Barcos eléctricos a hidrogénio? Noruega vai ter gigafábrica de fuel cells

 

A Teco 2030 quer colocar a Noruega no mapa da produção em massa de células de combustível a hidrogénio para uso marítimo e diz ter uma solução equivalente ao diesel que ocupa menos espaço e não polui.

A Noruega, cuja economia e o elevado nível de vida dos seus cidadãos dependem fortemente das exportações de petróleo, foi o país europeu que mais cedo aderiu à mobilidade eléctrica nas quatro rodas. Agora que se sabe que o esforço que a indústria automóvel teve e tem de fazer para abdicar dos combustíveis fósseis deverá ser alargado a outros meios de transporte, os noruegueses vão apostar numa fábrica de células de combustível a hidrogénio, com uma tecnologia especificamente desenvolvida para embarcações eléctricas de grandes dimensões.

O anúncio foi feito pela empresa Teco 2030, segundo a qual Narvik, no norte do país, vai converter-se no centro da produção em massa de fuel cells na Noruega, quando colocar em funcionamento uma antiga fábrica de células fotovoltaicas, que vai ser alvo de obras a fim de ser readaptada ao novo negócio.

A companhia promete a criação de até 500 postos de trabalho, quando a fábrica estiver completamente operacional, e uma capacidade de produção de 1,2 GWh de energia em células a combustível de hidrogénio “verde”, com recurso a módulos de 400 kW, que depois serão agrupados em packs de três, fornecendo com isso 1,2 MW (cerca de 1.632 cv), o equivalente a um motor a gasóleo já de dimensões respeitáveis, mas ocupando muito menos espaço e sem poluir. O que ainda é mais relevante por, conforme foi comunicado, essas células de combustível a hidrogénio se destinarem a embarcações de grande porte, inclusivamente cargueiros, podendo associar-se entre si para atingir os 50.000 cv necessários para deslocar um superpetroleiro.

“O transporte marítimo é conhecido por ser uma fonte significativa de gases de efeito estufa e emissões de partículas”, refere a Teco, sublinhando que a indústria marítima “precisa de reduzir drasticamente as emissões”. Recorde-se que a Organização Marítima Internacional fixou como meta reduzir as emissões registadas em 2008 em 40% até 2030 e em 70% até 2050, pelo que a Teco considera que a rota da descarbonização no transporte marítimo terá de passar necessariamente pelo hidrogénio. “A célula a combustível de hidrogénio é hoje a forma mais eficiente de produzir energia eléctrica a bordo”, argumenta a companhia, realçando depois as vantagens do seu sistema modular de fuel cells.

Atlantis: projecto pioneiro transforma o oceano em sala de aula

 

Os oceanos ocupam a maior parte da superfície do Planeta e são essenciais para a nossa vida e bem-estar. Além de serem reguladores do clima e fundamentais para o combate das alterações climáticas, são grandes aliados para o desenvolvimento de um futuro sustentável – a nível económico, energético e alimentar.

Face às várias ameaças provocadas pelo Homem, que têm posto em risco a sua saúde, é cada vez mais importante consciencializar as comunidades para a preservação deste meio.

É neste contexto que surge o Programa Atlantis, um projecto pioneiro português de educação ecológica subaquática que transforma o oceano em sala de aula. O Atlantis promove a Literacia do Oceano, a partir da combinação do mergulho livre com a educação ecológica e o desenvolvimento humano.

A primeira edição do projecto teve início este mês, na vila de Sesimbra, e conta com um grupo de 20 alunos do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho. Com duração prevista até junho, as aulas subaquáticas vão dar a conhecer aos mais novos os ambientes marinhos e as suas espécies, e ensinar como devem agir em defesa dos mesmos.

O Atlantis baseia-se assim em três pilares:

No jogo Oásis -“Um jogo social de mobilização de um grupo de alunos que, através dos seus talentos e de forma colaborativa, desenvolvem um projecto para implementar na própria comunidade”;

No freediving: “Iniciação ao mundo aquático através da prática de mergulho em apneia. Desenvolve várias capacidades físicas, mentais, emocionais, e permite aos alunos conhecerem melhor a biodiversidade marinha e o seu habitat, de uma forma vivencial e impactante”;

Na ecologia profunda: “Um conceito que está presente em todas as actividades e ao longo do programa. Traz a visão da interdependência de todos os seres e a noção de que não existe separação entre Natureza e seres humanos. É uma visão integrativa, que activa acções com consciência”.

Além desta vertente educativa, o programa é composto ainda por várias acções e eventos abertos à comunidade, como workshops, exposições e palestras.

“Este programa evolui da expedição Açores-Atlantis e da pesquisa da Oceans and Flow nos últimos cinco anos de actividade. Trouxemos estas pesquisas aquáticas para a sala de aula, com uma linguagem acessível e empática para os jovens, apostando nesta geração, que pode fazer a diferença no futuro. Esta é uma primeira edição que irá ter continuidade, não só em termos de capacitação de mais alunos, mas também na formação de uma rede de educadores subaquáticos, com quem queremos partilhar esta metodologia!”, explica Violeta Lapa, fundadora da Oceans and Flow e uma das educadoras subaquáticas responsáveis pela idealização do Programa.


Foto: ATLANTIS 2021 © Janna Nadjejda Guichet 4 LR

Asparagopsis. As algas made in Açores que podem salvar o planeta

 

A ideia de alimentar vacas com algas não é de agora, mas a ciência mostrou que pode reduzir a produção de metano em 82% a longo prazo. São boas notícias para quem apanha estas algas nos Açores, como a seaExpert, que vê um pico de interesse dos cientistas. Mas ainda estamos muito longe da produção em massa da Asparagopsis.


Nas profundezas do mar dos Açores, esconde-se a chave para tornar o nosso consumo massivo de carne um pouco mais sustentável. Se uma das grandes ameaças ao futuro do nosso planeta é a emissão de metano por vacas, a maioria através de arrotos, uns 5% através de flatulência, a solução pode ser a Asparogopsis taxiformis. A introdução de pequenas quantidades desta alga vermelha na alimentação das vacas diminui a produção de metano – responsável por quase 15% das nossas emissões de gases com efeito de estuda – nuns extraordinários 82%, ao longo de cinco meses, verificou um estudo publicado na Plos One, a semana passada. No futuro, talvez possamos encontrar no supermercado carne de vaca certificada como sendo alimentanda com algas, à semelhança de produtos biológicos, ou a prática tornar-se até requisito para a produção bovina. Talvez o arquipélago dos Açores, que têm ótimas condições para estas algas e tantas vacas, lidere essa revolução alimentar. No entanto, até lá ainda há muito que caminhar, considera Artur Oliveira, diretor comercial da seaExpert, a empresa açoriana que apanhou Asparogopsis taxiformis para muitos destes estudos.

Neste momento, “muito do fornecimento existente vem de algas selvagens, que é o que faz a seaExpert, mais uma mão cheia de fornecedores”, explica Oliveira. “Mesmo que fossem explorados todos os locais onde existe esta alga, mesmo que todos espécimes selvagens fossem apanhados, não chegava para abastecer uma industria tão massiva como a produção animal, mesmo só bovina, sem falar de outros ruminantes. Nunca na vida”.

“A dificuldade é mesmo cultivar”, nota o engenheiro biológico, nascido em Guimarães mas que entretanto se apaixonou pelo mar dos Açores. “É possível produzir Asparogopsis taxiformis em aquacultura, mas não se sabe ainda como em grande escala. Ainda está em estudo, e vai demorar algum tempo”.

“Há várias dificuldades em escalar a produção de algas”, concorda Paulo Cartaxana, investigador de biotecnologia marinha e aquacultura no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro. “Uma coisa é cultivar algas em balão, em condições ultracontroladas, outra coisa é cultivar macroalgas em tanques de maiores dimensões, ou mesmo em sistema aberto”.

“O principal problema aí é controlar todos os fatores que mexem com o crescimento das algas, como a luz e os nutrientes, azoto e fósforo principalmente”, explica Cartaxana. “Algo que tem sido muito feito é utilizar as macroalgas como elemento de uma aquacultura integrada”, continua. “Ou seja, como geralmente a aquacultura de peixes causa afluentes muito ricos em nutrientes – porque se tem de adicionar farinha e os dejetos dos peixes vão para a água – estes têm de ser tratados. Mas se incluirmos na cultura um elemento de outro grupo trófico, neste caso macroalgas, elas utilizam estes nutrientes para o seu crescimento, e temos dois aspetos positivos”. Talvez seja esse o futuro da produção de Asparogopsis taxiformis – assim que a ciência perceber exatamente como o fazer.

Um trunfo Há algum tempo que havia indícios que a Asparagopsis taxiformis podia ser um trunfo no combate às alterações climáticas, havia receios. Não se sabia se, ao longo do tempo, o sistema digestivo das vacas se adaptaria à alga, voltando a produzir metano, ou se o animal ganharia peso à mesma velocidade, ou se a alga alteraria o sabor da carne e do leite. O estudo, o primeiro a larga escala, ao longo de meses e fora do laboratório, dissipou muitas dessas dúvidas.

“Agora temos provas sólidas de que as algas na dieta do gado são eficazes a diminuir os gases com efeito de estufa, que essa eficácia não diminuí ao longo do tempo”, notou Ermias Kebreab, diretor do World Food Center e professor na Universidade da Califórnia, citado pelo Guardian, acrescentando que alguns animais alimentados com algas até ganharam mais peso que o esperado.

“É preciso haver mais alguns estudos, mas consideramos que isto tem potencial”, prometeu Kebreab. Não se trata de coisa pouca. O metano pode ter um tempo de vida ligeiramente inferior ao do dióxido de carbono na atmosfera, mas é quase 30 vezes mais eficiente a capturar calor, sendo um dos grandes responsáveis pelo aquecimento global.

O segredo das algas Afinal, porque é que os bovinos são uma fonte tão grande de metano? Para começar, são muitos. Neste momento, estão a ser criados uns 1,5 mil milhões de bovinos por todo o planeta, tendo sido abatidos mais de 300 milhões em 2018, segundo dados das Nações Unidas. Depois, o processo tem tudo a ver com aquilo que torna os animais ruminantes, como bovinos e ovinos, capazes de digerir plantas que não são comestíveis para nós, como relva. Os estômagos com quatro compartimentos dos ruminantes contêm uma vasta gama de micróbios, que lhes permitem fermentar estes alimentos para retirar os nutrientes.

É aqui que surge o metano – um dos subprodutos deste processo são gases como hidrogénio e dióxido de carbono, que o corpo destes animais não consegue processar, exceto através de bactérias metanogénicas, sendo este gás expelido através de arrotos e flatulência.

Contudo, as algas do género Asparagopsis têm glândulas especializadas que produzem bromofórmio, um composto orgânico. Basta congelar, esmagar e polvilhar um pouco destas algas na comida dos bovinos – o ideal é que seja 0,5% da forragem, com 0,75% verifica-se uma ligeira diminuição no seu consumo, presumivelmente porque os animais não apreciam o sabor – e o bromofórmio bloqueia o carbono e hidrogénio no estômago, impedindo a formação de metano, criando em vez disso um lípido, algo que pode explicar o ligeiro aumento no peso do animal.

Origens antigas de soluções novas A ideia de dar algas a bovinos não é tão estranha como se poderia imaginar. Há registo de pastores da Antiga Grécia alimentarem o gado, bem como na Islândia, no séc. XVIII. Mas foi só nos anos 2000, quando Joe Dorgan, um agricultor canadiano da ilha Prince Edward, deu conta que vacas que comiam as algas que davam à costa tinham maior taxa de sucesso a dar à luz, produziam mais leite e menos inflamações nas glândulas mamárias, que a ciência começou a olhar para o assunto com mais atenção.

Dorgan, decidido a vender algas a outros agricultores, contratou Rob Kinley, então investigador na Universidade Dalhousie, na Nova Escócia, para estudá-las. Os resultados foram positivos, e Kinley até se apercebeu que estas algas diminuíam emissões de metano. “De repente, lembrei-me que, provavelmente, aí pelo mundo, andava uma alga que ainda o fazia melhor”, explicou o cientista, que desde então mudou-se para a Austrália, onde se dedica à Asparagopsis, citado pelo Washington Post.

No entanto, as vantagens de usar suplementos de alga na alimentação de bovinos não ficam por aqui. O próprio processo de cultivar algas pode ser positivo para o ambiente, porque sequestra dióxido de carbono sem gastar terreno arável, ao mesmo tempo que reduz a acidificação dos oceanos.

“Ao contrário da aquacultura de peixes, não vejo grandes desvantagens ecológicas”, considera Paulo Cartaxana. Com o senão que o uso de Asparagopsis à escala global pode causar pressão para uma aquacultura de algas intensiva.

“Claro que precisa de área, e projetos instalado em zonas ecologicamente importantes pode ter efeitos nocivos”, explica o investigador, dando como bom exemplo as produções de algas em Aveiro, que têm utilizado salinas desativadas. “E é claro que se, para potenciarmos o crescimento das algas tivermos de adicionar nutrientes, estamos a causar problemas ambientais de eutrofização”, alerta. Ou seja, pode estimular o crescimento de algas e outras plantas aquáticas à superfície da água – dando o aspeto de uma zona cheia de vida, quando abaixo da superfície quase todas as espécies estão mortas por falta de luz.

Apesar desse risco, é certo que “as algas estão finalmente a ter o seu momento na ribalta”, garantiu Halley Froehlich, bióloga marinha na Universidade da California, à National Geographic, notando que, enquanto outros escoadores de carbono são devastados pelos sintomas das alterações climáticas, como uma maior frequência nos incêndios, as florestas de algas cultivadas não ardem.

 

 

Economia do Mar: Uma década perdida.

 

Já foi certamente há pouco mais de uma década, que li o extenso estudo denominado “Hypercluster do Mar” coordenado pelo já desaparecido Prof. Ernâni Lopes. Na altura considerei o estudo ambicioso, apontando caminhos e soluções, propunha estruturas e dava ênfase ao desenvolvimento acelerado da Economia do Mar.

Passada uma década, a Economia do Mar continua a não ter a importância e peso que tanto prometia, que tanto se esperava. As expectativas sairam goradas.

No momento actual, com uma pandemia bem activa, um pensamento virado para que haja uma transição energética em prol do ambiente e da diminuição dos combustíveis fosseis, qual será o paradigma?

A Estratégia do Mar 2021-2030 foca-se em 10 objectivos estratégicos: 

. Combater as alterações climáticas e a poluição e restaurar ecosistemas. 

. Fomentar o emprego e a economia azul circular e sustentável.

. Apostar na garantia de sustentabilidade e segurança alimentar.

. Facilitar o acesso à água potável, promover a saúde e bem-estar.

. Incrementar a educação, formação, cultura e literacia do Oceano.

. Incentivar a reindustrialização e capacidade produtiva e digitalizar o oceano.

. Garantir a segurança, soberania, cooperação e governação.

É sem dúvida, uma carta de boas intenções. Mas diz o passar do tempo que as boas intenções raramente passam do papel. 

E é lamentável que assim seja, porque Portugal possui a 3a maior zona económica exclusiva da união europeia e a 11a do mundo sendo que 11% da zona económica exclusiva da UE pertence a Portugal.

Resumindo: 97% do nosso país é Mar.

Este facto, só por si, deveria ser o catalisador para desenvolver uma série de iniciativas firmes para capitalizar esta vasta e rica área que pertence à nossa soberania. 

A opção de retalhar o Ministério do Mar, retirando importância e competências, ( exemplo dos portos), transformando aquele que deveria ser o ponto fulcral das políticas do mar, num ministério da boa vontade e intenções, fazendo com que parte da sua acção seja inócua, e não ser tida em conta como impulsionadora de uma grande estratégia.

O processo da extensão da nossa plataforma continental para além das 200 milhas nauticas, cujo pedido de processo de delimitação ainda está a decorrer junto das Nações Unidas, e que poderá aumentar a nossa área actual para uma área futura total de 4,1 milhões de quilómetros  quadrados, irá fazer com que a área maritíma fique 40 vezes maior que a nossa área terrestre, o que seria um enorme feito para esta nação.

Com base nesta informação, e do passado recente, deveríamos ter fortes apostas:

. Apostar no mapeamento do fundo marinho, na recolha de informação sobre os recursos do mar disponíveis e também para se saber quais as zonas sensíveis e que precisam de protecção.

. Não apostar na extracção de hidrocarbonetos e penalizar os atentados ambientais ligados ao mar, também é proteger o nosso valioso património natural.

. Com uma declarada aposta na agroindústria, a aquacultura tem todas as condições para registar um crescimento assinalável, havendo incentivos, condições e desburocratização de processos. 

. Num país com a vocação marítima como a nossa, deveríamos ter uma frota pesqueira expansiva e robusta. E se é conhecimento geral de que faltam apoios fortes para expandir e até para a manutenção da actividade, e igualmente até para enveredar para uma profissão dura e desgastante, é importante, senão corremos o risco de ficar dependente de terceiros. É um sector desprezado pelos sucessivos governos e que os legisladores não compreendem, nem tentam compreender, esta realidade. 

. Num país com tantos cientistas, universidades e politécnicos que fazem pesquisa sobre o Mar, e que com poucos recursos tem feito trabalho reconhecido, como foi o reconhecimento e prémio financeiro atribuído na Websummit ao projecto SMART, que tinha investigadores de cinco instituições nacionais. Sem esquecer o precioso contributo que a ciência do mar pode dar as áreas como a medicina.

. Outra área que deveria ser recuperada, é a da reparação naval. Uma área que ao longo de décadas tem vindo a definhar, com perdas enormes não só para a economia, mas também nos postos de trabalho, e logo num segmento da indústria em que temos tradição e conhecimento.

. Portos. Sem dúvida que é o segmento com mais peso na Economia do Mar. Concordo que se tenham abandonado as quimeras de ter um terminal no Barreiro ou na Trafaria, sem desenvolver e expandir mais os portos já existentes. E se é relevante o contínuo desenvolvimento, por exemplo do Porto de Sines, a verdade é que ainda há muito para ser feito na captação e manutenção de empresas no tecido empresarial de Sines, que aproveitem a total capacidade do porto, para fazer subir as exportações principalmente, sem falar no desenvolvimento ferroviário, a chave para potenciar o porto, mesmo que haja obstáculos do lado espanhol.

. E no seguimento do ponto anterior, reforço, tal como noutro artigo que já escrevi há 10 anos, na criação de uma zona franca para a zona de Sines, baseado no modelo da região autónoma da Madeira, mas com a adaptação para as características próprias da região. Seria o motor de desenvolvimento do maior porto nacional, que segue a sua expansão, numa infraestrutura que já contribui com pelo menos 2,5% do PIB nacional. 

Mas mais que estas ideias que agora apontei, e outras tantas não mencionadas, visam um único objectivo: Chamar a atenção de forma séria para o desenvolvimento estratégico e económico do Mar, que já poderia ter lançado este país no rumo da prosperidade.

E a transição de uma situação de pandemia, para um pós-pandemia, dentro da normalidade possível e esperemos pré-covid, seria o tempo para pensar, projectar e implementar, políticas públicas que visem o desenvolvimento, de criar uma simbiose com o sector privado, de modo a ter esse necessário apoio. Com a tão famigerada bazuca europeia em jogo, havia os meios para concretizar definitivamente.

O desígnio do Mar, em nome do interesse nacional, só irá acontecer com uma visão e acção verdadeiramente focada neste futuro que poderia ser brilhante.

Já está instalado o cabo submarino de fibra ótica que liga o Brasil à Europa

 

A instalação marítima do cabo de fibra óptica que liga a Europa ao Brasil está concluída.

No passado dia 4 de março de 2021 foi realizada a junção final do cabo transatlântico EllaLink em mais de 4500 metros de profundidade, 400 quilómetros a nordeste da crista do Médio Atlântico.

Após a junção, foram efectuados testes de conectividade e potência e posteriormente foi anunciada a conclusão oficial da instalação marítima EllaLink, estando agora a Europa e a América Latina diretamente ligadas pela primeira vez.

O comissionamento da rede encontra-se em curso e, em breve, os centros de dados em Sines, Lisboa e Madrid estarão conectados a Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo, segundo anunciou a EllaLink via LinkedIn.

Recorde-se que a empresa EllaLink tinha anunciado a 6 de janeiro a ancoragem do seu sistema de cabos submarinos em Sines, a partir de onde se estabelecerá a ligação da Europa à América Latina.

Uma operação de investimento de 150 milhões de euros, o cabo deverá ficar plenamente operacional no segundo trimestre deste ano, proporcionando um nível de conectividade internacional sem precedentes entre os dois continentes.

Pelo menos nove baleias-piloto morreram encalhadas na Nova Zelândia

 

Pelo menos nove baleias-piloto morreram encalhadas na costa da Nova Zelândia, informaram esta segunda-feira as autoridades neozelandesas, estando as equipas de resgate a tentar salvar dezenas de cetáceos.

O Ministério de Conservação da Nova Zelândia disse que um grupo de 49 baleias-piloto ficaram presas em Farewell Spit, considerado o mais longo cordão de areia do mundo, na ilha Sul, a 90 quilómetros de Nelson.

As equipas de resgate, compostas por especialistas na conservação da vida marinha e seis dezenas de voluntários, estão a tentar manter os animais com vida até à subida da maré, mas pelo menos nove já morreram.

Farewell Spit, uma língua de areia com cerca de 30 quilómetros de comprimento, registou uma dezena de casos de baleias encalhadas nos últimos 15 anos. Em fevereiro de 2017, cerca de 700 mamíferos ficaram ali retidos, tendo morrido 250. O maior incidente deste tipo registado em todo o mundo ocorreu em 1918, quando cerca de mil baleias-piloto ficaram presas nas ilhas Chatham, no sudeste da Nova Zelândia.

Na Austrália, em setembro de 2020, 380 baleias-piloto morreram após terem ficado encalhadas, no maior incidente do género registado no país.

Concha Balsemão: «Estou a trabalhar para chegar ao circuito mundial»

Tem apenas 18 anos e surpreendeu tudo e todos com o 9.º lugar conseguido esta semana no Great Lakes Pro, a prova que marcou o arranque do WQS 2021. A viver actualmente na Austrália, onde divide os seus dias com o surf e os estudos, Concha Balsemão foi até Boomerang Beach, em Nova Gales do Sul, para mostrar a todos a evolução que tem tido.

“Este foi o meu melhor resultado até ao momento na World Surf League. Desde que vim para a Austrália que tenho estado muito focada e a trabalhar intensamente para alcançar melhores resultados. Já evoluí desde que cheguei. Consegui entrar no programa Surfing Excellence na escola, o que me deu oportunidade de surfar com alguns dos melhores juniores da Gold Coast três vezes por semana. Estou no Clube de Snapper Rocks e tenho um campeonato do clube por mês, o que me faz manter o ritmo. Além disso tenho sido bem acompanhada e tenho dedicado muito tempo aos meus treinos”, afirmou Concha Balsemão. 

Destaca as condições de mar grande que encontrou em Boomerang Beach e que ajudaram a causar sensação na prova australiana. No entanto, por agora o foco são os estudos. “Este ano entrei para a Universidade onde vou começar as aulas para a semana. Vou estudar Business and Enterprise. Essa é a principal razão pelo qual não vou entrar nos próximos eventos do WQS. Em princípio, em maio vou participar na etapa do QS de Burleigh Heads, que fica mais perto de minha casa”, frisa. 

“Concorri a uns trials do Sport Excellence Surfing na Escola PBC, onde consegui entrar. Vim fazer o 12.º ano com esse programa. Através dos resultados que fiz e, principalmente, pelo meu 2.º lugar no Queensland School Titles, em Setembro, na Sunshine Coast, ganhei uma bolsa de estudo para a Southern Cross University, que por acaso fica bem perto de Kirra e Snapper Rocks”, ressalva Concha, sobre duas das ondas mais famosas na Gold Coast, no estado de Queensland, onde se encontra.

A localização tem permitido à júnior portuguesa surfar alguns dos melhores picos da região e com muito nível dentro de água. Na Gold Coast os que costumo surfar mais são D-bah, Snapper Rocks, Kirra, Burleigh Heads e Currumbin, que é onde surfo regularmente. E sempre que o swell sobe costumo ir para Noosa, que é sem dúvida um dos meus picos preferidos. Para os lados de Nova Gales do Sul gosto de surfar em Cabarita, Yamba e Lennox Heads. O nível é bastante elevado, praticamente todos os australianos surfam bem o que me faz querer evoluir e surfar com pessoas com tanto nível”, assegura. 

Por fim, a surfista que é neta de Francisco Pinto Balsemão não esconde o desejo de regressar e no futuro lutar pelo acesso ao circuito mundial feminino. “Neste momento não tenho planos a longo prazo, mas, sim, vou voltar a competir em Portugal e na Europa com o objectivo de poder subir nos rankings do QS e poder qualificar-me um dia mais tarde para o WCT. Estou a trabalhar para isso e gostava muito que daqui a cinco anos estivesse a entrar para o WCT. Até lá vou continuar focada e com os meus planos de treino para continuar a evoluir”, remata Concha.    


 

Alqueva a três metros da cota máxima anima turismo, agricultura e pesca

 

A barragem de Alqueva “caminha” para a sua cota máxima à boleia da chuva que nas últimas semanas caiu no Alentejo, animando os autarcas dos concelhos abrangidos pelo regolfo da albufeira. Do turismo à rega, da pesca ao consumo humano, passando pela produção de energia, o maior lago artificial da Europa anuncia um 2021 generoso em recursos hídricos.

“O Alqueva na cota máxima tem uma maior atratividade e relevância nos investimentos em redor das infraestruturas náuticas”, congratula-se o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto. Após os anos de investimento e promoção realizados pela autarquia em torno do “grande lago”, 2017 marcou uma aposta de sucesso, com a criação da primeira praia fluvial junto à vila medieval de Monsaraz potenciada pelo extenso espelho de água.

Mas o autarca tem bem presente as dificuldades impostas no ano passado devido ao abaixamento do nível da albufeira, que tornou as margens mais pantanosas e áridas, obrigando o município a investir num “significativo reforço” de areia, para que os banhistas tivessem acesso facilitado à água. “Também tivemos que baixar as cotas dos embarcadouros e ancoradouros”, recorda, destacando ainda as atuais vantagens na segurança para a navegabilidade do Alqueva com cotas de água superiores.

“A praia fluvial e o centro náutico potenciaram outro tipo de procura turística na região, que passou de dois ou três dias para duas semanas”, revela José Calixto, dando expressão à importância do Alqueva “respirar saúde”, com impacto gerado pela barragem em todo o concelho. “Temos 14 povoações e todas elas têm unidades de alojamento que foram surgindo nos últimos anos”, revela, uma altura em que a capacidade turística de Reguengos já atinge as 2 mil camas, não passando despercebida a recuperação de património que chegou a estar em ruínas e que hoje está aberto a visitantes. “O Alqueva com cota elevada também tem impacto na visita de turistas que geram um rejuvenescimento das nossas comunidades”, acrescenta.

Mas em Reguengos de Monsaraz há vida para lá do turismo a espreitar o Alqueva, sobretudo numa altura em que o concelho viu a ser aprovado o bloco de rega destinado a fornecer água a 11 mil hectares de terrenos agrícolas, onde a área ocupada por extensos campos de vinhas assume o papel de relevo.

“Todas as infraestruturas que estamos construir à volta do lago necessitam muito desta água”, insiste, alertando que “as cotas muito baixas colocam em causa todo o investimento”, enquanto fica à espera que até abril a precipitação prossiga ao ponto de elevar o Alqueva à cota máxima, equivalente a 152 metros.

Se lá chegar, esta reserva estratégica alentejana assegura o quinto pleno armazenamento de 4150 hectómetros cúbicos, o que aconteceu pela primeira em 2010 – obrigando a descargas – depois das comportas terem sido encerradas pelo então primeiro-ministro, António Guterres, a 8 de fevereiro de 2002. O Alqueva passava a assumir-se como o maior lago artificial da Europa, com uma área inundável de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1100 quilómetros de margens, habilitado a responder a três anos consecutivos de seca, garantindo disponibilidade para abastecimento público, agricultura e produção de energia.

“Esperança para três anos”

Já em fevereiro o nível das águas da albufeira atingiu os 149 metros (80% da sua capacidade), estando a três metros do limite máximo, segundo revela o boletim diário da Empresa de Desenvolvimento e das Infraestruturas do Alqueva, o que, ainda assim, representa mais de 800 milhões de metros cúbicos.

Também o autarca de Portel – concelho onde está radicada a barragem na freguesia de Alqueva – agradece a chuva. José Manuel Grilo assistiu a três anos consecutivos de seca, que em agosto de 2020 provocaram uma redução do nível da água a albufeira para os 144,51 metros acima do nível do mar, traduzindo, na prática, apenas 63,8% do nível pleno da estrutura. É preciso recuar a 2004 para se assistir a um nível mais baixo.
“Este enchimento da barragem traz-nos esperança para três anos e isso tem um grande significado no concelho”, assume o autarca, apontando os benefícios para as bolsas de rega do perímetro instalado na zona de Monte do Trigo.

Mais de 3 000 pessoas pedem a abertura imediata da pesca lúdica

 

Mais de 3.200 pessoas assinaram até hoje uma petição a reivindicar a abertura imediata da pesca lúdica para pescadores com licença válida em 2020, pois a prática está proibida como medida de contenção à pandemia de covid-19.

Na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, os subscritores referem que a pesca lúdica é uma “importante” forma de subsistência para muitas famílias desfavorecidas.

A prática desta actividade tem um “importante papel no desenvolvimento económico, social e cultural do país”, tendo a sua proibição provocado milhões de euros de prejuízo ao sector, bem como ao Estado Português, reforçam.

Segundo os signatários, a pesca lúdica envolve, mais de um milhão de praticantes e de 300 lojas ligadas ao sector.

“Se a reabertura [da pesca lúdica] não vier a acontecer, poderemos estar a pôr em causa toda esta actividade com o encerramento de centenas de empresas e o consequente desemprego de milhares de pessoas”, dizem.

Os peticionários argumentam que as medidas de afastamento social já existem na pesca lúdica, já que as boas práticas da actividade preveem distanciamento entre pescadores.

“Na pesca apeada a distância mínima que deve ser respeitada entre pescadores apeados é de 10 metros, sem a qual há lugar a contraordenação punível com coima (cfr. alínea h) do nº 2 do artigo 14º do Decreto-Lei nº 246/2000 na redação dada pelo Decreto-Lei nº 101/2013 de 25 de julho”, lembram.

Os subscritores alegam que o fim do isolamento social e psicológico será benéfico para a saúde mental dos pescadores lúdicos, pois poderão regressar a praticar um desporto ao ar livre e em harmonia com a natureza.

Navio Português Zaire combate a pirataria no Golfo da Guiné

 

O navio português Zaire esteve esta semana empenhado em várias acções de combate à pirataria na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, onde se encontra há três anos em missão de capacitação operacional da Guarda Costeira.

A informação foi divulgada pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), um dia depois de a Guarda Costeira de São Tomé ter emitido um comunicado em que diz ter recorrido a apoio internacional para responder a “um recrudescer de atos piratas de caris violento” nas suas águas nacionais.

De acordo com o EMGFA, o Zaire esteve envolvido em várias acções de combate à pirataria na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de São Tomé na última semana.

“No dia 7 de fevereiro, a pedido da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, o Zaire foi activado, para prestar auxílio ao navio mercante Sea Phantom, que estava a ser alvo de um ataque de piratas, a cerca de 120 quilómetros a nordeste da Ilha do Príncipe. Quando se encontrava a navegar para a posição do ataque, foi informado que o Sea Phantom já não necessitava de auxílio e que se iria dirigir para os Camarões”, relata o comunicado do EGMFA.

Um dia depois, houve informação “de novos ataques em curso, a dois navios mercantes (Seaking e Madrid Spirit), numa posição a cerca de 100 quilómetros a sudeste da ilha de São Tomé”, tendo-se o Zaire dirigido imediatamente para o local, onde “iniciou patrulha por forma a garantir a segurança da navegação e dissuadir os ataques dos piratas”.

No dia 9 de fevereiro, o Zaire realizou o acompanhamento do navio mercante African River, de bandeira portuguesa, que atravessou a área e se encontrava em trânsito para o Porto Gentil no Gabão e, um dia depois, prestou auxílio ao navio mercante Maria E, “que tinha sofrido um ataque na véspera, e cuja tripulação se encontrava refugiada na cidadela do navio”.

O Maria E foi acompanhado pelo Zaire durante mais de 13 horas e 250 quilómetros até efectuar a passagem em segurança a uma Fragata da Guiné Equatorial, país para o qual o navio mercante se dirigia”, precisa o Estado-Maior-General das Forças Armadas.

No dia 11 de fevereiro, prossegue o comunicado, o navio português “detectou e acompanhou a embarcação de pesca LIANG PENG YU até entrar em águas territoriais do Gabão”, que tinha sido alvo de um ataque de piratas que raptaram dez dos seus 14 tripulantes.

Na sexta-feira, o Zaire continuou a sua patrulha, tendo regressado no sábado à Baía de Ana Chaves.

O navio português, actualmente operado por uma guarnição mista, constituída por militares portugueses e santomenses, prossegue a sua missão de capacitação da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, ilustrando a importância da cooperação bilateral entre estes dois países lusófonos, contribuindo, através de um esforço conjunto, para a segurança na região”, destaca o comunicado do EGMFA.

No sábado, um comunicado da Guarda Costeira são-tomense, a que a Lusa teve acesso, referia-se a “incidentes graves de pirataria nas águas sob sua jurisdição”, em três dias consecutivos, a poucas milhas do arquipélago, mencionando igualmente ao apoio do navio português.

A Guarda Costeira diz ter sido, por isso, obrigada a “mover acções concretas junto das autoridades competentes nacionais” à procura de apoios “a nível regional e com parceiros internacionais”.

Este apoio, de acordo com o comunicado, destina-se “a que, de forma rápida e efetiva, São Tomé e Príncipe possa ser apoiado no combate a esta praga que ameaça cortar linhas marítimas de navegação internacional, assim como linhas que dão acesso as ilhas”.

Em dezembro, quando esteve em São Tomé, o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, afirmou que o navio português Zaire, a operar naquela região há três anos, tem já fama mundial no combate à pirataria, sendo elogiado por países como a China.

O navio Zaire, da Marinha Portuguesa, tem como principais missões reforçar a vigilância e a fiscalização dos espaços marítimos de São Tomé e Príncipe, a segurança marítima do Golfo da Guiné e a capacitação da guarda costeira deste país de língua portuguesa.