Um Oceano, muitos desafios.

Ao reproduzir a imagem do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, com a água até aos joelhos, a revista “Time” reconheceu não só a premência do tema, mas também a relevância da ação de uma sociedade informada e alertada para os riscos que corre. Mas bastará alertar ou precisaremos de práticas de educação ambiental massivas, incluindo a educação para o usufruto do mar?

Correu mundo e ficou famosa a capa da revista “Time” em que o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres é fotografado no Tuvalu, com a água até aos joelhos. É conhecido o empenho de António Guterres sobre as questões climáticas e, também, a sua determinação em contribuir para que o oceano seja um ecossistema mais equilibrado. É interessante verificarmos como a fotografia se tornou viral, tanto nas redes sociais como nos vários meios de comunicação social que repetiram a imagem da capa.
Esta repetição e a contextualização da imagem resultaram numa repetição da mensagem que o Secretário-Geral da ONU quis passar. O Tuvalu é um país em desenvolvimento, dependente do turismo e de outros recursos marítimos. Tal como outros na mesma região, encontra-se na rota da subida do nível das águas. Corre, tal como outros, o perigo de desaparecer, pelo menos na forma como hoje é conhecido.
A expressão dramática de António Guterres confere à imagem o poder de demonstrar a perversidade das escolhas de crescimento e desenvolvimento atuais e os seus efeitos nefastos. Contudo, na maioria dos casos, os primeiros países a serem afetados pelas consequências da utilização em excesso dos recursos naturais, não são aqueles que mais contribuíram para a, agora denominada, urgência ambiental.
A questão da poluição marítima, trazida a lume devido ao impacto visual dos plásticos acumulados no mar, produziu o efeito de as populações em geral terem percebido a fragilidade destes ecossistemas e a forma como rapidamente são afetadas pelas suas consequências. Aí a subida do nível do mar, a degradação da produtividade das pescas ou a sobrecarga ambiental passam a ser entendidas de outra forma.
Parece estarmos perante uma sociedade mais consciente dos riscos, é certo. Mas estará esta sociedade ciente do oceano enquanto palco internacional de disputas territoriais e económicas? Estará esta sociedade apta a mudar comportamentos que vão para além da importante ação de limpeza das praias para as libertar dos plásticos? Até que ponto os que gritam contra os plásticos no mar e nas praias têm práticas ecologicamente responsáveis ou estarão conscientes da sua pegada ambiental?
Quando se deixou fotografar daquela forma, António Guterres quis denunciar uma situação e alertar os governos mais passivos para a urgência de se passar dos tratados escritos à ação. Como o próprio refere, contrariamente ao que tem sido tradição nas Nações Unidas, existe a necessidade de se tornar o passo mais rápido e de agir de acordo com as previsões que nos impõem cenários de quase catástrofe em poucas décadas.
Em vez de consensos promovidos pela interação entre os estados, este Secretário-Geral pretende que as Nações Unidas sejam capazes de produzir consensos em torno de questões universais em que se inscreve a urgência climática e ambiental. Ao reproduzir essa imagem a revista “Time” reconheceu não só a premência do tema, mas também a relevância da ação de uma sociedade informada e alertada para os riscos que corre. Mas bastará alertar ou precisaremos de práticas de educação ambiental massivas, incluindo a educação para o usufruto do mar?
Um oceano, no meio de muitos oceanos
Os organismos das Nações Unidas, bem como as áreas científicas ligadas ao estudo dos ecossistemas, têm defendido a existência de apenas um oceano. Significa que aquela divisão geográfica tradicional é ilusória e que o oceano funciona como um todo. Todavia, se do ponto de vista das ciências naturais esta conclusão faz todo o sentido, do ponto de vista das relações internacionais esta determinação traz alguns obstáculos.
Assim, observamos que, em simultâneo, as Nações Unidas reconhecem a unicidade do Oceano e a necessidade de uma política conjunta para os oceanos, promovendo igualmente a negociação de acordos para cada um dos oceanos reconhecidos geograficamente. Deste modo, as Nações Unidas não descartam a importância da negociação regional relativamente ao oceano e aceitam que cada um destes espaços marítimos tem um enquadramento e conjuntura próprios.
Se o articulado do direito internacional para o oceano deverá ser único e assim foi consagrado, existe, entretanto, a necessidade de salvaguardas específicas para os diferentes contextos oceânicos. Assim se explica que o Ártico tenha sido objeto de uma negociação específica para o seu caso, defendendo não só as suas espécies marinhas como também protegendo o mesmo da exploração mineral intensiva. Neste sentido, o Ártico destaca-se de todos os outros ecossistemas marinhos, dada a sua especificidade.
Atualmente, existem outras situações preocupantes como a do Oceano Pacífico, alvo de grande disputa internacional. Esta corrida ao Pacífico resulta da identificação e da recente possibilidade da exploração de minérios raros, sobretudo daqueles que são agora necessários para as indústrias tecnológicas, incluindo as energias renováveis.
Os débeis microestados do Pacífico são abordados com propostas atrativas, por parte dos países mais poderosos, para fazerem concessão do seu território marítimo, rico em recursos. E, embora hoje os danos da exploração mineira sejam mais controlados, a verdade é que a exploração intensiva em contextos de tão grande profundidade ainda não foi experimentada de forma consecutiva. O Pacífico, para além de palco mais evidente da subida das águas do mar e dos mais terríveis fenómenos extremos da Natureza, também se tornou o cenário de uma corrida à exploração mineral do fundo do mar.
O articulado legal internacional protege de certa forma os ecossistemas marinhos da exploração intensiva, mas não é respeitado por todos os países. A International Seabed Authority (ISA – Autoridade Internacional do Fundos do Mar) reúne vários países em torno das questões de salvaguarda da exploração segura do fundo do mar, mas entre os seus membros, por exemplo, não se encontram os Estados Unidos da América.
Apesar do trabalho de consciencialização da comunidade em geral, com base em estudos científicos, e da comunidade política em particular, a ISA não impõe leis que tenham de ser observadas obrigatoriamente. Apesar de ser estabelecida pela Convenção da Lei do Mar, das Nações Unidas, realizada em 1982, e pelo Acordo de 1994 relativo à implementação de uma das partes da Convenção da Lei do Mar, esta organização vincula apenas os Estados que dela fazem parte. Na base da sua fundação reside o objetivo de gerir e controlar as atividades de exploração mineral nos mares. Mas a corrida ao fundo dos oceanos mostra o quão débeis são estes mecanismos de proteção que necessitam de um respaldo forte da sociedade civil, de modo a pressionar os governos no sentido de práticas respeitadoras dos ecossistemas marinhos.
Economia azul ou azul esverdeada?
Os desafios da exploração dos mares não se esgotam na questão dos recursos do fundo do mar. A exploração piscatória, o transporte marítimo, a sobrecarga humana das zonas costeiras e mesmo dos ecossistemas marinhos são outros desafios que vêm de trás, mas que cada vez mais se colocam na gestão do oceano.
A pesca desenvolvida de forma equilibrada e respeitando a renovação das espécies é um desafio nacional e internacional, mas que tem levado ao repensar da atividade piscícola. E, apesar da piscicultura se abrir como uma alternativa, a verdade é que esta opção também levanta outras questões de equilíbrio ambiental que têm de ser equacionadas.
Quanto ao transporte marítimo, este é responsável pela maior parte das transações internacionais de produtos que, com a revolução provocada pelo uso dos contentores, tornou mais flexível e mais barato. O lastro deixado pelo transporte marítimo é responsável pelo transporte involuntário, por exemplo, de espécies invasoras, para não falar da sobrecarga poluente que representam. Igualmente, a sobrecarga humana em zonas costeiras, sobretudo nas praias e nos locais de lazer marítimo, onde a construção desenfreada em paisagens frágeis e muito expostas e a sobre-exploração de recursos naturais levantam novas questões.
Assim, quando se fala de economia azul há que estar atentos a que tipo de economia estamos a falar. A uma economia azul, apenas porque se baseia na área marítima, ou a uma economia azul esverdeada, por acaso a cor do mar, em que o azul se coordena com o verde existe uma real preocupação ambiental?
Se sabemos que a interação entre terra e mar é permanente e não pode ser dissociada da situação atual dos vários ecossistemas, também sabemos que a proteção do mar tem de começar em terra e com base numa economia azul sustentável, bem planeada em cada local. Deste modo, a relação humana com o oceano e a forma como o usa tem de ser uma responsabilidade coletiva. Deixar essa decisão concentrada em poucas mãos, pode significar o desaparecimento de países como o Tuvalu.
Um olhar oceânico
Na verdade, é preciso aproximar o mar das populações, incluindo das populações com tradição marítima. Portugal é exemplo disso. A ciência é determinante para se compreenderem certos fenómenos, mas não se pode esgotar nas explicações das ciências naturais. Tem de existir um trabalho interdisciplinar de aproximação às várias comunidades e à sociedade em geral que permita compreender esta interação entre humano/oceano. Para tal, é também necessário o apoio das ciências sociais que estudem comportamentos humanos, coletivos e de decisão política.
A convergência das várias áreas científicas no debate das questões ligadas ao mar é hoje uma urgência para países costeiros como Portugal. A criação de formação especializada e de programas de transferência de conhecimento para a sociedade deve ser encarada como uma prática para o presente, bem como o estabelecimento de redes de cooperação científica interdisciplinar. Assinala-se positivamente a criação de novas formações na área, a mais recente no ISCTE-IUL, congregando uma visão interdisciplinar que parte das ciências sociais.
Contudo, urge que a sociedade portuguesa tome esta tarefa de conhecimento e proteção do Oceano como sua. Para tal é preciso trazer mais gente para a academia para se especializar, mas também sair mais da academia para divulgar, estabelecendo roteiros fora dos circuitos habituais que congregam investigadores já conhecedores do assunto. Embora exista só um oceano, existem muitos desafios e variações regionais que ainda fazem com que seja visto no plural. Perspetivar as duas visões e saber coordená-las pode ser a única saída para a emergência oceânica.


Cátia Miriam Costa, Centro de Estudos Internacionais (ISCTE-IUL)

A gigantesca reserva de água doce escondida debaixo do Oceano Atlântico

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito mais valioso do que qualquer navio pirata: água doce.
Embora soe estranho, um grupo de geólogos da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, afirma que na costa nordeste dos Estados Unidos há quase 3 mil quilómetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.
A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que esses tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre os seus volumes e a sua distribuição no planeta.
Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado. Eles o avaliam como “gigantesco”.
Segundo os seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até Nova Jersia e abrange cerca de 350 km da costa do Atlântico nessa região dos Estados Unidos.
Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil km2.
Como é que a reserva foi encontrada?
Para detectar a reserva de água, os investigadores usaram ondas eletromagnéticas.
Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petroleiras que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os investigadores, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.
Agora, para conhecer a área em detalhes, lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo electromagnético nas profundezas.
A água salgada é melhor condutora de ondas electromagnéticas do que a água doce, então, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, eles puderam concluir que havia água doce lá embaixo.
Eles também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 km mar adentro. Na sua maioria, eles estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.
Como a água chegou lá?
Os geólogos acreditam que a água doce pode ter sido armazenada ali de duas maneiras.
Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas nos sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de “água fóssil”.
Mas as pesquisas recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Ela pode ser consumida?

Os investigadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água vão se misturando.
A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Nos seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.
Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria da sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar.
O estudo de Key sugere que essas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo, e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.
“Provavelmente não tenhamos que fazer isso nesta região”, disse Key num comunicado. “Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos em outras regiões, isso poderia representar um recurso adiconal em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África.”

Mar adentro: na lota o preço desce, na loja sobe.

Do pescado português, mais de 39 mil toneladas seguem para Espanha. Para combater o aumento das importações, o preço sobe nas lojas, mas na lota continua pequeno como a sardinha. Apesar da quebra do preço na lota, a enguia continua a ser o peixe com o preço mais elevado. Sardinha está dentro da média.

Os portugueses consomem sardinha como ninguém, mas nem só da sardinha vive o povo português, nomeadamente os que se dedicam à pesca.
Ao longo dos anos verifica-se uma tendência: enquanto o valor médio dos diversos peixes aumenta, o número de capturas diminui drasticamente. Uma das afirmações mais ouvidas quando chega o tempo quente, e este convida a um peixe no carvão, é que “o peixe está caro”. E a afirmação é capaz de passar no polígrafo, pois grande parte dos preços dos peixes capturados em 2018 ficaram mais caros.
No entanto, enquanto em 2017 a enguia estava a ser vendida a 158,94 euros ao quilo, em 2018 este valor fixou-se em 74,09 euros. E o mesmo se verificou com a dourada e atum, que viram os preços descer alguns cêntimos.
Apesar de Mário Centeno reafirmar que está tudo bem com o país, o mesmo não se verifica na balança comercial piscatória. As exportações representaram 1.118 milhões de euros, mas o valor das importações continua a ser superior, com 2.193 milhões de euros. Esta diferença desequilibra a balança comercial.
Dos principais destinos de exportação, Espanha é o que mais se destaca, recebendo mais de 39 mil toneladas. Dentro da UE, Itália e França também sobressaem, com 993 e 835 toneladas, respetivamente. No que toca aos restantes mercados, Angola, Canadá e os EUA estão praticamente ao mesmo nível.
Com o mar frio de Sesimbra a liderar o número de capturas, Matosinhos segue-lhe os passos, e Aveiro ainda se consegue colocar no pódio.

Primeiros navios cargueiros elétricos do mundo começarão a operar na Bélgica e Holanda

Nos próximo tempos, o porto de Antuérpia, na Bélgica, vai se tornar uma atracção internacional. É que o primeiro navio cargueiro eléctrico do mundo, o Port-Liner, entrará em operação ali, após atraso do inicio desta iniciativa.
Já sendo chamado de “Tesla dos Canais”, o novo barco foi desenvolvido graças a uma parceria entre a comunidade de Antuérpia e a Comunidade Europeia, num investimento total de pouco mais de 200 milhões de euros. O objectivo do projecto é reduzir o tráfego de camiões nas estradas do país.
Port-Liner é apenas um dos navios que estão em construção. No total, serão cinco barcos pequenos, com 52 metros de comprimento e 6,7 de largura, e outros seis grandes, com 110 metros de comprimento e capacidade para carregar até 270 contentores. Os menores poderão acomodar 24 contentores com um peso total de 425 toneladas.
Os barcos foram projecyados pela empresa holandesa de arquitetura naval Omega. Os menores conseguirão viajar por 15 horas e os maiores por 35 horas, utilizando somente a eletricidade proveniente das baterias instaladas no deck.
A recarga completa da bateria dos navios cargueiros de 52 mt leva quatro horas e quando necessário, ela pode ser substituída por outras existentes no porto.
Os barcos de grande porte serão utilizados nos trajectos entre os portos de Roterdão, Amsterdão, Antuérpia e Duisburg. 
“Todos eles já estão totalmente alugados para companhias de transporte marítimo e grandes empresas de contentores. Caso contrário, não começaríamos a construí-los”, afirmou Ton van Meegen, CEO da Port-Liner.
O custo dos cargueiros menores é de 1,5 milhão de euros e os maiores, 3,5 milhões. Meegen garante que o valor não é mais alto do que o de um barco movido a diesel.

G20 avança com medidas para reduzir plásticos nos Oceanos

Os ministros da Energia e do Meio Ambiente do G20 chegaram a acordo e decidiram criar uma estrutura internacional para sensibilizar as populações para a necessidade de reduzir a quantidade de plástico no oceano.
Este “é um assunto que requer uma acção urgente tendo em conta o seu impacto negativo nos ecossistemas marinhos […] e, potencialmente, na saúde humana”, referiram os decisores políticos, numa declaração conjunta no final da reunião de dois dias, que decorreu em Karuizawa, no Japão.
Um relatório da ONU divulgado no passado já tinha alertado para o facto de serem produzidas anualmente mais de 400 milhões de toneladas de plástico em todo o mundo. Destes, apenas 9% dos resíduos são reciclados. O estudo mostra ainda que, todos os anos, cerca de 13 milhões de sacos de plástico vão parar aos oceanos. “Se os padrões de consumo e gestão de resíduos continuarem, até 2050 haverá cerca de 12.000 milhões de sacos de plástico em aterros e no meio ambiente”, refere o relatório, que tem como base casos de 60 países.

“Maré vermelha” interdita banhos em praias do Algarve.

As praias algarvias entre a Ilha do Farol (Faro) e a Vilamoura (Loulé) foram interditas a banhos após o surgimento de uma mancha vermelha na água, confirmou-se junto da Autoridade Marítima Nacional. A mancha está a ser provocada de um tipo específico de algas, os dinoflagelados, que pertencem ao plâncton marinho e que podem viver também em água doce. Segundo a Autoridade Marítima Nacional, foi a Agência Portuguesa do Ambiente que avisou que a mancha é “potencialmente perigosa para a saúde pública”.

A situação já foi detetada no domingo, mas a interdição a banhos só chegou ontem. Contudo, a pesca não está proibida e os pescadores profissionais continuaram a ir para o mar entre domingo e o dia de ontem. A Polícia Marítima de Faro diz , no entanto, não aconselhar a pesca nas zonas afetadas, nem o consumo de peixe ou marisco capturado nessas mesmas regiões.

Proposto interesse nacional para fragmento de âncora romana descoberto no Mar

Após deliberação favorável do Conselho Nacional de Cultura em janeiro, a DGPC decidiu propor ao Governo vir a atribuir essa classificação a um cepo de âncora romana em chumbo, proveniente de recolhas arqueológicas subaquáticas realizadas no mar da Reserva Natural das Berlengas, no distrito de Leiria.

“O bem em causa corresponde ao maior cepo desta tipologia e época descoberto em território nacional, apresentando, além disso, um estado de conservação notável. É por si só um testemunho da cultura romana em território português com indiscutível importância científica, cultural e patrimonial”, refere a diretora-geral, no parecer a que a agência Lusa teve acesso.

O fragmento encontra-se à guarda da DGPC, no depósito do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática.

Em julho de 2018, vários especialistas em arqueologia náutica e subaquática requereram à DGPC a classificação do achado.
O cepo de âncora, agora submetido a processo de classificação, foi avistado em julho de 1989 e recolhido em setembro de 1991 por técnicos do Museu Nacional de Arqueologia, a 25 metros de profundidade.
Junto à Reserva Natural das Berlengas, foram recolhidos diversos materiais do período romano, nomeadamente cepos de âncoras e ânforas, que levaram os investigadores a realizar várias missões de estudo.
De acordo com os especialistas, a ilha da Berlenga foi utilizada para fundeadouro de embarcações comerciais de médio e longo curso, que percorriam as rotas de ligação entre o Mediterrâneo e os territórios romanos atlânticos.
Os investigadores falam da existência, desde esse período, de um ancoradouro na ilha, considerada por isso um ponto estratégico nas ligações entre o Mediterrâneo e o Atlântico, o que explica a descoberta de materiais cerâmicos originários de centros de produção mediterrânicos e lusitanos na ilha.
Por esse motivo, o maior conjunto de achados de ânforas, encontrados em meio marítimo, foi recolhido junto às Berlengas, assim como o maior conjunto de cepos de âncora da costa portuguesa, conjuntos que se encontram no Museu Nacional de Arqueologia, no Museu de Peniche e no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática.

Holanda irá construir primeira central de energia solar flutuante do mundo

A Holanda, sempre na vanguarda de iniciativas tecnológicas sustentáveis e pró-meio ambiente, surpreende mais uma vez o mundo com um ousado projecto que aumentará a sua matriz energética limpa: a construção da primeira central de energia solar flutuante do planeta!
Baptizado de Zon-op-Zee (“Sol no Mar”, em tradução livre),  a central flutuante será inteiramente construída sobre o mar. A China e o Reino Unido já construíram centrais solares em superfícies de água, mas fizeram isso em lagos e com fins apenas académicos.
A central solar holandesa levará três anos para ser construída, com previsão de entrega até 2022. Trata-se de uma parceria entre a iniciativa privada, centros de pesquisa especializados da Holanda e da União Europeia e o governo de Amesterdão.
Segundo Allard van Hoeken, fundador da Oceans of Energy, empresa que constrói centrais de energia renovável, o projecto Zon-op-Zee contará com 2,5 mil metros quadrados de painéis solares até 2022.
O desempenho dos painéis solares será até 15% maior e mais eficiente do que aqueles que estão em operação em terra firme.

A Universidade de Utrecht tem sido a instituição responsável por fundamentar cientificamente todo a gestão de operações da futura central solar flutuante.
Para endossar os estudos de viabilidade da Zon-op-Zee, a universidade convidou especialistas em ecologia marinha que agora monitorizam e avaliam o possível impacto ambiental de uma central solar com tamanha magnitude em alto mar.

Mar de caravelas-portuguesas nos Açores, Algarve, Setúbal e Lisboa

O projecto GelAvista, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), voltou a chamar a atenção para a existência de caravelas-portuguesas nos últimos dias em praias dos Açores, Algarve, Setúbal e Lisboa. Estes organismos são conhecidos pelas suas cores atraentes, mas é preciso ter cuidado com a proximidade: as picadas são perigosas.
A Physalia Physalis (nome científico) é composta por quatro pólipos e por isso uma picada é extremamente dolorosa. Os sintomas podem incluir dor, uma sensação de queimadura, irritação e inchaço. Uma picada de uma caravela-portuguesa pode ainda causar falta de ar, palpitações, cãibras, náuseas, vómitos, febre, desmaios, problemas respiratórios e cardíacos.
Para atenuar os efeitos é aconselhado lavar a picada com soro fisiológico, aplicar vinagre ou bandas quentes com água para avaliar a dor.
Foto: João Brum

Pingo Doce tem um detergente com embalagem que usa plástico dos oceanos

Chama-se Detergente Concentrado Oceano Ultra Pro, o novo produto do Pingo Doce que está a dar que falar. É que a embalagem é feita com 11% de resíduos marinhos, sendo os restantes 89% provenientes de plástico reciclado pós-consumo.
“A garrafa do detergente foi desenhada para ser 100% reciclável, facilitando a sua transformação em novos materiais depois de ser utilizada. Por outro lado, a sua composição é proveniente em 89% de plástico PET reciclado pós-consumo. Isto promove o mercado da valorização e reciclagem deste material, evitando que este seja tratado como um resíduo indiferenciado. Os restantes 11% são recolhidos no meio marinho, reduzindo a poluição nos mares e oceanos”, destacou Fernando Ventura, director de eficiência e inovação ambiental.
Há vários anos que o Pingo Doce tem lançado iniciativas em prol da preservação ambiental. Por exemplo, desde 2011, o seu projeto de ecodesign de embalagens permitiu a redução de mais de 15 mil toneladas de materiais de embalagens, sobretudo cartão, plástico e vidro. Ao mesmo tempo, evitou-se a emissão de 2.800 toneladas de CO2 associada ao transporte.