MSC Ambra: Sines recebeu o maior porta-contentores do Mundo.

O Terminal de Contentores do Porto de Sines – Terminal XXI, recebeu no passado sábado, 29 de Fevereiro, a escala do MSC Ambra, o maior navio do Mundo em operação comercial no segmento da carga contentorizada.
Pertencente à nova geração de navios porta-contentores, o MSC Ambra tem uma capacidade de 23.756 TEU (twenty-foot Equivalent Unit, medida-padrão utilizada para calcular o volume de um contentor, unidade equivalente a 20 Pés), 400 metros de comprimento fora-a-fora, 61,5 metros de boca e um calado de 16,5 metros.
“Para além de uma maior capacidade, esta nova classe de navios destaca-se por ser mais eficiente e sustentável em termos ambientais, oferecendo uma maior estabilidade e segurança na navegação”, diz fonte institucional do Porto de Sines.

Recepção de megacarriers

Vocacionado para a recepção de megacarriers, o Terminal de Contentores de Sines – Terminal XXI, oferece fundos de -17m ZH e equipamento de última geração que lhe permitirá operar navios da classe do MSC Ambra, com 24 fiadas de contentores.
De lembrar ainda que estão em curso a obras de expansão do Terminal XXI, um investimento totalmente privado a cargo da concessionária PSA Sines, que duplicará a capacidade da infra-estrutura para 4.1M TEU, com uma frente de cais de 1.750m que lhe permitirá operar, em simultâneo, quatro megacarriers da classe do MSC Ambra.

Terra com 1,5 mil milhões de anos só tinha água, não existia nenhum continente

Com a evolução das tecnologias, alguns dados que foram concluídos no passado podem ser actualizados e totalmente reescritos. Segundo um estudo agora apresentado, sugere que a Terra, há 3,24 mil milhões de anos, era um planeta coberto por água, era um vasto oceano e não tinha nenhum continente.
Análises mais recentes confirmam que os químicos nas rochas insinuam um mundo sem continentes.

Como seria a Terra com 1,5 mil milhões de anos?

Um estudo levado a cabo por investigadores de ciências geológicas da Universidade do Colorado, refere que há fortes suspeitas de uma ausência de continentes quando a Terra tinha 1,5 mil milhões de anos. Segundo os dados apresentados, os continentes apareceram mais tarde, quando a actividade tectónica das placas empurrou enormes massas de terra rochosas para cima e fez romper as superfícies do mar.
As provas que encontraram, são pistas que referem uma Terra primitiva onde todo o planeta era aquático. Uma dessas peças estudadas foi um pedaço preservado de um antigo fundo marinho, agora localizado na região interior do noroeste da Austrália.
Há cerca de 4,5 mil milhões de anos, colisões de alta velocidade entre poeira e rochas espaciais formaram o começo do nosso planeta. O nosso planeta era uma esfera de magma borbulhante e derretida que tinha milhares de quilómetros de profundidade. A Terra arrefeceu enquanto girava; eventualmente, após 1000 a 1 milhão de anos, o magma arrefecido formou os primeiros cristais minerais na crosta terrestre.

E como chegou a água ao nosso planeta?

A primeira água da Terra pode ter sido carregada para cá por cometas ricos em gelo vindos de fora do nosso sistema solar. Outra explicação plausível refere que esta água pode ter chegado em pó a partir da nuvem de partículas que deu origem ao sol e os seus planetas em órbita, por volta da época da formação da Terra.
Quando a Terra era um oceano de magma quente, o vapor de água e os gases escapavam para a atmosfera.
Em seguida, choveu para fora da atmosfera quando as condições ficaram frias o suficiente.
Reforçou o autor principal do estudo, Benjamin Johnson, professor assistente do Departamento de Ciências Geológicas e Atmosféricas da Universidade Estadual de Iowa.
Não podemos realmente dizer qual foi a fonte da água a partir do nosso trabalho, mas sugerimos que qualquer que seja a fonte, ela estava presente quando o oceano de magma ainda estava por perto.
Explicou Johnson ao Live Science.

Estudo centrou-se num local geológico chamado Panorama

No novo estudo, Johnson e o co-autor Boswell Wing, professor associado de ciências geológicas da Universidade do Colorado Boulder, voltaram-se para a paisagem única do Panorama no território interior australiano. Segundo o investigador, o seu cenário rochoso preserva um sistema hidrotérmico de 3,24 mil milhões de anos, e regista toda a crosta oceânica desde a superfície até o motor térmico que impulsionava a circulação.
Então, os isótopos de oxigénio, as diferenças encontradas, podem ajudar os cientistas a descodificar as mudanças na temperatura do antigo oceano e no clima global.
Isótopo natural estável de oxigénio pode explicar muita coisa
No entanto, os cientistas descobriram algo inesperado através da sua análise de mais de 100 amostras de sedimentos. Nesse sentido, foi descoberto que há 3,2 mil milhões de anos, os oceanos continham mais oxigénio-18 do que oxigénio-16 (este último é mais comum no oceano moderno).
Assim, os seus modelos de computador mostraram que, em escala global, as massas terrestres continentais removiam o oxigénio-18 dos oceanos. Na ausência de continentes, os oceanos transportariam mais oxigénio-18. Como resultado, o estudo descobriu, avaliando as indicações dos dois isótopos de oxigénio, que, na altura, não havia continentes.
Este valor é diferente do oceano moderno de uma forma que pode ser explicada mais facilmente pela falta de crosta continental emergente
Referiu Johnson.
A perspectiva de um antigo mundo aquático Terra também oferece uma nova perspectiva sobre outra questão intrigante: onde é que as primeiras formas de vida do planeta apareceram e como é que elas evoluíram? Foram questões também deixadas no estudo.
Há dois grandes campos para a origem da vida: fontes hidrotermais e lagoas em terra. Se o nosso trabalho é preciso, significa que o número de ambientes em terra para a vida emergir e evoluir foi realmente pequeno ou ausente até algum tempo depois de 3,2 mil milhões de anos.
Concluiu Johnson.
As descobertas foram publicadas online a 2 de março na revista Nature Geoscience.

Cratera gigante na Alemanha pode revelar segredos do antigo oceano de Marte

O estuda de uma cratera gigante, localizada no sul da Alemanha, pode ajudar os cientistas a determinar quais eram as condições ecológicas de Marte há mil milhões de anos, podendo revelar “segredos” do seu antigo oceano.
Trata-se de Nördlingen Ries, uma formação geológica com 26 quilómetros de diâmetro que foi criado pelo impacto de um meteorito há 15 milhões de anos, tal como explicam os cientistas no novo estudo recentemente publicado na revista Science Advances.
No passado distante, a cratera continha água líquida e a análise de isótopos de hidrogénio preservados nas suas rochas permitiu determinar algumas das características químicas mais importantes deste antigo corpo de água: o potencial de hidrogénio (pH) e a sua basicidade (propriedade que um corpo tem de servir de base a uma combinação).
“As amostras analisadas da cratera de Ries têm proporções de isótopos de nitrogénio que são melhor explicar por um pH elevado. Além disso, os minerais nos sedimentos antigos dizem-nos que a alcalinidade era também muito alta”, explicou Eva Stüeken, uma das cientistas envolvidas na investigação, citada em comunicado da Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos
Um estudo semelhante sobre as rochas de Marte, sustentam os cientistas citados pela Russia Today, poderia explicar o mistério do oceano marciano que, de acordo com uma hipótese científica, cobriu o Planeta Vermelho há milhões de anos.
“Para que o planeta aqueça o suficiente para ter água líquida à sua superfície, a sua atmosfera precisou, muito provavelmente, de uma quantidade enorme de gases de efeito de estufa, especificamente dióxido de carbono”, explicou Chris Tino, co-autor do estudo.
Uma presença tão elevada de dióxido de carbono teve de se reflectir nas águas do antigo Marte, que tiveram que combinar um pH moderado com uma alta basicidade. O método agora desenvolvido pelos cientistas poderá vir a ajudar a avaliar essas características com base que, no futuro, chegarão do Planeta Vermelho.

“Antes deste estudo, não era claro que algo tão simples como os isótopos de nitrogénio pudessem ser utilizados para estimar o pH das águas antigas de Marte”, resumiu Tino.

Novo símbolo da poluição no oceano chama-se “eurythenes plasticus”

Cientistas descobriram uma nova espécie de crustáceo na Fossa das Marianas, o ponto mais profundo dos oceanos, que baptizaram como ‘Eurythenes plasticus’, em referência à contaminação por plástico detectada em alguns exemplares.
A nova espécie de anfípode – Ordem de crustáceos que inclui, por exemplo, a comum pulga-do-mar – foi encontrada por investigadores da Universidade de Newcastle, Reino Unido, a 6.900 metros de profundidade na Fossa das Marianas (que tem uma profundidade máxima de quase 11.000 metros), no Oceano Pacífico, entre o Japão e as Filipinas.
A descoberta, que é publicada na revista científica “Zootaxa”, foi divulgada pela organização ambientalista Associação Natureza Portugal (ANP), associada da organização internacional World Wide Fund for Nature (WWF).
“Os investigadores nomearam oficialmente a espécie ‘Eurythenes plasticus’, referindo-se ao plástico que ingeriu. No seu corpo encontraram ‘tereftalato de polietileno’ (PET), uma substância encontrada numa grande variedade de itens domésticos de uso comum, como garrafas de água e roupas de ginástica”, refere a ANP em comunicado.
Citado no comunicado da ANP, o diretor do programa marinho da WWF Alemanha, Heike Vesper, afirma que “a espécie recém-descoberta mostra-nos o quão abrangentes são as consequências da nossa utilização excessiva e fraca gestão de resíduos plásticos”.
“Existem espécies que vivem nos lugares mais profundos e remotos da Terra que já ingeriram plástico antes mesmo de serem conhecidas pela humanidade. Os plásticos estão no ar que respiramos, na água que bebemos e agora também nos animais que vivem longe da civilização humana”, sublinhou.
Poluição por plástico decompõe-se espalhando-se pelos oceanos
Também citado no comunicado, o chefe da missão de investigação da Universidade de Newcastle, Alan Jamieson, referiu que a escolha do nome para a nova espécie pretende ser um alerta para a necessidade de medidas que impeçam o “dilúvio de resíduos plásticos” nos oceanos.
O comunicado recorda o trajecto da poluição por plástico, que passa por taxas reduzidas de reciclagem, a exportação de resíduos para o sudeste asiático e o encaminhamento para aterros ou queimas, chegando a rios e oceanos.
“Uma vez na água, a poluição por plástico decompõe-se em microplásticos e nanoplásticos, espalhando-se pelos oceanos, onde é ingerido por animais marinhos como o ‘E. Plasticus’”, refere o comunicado.
Ainda assim, nem todos os exemplares da nova espécie que foram recolhidos pelos cientistas apresentam sinais de contaminação, o que para a ANP é um indicador de esperança e de alerta para a necessidade de proteger animais marinhos, os seus habitats, a cadeia alimentar e, consequentemente, a saúde humana.
O comunicado da ANP recorda a iniciativa da WWF em prol de um acordo global juridicamente vinculativo sobre a redução do desperdício de plásticos, melhoria da gestão de resíduos e medidas para travar o encaminhamento de plásticos para os oceanos, tendo lançado uma petição pública já assinada por 1,6 milhões de pessoas em todo o mundo.

Coronavírus pode provocar rombo de 6 milhões de TEU nos portos chineses neste 1º trimestre

Avança a Revista Cargo, que os
volumes de carga contentorizada nos portos chineses poderão sofrer um impacto
negativo de cerca de seis milhões de TEU no primeiro trimestre do presente ano,
tudo devido à ameaça – cada vez mais global – do coronavírus. Recorde-se que os portos chineses permanecem abertos ao
comércio, com excepção dos de Wuhan (foco do surto), que movimentaram 1,7
milhão de TEU em 2019.
Quem
o diz é a consultora Alphaliner:
os receios cada vez maiores de uma epidemia generalizada podem afectar
duramente a movimentação de carga contentorizada, a reboque de uma constrição
nos volumes movimentados devido à disseminação do vírus que já matou cerca de
400 pessoas.
Explica a Alphaliner que uma combinação dos
feriados prolongados do Ano Novo Lunar, numa tentativa de retardar a propagação
do coronavírus, aliada às chamadas 
blank sailings  (cancelamentos ou adiamentos de escalas) por parte das
transportadoras marítimas de contentores, poderá mesmo resultar numa queda
estimada de 6 milhões de TEU nos volumes dos portos chineses, incluindo Hong
Kong.
«O impacto total do surto de
coronavírus chinês nos volumes de contentores não será totalmente mensurável
até à altura em que os portos anunciarem seus números de produtividade no
primeiro trimestre, mas os dados recolhidos nas chamadas semanais de navios
porta-contentores nos principais portos chineses mostram já uma 
redução de mais de 20% desde 20 Janeiro», adianta a Alphaliner no seu
mais recente relatório semanal.

Encontrado famoso navio que desapareceu misteriosamente no Triângulo das Bermudas há 95 anos.

Os destroços de um navio que desapareceu misteriosamente no Triângulo das Bermudas há 95 anos foram descobertos na costa da Florida, nos Estados Unidos.
O SS Cotopaxi – um navio mercante norte-americano – deixou Charleston, na Carolina do Sul,em 29 de novembro de 1925, carregado com carvão. Porém, o navio desapareceu sem deixar rasto antes de chegar ao seu destino final, Havana, em Cuba.
O destino do Cotopaxi e das 32 pessoas a bordo há muito tempo que intrigava os especialistas e o desaparecimento do navio tornou-se uma das histórias famosas associadas à lenda do Triângulo das Bermudas – uma região notória do oeste do Oceano Atlântico Norte, onde vários navios e aeronaves terão desaparecido em circunstâncias estranhas.
“O Cotopaxi estava numa viagem de rotina. Estava empregada no comércio de carvão e, portanto, essa foi apenas mais uma viagem no final de novembro de 1925. Sabemos, que nessa viagem, algo aconteceu”, disse, em declarações ao Newsweek, o biólogo marinho e explorador subaquático Michael Barnette. “Nunca encontraram destroços. Nunca encontraram botes salva-vidas, corpos ou alguma coisa. A embarcação simplesmente desapareceu após esse ponto”.
Agora, após quase um século de incerteza e especulação, Barnette e os seus colegas dizem que localizaram os destroços a cerca de 55 quilómetros da costa de Santo Agostinho, na costa nordeste da Florida. A descoberta é revelada num episódio de Shipwreck Secrets, uma nova série do Science Channel que começa no próximo mês.
A busca pelos destroços começou a milhares de quilómetros do Triângulo das Bermudas, em Londres, na Inglaterra. Barnette entrou em contacto com o historiador britânico Guy Walters e pediu que vasculhasse os arquivos do Lloyd’s of London, que contém documentos de seguro relacionados com a fatídica viagem do navio.
Durante sua busca, Walters conseguiu descobrir evidências de que o Cotopaxi tinha emitido um sinal de socorro em 1º de dezembro de 1925 – uma informação importante que os historiadores não conheciam anteriormente. “Muitas vezes, é mais importante gastar mais tempo nos arquivos do que na água”, disse Walters, ao Newsweek.
De acordo com os documentos, os sinais de socorro foram captados em Jacksonville, Florida, colocando o navio nas proximidades do chamado Bear Wreck – localizado na costa de Santo Agostinho – que confunde especialistas há décadas. As águas da costa de Santo Agostinho estão repletas de naufrágios dos séculos XVI e XVII. O Bear Wreck destaca-se porque parece ser do final do século XIX ou início do século XX e está localizado muito mais longe da costa do que a maioria dos outros naufrágios mais antigos. O nome verdadeiro do navio e a razão pela qual afundou há muito que permanecem um mistério.
Barnette e o seu parceiro de mergulho Joe Citelli decidiram realizar uma série de mergulhos a fim de procurar um artefacto que pudesse ligá-lo ao Cotopaxi. Queriam encontrar um objeto com o nome da embarcação – algo normalmente encontrado no sino dos navios. No entanto, essas descobertas são raras e os mergulhadores não encontraram o que procuravam, uma vez que os destroços estão cobertos por grandes quantidades de areia.
Depois, Barnette entrou em contacto com Al Perkins, um mergulhador que explora o Bear Wreck há mais de três décadas, colhendo inúmeros objetos. Um deles parecia fornecer uma pista das origens dos destroços. Era uma válvula que tinha sido fabricada por uma empresa a cerca de 20 quilómetros de onde o Cotopaxi foi construído, em Ecorse, Michigan.
Barnette realizou mais mergulhos para fazer medições do naufrágio do Bear Wreck, que foram comparados aos planos originais do Cotopaxi. A equipa descobriu que características como o comprimento da embarcação e as dimensões das caldeiras – correspondiam às medidas.
Por fim, Barnette recebeu uma informação de Walters: o historiador encontrou documentos de uma ação legal de famílias de alguns dos tripulantes desaparecidos contra o operador do Cotopaxi. As famílias argumentaram que o navio não estava em condições de navegar e não era adequado às condições adversas do oceano.
Nos documentos, o presidente da empresa respondeu que a única razão pela qual o navio afundou foi porque tinha sido apanhada numa grande tempestade na costa da Florida, atestada por registos climáticos históricos no dia em que o Cotopaxi enviou sinais de socorro.

O presidente da empresa relatou as últimas coordenadas conhecidas do Cotopaxi, colocando o navio a 38 quilómetros ao norte do Bear Wreck. Esta foi a peça final do quebra-cabeça que ligava o Cotopaxi ao Bear Wreck. Dado que uma tempestade atingiria a área no dia seguinte e as evidências dos documentos legais que indicavam que o navio não estava em condições de navegar, os investigadores pareciam ter descoberto uma possível explicação para o naufrágio do navio.
A equipa acredita que as coordenadas finais, o sinal de socorro enviado do navio no dia seguinte e os registos históricos sobre uma tempestade são mais uma evidência para mostrar que o Bear Wreck é o local onde Cotopaxi se afundou.
Barnette acrescentou ainda que explicações paranormais para o desaparecimento de navios e aeronaves no Triângulo das Bermudas desviam os especialistas do que é realmente importante.
Estima-se que, nos últimos 100 anos, o misterioso “Triângulo das Bermudas” tenha provocado a destruição de 75 aviões e afundado centenas de barcos e navios – provocando mais de mil mortes. Em média, 5 aviões continuam a desaparecer na região todos os anos.
Ao longo dos anos, foram avançadas várias teorias para explicar o mistério. A mais recente teoria foi avançada em 2016 por um grupo de meteorologistas segundo os quais a culpa dos desaparecimentos será da presença de “nuvens hexagonais” que podem originar ventos muito fortes ou “bombas de ar” capazes de destruírem ou afundar navios e aviões.
No passado, entre outras teorias, atribuiu-se o mistério a bolhas de gás metano do fundo do oceano, campos magnéticos, ondas gigantes, ou a explicações mais metafísicas, como dimensões alternativas, universos paralelos ou raptos por extraterrestres.

Siemens vai construir maior tomada elétrica para navios

A Siemens vai construir a maior tomada eléctrica para navios da Alemanha, no porto de Kiel, uma iniciativa que vai permitir a redução potencial de mais de oito mil toneladas de emissões de CO2 por ano e menos ruído enquanto os navios estão atracados.
“O porto de Kiel, na Alemanha, acaba de adjudicar à Siemens a construção de um sistema de fornecimento de energia em terra para navios, o maior projecto da Alemanha nesta área até hoje. Com uma potência de 16 MVA, a solução ‘Siharbor’ permite, pela primeira vez, o fornecimento de energia ‘verde’ certificada a dois navios, em simultâneo, o que reduzirá as emissões anuais de CO2 [dióxido de carbono] em mais de oito mil toneladas”, adianta um comunicado da Siemens.
De acordo com esse documento, “espera-se que o sistema entre em fase de teste ainda na temporada de cruzeiros de 2020 e que, no futuro, 60% da procura de energia por parte dos navios que entram em Kiel seja satisfeita por esta via, sendo os geradores a diesel desligados enquanto os navios estiverem atracados”.
“O transporte marítimo tem um papel preponderante em Kiel, tal como em muitas cidades portuguesas, já que o porto é o ponto de partida e chegada para muitos cruzeiros e dispõe de várias ligações de ‘ferry’ para os estados bálticos e para a Escandinávia – em 2018, 32 navios de cruzeiro fizeram 174 escalas neste porto”, adianta o mesmo comunicado.
A Siemens recorda que, segundo o estudo da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E), de dezembro do ano passado, os navios que atracaram nos portos da União Europeia emitiram, em 2018, mais de 139 milhões de toneladas de CO2.
“Ainda segundo este estudo, as emissões de CO2 dos navios atracados em portos portugueses, durante 2018, foram maiores que as emissões produzidas pela totalidade da frota de automóveis existente nas oito maiores cidades de Portugal, em 2013”, destaca o referido comunicado da Siemens.
Para Fernando Silva, Director geral da Smart Infrastructure da Siemens Portugal, “projectos como este podem ter consequências reais e efectivas não só na descarbonização e no cumprimento de metas ambientais internacionais, como na estabilidade e crescimento sustentável de sectores tão relevantes para a economia de muitos países, como são o transporte marítimo e o turismo”.
O porto de Kiel tem já em funcionamento um sistema de energia em terra, instalado pela Siemens, no terminal Norwegenkai, que já ajudou a reduzir as emissões de CO2 em cerca de mil toneladas.
A solução agora adjudicada à Siemens, com carga simultânea através da ‘tomada eléctrica Siharbor’ “inclui uma subestação com quatro transformadores secos, quatro quadros eléctricos de média tensão isolados a ar e um conversor de frequência de 16 MVA”.

E se os tubarões desaparecessem: como seria a vida nos oceanos?

Os tubarões são grandes predadores dos mares e representam uma magnífica história de sucesso na sua evolução. Eles nadaram pelos oceanos por mais de 400 milhões de anos e se diversificaram por rios e lagos também. Hoje, existem cerca de 500 espécies conhecidas e provavelmente há muitas outras que ainda não foram descobertas. Mas como seria a vida nos oceanos se os tubarões desaparecessem?
Esses animais podem ser enormes, como o tubarão-baleia (Rhincondon typus), ou pequenos igual a mão humana, como o tubarão de bolso (Mollisquama parini). Entretanto, o tubarão branco (Carcharodon carcharias) é o mais conhecido e desperta a atenção do público.
Tem a fama de ser agressivo com as pessoas por conta da imagem construída através de centenas de enredos do cinema. O retrato apresentado nos filmes é tão contundente que pode induzir alguns a pensar que o mundo seria se os tubarões desaparecessem.
Os tubarões vivem em diversos ecossistemas espalhados pelo planeta, incluindo habitats rasos de manguezais, recifes de coral tropical, águas geladas do Ártico e na imensidão do oceano aberto. Independentemente do local onde habitam, todos os tipos de tubarão são caçadores natos, portanto, têm extrema importância para a saúde de seus habitats, afirmou Jenny Bortoluzzi, candidata a doutorado no Departamento de Zoologia do Trinity College Dublin, na Irlanda para o portal Live Science.
Eles eliminam fracos e doentes, o que garante que os peixes permanecam saudáveis num tamanho propício para o habitat. Bortoluzzi ainda acrescenta que os tubarões ajudam a preservar o ecossistema apenas com sua presença. Os tubarões-tigre, por exemplo, afugentam tartarugas e as impedem de pastar demais na vegetação, explicou.
Além disso, a investigadora Victoria Vásquez, candidata a doutoramento do Moss Landing Marine Laboratories na Califórnia, apontou que os tubarões também contribuem no controle na produção de oxigénio nos mares, alimentando-se de peixes que devoram plâncton.
A espécie também é importante para manter a biodiversidade e saúde de ambientes recifes de coral, como aponta Toby Daly-Engel, professor assistente do departamento de ciências marinhas e Director do Shark Conservation Lab, da Florida Tech. “Caso os tubarões parem de existir, os peixinhos explodiriam na população, porque nada os come. Logo, a comida deles – plâncton, microrganismos, camarões pequenos – iria embora, e então todos os peixes pequenos morreriam de fome”, disse Daly-Engel à Live Science.
Outro papel de destaque dos tubarões para as redes alimentares oceânica, é facto de que eles servem como alimentos carnívoros marinhos. Acredita-se que grandes tubarões brancos chegaram mortos nas praias da África do Sul por terem sido vítimas de ataques de orcas.
Porém, recentemente vídeos mostraram um tubarão (Squalus clarkae) alimentando-se no fundo do Atlântico. O episódio acabou com uma garoupa devorando um dos tubarões inteiros. Até mesmo polvos comem tubarões, como é notável em um vídeo publicado pela National Geographic, no YouTube em 2009.
Melissa Cristina Márquez, bióloga e fundadora da The Fins United Initiative, afirmou para a Forbes no início do ano que os tubarões migratórios, como o tubarão-cinzento (Carcharhinus amblyrhynchos), fornecem alimento para os organismos em vários locais do oceano. Eles deixam para trás os seus excrementos ricos em nitrogénio.
Segundo o Portal Ocean do Intistuto Smithsonian, cerca 25% de todas as espécies de tubarões, patins e raias estão ameaçadas de extinção. “Como a quantidade de tubarões filhotes é pequena e eles demoram a amadurecer, os seus números não são reabastecidos com rapidez suficiente para acompanhar as perdas da pesca comercial”, contou Daly-Engel.
Bortoluzzi aponta que nos últimos dez anos, algumas populações de tubarões caíram até 90%, reflectindo uma tendência insustentável de super-exploração em habitats oceânicos. “Muitas espécies também enfrentam a perda de habitats, com áreas de refúgio, como manguezais, sendo destruídas para acomodar a nossa crescente população humana, e espaços, como fundos marinhos e recifes, são danificados por métodos destrutivos de pesca, como a pesca de arrasto”, observa.
É notório que os tubarões são fundamentais para o oceano. Entretanto, o que podemos esperar para os próximos anos deste animal? A legislação federal e os tratados internacionais, como a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens, podem ajudar a preservar populações vulneráveis.
Porém, muitas espécies são pouco compreendidas. Isto pode prejudicar os esforços de conservação, disse Michael Scholl, CEO da organização sem fins lucrativos Save Our Seas Foundation. “As instituições governamentais devem ter informações validadas para apoiar um declínio significativo dos animais, por exemplo”, disse Scholl ao Live Science.
Por conta disso, a Save Our Seas trabalha ao lado de pesquisadores marinhos para coletar dados de tubarões que podem informar as medidas de protecção necessárias; a organização sem fins lucrativos também trabalha para aumentar a conscientização pública sobre a diversidade de tubarões e sua importância para seus ecossistemas marinhos, disse Scholl.
A extinção da espécie é capaz de trazer impactos graves para a vida marinha. Portanto, se o tubarão desaparecesse, a situação afectaria não apenas o mar, mas também o homem.  “A pesca pode entrar em colapso, com os pescadores artesanais sendo os mais afectados, e os destinos turísticos populares que contam com os bichos para atrair turistas também sofrerão muito”, disse Bortoluzzi. “É importante entender que, tanto quanto nossos oceanos precisam de tubarões, nós também”, concluiu.

.A acidificação dos oceanos está a levar os ecossistemas a territórios desconhecidos?

“O tempo está a esgotar-se”, sublinhou Carolina Schmidt, ministra chilena do ambiente e do clima, numa comunicação por vídeo antes da Conferência Climática COP25 de 2019, em dezembro último. “Não pode existir uma resposta global eficaz às alterações climáticas sem uma resposta global aos problemas do oceano”, acrescentou. Estes problemas são muito díspares, indo desde a subida do nível do mar e a perda de oxigénio até ao aumento das temperaturas da água e às alterações transversais nos ecossistemas. O relatório especial sobre o estado dos oceanos do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) revela preocupantes tendências futuras e, no ano passado, o calor nos oceanos atingiu o valor mais alto jamais registado.

A acidificação dos oceanos afecta a integridade dos ecossistemas marinhos

A acidificação dos oceanos é um fenómeno em que os oceanos se tornam mais ácidos ao absorverem cada vez mais carbono da atmosfera, carbono esse que está a aumentar devido às emissões antropogénicas. Nos últimos 200 anos, cerca de 30% dessas emissões totais foram absorvidas pelo oceano. Hoje, a água do mar absorve ainda cerca de 25% todos os anos.
A acidificação dos oceanos ocorre quando a água do mar reage com o CO2 absorvido da atmosfera, produzindo mais substâncias químicas indutoras da acidez, ao mesmo tempo que reduz o teor de minerais importantes como o carbonato de cálcio, essencial para a sobrevivência dos organismos marinhos.
A acidez superficial média dos oceanos, bastante estável ao longo de milhões de anos, aumentou em cerca de 26% nos últimos 150 anos. “A subida foi muito lenta até à década de 1950. Contudo, a partir daí, a acidificação acelerou”, afirmou o Dr. Jean-Pierre Gattuso, Director de investigação no Laboratoire d’Océanographie de Villefranche, CNRS e Universidade de Sorbonne. “Dado que as emissões de CO2 antropogénicas são a principal causa da acidificação, as projecções futuras dependem dos seus níveis. Num cenário “business as usual”, a acidificação dos oceanos pode sofrer um aumento adicional de 150% até 2100″, acrescentou o Dr. Gattuso.
Com 95% da camada oceânica próxima da superfície afectada pela queda do pH, os efeitos da acidificação estão a sentir-se cada vez mais em todo o mundo numa vasta gama de ecossistemas marinhos. “O mundo parece estar a ficar obcecado com o que está a acontecer em terra e na atmosfera, não se apercebendo de que a vida na Terra depende totalmente do oceano, que alberga 98% das espécies do planeta”, afirmou o Dr. Dan Laffoley, Vice-Presidente para o Mar da Comissão Mundial para as Áreas Protegidas da IUCN, e assessor principal de ciências marinhas e conservação do seu Programa Marinho e Polar Global. “As previsões [sobre a acidificação] em 2004, que indicavam que era algo com o qual não necessitávamos de nos preocupar até 2050 ou 2070, estão a materializar-se agora”.
A redução da quantidade de iões carbonato na água retira a um amplo conjunto de animais marinhos o material vital necessário para a criação das conchas protectoras. Os bivalves, o plâncton e os corais dos recifes são algumas das principais espécies ameaçadas, demonstram vários estudos.
Os ecossistemas dos recifes de coral tropicais ocupam menos de 0,1% do leito oceânico. No entanto, entre 1 e 9 milhões de espécies vivem neles ou nas suas imediações. Com os cientistas a preverem a redução de carbonato de cálcio até ao final do século, reduzindo a metade as suas concentrações pré-industriais nos trópicos, receia-se que os corais passem de um modo de criação a um de dissolução. Mesmo que a sua quantidade não diminua, a acidificação dos oceanos por si só pode reduzir a densidade dos seus esqueletos em 20% até 2100. A acidificação enfraquece os recifes, os quais enfrentam outras pressões das ondas de calor indutoras da lixiviação, bem como da actividade económica. “Estamos a enfraquecer os seus mecanismos de reparação”, diz o Dr. Laffoley. Nos próximos 20 anos, avisam os cientistas, é provável que os recifes de coral se degradem rapidamente, ameaçando o modo de vida de 500 milhões de pessoas que deles dependem para obter alimentos, protecção costeira e rendimento.
A acidificação afecta também os corais de águas profundas como os do Atlântico Norte, pontos fulcrais de biodiversidade e habitats fundamentais para milhares de espécies, incluindo algumas com interesse comercial como os camarões, as lagostas, os caranguejos, as garoupas e os pargos. “Os seus esqueletos estão a sofrer uma erosão, exactamente como a osteoporose enfraquece o nosso corpo”, afirmou o Dr. Laffoley.

Um fenómeno ainda não inteiramente compreendido

“Existem observações da forma como a acidificação dos oceanos afecta determinadas espécies”, afirmou a Dra. Helen Findlay, oceanógrafa biológica do Plymouth Marine Laboratory (PML), que recorre aos dados e à infraestrutura do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copernicus (C3S) para estimar a acidez passada e futura dos oceanos. Estes impactos estão mais frequentemente associados a regiões oceânicas onde as águas profundas, que tendem naturalmente a ser mais ácidas, atingem a superfície e aumentam regionalmente a acidificação, explica a Dra. Findlay. Por exemplo, as águas ácidas danificam ou dissolvem as conchas dos caracóis marinhos planctónicos, alimentos importantes para peixes como o salmão.
Contudo, existem estudos que demonstram que as espécies podem reagir de formas mistas. Algumas podem beneficiar da acidificação, e também do aquecimento dos oceanos, tornando-se cada vez mais predadoras de outras espécies, afirmam especialistas do IPCC. Nos ecossistemas, as algas marinhas microscópicas, ou fitoplâncton, alimento básico de muitas cadeias alimentares marinhas, poderão sofrer ou florescer em água do mar mais ácida. Os dados de satélite sobre a cor oceânica do Serviço de Monitorização do Meio Marinho Copernicus podem proporcionar uma perspectiva mais detalhada sobre a absorção do CO2 pelo oceano e a forma como a cadeia alimentar marinha pode reagir.
“O projecto Sistema de Informação Sectorial (SIS) para o Mar, a Costa e as Pescas (MCF) do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copernicus (C3S) produziu uma série de indicadores de impacto do clima no ambiente marinho, incluindo alguns relevantes para a acidificação do oceano, além de uma série de ferramentas que demonstram a forma como os indicadores podem ser usados em aplicações marinhas”, afirmou o Dr. James Clark, investigador principal no PML. “Um importante objectivo do projecto é criar um conjunto de produtos que apoiem as estratégias de adaptação às alterações climáticas e as políticas de atenuação europeias. Os indicadores do projeto C3S-MCF estão a ser incorporados na Climate Data Store do C3S, esperando-se que sejam disponibilizadas para uso nas próximas semanas”.

O que acontece com a biodiversidade

Os efeitos do mesmo fenómeno podem manifestar-se de forma diferente em função da região. Em meados da década de 2000, a costa do Pacífico Noroeste dos EUA começou a assistir a mortes em massa de ostras em viveiros, com as suas larvas a serem afectadas por águas acidificadas; a vital indústria costeira do marisco foi gravemente afectada. No Canadá, os cientistas preveem que a acidificação da costa do Pacífico dê origem a uma quantidade crescente de algas tóxicas nocivas para o marisco e que afecta até os peixes e as aves e mamíferos marinhos. É por eles também encarado que uma espécie de algas letais para os peixes possa ganhar mais terreno em águas ácidas, ameaçando a aquacultura local do salmão.
Na Europa, prevê-se que sejam os produtores de grandes moluscos nas costas atlânticas como a francesa, a italiana, a espanhola ou a do Reino Unido, os mais prejudicados pelos impactos da acidificação até ao final do século. Os dados do Serviço de Monitorização do Meio Marinho Copernicus, que integraram recentemente o pH da água nos seus indicadores de monitorização oceânica, estão a ser usados pelos investigadores para uma melhor compreensão da evolução da acidificação nas águas europeias.
Os efeitos da acidificação no Ártico também preocupam os cientistas, prevendo alguns deles que as suas águas perderão as substâncias químicas produtoras de conchas até à década de 2080. Ainda assim, existem apenas medições dispersas da acidificação oceânica no Ártico, refere o Dr. Gattuso, devido à dureza das condições em que os estudos são realizados. “O que sabemos de facto é que as águas do Ártico são naturalmente mais ácidas, pois o CO2, como todos os gases, dissolve-se mais rapidamente em água fria. Receamos que, em cerca de 10% da superfície do Oceano Ártico, o pH seja tão baixo que a água se torne corrosiva para organismos com conchas”, afirmou o Dr. Gattuso.
“O problema é que estamos, na verdade, a fomentar problemas alterando a funcionalidade do oceano”, afirmou o Dr. Laffoley, que sublinha que a combinação de acidificação, aquecimento oceânico e perda do oxigénio da água estão a enfraquecer o sistema na sua globalidade, com consequências mal compreendidas. “A escala e a quantidade de carbono e calor que estão a entrar no oceano são simplesmente estonteantes. É um problema cuja resolução estamos a adiar, em vez de o atacar.”

É possível inverter o impacto da acidificação nos ecossistemas

“Já estamos envolvidos na acidificação dos oceanos até aos níveis actuais e mais além com as quantidades de CO2 emitidas”, afirmou a Dra. Findlay. “A única abordagem com resultados certos é a atenuação das emissões de CO2”, afirmou o Dr. Gattuso. “Será preciso muito tempo para voltarem ao nível pré-industrial, mas podemos parar a acidificação dos oceanos”.
A ciência está a explorar soluções, mas os seus efeitos nos ecossistemas e processos oceânicos não são ainda totalmente compreendidos. Algumas soluções para as alterações climáticas baseadas nos oceanos não envolvem directamente a acidificação oceânica; outras podem não ser muito eficientes a aprisionar o carbono. Contudo, “está a decorrer investigação adicional para determinar como podemos usar microalgas, pradarias de ervas marinhas, mangais e outros para armazenar o carbono, e também para reduzir localmente a pressão da acidificação oceânica”, disse a Dra. Findlay.
A adaptação da indústria pesqueira para reduzir as pressões sobre os ecossistemas pode também proporcionar uma forma de viver com a acidificação do oceano. Por exemplo, o C3S e o PML estão a combinar o que os modelos dizem sobre os efeitos potenciais das alterações climáticas nos mares europeus com informações sobre as espécies para prever a forma como as reservas de peixe podem mudar e como as indústrias e as pessoas que dependem das pescas têm de se adaptar. “Os dados do C3S serão usados para identificar áreas de oportunidade, tais como o aumento do número de algumas espécies de peixes, bem como os riscos como o declínio das reservas piscícolas”, comentou o Dr. Clark. “Em resultado, o sector poderá atenuar os efeitos das alterações climáticas planeando práticas piscatórias sustentáveis”.
A identificação das áreas oceânicas que exigem conservação urgente poderá também ajudar os ecossistemas a atenuar a acidificação. Os especialistas têm vindo a mapear os ecossistemas marinhos críticos para identificar onde é vantajoso criar ou alargar áreas protegidas. “Poderão existir locais onde aliviemos essa pressão, dando às áreas oceânicas a melhor esperança de vencer os desafios que enfrentam enquanto tentamos reduzir as emissões de CO2”, comentou o Dr. Laffoley.

A bordo da Sagres está a avaliar-se a saúde dos oceanos.

Com
mais de um mês e meio de viagem cumpridos, o navio-escola Sagres está quase a
atracar no porto de Montevideu, no Uruguai, uma das muitas paragens na viagem
de 371 dias que 
percorre os caminhos da viagem
da circum-navegação de Fernão de Magalhães, há 500 anos. Numa época
em que já não se procura inaugurar rotas à volta do mundo, a viagem tem outras
novidades para oferecer: é a primeira vez que leva a bordo dois investigadores
que vão desenvolver projectos de monitorização de lixo marinho e de microplásticos
e recolher dados para se perceber melhor a interacção entre o espaço, a
atmosfera e os oceanos.
O
navio já atravessou o Atlântico e os trabalhos de recolha de dados para os dois
projectos de investigação já começaram, mas só na tarde desta sexta-feira é que
os ministros da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, e o ministro do Ambiente
e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, assinaram os protocolos que
garantem um financiamento de 200 mil euros aos trabalhos de investigação
científica em curso a bordo da Sagres, 
através do Fundo Ambiental.
No
diário de bordo do navio, que vai sendo actualizado com regularidade na página
da internet da Sagres, percebe-se que o trabalho científico está em curso. Na
entrada de 15 de Janeiro assinalava-se que “foi lançado à água o Towfish, um
equipamento que vai ser rebocado durante vários períodos de navegação para
recolher dados do oceano para fins científicos”.
O
equipamento foi desenvolvido pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e
Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no âmbito do projecto SAIL
(Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary Layer) e é uma
componente essencial para o que é considerado “um estudo pioneiro sobre a
electricidade atmosférica e as alterações climáticas”. A explicação é do
próprio 
INESC-TEC que,
aquando da divulgação do projecto, salientava que a última medição do campo
eléctrico atmosférico a bordo de um navio de investigação aconteceu há cem
anos, com o norte-americano Carnegie.
A
30 de Janeiro, o diário de bordo do navio dava conta da actividade do outro
projecto, relacionado com a presença de microplásticos no oceano, e que é
desenvolvido em parceria com o Instituto Hidrográfico. “Diariamente, são
bombeados cerca de mil litros de água salgada, os quais são primeiramente
filtrados num peneiro com 0,05 milímetros (mm) de malha e posteriormente passados
por um filtro de 0,001 mm, onde ficam armazenados. As amostras obtidas durante
a missão vão ser conservadas, a bordo, para posteriormente serem analisadas
pela divisão de química do Instituto Hidrográfico”, lê-se.

Viagem de circum-navegação
O
facto de a Sagres estar a realizar uma viagem de circum-navegação, com passagem
marcada por zonas de difícil acesso para os investigadores, irá permitir a
recolha de informação diversificada e de origens muito diferentes. Seja no que
diz respeito aos microplásticos – havendo a expectativa que os dados recolhidos
possam contribuir para, por exemplo, mapear zonas de acumulação destes
materiais –, seja no estudo das trocas de calor e humidade entre a superfície
do oceano e a atmosfera, e a sua influência no clima.
O Ministério do Ambiente e da Acção Climática (MAAC) salienta
que “a camada limite marinha é vital para o clima terrestre devido às trocas
importantes de calor e humidade que nela ocorrem, e também pela abundância de
nuvens baixas, que têm uma influência muito significativa no clima”. Contudo,
estas nuvens são “mal representadas nos modelos climáticos actuais”, em parte,
por causa da falta de observações nos locais em que podem ser encontradas,
“dada a dificuldade de efectuar medições atmosféricas sobre o oceano”. O
projecto SAIL (que tem uma duração de três anos, estendendo-se para além do
componente da Sagres) irá permitir a produção de “um conjunto de dados
interdisciplinar único para estudos climáticos e de interacção espaço-terra a
nível regional e global”, refere o MAAC.
Antes da
partida, numa entrevista à TSF, o comandante da Sagres, Maurício Camilo,
salientava que esta era a primeira vez que a embarcação iria ser utilizada “com
plataforma para a realização de experiências científicas”, precisando que o
objectivo central de todas elas era efectuar medições. “Medir o quê? Medir a
quantidade de microplásticos na água, medir parâmetros da água e da atmosfera,
tentar apanhar alguns peixes para perceber como estão em termos de saúde, se
têm ou não os tais microplásticos. Vamos tentar medir um pouco a saúde dos
oceanos”, disse.