ONU analisou esta semana proposta de alargar fundo do mar português

A proposta portuguesa para a extensão da sua plataforma continental (PC), para cerca do dobro dos actuais 1,8 milhões de quilómetros quadrados, começou a ser apreciada pelas Nações Unidas a 7 de agosto de 2017 e voltou nesta semana a estar em análise na subcomissão reunida em Nova Iorque.


A delegação portuguesa foi liderada por Isabel Botelho Leal, responsável da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC). 


Estados terceiros, além de Espanha e Marrocos, têm interesse direto na nova fronteira portuguesa.


A proposta portuguesa, entregue em maio de 2009, visa alargar a área do solo e subsolo da PC das actuais 200 milhas contadas a partir das linhas de base, seja a de costa ou as de base recta – que unem dois pontos da costa portuguesa e onde a água mais próxima de terra é considerada como água interior (não contabilizável no quadro da proposta).


Para representar o limite exterior da PC portuguesa é preciso calcular distâncias desde a linha de costa ou das de base, de acordo com uma referência geográfica comum a todo esse espaço.


Aqui poderá residir uma das dúvidas suscitadas pelos especialistas da subcomissão da ONU relativamente à proposta de Lisboa, segundo fontes militares ouvidas em Lisboa – porque existem linhas de base definidas por Portugal mas que não são reconhecidas internacionalmente.


Sem indicar quais são esses casos, um dos oficiais deu – como exemplo hipotético – o das linhas rectas que envolvem a ilha de São Miguel, o ilhéu das Formigas e a ilha de Santa Maria (como consta do quadro III do decreto-lei 495/85): embora esta linha de base em torno de dezenas de milhas quadradas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) as qualifique como águas interiores e conste da lei portuguesa, sem ser reconhecida pela comunidade internacional não pode servir como um limite interior a partir do qual se deve iniciar a contagem das distâncias em estudo.


Ora, se a contagem da distância num ponto do sudoeste da ilha de São Miguel começar na linha.

Descobertos restos de um enorme barco milenar no fundo do mar Egeu

Um grupo de arqueólogos descobriu em junho passado um navio de grande dimensões com mais de 2.000 anos e com objetos antigos nas profundezas do Mar Egeu, perto da ilha Levita, na Grécia.

Os cientistas acreditam que a embarcação data do século VI a.C, sendo o pilar de arenito encontrado o maior deste material já encontrada no mar Egeu. Tendo em conta o tamanho deste objeto e a época, os especialistas acreditam que se tratava de um barco colossal.
Junto ao barco, a equipa encontrou ainda ânforas datadas do século I e III a.C, que pertenceriam a outros naufrágios e seriam oriundas das cidades de Gnido, Cos, Fenícia, Cartago e a ilha de Rodes. Estes achados mostram ainda que havia já navios no século I a.C a transportar ânforas desde o norte do mar Egeu.
Esta missão faz parte de um projeto de três anos financiado pelo Ministério da Cultura e do Desporto da Grécia, que visa identificar e documentar naufrágios antigos na zona costeira do arquipélago do Dodecaneso, que nos tempos antigos parece ter desempenhado um papel fundamental na navegação no mar Egeu.

Há um mar de partículas de plástico entre as ilhas de Maiorca e Menorca

Uma equipa de cientistas do Centro de Estudos Avançados de Blanes (CEAB), em colaboração com outras entidades científicas locais, detectou a presença de cerca de 752 milhões de partículas de plástico a flutuar no mar que separa as ilhas de Maiorca e Menorca, no Arquipélago das Baleares espanholas.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Environmental Pollution, uma amostra trimestral estudada entre 2014 e 2015 no chamado “Canal de Menorca” permitiu medir a presença destes micro-plásticos. Ao todo, estas partículas pesam 3,7 toneladas.
Segundo a publicação, as maiores concentrações de material plástico foram detectadas durante a Primavera e o Verão, em áreas próximas de Maiorca, indicando uma influência directa da actividade turística neste tipo de poluição marinha.
Embora as correntes e ondas sejam “mecanismos de limpeza muito eficazes em certas épocas do ano, as partículas não desaparecem nem encolhem”. Em vez disso, os micro-plásticos “movem-se simplesmente de uma área para outra”, explicou Luis F. Ruiz-Orejón, cientista do CEAB e autor principal do artigo.
A investigação foi realizada no âmbito do Projecto Nixe III, uma iniciativa multidisciplinar cujos objectivos gerais passam por “aumentar a visibilidade sobre os diferentes problemas que o Mar Mediterrâneo enfrenta”, sendo este especialmente focado para contaminação por plásticos flutuantes na sua zona central e oeste.

Investimento de 3,5 milhões cria em Peniche parque para empresas ligadas ao mar

Um Parque de Ciência e Tecnologia do Mar virado para o acolhimento de empresas na área da investigação e da economia do mar vai ser construído em Peniche, num investimento superior a 3,5 milhões de euros. Denominado SmartOcean, este parque será “um projecto estruturante que promoverá a transferência de conhecimento para o tecido empresarial e a inovação de base tecnológica”, divulgou esta segunda-feira o Instituto Politécnico de Leiria (IPL), promotor da iniciativa em parceria com a Câmara de Peniche, a Docapesca e o Biocant, um parque de biotecnologia em Cantanhede.

A infra-estrutura tecnológica de acolhimento empresarial focada na economia do mar deverá começar a ser construída em 2020, numa zona com 1500 metros quadrados, junto ao edifício Cetemares, na zona central da cidade de Peniche, no distrito de Leiria.

O projecto foi desenhado para “servir de interface entre os sistemas empresarial e científico” e, segundo o IPL, “será dotado de condições de excelência, em termos físicos e em equipamentos tecnológicos”.

Apresentado publicamente em Peniche, na quinta-feira, durante uma visita da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, o projecto pretende, segundo o coordenador científico, Sérgio Leandro, “captar e reter talentos na região para a região”, estimulando a incubação de empresas no âmbito da aquacultura, biotecnologia, inovação alimentar, turismo costeiro e tecnologias de informação, comunicação e electrónica (TICE).

“O mar não é só fonte de pescado e a economia do mar deve ser baseada no conhecimento e na inovação, com respeito pelos recursos limitados dos oceanos, numa estreita ligação à investigação e ao desenvolvimento socioeconómico”, explicou Sérgio Leandro, vincando o objectivo de, no futuro, o SmartOcean“contribuir para a mudança de paradigma empresarial das comunidades costeiras”.

O parque tecnológico representa um investimento superior a 3,5 milhões de euros, financiado através de fundos comunitários do programa MAR2020 e de fundos próprios da associação que o irá gerir.

Em comunicado, o IPL divulgou esta segunda-feira que o SmartOcean permitirá criar uma relação simbiótica entre o território de Peniche, com uma forte vocação e tradição marítima, a formação superior nas áreas do turismo e ciência e tecnologias do mar, ministrada na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM), e da infra-estrutura científica do Politécnico de Leiria dedicada ao mar, o Cetemares, ambos localizados em Peniche.

O “Tesla dos navios” (100% elétrico) chega aos mares este outono

A holandesa Port-Liner está a construir dois cargueiros gigantescos elétricos, chamados de “Tesla dos navios”. Um porta-voz da empresa anunciou que as embarcações vão estar prontas até ao outono e que as suas rotas já foram programadas, pelo canal Wilhelmina, na Holanda.
A expectativa é de que o projecto de 100 milhões de euros, que recebeu um subsídio de 7 milhões da União Europeia, alcance um impacto significativo no transporte marítimo local, do qual fazem parte os portos de Amesterdão, Antuérpia e Roterdão.
Segundo declarações do director-executivo da Port-Liner, Ton van Meegen, ao jornal britânico The Loadstar: “Há cerca de 7.300 embarcações em terra na Europa inteira e mais de 5 mil delas são propriedades de empresários da Bélgica e da Holanda. Podemos construir mais de 500 por ano, mas a esse ritmo demoraria cerca de 50 anos para que a indústria operasse com energia verde”.
É esperado que as primeiras seis embarcações retirem anualmente 23 mil camiões das estradas dos Países Baixos, constituindo uma alternativa com baixo impacto ambiental.
Além da Port-Liner estar a construir as suas embarcações, desenvolveu também a sua própria tecnologia que permite alojar as baterias num contentor. O director-executivo explica que desta forma será possível modernizar os navios que já estão operacionais. “Isso permite-nos modernizar as embarcações que já estão operacionais, o que é um avanço para as credenciais de energia verde do sector. Os contentores são carregados em terra pela fornecedora Eneco, que fornece energia solar, renovável e livre de carbono”.
Os primeiros navios vão começar a navegar até ao final deste ano.

Tiago Pitta e Cunha integra missão da Comissão Europeia dedicada aos oceanos

O oceano foi considerado como uma prioridade no programa de investigação e inovação da Comissão Europeia para o período de 2021-2027. O “Horizonte Europa” conta com fundos no valor de 100 mil milhões de euros.


O presidente executivo da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha, foi selecionado para integrar o Conselho de Missão da Comissão Europeia “Oceanos Saudáveis, Mares, Águas Costeiras e Interiores”.

No âmbito do programa de investigação e inovação da União Europeia para o período de 2021-2027 “Horizonte Europa”, que conta com fundos no valor de 100 mil milhões de euros, o oceano foi considerado, pela Comissão Europeia, como uma prioridade, a par de outros quatro temas.
“A Fundação Oceano Azul congratula-se com o facto de, pela primeira vez, a Comissão Europeia ter estabelecido um painel com esta importância para o oceano, bem como com a nomeação de dois dos seus membros do Conselho de Administração, Tiago Pitta e Cunha, CEO, e Peter Heffernan, Conselheiro Especial, para integrarem esta estrutura”, lê-se no comunicado enviado ás redações.
Pascal Lamy, antigo Comissário Europeu e que foi diretor geral da Organização Mundial do Comércio, irá liderar este Conselho de Missão.
Cada comité de missão é composto por 15 especialistas que, até ao final de 2019, vão identificar o primeiro conjunto de ações possíveis nas respetivas áreas. Além disso, será criada uma assembleia para cada missão, reunindo um número maior de especialistas que possam contribuir com ideias e conhecimentos adicionais para o sucesso das cinco missões.
O programa “Horizonte Europa”, estabelecido para 2021-2027, dá continuidade ao programa Horizonte 2020 e é o principal programa de financiamento da ciência, na Europa.

O que é a Fundação Oceano Azul?

Nasceu em 2017, com o objetivo de promover um oceano mais saudável e produtivo através de três principais áreas de ação: literacia, conservação e capacitação, sob o mote “From the ocean”s point of view”. Com sede em Portugal, trabalha para o desenvolvimento de uma geração azul, uma nova economia azul e para posicionar o país como líder internacional em questões relacionadas com o oceano. Tem alcance internacional, através de projetos desenvolvidos com outros países, fundações e organizações da sociedade civil, bem como organizações intergovernamentais, como as Nações Unidas e a União Europeia.

Terminal XXI com novo Pré-Aviso de Greve para 12-24 Agosto

Novo pré-aviso de greve para as operações no Terminal XXI, do Porto de Sines: o Sindicato XXI revelou que decidiu, no passado dia 26 de Julho, lançar um novo pré-aviso, fruto de uma «decisão tomada em Plenário de Trabalhadores no dia 31 de Maio».
Foi então lançado «um segundo pré-aviso de greve para o período compreendido entre o dia 12 e 24 de Agosto, para as últimas 3 horas de cada turno», adiantou a entidade sindical. Recorde-se que esta será a segunda acção de protesto: entre os passados dias 2 e 4 de Maio, o Terminal XXI (gerido pela concessionária PSA Sines) foi alvo de paralisação.
«Ruptura total» das negociações entre a PSA/Laborsines e o Sindicato XXI
Entre os fundamentos deste pré-aviso de greve está, explica o sindicato, a «não resolução e aprovação das propostas salariais apresentadas em 9 de Novembro de 2018 dos Departamentos das Operações, Engenharia e Higiene e Segurança e Planeamento», que estiveram na base da primeira greve. Mas não só. Entre as razões está também a «intransigência da empresa nas negociações», que levou à «ruptura total das mesmas».
«A reintegração dos 80 trabalhadores dispensados pela PSA/Laborsines nos meses de Junho e Julho», a «pressão inadmissível e inaceitável por parte de elementos pertencentes à Direcção de Operações e de engenharia junto dos trabalhadores dos departamentos de HST, Planeamento e Engenharia», a «não entrega do relatório prometido com a identificação do responsável pelo descalabro sucedido no plenário de 31 de Dezembro de 2018», a «não resolução das regras do dia de sobreposição do horário em vigor (M/T)» ou o «não cumprimento da lei em vigor sobre os dias seguidos de férias e não cumprimento da cláusula do acordo de Maio 2017 sobre a entrega do mapa de férias no dia 1 de Dez de cada ano», são outros dos fundamentos para o lançamento deste novo pré-aviso de greve.

Dispositivo consegue remover quase 100% do sal da água do mar com energia solar

Cientistas da Universidade Monash, na Austrália, desenvolveram um dispositivo que consegue remover quase 100% do sal da água do mar usando energia solar.


Encontrar formas baratas e práticas de remover o sal da água do mar pode ajudar a salvar cerca de 844 milhões de pessoas espalhadas pelo globo que não têm acesso regular a água potável. De acordo com o Science Alert, cientistas descobriram uma forma de o fazer.

Usando um disco minúsculo feito de papel de filtro super-hidrofílico, revestido com nanotubos de carbono para absorver a luz, a nova técnica funciona apenas com a luz solar, mas também é capaz de remover quase 100% do sal do líquido original.
A nova abordagem, explicada num estudo publicado no final de abril na revista Energy & Environmental Science, é baseada num método tradicional: aquecer a água até que esta vaporize e capturar isso, deixando o sal e as outras impurezas para trás.
Para transformar a água em vapor utilizando a energia do Sol, é necessário usar materiais térmicos solares para converter eficientemente essa energia em calor. Porém, se esses materiais forem cobertos por cristais de sal da água que se evapora, todo o processo pode correr mal.
Felizmente, o novo método conseguiu resolver esse problema com sucesso, mantendo uma taxa constante de evaporação da água à medida que os sais são colhidos e removidos do processo, para evitar que reduzam a sua eficiência.
Segundo o mesmo site, este é um método barato, prático e eficaz. Além disso, como é alimentado pela luz solar, os dispositivos que usam esta técnica podem ser particularmente úteis em lugares sem acesso confiável à eletricidade.
“Os resultados do nosso estudo avançam um passo em direção à aplicação prática da tecnologia de geração de vapor solar, demonstrando um grande potencial em dessalinização da água do mar, recuperação de recursos de águas residuais e zero descarga líquida”, afirma o engenheiro químico Xiwang Zhang, da Universidade Monash, na Austrália.
“Esperamos que esta investigação possa ser um ponto de partida para futuras pesquisas sobre formas energeticamente passivas de fornecer água limpa e segura para milhões de pessoas, iluminando o impacto ambiental de resíduos e recuperando recursos de resíduos”.

Em declarações ao site New Atlas, Zhang explicou que o novo dispositivo é capaz de produzir entre a seis a oito litros de água limpa por metro quadrado da área de superfície por dia. O próximo passo é aumentar essa taxa de produção.

O bacalhau do mar do Norte está a desaparecer

Organização não governamental diz que a população daquela espécie de bacalhau diminui drasticamente e que a sua pesca já não é sustentável.

Corte a cebola em rodelas, esmague os dentes de alho. Refogue em azeite. Com o bacalhau já cozido e desfiado, junte-o à mistura. Deixe estar tudo ali a fritar um bocadinho. Acrescente as batatas-palha e misture bem. Está mesmo a chegar ao fim da receita. Bata os ovos e despeje na frigideira. Reveja o sal e a pimenta. Desligue o lume (não deixe secar, é esse o segredo). Salpique com salsa e azeitonas. Bem sabemos que hoje em dia já tudo se faz à brás mas e se nunca mais puder cozinhar ou comer o mais tradicional de todos os “à brás”: o bacalhau?

A população de bacalhau do mar do Norte diminuiu drasticamente, alertou o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (Ices), a mais antiga organização intergovernamental do mundo. De acordo com a Ices, para que as espécies futuras não sejam prejudicadas, a pesca do bacalhau naquela zona do mundo deveria ser reduzida para dois terços (63%).

Os stocks de peixe são definidos com base na quantidade pescada no ano anterior. No caso do bacalhau, a quota tinha sido suficientemente baixa e, por isso, foi possível definir a quantidade atualmente permitida. No entanto, é demasiado alta e está a pôr em risco a espécie. “Apenas recentemente o mar do Norte recuperou de uma sobrepesca histórica. Foi conseguido através de quotas de pesca restritas, limitando os riscos e começando a neutralizar o impacto da pesca de arrasto em algumas áreas chave.

Em contraste, na costa oeste, na costa escocesa, a população de bacalhau está a colapsar há uma década”, alertou ao jornal “The Guardian” Phil Taylor, responsável pela Open Seas, uma organização escocesa de defesa do oceano. “À procura de lucros a curto prazo, os políticos não cumpriram ou não estão cumprir muitas das medidas de recuperação. As quotas de pesca do bacalhau do mar do Norte foram 20% inferiores àquilo que foi aconselhado pelos cientistas.”

No entanto, esta população de bacalhau está classificada pela Marine Stewardship Council (MSC), uma organização sem fins lucrativos que estabelece padrões de pesca sustentável, como uma espécie “sustentável”. Ou seja, pode ser pescada.

“A MSC precisa urgentemente de rever e reavaliar a certificação para esclarecer os consumidores que neste momento estão às escuras. Atualmente, todo o sistema falha a dar garantias ao consumidor”, defendeu ainda Taylor, da Open Seas.

Só final do mês, as recomendações da Ices vão ser analisadas pela MSC. E, a confirmarem-se as conclusões daquele organismo, a certificação atribuída de que é sustentável pescar o bacalhau do mar da Noruega vai ser rescindida. Quer o consumidor, quer algumas grandes empresas de distribuição dependem desta certificação para a aquisição do produto. Uma certificação que agora é posta em causa.

“A MSC está empenhada em reconhecer e recompensar as pescas sustentáveis através do nosso rigoroso programa de certificação”, disse ao “Guardian” Erin Priddle, diretor do programa da MSC no Reino Unido e Irlanda.

O bacalhau do mar do norte ganhou o crachá de sustentável em 2017.

"Portugueses são fundamentais no maior porto comercial dos EUA"

Os portugueses e lusodescendentes são “fundamentais” na actividade do maior porto de pesca comercial dos Estados Unidos da América, declarou, em entrevista à Lusa, o autarca da cidade de New Bedford, Jonathan Mitchell.

Cidade costeira situada 90 quilómetros a sul de Boston, com uma população de 100 mil habitantes, da qual quase 40% é de sangue português, New Bedford detém o maior porto de pesca comercial dos Estados Unidos, com acesso directo ao oceano Atlântico.

Segundo a Autoridade Portuária, as vendas diretas ascendem, anualmente, a 61.000 toneladas de peixe, no valor de 322 milhões de dólares (290 milhões de euros).
Com mais de 6.800 trabalhadores directos e mais de 40.000 trabalhadores em negócios derivados, as actividades económicas relacionadas com o porto de New Bedford produzem mais de 11.100 milhões de dólares (quase 10.000 milhões de euros).
Jonathan Mitchell, ‘mayor’ da cidade, atribui o sucesso comercial marítimo ao conhecimento e ‘know-how’ de vários grupos imigrantes, dos quais os portugueses – e em particular açorianos – se destacam.
Os imigrantes provenientes de Portugal e todos os lusodescendentes que vivem na cidade “têm sido fundamentais em tornar New Bedford no porto de pesca primário na América”, defendeu o autarca.
“Uma das principais razões por que temos sido tão bem-sucedidos é o contributo da comunidade portuguesa”, disse Mitchell em entrevista à Lusa, descrevendo a cidade que acolhe imigrantes portugueses há 150 anos.
Apesar de não partilhar dados certos quanto às nacionalidades dos membros dos negócios marítimos sediados em New Bedford, o ‘mayor’ considerou que os portugueses são “provavelmente a maior etnicidade da frota de pesca” daquele que é o maior porto comercial dos EUA.
A actividade piscatória de New Bedford tem aumentado significativamente em anos recentes, segundo o ‘mayor’, que explicou que a diminuição da quantidade de peixe nas águas provoca o encerramento de vários portos menores e a mudança de embarcações para New Bedford.
“Em muitos lugares há portos que têm sido encerrados ou reduzidos como resultado de menos peixe e muitas embarcações desses lugares estão a vir para New Bedford. Estamos a viver um aumento significativo”, explicou Jonathan Mitchell à Lusa.
Para além do porto, New Bedford vive de muita cultura e gastronomia portuguesa, o que se pode verificar em museus de património madeirense e açoriano, restaurantes de comida típica portuguesa ou eventos e festas.
“A nossa comunidade portuguesa”, acrescentou o governante, “tem contribuído há 150 anos de inúmeras maneiras. (…) As gentes portuguesas estão em todas as camadas sociais na nossa cidade, em posições de liderança tanto na política como no negócio”.
A comunidade de lusodescendentes traz autenticidade a New Bedford, garantiu o ‘mayor’.
“Vivemos na América onde há tanta mesmice; o mesmo tipo de autoestradas e ramais de acesso que levam às mesmas cidades, casas e centros comerciais que se podem encontrar em qualquer lado nos Estados Unidos”, descreveu o autarca.
“New Bedford é muito diferente, muito autêntica, e um grande elemento dessa autenticidade é a herança portuguesa”, concluiu Jonathan Mitchell.
Os pescadores açorianos constituíram a primeira vaga da imigração portuguesa na cidade de New Bedford a partir dos anos 1870.
No século XIX, New Bedford era um centro mundial da indústria baleeira (caça à baleia), para o qual os imigrantes açorianos contribuíram muito.
Já no século XX, a indústria baleeira começou a desaparecer, mas a pesca comercial passou a ter mais concentração, movida pelos imigrantes portugueses, irlandeses e noruegueses.
A segunda vaga da imigração portuguesa em New Bedford deu-se quando a indústria têxtil estava a florescer, nos anos 1920, numa altura em que 70 fábricas de algodão empregavam mais de 41.000 trabalhadores.
A imigração portuguesa em New Bedfordteve ainda uma terceira fase nos anos 1960.
Os habitantes locais também sabem que nos anos 1957 e 1958 deu-se uma grande erupção vulcânica nos Açores que obrigou a viagem de um grande número de refugiados portugueses aos EUA, auxiliada por legislação do Congresso americano.
Jonathan Mitchell disse que depois da erupção vulcânica no arquipélago, começou uma nova vaga de imigração que se estendeu até aos anos 1980 e isso “trouxe nova vida a New Bedford, especialmente dos Açores”.