Falta de oxigénio no oceano causou extinção em massa há 444 milhões de anos
Por que o oceano é um aliado no combate à COVID-19?
Marinha cria protótipo de ventilador de baixo custo
A Marinha deu a conhecer o protótipo de um ventilador mecânico de baixo custo (1.500 euros) que foi criado pelos militares e pode vir a ser “produzido em massa” em Portugal.
“Este ventilador compreende os quatro modos de ventilação mais usados do ponto de vista de cuidados intensivos e já o fizemos a pensar na comunidade médica e também na parte da sustentação do Serviço Nacional de Saúde”, avançou o tenente Tiago Lança, que faz parte da equipa que criou o projeto.
Em declarações aos jornalistas, na Base Naval de Lisboa, em Almada, no distrito de Setúbal, o responsável indicou que a Marinha “não irá produzir o ventilador”, mas apostou num protótipo para “abrir o leque às indústrias parceiras da Marinha ou a empresas que estejam interessadas em desenvolvê-lo”.
Foram quatro militares da Célula de Experimentação Operacional de Veículos Não-Tripulados que tiveram a ideia de desenvolver este protótipo de um ventilador mecânico de baixo custo que ajude no combate à pandemia da Covid-19.
O projeto foi desenvolvido em três semanas e, segundo Tiago lança, a próxima “batalha” será “atingir níveis de fiabilidade e fazer a certificação” para que possa vir a ser “produzido em massa”.
Neste momento estamos a finalizar a parte eletromecânica e do desenho do interface que ainda está a ser programada. A nossa ideia é colocarmos o protótipo numa versão final nas próximas duas ou três semanas para iniciar o processo de certificação”, adiantou.
Segundo o responsável, o equipamento produzido teve um custo de cerca de 1.500 euros, mas “para poder escalar há mais alguns custos”.
Para os militares, este projeto foi um “desafio” porque costumam desenvolver outro tipo de engenharias, mas já estão a conseguir frutos porque tem havido “muito interesse por parte dos parceiros da Marinha”.
Oceanos tropicais podem entrar em colapso dentro da próxima década
PSA Sines lança vídeo com os trabalhadores.
A PSA Sines, empresa que possui a concessão do Terminal XXI, lançou recentemente um vídeo com os seus trabalhadores. O vídeo homenageia aqueles que dão o melhor de si nesta luta contra a Covid-19. Em relação ao tema, a PSA Sines, tinha criado em Março, juntamente com o Sindicato XXI e a Comissão de Trabalhadores, um grupo de trabalho para fazer face ao surto do novo coronavírus. O Terminal XXI é um dos portos que continua a trabalhar sem qualquer restrição, tendo inclusive aumentado a movimentação no passado mês de Março, que possibilitou a entrada em vigor do acordo salarial acordado entre a PSA Sines e o Sindicato XXI. O terminal tem dado sinais de recuperação, pese a nível nacional, o inicio do ano ter sido de quebra nos portos nacionais, tendo caído 6% na generalidade até Março. A PSA Sines já tinha sido noticia o mês passado por ter atribuído um prémio de 300€ a cada trabalhador, em resposta aos efeitos provocados pelo Covid-19. O vídeo pode ser visto aqui.
A cidade submersa de Heracleion, uma das descobertas mais importantes do Egipto Antigo.
Foto: Franck Goddio
A Pandemia do Covid-19 e a Indústria do Shipping
Quando ouvimos pela primeira vez do coronavírus, que provoca a doença classificada como Covid-19, em meados de dezembro passado, longe estaríamos de saber o impacto e os estragos que iria causar no transporte marítimo, num sector competitivo e em constantes batalhas contra as dificuldades. A rápida propagação do vírus bem como a falta de preparação do sector e já agora do mundo, fez com que houvesse a necessidade de implementação de medidas, fosse por parte das companhias de navegação ou pelos diversos portos, medidas essas que causou dificuldades adicionais. Estes factores em conjunção com as iniciativas dos vários governos, na tentativa de aplicar medidas duras, com sérios impactos na economia, o que começou a reflectir-se na diminuição do crescimento económico, e com uma economia bloqueada, a necessidade de mercadorias diminui, e dessa forma a movimentação de mercadorias, sendo o sector marítimo o principal afectado. De certa forma uma crise de saúde pública veio juntar-se a uma já longa guerra comercial entre a China e os EUA, que obrigou o sector a ter de adaptar-se a esse desafio, tal como está a fazer agora com a situação actual. As consequências directas da pandemia da Covid-19, já está a ter um impacto significativo no sector do shipping, e a pressão começa a acumular-se de forma preocupante. De acordo com os dados estatísticos, cerca de 80% do comércio mundial é feito por via marítima, e o país do epicentro do coronavírus possui só por si mesmo, 7 portos no Top 10 mundial. E isso por si só, deu logo as respectivas repercussões, como se pode comprovar, na redução do número de navios a fazer escala em portos chineses. O porto de Xangai por exemplo, teve uma queda abrupta de 17% em Janeiro, quando comparado com o mesmo período do ano passado. O efeito tipo dominó, fez com que outros portos caíssem também, e só no principal concorrente dos portos chineses, nos EUA, o porto de Los Angeles teve uma queda de 25% em Fevereiro, em comparação com período transacto, depois do efeito de declínio da China se começar a sentir. Nunca ouviu aquela velha frase, “Quando a China espirra, o mundo se constipa?”, pois foi exactamente isso que sucedeu. Esta convulsão global de acontecimentos, a já mencionada guerra comercial entre os EUA e a China, o processo do Brexit, que já andava a prejudicar o crescimento, já alertava para para eventuais problemas no crescimento. Esta crise de 2020, é bastante diferente daquela de 2008-2009, que foi consequência de uma crise económica e financeira que abalou a economia do final de 2008, e que teve como resultado o maior declínio das trocas comerciais em mais de 70 anos e que levou que no ano seguinte houvesse mais de 1000 navios vendidos para abate.
Nos portos nacionais, o efeito também já sentiu no inicio do ano, com uma queda de 9,7% só em Janeiro a nível global e de 16,2% só no sector contentorizado. O shipping é feito de ciclos. É um sector que possui diversos ciclos na linha do tempo. Se no ciclo anterior, houve mudanças, também acredito que irá existir mudanças dentro do panorama actual. Não há dúvidas de que o prolongar das incertezas sobre o ultrapassar da pandemia irá agravar os problemas que já existiam, e isso irá afectar as indústrias que dependem deste sector para a sua própria saúde financeira. Pode aprender-se muitas lições com os ciclos baixos do passado. Mas isso não vai só depender das empresas. Vai depender também da acção dos seus governos. Há que salvar a economia, e por consequente o tecido empresarial, que emprega muitas pessoas, do qual as respectivas famílias dependem. Não é tempo de empréstimos que são encargos futuros que irão dificultar não agora, mas mais à frente, na altura de voltar a recuperar. É preciso injectar dinheiro na economia, não para a salvar, mas para atenuar o choque que todos tivemos desde do mês passado. E o tempo não espera. Cada adiamento, cada decisão tardia tem os seus custos. Esperemos que o ponto de retorno seja um “V”, ou seja queda rápida seguida de uma igual recuperação. Que assim seja.
Por Paulo Freitas.









