Técnica com luz solar torna água do mar potável em menos de 30 minutos

 

Cientistas conseguiram transformar água salobra e do mar em água potável, em menos de 30 minutos, usando quadros de metal-orgânicos (MOFs) e luz solar.

De acordo com a agência Europa Press, a equipa não só foi capaz de filtrar partículas nocivas da água e gerar 139,5 litros de água limpa por quilograma de MOF por dia, como também realizar esta tarefa com mais eficiência energética do que as práticas de dessalinização actuais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a água potável de boa qualidade deve ter sólidos totais dissolvidos (TDS) de <600 partes por milhão (ppm). Os cientistas conseguiram atingir um TDS de <500 ppm em apenas 30 minutos e regenerar o MOF para a sua reutilização em quatro minutos sob a luz solar.

Os investigadores criaram um MOF chamado PSP-MIL-53, que foi sintetizado pela introdução de acrilato de espiropirano (PSP) nos poros do MIL-53, um MOF bem conhecido pelos seus efeitos respiratórios e transições sobre a adsorção de moléculas como a água e o dióxido de carbono.

“Os processos de dessalinização térmica por evaporação consomem muita energia e outras tecnologias, como a osmose inversa, apresentam várias desvantagens, incluindo alto consumo de energia e uso de produtos químicos na limpeza de membranas”, declara Huanting Wang, professor do Departamento de Engenharia Química da Universidade Monash, na Austrália, e autor principal do estudo publicado, a 10 de agosto, na revista científica Nature Sustainability.

O investigador explica que “a luz solar é a fonte de energia mais abundante e renovável do planeta Terra” e, por isso o “desenvolvimento de um novo processo de dessalinização por adsorção mediante o uso da luz solar para a regeneração proporciona uma solução de dessalinização eficiente em termos de energia e é sustentável do ponto de vista ambiental”, acrescenta.

ZAP //

Surfista australiano esmurra tubarão para salvar a mulher

 

Um homem saltou para a sua prancha de surf e foi direito a um tubarão que estava a atacar a sua mulher, esmurrando repetidamente o animal até este se afastar. Segundo meios de comunicação australianos, Chantelle Doyle, de 35 anos, estava a surfar em Port Macquarie, Nova Gales do Sul, na manhã do passado sábado, quando o ataque aconteceu.

O marido esmurrou o tubarão até este libertar a mulher e depois ajudou-a a chegar até à costa. Chantelle foi transportada por ambulância aérea para o hospital com ferimentos graves na perna direita.

Especialistas, citados por um jornal local, creem que a mulher foi mordida por um tubarão branco jovem com cerca de 3 metros de comprimento.

Mark Rapley, o marido, foi congratulado pela sua acção rápida que impediu um ataque mortal. “Este tipo nadou até lá, saltou da prancha em direção ao tubarão e depois bateu-lhe até que este a libertasse. Depois ajudou-a a chegar à praia. Foi no mínimo heróico”, disse o chefe da equipa de nadadores salvadores local.

inspector Andrew Beverley, do serviço ambulatório, disse que as pessoas na praia também ajudaram ao prestar-lhe cuidados de primeiros socorros antes dos médicos chegarem e, segundo descreve, “fizeram um trabalho excelente”. Referiu ainda que este é o terceiro ataque grave naquela linha de costa nos últimos meses. 

Chantelle foi submetida a uma cirurgia e encontra-se em condição estável.

Gelo do Oceano Ártico pode desaparecer daqui a 15 anos

 

As alterações climáticas estão a causar o aumento das temperaturas em regiões como o Ártico, causando mudanças irreversíveis a curto-prazo. No verão, as temperaturas aumentaram entre 4 a 5 graus Celsius, uma elevação superior à da época pré-industrial, referem os cientistas.

Um novo estudo publicado na revista Nature, prevê que até 2035 o gelo no Oceano Ártico pode desaparecer. A equipa analisou através do modelo climático do Met Office Hadley Centre o período Eemiano, também conhecido como o Último Período Interglacial, de há cerca de 127 mil anos atrás, em que as temperaturas estiveram tão quentes quanto agora.

De acordo com o National Snow and Ice Data Centre (NSIDC), “Quando a luz do sol reflecte no oceano, 80% é reflectida de volta no espaço”, porém, “quando o gelo do mar derrete no verão, afectam a quantidade de luz solar que é absorvida e reflectida, o que leva ao aquecimento do oceano e ao aumento da temperatura do Ártico”.

Estas descobertas são essenciais para prever riscos futuros, consequentes das mudanças no clima no período Holoceno (actual); É cada vez mais necessário mitigar a poluição mundial e as emissões de gases de efeito de estufa. O gelo é essencial para manter o equilíbrio do clima e dos ecossistemas.


Greensavers

Ondas bioluminescentes: o mistério do mar azul fluorescente

 

Certamente já terá visto, ou ouvido falar, das majestosas ondas bioluminescentes. Mas afinal, porque é que a água brilha como se fossem luzes de neon? Em alguns lugares do mundo, como a Tasmânia na Austrália, ou San Diego, Califórnia nos Estados Unidos, tem-se tornado relativamente comum quando anoitece que o mar ganhe um novo brilho.

A paisagem marítima ilumina-se e fica repleta de um azul fluorescente. Quase parecem efeitos especiais, mas aquilo que alimenta este espectáculo natural são, na verdade, algas bioluminescentes.

Os mecanismos por detrás deste fenómeno

O brilho azul fluorescente é provocado por biliões de algas unicelulares ou plâncton vegetal chamado Noctiluca Scintillans, mais comummente conhecido por brilho do mar, ou bioluminescência. Quando perturbadas por ondas ou correntes, as minúsculas células piscam, libertando uma enorme fonte de luz que ilumina a água em seu redor.Os cientistas acreditam que os flashes emitidos servem para afugentar os predadores. De acordo com a Ciência, a bioluminescência é produzida por organismos vivos. Não são só os vertebrados e invertebrados marinhos que possuem esta capacidade. Fungos e insectos, como os pirilampos, também o fazem. A luz emitida designa-se de luciferina, ganhando a cor azul pelo processo de oxidação, quando está de noite.

No entanto, durante o dia, quando ocorre o processo de floração ou ‘bloom’, estes organismos microscópicos reúnem-se, e todos juntos transformam a água numa tonalidade castanho-avermelhada, daí o nome “maré vermelha”, tal como vemos no tweet abaixo. Pode dizer-se que cada célula contém um pouco de “protector solar” que lhe confere cor.

Segundo o perito em bioluminescência Michael Latz, cientista do Scripps Institute of Oceanography, o fenómeno da ‘maré vermelha’ deve-se à reunião em massa da espécie de microrganismos marinhos Lingulodinium polyedra, espécie bem conhecida pelas suas exibições bioluminescentes.

Efeito azul fluorescente relacionado com o aquecimento das águas oceânicas? Em entrevista ao jornal australiano ABC, Gustaaf Hallegraeff, professor de botânica aquática na Universidade da Tasmânia, afirma que os cientistas acreditam que o mecanismo de flashes é utilizado para afugentar os predadores. Os cientistas consideram que, apesar deste vistoso fenómeno não representar perigo para o ser humano, subsistem algumas ameaças a ele associadas para o ambiente marinho“Este é um organismo que come outras espécies e, portanto, se houver uma enorme quantidade, basicamente comporta-se como um aspirador e come todos os outros plâncton”. O Professor Hallegraeff reitera que este fenómeno foi noticiado pela primeira vez no porto de Sydney em 1860, mas que se expandiu imenso desde essa altura. “Nos anos 2000, vimo-lo realmente avançar para sul e agora está aqui permanentemente na Tasmânia”, disse. Provavelmente, efeito azul fluorescente pode estar relacionado com as correntes oceânicas e o aquecimento dos oceanos. Segundo Hallegraeff, “Temos algumas provas de que as correntes oceânicas e o aquecimento dos oceanos contribuíram para ele – é definitivamente uma espécie que está a mostrar uma espectacular expansão de alcance nos últimos 20 anos”, afirmando também que apoiaria a ideia de transformar estes eventos de bioluminescência numa pequena indústria turística para a Tasmânia.

Investigadora do Algarve ajuda a «clarificar mitos» sobre a mineração no mar

 

A investigadora Nélia Mestre, do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve, está a «ajudar a clarificar mitos e a explicar conceitos errados sobre o mar profundo», nomeadamente ao nível da extracção mineral.

A cientista do centro de investigação algarvio integra uma equipa de investigadores que publicou um artigo na revista Trends in Ecology and Evolution focado na mineração subaquática e nos seus impactos.

Segundo Nélia Mestre, «a exploração de minerais no mar profundo implica a escavação e/ou remoção e transporte de minério que se encontra a grandes profundidades, por exemplo entre quatro a cinco quilómetros, até aos navios industriais que processam o minério à superfície e voltam a libertar as águas resultantes desse processamento e lavagem para o mar profundo”.

«Um dos conceitos utilizados incorrectamente é a ideia de que a escala do impacto em habitats de profundidade será muito inferior à escala das minas existentes em terra, e por essa razão, a área afectada é considerada irrelevante», acrescentou.

No entanto, explica, «isto não é correto, porque embora a extracção mineral possa ser localizada numa área relativamente pequena, os impactos ecotoxicológicos que venham a ser criados pelo processo de extracção mineira podem alastrar dezenas a centenas de quilómetros na coluna de água».

O artigo publicado pela equipa de investigadores, que pode ser lido na íntegra aqui, conclui que «as lacunas no conhecimento científico são ainda demasiadas para se poder estimar os reais impactos da mineração no mar profundo».

Por isso, para a investigadora «é importante alertar para a existência destes conceitos errados e clarificá-los, para que os decisores políticos possam tomar decisões cientificamente bem fundamentadas ou para que pelo menos saibam quais as lacunas existentes».

Na sua opinião, «uma boa avaliação dos impactos ambientais pode permitir que estes sejam minimizados, garantindo uma melhor qualidade do meio ambiente».

«As conclusões agora publicadas podem ser de potencial interesse para decisores políticos, incluindo a International Seabed Authority (ISA), outros investigadores, Organizações Não Governamentais, e também para o público em geral», ilustrou, por seu lado,a Universidade do Algarve.

 

Universidade de Coimbra Quer Produzir Ouriços-do-Mar em Aquacultura

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, quer tornar possível a produção de ouriços-do-mar em aquacultura.

O objectivo dos investigadores do MARE é a produção de ouriços-do-mar de forma rentável e com reduzido impacto ambiental. O projecto é denominado “OtimO – Optimização dos processos de produção de Ouriço-do-mar” e é financiado em 202 mil euros.

O “caviar” da costa portuguesa
As gónadas, ou ovas, do ouriço-do-mar são muito apreciadas e a sua procura na perspectiva da gastronomia gourmet tem vindo a aumentar. A intensificação da apanha, muitas vezes de forma desregrada, visa colmatar o interesse nacional e do mercado internacional.

Tal valorização crescente das ovas, em segmentos como o da restauração, conduz ao seu elevado valor comercial. Logo, a aposta neste cultivo em cativeiro vem dar uma resposta, por via de métodos optimizados, à produção da espécie.

Um dos objectivos é promover o desenvolvimento das zonas costeiras através da diversificação e aumentar a competitividade no sector, bem como, evitar a sobre-exploração do recurso.

A intensificação da captura tem originado esgotamento de stocks, o que representa impactos negativos consideráveis no ecossistema. Através do sistema de aquacultura multitrófica integrada, são produzidas espécies de diferentes níveis tróficos ou nutricionais.

Coimbra já está a dar cartas na produção do caviar português
O projecto OtimO já está a ser desenvolvido desde Outubro de 2018, através da Associação de Desenvolvimento Local da Bairrada e Mondego (AD ELO), nos laboratórios do MARE na Figueira da Foz – Laboratório MAREFOZ.

Faz parte da equipa de investigadores Tiago Verdelhos, coordenador do projecto OtimO, incluído no Programa Operacional MAR 2020, que visa implementar em Portugal as medidas de apoio enquadradas no Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP).

Os ensaios estão a ser realizados com ouriços-do-mar capturados no seu habitat natural, sendo estudados e controlados, durante todo o processo, pelos investigadores. A equipa pretende encontrar uma solução para os problemas críticos que impedem a produção da espécie em aquacultura.

Um dos processos é feito através da procura de larvas viáveis e da calibração dos processos de reprodução, desenvolvimento larvar e o seu crescimento. Todos estes passos são necessários, de modo a tornar possível a cultura em cativeiro, garantindo a qualidade e as características originais do ouriço-do-mar.

É de apontar que a reprodução da espécie em cativeiro é altamente complexa e depende de factores como a temperatura, a alimentação, a iluminação, a salinidade, entre outros.

Redução do impacto ambiental pela aquacultura
O modelo de produção proposto pelo projecto OtimO visa o desenvolvimento do sector da aquacultura de uma forma ambientalmente sustentável. Neste sentido, o plano propõe a recirculação de água e a reutilização ou reciclagem de recursos.

A aquacultura estuda a produção racional de organismos aquáticos, como peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis e plantas aquáticas para uso do homem. A produção de peixes através de aquacultura triplicou entre 1995 e 2007.

Até ao final da primeira década do século XXI, a aquacultura era responsável pela produção da metade do peixe consumido pela população mundial. Actualmente, dos 160 milhões de toneladas de produtos do mar que são consumidos a cada ano, 50% têm origem na aquacultura.

Em Portugal, a aquacultura ainda tem um impacto reduzido. Em 2018, a produção nacional aquícola registou 13 992 toneladas, traduzindo-se num aumento de 11,5% face ao ano anterior. A produção em águas marinhas e de transição registou 70% do total da produção aquícola em 2018. A maior representatividade deve-se ao aumento de produção de amêijoas, ostras, mexilhão e macroalgas.

A aquacultura assume-se, cada vez mais, como uma alternativa sustentável no panorama do abastecimento alimentar mundial. Pela aquacultura também é possível fazer chegar determinados pescados marinhos a alguns países que, de outra forma, não têm como ter acesso aos mesmos em boas condições sanitárias. 

Natgeo

Foto: Tiago Verdelhos

 

Campanha científica acrescenta 37.500 km2 ao mapa do mar português

 

A campanha científica que o navio hidro-oceanográfico D. Carlos I, da Marinha Portuguesa, realizou durante nove semanas nos Açores, para levantamentos hidrográficos, permitiu “acrescentar cerca de 37.500 km2 sondados ao Mapeamento do Mar Português”, foi anunciado esta segunda-feira.

Numa nota, a Marinha adianta que o navio hidro-oceanográfico atracou esta manhã na Base Naval de Lisboa perfazendo “62 dias de missão e 970 horas de navegação, tendo percorrido 6.800 milhas náuticas (mais de 12 593 quilómetros)“, no âmbito do programa SEAMAP 2030 e da cooperação com o Governo Regional dos Açores.

O programa ‘SEAMAP 2030’, de mapeamento do mar português, visa a “caracterização da natureza dos fundos marinhos, na perspetiva de serviço hidrográfico nacional, numa abordagem multidisciplinar”, contribuindo para “aumentar o conhecimento nas áreas estratégicas de interesse nacional e para promover as atividades de desenvolvimento tecnológico, exploração sustentável dos recursos e investigação científica associadas às ciências do mar”.

O projeto irá “permitir a aquisição e processamento de dados para desenvolver produtos finais como cartografia náutica, mapas de informação diversa dos fundos marinhos e conhecimento do mar português”.

Esta campanha científica de nove semanas no arquipélago I permitiu “acrescentar cerca de 37.500 km2 sondados ao Mapeamento do Mar Português, no âmbito do programa SEAMAP 2030 e da cooperação com o Governo Regional dos Açores”, salienta a nota.

A Marinha explica ainda que a campanha científica consistiu “no levantamento hidrográfico, com os sistemas sondadores multifeixe de bordo, de dez montes submarinos com especial interesse para o estudo dos ecossistemas do mar profundo, num raio de cem milhas náuticas (mais 185 quilómetros) do grupo central do Arquipélago dos Açores”.

O navio realizou, ainda, a manutenção de duas boias multiparamétricas do Sistema Integrado de Monitorização Ambiental da Zona Económica Exclusiva de Portugal, dando apoio a uma equipa técnica do Instituto Hidrográfico.

No âmbito do projeto CETUS (que monitoriza informações sobre cetáceos) “e da colaboração da Marinha Portuguesa com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR), embarcaram quatro observadores de cetáceos, tendo sido avistados vários exemplares das espécies Balaenoptera borealis (baleia-espadarte), Physeter macrocephalus (cachalote) e Grampus griséus (golfinho-de-risso)”.

O D. Carlos I é comandado pelo capitão-tenente Teotónio Pires Barroqueiro e tem uma guarnição de 34 militares.

Para esta campanha científica embarcaram ainda um médico e dois mergulhadores da Marinha Portuguesa, e uma equipa da Brigada Hidrográfica do Instituto Hidrográfico, constituída por cinco militares especializados em Hidrografia, que realizou levantamentos hidrográficos costeiros e portuários nas ilhas da Graciosa e do Faial.~

Foto: © António Araújo/Lusa

Cientistas “acordam” bactérias com 100 milhões de anos

Os micróbios e as bactérias estavam presentes em argilas enterradas no fundo do mar do oceano Pacífico e são apontados como os organismos vivos mais antigos do planeta Terra.

Uma equipa de cientistas, dos Estados Unidos e do Japão, conseguiu “acordar” bactérias da época dos dinossauros, com mais de 100 milhões de anos.

Reuters conta que os microrganismos estavam adormecidos nas profundezas do oceano Pacífico e a equipa está convicta de que estes micróbios são os organismos vivos mais antigos do planeta. O artigo científico com a descoberta foi publicado na terça-feira na Nature Communications.

“É surpreendente e biologicamente desafiador que uma grande parte dos micróbios tenha sido capaz de reviver após muito tempo enterrados ou presos sob condições extremamente baixas de nutrientes e energia”, comentou Yuri Morono, geomicrobiologista da Agência de Ciência e Tecnologia do Japão.

Os investigadores contaram com a ajuda do navio de pesquisa JOIDES Resolution para encontrar os micróbios, representantes de numerosos grupos de bactérias, em sedimentos nas profundezas do sul do oceano Pacífico.

Com o auxílio do JOIDES Resolution, foi feita uma perfuração de quase seis quilómetros de profundidade no mar. As amostras de argila, nas quais os micróbios foram encontrados, foram recolhidas cerca de 74,5 metros abaixo do fundo do oceano.

As bactérias remontam à época em que os dinossauros habitavam o planeta Terra e sobreviveram mesmo sem nutrientes.

Durante a experiência, já em laboratório, os cientistas incubaram os microrganismos durante 557 dias. Com a incubação, as bactérias cresceram, multiplicaram-se e revelaram várias actividades metabólicas.

“Manter a capacidade fisiológica total durante 100 milhões de anos em isolamento e com fome é uma façanha impressionante“, disse o oceanógrafo Steven D’Hondt, da Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos.

ZAP //

IRRI Images / Flickr

 

Troia-Mar é a praia com maior capacidade da costa alentejana

A praia Troia-Mar, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal, é a que tem a maior lotação da costa alentejana, segundo uma proposta da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

De acordo com a proposta disponibilizada no `site` da APA para “consulta informal” da população, respeitante à região do litoral alentejano, a praia Troia-Mar terá capacidade para 3.500 utentes, mais 1.500 do que as praias da Comporta, Carvalhal, Pego e Melides, também no concelho de Grândola, que terão capacidade para 2.000 pessoas cada.
A praia Troia-Bico das Lulas terá capacidade para 1.900 pessoas, a Troia-Galé e a Atlântica podem receber até 1.300 e, por último, na praia das Camarinhas prevê-se uma lotação de 1.100 utentes.
No concelho de Odemira, que abre a época balnear em 15 de junho, a praia das Furnas-Mar é a que terá maior capacidade, atingindo os 1.500 utentes, mais 100 do que a praia da Franquia, com 1.400. Furnas-Rio terá capacidade para 1.000 pessoas e a praia do Malhão Norte para 800.
Já a praia do Farol poderá receber, segundo a proposta, 700 utentes, Malhão Sul terá uma lotação para 600, Zambujeira do Mar fica com uma capacidade para 500 pessoas, Almograve Norte para 300, Carvalhal para 200 e as praias de Alterinhos e Almograve Sul para 100 pessoas cada.
Seguem-se as praias do concelho de Santiago do Cacém, que conta com a vigilância dos nadadores-salvadores a partir de 20 de junho e que este ano devem poder receber em simultâneo 2.900 pessoas.
Segundo a proposta divulgada no `site` da APA, a Costa de Santo André terá capacidade para 2.500 pessoas e a Fonte do Cortiço terá uma lotação d 400 pessoas.
No concelho de Sines, as praias Vasco da Gama e São Torpes, conhecida pela água quente e pela prática do surf, terão uma capacidade para 2.000 pessoas cada, seguindo-se a praia da Vieirinha/Vale Figueiros (1.300 utentes), Ilha do Pessegueiro (700 pessoas) e a Grande de Porto Covo (300).
No total, as 30 praias consideradas de uso balnear na costa alentejana podem receber em simultâneo 36.600 pessoas.
“Em contexto covid importa garantir a distância de segurança, o que pode implicar a redução da capacidade de ocupação do areal em determinadas praias. Contudo, em algumas praias, em particular nas de grande dimensão, os valores agora obtidos podem ser superiores à capacidade de carga definida nos Planos de Ordenamento da Orla Costeira/Programas da Orla Costeira, tendo em conta que, nas actuais condições, os utilizadores estão mais disponíveis para ocuparem uma área de areal que ultrapassa os limites das áreas de conforto”, consideradas naqueles documentos, explica a APA.
No caso das “águas costeiras e de transição”, o cálculo da capacidade de cada praia foi apurado através de uma conjugação de critérios como a definição da área de areal utilizável para a prática balnear com a profundidade possível, as características biofísicas e faixas de salvaguarda ao risco costeiro, o limite lateral das praias, a influência da maré e a utilização de uma área de 8,5 metros quadrados/pessoa, considerando o distanciamento físico necessário por razões sanitárias”, entre outros.
Quanto a “águas interiores”, foi definida a área utilizável para a prática balnear “considerando a extensão da frente da zona balnear e uma faixa com a profundidade passível de utilização contada a partir do limite do plano de água”, sendo tidos também em conta “os espaços envolventes disponíveis para o uso balnear”, como parques de merendas, esplanadas, relvados, campos de jogos e piscinas com plataformas flutuantes.
Durante a época balnear deste ano, os utentes das praias devem assegurar um distanciamento físico de 1,5 metros entre diferentes grupos e um afastamento de três metros entre chapéus-de-sol, toldos ou colmos, segundo um decreto-lei aprovado pelo Governo.
Além do “distanciamento físico de segurança entre utentes no acesso e na utilização da praia e no banho no mar ou no rio”, os cidadãos devem cumprir as medidas de etiqueta respiratória e proceder à limpeza frequente das mãos, bem como “evitar o acesso a zonas identificadas com ocupação elevada ou plena”.

Associação de ciências marinhas quer pescas baseadas em conhecimento científico

A associação Sciaena – Oceanos, Conservação e Sensibilização defende a necessidade de pareceres científicos na gestão das pescas em águas profundas, o que poderá implicar menos capturas de espécies como o goraz e o peixe-espada-preto. A associação, que em conjunto com outras organizações não-governamentais de ambiente apelam aos governos que limitem a pesca e minimizem os impactos da actividade no mar profundo, disse esta quinta-feira à agência Lusa que “Portugal tem algumas pescarias de profundidade, nos Açores, na Madeira e na costa continental, que dependem dessas medidas”. Gonçalo Carvalho, coordenador executivo da Sciaena, explicou que em causa estão os stocks de espécies como o goraz (pescado sobretudo nos Açores) e do peixe-espada-preto (pescado na Madeira e na costa continental). “O que temos verificado, ao longo dos anos, são passos muito lentos para conhecermos estes stocks, para acumular mais conhecimento científico que nos permita ter mais confiança nas medidas de gestão que tomamos”, afirmou o responsável pela associação, considerando haver, por outro lado, “uma certa relutância em seguir os pareceres científicos, que são precaucionais, para estas espécies”. A excepção em Portugal tem-se verificado nos Açores onde com “a adopção de várias medidas de gestão para controlar a forma como se pesca estas espécies”, mais sensíveis do que a maior parte das que vivem a menores profundidades. Um esforço que é reconhecido pelo Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (CIEM), que admitiu o aumento da captura recomendada de goraz para as 610 toneladas em 2021, o valor mais elevado desde 2012. Daí a importância atribuída por Gonçalo Carvalho a que “sejam seguidos os pareceres científicos” e em alguns pontos da costa portuguesa isso represente cortes nas cotas de pesca em águas profundas. “É urgente gerir estes stocks com estas precauções e seguindo à risca o que a ciência nos diz”, afirmou, lembrando tratar-se de espécies “muito sensíveis e que se forem postas em causa vão demorar muito tempo a recuperar”. A Sciaena, em conjunto com a Birdwatch Irelanda, Sociedade Holandesa de Elasmobrânquios, Ecologistas en Acción, Fundació ENT, Oceana, Our Fish, e Seas At Risk apelaram aos governantes europeus para que estabeleçam limites de pesca e minimizem os impactos da actividade no mar profundo, dada a vulnerabilidade das espécies e escassez de stocksO apelo das organizações tem por base um parecer científico publicado na quarta-feira, pelo CIEM, e que confirma que a maioria das populações de peixes de profundidade na área da União Europeia permanece em condições preocupantes e sem dados suficientes para uma avaliação adequada.


Foto: Carlos Lopes/Arquivo