Encontrado famoso navio que desapareceu misteriosamente no Triângulo das Bermudas há 95 anos.

Os destroços de um navio que desapareceu misteriosamente no Triângulo das Bermudas há 95 anos foram descobertos na costa da Florida, nos Estados Unidos.
O SS Cotopaxi – um navio mercante norte-americano – deixou Charleston, na Carolina do Sul,em 29 de novembro de 1925, carregado com carvão. Porém, o navio desapareceu sem deixar rasto antes de chegar ao seu destino final, Havana, em Cuba.
O destino do Cotopaxi e das 32 pessoas a bordo há muito tempo que intrigava os especialistas e o desaparecimento do navio tornou-se uma das histórias famosas associadas à lenda do Triângulo das Bermudas – uma região notória do oeste do Oceano Atlântico Norte, onde vários navios e aeronaves terão desaparecido em circunstâncias estranhas.
“O Cotopaxi estava numa viagem de rotina. Estava empregada no comércio de carvão e, portanto, essa foi apenas mais uma viagem no final de novembro de 1925. Sabemos, que nessa viagem, algo aconteceu”, disse, em declarações ao Newsweek, o biólogo marinho e explorador subaquático Michael Barnette. “Nunca encontraram destroços. Nunca encontraram botes salva-vidas, corpos ou alguma coisa. A embarcação simplesmente desapareceu após esse ponto”.
Agora, após quase um século de incerteza e especulação, Barnette e os seus colegas dizem que localizaram os destroços a cerca de 55 quilómetros da costa de Santo Agostinho, na costa nordeste da Florida. A descoberta é revelada num episódio de Shipwreck Secrets, uma nova série do Science Channel que começa no próximo mês.
A busca pelos destroços começou a milhares de quilómetros do Triângulo das Bermudas, em Londres, na Inglaterra. Barnette entrou em contacto com o historiador britânico Guy Walters e pediu que vasculhasse os arquivos do Lloyd’s of London, que contém documentos de seguro relacionados com a fatídica viagem do navio.
Durante sua busca, Walters conseguiu descobrir evidências de que o Cotopaxi tinha emitido um sinal de socorro em 1º de dezembro de 1925 – uma informação importante que os historiadores não conheciam anteriormente. “Muitas vezes, é mais importante gastar mais tempo nos arquivos do que na água”, disse Walters, ao Newsweek.
De acordo com os documentos, os sinais de socorro foram captados em Jacksonville, Florida, colocando o navio nas proximidades do chamado Bear Wreck – localizado na costa de Santo Agostinho – que confunde especialistas há décadas. As águas da costa de Santo Agostinho estão repletas de naufrágios dos séculos XVI e XVII. O Bear Wreck destaca-se porque parece ser do final do século XIX ou início do século XX e está localizado muito mais longe da costa do que a maioria dos outros naufrágios mais antigos. O nome verdadeiro do navio e a razão pela qual afundou há muito que permanecem um mistério.
Barnette e o seu parceiro de mergulho Joe Citelli decidiram realizar uma série de mergulhos a fim de procurar um artefacto que pudesse ligá-lo ao Cotopaxi. Queriam encontrar um objeto com o nome da embarcação – algo normalmente encontrado no sino dos navios. No entanto, essas descobertas são raras e os mergulhadores não encontraram o que procuravam, uma vez que os destroços estão cobertos por grandes quantidades de areia.
Depois, Barnette entrou em contacto com Al Perkins, um mergulhador que explora o Bear Wreck há mais de três décadas, colhendo inúmeros objetos. Um deles parecia fornecer uma pista das origens dos destroços. Era uma válvula que tinha sido fabricada por uma empresa a cerca de 20 quilómetros de onde o Cotopaxi foi construído, em Ecorse, Michigan.
Barnette realizou mais mergulhos para fazer medições do naufrágio do Bear Wreck, que foram comparados aos planos originais do Cotopaxi. A equipa descobriu que características como o comprimento da embarcação e as dimensões das caldeiras – correspondiam às medidas.
Por fim, Barnette recebeu uma informação de Walters: o historiador encontrou documentos de uma ação legal de famílias de alguns dos tripulantes desaparecidos contra o operador do Cotopaxi. As famílias argumentaram que o navio não estava em condições de navegar e não era adequado às condições adversas do oceano.
Nos documentos, o presidente da empresa respondeu que a única razão pela qual o navio afundou foi porque tinha sido apanhada numa grande tempestade na costa da Florida, atestada por registos climáticos históricos no dia em que o Cotopaxi enviou sinais de socorro.

O presidente da empresa relatou as últimas coordenadas conhecidas do Cotopaxi, colocando o navio a 38 quilómetros ao norte do Bear Wreck. Esta foi a peça final do quebra-cabeça que ligava o Cotopaxi ao Bear Wreck. Dado que uma tempestade atingiria a área no dia seguinte e as evidências dos documentos legais que indicavam que o navio não estava em condições de navegar, os investigadores pareciam ter descoberto uma possível explicação para o naufrágio do navio.
A equipa acredita que as coordenadas finais, o sinal de socorro enviado do navio no dia seguinte e os registos históricos sobre uma tempestade são mais uma evidência para mostrar que o Bear Wreck é o local onde Cotopaxi se afundou.
Barnette acrescentou ainda que explicações paranormais para o desaparecimento de navios e aeronaves no Triângulo das Bermudas desviam os especialistas do que é realmente importante.
Estima-se que, nos últimos 100 anos, o misterioso “Triângulo das Bermudas” tenha provocado a destruição de 75 aviões e afundado centenas de barcos e navios – provocando mais de mil mortes. Em média, 5 aviões continuam a desaparecer na região todos os anos.
Ao longo dos anos, foram avançadas várias teorias para explicar o mistério. A mais recente teoria foi avançada em 2016 por um grupo de meteorologistas segundo os quais a culpa dos desaparecimentos será da presença de “nuvens hexagonais” que podem originar ventos muito fortes ou “bombas de ar” capazes de destruírem ou afundar navios e aviões.
No passado, entre outras teorias, atribuiu-se o mistério a bolhas de gás metano do fundo do oceano, campos magnéticos, ondas gigantes, ou a explicações mais metafísicas, como dimensões alternativas, universos paralelos ou raptos por extraterrestres.

Siemens vai construir maior tomada elétrica para navios

A Siemens vai construir a maior tomada eléctrica para navios da Alemanha, no porto de Kiel, uma iniciativa que vai permitir a redução potencial de mais de oito mil toneladas de emissões de CO2 por ano e menos ruído enquanto os navios estão atracados.
“O porto de Kiel, na Alemanha, acaba de adjudicar à Siemens a construção de um sistema de fornecimento de energia em terra para navios, o maior projecto da Alemanha nesta área até hoje. Com uma potência de 16 MVA, a solução ‘Siharbor’ permite, pela primeira vez, o fornecimento de energia ‘verde’ certificada a dois navios, em simultâneo, o que reduzirá as emissões anuais de CO2 [dióxido de carbono] em mais de oito mil toneladas”, adianta um comunicado da Siemens.
De acordo com esse documento, “espera-se que o sistema entre em fase de teste ainda na temporada de cruzeiros de 2020 e que, no futuro, 60% da procura de energia por parte dos navios que entram em Kiel seja satisfeita por esta via, sendo os geradores a diesel desligados enquanto os navios estiverem atracados”.
“O transporte marítimo tem um papel preponderante em Kiel, tal como em muitas cidades portuguesas, já que o porto é o ponto de partida e chegada para muitos cruzeiros e dispõe de várias ligações de ‘ferry’ para os estados bálticos e para a Escandinávia – em 2018, 32 navios de cruzeiro fizeram 174 escalas neste porto”, adianta o mesmo comunicado.
A Siemens recorda que, segundo o estudo da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E), de dezembro do ano passado, os navios que atracaram nos portos da União Europeia emitiram, em 2018, mais de 139 milhões de toneladas de CO2.
“Ainda segundo este estudo, as emissões de CO2 dos navios atracados em portos portugueses, durante 2018, foram maiores que as emissões produzidas pela totalidade da frota de automóveis existente nas oito maiores cidades de Portugal, em 2013”, destaca o referido comunicado da Siemens.
Para Fernando Silva, Director geral da Smart Infrastructure da Siemens Portugal, “projectos como este podem ter consequências reais e efectivas não só na descarbonização e no cumprimento de metas ambientais internacionais, como na estabilidade e crescimento sustentável de sectores tão relevantes para a economia de muitos países, como são o transporte marítimo e o turismo”.
O porto de Kiel tem já em funcionamento um sistema de energia em terra, instalado pela Siemens, no terminal Norwegenkai, que já ajudou a reduzir as emissões de CO2 em cerca de mil toneladas.
A solução agora adjudicada à Siemens, com carga simultânea através da ‘tomada eléctrica Siharbor’ “inclui uma subestação com quatro transformadores secos, quatro quadros eléctricos de média tensão isolados a ar e um conversor de frequência de 16 MVA”.

E se os tubarões desaparecessem: como seria a vida nos oceanos?

Os tubarões são grandes predadores dos mares e representam uma magnífica história de sucesso na sua evolução. Eles nadaram pelos oceanos por mais de 400 milhões de anos e se diversificaram por rios e lagos também. Hoje, existem cerca de 500 espécies conhecidas e provavelmente há muitas outras que ainda não foram descobertas. Mas como seria a vida nos oceanos se os tubarões desaparecessem?
Esses animais podem ser enormes, como o tubarão-baleia (Rhincondon typus), ou pequenos igual a mão humana, como o tubarão de bolso (Mollisquama parini). Entretanto, o tubarão branco (Carcharodon carcharias) é o mais conhecido e desperta a atenção do público.
Tem a fama de ser agressivo com as pessoas por conta da imagem construída através de centenas de enredos do cinema. O retrato apresentado nos filmes é tão contundente que pode induzir alguns a pensar que o mundo seria se os tubarões desaparecessem.
Os tubarões vivem em diversos ecossistemas espalhados pelo planeta, incluindo habitats rasos de manguezais, recifes de coral tropical, águas geladas do Ártico e na imensidão do oceano aberto. Independentemente do local onde habitam, todos os tipos de tubarão são caçadores natos, portanto, têm extrema importância para a saúde de seus habitats, afirmou Jenny Bortoluzzi, candidata a doutorado no Departamento de Zoologia do Trinity College Dublin, na Irlanda para o portal Live Science.
Eles eliminam fracos e doentes, o que garante que os peixes permanecam saudáveis num tamanho propício para o habitat. Bortoluzzi ainda acrescenta que os tubarões ajudam a preservar o ecossistema apenas com sua presença. Os tubarões-tigre, por exemplo, afugentam tartarugas e as impedem de pastar demais na vegetação, explicou.
Além disso, a investigadora Victoria Vásquez, candidata a doutoramento do Moss Landing Marine Laboratories na Califórnia, apontou que os tubarões também contribuem no controle na produção de oxigénio nos mares, alimentando-se de peixes que devoram plâncton.
A espécie também é importante para manter a biodiversidade e saúde de ambientes recifes de coral, como aponta Toby Daly-Engel, professor assistente do departamento de ciências marinhas e Director do Shark Conservation Lab, da Florida Tech. “Caso os tubarões parem de existir, os peixinhos explodiriam na população, porque nada os come. Logo, a comida deles – plâncton, microrganismos, camarões pequenos – iria embora, e então todos os peixes pequenos morreriam de fome”, disse Daly-Engel à Live Science.
Outro papel de destaque dos tubarões para as redes alimentares oceânica, é facto de que eles servem como alimentos carnívoros marinhos. Acredita-se que grandes tubarões brancos chegaram mortos nas praias da África do Sul por terem sido vítimas de ataques de orcas.
Porém, recentemente vídeos mostraram um tubarão (Squalus clarkae) alimentando-se no fundo do Atlântico. O episódio acabou com uma garoupa devorando um dos tubarões inteiros. Até mesmo polvos comem tubarões, como é notável em um vídeo publicado pela National Geographic, no YouTube em 2009.
Melissa Cristina Márquez, bióloga e fundadora da The Fins United Initiative, afirmou para a Forbes no início do ano que os tubarões migratórios, como o tubarão-cinzento (Carcharhinus amblyrhynchos), fornecem alimento para os organismos em vários locais do oceano. Eles deixam para trás os seus excrementos ricos em nitrogénio.
Segundo o Portal Ocean do Intistuto Smithsonian, cerca 25% de todas as espécies de tubarões, patins e raias estão ameaçadas de extinção. “Como a quantidade de tubarões filhotes é pequena e eles demoram a amadurecer, os seus números não são reabastecidos com rapidez suficiente para acompanhar as perdas da pesca comercial”, contou Daly-Engel.
Bortoluzzi aponta que nos últimos dez anos, algumas populações de tubarões caíram até 90%, reflectindo uma tendência insustentável de super-exploração em habitats oceânicos. “Muitas espécies também enfrentam a perda de habitats, com áreas de refúgio, como manguezais, sendo destruídas para acomodar a nossa crescente população humana, e espaços, como fundos marinhos e recifes, são danificados por métodos destrutivos de pesca, como a pesca de arrasto”, observa.
É notório que os tubarões são fundamentais para o oceano. Entretanto, o que podemos esperar para os próximos anos deste animal? A legislação federal e os tratados internacionais, como a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens, podem ajudar a preservar populações vulneráveis.
Porém, muitas espécies são pouco compreendidas. Isto pode prejudicar os esforços de conservação, disse Michael Scholl, CEO da organização sem fins lucrativos Save Our Seas Foundation. “As instituições governamentais devem ter informações validadas para apoiar um declínio significativo dos animais, por exemplo”, disse Scholl ao Live Science.
Por conta disso, a Save Our Seas trabalha ao lado de pesquisadores marinhos para coletar dados de tubarões que podem informar as medidas de protecção necessárias; a organização sem fins lucrativos também trabalha para aumentar a conscientização pública sobre a diversidade de tubarões e sua importância para seus ecossistemas marinhos, disse Scholl.
A extinção da espécie é capaz de trazer impactos graves para a vida marinha. Portanto, se o tubarão desaparecesse, a situação afectaria não apenas o mar, mas também o homem.  “A pesca pode entrar em colapso, com os pescadores artesanais sendo os mais afectados, e os destinos turísticos populares que contam com os bichos para atrair turistas também sofrerão muito”, disse Bortoluzzi. “É importante entender que, tanto quanto nossos oceanos precisam de tubarões, nós também”, concluiu.

.A acidificação dos oceanos está a levar os ecossistemas a territórios desconhecidos?

“O tempo está a esgotar-se”, sublinhou Carolina Schmidt, ministra chilena do ambiente e do clima, numa comunicação por vídeo antes da Conferência Climática COP25 de 2019, em dezembro último. “Não pode existir uma resposta global eficaz às alterações climáticas sem uma resposta global aos problemas do oceano”, acrescentou. Estes problemas são muito díspares, indo desde a subida do nível do mar e a perda de oxigénio até ao aumento das temperaturas da água e às alterações transversais nos ecossistemas. O relatório especial sobre o estado dos oceanos do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) revela preocupantes tendências futuras e, no ano passado, o calor nos oceanos atingiu o valor mais alto jamais registado.

A acidificação dos oceanos afecta a integridade dos ecossistemas marinhos

A acidificação dos oceanos é um fenómeno em que os oceanos se tornam mais ácidos ao absorverem cada vez mais carbono da atmosfera, carbono esse que está a aumentar devido às emissões antropogénicas. Nos últimos 200 anos, cerca de 30% dessas emissões totais foram absorvidas pelo oceano. Hoje, a água do mar absorve ainda cerca de 25% todos os anos.
A acidificação dos oceanos ocorre quando a água do mar reage com o CO2 absorvido da atmosfera, produzindo mais substâncias químicas indutoras da acidez, ao mesmo tempo que reduz o teor de minerais importantes como o carbonato de cálcio, essencial para a sobrevivência dos organismos marinhos.
A acidez superficial média dos oceanos, bastante estável ao longo de milhões de anos, aumentou em cerca de 26% nos últimos 150 anos. “A subida foi muito lenta até à década de 1950. Contudo, a partir daí, a acidificação acelerou”, afirmou o Dr. Jean-Pierre Gattuso, Director de investigação no Laboratoire d’Océanographie de Villefranche, CNRS e Universidade de Sorbonne. “Dado que as emissões de CO2 antropogénicas são a principal causa da acidificação, as projecções futuras dependem dos seus níveis. Num cenário “business as usual”, a acidificação dos oceanos pode sofrer um aumento adicional de 150% até 2100″, acrescentou o Dr. Gattuso.
Com 95% da camada oceânica próxima da superfície afectada pela queda do pH, os efeitos da acidificação estão a sentir-se cada vez mais em todo o mundo numa vasta gama de ecossistemas marinhos. “O mundo parece estar a ficar obcecado com o que está a acontecer em terra e na atmosfera, não se apercebendo de que a vida na Terra depende totalmente do oceano, que alberga 98% das espécies do planeta”, afirmou o Dr. Dan Laffoley, Vice-Presidente para o Mar da Comissão Mundial para as Áreas Protegidas da IUCN, e assessor principal de ciências marinhas e conservação do seu Programa Marinho e Polar Global. “As previsões [sobre a acidificação] em 2004, que indicavam que era algo com o qual não necessitávamos de nos preocupar até 2050 ou 2070, estão a materializar-se agora”.
A redução da quantidade de iões carbonato na água retira a um amplo conjunto de animais marinhos o material vital necessário para a criação das conchas protectoras. Os bivalves, o plâncton e os corais dos recifes são algumas das principais espécies ameaçadas, demonstram vários estudos.
Os ecossistemas dos recifes de coral tropicais ocupam menos de 0,1% do leito oceânico. No entanto, entre 1 e 9 milhões de espécies vivem neles ou nas suas imediações. Com os cientistas a preverem a redução de carbonato de cálcio até ao final do século, reduzindo a metade as suas concentrações pré-industriais nos trópicos, receia-se que os corais passem de um modo de criação a um de dissolução. Mesmo que a sua quantidade não diminua, a acidificação dos oceanos por si só pode reduzir a densidade dos seus esqueletos em 20% até 2100. A acidificação enfraquece os recifes, os quais enfrentam outras pressões das ondas de calor indutoras da lixiviação, bem como da actividade económica. “Estamos a enfraquecer os seus mecanismos de reparação”, diz o Dr. Laffoley. Nos próximos 20 anos, avisam os cientistas, é provável que os recifes de coral se degradem rapidamente, ameaçando o modo de vida de 500 milhões de pessoas que deles dependem para obter alimentos, protecção costeira e rendimento.
A acidificação afecta também os corais de águas profundas como os do Atlântico Norte, pontos fulcrais de biodiversidade e habitats fundamentais para milhares de espécies, incluindo algumas com interesse comercial como os camarões, as lagostas, os caranguejos, as garoupas e os pargos. “Os seus esqueletos estão a sofrer uma erosão, exactamente como a osteoporose enfraquece o nosso corpo”, afirmou o Dr. Laffoley.

Um fenómeno ainda não inteiramente compreendido

“Existem observações da forma como a acidificação dos oceanos afecta determinadas espécies”, afirmou a Dra. Helen Findlay, oceanógrafa biológica do Plymouth Marine Laboratory (PML), que recorre aos dados e à infraestrutura do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copernicus (C3S) para estimar a acidez passada e futura dos oceanos. Estes impactos estão mais frequentemente associados a regiões oceânicas onde as águas profundas, que tendem naturalmente a ser mais ácidas, atingem a superfície e aumentam regionalmente a acidificação, explica a Dra. Findlay. Por exemplo, as águas ácidas danificam ou dissolvem as conchas dos caracóis marinhos planctónicos, alimentos importantes para peixes como o salmão.
Contudo, existem estudos que demonstram que as espécies podem reagir de formas mistas. Algumas podem beneficiar da acidificação, e também do aquecimento dos oceanos, tornando-se cada vez mais predadoras de outras espécies, afirmam especialistas do IPCC. Nos ecossistemas, as algas marinhas microscópicas, ou fitoplâncton, alimento básico de muitas cadeias alimentares marinhas, poderão sofrer ou florescer em água do mar mais ácida. Os dados de satélite sobre a cor oceânica do Serviço de Monitorização do Meio Marinho Copernicus podem proporcionar uma perspectiva mais detalhada sobre a absorção do CO2 pelo oceano e a forma como a cadeia alimentar marinha pode reagir.
“O projecto Sistema de Informação Sectorial (SIS) para o Mar, a Costa e as Pescas (MCF) do Serviço de Monitorização das Alterações Climáticas Copernicus (C3S) produziu uma série de indicadores de impacto do clima no ambiente marinho, incluindo alguns relevantes para a acidificação do oceano, além de uma série de ferramentas que demonstram a forma como os indicadores podem ser usados em aplicações marinhas”, afirmou o Dr. James Clark, investigador principal no PML. “Um importante objectivo do projecto é criar um conjunto de produtos que apoiem as estratégias de adaptação às alterações climáticas e as políticas de atenuação europeias. Os indicadores do projeto C3S-MCF estão a ser incorporados na Climate Data Store do C3S, esperando-se que sejam disponibilizadas para uso nas próximas semanas”.

O que acontece com a biodiversidade

Os efeitos do mesmo fenómeno podem manifestar-se de forma diferente em função da região. Em meados da década de 2000, a costa do Pacífico Noroeste dos EUA começou a assistir a mortes em massa de ostras em viveiros, com as suas larvas a serem afectadas por águas acidificadas; a vital indústria costeira do marisco foi gravemente afectada. No Canadá, os cientistas preveem que a acidificação da costa do Pacífico dê origem a uma quantidade crescente de algas tóxicas nocivas para o marisco e que afecta até os peixes e as aves e mamíferos marinhos. É por eles também encarado que uma espécie de algas letais para os peixes possa ganhar mais terreno em águas ácidas, ameaçando a aquacultura local do salmão.
Na Europa, prevê-se que sejam os produtores de grandes moluscos nas costas atlânticas como a francesa, a italiana, a espanhola ou a do Reino Unido, os mais prejudicados pelos impactos da acidificação até ao final do século. Os dados do Serviço de Monitorização do Meio Marinho Copernicus, que integraram recentemente o pH da água nos seus indicadores de monitorização oceânica, estão a ser usados pelos investigadores para uma melhor compreensão da evolução da acidificação nas águas europeias.
Os efeitos da acidificação no Ártico também preocupam os cientistas, prevendo alguns deles que as suas águas perderão as substâncias químicas produtoras de conchas até à década de 2080. Ainda assim, existem apenas medições dispersas da acidificação oceânica no Ártico, refere o Dr. Gattuso, devido à dureza das condições em que os estudos são realizados. “O que sabemos de facto é que as águas do Ártico são naturalmente mais ácidas, pois o CO2, como todos os gases, dissolve-se mais rapidamente em água fria. Receamos que, em cerca de 10% da superfície do Oceano Ártico, o pH seja tão baixo que a água se torne corrosiva para organismos com conchas”, afirmou o Dr. Gattuso.
“O problema é que estamos, na verdade, a fomentar problemas alterando a funcionalidade do oceano”, afirmou o Dr. Laffoley, que sublinha que a combinação de acidificação, aquecimento oceânico e perda do oxigénio da água estão a enfraquecer o sistema na sua globalidade, com consequências mal compreendidas. “A escala e a quantidade de carbono e calor que estão a entrar no oceano são simplesmente estonteantes. É um problema cuja resolução estamos a adiar, em vez de o atacar.”

É possível inverter o impacto da acidificação nos ecossistemas

“Já estamos envolvidos na acidificação dos oceanos até aos níveis actuais e mais além com as quantidades de CO2 emitidas”, afirmou a Dra. Findlay. “A única abordagem com resultados certos é a atenuação das emissões de CO2”, afirmou o Dr. Gattuso. “Será preciso muito tempo para voltarem ao nível pré-industrial, mas podemos parar a acidificação dos oceanos”.
A ciência está a explorar soluções, mas os seus efeitos nos ecossistemas e processos oceânicos não são ainda totalmente compreendidos. Algumas soluções para as alterações climáticas baseadas nos oceanos não envolvem directamente a acidificação oceânica; outras podem não ser muito eficientes a aprisionar o carbono. Contudo, “está a decorrer investigação adicional para determinar como podemos usar microalgas, pradarias de ervas marinhas, mangais e outros para armazenar o carbono, e também para reduzir localmente a pressão da acidificação oceânica”, disse a Dra. Findlay.
A adaptação da indústria pesqueira para reduzir as pressões sobre os ecossistemas pode também proporcionar uma forma de viver com a acidificação do oceano. Por exemplo, o C3S e o PML estão a combinar o que os modelos dizem sobre os efeitos potenciais das alterações climáticas nos mares europeus com informações sobre as espécies para prever a forma como as reservas de peixe podem mudar e como as indústrias e as pessoas que dependem das pescas têm de se adaptar. “Os dados do C3S serão usados para identificar áreas de oportunidade, tais como o aumento do número de algumas espécies de peixes, bem como os riscos como o declínio das reservas piscícolas”, comentou o Dr. Clark. “Em resultado, o sector poderá atenuar os efeitos das alterações climáticas planeando práticas piscatórias sustentáveis”.
A identificação das áreas oceânicas que exigem conservação urgente poderá também ajudar os ecossistemas a atenuar a acidificação. Os especialistas têm vindo a mapear os ecossistemas marinhos críticos para identificar onde é vantajoso criar ou alargar áreas protegidas. “Poderão existir locais onde aliviemos essa pressão, dando às áreas oceânicas a melhor esperança de vencer os desafios que enfrentam enquanto tentamos reduzir as emissões de CO2”, comentou o Dr. Laffoley.

A bordo da Sagres está a avaliar-se a saúde dos oceanos.

Com
mais de um mês e meio de viagem cumpridos, o navio-escola Sagres está quase a
atracar no porto de Montevideu, no Uruguai, uma das muitas paragens na viagem
de 371 dias que 
percorre os caminhos da viagem
da circum-navegação de Fernão de Magalhães, há 500 anos. Numa época
em que já não se procura inaugurar rotas à volta do mundo, a viagem tem outras
novidades para oferecer: é a primeira vez que leva a bordo dois investigadores
que vão desenvolver projectos de monitorização de lixo marinho e de microplásticos
e recolher dados para se perceber melhor a interacção entre o espaço, a
atmosfera e os oceanos.
O
navio já atravessou o Atlântico e os trabalhos de recolha de dados para os dois
projectos de investigação já começaram, mas só na tarde desta sexta-feira é que
os ministros da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, e o ministro do Ambiente
e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, assinaram os protocolos que
garantem um financiamento de 200 mil euros aos trabalhos de investigação
científica em curso a bordo da Sagres, 
através do Fundo Ambiental.
No
diário de bordo do navio, que vai sendo actualizado com regularidade na página
da internet da Sagres, percebe-se que o trabalho científico está em curso. Na
entrada de 15 de Janeiro assinalava-se que “foi lançado à água o Towfish, um
equipamento que vai ser rebocado durante vários períodos de navegação para
recolher dados do oceano para fins científicos”.
O
equipamento foi desenvolvido pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e
Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no âmbito do projecto SAIL
(Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary Layer) e é uma
componente essencial para o que é considerado “um estudo pioneiro sobre a
electricidade atmosférica e as alterações climáticas”. A explicação é do
próprio 
INESC-TEC que,
aquando da divulgação do projecto, salientava que a última medição do campo
eléctrico atmosférico a bordo de um navio de investigação aconteceu há cem
anos, com o norte-americano Carnegie.
A
30 de Janeiro, o diário de bordo do navio dava conta da actividade do outro
projecto, relacionado com a presença de microplásticos no oceano, e que é
desenvolvido em parceria com o Instituto Hidrográfico. “Diariamente, são
bombeados cerca de mil litros de água salgada, os quais são primeiramente
filtrados num peneiro com 0,05 milímetros (mm) de malha e posteriormente passados
por um filtro de 0,001 mm, onde ficam armazenados. As amostras obtidas durante
a missão vão ser conservadas, a bordo, para posteriormente serem analisadas
pela divisão de química do Instituto Hidrográfico”, lê-se.

Viagem de circum-navegação
O
facto de a Sagres estar a realizar uma viagem de circum-navegação, com passagem
marcada por zonas de difícil acesso para os investigadores, irá permitir a
recolha de informação diversificada e de origens muito diferentes. Seja no que
diz respeito aos microplásticos – havendo a expectativa que os dados recolhidos
possam contribuir para, por exemplo, mapear zonas de acumulação destes
materiais –, seja no estudo das trocas de calor e humidade entre a superfície
do oceano e a atmosfera, e a sua influência no clima.
O Ministério do Ambiente e da Acção Climática (MAAC) salienta
que “a camada limite marinha é vital para o clima terrestre devido às trocas
importantes de calor e humidade que nela ocorrem, e também pela abundância de
nuvens baixas, que têm uma influência muito significativa no clima”. Contudo,
estas nuvens são “mal representadas nos modelos climáticos actuais”, em parte,
por causa da falta de observações nos locais em que podem ser encontradas,
“dada a dificuldade de efectuar medições atmosféricas sobre o oceano”. O
projecto SAIL (que tem uma duração de três anos, estendendo-se para além do
componente da Sagres) irá permitir a produção de “um conjunto de dados
interdisciplinar único para estudos climáticos e de interacção espaço-terra a
nível regional e global”, refere o MAAC.
Antes da
partida, numa entrevista à TSF, o comandante da Sagres, Maurício Camilo,
salientava que esta era a primeira vez que a embarcação iria ser utilizada “com
plataforma para a realização de experiências científicas”, precisando que o
objectivo central de todas elas era efectuar medições. “Medir o quê? Medir a
quantidade de microplásticos na água, medir parâmetros da água e da atmosfera,
tentar apanhar alguns peixes para perceber como estão em termos de saúde, se
têm ou não os tais microplásticos. Vamos tentar medir um pouco a saúde dos
oceanos”, disse.

Fundação Oceano Azul lidera chamada para a acção em defesa dos oceanos junto da ONU

A pensar em 2020 como “o superano para os oceanos enquanto sistemas de suporte do planeta”, a Fundação Oceano Azul juntou duas dezenas de organizações da sociedade civil internacional numa missão conjunta para que o mundo actue em defesa dos oceanos. O primeiro passo formal aconteceu com a entrega da missiva “Rise Up – A Blue Call to Action” ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, na sede da ONU, em Nova Iorque. O objectivo é que as acções para enfrentar a crise que afecta os oceanos ganhem forma até à Conferência dos Oceanos, que se realiza em Portugal de 2 a 6 de Junho.
“Temos de deixar de apresentar apenas diagnósticos e falar do tratamento para os oceanos nos próximos 10 anos”, defende Tiago Pitta e Cunha, em declarações ao Expresso. O presidente executivo da Fundação Oceano Azul lamenta que “as decisões tardem a ser tomadas” e sublinha que este “levantar” serve para “acabar com o status quo, apontar soluções e tomar decisões”.
“Precisamos de acelerar decisões que temos andado a adiar há demasiado tempo”, reforça Pitta e Cunha. Entre as medidas concretas que devem ser tomadas rapidamente destaca “a necessidade de acabar com os subsídios que reforçam o esforço de pesca, levando a União Europeia a tomar decisões para travar a sobrepesca e a defender essa posição na Organização Mundial do Comércio”.
Outra das medidas sublinhadas pelo presidente executivo da Fundação Oceano Azul passa pela ONU “chegar a um acordo em relação ao tratado para o mar-alto, cuja negociação se arrasta há 15 anos”. Isto porque o direito internacional tem sido omisso em relação às zonas de ninguém, que devem ser mais controladas e mais bem protegidas.
“A comunidade internacional também devia limitar as 12 milhas náuticas só à pesca artesanal, proibindo a pesca industrial”, defende Tiago Pitta e Cunha. “Uma medida destas não afecta Portugal, porque 90% da frota portuguesa é costeira e a nível global as águas costeiras representam 10% dos oceanos, mas geram 90% da vida marinha e são das mais exploradas”, explica. Mas há mais medidas a tomar, relacionadas com a poluição com origem na agricultura, na indústria e nos esgotos domésticos que globalmente contribuem para a eutrofização dos mares.
O documento apresenta seis objectivos que passam por: restaurar os oceanos, impondo uma gestão sustentável das pescas e a recuperação e restauração de espécies e ecossistemas ameaçados; investir em tecnologias que permitam emissões neutras de carbono, de modo a ir ao encontro do Acordo de Paris; acelerar a transição para uma economia circular e sustentável que conduza ao fim de actividades destrutivas dos mares; apoiar as populações costeiras, nomeadamente os povos indígenas de modo a que se tornem mais resilientes e garantam a segurança alimentar e a conservação da biodiversidade; unir diferentes países e organizações de países de modo a conseguir um governança forte dos oceanos; e proteger pelo menos 30% dos mares e oceanos até 2030 de forma efectiva.
É a primeira vez que a Fundação Oceano Azul lança uma campanha internacional como esta. E Pitta e Cunha espera que “deixe uma vaga de fundo”. O documento conta com a assinatura de 26 organizações não governamentais da sociedade civil, entre as quais a Ocean Unite, a Oak Foundation, a Oceana, a Fundação Albert II do Mónaco, a Seas at Risk, a WWF ou a federação de comunidades indígenas ICCA.

É português o melhor peixe do mundo

Não é preciso saber muito nem conhecer muito sobre a história do nosso país, para saber que a sua localização foi sempre responsável por uma forte ligação ao mar e à pesca.
Esta última constitui, até hoje, uma actividade económica importante, sendo Portugal um dos povos europeus com maior consumos de pescado per capita.
Os benefícios para a saúde e a tradição gastronómica ligada a este alimento são duas das razões para este ser um alimento sempre presente e bem na mesa da maioria dos portugueses.
É português o melhor peixe do mundo (e não somos nós que dizemos!)

Não, não vamos falar de nenhuma espécie de pescado em específico e elegê-la como melhor do mundo. Vamos, simplesmente, citar a opinião veiculada nos últimos anos por muitos e muitos chefs de cozinha que têm afirmado que o melhor peixe do mundo é mesmo o português.
Uma das riquezas do pescado nacional é, segundo o chef Luís Baena, a diversidade de espécies que se apresenta com a melhor qualidade e frescura, todo o ano.
Ferran Adriá – que é “só” o chef do super aclamado El Bulli -, considera o peixe e o marisco portugueses simplesmente os melhores do mundo. Escusado será dizer que quando o chef partilhou esta sua opinião com o Expresso, em 2011, todo o “mundo” ficou de olhos postos no nosso país e no produto da sua pesca.
A este grande nome da gastronomia internacional, juntou-se o também enorme chef Thomas Keller, de Nova Iorque, o único com três estrelas Michelin em dois restaurantes diferentes. Keller afirma mesmo que não come outro peixe, senão o português.
Se ainda houver dúvidas acerca da fama do peixe português, bastará dizer que os restaurantes mais reconhecidos nos Estados Unidos da América, Rússia, Itália, Suíça, entre outros, trabalham essencialmente com peixe oriundo de Portugal.
Por exemplo, um dos restaurantes nova-iorquinos, considerado por muitos o melhor dos EUA, importa diariamente peixe português para a confecção dos seus pratos.

Navio-escola Sagres parte este domingo para reedição da viagem de circum-navegação

O navio-escola Sagres vai zarpar de Lisboa este domingo para uma jornada de 371 dias que será uma reedição da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, efetuada há 500 anos, anunciou a Marinha.
Em comunicado, aquele ramo das Forças Armadas refere que o navio-escola vai sair nesta manhã de domingo do terminal de cruzeiros de Santa Apolónia e o seu regresso à capital portuguesa está marcado para 10 de janeiro de 2021.
Durante a viagem, enquadrada no programa das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães, o navio vai passar por 22 portos de 19 países, estando previsto que visite 12 cidades da rede Mundial de Cidades Magalhânicas, estima a Marinha.
O navio-escola Sagres fará também escala em Tóquio, durante os Jogos Olímpicos, para ser a casa de Portugal durante aquela competição, à semelhança do que já aconteceu no Rio2016.
Na apresentação da viagem, em meados de dezembro, o comandante do navio-escola, Maurício Camilo, assinalou que esta “é a viagem maior em duração e em distância dos 82 anos de história do navio, e vai ter também a maior tirada da história do navio, que serão 32 dias a navegar, entre o Taiti e Punta Arenas”.
Durante a viagem,o NRP Sagres vai participar também nas comemorações da Descoberta do Estreito de Magalhães, em Punta Arenas (Chile) e vai efectuar navegação conjunta com o navio “Juan Sebastian Elcano”.

RTP estreia “Mar, a última Fronteira”, primeira série documental totalmente dedicada ao mar português

Série documental totalmente dedicada ao mar português, realizada pelo fotógrafo e cineasta subaquático Nuno Sá, estreia dia hoje, na RTP1.
É a primeira série documental portuguesa completamente dedicada à biodiversidade do mar português e às áreas marinhas mais pristinas da costa de Portugal, incluindo os Arquipélagos da Madeira e dos Açores.
Um projecto da RTP, desenvolvido em parceria com o Oceanário de Lisboa e a Fundação Oceano Azul e realizado pelo fotógrafo e cineasta subaquático Nuno Sá, este documentário vai mostrar aos espectadores o mar de Portugal, através de imagens únicas e exclusivas, como a descida num submarino a 1000 metros de profundidade nos Açores, os encontros com o maior animal do planeta, a baleia-azul, mergulhos frente-a-frente com a foca-monge, um dos mamíferos marinhos mais raros do mundo, ou “conversas” entre os velozes tubarões-azuis.
Com estreia hoje, às 21h00, com um episódio especial, a seguir ao Telejornal, a série “Mar, a última Fronteira” vai mostrar, ao longo de seis episódios, a imensa riqueza e os grandes hotspots de biodiversidade marinha que Portugal tem no seu mar.
Premiado, em 2018, nos BAFTA, pelo seu contributo na série BBC Blue Planet 2, Nuno Sá e a sua equipa de mergulhadores, percorreram, ao longo de 18 meses, mais de 1600 milhas náuticas, mergulharam durante centenas de horas, realizaram mais de 100 mergulhos, falaram com investigadores, arqueólogos subaquáticos e muitos entusiastas do mar, sempre à descoberta dos melhores sítios para captarem imagens inesquecíveis.
«Esta série surgiu da necessidade de mostrar aos portugueses que temos no nosso mar uma riqueza de biodiversidade única a nível mundial. Mergulhámos ao longo da costa de Portugal Continental, de Olhão a Matosinhos, percorremos todas as ilhas do Arquipélago dos Açores e da Madeira, incluindo as ilhas Selvagens, para mostrarmos a vida marinha que habita nas nossas águas.» refere Nuno Sá.
De acordo com Tiago Pitta e Cunha, CEO da Fundação Oceano Azul e Administrador do Oceanário de Lisboa, «Os portugueses descobriram recentemente a dimensão do mar português, mas são poucos aqueles que têm o privilégio de o conhecer verdadeiramente. Com esta série, damos a conhecer, pela primeira vez, o que se passa naquela que é a maior ZEE da União Europeia: o Mar de Portugal.»
Para Gonçalo Reis, Presidente do Conselho de Administração da RTP, «Esta série é mais um exemplo de uma aposta estruturada da RTP na produção de documentários, divulgando a riqueza e diversidade do nosso país, neste caso sobre a natureza e o mar. E é um trabalho realizado em parceria, com uma fundação e uma equipa que têm um profundo conhecimento da realidade dos oceanos.»
Esta série será emitida, na RTP1, a partir de dia 23 de novembro, aos sábados, às 10h00, ficando também disponível no RTP Play.

Alimentar vacas com esta alga cor-de-rosa pode ajudar a combater as alterações climáticas

Uma alga rosada que cresce em águas tropicais temperadas pode vir a ser uma enorme ajuda para combater as alterações climáticas.


De acordo com o Science Alert, investigadores australianos estão a tentar encontrar uma forma de produzir em massa — mas de forma sustentável — a Asparagopsis taxiformis, uma vez que há, cinco anos, um estudo mostrou que esta alga quase anulou por completo a libertação de metano expelido pelas vacas.

“Quando adicionado à ração, mesmo que seja a menos de 2% desta, a alga elimina completamente a produção de metano. A alga contém substâncias químicas que reduzem os micróbios nos estômagos das vacas que as fazem arrotar quando comem erva”, explica o biólogo de aquacultura Nick Paul, da Universidade de Sunshine Coast, citado num comunicado.
Paul foi um dos membros da equipa australiana que, em 2014, analisou 20 diferentes espécies de macroalgas tropicais para identificar se alguma conseguiria reduzir a produção de metano libertada pelo gado. Das candidatas testadas, a A. taxiformis revelou ser a mais eficaz, inibindo 98,9% da produção de metano dos animais após 72 horas.
Tal como recorda o site, embora o metano represente uma fonte global muito menor de poluição atmosférica do que o dióxido de carbono (CO2), o seu potencial de retenção de calor torna-o muito mais prejudicial do que o CO2, especialmente a curto prazo.

Ao longo de 100 anos, o metano atmosférico é cerca de 28 vezes mais eficaz na captura de calor do que o CO2 e, num período de 20 anos, estima-se que seja ainda 100 vezes pior.
Com isso em mente — e com o facto de o gado ser responsável por cerca de 14,5% de todas as emissões antropogénicas de gases de efeito estufa (65% dos quais se devem ao gado bovino) – fica então claro que esta pode vir a ter um papel fundamental.
O desafio agora é perceber como aumentar a produção e o crescimento destas algas, de forma a que consigam alimentar as vacas de toda a Austrália e, a longo prazo, de todo o mundo.
“Esta alga despertou interesse global e pessoas em todo o mundo estão a trabalhar para garantir que as vacas sejam saudáveis e que a carne e o leite sejam de boa qualidade. A única coisa que falta, e que vai fazer com que isto funcione à escala global, é garantir que podemos produzir as algas de forma sustentável“, afirma Paul.
Com esse objectivo, Paul e a sua equipa estão a tentar encontrar ótimas condições de crescimento das algas, estudando o seu crescimento em grandes tanques de aquacultura ao ar livre, enquanto também investigam maneiras de maximizar a concentração dos compostos químicos ativos das algas.
Uma das dificuldades é descobrir como fazer com que uma alga se torne algo semelhante a uma safra agrícola que pode ser colhida noutros tipos de ambientes.