Futuro Portuário de Sines

Parte do futuro mencionado no título, passa pela já anunciada expansão do Terminal XXI, que demonstra a aposta ganha de um projecto que se iniciou operações em meados de 2004, subindo desde de então diversos patamares, até à futura capacidade dimensionada de 4,1 milhões de TEUS. Ao seu lado, irá encontrar-se o futuro Terminal de Contentores Vasco da Gama, que viu o seu concurso adiado até 6 de Abril de 2021, e irá ter uma capacidade máxima de 3,5 milhões de TEUS. Ambos os projectos possuem o condão de dotar Sines de um enorme hub portuário, como irá reconfigurar o Concelho de Sines, bem como o Sector Portuário Nacional. 

É uma evolução que não surpreendeu quem acompanha de perto. Se o facto de serem terminais de águas profundas é importante? Sim. Se é extremamente  relevante a sua localização geográfica? Obviamente. Mas não será tudo.

Há quem fale em “reforçar o papel à escala internacional”. Falar nesse aspecto, sem propor a criação de uma zona franca, é falhar na intenção. Só a constituição de um projecto desta natureza, irá dar o impulso internacional que se pretende, de modo a incentivar o investimento, para estimular um incremento nas trocas comerciais e baixar custos. Mas se é importante captar o investimento estrangeiro, não menos será importante uma estratégia de captação de empresas nacionais com visão na área da inovação e tecnologia de modo a potenciar novas áreas de negócio.

Mas não é suficiente ainda. Se é falado que a plataforma integrada no Corredor Atlântico da Rede Transeuropeia como factor de vantagem, esquecendo que o actual governo demonstrou incapacidade de completar o projecto do Corredor Internacional Sul, que já deveria estar completo no 1° Trimestre de 2019, e que só deverá estar pronto em meados de Dezembro de 2023, senão for mais tarde, devido à pandemia da Covid-19.

E perante uma visão de crescimento, da possível captação de novas empresas, da criação de inúmeros postos de trabalho ( que esperamos qualificados e bem pagos), estará o Concelho preparado para esse futuro crescimento? Terá habitação para tanta gente nova, quando não existe suficiente e de forma acessível já vive ou é de cá? Uma estratégia para reforçar a exigência no que concerne à responsabilidade para com o ambiente? Que crie verdadeiro apoio aos mais antigos, que crie mais vagas para os bebés e crianças? Tanto que podia ser mais mencionado. 

Há paralelamente a estes projectos, um trabalho intenso que tem de ser feito para projectar o Concelho de Sines a esse novo paradigma. E esse trabalho que tinha de se iniciar ontem, infelizmente ainda não aconteceu e cada atraso irá ter suas repercussões negativas. 

Autor: Paulo Freitas

Ameaçada de extinção, maior tartaruga dos oceanos usa praias vazias para reprodução.

A natureza vem aproveitando o momento de quarentena e a redução das acções humanas directas e, assim, dos seus tão nocivos efeitos, para reflorescer e até mesmo renascer onde a vida, a fauna e a flora, pareciam antes condenadas. As tartarugas marinhas são um excelente exemplo de espécie que parece vir beneficiando da quarentena – em especial a Tartaruga de Couro, maior espécie de tartaruga dos oceanos: ameaçada de extinção, a espécie vem aproveitando as praias vazias da Florida, nos EUA, para colocar os seus ovos nas areias. Com até 400 kg e podendo medir até 2 metros de comprimento, a Dermochelys coriácea, também conhecida como tartaruga gigante, é encontrada em oceanos tropicais e subtropicais e pode viver até 300 anos. A ausência de pessoas nas praias da Flórida também significa a ausência de outras ameaças contra a espécie, para além das pessoas propriamente: as areias e águas se livraram dos resíduos plásticos e até mesmo das luzes nocturnas, capazes de atrapalhar a busca dos filhotes recém-nascidos por chegar ao mar. Segundo investigadores da Sea Turtle Conservancy, entidade que trabalha pela conservação das tartarugas nos EUA, é ainda prematuro para concluir que se trata da melhor temporada para a Tartaruga gigante, mas os indícios são positivos: no ano passado na Juno Beach, praia com maior densidade de ninhos de tartaruga no mundo, foram registados 21 mil ninhos nas areias nas duas primeiras semanas de desova, e nesse ano os biólogos já atestaram um aumento. O aumento na presença das Tartarugas marinhas  – e, da mesma forma, de seus ovos – vem sendo também visto na Índia, na Tailândia e outros tantos países.

Foto: Reuters

Covid-19: máscaras e luvas podem fazer disparar a poluição nos oceanos

Vários estudos indicaram que a qualidade do ar tinha melhorado substancialmente em quase todo o mundo, pouco depois do início da pandemia de Covid-19. Na China, em França ou nos Estados Unidos, os níveis de poluição desceram de forma sustentada, como consequência do fecho de várias actividades, nomeadamente a indústria.
Mas a World Wild Fund for Nature (WWF) alerta que, a longo prazo, podem surgir outros problemas para o meio ambiente. A obrigatoriedade do uso de máscara em muitos locais do planeta levou à massificação deste equipamento. Juntando a generalização das luvas, é necessária uma produção em massa deste tipo de materiais, feitos maioritariamente com plástico.
Grande parte do equipamento de protecção individual (EPI) são descartáveis, e acabam por ser deitados fora depois da sua utilização. A WWF alerta que estes materiais, ainda que não sejam recicláveis, devem ser deitados no lixo, prevenindo que acabem “nas ruas, nos passeios ou nos parques”.
A organização avança que já é notória uma maior presença de máscaras e luvas nos oceanos, e que a sua presença pode ser letal para vários peixes e tartarugas, que confundem o plástico com alimento, e acabam por ingerir o material.
Uma estimativa do Politécnico de Turim diz que, com o começo da fase dois do desconfinamento, vão ser precisos mil milhões de máscaras e luvas por mês só em Itália.
A WWF fala em “quantidades muito elevadas” de EPI’s, e apela à responsabilidade da população na hora de deitarem fora os materiais.
Cada um de nós deve fazer um esforço para assegurar que procedemos da forma correta e com o mínimo impacto possível na natureza”, refere.
A organização afirma que, mesmo que apenas 1% das máscaras seja descartada de forma incorrecta, isso corresponde a 10 milhões de máscaras deitadas na natureza todos os meses. Considerando o peso de uma máscara como quatro gramas, isso significaria 40 quilos de plástico, só em máscaras, deitado na rua todos os meses.
Da mesma forma que os cidadãos se mostraram responsáveis a seguir as directivas dos governos para conter a infecção, agora devem ser igualmente responsáveis na gestão dos EPI’s”, diz a WWF.
A presidente da WWF Itália pede que se evite um “impacto devastador”. Donatella Bianchi relembra que todos os anos são despejadas 570 toneladas de plástico no mar Mediterrâneo.

Covid-19: O confinamento fez silêncio nos oceanos e isso é “uma oportunidade única”

Com a diminuição de navios em movimento,
os cientistas puderam investigar como o silêncio dos oceanos é benéfico para a
fauna marinha
A pandemia, o isolamento social e o
bloqueio implementado em todo o mundo permitiram uma mudança positiva a nível
ambiental. O ar está mais limpo, já não existe tanto ruído, as fábricas pararam
e os transportes também. Tal como em terra, no mar, o ambiente também mudou:
instalou-se um silêncio. O ruído dos navios e dos outros transportes já não se
faz ouvir e a fauna marítima está mais calma.
Os observatórios aquáticos, que recolhem
dados sobre o aspecto físico, químico, biológico e geológico dos oceanos,
oferecendo recursos científicos e técnicos que permitem que os investigadores
recebam dados em qualquer lugar do mundo, administrados pela Ocean Networks
Canada, localizados perto de Vancouver, no Canadá, recebem os sinais sonoros
subaquáticos em tempo real. O oceanógrafo e professor David Barclay, da
Universidade Dalhousie, no Canadá, e os seus colegas, analisaram as gravações subaquáticas
em dois locais perto do porto, encontrando uma diminuição significativa no
ruído dos navios. “Normalmente, sabemos que o ruído subaquático afecta os
mamíferos marinhos”, explica o oceanógrafo.
Num dos sítios onde se recolheram as
ondas sonoras, Barclay confirma que o bloqueio teve influência no ruído do mar.
“Houve uma queda consistente no ruído desde o primeiro dia de Janeiro, o que
representou uma alteração de quatro ou cinco decibéis no período até ao dia 1
de Abril”. Durante este período de tempo, os dados do porto mostraram uma queda
de cerca de 20% nas exportações e importações.
Enquanto isso, no segundo local,
localizado em águas mais profundas, a cerca de 3 000 metros de
profundidade e a 60 quilómetros das rotas marítimas mais próximas, os níveis de
ruído diminuíram cerca de 1,5 decibéis. “Isto dá-nos uma ideia da escala a que
esta redução no ruído pode ser observada”, disse o professor Barclay ao The Guardian.
A redução da presença dos navios no
oceano torna possível descobrir quais os efeitos que este período pode ter na
vida marinha. Barclay compara esta época com uma “experiência humana gigante”.
“Estamos perante um momento de verdade”,
resume, ao The Guardian, Michelle Fournet, investigadora em
acústica marinha na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, que estuda baleias
jubarte no Alasca. “Temos a oportunidade de ouvir e esta oportunidade não
aparecerá novamente nas nossas vidas”.
A última vez que os oceanos estiveram
tão silenciosos foi no seguimento dos atentados do 11 de setembro, quando houve
uma diminuição nos movimentos dos navios e dos aviões. Nesta altura, os
cientistas puderam concluir que o ruído dos navios está intimamente ligado com
o stress crónico das baleias. ” [Actualmente] temos uma geração de jubarte que
nunca conheceram um oceano calmo”, confirma a investigadora Fournet.
O final de abril costumava ser a época
de maior movimento de navios cruzeiro, no porto de Vancouver, mas a pandemia da
Covid-19 impediu esta afluência.
“O que sabemos sobre as baleias no
sudeste do Alasca é que, quando fica barulhento e os barcos passam por elas,
elas ‘chamam’ menos” disse Fournet. “Espero que o que possamos ver seja uma
oportunidade para as baleias terem mais conversas e mais complexas.”
Na Europa, também existem especialistas
a tentar descobrir qual o impacto que este bloqueio está a ter nos oceanos.
Nathan Merchant, especialista em bioacústica no Centro de Ciências do Ambiente,
Pescas e Aquacultura do governo do Reino Unido (Cefas) disse: “Estamos à espera
para ver o que nossos registos dizem”. O Cefas tem aparelhos para detetar ruído
em quatro locais: dois no Mar do Norte, um em Plymouth e outro perto de Bangor.
“Veremos como o coronavírus está a afectar o ruído subaquático em toda a Europa.
Portanto, este trabalho fora do Canadá será o primeiro de muitos”, disse ele.
“Temos esta experiência natural em andamento. É claro que é uma crise terrível,
mas é melhor analisarmos os dados para descobrir que efeito está a ter”.

Foto: Getty Images

Formentera, primeiro destino do Mediterrâneo a abrir

Depois de mais de 50 dias de confinamento, a ilha de Formentera é o primeiro destino mediterrânico a sair da clausura social. Foram cerca de dois meses sem turistas, nem barcos ou trânsito nesta que é a mais pequena das ilhas Pitiusas. É o reabrir de portas para um destino aclamado pelas suas praias inesquecíveis, ritmo de vida tranquilo, bom tempo e mar turquesa, o mais parecido com as Caraíbas que se encontra a cerca de hora e meia de voo de Portugal.


Além desta ilha do arquipélago das Baleares, há mais três ilhas espanholas que iniciam agora o regresso à actividade turística. São elas La Gomera, El Hierro e La Graciosa, que fazem parte do arquipélago das Canárias. O impacto da COVID-19 nestes destinos não teve as mesmas consequências dramáticas ocorridas no restante território espanhol, por isso Formentera e as referidas ilhas canárias entraram já na Fase 1 de saída do confinamento.

Covid-19: Navio-escola Sagres regressa a Lisboa no domingo

O navio-escola Sagres regressa no domingo a Lisboa, um mês e meio depois de ter sido cancelada a viagem de celebração dos 500 anos da circum-navegação de Fernão Magalhães devido à pandemia de Covid-19, anunciou esta sexta-feira a Marinha.
Na sua conta oficial no Instagram, a Marinha informou da data de chegada do navio-escola, que partiu de Lisboa em 5 de Janeiro para uma viagem à volta do mundo, mas que foi interrompida em 24 de Março devido ao surgimento do surto epidémico.
Face à situação de pandemia de Covid-19, que afecta mais de 180 países em todo o mundo, o navio-escola Sagres, que ruma à Cidade do Cabo, na África do Sul, onde se prevê que chegue esta quarta-feira, dia 25 de Março, recebeu ordens para regressar a Lisboa”, segundo um comunicado do Ministério da Defesa Nacional divulgado em 24 de Março.
O navio saiu da capital portuguesa no início de Janeiro para uma viagem à volta do mundo que teria duração de pouco mais de um ano.
Previa-se que o navio passasse por 22 portos de 19 países diferentes e que seria a Casa de Portugal durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, competição que foi adiada para 2021.
O Ministério da Defesa Nacional justificava que a decisão de interrupção da viagem “foi tomada na sequência das medidas de segurança que os diferentes países estão a adoptar para protegerem os seus portos, Portugal incluído, limitando a atracação e desembarque de tripulações e passageiros de navios”, o que inviabiliza “o pleno cumprimento da missão”.
O Governo considerava ainda que “a continuidade desta expedição poderia potenciar um maior risco de contágio entre os 142 elementos da guarnição, que se encontram bem de saúde”.

Covid-19: Mar 2020 pagou cerca de 7,5 milhões aos beneficiários em Abril


Na sequência das medidas de agilização do programa operacional Mar 2020, decididas pelo Ministério do Mar com o objectivo de dar liquidez aos profissionais do sector e minimizar os impactos económico-financeiros da covid-19, foram pagos em abril 7,5 milhões de euros aos beneficiários de projectos de investimento na área das pescas”, avançou, em comunicado, o Governo.

Conforme indicou o Ministério do Mar,também foram concretizados os primeiros pagamentos de adiantamentos contra factura para que os beneficiários deste programa possam receber as despesas facturadas pelos fornecedores, “sem terem de as suportar integralmente e só depois serem reembolsados pelo Mar 2020”.
Estes pagamentos quase duplicam o valor médio mensal dos que foram registados desde o início do ano, ou seja, cerca de 4,6 milhões de euros, apontou o ministério liderado por Ricardo Serrão Santos.
“Até ao final de Março, os pagamentos acumulados elevaram-se a 193 milhões de euros, o que significa que 48% dos montantes programados no Mar 2020 já foram transferidos para os beneficiários do programa”, lê-se no documento.
O Mar 2020, que se insere no Portugal 2020, tem como objectivo a implementação das medidas de apoio enquadradas no Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP), estando entre as suas prioridades a promoção da competitividade, a sustentabilidade económica, social e ambiental, bem como o aumento da coesão territorial.

Maior concentração de microplásticos está no fundo do mar

As maiores concentrações de microplástico, com até 1,9 milhões de partículas em apenas um metro quadrado, encontram-se não à superfície, mas no fundo dos oceanos, e foram detectadas por uma investigação internacional ontem divulgada.
A investigação é publicada esta semana na revista científica “Science” e foi feita pelas Universidades de Manchester e Durham, além do Centro Nacional de Oceanografia, do Reino Unido, pela Universidade de Bremen, na Alemanha, e pelo Instituto Francês de Pesquisa e Exploração do Mar.
Os investigadores provaram que as correntes do fundo do mar funcionam como correias de transmissão, transportando pequenos fragmentos de plástico e fibras através do fundo do mar. Essas correntes podem levar à concentração e acumulação de grandes quantidades de lixo, à semelhança do que acontece com as correntes na superfície.
Mais de 10 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos em cada ano. O plástico flutuante chamou a atenção da opinião pública e surgiram movimentos em todo o mundo para desencorajar o uso de, por exemplo, sacos de plástico, mas segundo o artigo agora publicado, essas acumulações visíveis de plástico representam menos de 1% dos plásticos que entram nos oceanos do planeta. Acreditava-se que os restantes 99% deviam estar no fundo do mar mas não se sabia até agora onde eles tinham acabado por ir parar.
“Quase toda a gente já ouviu falar das tristemente famosas ilhas de plástico flutuante no oceano, mas ficamos chocados com as altas concentrações de microplásticos encontrados nas profundezas do mar”, disse um dos autores do estudo, Ian Kane, da Universidade de Manchester.
“Descobrimos que os microplásticos não são distribuídos uniformemente pela área de estudo, em vez disso são distribuídos por fortes correntes do fundo do mar, que os concentram em determinadas áreas”, adiantou.
Os microplásticos do fundo mar são compostos principalmente por fibras dos têxteis e das roupas, que não são filtradas nas estações de tratamento das águas residuais (ETAR) e entram facilmente nos rios e nos mares. No oceano podem pousar lentamente ou ser transportados por correntes fortes até ao fundo do mar, onde são capturadas pelas correntes que aí fluem constantemente. Essas correntes também carregam oxigénio e nutrientes, pelo que pode haver ecossistemas importantes que estão a consumir ou absorver microplásticos.
O estudo publicado na “Science” é o primeiro que relaciona o comportamento das correntes das profundezas com as concentrações de microplásticos, o que pode ajudar a prever onde se concentram essas grandes quantidades e a investigar o impacto desses microplásticos na vida marinha.
“A nossa investigação mostrou como estudos detalhados do fundo do mar nos podem ajudar a fazer a ligação das vias de transporte de microplástico no fundo do mar e encontrar os ´desaparecidos´ microplásticos. Os resultados destacam a necessidade de intervenções políticas que limitem o fluxo futuro de plásticos para ambientes naturais, e de minimizar os impactos nos ecossistemas oceânicos”, disse Mike Clare, do Centro Nacional de Oceanografia.
E Florian Pohl, do Departamento de Ciências da Terra, da Universidade de Durham, acrescentou que “é lamentável, mas o plástico tornou-se um novo tipo de partícula de sedimento, que é distribuída pelo fundo do mar em conjunto com a areia, lama e nutrientes”.

Teresa Bonvalot regressa ao mar: "Parecia que já nem me lembrava e quando me coloquei de pé, caí"

A queda após o ‘take-off’ na prancha de surf e a estranheza de remar marcaram o regresso da portuguesa Teresa Bonvalot ao mar, após o “bocado difícil” que passou confinada por causa da pandemia de covid-19.

“Fiquei superfeliz por voltar aos nossos hábitos, às nossas rotinas. Para ser muito honesta, custou-me imenso. Parecia que já não me lembrava, uma coisa estranha de estar muito tempo sem surfar, a remar, foi estranho. A primeira vez que me coloquei de pé, caí. Mas aquela sensação foi óptima, incrível. Estou a voltar aos pouco e poucos ao meu ritmo”, confessou a bicampeã nacional em 2014 e 2015, em entrevista à agência Lusa.
Afastada do mar do Guincho durante “40 e tal dias”, o “seu local” mantém-se muito ventoso, com “boas ondas, correntes” e praticamente só com a presença de surfistas.
Contudo, o período que passou confinada em casa foi “bocado difícil”, mas, ao mesmo tempo, “divertido” para ‘Teresinha’, que acabou mesmo por fazer trabalho específico na piscina, na ausência das quatro horas diárias de treino no mar.
“Tentei abstrair-me um pouco a ver vídeos de surf e organizar as minhas fotografias, mas nada compensa as horas do surf. Fui várias vezes à piscina, levei umas pranchas, comecei a remar, fazer bicos de pato, para tentar voltar a lembrar aquele sentimento que temos do mar”, revelou à Lusa a 38.ª classificada do ‘ranking’ do circuito mundial de qualificação.
Sobre as regras de distanciamento social e as medias de protecção, a bicampeã europeia de juniores em 2016 e 2017 diz estar a tentar cumprir, reconhecendo que é mais fácil na água, onde “é cada um com a sua onda”.
“Acaba por ser um pouco difícil, porque as pessoas estão de volta ao surf. Temos estado todos com a devida segurança. Não estamos na água uns em cima dos outros e é cada um com a sua onda. Tenho vindo com um amigo, mas não no mesmo carro. Acho que acaba por ser perigoso se vier sozinha, ainda me acontece alguma coisa. Com as regras que nos pediram para cumprir, eu tento cumprir ao máximo”, justificou.
O regresso da competição “acaba por ser o menos importante neste momento”, mas Teresa Bonvalot não escondeu o seus objectivos.
“Ainda está tudo muito incerto, não se sabe nada. É um pouco ingrato. Estamos habituados a ter as provas marcadas, a praticar, a trabalhar para cada uma delas e isto é uma questão muito maior a nível global”, observou.
Para a atleta, de 20 anos, a modalidade “é de altos e baixos e nem sempre vai para lado desejado”, porém o “objectivo enquanto surfista “é juntar-se à elite do mundial e tornar-se uma vez campeã do mundo”.