Petição reclama Comissão Parlamentar para as Políticas do Mar

 Em vésperas de eleições legislativas, está lançada uma petição pública para a constituição de uma comissão parlamentar permanente para as Políticas do Mar.

No texto enviado ao presidente da Assembleia da República e aos líderes dos grupos parlamentares resultantes das eleições do próximo dia 30, os proponentes da petição sustentam que a importância do mar “não está ainda apropriadamente traduzida na orgânica do Estado, apetrechando-o devidamente para os desafios da governação integrada do oceano, omissão esta que tem constituído um cada vez mais evidente fator estrutural de atraso”.

“O Estado não sabe como lidar com o mar, para o abordar numa perspetiva global, coerente e integrada”, reforçam os autores. “É a Assembleia da República que pode dar um contributo decisivo à resolução de um velho problema quanto às políticas públicas do mar: dotar de visão de conjunto – e, correspondentemente, de harmonia, coesão, coerência e durabilidade – as diferentes políticas relativas ao mar”, sustentam.

“A existência em permanência da Comissão Parlamentar para as Políticas do Mar pode ser o “ovo de Colombo” em matéria de governance do mar, de governação integrada do oceano, capaz de oferecer a resposta que se procura. Uma Comissão Parlamentar para as Políticas do Mar será a sede política permanente da visão de conjunto e de uma contínua reflexão abrangente sobre o mar português, ao mesmo tempo que, no quadro do pluralismo democrático e parlamentar, garantirá continuidade na estratégia nacional para o mar, de legislatura em legislatura”, acrescentam ainda.

A petição tem como primeiro subscritor José Ribeiro e Castro, na qualidade de Presidente da Direção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, seguindo-se o almirante Henrique Alexandre da Fonseca, director da Revista da Marinha, Tiago Pitta e Cunha, Presidente Executivo da Fundação Oceano Azul, e Jorge d’Almeida, Presidente da Associação 4Shipping.

A petição, em subscrição pública desde 24 de Dezembro, pode ser consultada e assinada aqui.

Oceanos podem ajudar a reduzir a fome no mundo

 

De acordo com um estudo publicado na “Nature Ecology & Evolution”, os mares e oceanos do planeta podem hospedar cerca de 13 milhões de km2 de aquacultura e assim reduzir, pelo menos, parte da insegurança alimentar no planeta.

À medida que a população mundial cresce – segundo dados da ONU irá chegar aos 9,8 mil milhões em 2050, e aos 11,2 mil milhões em 2100 -, os nossos sistemas alimentares ficam sob intensa pressão para garantir a produção de alimentos, especialmente proteína animal. Mas, segundo uma equipa de investigadores norte-americanos e chineses, liderados por Rebecca Gentryde da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, os benefícios para a saúde humana de dietas ricas em peixes e a sustentabilidade da aquacultura marinha em comparação com a produção de carne terrestre tornam premente considerar o potencial desta solução.

Para estes cientistas, os oceanos podem representar uma imensa oportunidade para a produção de alimentos de forma sustentável, ainda que o ambiente do oceano aberto seja amplamente inexplorado como um recurso agrícola.

Na sua pesquisa, os investigadores excluíram áreas oceânicas inadequadas para a aquacultura, por determinadas restrições ambientais ou de uso humano. É o caso de áreas com condições de crescimento inadequadas devido a baixo oxigénio (apenas peixes) e baixa disponibilidade de alimentos fitociclotéricos (apenas bivalves). Também eliminaram águas muito profundas, ou já alocadas para outras actividades como a extracção de petróleo, navegação intensa ou áreas de protecção da vida marinha.

A partir da observação de 120 espécies de peixes e 60 de crustáceos, definiram taxas de crescimento, temperaturas ideais, a concentração de oxigénio que é necessário ou densidade de fitoplâncton para deduzir a concentração máxima de animais marinhos que podem abrigar as águas costeiras. No final, concluíram que “quase todos os países costeiros têm um grande potencial para a aquacultura marinha”.

A equipa de investigadores defende assim que cerca de 11.400.000 km2 de oceano podem ser dedicados à criação de peixes e 1.500.000 km2 podem ser desenvolvidos para bivalves, demonstrando a existência de um potencial expansivo em todo o mundo, incluindo países tropicais e temperados. A produção total seria considerável: se todas as áreas designadas como adequadas neste estudo fossem desenvolvidas (assumindo a inexistência de restrições económicas, ambientais ou sociais), Rebecca Gentryde e os seus colegas estimam que cerca de 15 mil milhões de toneladas de peixe poderão ser cultivadas todos os anos – mais de 100 vezes do que o consumo actual.

Ainda assim, mesmo destacando todo o potencial da aquacultura (que já fornece cerca de 50% do peixe consumido no mundo), os cientistas alertam para a necessidade de “considerar cuidadosamente o impacto da produção de alimentos aquáticos nos ecossistemas e recursos aquáticos e terrestres”.

APL e Liscont assinam concessão de Alcântara

A Administração do Porto de Lisboa e a Liscont assinaram o aditamento do contrato de concessão do terminal de contentores de Alcântara, que prevê um investimento privado de 123,8 milhões de euros.

Quase 12 anos volvidos sobre o primeiro acordo de prolongamento da concessão do terminal de Alcântara como contrapartida à sua expansão e modernização, a APL e a Liscont rubricaram o acordo que viabiliza os investimentos já em curso.

Contra o prolongamento do prazo da concessão até 2038 (e não 2042, como previa o primeiro acordo), a Liscont, ou Yilport Liscont compromete-se a investir 123,8 milhões de euros, essencialmente em novos pórticos de cais e de parque (os primeiros dois STS super-post-panamax estão anunciados ainda para este ano), semi-automáticos e eléctricos, logo, mais produtivos e amigos do ambiente. O investimento em tecnologias e em ambiente são outras das vertentes contempladas.

“Este investimento garante a modernização do terminal de contentores e uma forte redução de emissões de CO2 na sua operação!”, sublinhou, precisamente, o administrador da APL José Castel-Branco, citado em comunicado de imprensa.

Instituído o Dia Internacional da Mulher no Mar.

 

Entre os dias 08 e 12 de novembro, quando o seu conselho reuniu-se, a Organização Marítima Internacional “IMO” estabeleceu o “Dia Internacional da Mulher no Mar”. A data será celebrada anualmente no dia 18 de maio, começando já a partir de 2022. A proposta da comemoração, segundo a organização, é ajudar a promover o “Programa Mulheres no Mar”. 

A Assembleia da IMO oficializará e adotará o evento em dezembro de 2021. As mulheres na indústria marítima serão homenageadas, promovendo os seus recrutamentos, retenções e os empregos sustentados nos sectores marítimo e fluvial. A proposta desse dia foi abordada pela primeira vez no Comité de Cooperação Técnica da IMO, no mês de setembro de 2021, onde em 2019, o tema foi “Empoderando as mulheres na comunidade marítima”.

A expectativa da IMO é que a data seja um marco importante na história do ramo logístico e que as acções direccionadas às mulheres ofereçam mais visibilidade, reconhecendo e inspirando mais mulheres no sector.

Espécies costeiras formam ‘colónias’ de lixo plástico no oceano, mostra estudo

Massas de plástico oceânico estão a oferecer habitat artificial para espécies costeiras, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica ‘Nature Communications’ e citado pelo ‘The Guardian’.

Os autores do estudo observaram garrafas de água flutuantes, escovas de dentes antigas e redes de pesca enroladas, junto à costa. Existe a possibilidade de que as espécies possam estar a evoluir para se adaptar melhor à vida no plástico.

O plástico oceânico está “… a criar oportunidades para que a biogeografia das espécies costeiras se expanda muito além do que pensávamos ser possível”, disse Linsey Haram, investigadora do Smithsonian Environmental Research Center e coautora do estudo, em comunicado.

Além de transportar espécies não nativas para habitats delicados, onde podem tornar-se invasivas e destrutivas, as comunidades neopelágicas, como são conhecidas, são “basicamente uma armadilha ecológica”, refere Juan José Alava, especialista em ecotoxicologia marinha e conservação da Universidade de British Columbia.

Isto acontece porque a densidade absoluta do plástico no oceano leva à criação de estruturas flutuantes permanentes, cobertas por pequenas espécies que atraem criaturas mais acima na cadeia alimentar, como peixes, tartarugas e mamíferos.

Quando essas espécies entram em giros de lixo em busca de abrigo e comida, correm um alto risco de comer e/ou ficarem presas em plástico e morrer. “Por exemplo, muitas vezes as crias de baleias, são muito curiosos – mas essa curiosidade pode levá-los a enredar-se e morrer”, alerta Alava.

Embora os cientistas tenham descoberto que alguns tipos de bactérias são capazes de quebrar hidrocarbonetos no plástico, limpando assim o lixo, é improvável que os tipos de invertebrados alimentadores de filtros que vivem em comunidades neopelágicas tenham esse efeito.

“O relatório de 2021 da ONU após a Cop26 deixou claro que a escala de poluição por plástico crescente está a colocar em risco a saúde de todos os oceanos e mares do mundo”, concluiu Alava.

"No mar não tenho obstáculos". Marta Paço é campeã mundial de surf adaptado

 

A jovem sagrou-se, no domingo, campeã mundial de surf adaptado na Califórnia e admite ser um exemplo para quem, como ela, nasce com alguma dificuldade física.

Marta Paço nasceu a 7 de janeiro de 2005. Tem apenas 16 anos e muito para contar, ou não tivesse já escrito o nome na história do desporto português – ao sagrar-se campeã de mundo de surf adaptado – e provado que, o que parece impossível, pode ser só uma barreia ultrapassável.

A jovem, natural de Viana do Castelo, nasceu invisual mas nunca deixou que isso fosse uma sentença para fazer o que quer que fosse. Praticou goalball, desporto colectivo com bola praticado por atletas invisuais e equitação. Até que, há quatro anos, em 2007, começou a surfar as primeiras ondas e apaixonou-se perdidamente pela modalidade. Um amor que deu frutos logo em 2009, quando se sagrou campeã europeia.

“Houve um meeting europeu de surf adaptado em Viana que envolvia atletas de vários países, como Espanha, França ou Itália, e aconteceu na altura em que conheci o meu treinador, Tiago Prieto, que era cliente no café da minha mãe. Foi aí que dei os meus primeiros passos no surf”, começou por contar Marta.

No mar, é onde a atleta se sente mais livre e com a cabeça limpa. “Para mim, no mar não há obstáculos. Sinto-me completamente à vontade e muito mais livre”, acrescenta. Marta treina quatro vezes por semana e consegue conciliar a parte desportiva com as aulas na Escola Secundária de Monserrate, onde estuda, e com lições de piano e inglês. Está no 11.º ano e pretende seguir Relações Internacionais, ainda que prefira viver “um dia de cada vez” e “deixar as coisas acontecerem”.

“Costumo treinar quatro dias por semana, entre duas a duas horas e meia”, revela Marta, que vê no treinador um grande pilar, além da família, que sempre a apoiou. “Ele é os meus olhos na água. Se eu falhar ele falha, se ele falhar eu falho. Somos uma equipa. Nas competições, ele vai ao meu lado mas nunca me pode tocar. As orientações têm de ser verbais. Caso ele me toque, sou desclassificada. Ele dá-me dicas e avisa quando vem uma boa onda. E depois, o resto é comigo”.

E a equipa não podia funcionar melhor. No domingo, Marta sagrou-se campeã mundial na Califórnia. “Demorou um bocadinho a cair-me a ficha, embora tenha percebido logo pela reacção das pessoas o que tinha conseguido. Festejei logo com o meu treinador. Quando comecei a praticar surf, nunca pensei em competir a sério, mas vou continuar. Vai ficar para a vida!”.

E mais do que o mundial, Marta conseguiu algo maior: ser uma inspiração para muitos. “Tenho recebido muitas mensagens de pessoas que dizem que, depois de terem conhecido a minha história, sentiram-se inspiradas a concretizar alguma coisa que tinham planeado e que tinham deixado por conta da deficiência, E isto era uma coisa que gostava de fazer, ser uma inspiração. Apesar da responsabilidade que isso implica”.

Não podia estar no melhor caminho.

Foto: Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Menos pescada, mais bacalhau. Estão definidas as quotas de 2022

 

Os ministros com a Pasta das Pescas da União Europeia fizeram uma maratona para decidir as quotas de pesca. No caso de Portugal foi possível atenuar alguns dos cortes propostos pela Comissão Europeia, em relação à pescada, ao linguado e a lagostim.

Ainda assim, mantém-se reduções significativas, comparativamente com os totais admissíveis de captura relativos ao ano passado.

A pescada sofre uma redução de 8% face ao total admissível de captura de 2021. Bruxelas propunha um corte de 15%. “Neste caso, foi reconhecida a argumentação portuguesa de que a proposta inicial se encontrava desajustada à realidade deste manancial, pois com base na avaliação de uma única espécie extrapolava-se a redução para as várias espécies de linguado, que não são avaliadas”, refere uma nota do Ministério do Mar.

No caso do lagostim, ficou decidido uma redução de 5% em relação ao ano passado, quando Bruxelas propunha um corte de 16%.

No documento divulgado após as negociações, o Ministério do Mar afirma que “foi compreendido que as duas unidades funcionais deste recurso onde o sector português das pescas actua estão em bom estado biológico, como reportam os pareceres científicos”.

A nota refere ainda que “na Organização de Pescas do Atlântico Noroeste foi possível um aumento de 168% da quota do bacalhau, para as 786 toneladas”, ou seja “mais 493 toneladas do que a quota em 2021.

Na Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico regista-se uma redução de 10%, de cerca de 310 toneladas, na quota de atum patudo e de 20% na quota de voador no Atlântico Sul, de cerca de 127 toneladas”.

No documento divulgado após a reunião, o Ministério do mar destaca também o caso das Pescas da Noruega, onde se regista uma redução de 5 toneladas na quota do bacalhau capturado na respetiva zona económica exclusiva.

Em relação ao bacalhau do arquipélago de Svalbard, “onde Portugal tem uma quota importante”, decorrem ainda as negociações, não se prevendo uma decisão antes de janeiro de 2022.

Foto: © ESTELA SILVA/LUSA

Aquário Vasco da Gama abre sala interativa para atrair mais crianças

O Aquário Vasco da Gama abriu ao público a sala “Janela para o Oceano”, uma obra que demorou um ano a ser montada e teve um custo de 300 mil euros.

Os tempos de pandemia foram aproveitados pelo Aquário Vasco da Gama, para fazer algumas remodelações, a mais recente chamada “Janela para o Oceano”, um espaço que abriu ontem ao público e que é uma sala totalmente interactiva e a pensar nos mais novos. As obras desta sala, que ocupa o espaço do antigo tanque das otárias, duraram um ano e representam um investimento de 300 mil euros, suportado pela Marinha.

“Foi feito um mini anfiteatro com um mega ecrã interativo, é um dos maiores de Portugal e da Península Ibérica, com 20 metros quadrados, em que as crianças podem interagir com o ecrã com vários filmes didáticos, não só das características dos peixes que ali estão, como também com aspectos ligados à poluição. Nós temos um primeiro filme, com vários cenários do fundo do mar, mas a partir deste momento, com esta capacidade que o aquário tem, poderão ser produzidos mais filmes, com vários temas, ligados à literacia dos oceanos”, explicou o comandante Nuno Leitão, director do Aquário Vasco da Gama.

Este grande ecrã encontra-se na parede principal da sala, mas existem mais zonas interactivas nesta “Janela para o Oceano”. “O chão terá um espaço também interativo em que os miúdos poderão interagir com os pés. Por exemplo, pisam uma tartaruga e a tartaruga indica que tem não sei quantas tartarugas mais pequeninas. O chão é como se fosse água, por isso, os miúdos quando andam é como se estivessem a chapinhar. É um chão interactivo de inteligência artificial, com cerca de 8 metros quadrados, permitindo que as crianças, naquele espaço, se sintam dentro de água”, acrescenta este responsável. Existem ainda duas mesas interactivas onde os visitantes podem, por exemplo, desenhar peixes e enviar esses mesmos peixes para o oceano.

Dentro de uma a duas semanas, o Aquário Vasco da Gama irá apresentar ao público mais uma novidade: um grande aquário com enguias elétricas a gerarem energia. “As enguias eléctricas produzem descargas até 860 volts e nós vamos ter um aquário com enguias eléctricas, com medidores, para as crianças poderem visualizar as descargas que as enguias eléctricas produzem”, revela o comandante Nuno Leitão.

Na calha está também a digitalização de todo o acervo histórico do rei D. Carlos, o fundador do Aquário Vasco da Gama, de forma a quem esteja fora do edifício possa aceder a este espólio.

Foto: © Rita Chantre / Global Imagens

Crise de contentores dá lucros milionários às grandes transportadoras

A maior empresa de navegação do mundo, a Danish Maersk, está ganhando mais dinheiro do que nunca. Graças ao aumento do preço do aluguer de seus contentores, a empresa registou no terceiro trimestre deste ano o período mais lucrativo de seus 117 anos de história.

O lucro, antes da dedução de impostos e juros, atingiu 5,9 biliões de dólares, enquanto a receita atingiu 16,6 biliões de dólares.

As grandes empresas de transporte marítimo acabaram por ser as grandes vencedoras da crise da cadeia de abastecimento transportando mercadorias em todo o mundo.

Como há excesso de demanda por parte dos consumidores e falta de oferta para movimentar os produtos, os preços do transporte marítimo dispararam.

Em algumas das rotas marítimas mais movimentadas entre a Ásia e os Estados Unidos, Europa ou América Latina, as tarifas aumentaram mais de 500%.

“Os portos não estão funcionando tão bem quanto deveriam, então não podemos descarregar contentores tão rápido quanto gostaríamos”, disse Soren Skou, presidente-executivo da Maersk, no início de novembro.

Como os portos e toda a cadeia logística de transporte sofrem congestionamentos, as mercadorias demoram a chegar ao destino. As empresas são obrigadas a pagar mais para transportar os seus produtos e os consumidores também acabam pagando mais por eles.

Simon Heaney, director-sénior da unidade de pesquisa de contêineres da consultoria Drewry, explica que o setor de navegação está registrando lucros recordes.

Entre 2000 e 2019, o sector faturou 83,5 biliões de doláres antes do EBITDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização)

Para este ano, a projecção é que a indústria naval terá um lucro de pelo menos 150 biliões de dólares.  “Eles vão dobrar num ano o que conseguiram em quase duas décadas”, afirmou Heaney à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC. Mas ele alerta que se trata de uma situação excepcional.

Em geral, o transporte marítimo é visto como “uma indústria de baixa margem que atrai poucos investidores”, ressalvou.

As cinco maiores companhias marítimas do mundo respondem por dois terços do mercado. E as dez maiores empresas controlam 85% do transporte global, de acordo com dados de Drewry.

“Diria que o mercado é moderadamente concentrado e é um sector bastante competitivo”, diz o especialista.

Uma visão completamente diferente tem Alejandro Molins, consultor e académico da Escola de Organização Industrial (EOI), em Espanha.

“Estamos diante de um mercado que está nas mãos de pouquíssimas operadoras que controlam o trânsito de mercadorias no mundo”, diz. 

“É um oligopólio.”

“Elas hoje possuem lucros espectaculares, embora por muitos anos também perderam muito dinheiro. O que é facto é que o mundo está vendo uma oferta cada vez menor de companhias marítimas”, acrescenta. Molins diz que a concentração do mercado não favorece a concorrência nem beneficia os consumidores.

“As empresas menores não têm capacidade de negociação se houver poucos players no mercado.” Por outro lado, argumentou, as companhias de navegação não são apenas donas dos navios e contentores. Elas também possuem o restante da cadeia logística, controlando portos, carga, descarga, transporte terrestre, armazéns, etc.

“Essas companhias detêm o negócio vertical e horizontalmente”, afirmou. Para ele, a concentração no mercado desse sector é semelhante ao que ocorre em outros, como no sector da tecnologia.

Willy Shih, professor da Escola de Negócios de Harvard, nos EUA, ressalta que o lucro recorde das empresas de navegação, deve-se a um problema de oferta e demanda um sector com altos e baixos.

“O sector de navegação passou por anos de austeridade. Por décadas, não foi um negócio tão lucrativo por ter excesso de capacidade”, disse em entrevista à BBC News Mundo. “É um negócio cíclico”, acrescenta o académico.

As projecções apontam que a crise nas cadeias produtivas continuará no próximo ano, não só porque há engarrafamentos nos portos, mas também porque há falta de mão de obra em outras partes essenciais do processo, como, por exemplo, nos camionistas que transportam mercadorias dos terminais portuários para os centros de distribuição. Como a crise não dá sinais de abrandamento, as empresas que estão sem stock, tiveram que recorrer ao transporte aéreo de produtos. Empresas americanas como Nike, Crocs ou Levi Strauss pagaram custos mais altos para transportar alguns dos seus produtos em aviões. Isso explica porque começou a aumentar a demanda por transporte aéreo de cargas, uma alternativa mais cara, mas que num contexto desafiador como o actual, tem ganhado espaço.

Até a gigante Maersk começou a expandir as suas operações do mar aos céus, comprando a Senator International, operadora de cargas com sede em Hamburgo, na Alemanha, que lhe dará mais acesso a aeronaves, capacidade ferroviária.

Das profundezas do oceano para uma praia da Califórnia

Uma “criatura das profundezas do oceano” apareceu misteriosamente em uma praia de Torrey Pines, em San Diego, Califórnia – Estados Unidos. Jay Beiler caminhava pela areia por volta das 16h40 do horário local quando encontrou o peixe-futebol do Pacífico (Himantolophus sagamius), um tipo de tamboril de águas profundas.

“Nunca tinha visto nada parecido como isto antes. Vou à praia com frequência, então estou familiarizado com o território, mas nunca vi um organismo que parecesse tão temível como este”, afirmou Beiler.

A espécie que tem uma pequena luz bioluminescente no topo da cabeça que age como uma isca ficou famosa no filme ‘Procurando Nemo’. “No começo eu pensei que era como uma medusa ou algo assim, então cheguei perto e olhei para ele com um pouco mais de atenção. Algumas outras pessoas se reuniram em volta dele também, e então vi que era um peixe muito incomum. É o peixe dos pesadelos. A boca quase parecia sangrenta!”, completou.

De acordo com Beiler, o animal tinha quase trinta centímetros de comprimento. “Esta é uma das maiores espécies de tamboril e só foi vista algumas vezes aqui na Califórnia, mas é encontrada em todo o Oceano Pacífico”, explicou Ben Frable, gerente de recolha da colecção de vertebrados marinhos do Scripps Institution of Oceanography.

Frable afirmou que era uma fêmea e que as fêmeas da espécie têm a isca e são muito maiores – até 60 vezes maiores – do que os seus machos, que não têm os dentes salientes. A criatura também tem pontos de verrugas nas laterais, que são “uma espécie de projecções ósseas” que podem ser usadas para defesa.

“Então, se um tubarão de águas profundas ou algo assim vier e tentar mordê-lo, ele pega todos aqueles espinhos. Não é muito apetitoso quando se leva aqueles espinhos na boca. Mas eles podem ter outros propósitos. Nós realmente não sabemos. Não sabemos muito sobre a biologia destes peixes, e essa é uma das razões pelas quais gostaríamos que as pessoas nos avisassem quando encontrassem um na praia para que possamos aprender um pouco mais”.

“O peixe-futebol do Pacífico é conhecido por 30 espécimes que já foram recolhidos e levados a museus em redor do Oceano Pacífico. Eles foram encontrados do Japão até a Nova Zelândia, por toda parte, e muitas vezes eles foram encontrados na praia, então não se sabe ao certo o que os faz parar”, contou o especialista da Scripps Institution of Oceanography.

Foto: Jay Beiler