele nunca se deu bem nesta modalidade e minha mãe (escriturária, o pai cenografista) tinha algum medo por mim. No entanto, apareceu uma pessoa muito importante na minha vida, o José Seabra. Ele já tinha trabalhado em departamentos de marketing de marcas estrangeiros, viajou pelos EUA e viu em mim um potencial surfista internacional. Começámos a trabalhar e, como em tudo na vida, é preciso correr riscos. Foi uma aposta ganha. Mais tarde passei para outra marca, a Billabong, um contrato que me permitiu fazer um circuito mundial.



E como era o surf em Portugal?

Aos 17 anos comecei a lutar pelo maior título português profissional. Eram cinco, seis ou sete provas espalhadas pelo país inteiro, de Norte a Sul, com os melhores surfistas portugueses. Iamos de carro, uma coisa muito familiar. Depois passei do circuito de qualificação para a elite do surf mundial. É a grande arena, com inúmeras provas espalhadas pelo mundo inteiro.


Nesta elite do surf mundial, onde se encontra também o Frederico Morais…

Fiz sete temporadas no WCT. Andei várias vezes na casa dos 20 melhores do mundo. Derrotei pelo menos três vezes o Kelly Slatter, que era considerado intocável. Lembro-me que ficou muito chateado quando lhe ganhei em Bali. Deu-me os parabéns de raspão. O Frederico tem o futuro em aberto.


As discussões entre surfistas são frequentes?

Tive três ou quatro em 18 anos de carreira. Dentro de água sempre fui um felino a competir, mas sempre joguei no limite do razoável.


O que faz um surfista quando perde as pranchas?

Já me aconteceu. Fui fazer um campeonato na Costa do Sauípe, no Brasil, e tinha um voo direto. Acabei por chegar lá sem pranchas e tive de pedir emprestadas aos meus colegas. Às vezes chegamos a viajar com 10 pranchas e um saco de roupa.



É fácil um surfista deslumbrar-se?

É fácil acontecer. Mas isso é o que separa um surfista atleta de outro que não pensa como atleta. Se nos deixamos cair nessa teia de aranha as coisas podem descambar. Os surfistas vivem de contratos de imagem e nenhuma se quer associar a um surfista que é conhecido pelas festas. Acho que o surf se tem profissionalizado muito nos últimos cinco anos e o grau de exigência é tão grande que os surfistas não se podem dar a esse tipo de coisas.


Quanto é que um surfista de topo pode ganhar por mês?

Hoje em dia a tabela inflacionou muito. Temos surfistas que estão na ordem dos quatro milhões de euros por ano. E temos surfistas que estão na ordem dos 200 mil euros anuais. Isto dentro da elite. Eu sempre fui um privilegiado que abri as portas do desporto neste país e tive um grau de atenção bastante elevado. Num surfista de topo os contratos são pagos pela casa mãe das marcas. Em 2010 assinei um contrato com a Quiksilver de 10 anos. É uma coisa única na Europa. O meu contrato também se dividiu nos momentos de competição e de pós competição.


Ganhou muito dinheiro ao longo da carreira?

Não me considero uma pessoa rica. Tenho dinheiro para viver confortavelmente. Fiz bons investimentos em imobiliário, tenho casas na Ericeira e em Lisboa. Sempre fui bastante conservador. Tenho um estilo de vida que me permite desfrutar da família.



O ano passado anunciou o adeus ao circuito mundial. Ainda participa em pequenos campeonatos?

Agora faço alguns campeonato pontuais, denominados ‘special events’. Não fazem parte de nenhum circuito. Não tenho de me preparar como um louco. Tenho a minha escola de surf, na Ericeira, professores e o meu irmão ajuda-me a gerir o negócio. Vejo também o meu futuro um pouco como organizador de eventos de surf com as camadas mais jovens.


Como avalia o feito do Garrett McNamara na Nazaré?

É um milagre. Um havaiano ter aceite um convite de portugueses, nem sabia bem para onde ia, e que acreditou naquele projeto. Várias pessoas foram lá antes dele e não aceitaram porque não quiseram pôr em risco a própria vida. Cheguei a fazer surf na Nazaré, nas ondas grandes, e percebi que é um sítio muito complicado. Nunca tive essa vontade de perseguir a maior onda do mundo.


Gostava que o seu filho fosse surfista?

Gostava. Aprendemos a respeitar a Natureza, a respeitar o mar. Dá-nos muita paz e equilíbrio à vida. Mas ele vai escolher o que quiser. Não serei aquele pai que vai pressioná-lo a fazer alguma coisa.


Os estudos apontam para que a economia do surf represente 400 milhões de euros. Este número pode crescer?

Quando falamos em 400 milhões já estamos a incluir o turismo de surf. Em termos de grandes campeonatos estamos bem servidos e isso prova que estamos muito à frente. Melhorando as infraestruturas que temos, acredito que possamos duplicar os 400 milhões. Temos muito talento. O Governo pode também apostar mais no surf e acho que há um trabalho que deve ser feito: a maneira como agarramos nos jovens e os lançamos para o futuro. Se o Governo começar a apoiar mais, Portugal pode ser uma potência mundial e o surf um desporto que pode produzir campeões do mundo.




Feira de negócios sobre o mar regressa a Portugal em 2018

Portugal vai receber no próximo ano a feira de negócios Biomarine dedicada à economia do mar. Cascais volta em 2018 a receber a Biomarine, que anualmente promove oportunidades de negócio e o desenvolvimento de investimentos, disse esta sexta-feira o presidente executivo (CEO) do evento, Pierre Erwes. Esta não é a primeira vez que Cascais recebe o evento — já tinha acontecido em 2014.

“Vai ser em Cascais, por que há uma boa sinergia. [..] E há um claro entendimento entre os governantes, a câmara municipal e nós adoramos o local e esperamos convencer o príncipe Alberto [do Mónaco] a voltar, porque ele também adora o local”, informou o CEO. O mesmo anúncio foi feito esta sexta-feira pelo Ministério do Mar.
Depois de a vila ter recebido o evento em 2014, Erwes já fez saber que haverá algumas alterações no próximo ano, como diversificação de reuniões, um novo tipo de exposição e o acompanhamento dos negócios fechados este ano. “Portugal escolheu-nos. É como quando se está viciado, é um país que vive junto do mar, que vive para o mar e não havia melhor local do que Portugal e, por isso, decidimos voltar e o que o país fez em cinco anos, é o líder azul da Europa”, justificou ainda o CEO.
Erwes informou que estará disponível para o público a iniciativa “my blue city [a minha cidade azul] para “se compreender o potencial de Portugal, tal como as tecnologias e os recursos” do país. O anúncio aconteceu depois da assinatura de um protocolo entre a Direcção-Geral de Política do Mar, a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e a Biomarine Organization Clusters Association, em Lisboa.
A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, disse que este protocolo visa dar “maior centralidade às empresas portuguesas, no âmbito do Biomarine, que é a maior rede internacional em termos de parcerias na área do mar e engloba indústrias, mas também centros de investigação”. Este evento anual inclui conferências, encontros de alto nível e encontros um para um, enumerou a governante.
A edição deste ano decorre em Rimouski, Quebec (Canadá), onde Ana Paula Vitorino estará presente de 1 a 3 de outubro para assistir ao plenário de abertura do Biomarine 2017. Esta sexta-feira foi assinado um protocolo entre a Direcção-Geral de Política do Mar, a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e a Biomarine Organization Clusters Association.
Fonte: ECO

Economia do mar: o maior recurso natural português

Este é um dos poucos sectores nacionais em que a matéria-prima é nossa, não necessitamos de terceiros e de importações para o explorar.

O mar é reiteradamente considerado um dos grandes desígnios nacionais, com um enormíssimo potencial por explorar. Os países mais ricos são os que têm recursos naturais abundantes, mas acima de tudo que os aproveitam e Portugal tem sem dúvida um filão inexplorado ao nível do mar. Fazem-se estudos, relatórios, estratégias e planos, programas e acções visando potenciar o mar enquanto factor de desenvolvimento socioeconómico, mas há um consenso geral quanto ao subaproveitamento das virtualidades do mar português, ainda que muitos e valorosos esforços tenham sido feitos para dinamizar os nossos recursos marítimos e costeiros.
É certo que o mar continua a ser um dos grandes atrativos do país, principalmente traduzido pela contínua aposta nas pescas, pelo desenvolvimento significativo do setor portuário comercial e turístico e pelo facto de os desportos náuticos, com o surf à cabeça, serem hoje atividades economicamente atrativas. Ainda assim, apesar de a economia do mar representar hoje cerca de 3% do PIB português, o potencial daquela que é a 3.ª maior zona económica exclusiva da União Europeia e a 11.ª do mundo continua a estar muito longe de ser explorado na sua plenitude, traduzindo-se em emprego, indústria e desenvolvimento tecnológico.
É de louvar a atitude deste Governo, que colocou o foco no desenvolvimento do setor, incluindo a criação de um Ministério dedicado, que muito tem feito por forma a efetivamente definir uma estratégia e um plano de ação de longo prazo para modernizar e dinamizar a economia do mar, nomeadamente as atividades tradicionais de grande relevância, como a pesca, o turismo, os transportes marítimos, a construção e a reparação naval, entre outras. Estratégia essa que permite, em simultâneo, promover o crescimento de novas atividades de grande valor acrescentado, que podem ter relevância substancial para o país, como a construção de eólicas offshore, a exploração energética das ondas e marés, a aquacultura, o aproveitamento das embarcações a GNL, a biotecnologia, a produção de algas ou o desenvolvimento de tecnologias marítimas.
Não tenho dúvidas de que este é o caminho a seguir e de que o Governo, em particular a Sra. Ministra do Mar, parece verdadeiramente empenhado em promover a emergência deste setor de recursos naturais nacionais. Acima de tudo, não podemos perder o comboio europeu e mundial, tendo nós condições extraordinárias para criar um verdadeiro cluster nacional tecnológico e industrial, potenciando a criação de valor e a geração de postos de trabalho, como outras congéneres europeias estão a fazer com grande sucesso.
Seria uma oportunidade perdida para o país se essa vontade política não tivesse consequências positivas significativas. Até porque Portugal reúne condições para mudar o paradigma da fileira, como fez noutros setores como os têxteis, o calçado, a metalomecânica ou os moldes. Ao nível da economia do mar, temos uma longa tradição empresarial, novas empresas com know-how altamente especializado, investigação científica de excelência, capacidade de inovação e ecossistemas de empreendedorismo.
A recente notícia da criação do anunciado Fundo Azul, com uma dotação inicial de 13,6 milhões de euros, que irá financiar startups de base tecnológica a operar no cluster marítimo, é desde já um excelente passo para financiar e dinamizar projetos que envolvam investigação, desenvolvimento e inovação – atividades que, como sabemos, são de longo prazo e exigem investimentos consideráveis.
Talvez fosse conveniente complementar este mecanismo com outras fontes de financiamento, nomeadamente capital de risco e linhas de crédito, por forma a financiar projetos baseados no conhecimento, com grande intensidade de tecnologia e inovação. Para este tipo de projetos, o desenho do sistema de incentivos deve ser mais ambicioso. Este é um dos poucos setores nacionais em que a matéria-prima é nossa, não necessitamos de terceiros e de importações para o explorar. Portugal pode afirmar-se e competir com qualquer empresa do mundo, aproveitando os seus próprios recursos naturais. No entanto, apesar de sermos dos países que mais peixe consome per capita, a maior parte é importado e de aquacultura!
Porque não aliamos a tradicional indústria metalomecânica e de construção naval às renováveis oceânicas, à aquacultura offshore, às tecnologias emergentes, reconvertendo ou dinamizando as infraestruturas portuárias existentes, atraindo e apoiando empresas portuguesas que se mostrem interessadas e competentes para nelas investir, potenciando novos clusters industriais? Não basta a estratégia e a vontade, é preciso ação e conjugação entre o setor privado e a estratégia pública para que este não seja um desígnio continuamente difundido, mas sim aproveitado.
Se conquistámos o mundo há séculos, fruto da nossa audácia e empreendedorismo, devemos entender hoje que podemos estar novamente na linha da frente, ter ambição e iniciar uma nova época dos Descobrimentos, explorando neste caso o nosso próprio mar e os nossos próprios recursos.