Oceano Ártico ficou mais quente décadas antes do que o previsto

Segundo avança o “Green Savers”, o Oceano Ártico está a ficar mais quente desde o início do século 20 – décadas antes do que os registos sugeriam – devido à água mais quente que flui para o delicado ecossistema polar do Oceano Atlântico.

Um grupo internacional de investigadores reconstruiu a história recente do aquecimento do oceano na porta de entrada para o Oceano Ártico, numa região chamada Estreito de Fram, entre a Gronelândia e Svalbard.

Utilizando as assinaturas químicas encontradas em microrganismos marinhos, os investigadores descobriram que o Oceano Ártico começou a aquecer rapidamente no início do século passado à medida que águas mais quentes e salgadas fluíam do Atlântico – um fenómeno chamado Atlantificação – e que essa mudança provavelmente precedeu o aquecimento documentado por medições instrumentais modernas. Desde 1900, a temperatura do oceano aumentou cerca de 2 graus Celsius, enquanto o gelo marinho recuou e a salinidade aumentou.

Os resultados, relatados na revista Science Advances, fornecem a primeira perspetiva histórica sobre a atlantificação do oceano Ártico e revelam uma conexão com o Atlântico Norte muito mais forte do que se pensava. A conexão é capaz de moldar a variabilidade climática do Ártico, o que pode ter implicações importantes para o recuo do gelo marinho e aumento do nível do mar global à medida que as camadas de gelo polares continuam a derreter.

Todos os oceanos do mundo estão a aquecer devido às alterações climáticas, mas o Oceano Ártico, o menor e mais raso dos oceanos do mundo, está a aquecer mais rápido de todos.

A atlantificação é uma das causas do aquecimento no Ártico, porém os registos instrumentais capazes de monitorizar esse processo, como os satélites, datam de apenas cerca de 40 anos.

À medida que o oceano Ártico fica mais quente, o gelo da região polar derrete, o que, por sua vez, afeta os níveis globais do mar. Conforme o gelo derrete, expõe mais a superfície do oceano ao sol, libertando calor e aumentando a temperatura do ar. À medida que o Ártico continua a aquecer, derrete o permafrost, que armazena grandes quantidades de metano, um gás com efeito de estufa muito mais prejudicial do que o dióxido de carbono.

Os investigadores afirmam que os seus resultados também expõem uma possível falha nos modelos climáticos, por não reproduzirem essa atlantificação inicial do início do século passado.

O mar das Selvagens é único — e agora vai ser totalmente protegido

Numa entrevista ao Observador, o biólogo Paulo Oliveira, um dos responsáveis pela área marinha protegida das Selvagens, explica o que está em causa no projecto de defesa de um oceano único no mundo.

São 2.677 quilómetros quadrados, uma área equivalente a todo o distrito de Lisboa, onde passa agora a ser completamente proibido pescar e explorar recursos naturais. Num raio de 12 milhas náuticas (22 quilómetros) das Ilhas Selvagens, na Região Autónoma da Madeira, o ponto mais a sul do território português, foi esta semana estabelecida uma Área Marinha Protegida com proteção total — a maior deste género de todo o Atlântico Norte.

O objectivo? Proteger um dos ecossistemas marítimos mais bem preservados de todo o planeta.

O anúncio foi feito na passada segunda-feira, numa altura em que se assinalam os 50 anos da fundação da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, e resulta de um projecto científico levado a cabo pelo Governo Regional da Madeira e pelo Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza (IFCN), com o apoio da investigação científica realizada pela Fundação Oceano Azul, pela National Geographic e pelo Waitt Institute.

Precisamente graças à reserva natural criada há 50 anos para proteger uma colónia de cagarras, a porção oceânica em redor das Ilhas Selvagens é atualmente “um dos melhores e mais bem preservados ecossistemas desta zona do Atlântico“, diz numa entrevista ao Observador o biólogo madeirense Paulo Oliveira, responsável pelo setor de conservação da natureza, assuntos do mar e preservação da biodiversidade do IFCN, organismo do Governo Regional da Madeira, e um dos arquitetos deste novo projeto de preservação do mar das Selvagens que pretende colocar Portugal como um dos líderes mundiais da preservação oceânica.

Embora não esteja totalmente a salvo dos impactos nocivos da atividade humana e das alterações climáticas, “porque o mar não tem fronteiras”, o mar das Selvagens encontra-se num estado “quase prístino”, explica Paulo Oliveira. Por isso, impunha-se aprofundar o nível de proteção da região, acabando com a atividade humana que ainda ali era permitida — incluindo a pesca artesanal do atum e do peixe-espada preto. A imposição da medida não foi feita sem diálogo com os pescadores, que, de acordo com o biólogo do Governo Regional da Madeira, entenderam desde o início a importância de preservar aquele mar.

Além disso, Paulo Oliveira acredita que a nova classificação daquelas águas vai ser um dos melhores cartões de visita da Madeira, atraindo para a região cientistas de todo o mundo para estudar aquele mar, que se encontra num estado de conservação difícil de encontrar noutras águas. Para o biólogo, não há dúvidas: a criação desta área protegida será um exemplo para decisores políticos de todo o mundo. “Este tipo de medidas só faz sentido num cenário de alterações climáticas se forem feitas em larga escala no planeta”, ressalva Paulo Oliveira.

O que é uma área marinha protegida? Na prática, o que significa este rótulo que vai ser posto nesta região?

Se nós olharmos para o regime jurídico para a biodiversidade, existem áreas protegidas com diferentes tipologias. De acordo com a tipologia, têm objetivos diferentes e cumprem desígnios diferentes. No nosso caso, estamos a falar de uma área marinha protegida de proteção total, o que quer dizer que é o estatuto máximo que poderemos ter ao nível da proteção conferida num espaço. Neste caso, as Ilhas Selvagens são uma área protegida com uma componente marinha muito representativa desde 1971. Tinham uma proteção, ao nível da parte marinha, até à batimétrica dos 200 metros, que será neste momento alargada até às 12 milhas. Isto, por si só, é significativo. Mas temos aqui um aspeto que me parece, de facto, o mais relevante: será uma área de proteção total. Aquilo a que se chama “no-take“, portanto, a atividade extrativa, seja ela qual for, está completamente proibida.

Estamos a falar de 2.677 quilómetros quadrados. É a maior da Europa.

Será a maior área marinha protegida com proteção total do Atlântico Norte.

Dizia que toda a atividade extrativa fica proibida com este novo regime jurídico. Estamos a falar de pesca, exploração de recursos naturais — tudo isto passa a ser completamente proibido?

Exatamente. Ao nível das atividades extrativas, das atividades humanas, ficam circunscritas a partir de agora a algumas atividades que podem vir a ser autorizadas pelo Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, designadamente o turismo de natureza e científico — quando feito em harmonia com o espaço —, a investigação, a educação ambiental e toda essa componente do envolvimento das populações. Relativamente às atividades que sejam lesivas para aqueles ecossistemas, neste momento serão proibidas.

Qual é a importância desta área para ter merecido, ao longo das décadas, um regime de proteção cada vez mais alargado? Estamos a falar de que espécies e ecossistemas que encontramos ali e que já não encontramos noutros sítios?

A Reserva Natural das Ilhas Selvagens começa em 1971, fundamentalmente para proteger a colónia de cagarras que ali existia, que nidificava ali, que era alvo de caça de forma bastante significativa e impactante para essa população. Foi isso que motivou a criação da reserva em 1971. Mas o património natural das Ilhas Selvagens é muito mais amplo do que as cagarras — sem menosprezo pelas cagarras, obviamente. Temos toda uma panóplia, também em terra, porque é importante lembrar que há uma pequena parte da reserva que é em terra, de espécies exclusivas daquele espaço. Depois, temos um mar que se encontra em muito bom estado de conservação. Ao longo de toda as suas dimensões, a coluna de água e os fundos, que agora irão até à batimétrica dos 3.200 metros. O que nós temos ali para proteger é um dos melhores e mais bem preservados ecossistemas desta zona do Atlântico — e que será um exemplo para muitas outras áreas. Será uma referência a nível mundial, para ser combatido este flagelo que nós temos da degradação dos ecossistemas marinhos. Nós aqui na Madeira estamos a dar um passo que é importante localmente, com uma dimensão muito grande a nível do Atlântico, mas também acho que isto poderá ser, e será certamente, uma referência e um exemplo em que muitos outros decisores se vão inspirar para seguir.

É interessante que refira que é um dos lugares do oceano mais bem conservados no planeta. Numa altura em que temos assistido a uma grande degradação das condições do oceano devido à poluição e a todo o tipo de atividades humanas que descarregam os seus efeitos no oceano, o que é que explica que esta região se tenha mantido relativamente a salvo desses efeitos?

Obviamente que a área não está completamente a salvo desses efeitos, como nem seria de esperar, porque o mar não tem fronteiras. Há impactos muito grandes. Penso que um dos aspetos fundamentais para que as Selvagens estejam no estado em que estão tem a ver com a criação da reserva em 1971 e todo o trabalho de fiscalização e monitorização daquele espaço que foi feito ao longo destes 50 anos. As Selvagens fazem este ano 50 anos e é importante perceber que temos ali 50 anos de conservação da natureza, 50 anos em que as atividades humanas têm sido bastante regradas. Acho que é aqui que está a chave e o segredo deste bem-sucedido ecossistema.

Ainda que seja difícil replicá-lo em sítios povoados, em zonas costeiras com cidades…

Sim, obviamente. Nós, aqui na Madeira, temos toda a tipologia de áreas marinhas protegidas. Temos áreas marinhas protegidas costeiras, temos áreas marinhas protegidas um pouco mais afastadas, como por exemplo a Reserva Natural das Ilhas Desertas, e depois temos as Selvagens, que são bastante mais distantes desses impactos humanos. Obviamente que isso facilita imenso alguns aspetos relativamente aos impactos humanos, que são bastante minorados. Por outro lado, levanta outros desafios, designadamente a facilidade com que as potenciais infrações poderiam ser feitas se não houvesse fiscalização atenta. Porque é mais fácil fiscalizar aqui junto à costa do que fiscalizar tão longe de onde estão as entidades e os meios que fazem a fiscalização. Aquilo que marca a diferença foi o facto de termos sempre tido a capacidade de ter pessoas lá em baixo — nós aqui na Madeira dizemos muito das Selvagens “lá em baixo”, como é para sul. Tivemos sempre uma presença de pessoas que fiscalizavam e faziam a vigilância, que foi aumentada em 2016 e 2017, com a presença em permanência da Polícia Marítima. Neste momento, também temos ali um posto avançado da Polícia Marítima, que é determinante para a preservação daquele ecossistema através da fiscalização.

“O que nós temos ali para proteger é um dos melhores e mais bem preservados ecossistemas desta zona do Atlântico — e que será um exemplo para muitas outras áreas. Será uma referência a nível mundial, para ser combatido este flagelo que nós temos da degradação dos ecossistemas marinhos.”

E também muita ciência feita lá, imagino.

Sim, a questão da ciência e do conhecimento foi determinante para chegar onde chegámos. Em 2010, houve uma grande expedição às Ilhas Selvagens promovida pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental de Portugal. Isso foi em 2010, estiveram lá setenta cientistas no mar e em terra, que deram um aporte muito grande de conhecimento. Depois, em 2016, tivemos uma expedição da National Geographic, com todas as suas mais-valias, todo o seu conhecimento, entre outras que foram aparecendo — com outra dimensão, mas igualmente importantes. Foi a partir dessa expedição da National Geographic que começámos a trilhar este caminho de aumentar a área protegida, porque, de facto, houve indicações muito claras do estado quase prístino que aqueles mares têm.

E consideraram que seria fundamental aumentar o nível de proteção para garantir esse estado para o futuro?

Sim. Hoje em dia, independentemente de termos metas a cumprir a nível internacional — até 2030 existe o compromisso de 30% dos nossos mares serem protegidos, 10% com proteção total —, o que se passa muitas vezes é a criação de áreas no mar. São criados riscos no mar e depois o que se pode fazer fora e dentro é rigorosamente igual. Se nós queremos marcar a diferença, temos de fazer esses tais riscos, essas tais delimitações, mas depois sermos interventivos lá dentro. De facto, está mais do que provado, a ciência mostra que as áreas marinhas protegidas que são mais efetivas são aquelas onde existe proteção total. Se temos uma área marinha protegida e continua a haver extração, por mais pontual que seja, nunca chegamos a atingir aquele patamar prístino que queremos para os nossos oceanos.

O IFCN e o Governo Regional da Madeira estão juntos com a Fundação Oceano Azul e com a National Geographic para este projeto. Como é que se criou este grupo de entidades para chegar a esta classificação?

O networking acaba por ser aparecer naturalmente. Quando existem interesses que convergem na mesma direção, para o mesmo fim — e para um fim nobre como este —, fomos trabalhando a par e passo sem novidade. Foi de forma natural que as sinergias foram aparecendo. A Fundação Oceano Azul, a National Geographic e outras entidades foram sempre colaborando bastante neste acumular de conhecimento. Mas a participação de entidades com esta dimensão vai sempre muito mais além, é uma intervenção transversal. Posicionaram-se sempre como parceiros, disponibilizaram o seu networking, quer ao nível do conhecimento, mas também ao nível da criação da credibilidade à volta do projeto. Os projetos vivem muito e vão sendo construídos à volta do fator credibilidade e confiança naquilo que está a ser feito. Quer a Fundação Oceano Azul quer a National Geographic foram determinantes para nos dar esse conforto.

Na área marítima protegida anterior, ainda sem a classificação de proteção total, o que é que já era proibido fazer?

Na parte terrestre, as ilhas estavam e continuam condicionadas à utilização da entidade gestora [o IFCN]. A pesca estava condicionada. Era proibido fazer pesca que envolvesse redes e a pesca que atualmente se fazia lá, basicamente, era a pesca do atum, com métodos artesanais, e também do peixe-espada preto.

E isso vai passar a ser proibido. Há uma noção do impacto económico que esta medida poderá ter nesse setor? Ou é residual?

A atividade de pesca naquela área para os armadores, que são fundamentalmente armadores da Madeira e dos Açores, é residual. Estamos a falar em números abaixo dos 5% de toda a pesca nos mares da Madeira. Há anos em que é muito menos do que isso. Mas, nisso, o Governo Regional sempre soube estabelecer pontes e sempre soube ultrapassar esses problemas quando eles surgem. Temos o grande exemplo das Desertas. Quando criámos a reserva, houve um diálogo muito forte com os pescadores — e alguns mal-estares iniciais foram sendo atenuados ao longo do tempo sem consequências. Houve uma perceção da importância daquilo que estávamos a fazer.

E neste caso das Selvagens também está a ser feito esse diálogo?

Exatamente. Nós ouvimos todos os stakeholders, todas as áreas com interesse relativamente àquele espaço, e está a ser trabalhado. As sugestões foram acomodadas e neste momento acredito que será um processo pacífico, como se quer.

Vai haver compensações, autorizações para pescar noutros sítios?

É como lhe digo: neste momento, o diálogo está em cima da mesa, está a haver esse diálogo. Tendo em conta o facto de estarmos a falar de uma área em que a pesca, de facto, é bastante residual para os armadores da Madeira, está a haver um diálogo, mas ainda não existe nada em cima da mesa em concreto.

Em relação à fiscalização, antes, havia muitas infrações registadas? Qual era o nível de ação que a polícia tinha de ter na região?

As infrações têm vindo a diminuir ao longo do tempo. Durante as últimas décadas foram diminuindo bastante. As infrações maiores, as de maior monta e preocupação, eram de semirrígidas e embarcações espanholas que vinham às Selvagens pescar ilegalmente. As mais recentes ocorreram em 2010, 2011, 2012, por aí. Depois de a Polícia Marítima se ter estabelecido lá e ter criado o seu posto avançado, não tem havido quase problemas nenhuns. Pode ter havido uma navegação ilegal aqui, um fundear ilegal ali, mas em termos de infrações impactantes, desapareceram por completo desde esse momento.

E a nova legislação vai prever algum reforço dos meios de fiscalização, da Polícia Marítima e outras autoridades?

Nós temos uma capacidade instalada muito forte lá em baixo nas Selvagens. Quer por parte do IFCN, portanto do Governo Regional, quer por parte marinha. Acreditamos que esta capacidade instalada é suficiente para, numa primeira fase, manter a integridade deste espaço e fazer cumprir aquilo que são as novas regras. Mas é preciso termos presente uma coisa: cada vez mais, os métodos remotos de fiscalização e deteção de ilegalidades, através de radares, de imagens de satélite e de todas as plataformas que existem para controlar o tráfego marítimo, acreditamos que, independentemente de já termos a capacidade instalada, a curto prazo poderemos facilmente melhorá-la através destas novas tecnologias.

“Acreditamos que o turismo científico e da natureza, o mercado de nicho, será potenciado, o que é muito importante. Mas também é elevado o nome da Região Autónoma da Madeira enquanto destino sustentável do ponto de vista ambiental e da maneira como trata os seus ecossistemas.”

Este novo regime jurídico da reserva vai necessitar de algum investimento considerável? Ou, na verdade, não muda grande coisa uma vez que a capacidade instalada é suficiente?

A curto prazo, não existe essa necessidade imediata. Mas estamos já a trabalhar para encontrar soluções baseadas na tecnologia, e menos baseadas na presença humana. Não temos valores concretos, mas não estamos a falar de investimentos avultados. Pelo menos, que sejam tão avultados que impeçam a sua implementação.

E há algum impacto desta nova classificação, por exemplo, na atividade turística?

O impacto será favorável. Tudo aquilo que era a visitação mantém-se como estava, mas agora o cartão de visita é outro. As pessoas vão estar a visitar a maior área marinha protegida com proteção total da Europa — isto, só por si, é um grande cartaz. E depois tem impactos também ao nível daquilo que é a imagem da Madeira enquanto destino sustentável. Não só teremos efeitos localizados ali nas Selvagens. Acreditamos que o turismo científico e da natureza, o mercado de nicho, será potenciado, o que é muito importante. Mas também é elevado o nome da Região Autónoma da Madeira enquanto destino sustentável do ponto de vista ambiental e da maneira como trata os seus ecossistemas.

Queria voltar àquilo que me dizia no início. A nova classificação torna esta área marinha um exemplo, quer a nível nacional quer à escala global. É um exemplo de como a humanidade se deve relacionar com os oceanos — sobretudo vindo de um país que dizemos ser 97% mar?

Nós estamos aqui com um problema de escala global ao nível do desaparecimento de espécies, quer em terra quer no mar. Neste caso, relativamente ao ambiente marinho, nós estamos a atravessar uma crise global e importa que existam medidas bastante determinadas e que existam decisores e decisões políticas que orientem para a reversão desse estado de coisas. É óbvio que uma região como a Madeira, ao tomar uma medida destas, é de certeza motivador para muitas outras regiões onde, porventura, os decisores podem estar um pouco menos sensibilizados para a tomada de medidas — e que a referência da Madeira seja um exemplo e os motive a fazer o mesmo que nós vamos fazer agora aqui. A única maneira de nós preservarmos os nossos oceanos é criando zonas como esta, de preferência com alguma conetividade e interação entre elas, de forma a termos o mar global protegido.

Um país como Portugal, que tem uma extensão marítima tão grande, também tem a aprender a nível nacional com o que está a ser feito na Madeira?

Não gosto de dizer que alguém tenha de aprender connosco, porque, de facto, Portugal é um país muito capaz ao nível de proteção e preservação dos ecossistemas e das espécies. Temos feito trabalhos muito interessantes. Agora, uma vez mais reforço a minha ideia: não é uma questão de estar a ensinar nada a ninguém, ninguém tem nada a aprender connosco. Nós queremos é marcar a diferença pelo exemplo e que venham outros e digam: “Na Madeira, eles fizeram, nós também somos capazes de fazer, afinal isto é possível de ser feito”.

O oceano é o lugar em que os efeitos das alterações climáticas se vão sentir durante mais tempo, porque demora mais a reagir. Uma medida como esta poderá ajudar a que no futuro a Madeira sinta menos os efeitos das alterações climáticas?

As alterações climáticas são um fenómeno global. Obviamente, este tipo de medidas só faz sentido num cenário de alterações climáticas se forem feitas em larga escala no planeta. Um ecossistema que esteja em bom estado de conservação tem outra capacidade de amortecimento relativamente ao impacto das alterações climáticas.

Pelo menos 18 navios presos no gelo depois de Oceano Ártico congelar inesperadamente

Pelos menos 18 navios de carga ficaram presos depois de o Oceano Ártico ficar totalmente congelado de forma inesperada perto da costa da Rússia. 

O jornal Independent avança que o gelo tem, neste momento, até 30 centímetros de espessura desde que se formou. 

As empresas dos navios de carga foram apanhadas de surpresa pelo congelamento precoce e podem agora ter que esperar dias até serem retirados do local. 

O capitão de um dos navios, Viktor Gil, contou que a situação é “bastante terrível”, mas garante que a tripulação tem mantimentos suficientes para esperar pelo momento em que serão retirados do gelo, daqui a mais ou menos uma semana. 

No passado, o clima mais quente causado pelas mudanças climáticas permitia que os navios cruzassem partes da rota marítima do norte da Rússia em novembro sem incidentes. Este ano, não foi bem assim.

Shipping. Um futuro para o "Mar Português"

Um futuro mais sustentável e duradouro para a economia do mar em Portugal implica que os transportes marítimos sejam uma das âncoras da nossa política pública do mar.

O shipping não pode ser considerado e tratado pelos diversos actores públicos do “Mar português” como actividade menor, pois, é uma actividade marítima que pode cimentar economicamente e ambientalmente a política pública do Mar, e deste modo ajudar a consolidar um futuro promissor, afirmativo e sustentável do “Mar português. Durante séculos esta nossa actividade permitiu-nos alargar horizontes, aumentar o conhecimento e saber, fortalecer a interculturalidade e consolidar uma sociedade mais desenvolvida social e economicamente, de acordo com os padrões da época.  

Como sabemos, sendo o shipping na sua generalidade uma actividade de enorme transversalidade e amplitude económica e social ─ emprega muito e em diferentes actividades funcionais, gera fluxos financeiros de enorme mais valia e de grande importância para o PIB e impostos ─, necessita de uma constante absorção de soluções criativas e inovadoras e de uma ampla e diversificada fonte de serviços e produtos para conseguir assegurar o seu normal funcionamento.

Pelo que captar a sede destas empresas para o nosso território pode representar uma oportunidade para o crescimento de outras atividades económicas do país ─ como por exemplo a agricultura, metalomecânica, reparação naval, finança e seguros etc. ─, a criação de novos e diversificados empregos, bem como potenciar a formação para as actividades de mar e, naturalmente, garantir novas receitas de impostos.

Assim, uma estratégia assertiva para receber e captar a sede destas empresas será a mola adequada para gerar o sucesso ao desenvolvimento de um concelho, região ou país, basta para tal observar o exemplo do Reino Unido.

Ao consultarmos o estudo do Maritime UK’s “State of the maritime nation” verificamos que o Reino Unido estrategicamente estabeleceu como foco as actividades “portuárias, de serviços, de engenharia e de lazer”, consolidando assim uma indústria marítima pujante e complementar, tornando-a numa das maiores actividades económicas do país ─ em 2017 representava “47 bilhões de libras em volume de negócios, 17 bilhões de libras em VBA e 220.100 empregos”, assegurando “5,3 bilhões para o tesouro em impostos e exportando 12,4 bilhões em bens e serviços”.

E, ainda permitiu que regiões e concelhos, como foi o caso de Londres se especializassem em serviços marítimos do shipping, garantindo-lhes uma participação direta nestes resultados “VAB 26% e Empregos 19%”.

Este estudo também refere que a “OCDE prevê que a economia marítima cresça para o dobro – cerca de US$ 3 triliões nos próximos dez anos”. Assim, preparar este sector de actividade marítima a exemplo do que Reino Unido está a fazer é um imperativo, uma necessidade.

Deste modo, agregar o ecossistema do shipping, promover a criação do Centro Internacional de Shipping, dinamizar a constituição de um Centro de Arbitragem Marítima, rever o imposto de tonelagem e o regime jurídico da actividade profissional do trabalhador marítimo, criar alguns incentivos tarifários e/ou fiscais aplicados, serão parte importante para incentivar a deslocalização para o território nacional, e em particular para a região de Lisboa, de uma parte das empresas de shipping europeias e mundiais de média e grande dimensão. Pois, como afirma o Livro Branco “Pelo Mar Rumo ao Futuro” – sedear em Portugal apenas 5% do shipping europeu terá um impacto estimado em 100 mil postos de trabalho e de €7 mil milhões (3,5%) no produto interno bruto (PIB).

Fonte: Ionline

Viana do Castelo e Figueira da Foz cooperam viradas para a Economia do Mar

Cooperação, foi a palavra de ordem das segundas Jornadas de Inovação que decorreram em Viana do Castelo, no âmbito do projecto INOVSEA para as regiões costeiras do Alto Minho e do Baixo Mondego, com foco na Economia do Mar.

Empresas e entidades representativas de projectos e potencialidades do sector nos municípios parceiros promotores do projeto, Viana do Castelo e Figueira da Foz, foram convidadas a partilhar experiência e conhecimento naquele evento. O objectivo foi o intercâmbio de ideias de negócio para, em contexto de recuperação da economia, gerar novas oportunidades de investimento nas duas regiões que, no seu conjunto, atualmente, empregam “cerca de 3100 pessoas” em actividades económicas ligadas ao mar. No Alto Minho, a economia do mar representa “um volume de negócios de 204 milhões de euros, exportações de 91 milhões de euros e um VAB de 62 milhões de euros”.

Pesca, aquicultura, transformação e comercialização de produtos alimentares, construção e reparação naval, portos, transporte marítimo e logística. E ainda recreio, desporto e turismo, e novos usos e recursos do mar foram áreas de actividade e negócio da também designada “economia azul” abordadas durante as jornadas.

“Foi um dia bastante rico e inovador”, considerou o presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo (AEVC), Manuel Cunha Júnior, afirmando-se convicto que o projecto INOVSEA, promovido por aquela colectividade e pela Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIF), “será um game changer” (terá um efeito importante de inovação) no setor.

O presidente da AEVC afirmou que “são muito mais os pontos que unem, do que os que separam, Viana do Castelo e a Figueira”, já que “são dois municípios que têm uma economia muito voltada para o mar”. E que ambos estão apostados na “troca de conhecimento e informações, e em colocar as empresas e entidades dos dois concelhos em networking para se criarem novas dinâmicas e até novas empresas”. “Queremos que venham novas empresas para cá e levar novas para lá. A economia do mar vai ser, nos próximos dez anos, muito importante para a retoma da economia portuguesa”, disse.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz (ACIF), Nuno Lopes, o trabalho desenvolvido no âmbito do projecto INOVSEA, terá “resultados sólidos de acréscimo de valor para ambos os concelhos”. Adiantou que um dos sinais é que uma das empresas da Figueira da Foz (a Lusalgae) presentes nas jornadas de Viana pensa estender a sua actividade ao Alto Minho. E acrescentou que espera que da cooperação entre a AEVC e a ACIF resulte “o engrandecimento” de projectos já existentes nos dois territórios costeiros. “Queremos perceber os fatores onde a Figueira da Foz e Viana do Castelo têm mais sucesso, de forma a que possamos agrupar mais valor a esses projetos, para que, se já são dinâmicos, passem a ser uma referência a nível nacional”, defendeu.



Siemens Portugal vai modernizar Porto de Leixões

A Siemens Portugal vai modernizar o porto de Leixões, o maior terminal de contentores do Norte do país. Este projeto, adjudicado à Siemens pela Yilport Leixões, inclui a renovação de um pórtico de cais STS (ship to shore) e três pórticos de parque RMG (rail mounted gantry) no Porto de Leixões, já a partir do início de 2022.

Este projeto inclui a substituição dos sistemas de acionamento pelos novos inversores de última geração, mais eficientes, SINAMICS S120, bem como dos sistemas de automação existentes, pelo SIMATIC S7 Fail-Safe, que vai conferir um maior nível de segurança às operações dos pórticos.

A par destas intervenções, a Siemens Portugal vai fornecer ainda sistemas anticolisão e de supervisão embarcados e remotos. A multinacional também equipará estes pórticos no Porto de Leixões com novos sistemas de alarme para deteção de incêndios e sistemas de acesso de operadores via RFID (Radio Frequency Identification).

“Este projeto é um reconhecimento, por parte da Yilport Leixões, da capacidade, know-how e experiência da equipa da Siemens, que vai implementar e comissionar todo o projeto e respetivos sistemas, sendo ainda responsável pelo desenvolvimento de serviços de engenharia, do software dos controladores, dos sistemas a fornecer e pela programação dos acionamentos” refere Luís Bastos, responsável pela Digital Industries da Siemens Portugal.

A equipa da Siemens responsável por este projeto – do Cranes Engineering Hub – com mandato de atuação para a zona EMEA1foi responsável pela intervenção e modernização de cerca de 100 pórticos em dez países: Portugal, Grã-Bretanha,Espanha, França, Roménia, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Moçambique e Aruba.

O porto de Leixões conta com 150 trabalhadores, tendo sido responsável por movimentar em 2020 mais de 530 mil contentores.

Bandeira Portuguesa sobe 2 posições no Ranking Mundial

Portugal subiu duas posições na lista de maiores Estados de Bandeira em número de navios registados, com cerca de 600 navios sujeitos às convenções internacionais, ou seja, os mais relevantes.

De acordo com o último relatório da UNCTAD sobre o shipping, que foi hoje publicado e aborda os dados relativos a 2021, Portugal passou da 16ª para a 14ª posição no ranking mundial, mantendo a tendência de crescimento sustentado, mas com uma espetacular performance no período em análise (2020-2021). Dentro dos 20 principais Estados de Bandeira, Portugal foi o que mais cresceu em número de navios registados, com um aumento de 10% face ao período homólogo anterior.

Esta excelente performance no último período deve-se, essencialmente, à conjugação de vários fatores muito favoráveis à competitividade do Registo Internacional de Navios da Madeira, dos quais se destaca um importante conjunto de alterações legais que se fizeram sentir neste período, como por exemplo, a possibilidade dos navios terem guardas armados a bordo ou as simplificações em termos de hipotecas e certificados eletrónicos. Igualmente importante foi a nova dinâmica e sinergias em termos do conjunto de entidades envolvidas no registo, no âmbito de uma melhor resposta aos clientes, e, não menos importante, ao suporte das tutelas do registo (Mar e Justiça) e do Governo Regional da Madeira.

Para Portugal, o maior desafio atual é manter um crescimento sustentado, alicerçado no rigor técnico, em termos de critérios de entradas de navios e de manutenção dos mesmos.

O registo de navios continua a ser liderado mundialmente pelo Panamá, existindo atualmente em operação no mundo, de acordo com os dados relativos a 1 de janeiro do corrente ano, 99.800 navios mercantis de todos os tipos. Globalmente, comparando o relatório da UNCTAD de 2021 face ao relatório de 2020, a frota de navios mundial cresceu 3%.

 

Mais de 30 Entidades formam a A4S – Associação 4Shipping

Dinamizar a Economia azul e posicionar Portugal como destino do shipping internacional, são dois dos objectivos do grupo de trinta e duas entidades ligadas ao mar, em nome pessoal ou coletivo, que constituíram a A4S – Associação 4Shipping.

Na lista de objetivos estão ainda o apoio ao desenvolvimento dos subsetores tradicionais e emergentes da economia azul, em que Portugal possui ou pode ganhar vantagens competitivas, designadamente: transporte marítimo e serviços conexos, construção e reparação naval, energia oceânica, biologia marítima, dessalinização, defesa marítima e meios fixos submarinos.

Jorge d’Almeida, co-fundador da A4S, defende ser “fundamental que os intervenientes públicos e privados atuem de forma concertada na construção de uma política pública que permita Portugal assumir-se como destino para a atividade do shipping internacional.”

Para esse efeito, a A4S procurará:

• Colaborar na definição de políticas no domínio nacional, europeu e internacional relacionadas com o setor marítimo;

• Colaborar com instituições de ensino académico e profissional para a formação de profissionais e empreendedores marítimos;

• Contribuir para a produção e difusão de conhecimento no âmbito da sua atividade, através da organização e gestão de projetos, da prestação de serviços, da promoção e realização de ações de formação, da organização de reuniões, debates, conferências e outras atividades similares;

• Fomentar a colaboração entre as universidades, as empresas e a Administração Pública;

• Promover o intercâmbio de informação e experiências entre os seus associados e outros profissionais e entidades relevantes do setor marítimo.

De acordo com o estudo, de 2020, conduzido pela Oxford Economics para a European Community Shipowners’ Associations (ECSA), na União Europeia (UE) o shipping contribui diretamente com 685.000 postos de trabalho e €54 mM (milhares de milhões de euros) para o valor acrescentado bruto (VAB). 

Se a estes valores acrescentarmos os efeitos indiretos e induzidos que a atividade proporciona, estes aumentam para 2 milhões de postos de trabalho e €149 mM.

A A4S – Associação 4Shipping ambiciona alcançar para Portugal a meta de 5% do shipping europeu. O impacto estimado desta quota de mercado, tendo como base o referido estudo, é de 100.000 postos de trabalho e de €7 mM ou 3,5% do produto interno bruto (PIB). Números que colocam Lisboa no grupo das 50 principais capitais marítimas do mundo.

Na Assembleia Geral Constituinte, realizada pela A4S a 20 de maio de 2021, foram eleitos para o triénio 2021 – 2024, a Mesa da Assembleia Geral, presidida por Abílio Martins Ferreira, o Conselho Fiscal presidido pela Mogope, representada por Emanuel Gonçalves Pereira, e a Direção, ficando esta constituída pela Saconsult, na qualidade de Presidente, representada por Jorge d’Almeida e por quatro vogais: SRS Advogados, representada por José Luis Moreira da Silva, António Belmar da Costa, Cristina Lança Lopes e José Luís Gonçalves Cardoso.

54% dos portugueses afirma ter tomado medidas para proteger o oceano

 

Portugal é dos países do mundo que mais gosta de comer pescado. A compra regular de peixe e marisco é assumida por 95% dos consumidores portugueses, sendo que quase metade (45%) revela mesmo adorar comer peixe.

As conclusões são de um estudo de mercado encomendado pelo Marine Stewardship Council (MSC) à GlobeScan Incorporated, em 2020, e que analisa as tendências do consumo de peixe e principais preocupações dos consumidores em 23 países, num universo de mais de 26 mil pessoas entrevistadas. Não admira, portanto, que os portugueses se revelem preocupados com a preservação dos recursos marinhos. Se a poluição, sobretudo pelos plásticos e microplásticos, preocupa a maioria (67%), 48% apontou a sobrepesca e a extinção das espécies como a segunda maior preocupação.

Os consumidores portugueses têm uma maior preocupação com a poluição que a média global (44% versus 30%) dos países envolvidos no estudo, nomeadamente no que diz respeito aos produtos químicos e geneticamente modificados.

A preocupação com a sustentabilidade dos oceanos já conduziu 54% dos consumidores nacionais a tomar alguma medida no último ano, como mudar de marca para outra que afirme o seu compromisso com um oceano mais saudável. 90% revelou estar dispostos a tomar medidas no futuro com o mesmo objetivo.

No que toca à certificação, os consumidores portugueses reconhecem menos o Selo Azul”do MSC que a média global (41% comparado com 48%), também associam mais estas certificações à saúde (57% comparado com 52%), no entanto, revelam uma maior percepção de que os selos de sustentabilidade ajudam a assegurar a disponibilidade de peixe para as gerações futuras (74% versus 63%).

Fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian aceleram mais 17 startups da Bioeconomia Azul

Em jogo está um prémio de 45 mil euros ao qual se habilitam as quatro empresas portuguesas Blue Oasis Technology, Fhair, n9ve – Nature, Ocean and Value e Sensefinity. 

Um dos mais importantes programas de empreendedorismo ligado à Economia do Mar em Portugal está a decorrer até ao final da próxima semana e envolve 17 startups, duas fundações e 45 mil euros. Promovido pelas fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian, o “Blue Bio Value” (BBV) está este ano a acelerar empresas de dez países com projetos na biotecnologia azul, entre as quais as quatro startups portuguesas Blue Oasis Technology, Fhair, n9ve – Nature, Ocean and Value e Sensefinity.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Ana Brazão, gestora de projecto na Fundação Oceano Azul e responsável por este programa internacional, diz que o “Blue Bio Value” tem a mais-valia de mostrar as oportunidades que o país oferece nesta indústria. “Vamos demonstrar as mais-valias que o país tem. É importante destacar que Portugal é o país com maior biodiversidade marinha da Europa, portanto existe aqui a matéria-prima necessária para que isso aconteça, além do nosso conhecimento científico-tecnológico”, destaca.

Nesta quarta edição, o “Blue Bio Value” – que recebeu 80 inscrições de 28 nacionalidades – está a ser feito em formato híbrido, com sessões online e visitas de campo para as startups terem oportunidade de ir ao Biocant, o único parque de ciência e tecnologia no país 100% dedicado à biotecnologia, em Cantanhede, ao Ecomare (Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro) ou ao Algatec, um parque de negócios que acolhe empresas e empreendedores que trabalhem com algas e microalgas de forma sustentável.

É importante destacar que Portugal é o país com maior biodiversidade marinha da Europa, portanto existe aqui a matéria-prima necessária para demonstrar as mais-valias que o país tem – Ana Brazão

“Aumentámos em 30% as startups que recebemos, portanto temos 17 equipas que a partir desta segunda-feira [15 de novembro] estão em Portugal e nas últimas cinco semanas estiveram no programa remoto dado pela Maze com workshops, acompanhamento, treino, talks, revisão de planos de negócio e financeiro, parcerias… Agora é que vão cá estar juntas e trazer para Portugal este conhecimento e estas novas oportunidades”, sublinha a porta-voz.