O mar está mais quente, segundo a única bóia do IPMA a funcionar

Os portugueses que este fim de semana foram até à praia aperceberam-se de que a água estava mais quente do que o habitual em vários pontos do país. O fenómeno foi confirmado ontem pelo meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Bruno Café, que explicou a subida da temperatura marítima com a ausência da nortada – vento frio na costa ocidental. A influência deste vento costuma criar um afloramento costeiro que implica que a corrente de água mais profunda venha à superfície e seja, normalmente, mais fria. 
No domingo, o IPMA registou ao longo de todo o dia uma temperatura que rondava os 19 graus, valor que “costuma ser mais baixo”, afirma o mesmo meteorologista. A medição é apenas feita em Leixões, dado que a outra boia, localizada em Sines, não está operacional. 
A falta de precisão no que toca a estas matérias é, aliás, criticada por João Branco, da Quercus: “Só haver duas [boias] e uma não funcionar… não faz muito sentido”. 
Raias, caranguejos e outros peixes mortos
Durante a tarde de domingo foram avistados na praia da Fonte da Telha vários animais mortos no areal – raias, caranguejos e outros peixes. A Associação Portuguesa do Ambiente (APA) e a Autoridade Marítima disseram desconhecer as causas que possam ter originado a morte dos animais, garantindo não ter qualquer registo.
Já fontes ligadas ao IPMA adiantaram três possíveis explicações: uma embarcação que largou excedentes; correntes e ondulação mais fortes; ou contaminação da água. João Branco, por seu lado, não tem dúvidas de que “as mortes de organismos marinhos são indicadoras de que há problemas” e acredita que não seja o aumento da temperatura da água o motivo da morte das espécies, mas sim uma qualquer contaminação. “A APA tinha obrigação de averiguar a qualidade da água e a morte dos organismos”, conclui. 
Caravelas-portuguesas aumentam
Embora não confirme que a água quente influencie a presença de organismos desta espécie, Antonina Santos, do IPMA, conta que três anos e meio de investigação permitiram descobrir que a caravela-portuguesa é “uma espécie comum na costa portuguesa, que tem um bloom em dada altura do ano”, ou seja, começam a surgir várias alforrecas desta espécie na costa portuguesa. 
Antonina Santos deixa algumas precauções para lidar com a caravela-portuguesa: manter a distância de cinco metros e, em caso de contacto, a zona “tem de ser lavada com água em abundância, sem esfregar”.  Os tentáculos da alforreca, lembra, têm um veneno particularmente agressivo e podem causar dor aguda ou, em casos mais graves, paralisia e problemas respiratórios.

Golfinho rosa extremamente raro dá a luz a filhote e pode salvar a espécie

Considerados extremamente raros, os golfinhos cor de rosa estão quase extintos. Porém, uma notícia bastante animadora trouxe esperanças para a continuidade da espécie: uma cria golfinho foi visto ao lado da sua progenitora.
Golfinhos rosas só se tornaram conhecidos há cerca de 12 anos, e de lá pra cá poucos foram vistos. A sua cor rosa deve-se a uma mutação genética bastante rara, e o nascimento da cria animou investigadores, pois pode significar a continuidade da espécie.
Agora esperamos que mais crias da espécie sejam vistos, e que os golfinhos rosas não entrem para a lista de animais em extinção. 

Greenpeace critica forma como a Rússia está a devolver baleias ao Mar

Pelo menos 11 orcas e 87 belugas estavam em cativeiro em Nakhodka desde Abril, gerando forte indignação junto da comunidade internacional. Vão ser todas libertadas durante os próximos quatro meses.

A Greenpeace criticou esta sexta-feira o longo procedimento que a Rússia adoptou para libertar mais de uma centena de baleias que estavam em cativeiro desde 2018. A associação ambientalista considerou que pelo menos duas orcas e seis belugas foram “simplesmente despejadas” para o mar de Okhotsk, a mais de 1700 quilómetros da cidade portuária de Nakhodka. Os animais terão sido transportados em pequenos contentores durante uma viagem de sete dias e libertados no mar nesta quinta-feira.

O grupo ambientalista disse também que os responsáveis pela devolução das baleias ao mar não tiveram qualquer preparação para a operação que foi mantida em segredo. A Greenpeace lamenta que o risco de trauma e morte dos animais aumentou.

“É cruel libertar orcas e belugas que passaram sete dias em contentores directamente para o mar”, disse à televisão russa Oganes Targulyan, especialista da Greenpeace. As baleias não foram libertadas, mas sim despejadas”, vincou em declarações citadas pelo jornal britânico The Guardian.

As autoridades russas esclareceram apenas que a operação correu dentro da normalidade e que nenhuma baleia sofreu qualquer dano. Pelo menos nove orcas e 81 belugas continuam em cativeiro e serão libertadas em lotes nos próximos quatro meses.

O Presidente da Rússia, Vladimir Plutin, tinha saudado na semana passada a libertação das baleias, que iriam regressar ao seu habitat natural. A aprovação da medida já tinha sido tomada em Abril, depois de uma equipa de oceanógrafos terem tido várias reuniões em Moscovo e conferido o estado de saúde dos animais. 

Pelo menos 11 orcas e 87 belugas estavam em cativeiro, alegadamente com pouco espaço para nadar e em águas com temperaturas negativas. Os animais tinham sido capturados na baía de Srednyaya, no extremo oriente russo, soube a Greenpeace quando se apercebeu do desaparecimento e da presumível morte das baleias. Várias organizações internacionais uniram-se para acusar quatro empresas russas de violar as leis da pesca e lamentar os maus-tratos de animais.

A captura de baleias e outros seres vivos é, no entanto, permitida por lei na Rússia para fins científicos ou pedagógicos, mas temia-se que a Rússia poderia vender ilegalmente as baleias para parques aquáticos chineses. 

Golfinhos agradecem compras amigas de oceanos? Sim, nos supermercados


Trata-se de uma iniciativa da ‘Friends of Glass’ Portugal que foi implementada numa unidade comercial em Lisboa.

E se um golfinho lhe agradecesse quando comprasse uma embalagem de vidro? Parece utopia? Há uma iniciativa em Lisboa que permite receber um agradecimento virtual destes animais.

Quando o código de barras é passado pelo terminal de pagamento, os clientes veem imagens e ouvem sons de golfinhos que os alertam para a importância da escolha do vidro, em detrimento do plástico.
Trata-se, com efeito, de “um recipiente natural, 100% reciclável e que respeita a saúde e o ambiente”.
A organização ‘Friends of Glass’ Portugal, responsável pela iniciativa, deixa a sugestão: “Faça a escolha sustentável”.

O papel dos oceanos na regulação do clima

Os oceanos desempenham papel determinante na variabilidade dos padrões atmosféricos, uma vez que atuam na distribuição dos ventos, do calor e a dinâmica das suas correntes é fulcral para o equilíbrio do mecanismo climático.

Os espaços de água do planeta – 71% da superfície da Terra – são oxigenados por movimentos de grandes massas de água, as correntes marítimas, as quais influem determinantemente na distribuição zonal do clima no planeta. Circulam transversalmente por todos os oceanos a uma velocidade que pode rondar os 8-10 km/h, não se misturando com as águas que as circundam, isto por efeito de diferenças de densidade e de temperatura, sendo que estes movimentos, podendo ser superficiais ou profundos, têm a sua direcção determinada por fatores como o movimento de rotação da Terra, os ventos, a força de Coriolis e a topografia subaquática.

A circulação destes “rios”, destas massas de água nos oceanos, ocorre por acção de movimentos verticais, através de afundamentos e ressurgências como a circulação Termohalina, e/ou horizontais, as correntes marítimas. Trata-se de um mecanismo que redistribui pelo planeta o calor proveniente do sol, sendo contudo passível de alterações, numa métrica temporal de milénios, quando por efeito de variações na órbita da Terra em torno do Sol, ou na inclinação do seu eixo de rotação, ou por cíclicos fatores climáticos como glaciações.

Existem dois tipos de correntes marítimas: as quentes, que se formam na proximidade do Equador, numa zona de baixas pressões, carregando as características térmicas do local, e as correntes frias, que se formam nas latitudes mais altas, nas regiões polares, em zonas oceânicas profundas. Alude-se aqui, o circuito que leva as águas do equador até às regiões polares, saindo destas regiões, correntes em direcção às latitudes mais baixas, e isso explica o motivo de regiões que se encontram na mesma latitude, terem climas diferentes.

Considere-se então, o trópico de Câncer, a zona temperada norte, referindo-se por exemplo, a corrente do Golfo, uma corrente quente, que começa no México com uns agradáveis 28⁰ e chega à Europa com uns frescos 12⁰C, sendo que o seu efeito ameniza as temperaturas no Reino Unido e impede que os mares da Noruega congelem; por outro lado, a corrente do Labrador, uma corrente fria, que sai do Ártico em direcção ao Canadá, arrefece o clima da costa este da América do Norte. 

Refira-se ainda a influência das correntes marítimas nos regimes pluviométricos, como a corrente de Humboldt,uma corrente fria no Pacifico sul que impede a evaporação das águas do oceano, diminuindo a formação de nuvens, e fazendo com que chegue à massa continental baixíssimos níveis de humidade, o que impossibilita a ocorrência de precipitação no leste da América do Sul, mais propriamente na costa do Chile, onde se situa o deserto do Atacama.

A importância da corrente do Golfo

Desempenha determinante função no clima europeu. Nasce na costa este do México, a uma profundidade de cerca de 1500 metros, transportando diariamente um volume de água mil vezes superior ao do rio Mississipi, percorre parte da costa este dos EUA e atravessa o Atlântico em direção ao noroeste europeu, possibilitando o clima ameno que o caracteriza – esta é a forte e intensa corrente do Golfo. Ao atravessar o Atlântico Norte, na corrente do Golfo ocorre um processo de evaporação de grandes volumes de água, accionado pela sua elevada temperatura, possibilitando que o clima do noroeste Europeu desfrute de amenidade, uma vez que esse vapor de água aquecida, cria uma corrente atmosférica que repele o ar frio.

Contudo, de acordo com resultado de investigação publicada na revista Nature, tem-se verificado um enfraquecimento deste rio, que transporta consigo biliões de algas, seres marinhos e energia sob a forma de calor. Uma mudança que está a ocorrer, devido à velocidade com que as massas geladas do Ártico estão a derreter, e vão despejando água doce e fria no Atlântico, o que interfere com o equilíbrio das correntes marítimas, redesenhando os seus percursos, enfraquecendo-os, e tornando-os aleatórios.

Quanto à corrente do Golfo, ela está a desacelerar, e a diminuir o fluxo e a intensidade com que chega à Europa, resultando no arrefecimento de uma região de clima normalmente temperado, bem como, numa maior suscetibilidade para a ocorrência de eventos climáticos extremos, apesar que, a cada dois anos, ocorrem variações neste regime, fazendo com que a Europa enfrente invernos mais rigorosos.

E se não existissem correntes marítimas?

Uma vez estáticas, as águas oceânicas concentrariam toda a energia recebida do Sol, e ao longo da linha do Equador, o calor seria tórrido e as latitudes mais elevadas seriam bem mais frias! As correntes marítimas, transportam a energia solar concentrada nas águas equatoriais, para latitudes em que o Sol incide com menor intensidade, daí que o seu fluxo, regular e contínuo, seja de extrema importância, uma vez que garante o equilíbrio climático do planeta.



Autora: Mónica Barbosa

Surf em Portugal e o impacto do turismo do surf

Fazendo uma retrospetiva da história do surf em Portugal, para perceber e enquadrar o seu impacto no turismo nacional, teremos de recuar até à década de 20. Verifica-se que o registo mais antigo é um filme de 1927, onde se vê um grupo de homens a praticar bellyboard em Leça da Palmeira.
No entanto, a prática de surf em Portugal só começou a ter expressão a partir da década de 60. No final desta década, e principalmente devido a um artigo numa revista Americana (Surfing Magazine) sobre as ondas de Sagres, começaram a aparecer, com mais frequência, grupos de surfistas Americanos e Ingleses em surf trips.
Facto que começou a atrair mais praticantes nacionais, contudo na época, existia uma séria falta de material. A nossa chamada indústria do surf, só começou a ter expressão mais tarde no final da década de 80.
Nas últimas décadas, o surf tem crescido como desporto em toda a Europa e já conta com um elevado número de praticantes. A nível nacional, tornou-se o desporto da moda, o que atraiu imensos praticantes portugueses.
Além disso, acontecimentos como a onda gigante da Nazaré, aliados ao facto do nosso País ter uma imensa extensão de costa e condições únicas que permitem surfar o ano inteiro, fizeram com que a costa portuguesa fosse notícia em todo o Mundo. Isto provocou um aumento de turistas estrangeiros praticantes da modalidade. Por outro lado, o turismo português tem investido cada vez mais em grandes provas de surf.
Os campeonatos internacionais atraem meios de comunicação social, que por sua vez promovem o destino durante a cobertura do evento. Paralelamente, foram também feitas campanhas internacionais de surf que fomentaram o crescimento do número de turistas do desporto, não só no continente como também nas ilhas.
Os surfistas são, normalmente, pessoas que se dedicam a viajar, muitas vezes com acompanhantes, para poderem experienciar tipos diferentes de ondas. De uma forma geral, estes praticantes assíduos da modalidade, procuram não só boas ondas, mas também outros requisitos, tais como, a ausência de crowd, boas condições para a prática do desporto, segurança e elevada qualidade das refeições.
Em Portugal, existe dois tipos de turismo de surf. Os praticantes assíduos, que normalmente viajam nos períodos das temporadas locais e os iniciantes ou praticantes esporádicos, que normalmente são os turistas de surf de verão. Isto permite que haja turismo de surf em Portugal durante todo o ano.
No entanto, o impacto do surf, em toda a costa continental, faz-se sentir a vários níveis. Há cada vez mais escolas de surf, surf camps, surf hostels, surf houses… Poder-se-ia dizer que isto é excelente para a economia portuguesa. Mas será que é mesmo? A curto prazo talvez, mas e a longo prazo? Caso existisse um crescimento ordenado, com fiscalização e com legislação, talvez a resposta fosse, sim. Mas isto não se tem verificado (problemas apontados num debate promovido pela Surf Out Portugal, Associação de Turismo de Cascais e Associação de Escolas de Surf de Portugal, em maio de 2019).
Existe em determinadas zonas, uma pressão imobiliária com descaracterização do território e uma falta de infraestruturas. Há um crescimento desgovernado, e em alguma altura os lucros vão estagnar e decair. Isto porque, nos meses de verão, temos praias sobrelotadas, sem espaço para surfar tranquilamente. Por um lado, há uma proliferação de escolas, lojas e campos de surf. Por outro, as pessoas começam a não se sentir bem em ambientes com muita gente aglomerada. Efeito negativo que pode começar a afastar os turistas.
Para se ter um turismo de surf sustentável a longo prazo, é necessário que sejam adotadas práticas de gestão sustentável. Além disso, qualquer decisão deveria ser tomada envolvendo todos os Stakeholders locais. É também crucial fazer uma avaliação não só dos impactos económicos, como também ambientais, causados pelo desenvolvimento do turismo de surf.
Autora: Ana Moura – Professora do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da Universidade de Aveiro. Praticante de surf.

Quatro navios da I Guerra Mundial à venda no eBay por um milhão de dólares

Quatro navios alemães utilizados durante a Batalha de Jutlândia, a maior batalha naval da Primeira Guerra Mundial, estão à venda no eBay por um milhão de dólares.

Thomas Clark é dono dos navios desde 1981, mas decidiu agora colocá-los à venda na internet. “Foi uma prazer absoluto possuir e mergulhar nestes navios icónicos e lamento não ter conseguido fazer mais com eles durante o tempo em que os tive”, disse à agência SWNS.
As quatro embarcações estão afundadas há mais de 100 anos no mar das ilhas britânicas de Órcardes. “Estou ansioso para passá-las para o novo proprietário e espero que eles tenham a oportunidade de realizar as suas aspirações para estes navios”, acrescentou Clark.

De acordo com a Fox News, os navios SMS Kronprinz Wilhelm, SMS Konig e SMS Markgraf estão à venda por um preço a rondar os 300 mil dólares, enquanto o outro navio, o SMS Karlsruhe, está à venda por 75 mil dólares.
Os navios foram utilizados na Batalha de Jutlândia, considerada a mais icónica batalha naval da Primeira Guerra Mundial. A batalha teve lugar de 31 de maio a 1 de junho de 1916 e as forças navais combatentes foram as esquadras britânica e alemã. Ambos sofreram grave perdas, mas do ponto de vista estratégico os britânicos continuaram “donos” do mar.
Os quatros navios alemães são considerados património oficial e, segundo o Expresso, foi por isso que Thomas Clark nunca conseguiu recuperá-los e utilizá-los como era a sua intenção. Mesmo os mergulhadores não se podem aproximar demasiado deles, nem muito menos tocar-lhes.
Os anúncios do eBay realçam que caso alguém compre as quatro embarcações, será dono de “uma considerável frota naval entre as maiores do mundo“

Será que a aquacultura prejudica o ambiente?

A Escócia e o Canadá uniram-se num consórcio para avaliar o impacto ambiental da indústria da aquacultura para poder posteriormente apoiar o crescimento sustentável desta indústria, segundo o The Scotsman. 
O consórcio, liderado pela Association for Marine Science (SAMS) e pela Cooke Aquaculture, uma das maiores produtoras de salmão, tem como principal objectivo investigar como medir níveis de sulfureto de uma forma mais rápida e precisa e com menor custo. Isto porque, devido às limitações da monitorização corrente, o desenvolvimento de alguns campos de aquacultura ficou comprometido, nomeadamente em Orkney ou Shetland, segundo os investigadores. 
Esta nova ferramenta, segundo Clive Fox, da SAMS, “poderia ajudar futuras selecções de locais e reduzir significativamente a quantidade de tempo e de recursos actualmente necessários para analisar amostras e obter resultados”.

Bactérias do Oceano colonizam a sua pele após 10 minutos a nadar.

Se peixes e queimaduras não assustam quando vai à praia, talvez isso o faça: segundo pesquisa preliminar divulgada nesta semana, leva apenas 10 minutos a nadar no oceano para ter a sua pele coberta com uma nova camada de bactérias. Embora isso não seja necessariamente negativo, algumas dessas bactérias podem causar doenças ou aumentar o risco de infecção ao afectar o delicado ambiente microbiano da pele, conhecido como microbioma.
Para o seu estudo peculiar, investigadores da Universidade da Califórnia em Irvine foram à praia e recrutaram um grupo selectivo de banhistas. Eram pessoas que nadavam no oceano com pouca frequência e que não usavam protector solar no momento. Eles também não tiveram que tomar banho nas últimas 12 horas e não tomaram antibióticos nos últimos seis meses. Antes de nadar, os nove voluntários tiveram uma pequena amostra de pele removida da parte de trás dos gemeos com uma espécie de esfregão, e depois nadaram por 10 minutos. Depois quando voltaram e se secaram completamente, a pele foi novamente submetida ao esfregão — o mesmo ocorreu seis horas e um dia depois.
Antes de nadar, descobriram os investigadores, o microbioma de cada voluntário era facilmente distinguível. Mas logo em seguida, os seus microbiomas mudaram e se tornaram muito semelhantes entre si.
“Os nossos dados demonstram pela primeira vez que a exposição à água do oceano pode alterar a diversidade e a composição do microbioma da pele humana”, disse Marisa Chattman Nielsen, autora principal do estudo e estudante de doutoramento da Universidade da Califórnia em Irvine, num comunicado à imprensa. “Enquanto nadavam, bactérias normais residentes foram sendo removidas, enquanto as bactérias do oceano eram depositadas na pele”.
As mudanças no microbioma foram temporárias, com uma média geral de 24 horas. No entanto, houve algumas conclusões preocupantes. Em cada pessoa, detectaram bactérias comuns do mar chamadas Vibrio. A maioria das espécies da Vibrio é essencialmente inofensiva, mas algumas são responsáveis por doenças como a cólera, ou raramente podem causar infecções de pele em quem come carne, especialmente em pessoas com o sistema imunológico debilitado. Os métodos da equipa só identificaram a presença de bactérias Vibrio, e não certas espécies em específicas. Mas eles pareciam atraídos pela pele das pessoas, uma vez que uma maior projecção de bactérias Vibrio foi encontrada na pele dos voluntários do que na água oceânica circundante que a equipa também testou.
“Embora muitos tipos de Vibrio não sejam patogênicos, o facto de encontramos na pele após a natação, demonstra que as espécies de Vibrio patogênicas poderiam persistir na pele após nadar”, disse Nielsen.
Os resultados, deve ser notado, são um trabalho em desenvolvimento; eles estão sendo apresentados durante a conferência anual da Sociedade Americana de Microbiologia nesta semana. Mas, supondo que se sustente, o estudo poderia ajudar a explicar um padrão — que os banhistas que nadam no oceano são mais propensos a ter dores de estômago ou infecções de ouvido comparado com aqueles que só ficam na areia. E embora a maior parte da culpa possa ser atribuída a germes que entram nos nossos corpos, a equipa suspeita que as bactérias do oceano como um todo podem tornar a doença mais provável através dos seus efeitos no microbioma da pele.
“Estudos recentes mostraram que o microbioma da pele humana desempenha um papel importante na função do sistema imunológico, doenças localizadas e sistêmicas e infecção”, disse Nielsen. “Um microbioma saudável protege o hospedeiro da colonização e infecção por micróbios oportunistas e patogênicos”.

Um “caixão” nuclear pode estar a verter partículas radioativas no Oceano Pacífico


No início deste mês, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse estar preocupado que uma espécie de caixão com décadas de idade possa estar a verter partículas radioativas no Oceano Pacífico.

Entre 1946 e 1958, o governo dos Estados Unidos testou 67 armas nucleares nas Ilhas Marshall, incluindo a bomba de hidrogénio Bravo de 1954, mil vezes maior que a bomba atómica de Hiroshima – a maior e mais poderosa arma nuclear já detonada pelos EUA.
Os testes ocorreram na superfície de lagoas de atol, muitas das ilhas e debaixo de água. Este sedimento contaminado de ilhas locais poderá ter eventualmente fluído para o Oceano Pacífico Norte.
No final dos anos 1970, o governo dos EUA recolheu solo radioativo de ilhas vizinhas contaminadas e enterrou cerca de 84 mil metros cúbicos numa cratera criada por uma bomba no Atol de Enewetak. As autoridades cobriram a precipitação com uma cúpula de betão de 45 centímetros de espessura que se tornou conhecida como Cactus Dome, ou Runit Dome – mas era supostamente uma solução temporária.
O fundo do poço não foi revestido e, como a exposição causou a formação de rachaduras na cúpula, as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de estarem a libertar material radioativo no oceano, uma ameaça que só deve piorar com o aumento do nível do mar e aumento da frequência de tempestades intensificadas pela mudança climática.
“Está cheia de contaminantes radioactivos que incluem o plutónio-239, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas pelo homem”, disse o senador Jack Ading, da Marshall Islands, à Agência France-Presse. “O caixão está a verter veneno no meio ambiente.”
Depois de os militares dos EUA se retiraram da região em 1986, pagou-se um “acordo completo de todas as reivindicações, passadas, presentes e futuras” relacionadas com o programa de testes nucleares. No entanto, muitos argumentam que as retribuições não foram suficientes.
“Acabo de estar com o presidente das Ilhas Marshall, que está muito preocupado porque há um risco de derrame de materiais radioativos que estão contidos numa espécie de caixão na área”, disse Guterres em Fiji.
Uma inspecção dos EUA em 2013 descobriu que a precipitação radioativa nos sedimentos da lagoa já é tão alta que até mesmo uma “falha catastrófica” não resultaria num aumento na exposição à radiação para cerca de 800 residentes. As descobertas confirmaram uma “rápida resposta da maré” ao aumento da água subterrânea sob a estrutura.
Sob um cenário de libertação mais plausível, existe o potencial de contaminação das águas subterrâneas do domo para o ambiente marinho.
Um estudo de 2018 que calculou os fluxos de radioactividade nas águas da lagoa descobriu que os Atóis Bikini e Enewetak ainda são uma fonte de longo prazo de Plutónio e Césio para o Pacífico Norte. Além disso, níveis mais altos de precipitação radioativa na água do mar e nos sedimentos são encontrados mais nesta região do que nos oceanos do resto do mundo. Em particular, o Runit contribui para cerca de metade do plutónio na coluna de água da lagoa Enewetak.

No entanto, os investigadores concluíram que as águas subterrâneas debaixo da cúpula não são uma fonte significativa. O governo acrescenta que a água subterrânea que flui para o recife oceânico será “muito rapidamente diluída” e resultaria em pouco ou nenhum aumento mensurável na radiação para populações marinhas ou humanas.