Algo estranho está a acontecer na costa portuguesa. E pode encolher o oceano

Um terramoto em 1969 acendeu a polémica sobre o mapa tectónico da costa portuguesa. Agora, novas pistas denunciam que a parte inferior da placa tectónica do litoral de Portugal está a deslizar e a afastar-se do seu topo, numa ação continuada que pode fornecer a faísca necessária para que uma placa afunde em relação à outra. Por outras palavras, o Atlântico está a encolher.

Em 1969, uma extensão subaquática aparentemente calma da costa portuguesa gerou um enorme terramoto que fez tremer a linha onde a terra acaba, e provocou um tsunami que foi como o mar que começa sobre a superfície de terra. Esta zona tem sido um mistério por resolver, sobretudo para João Duarte, geólogo marinho do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, que se dedica, há anos, a perceber o puzzle geológico entre as duas peças: terra e mar, num encaixe tumultuoso.
Só agora, 50 anos depois do fenómeno, João Duarte acredita ter a resposta, conforme explicou à National Geographic A parte inferior da placa tectónica do litoral de Portugal parece estar a deslizar e a afastar-se do seu topo, numa acção continuada que pode fornecer a faísca necessária para que uma placa afunde em relação à outra. Por outras palavras, pode estar a nascer uma zona de subducção, como denunciam simulações de computador apresentadas na União Europeia de Geociências.
Se tal for confirmado, a investigação de João Duarte constituiria a primeira vez que uma placa oceânica é monitorizada em pleno acto de ruptura. Mas, acima de tudo, a revelação de um segredo das profundezas do oceano traz à tona uma verdade preocupante: um dos primeiros estágios do encolhimento do Atlântico, o que coloca a Europa em rota de colisão com o Canadá, como previsto anteriormente por alguns modelos de tectónica.
É um puzzle para compreender melhor, mas também “é certamente uma história interessante”, diz Fabio Crameri, da Universidade de Oslo, que não fez parte da equipa de pesquisa, mas que participou na palestra do geólogo da Universidade de Lisboa. João Duarte apresentou alguns argumentos fortes, segundo Crameri, mas o modelo precisa de mais testes, o que não é uma tarefa fácil quando os dados recolhidos provêm de um processo natural que funciona à velocidade do crescimento das unhas.
“Talvez esta não seja a solução para todos os problemas. Mas acho que temos algo novo aqui”, frisa o geólogo marinho português.
As placas tectónicas da Terra movem-se constantemente numa marcha lenta, uma dança em que algumas peças colidem e outras se separam. Pelo menos três vezes na história de 4,54 bilhões de anos do planeta Terra, as massas terrestres aglomeraram-se em poderosos supercontinentes, apenas para eventualmente reverter o processo e desfazer ligações novamente. As zonas de subducção são as principais forças motrizes por detrás de uma correia tectónica que puxa a crosta oceânica e o manto superior até à profundidade, o que leva a uma reciclagem das rochas e a uma deslocação de continentes.
Cerca de 90% da actividade sísmica mundial é despoletada numa cadeia desconexa de zonas de subducção que delineia o chamado anel de fogo, um arco ao redor do Oceano Pacífico, da ponta sul da América do Sul até à Nova Zelândia. Contudo, a Península Ibérica está bem longe desta pista de dança, mesmo do outro lado do mundo, a tocar o Oceano Atlântico. Aqui, as placas separam-se no centro do oceano, e formam uma nova crosta. As extremidades das massas terrestres em redor transitam do continente para o oceano num só movimento.
A situação da Península Ibérica, no entanto, é um pouco mais complexa. As placas euro-asiática e africana arrastam-se maioritariamente para leste. Aqui, no centro do mistério geológico, uma ligeira torção no movimento da placa africana esmaga a placa eurasiática para norte. Ainda assim, não seria de esperar, segundo os cientistas, que grandes tremores de terra atingissem a costa de Portugal. Por isso, ao longo dos anos, reuniões têm sido realizadas por diversos investigadores para explicar as pontas soltas de um encaixe quase perfeito.
“Este foi principalmente um trabalho de ligar os pontos”, explica João Duarte sobre as pesquisas mais recentes. E um dos primeiros pontos em questão foi a localização incomum do epicentro do terramoto de 1969: uma extensão inexpressiva conhecida como a planície abissal da Ferradura. Nesta região, não há sinais óbvios de falhas, paisagens contorcidas ou montanhas submersas, características que apontam para danos tectónicos.
A investigação com ultrassom identificou uma curiosa massa densa que se estendia diretamente a partir do local onde o terramoto de 1969 ocorreu. Outras análises sugeriram que esse ponto poderia ser o início de uma zona de subducção.
No entanto, nenhum vestígio de tal zona permaneceu na superfície, o que levou João Duarte a inicialmente presumir que o corpo estranho era uma leitura falsa. Isso mudou em 2018, quando Chiara Civiero, investigadora de doutoramento do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, e colegas da mesma equipa publicaram uma experiência exploratória de alta resolução na terra nesta região, e… A bolha invulgar deu provas de ali estar.
“Agora temos 100% de certeza de que está lá”, assevera o geólogo marinho. Outros cientistas descobriram que, acima desse corpo profundo, que se estende a 155 milhas [250 quilómetros] abaixo da superfície, a terra tremia.
A chave, refere João Duarte, provavelmente reside numa camada aparentemente inócua no meio da placa tectónica. Trabalhos anteriores sugeriram que a infiltração de água através de uma rede de fraturas na placa oceânica reagira com as rochas abaixo da superfície, transformando-as em minerais verdes suaves num processo conhecido como serpentinização. Os cientistas acreditam que o fenómeno tectónico pode ser comum sob espessas placas continentais através de um mecanismo ligeiramente diferente, e, possivelmente, até mesmo em antigas zonas de subducção, mas nunca foi anteriormente registado em placas oceânicas primitivas.

Os Oceanos estão ameaçados pelo excesso de pesca

Para responder ao apetite insaciável dos peixes, as técnicas de pesca estão sendo cada vez mais aprimoradas, com embarcações maiores, redes mais profundas e sonares mais eficientes, que poderão deixar o mar sem uma parte importante dos seus recursos.
Em 2017, 92,5 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar foram pescados em todo o mundo – quatro vezes mais do que em 1950, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Este aumento deve-se ao crescimento da população e a um maior consumo por habitante.
Mas os recursos marinhos não são inesgotáveis. Em 1996, houve um pico na pesca de peixes, segundo a FAO, e, desde então, o volume está estagnado.
Um terço das reservas de peixes do mundo está superexplorado, alerta a FAO. Isso não significa que as espécies envolvidas podem desaparecer, pois uma reserva de peixes corresponde a uma população numa zona geográfica concreta. Contudo, esta situação pode ameaçar a sua pesca no futuro.
As reservas excessivamente exploradas “podem diminuir a níveis de abundância tão baixos que já não seja mais rentável pescar”, explica Didier Gascuel, investigador e membro do conselho científico do instituto de Ifremer.
Actualmente, os arrastões (barco que usa redes de arrasto) são responsáveis por metade das capturas mundiais, mas nem sempre são selectivos na sua forma de captura.
A situação é ainda pior para a pesca de arrasto de fundo: a rede é lastreada, uma técnica muito criticada pelas ONGs.
“Ara-se o solo dos oceanos para pescar peixes sem distinção, com um impacto nos corais, e nas esponjas”, denuncia Frédéric Le Manach, da associação Bloom, que organizou uma campanha contra a pesca em águas profundas, proibida pela União Europeia em 2016.
O palangre – uma linha na qual são pendurados milhares de anzóis que podem prender também aves, ou tartarugas – ou os dispositivos de concentração de peixes (DCP) também estão na mira.
Quotas necessárias 
A União Europeia proibiu a pesca eléctrica a partir de 2021, uma prática controversa, muito usada na Holanda. É um “novo duro golpe nos pescadores holandeses, que reduz a nada as perspectivas de futuro das suas empresas”, criticou a VisNed, principal organização de pescadores do país.
Diante da exploração excessiva, ONGs e cientistas defendem uma pesca mais razoável. “A pesca é um desafio para a segurança alimentar”, particularmente nos países mais pobres, lembra François Chartier, encarregado desta questão no Greenpeace.
A pesca é regulada pelas legislações nacionais, pela União Europeia, ou por organizações regionais de gestão de pesca (ORGP). Mas “é difícil fazer que sejam aprovadas medidas rigorosas” nestas últimas, levando em conta o peso da indústria pesqueira, lamenta François Chartier.
Reduzir a frota é apenas uma parte da solução, embora os barcos que continuam operacionais sejam cada vez mais potentes. “É preciso limitar as capturas e executar quotas”, afirma Didier Gascuel.
Para as ONGs, é preciso combater a pesca ilegal, os subsídios que estimulam o excesso de pesca e a pesca destinada a fabricar farinha de peixe. Em vez disso, devem ser promovidos métodos passivos de pesca (vasos, redes fixas), o estabelecimento de áreas marinhas protegidas, a criação de rótulos mais rigorosos, ou o apoio a áreas de pesca que permitam a reconstituição de reservas e criação de empregos.
“Recuperar as reservas superexploradas permitiria aumentar a produção em cerca de 25%”, indica Manuel Barange, da FAO, à AFP.

Além disso, a mudança climática poderia piorar as coisas. Isso “provocará certa redistribuição das reservas de peixes” e poderia fazer com que “regiões tropicais e pequenos Estados insulares tenham que fazer frente aos impactos mais negativos, enquanto as regiões polares se beneficiarão dos aumentos”, alerta Barange.

Turismo ameaça corais das águas turquesas do Mar Vermelho


Em águas cristalinas de cor turquesa, pequenas medusas rosadas rodeiam mergulhadores amadores que chegam do mundo inteiro para admirar as profundezas do mar Vermelho, cujos corais espetaculares estão ameaçados pelo aumento do turismo no Egipto.

Na costa da localidade turística de Hurghada, no leste do país, os peixes-palhaço, peixes-porco e peixes-borboleta nadam entre recifes de coral verdes e violetas, a uma dezena de metros de profundidade. Com pés de pato, máscaras de oxigénio e um guia profissional, um grupo de turistas, muitos deles europeus, contempla este espectáculo sereno que contrasta com a agitação em terra firme.

Em Hurghada, abundam os bazares e os complexos hoteleiros com preços acessíveis para atrair o máximo de clientes possível.

“É muito mais barato que o Caribe”, afirma Daniel, um alemão de 29 anos, tomando sol numa praia privada. Assim como ele, cada vez mais turistas estrangeiros voltam a Hurghada.

O sector turístico egípcio sofreu uma queda depois da revolução que expulsou do poder o presidente Hosni Mubarak em 2011.

O número de visitantes caiu de 14,7 milhões em 2010 para 5,3 milhões em 2016, um ano depois de um atentado contra um avião russo que deixou 224 mortos em Sharm el-Sheikh, outra localidade turística do mar Vermelho.

Desde 2017, a situação melhorou. Em 2018, a contribuição do turismo ao Produto Interno Bruto do país aumentou 16,5% até alcançar seu nível mais alto desde 2010, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês). O Egipto não comunicou os números de visitantes do ano passado.

“PRESSÃO CRESCENTE”

“O aumento do turismo no Egipto é positivo, mas aumentou a pressão (sobre os recifes)”, afirma a directora-geral da ONG Hurghada Environmental Protection and Conservation Association (Hepca), Heba Shawky.

A associação foi fundada em 1992 por profissionais do mergulho preocupados com o impacto do turismo sobre o meio ambiente marinho.

Um mergulhador que acompanha os turistas constata em Hurghada: “Há actividade turística” e “lugares onde (os corais) desapareceram”. Mas “foram preservados bastante melhor do que em Sharm el-Seikh e Marsa Alam”, outras zonas turísticas, acrescenta. 

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), no mundo, ao menos 20% destes “ecossistemas mais belos, com mais diversidade biológica e os mais delicados” do planeta foram destruídos, e 60% estão ameaçados pela mudança climática, pelo turismo, ou a pesca predatória.

Os cientistas consideram que os corais do mar Vermelho são os mais resistentes às mudanças climáticas e podem chegar a ser um “refúgio” mundial para a biodiversidade marinha, mas pedem proteção ante outros perigos.

Cerca de 1.700 barcos de turismo sulcam estas águas, além dos navios comerciais que transitam pelo Canal de Suez.

A ONG Hepca implementou pelo menos 1.200 balizas em diferentes áreas de mergulho para evitar o uso das âncoras, que destroem os corais, indica Shawky

“MUITOS ESFORÇOS”

Ainda há muito por fazer, acrescenta, como reduzir o tamanho dos barcos dedicados ao mergulho, que atingem 50 metros de comprimento, e limitar seu número.

“Não temos pirâmides nem templos”, mas temos “recursos vivos” debaixo d’água e, preservando o meio ambiente, apoiamos a indústria do turismo, diz.

No escritório de Hurghada, o governador do mar Vermelho, general Ahmed Abdallah, insiste nos “esforços” das autoridades para preservar o entorno marinho.

“Proibimos a poluição que afecta os recifes”, afirma, acrescentando que, recentemente, a administração local decidiu proibir os plásticos descartáveis a partir de 1º de junho.

Segundo o Unep, até 12 milhões de toneladas de plástico acabam a cada ano nos oceanos.

Mahmud Hanafy, professor de biologia marinha da Universidade do Canal de Suez, considera que as autoridades deveriam instaurar lugares protegidos para evitar a “sobre-exploração” de recursos “limitados”. Outra solução: “Criar recifes artificiais para reduzir a pressão sobre os naturais”.

Outros países com grande biodiversidade submarina, como Austrália e Maldivas, desenvolveram novos habitats, colocando no mar recifes de cerâmica impressos em 3D.

Fonte: AFP

Perda de biodiversidade "é tão grave como as alterações climáticas"

O mais completo relatório sobre biodiversidade dos últimos 15 anos mostra que os ecossistemas estão à beira do colapso. Versão final do documento será divulgada esta segunda-feira em Paris. “É urgente agir”, dizem cientistas.

Serão necessários passos de gigante e transformações radicais na produção global de alimentos e nas atividades humanas em geral, que estão a pulverizar os recursos, os ecossistemas e as espécies, se se quiser inverter tais tendências destrutivas – e o tempo é curto.
Este é o aviso que cerca de 400 cientistas fazem no mais completo e atualizado relatório dos últimos 15 anos sobre a biodiversidade, e cuja versão final será conhecida em Paris, esta segunda-feira, 6 de maio.
O relatório, que foi elaborado nos últimos três anos, esteve esta semana em discussão na capital francesa, no âmbito de uma reunião das Nações Unidas, com delegados de mais de 130 países. Numa versão ainda não definitiva, a que AFP teve acesso, podem ler-se esses alertas, que não deixam dúvidas sobre os problemas ambientais sem precedentes que a humanidade enfrenta.
Alguns números referidos nessa primeira versão do relatório ajudam a pôr o problema em perspetiva e dão a medida da urgência de ações concertadas e eficazes, a ser tomadas pelos decisores políticos a nível mundial.
A nossa destruição da biodiversidade e dos ecossistemas atingiu níveis que ameaçam o bem-estar da humanidade
Os números: cerca de um milhão de todas as espécies do planeta enfrentam a extinção, muitas delas dentro de poucas décadas; à exceção de uma parte muito pequena (7%), todos os grandes stocks de pesca do mundo estão em declínio, devido à sua sobre-exploração, e se falarmos de florestas, três milhões de hectares (2,9 milhões) perderam-se desde 1990 – nas três últimas décadas -, numa área correspondente à dimensão da Alemanha ou do Vietname.
O relatório, que foi preparado pela Plataforma Intergovernamental Científica e Política para a Biodiversidade e os Ecossistemas (IPBES, na sigla inglesa) – o equivalente ao IPPC para as alterações climáticas, igualmente no âmbito das Nações Unidas -, não define recomendações políticas (pelo menos nesta primeira versão). Mas a versão final do documento vai ser a referência para a próxima COP da Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade, que se realiza na China, no próximo ano.
Essa cimeira, em 2020, será o momentos-chave da definição das políticas internacionais nesta área, para a próxima década.

Próxima década é decisiva

Na abertura da reunião que está a decorrer em Paris, Robert Watson, o presidente da IPBES, não poupou palavras sobre o atual estado de calamidade ambiental. “As provas são incontestáveis: a nossa destruição da biodiversidade e dos ecossistemas atingiu níveis que ameaçam o bem-estar da humanidade, pelo menos tanto quanto as alterações climáticas induzidas pelo homem”.
Alertando para o que está em causa, Robert Watson, sublinhou que a biodiversidade “não é algo abstrato”. Ela “diz respeito a todas as espécies animais ou vegetais que vivem no planeta, incluindo aquela que se coloca a si mesma em perigo, ao destruir a natureza: a humanidade. E o homem não pode viver sem essa natureza, que lhe presta serviços de valor incalculável, desde insetos polinizadores a florestas e oceanos que absorvem CO2, até medicamentos ou água potável”.
A presente situação é, aliás, o espelho do falhanço das metas estabelecidas para esta década no âmbito da própria convenção. Praticamente nenhum dos 20 objetivos previamente definidos para 2020, que visam uma vida “em harmonia com a natureza” até 2050, será alcançado. Isso está referido na primeira versão do relatório, cuja versão final está a ser aguardada com grande expectativa.

Presidente das Seychelles apela à protecção dos oceanos em discurso subaquático

O Presidente das ilhas Seychelles, Danny Faure, fez um apelo global à protecção do “coração azul do planeta” dos efeitos das alterações climáticas, num discurso proferido debaixo de água.
“Este problema é maior do que todos nós, e não podemos esperar pela próxima geração para o resolver. Estão a esgotar-se as desculpas para não agir, estamos a ficar sem tempo”, declarou o chefe de Estado a bordo de um submersível, a 120 metros de profundidade, no mar das ilhas que formam aquele país.
Danny Faure sublinhou que, da profundeza do oceano, consegue ver “a vida selvagem incrível que precisa de proteção”.
“Criámos os problemas, podemos resolvê-los”, apelou, o Presidente das Seychelles, um país que, como outros pequenos estados insulares, é extremamente vulnerável à subida do nível das águas provocada pelas alterações climáticas.
Faure falava durante uma visita a uma expedição científica liderada pela britânica Universidade de Oxford, que investiga a vida subaquática, mapeando vastas áreas do fundo do mar.
Os oceanos cobrem dois terços do planeta, mas permanecem, na sua maioria, desconhecidos.
“Temos melhores mapas de Marte do que do fundo do mar”, disse Danny Faure.
Pouco se sabe da vida aquática abaixo dos 30 metros de profundidade, o limite acessível a mergulhadores comuns.
Esta expedição opera até 500 metros, sendo os primeiros cientistas a explorar áreas de grande diversidade onde a luz do sol escasseia e começa o oceano profundo.
No final da missão, os investigadores esperam ter recolhido cerca de 1.400 amostras e 16 ‘terabytes’ de informação, numa pesquisa ao longo de 25 mil metros quadrados do fundo do mar, usando sondas multifeixe de alta resolução.
A informação vai ser usada pelas Seychelles para expandir a sua política de proteção de cerca de um terço das águas nacionais até 2020, uma importante iniciativa para a “economia azul” do país, numa tentativa de equilibrar as necessidades de desenvolvimento e de proteção ambiental.
As Seychelles é a primeira de seis regiões que a missão prevê explorar até 2022, altura em que os cientistas apresentarão a sua pesquisa numa cimeira sobre o estado do Oceano Índico, em cujas costas de África e da Ásia vivem milhões de pessoas.
Os cientistas esperam também que a sua pesquisa influencie as conversações que decorrem nas Nações Unidas para um primeiro tratado de conservação do alto mar, cuja conclusão está agendada para este ano.
Organizações ambientalistas defendem que um tratado internacional dessa magnitude é urgente, devido às alterações climáticas, à sobrepesca e à prospeção de minerais preciosos, que estão a colocar uma pressão insustentável na vida marinha.

A vida pode ter surgido em lagoas rasas (e não em oceanos profundos)

Um estudo recente descobriu que os lagos primitivos que existiam na Terra há 3.900 milhões de anos poderiam ter sido mais propensos ao surgimento das primeiras formas de vida no nosso planeta do que os oceanos profundos.

evolução é a explicação geralmente aceite de como a vida na Terra se tornou tão complexa. No entanto, há uma ponta solta que ainda ninguém conseguiu explicar – de que forma a vida emergiu da matéria não-viva.
A hipótese predominante e mais aceite é a de que a vida começou no oceano, onde as fontes hidrotermais forneceram as reações químicas necessárias ao surgimento de vida. No entanto, um recente estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) descobriu que os oceanos antigos não tinha nitrogénio suficiente – mas as lagoas rasas podiam ter.
O nitrogénio é considerado uma parte fundamental da transição da não-vida para a vida. De acordo com o New Scientist, a história afirma que o ácido ribonucléico (ARN) primitivo – uma molécula que ajuda a codificar a nossa informação genética – era, muito provavelmente, uma molécula flutuante.
Alguns cientistas acreditam que o ARN, quando entrou em contacto com óxidos de nitrogénio, poderia ter sido quimicamente induzido para formar aminoácidos, que então desenvolveram os primeiros organismos simples.
No entanto, segundo este tudo recentemente publicado na Geochemistry, Geophysics, Geosystems, os óxidos de nitrogénio não duraram o suficiente para conseguirem alcançar fontes hidrotermais do fundo do mar e, consequentemente, impulsionar a vida. Para sustentar esta teoria, os cientistas encontraram dois fatores até agora negligenciados: a luz ultravioleta do Sol e o ferro dissolvido das rochas.
“Neste estudo mostramos que se introduzirmos estas duas novas variáveis, elas suprimem as concentrações de óxidos de nitrogénio no oceano”, resumiu Sukrit Ranjan, principal autor do estudo. Depois de terem chegado à conclusão de que os oceanos não tinham nitrogénio suficiente, colocaram novamente a questão: onde se formou, então, a vida?
Segundo a equipa do MIT, as lagoas rasas são, para já, a melhor resposta a esta pergunta. Nelas, há menos volume para os compostos serem diluídos, e este tipo de condições é propício a maiores concentrações de óxidos de nitrogénio – dando-lhes uma maior probabilidade de interagir com moléculas como o ARN e, assim, surgir a vida.
Se a premissa para a origem da vida na Terra era o nitrogénio fixo, “então é difícil que a vida tenha surgido no oceano”, conclui o cientista. “É muito mais provável que isso tenha acontecido numa lagoa.”
Os cientistas admitem que este estudo recente não resolve o debate, mas fornece uma prova intrigante para fundamentar o argumento de que a vida surgiu numa tigela rasa, e não numa sopa primordial.

Descobriram plástico dos anos 60 no mar

Um saco de plástico irlandês de 1965, uma linha de anzol dos anos 50. Não são relíquias mas sinais do desastre ambiental.

objetivo era recolher informação sobre o plâncton em mar aberto, mas acabou por servir para outra função. Este instrumento chamado CPR, ou melhor, Continuous Plankton Recorder, (uma espécie de gravador contínuo de plâncton), viaja pelos oceanos desde 1931. Pelo caminho, este aparelho tipo torpedo, recolheu acidentalmente provas de que andamos a poluir o planeta há muito tempo e que o plástico é mesmo muito resistente. 


No recorde de objetos encontrados temos um saco plástico de 1965, irlandês, que pode receber o prémio de primeiro registro de lixo de plástico encontrado no oceano. Das cerca de 16.725 viagens do CPRs, em 669 apanharam plásticos. Clara Ostle, investigadora do projeto e membro da Associação de Biologia Marinha de Plymouth, explicou à BBC que “vemos por meio desses registos que tivemos alguns casos históricos de plástico presos”. E acrescentou: “Podemos construir uma percurso temporal a partir disto – para que possamos ver o aumento de plástico que ficam presos.”


A juntar a este saco plástico dos anos 60, encontraram uma linha de pesca de 1957. Os investigadores revelam ainda que os dados recolhidos por este aparelho, o CPR, confirmam que houve um aumento significativo e constante do plástico oceânico desde os anos 90.


Como revela a National Geographic, os cientistas do Reino Unido estiveram a recolher dados da vida do plástico nos oceanos e criaram uma das maiores bases de dados de como o plástico tem sido recolhido no Atlântico Norte. Além disso, a bióloga revela que este aparelho é muito útil, sobretudo porque se comporta como um qualquer mamífero marinho. “Como navega na superfície, tal como os outros mamíferos, apanha o mesmo tipo de plásticos que ficam presos nos animais”, revela o estudo.

Encontradas bactérias que comem petróleo no local mais profundo dos oceanos

Uma equipa de cientistas acaba de descobrir que uma bactéria única que come petróleo prolifera na Fossa das Marianas, no Pacífico Ocidental, o local mais profundo do oceano, com 11.00 metros de profundidade.

Em parceria com cientistas da China e da Rússia, especialistas da Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido, realizaram a análise mais completa das populações microbianas deste poço. Até então, apenas algumas expedições se debruçaram sobre os organismos que habitam neste ecossistema tão peculiar.

“A nossa equipa recolheu amostras da população microbiana na parte mais profunda da Fossa das Marianas. Estudamos as amostras recolhidas e a equipa identificou um novo grupo de bactérias degradadoras de hidrocarbonetos”, disse o cientista da Faculdade de Ciências Biológicas da UEA, Jonathan Todd, citado em comunicado.
Tal como explicou o especialista, os “hidrocarbonetos são compostos orgânicos compostos por hidrogénio e átomos de carbono, sendo encontrados em muitos lugares, incluindo no petróleo bruto e no gás natural”, observou.
“Basicamente, estes tipos de micro-organismos comem compostos semelhantes aos do petróleo, utilizando-os em seguida como combustível“, sustentou, dando conta que estes seres desempenham um papel importante em desastres naturais que envolvam derrames de petróleo nos mares, tal como aconteceu no Golfo do México em 2010.
“Descobrimos também que esta bactéria é realmente abundante no fundo da Fossa das Marianas”. Na verdade, a equipa concluiu que a proporção destes microrganismos que degradam hidrocarbonetos é inclusive mais alta no poço do que na Terra.
“Para nossa surpresa, também identificamos hidrocarbonetos produzidos biologicamente em sedimentos oceânicos no fundo do poço, o que sugere que uma população microbiana única está a produzir hidrocarbonetos neste ambiente”, sublinhou Nikolai Pedentchouk, da Escola de Ciências Ambientais da UEA.
“Estes hidrocarbonetos, semelhantes aos compostos que compõem o diesel, foram encontrados em algas na superfície do oceano, mas nunca em micróbios nestas profundidades”, rematou a cientista.

Os resultados da investigação foram publicados na passada sexta-feira na revista científica especializada Microbiome.

Mapear o mar português

Um mapeamento global e detalhado do imenso e imerso território é fundamental para assumirmos um inequívoco sentimento de pertença e potenciar a cadeia de valor do mar português
Para assumir o reconhecimento de algo que nos pertence é preciso conhecer os seus limites e configuração, fronteiras, relevo e contornos do que é nosso, permitindo-nos posteriormente sentir, acarinhar, defender e valorizar o nosso bem.
Assim é com o território do mar português, e para que todos os cidadãos portugueses tenham um claro e inequívoco sentimento de pertença em relação a este vasto território têm de o conhecer pormenorizadamente.
Um mapeamento global e detalhado deste imenso e imerso território é fundamental para que sejamos capazes de conceber e desenvolver melhores e mais eficientes ações de política pública do mar.
Só um mapeamento amplo e profundo dos fundos oceânicos e do seu relevo topográfico nos permitirá deter as condições ideais para desenhar melhores programas e projetos, destacando as suas caraterísticas, possibilitando um conhecimento fundamental específico e preciso, potenciando o aproveitamento adequado e sustentado dos seus recursos vivos e não vivos.
Logo, urge executar esta ação de política pública num período máximo de dez anos. Atrasar e limitar os recursos para a sua concretização, já em parte desenvolvida, será certamente um erro colossal no alicerçar das condições para a construção e o desenvolvimento pleno deste desígnio nacional, pois estes ajudarão a transformá-lo numa realidade estruturada, com futuro e capaz de gerar uma cadeia de valor que certamente contribuirá para o desenvolvimento social e económico do país.
O mar português, com o seu mapeamento, tornar-se-á para todos um território acessível, disponível para ser descoberto, investigado, desbravado e naturalmente potenciado e explorado de forma sustentável, equilibrada e justificada.
Por outro lado, desenvolver esta ação poderá oferecer a oportunidade de mais uma vez darmos ao mundo um novo passo para o seu avanço civilizacional e de conhecimento.
Tal como é também uma oportunidade para que os conhecimentos técnicos, de organização, inovação e criatividade, das instituições portuguesas, Marinha, Instituto Hidrográfico, centros de I&D, entre outras, possam ser reconhecidos e valorizados internacionalmente.
Por tudo isto era bom que o governo português apoiasse esta ação de política pública de forma determinante e consistente, através do financiamento e disponibilização dos meios e recursos necessários à sua rápida materialização.
Protelar o conhecimento amplo e preciso do território nacional marítimo pelos cidadãos é limitar-lhes o acesso a parte da sua identidade e propriedade.

Autor: Abílio Martins Ferreira

Baleia que deu à costa no Litoral Alentejano foi enterrada na praia

A baleia que tinha dado à costa nas Areias Brancas, praia da freguesia de Vila Nova de Santo André, concelho de Santiago do Cacém e que posteriormente devido a vários factores foi localizada posteriormente já na praia da Costa do Norte no concelho de Sines, foi enterrada nessa mesma praia. A decisão foi tomada pela Câmara Municipal de Sines, pela Autoridade Maritima e pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas depois de terem analisado todas as possibilidades  e pela dificuldade de remoção da carcaça por dificulfade nos acessos. Nenhum dos intervenientes emitiu comunicado sobre todo este processo. Não foi a primeira baleia morta a surgir nas praias do Litoral Alentejano, tendo surgido a primeira, na passada semana, no dia 18 de Abril na praia do Burrinho na zona de Porto Covo, tendo ainda no decorrer nesta semana sido detectados outras duas baleias mortas em Aljezur e Esposende.