8 coisas que talvez não saiba sobre os Oceanos

Os oceanos ocupam a maior parte da superfície do planeta – cerca de 71% – e ainda há muito para descobrir sobre eles.

Não é necessário mergulhar nas profundezas dos oceanos para descobrir alguns segredos escondidos. Aqui ficam alguns:

. No Ponto mais fundo do Oceano, a pressão da água é equivalente ao peso de 50 aviões em cima de uma pessoa.

. Estima-se que daqui a 30 anos, haverá mais plástico descartável nos oceanos que peixes.

. A profundidade média dos oceanos é de 4 quilómetros.

. Mais de 95% do fundo dos Oceanos é desconhecido.

. Do oxigénio que respiramos, 70% é produzido pelos Oceanos.

. Cerca de 80% das erupções vulcânicas acontece debaixo de água.  

. Há uma estimativa de mais de 20 toneladas de Ouro nos Oceanos.

. Actualmente há mais de 360 cabos no fundos dos Oceanos, ligando países e continentes, e sem essa ligação intercontinental subaquática, a internet como conhecemos não seria possível.   

Ficou tetraplégico com um tiro mas hoje é campeão de surf adaptado


Nuno Vitorino passa grande parte do tempo na praia de Carcavelos. Não passa despercebido entre o pessoal do surf, seja pela simpatia e boa disposição, seja por ser o primeiro atleta de surf adaptado a aparecer por aquelas bandas.

Tem 42 anos mas ninguém diz. “É a água que conserva”, atira. Passou os últimos 20 anos numa cadeira de rodas devido a um acidente com uma arma.
“Eu disse para o meu amigo: «queres dar um tiro, já que nunca deste um tiro, só para ouvires o barulho?». Ele não sabia que a arma estava carregada e disparou e acertou-me no pescoço”, recorda.
A bala acertou-lhe na cervical e, aos 18 anos, ficou tetraplégico. “Quando sofri o acidente, disse ao meu amigo que o acidente não ia ser um casamento para o resto da vida. Obviamente os traumas psicológicos estão cá.”
Nuno Vitorino teve dois anos difíceis de reabilitação. Foi também um tempo de luto que se transformou em esperança, já que a lesão – uma tetraplegia incompleta – permitiu-lhe recuperar algum movimento de braços no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão.
“Eu tive uma médica muito importante no meu percurso. Foi a doutora Maria da Paz que me disse: «Nuno, esquece. Nunca mais vais voltar a andar na vida, mas otimiza o bom que tens que são os teus braços. A partir daquele momento, em 1995, por muito que me custasse ouvir isto – e custou-me – eu percebi que ela tinha razão e comecei a trabalhar os meus braços».
Da natação ao surf
Antes de se dedicar ao surf, Nuno foi atleta paralímpico de natação, uma modalidade que sempre fez parte do seu dia-a-dia. “De facto, ser um atleta não é fácil.”
Nuno queixa-se da falta de apoios, mas admite que o mais importante é a paixão pelo desporto. “A paixão está cá. Um atleta não pode ser atleta pela questão financeira. Um atleta tem que ser atleta pela paixão. Por isso é que Portugal é tão vencedor nos paralímpicos e no desporto adaptado. Todos nós temos muita paixão pelo que fazemos. E isso leva-nos a ganhar medalhas. A diferença não está no treino, nunca esteve no treino. A diferença está em querer mais e eu sou um atleta que tem sempre fome, tenho sempre fome de ganhar”.
Ganhou muitas medalhas durante oito anos até perder o entusiasmo pela natação de competição. “Isto custa muito. Dói. Levantar às cinco da manhã para ir treinar, voltar à noite para o treino. Eu treinava quatro quilómetros por dia. Tenho nos meus ombros mais de 30 mil quilómetros. É muito.”
Com o fim da carreira nas piscinas, sentiu o chamamento do mar. “Um dia que estava nesta praia de Carcavelos e comecei a sentir um grande incómodo na minha barriga ao ver os outros a surfar.”
Nuno Vitorino queria competir mas, desta vez, encontrou uma modalidade que ainda não estava preparada para receber atletas tetraplégicos. “Não havia nada disto no mundo. A partir daí e até hoje, nós nunca mais paramos. Eu fui sempre surfar. Fundei uma associação que é Associação Portuguesa de Surf Adaptado, em que colocamos, de Norte a Sul do país, outras pessoas com patologias dentro de água. O desporto agora é democrático. O surf é democrático. Dá para todos.”
Em Viana do Castelo para ser o melhor
A Federação Portuguesa de Surf abriu as portas para os atletas com deficiência há quase cinco anos. O presidente, João Jardim Aranha, explica que a chegada de Nuno marcou o início do surf adaptado na federação. “O Nuno foi alguém que se apresentou desde o início como muito interessado. Já treinava, já mostrava um trabalho físico regular e um trabalho de treino regular. Por outro lado, é um atleta que vem dos paralímpicos de natação. É uma pessoa com uma história no desporto.”
A federação tem cerca de 900 atletas, seis deles fazem parte da modalidade de surf adaptado. João Jardim Aranha admite que é pouco. “Não tem havido uma adesão como nós gostaríamos.”

Portos de Leixões e Aveiro atingiram “melhores marcas de sempre”

Os dados referentes à movimentação portuária no Continente durante os primeiros quatro meses do ano indicam que os portos de Leixões e Aveiro registaram um desempenho histórico, ao atingirem “as melhores marcas de sempre” nesse período, ressalvou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.
Leixões e Aveiro registaram, respectivamente, crescimentos de +4,7% (+294 mil toneladas) e +1,7% (+30,3 mil toneladas), refere o balanço apresentado pela revista Cargo.

Shipping, uma oportunidade.

A mudança de ciclo é uma excelente oportunidade para Portugal atrair a actividade do shipping internacional.

O shipping, enquanto designação, é para a generalidade dos cidadãos pouco percetível. No entanto, se dissermos que se trata da atividade económica marítima que assegura o transporte de mercadorias e de passageiros quer pelas vias fluviais ou lagos, quer em mar aberto (oceano), todos facilmente compreenderão.
Trata-se de uma actividade de enorme amplitude na economia azul, agregadora de diversos sectores económicos, muito diversificada nos produtos que oferece, geradora de emprego e com uma capacidade contínua de absorção de soluções criativas e inovadoras.
No passado, o shipping foi efectivamente uma actividade relevante para a nossa economia, sendo-o no presente muito menos, pois poucas foram as empresas sediadas no país com capacidade resiliente. No entanto, esta circunstância não impediu que progressivamente se tenham assumido novos caminhos para manter e regenerar esta actividade de elevado valor para o país.
Por isso, a mudança de ciclo a que temos vindo a assistir, ilustrada pelo crescimento contínuo das nossas maiores empresas de shipping, pelo forte aumento do número de registos de navios com bandeira portuguesa na Madeira, pela fixação da sede de empresas internacionais de shipping em Portugal e pela conjuntura internacional (Brexit, por exemplo), permite identificar um importante potencial.
São sinais que revelam uma excelente oportunidade e que são um alerta para os nossos actores públicos (governo, autarquias, regiões) e privados (empresas, associações) agirem rapidamente na construção de uma acção de política pública que também permita a Portugal assumir-se e cimentar-se como um destino para a actividade do shipping internacional, pois tem excelentes condições.
A enorme transversalidade desta actividade será certamente uma âncora para assegurar melhores condições para o desenvolvimento, financiamento e crescimento do mar português.
Assim, deve promover-se o conhecimento e as condições especiais que o país, certas regiões e concelhos podem oferecer, tais como a localização estratégica, ótima capacidade de investigação e inovação nos centros de I&D, forte ecossistema empreendedor, boas universidades e uma estrutura formativa com capacidade de reajustamento, infraestruturas adequadas, excelentes condições para se viver e um quadro político estável.
Mas para isso é necessário estarmos dispostos a melhorar algumas questões em diversas áreas: na da fiscalidade, ajustar o quadro legal desta atividade; na da segurança social, resolver ligeiros problemas de enquadramento – estes são apenas dois exemplos do que podemos fazer para convencer as empresas de shipping a sediarem-se no nosso país, a aumentarem o registo de navios com bandeira portuguesa, a utilizarem as nossas infraestruturas de reparação naval e portos, etc.
Sendo uma actividade transversal a fixação de empresas internacionais de shipping no território português, certamente é uma oportunidade, pois pode impulsionar o crescimento de outros sectores económicos do país que estão directa ou indirectamente relacionados – turismo, agricultura, metalomecânica, finança e seguros.
Por isso, a mobilização de todos os avtores do mar é uma boa aposta para se criarem as sinergias fundamentais ao desenvolvimento desta actividade.
Abílio Martins Ferreira – Gestor e Analista de Políticas Públicas.

O oceano está a afundar no manto da Terra (e parte da culpa é da Pangeia)

Diariamente, centenas de milhões de galões de água fluem do fundo do oceano para o manto da Terra, como parte do ciclo da água profunda.

Neste processo, a água absorvida na crosta e os minerais do fundo do mar são empurrados para o interior da Terra nos limites submarinos onde as placas tectónicas colidem. Parte dessa água permanece presa, mas grandes quantidades de líquido são expelidas de volta à superfície por vulcões submarinos e fontes hidrotermais.
Não é um sistema perfeito: os cientistas estimam que, actualmente, há mais água a mergulhar no manto, por exemplo. No geral, este ciclo é apenas uma engrenagem que determina se os oceanos sobem ou descem.
Num estudo publicado na Geochemistry, Geophysics and Geosystems no dia 17 de maio, os cientistas demonstraram que esta engrenagem pode ser mais importante do que se pensava.
Ao modelar os fluxos no ciclo das águas profundas nos últimos 230 milhões de anos, os autores do estudo descobriram que houve momentos na história do nosso planeta em que a quantidade gigantesca de água que afundava no manto desempenhou um importante papel no nível da água do mar.
Durante estas alturas, o ciclo das águas profundas pode ter contribuído para a perda de 130 metros do nível da água do mar, graças a um evento que mudou o mundo: a rutura do supercontinente Pangeia.
Krister Karlsen, investigador do Centro de Evolução da Terra e Dinâmica da Universidade de Oslo, disse à Live Science que o rompimento do supercontinente foi associado a uma época de subducção muito rápida da placa tectónica. “Isto levou a um período de grande transporte de água para a Terra, causando a queda do nível da água do mar”, explicou.
Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangeia começou a dividir-se. À medida que enormes placas continentais se afastavam umas das outras, novos oceanos surgiam, fendas enormes no fundo do mar rompiam e lajes antigas de crosta subaquática mergulhavam nos novos vazios.
Como resultado, quantidades gigantescas de água, presas dentro desses pedaços de crosta, afundaram no interior profundo do nosso planeta.
Com base em estudos anteriores, os cientistas modelaram as taxas aproximadas em que a água entrou – e deixou – o manto da Terra. Quanto mais rápido uma placa rica em água caísse na Terra, mais longe poderia submergir antes que o seu teor de água fosse evaporado pelo calor elevado do manto. De acordo com os cálculos, isso desequilibrou o ciclo da água profunda, o que resultou em milhões de anos de perdas de água.
É óbvio que este estudo não chega para explicar as mudanças no nível do mar, uma vez que há outros motivos que as explicam, como as alterações climáticas ou a cobertura de manto de gelo. Ainda assim, não deixa de ser uma descoberta que entusiasma os cientistas.
“Apesar de o ciclo das águas profundas poder mudar o nível da água do mar ao longo de centenas de milhões a milhares de milhões de anos, as alterações climáticas podem mudar o nível da água do mar em zero a 100 anos”, disse Karlsen.
“A atual elevação do nível do mar associada às mudanças climáticas é de cerca de 3,2 milímetros por ano. A queda do nível do mar associada ao ciclo da água profunda é de cerca de 1/10.000 disso”, exemplificou o especialista.

Mais um bom bocado da Gronelândia derreteu ontem.

A Gronelândia é uma grande ilha cheia de gelo, mas é pouco comum que esse gelo se perca em meados de junho – segundo os dados, essa temporada de degelo maior só costuma ocorrer em julho. Mas, avisam os estudiosos do clima, parece haver uma transformação em marcha

“É efectivamente pouco comum, mas não sem precedentes”, assumeThomas Mote, investigador da Universidade da Geórgia que estuda o clima da Gronelândia. “É por exemplo muito comparável a alguns picos a que assistimos em junho de 2012”, referiu aquele cientista à CNN, a recordar o recorde de há sete anos, quando a camada de gelo praticamente desapareceu, pela primeira vez na história. Agora, este degelo logo no início do verão traz implícito que 2019 pode estabelecer novo recorde para perda de gelo na região.

“Esses eventos de degelo tão grande e antes do tempo provocam alterações à superfície e isso vai permitir que o calor do sol de verão tem um impacto ainda maior”, insiste Mote – e não é o único cientista a pensar assim.

Jason Box, climatologista do Centro Geológico da Dinamarca e Groenlândia, previra, já no final de maio, que os efeitos desse degelo serão bem maiores do que o normal este ano. Já vira este fenómeno ocorrer logo em abril, bem antes do tempo, confirmando que, em média, está a ocorrer três semanas antes de média e mais cedo do que no tal ano recorde de 2012.

Antes disso, tinham-se verificado situações do género tanto em 2007 e 2010 – mas até então eram completamente desconhecidos. “Não vimos nada assim nos anos 1990”.


“Sabemos que a Gronelândia contribui cada vez mais para o aumento do nível do mar, nas últimas duas décadas”, rematou Mote, “e este imenso degelo é parte disso”.

O nosso planeta está a engolir o fundo do mar (e a cuspir diamantes)

A maioria dos diamantes encontrados na superfície da Terra formou-se dessa maneira; outros são criadas pela cristalização de fundições profundas no manto, de acordo com a investigação de uma equipa de geocientistas da Universidade Macquarie.
Nas experiências que recriam as pressões e temperaturas extremas encontradas a 200 quilómetros de profundidade, Michael Förster, Stephen Foley, Olivier Alard e colegas da Goethe Universität e Johannes Gutenberg Universität, na Alemanha, demonstraram que a água do mar em sedimentos da parte inferior do oceano reage da maneira correta para produzir o equilíbrio de saisencontrados no diamante.
O estudo, publicado na revista Science Advances, estabelece uma longa questão sobre a formação de diamantes. “Havia uma teoria de que os sais presos dentro dos diamantes vinham da água do mar marinha, mas não podiam ser testados”, disse Michael Förster, em comunicado. “A nossa investigação mostrou que vieram de sedimentos marinhos.”
Os diamantes são cristais de carbono que se formam sob a crosta terrestre em partes muito antigas do manto. São trazidos à superfície em erupções vulcânicas de um tipo especial de magma chamado kimberlito.
Enquanto diamantes são geralmente feitos de carbono puro, os diamantes fibrosos, que são nublados e menos atraentes para joalheiros, incluem pequenos traços de sódio, potássio e outros minerais que revelam informações sobre o ambiente onde se formaram. Os diamantes fibrosos são triturados e usados ​​em aplicações técnicas, como brocas de perfuração.
Os diamantes fibrosos crescem mais rapidamenteque os diamantes, o que significa que prendem minúsculas amostras de fluidos em redor deles enquanto se formam. “Sabíamos que algum tipo de fluido salgado deve estar por perto enquanto os diamantes estão a crecer e agora confirmamos que o sedimento marinho se encaixa na conta”, referiu Michael Förster.
Para que esse processo ocorra, uma grande laje do fundo do mar teria de deslizar até uma profundidade de mais de 200 quilómetros abaixo da superfície muito rapidamente, num processo conhecido como subducção no qual uma placa tectónica desliza por baixo de outra. A descida rápida é necessária porque o sedimento deve ser comprimido a mais de quatro gigapascals (40 mil vezes a pressão atmosférica) antes de começar a derreter nas temperaturas de mais de 800°C encontradas no antigo manto.
Para testar a ideia, os cientistas realizaram uma série de experiências de alta pressão e alta temperatura. Colocaram amostras de sedimentos marinhos num navio com uma rocha chamada peridotito, que é o tipo mais comum de rocha encontrado na parte do manto onde os diamantes se formam. Depois, aumentaram a pressão e o calor, dando tempo às amostras para reagirem umas com as outras em condições como as encontradas em diferentes lugares do manto.
Em pressões entre quatro e seis gigapascais e temperaturas entre 800ºC e 1100°C, correspondendo a profundidades entre 120 e 180 quilómetros abaixo da superfície, encontraram sais formados com um balanço de sódio e potássio que se aproxima dos pequenos traços encontrados em diamantes.
“Demonstramos que os processos que levam ao crescimento de diamantes são impulsionados pela reciclagem de sedimentos oceânicos em zonas de subducção”, diz Michael Förster. “Os produtos de nossos experimentos também resultaram na formação de minerais que são ingredientes necessários para a formação de magmas de kimberlito, que transportam diamantes para a superfície da Terra.”


É considerada a praia selvagem mais bonita de Portugal – um paraíso de águas cristalinas…

Localizada na serra da Arrábida, em Setúbal, entre as praias de Galapinhos e do Creiro, a Praia dos Coelhos é uma praia de areia branca e águas calmas e transparentes. 

Um lugar mágico que convida ao descanso…..


Esta praia é selvagem e está localizada numa pequena enseada no sopé da cordilheira da serra da Arrábida. O acesso é feito por um trilho.

O estacionamento é reduzido e os visitantes desta praia têm que estacionar ao longo da estrada da serra. Para evitar filas de trânsito, o acesso às praias foi condicionado.


Depois de estacionar é necessário descer uma encosta de floresta e pode ser mesmo necessário recorrer ao apoio de ramos de árvore na descida. Por essa razão não é aconselhado levar muitos acessórios de praia que o deixem muito carregado e que possam limitar os movimentos.


Como chegar a partir de Setúbal:

Siga de Setúbal, pela Avenida Luísa Todi, em direcção às praias da Arrábida. A Praia dos Coelhos fica depois das praias de Galapos e Galapinhos, pouco antes de chegar ao Portinho da Arrábida. Deve optar pela estrada junto às praias, em detrimento daquela que segue pelo meio da serra. Depois de Galapinhos, estacione e siga por um trilho facilmente identificável pelo meio da vegetação e que desemboca no areal. 



Coordenadas: 38.484415, -8.970916

O maior fóssil de Elasmossauro de sempre levou décadas a ser escavado. Tem 12 metros e foi encontrado em 1989

A Antártida escondeu durante milhares de milhões de anos um segredo no fundo de uma pequena ilha. Agora, os cientistas desenterraram-no. Trata-se da descoberta do Elasmossauro mais pesado de sempre. O réptil aquático, que navegou nos oceanos de um planeta dominado por dinossauros, terá pesado em vida até 15 toneladas. Este é um dos mais completos fósseis antigos de répteis encontrados na Antártida, noticia a National Geographic.
O fóssil do período Cretáceo foi na verdade descoberto há vários anos, em 1989.William Zinsmeister, da universidade norte-americana de Purdue, descobriu o fóssil na Ilha Seymour durante uma expedição. Contudo, não tinha na época os recursos necessários para escavar e informou investigadores argentinos da descoberta.
O Argentina Antarctic Institute envolveu-se nas escavações durante expedições anuais realizadas no verão. Contudo, o réptil gigante teve de esperar vários anos para ver a luz do dia, devido a condições atmosféricas que dificultaram os trabalhos. Ao longo dos anos, a escavação só pôde ser realizada durante algumas semanas de janeiro e fevereiro. Os trabalhos tiveram mesmo de ser interrompidos em vários anos devido à falta de recursos e logística.
José O’Gorman tinha apenas cinco anos quando o fóssil foi descoberto. Em 2012, o paleontólogo fez a sua primeira visita ao local e foi um dos responsáveis pela escavação.
A meteorologia foi um dos problemas. O tempo controla tudo. Um dia podíamos trabalhar, e no outro não porque havia uma tempestade de neve”, explicou o argentino.
O processo para recuperar o animal foi longo e delicado: todos os dias, a equipa de cientistas tinha de esperar que o sol derretesse o gelo que envolvia os ossos encontrados. Depois, cada peça recolhida tinha de ir de helicóptero para a base Argentine Marambio, a vários quilómetros de distância.
A escavação do réptil gigante, que pertence à categoria dos Aristonectes, terminou finalmente em 2017 e foi agora publicadoum estudo sobre o animal. Apesar de a equipa não ter conseguido recuperar o crânio do animal, grande parte do esqueleto foi desenterrado.
A equipa estima que o animal pesava entre 11.8 e 14.8 toneladas e que tinha um comprimento de 12 metros. Outros Elasmossauros descobertos até agora apresentavam apenas cerca de cinco toneladas.
Devido ao tamanho reduzido dos dentes, a equipa está convencida de que o animal se alimentava de pequenos peixes e crustáceos. Mas sem a existência de alimentos fossilizados no estômago será impossível determinar a dieta da espécie.
Os ossos do mais pesado Elasmossauro de sempre encontrado estão agora expostos num museu. O’Gorman diz ainda que pode ser feita muito mais pesquisa em torno desta espécie e relembra a aventura que foi recuperar o animal.


Países mediterrânicos fracassaram na gestão do plástico no mar, diz organização ambiental

Os países mediterrânicos fracassaram na gestão dos resíduos de plástico e estão a “contribuir significativamente” para o mar Mediterrâneo “atingir níveis recordes de poluição por plástico”, diz a associação ambientalista internacional WWF.

A World Wide Fund for Nature (WWF) apresentou um relatório no qual aponta um “desempenho abaixo da média” por parte de todos os países do Mediterrâneo na questão dos resíduos de plástico. Esse fracasso leva a perdas de 500 milhões de euros por ano, diz o relatório.
Num comunicado divulgado pela Associação Natureza Portugal (ANP), que em Portugal trabalha em associação com a WWF, alerta-se que apesar da proximidade o impacto dessa poluição no mediterrâneo em Portugal ainda não está avaliado e desconhecem-se os efeitos que pode vir a ter no mar e nas costas nacionais.
Ângela Morgado, da ANP/WWF, diz que a organização está a fazer essa avaliação e que “em breve apresentará um relatório sobre a poluição por plástico” na costa portuguesa.
Todos os anos, diz-se no comunicado, 0,57 milhões de toneladas de plástico entram nas águas do Mediterrâneo, o que é equivalente a despejar 33.800 garrafas de plástico no mar a cada minuto. “A poluição por plástico continuará a crescer, prevendo-se que a produção na região quadruplique até 2050”, diz a organização.
O relatório da WWF, “Parar a inundação por plástico: como os países do Mediterrâneo podem salvar o seu mar”, analisa o sistema de gestão de plástico de todos os países do Mediterrâneo e avalia o seu desempenho no combate à poluição por plástico ao longo da cadeia de valor. E deteta falhas e responsabilidades quer dos produtores, quer das autoridades, quer dos consumidores, sendo as atividades costeiras responsáveis por metade do plástico que entra no mar.
Nas contas da WWF, todos os dias cada quilómetro de costa mediterrânica acumula mais cinco quilogramas de plástico marinho. Por zonas, segundo o documento, a Cilícia turca (região a sul da Anatólia) é a mais poluidora do Mediterrâneo. E entre os litorais mais contaminados estão destinos turísticos como Barcelona e Valência (Espanha), Telavive (Israel), Marselha (França) ou Veneza (Itália).
O lixo marinho custa ao sector de turismo, pesca e marítimo cerca de 641 milhões de euros por ano, afirma-se no comunicado. E nele denuncia-se ainda que muitos dos países que já têm problemas com a gestão de resíduos estão também a importar grandes quantidades de resíduos, o que quer dizer, entende a WWF, que muitos dos plásticos exportados para reciclagem para esses países podem acabar em aterros, incineradoras ou lixeiras a céu aberto.
Depois de 2018, quando a China restringiu a importação de resíduos plásticos, a Turquia tornou-se um dos dez importadores mundiais de resíduos,principalmente do Reino Unido, Bélgica e Alemanha, diz a ANP/WWF.
No Mediterrâneo, acrescenta ainda, a Itália é um dos poucos países com um fluxo separado de recolha de plástico, recolhendo 38% dos seus resíduos. Na Grécia, Turquia e Tunísia estima-se que metade dos resíduos recolhidos para reciclagem está contaminada e, portanto, perdida. E os países do sul reciclam menos de 10% dos seus resíduos.
Outros dados divulgados no comunicado indicam que por ano são colocadas no mercado 38 milhões de toneladas de plástico pelas empresas mediterrânicas, que os residente e turistas, principalmente de França, Itália e Turquia, geram mais de 24 milhões de toneladas de resíduos de plástico por ano, e que mais de metade dos produtos de plástico chegam à lixeira menos de um ano após a produção. E dizem ainda que a cada ano 2,9 milhões de toneladas de lixo são abertamente despejadas em locais não controlados, especialmente no Egipto e na Turquia.