Portugueses desenvolvem tecnologia para exploração autónoma das profundezas do oceano

 

Investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) criaram uma solução de comunicações de longo alcance e de banda larga para ambiente subaquático para a exploração autónoma dos oceanos.

A solução foi desenvolvida no âmbito do projecto GROW e permite flexibilizar as operações subaquáticas e reduzir o custo e atraso no acesso aos dados recolhidos debaixo de água, explica o comunicado de imprensa. A utilização de AUVs (Veículos Subaquáticos Autónomos) é cada mais o meio frequente ou preferencial para realizar missões neste tipo de ambiente.

A proposta destes investigadores combina tecnologias sem fios de curto alcance, AUVs que permtem a coluna de água e transportam dados e comunicações acústicas que permitem o controlo da transmissão de dados em tempo real.

Uma ligação sem fios entre a superfície de água e o fundo do mar é assim possível, com maiores taxas de transmissão de dados e uma menor latência do que o que se consegue com os meios atuais. A solução já foi testada em ambiente real, a 20 metros de profundidade, com os testes a comprovar as vantagens da solução desenvolvida e a permitir novos desenvolvimentos necessários para aproximar a tecnologia da sua comercialização.

O coordenador da área de redes sem fios do INESC-TEC Rui Campos explica que esta tecnologia “tem potencial para ser utilizada em diversos cenários subaquáticos, incluindo monitorização ambiental, vigilância subaquática e inspeção de infraestruturas subaquáticas.”

Mar Morto está a desaparecer, cientistas dizem que pode ficar completamente seco até 2050

 

Centenas de pessoas posaram nuas, no deserto de Israel, para uma fotografia que pretende chamar a atenção para a preservação do Mar Morto, em risco devido às alterações climáticas.

A fotografia de Spencer Tunik integra um projecto que inclui outros trabalhos na mesma região e que pretende chamar a atenção para a necessidade de preservar o Mar Morto, antes que seja demasiado tarde.

O mar está a desaparecer a um ritmo de quase um metro por ano e alguns cientistas receiam que possa ficar completamente seco nos próximos 25 anos.

Mergulhador encontra espada com 900 anos em Israel

Uma espada com 900 anos, que pertencia a um cavaleiro templário, foi encontrada por um mergulhador, na costa do HaCarmal, Israel.

A descoberta foi feita por Shlomi Katzin, que mergulhava numa enseada, que servia de ancoradouro para navios na Idade do Bronze Final, há 4.000 anos, quando avistou o objecto.

O achado está agora a cargo da Autoridade de Antiguidades de Israel para análise, com posterior intenção de o exibir publicamente num museu.

O chefe da Unidade de Arqueologia Marinha, da AAI, Kobi Sharvit, defende que o local onde a espada foi encontrada, era escolhido pelos cavaleiros para protecção.

A Ordem dos Templários existiu durante cerca de dois séculos na Idade Média. Fundada no rescaldo da Primeira Cruzada em 1096, o objectivo dos soldados seria proteger o cristianismo e expandir a religião, lutando contra os “inimigos de Cristo”.

Ministério do Mar com salto de 118,5%

Segundo avança o Expresso, o orçamento do Ministério do Mar dá um salto de 118,5% num ano, com a despesa prevista para 2022 a ficar nos 174,8 milhões de euros, exactamente o mesmo valor da receita. Em 2021, a receita era superior à despesa em 8,6 milhões de euros, pelo que o aumento neste item é de 97,4%, indica a proposta de OE 2022, entregue segunda-feira passada na Assembleia da República. A estrutura de despesa do Programa assenta maioritariamente em transferências correntes (28,8%), em aquisição de bens e serviços (21,6%), em despesas com o pessoal (20,2%), e em aquisição de bens de capital (19,3%). A dotação de despesa de investimento consiste principalmente em: intervenções nos portos de pesca, instalação de redes de radares de observação meteorológica e de sistemas de alerta precoce de riscos meteorológicos, dragagens e intervenções de emergência nos portos do norte, centro e sul, controlo e inspecção no âmbito das actividades da política comum das pescas; conservação e reparação de navios de investigação e construção da Unidade BIVALOR – infraestrutura de Depósito, Transformação e Valorização dos Bivalves do Estuário do Tejo e projectos no âmbito da reforma do ecossistema de infraestruturas de suporte à economia azul (Hub Azul). Ao nível da aquisição de bens e serviços, a dotação de despesa concentra-se maioritariamente no Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I.P., na Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e na Direção-Geral da Política do Mar, “merecendo referência, neste último, a inscrição de dotação orçamental destinada à organização em Portugal da segunda Conferência das Nações Unidas sobre Oceanos, inicialmente agendada para 2021 e adiada para 2022 devido à pandemia da COVID-19”, refere o documento. As transferências, correntes e de capital, respeitam essencialmente à concessão de apoios no âmbito dos fundos europeus de apoio ao sector do mar e das pescas, designadamente através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para assegurar a reforma do ecossistema de infraestruturas de suporte à economia azul, do EEA GRANTS-Programme Operator (relativo ao Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu) e do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, seja ao sector privado como ao sector público. A dotação de activos financeiros, integralmente a cargo do Fundo Azul, inclui a verba destinada ao Portugal Blue — fundo de capital de risco que vai apoiar investimento em empresas portuguesas do sector do mar, em linha com prioridades de acção climática e desenvolvimento sustentável —, assim como aos diversos projectos apoiados ao abrigo das candidaturas ao mecanismo de incentivo financeiro destinado ao desenvolvimento da economia do mar, a par da investigação cientifica, protecção e segurança do meio marinho.

Pilotos da Portos dos Açores levantam pré-aviso de greve

O Sindicato Oficiaismar anunciou esta quarta-feira que vai ser levantado o pré-aviso de greve dos pilotos das ilhas de São Miguel e Santa Maria afetos à empresa pública regional Portos dos Açores, uma vez que as revindicações foram “satisfeitas”.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Sousa Coutinho, da direção do sindicato, revelou que os trabalhadores estiveram reunidos com a administração da Portos dos Açores durante mais de duas horas na tarde desta quarta-feira e “todas as revindicações dos pilotos foram satisfeitas”.

“A todas as entidades para quem enviamos o pré-aviso, vamos dizer que o pré-aviso é levantando, com base numa satisfação das nossas reivindicações e das preocupações dos pilotos”, avançou o comandante à agência Lusa.

A greve estava prevista vigorar de 15 de outubro a 15 de novembro.

Como objectivos da greve, os pilotos pretendiam “terminar com a ingerência na autonomia técnica” e “garantir a aquisição do material necessário ao exercício profissional”, segundo o pré-aviso.

Queriam ainda “terminar com a imposição de utilização” de equipamentos de protecção individual que “colocam em risco a prestação da actividade profissional em condições de segurança e saúde”, nomeadamente o uso obrigatório de um capacete limitador da visão periférica. “A imposição unilateral do equipamento passou a recomendação. Antes, o manual de qualidade interna, que era uma questão-chave para nós, imponha a obrigatoriedade [do uso]”.

Para Carlos Sousa Coutinho, a obrigatoriedade do uso do capacete “podia criar situações desagradáveis para o piloto”, que poderia “ser alvo de um processo”, caso não utilizasse o equipamento.

A administração da empresa, liderada por Rui Terra, apresentou ainda “planos de investimentos que vão ao encontro das expectativas dos pilotos”, revelou o sindicalista. Entre estes investimentos, está o “reforço da operacionalidade” no porto de Ponta Delgada e a aquisição de uma lancha de cerca de 700 mil euros para operar no porto de Vila do Porto, em Santa Maria

“A administração da Portos dos Açores fez ‘mea-culpa’, fez marcha-atrás e considera que houve aqui um conjunto de equívocos”, concluiu.

Trabalhadores italianos ameaçam bloquear portos contra obrigatoriedade do passe Covid

Trabalhadores portuários manifestaram-se esta quarta-feira em várias cidades italianas contra a obrigatoriedade de passe sanitário para todos a partir de 15 de outubro, ameaçando bloquear “todas as operações” portuárias no dia da entrada em vigor da medida.

“Todas as operações serão bloqueadas no porto de Trieste” (nordeste de Itália), declarou na televisão pública italiana o porta-voz do sindicato de trabalhadores daquela estrutura, Stefano Puzzer, exigindo para cada pessoa “a possibilidade de decidir”.

Os trabalhadores portuários italianos, que protestaram também noutras cidades, como Ancona (leste), ameaçaram bloquear “quase todos os portos” do país, contra o decreto assinado na terça-feira pelo primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, com as diretrizes sobre a obrigatoriedade de todos os empregados apresentarem a partir da próxima sexta-feira, 15 de outubro, um passe sanitário para poderem trabalhar.

“O bloqueio de sexta-feira está confirmado, mas não param só os portos de Trieste e Génova: quase todos os portos vão parar”, anunciou Puzzer, quando há também protestos convocados em cidades como Roma.

Ministério do Mar renova ideia de Ana Paula Vitorino para a criação de uma rede de Port Tech Clusters

Segundo avança o “Agricultura e Mar”, o Governo, “dando resposta às áreas de intervenção prioritária” da Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 (ENM 2021-2030), avança com várias medidas na sua Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2022. Uma delas, em destaque, é “desenvolver a rede de Port Tech Clusters nos portos comerciais e de pesca como plataformas de aceleração tecnológica das novas indústrias marítimas”. Uma medida que vem dos tempos da ex-ministra do Mar Ana Paula Vitorino.

“O sistema portuário nacional deve afirmar-se como a linha da frente da concretização da economia azul assente na inovação operacional, energética e ambiental das indústrias marítimas, promovendo o surgimento de novas empresas que concretizem efectivamente a economia circular azul”, dizia a então ministra do Mar a 30 de Janeiro de 2019, na sessão de apresentação dos parceiros pioneiros do Bluetech Accelerator. E realçava que “esta concretização será possível através da criação de uma rede de Port Tech Clusters, plataformas de aceleração da inovação tecnológica e empresarial de negócios azuis sustentáveis baseados nos portos.

Conheça Solovino, o cão que ajuda tartarugas bebé a chegar ao mar

 

Animal protagoniza uma conta no Instagram onde é mostrado o seu dia-a-dia, assim como o ‘trabalho’ que leva a cabo na ajuda às pequeninas tartarugas.

Solovino é um cão mexicano que tem um ‘trabalho’ tão digno que já o tornou uma pequena estrela local. Isto porque o animal desenvolveu uma forte ligação com as tartarugas que vão nascendo na praia de Miramar, em Tamatulipas, e ajuda as bebés a chegar ao mar. 

Solovino faz questão de acompanhar as mães que depositam os ovos no areal – garantindo ele mesmo que o fazem em segurança – e, quando as crias nascem, é o primeiro a ir perceber se estas se encontram bem. Depois, quando chega a hora, acompanha as pequenas em direção à sua vida futura, na água. 

A amizade que se desenvolveu entre estas duas espécies já levou a que Solovino ‘ganhasse’ uma página na rede social Instagram – solovino_dog – onde é o protagonista e onde é partilhado o seu dia-a-dia. 

A rotina de fazer companhia – primeiro às mães, depois às crias – já fez com que o cão se tornasse viral nas redes sociais, tendo mesmo a praia de Miramar agradecido no Facebook a Solovino pela sua ação que “preserva o ciclo vital das tartarugas lora”, que se encontram em vias de extinção, contam os meios locais.

Além de ser o melhor amigo do homem, Solovino mostra que os cães podem também ser… os melhores amigos das tartarugas.

Cimeira de cientistas vai refletir sobre mar, biodiversidade e espaço

A reunião internacional Global Exploration Summit (Glex) vai reunir em 9 de julho em Ponta Delgada, nomes como a oceanógrafa Sylvia Earle e o físico Brian Cox, para refletir sobre mar, biodiversidade e espaço, anunciou hoje a organização.

Um dos pontos altos, segundo adiantou Manuel Vaz, um dos organizadores do evento, será o “anúncio de Sylvia Earle em considerar o mar dos Açores como um território de esperança para a conservação do planeta, que tem como objectivo também sensibilizar a área política e a área económica”.

“Temos de perceber que estamos num patamar diferente da vida e da espécie humana. Já não há muito tempo para se começar a tomar iniciativas sérias”, prosseguiu o responsável, que falava hoje, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na sessão de apresentação da cimeira.

A segunda edição da Glex é este ano repartida entre Lisboa e os Açores. Pelo evento passam nomes como os ex-astronautas norte-americanos Alan Stern e Rusty Shweickart, o ilusionista norte-americano David Blaine e a poeta Amanda Gorman, conhecida por ter lido um poema na tomada de posse do Presidente norte-americano, Joe Biden.

Para além da reconhecida oceanógrafa Sylvia Earle, nos Açores estarão também o físico e divulgador científico britânico Brian Cox e o presidente da Agência Espacial Europeia, Ricardo Conde.

A iniciativa integra as comemorações do quinto centenário da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, que se assinalou em 2019.

José Manuel Marques, presidente da estrutura de missão das celebrações, destacou que juntar estes dois eventos convida a uma “reflexão sobre este legado do passado e à reflexão sobre o mundo que herdamos e que estamos a construir”.

Também Manuel Vaz frisou que esta é uma oportunidade de, celebrando um feito de há 500 anos, “olhar para os próximos 500 anos”.

O organizador lembrou que a Glex não ‘aterra’ por acaso nos Açores.

A organização já cá tinha estado, “há dois anos, com uma missão secreta, que deixou de ser secreta, da NASA”, a expedição “Mars on Earth”, no vulcão dos Capelinhos, no Faial.

Também o astronauta Richard Garriot, fundador do Explorers Club e co-organizador desta cimeira, afirmou que a iniciativa permite celebrar a “exploração global”, destacando os projetos portugueses que estão a “ajudar a construir a rede global de radares”.

A Glex Summit acontece em 6 e 7 de julho em Lisboa e 9 e 10 de julho em São Miguel.

Comércio global caótico: "Faltam contentores, navios, chips, falta tudo", diz Mário de Sousa





Numa análise feita ao semanário, “Expresso”, Mário Sousa, CEO da empresa portuguesa Portocargo, relatou o panorama actual do comércio global, que, segundo o gestor, vive momentos caóticos onde «faltam contentores, navios, chips»: no fundo, «falta tudo».

O contexto comercial e logístico mundial transformou-se por completo na sequência do surgimento da pandemia de COVID-19, e, entre 2020 e 2021, poucos foram os progressos feitos em termos de estabilização dos tráfegos e harmonização dos preços dos fretes, principalmente nos contentores.

Se os armadores aguentaram o baque, protegendo-se (cortando escalas e aumentando preços) e voltando aos lucros no arranque de 2021, a verdade é que, para carregadores e transitários, o cenário tarda em estabilizar. A assimetria global da distribuição de contentores vazios, os desfasamentos entre fluxos comerciais e os preços galopantes do frete, colocaram as indústrias e as transacções numa situação apertada.

«Parecem tempos de guerra. Faltam contentores, navios, chips, falta tudo», analisou, ao ‘Expresso’, Mário de Sousa, presidente da Portocargo. «As dúvidas sobre a forma como a China começou a fazer stocks para dar o nó à Europa e ao Mundo já levou os EUA a anunciarem uma investigação, mas a Europa continua passiva», observou, frisando que os preços continuam a subir em flecha, para níveis incomportáveis.

Durante o mês de Maio, o trajecto de ida e volta de um navio entre o Sul da China e Hamburgo, na Alemanha, passou de 80 para 100 dias e o preço de um contentor quintuplicou, até aos 10 mil dólares. Em natural contexto de interligação e interdependência, também é cada vez mais complicado escoar as exportações. Sectores como o do papel já conhecem esse lado do problema, adiantou Mário de Sousa ao semanário.

Fonte: Expresso