Pandemia adensa congestionamentos nos portos de todo o mundo

 

A pandemia continua a exercer forte pressão no comércio marítimo global, nomeadamente adensando o congestionamento nos portos um pouco por todo o mundo.

Vários são os portos mundiais que têm enfrentado surtos de Covid-19, nomeadamente cidades portuárias na China – o país onde se localizam vários dos principais portos mundiais.

Muitos desses portos afectados por surtos estão a fechar portas temporariamente, o que tem obrigado a vários desvios de navios para portos vizinhos, os quais acabam por acumular congestionamentos, não conseguindo dar resposta ao pico de procura, avança a Bloomberg.

Um exemplo situa-se em Shenzhen, no sul da China, onde está localizado um dos maiores portos do mundo. A cidade vem enfrentando um novo surto, o que levou a uma testagem em massa de residentes e camionistas, o que tem levado ao acumular de uma fila de navios em espera para que possam ser operados neste porto – obrigando mesmo a autoridade portuária a apenas permitir a chegada de contentores três dias antes da escala dos navios.

Estados Unidos também enfrentam congestionamentos

O Wall Wall Street Journal relata ainda que, nos Estados Unidos da América, a variante Omicron está a impedir a resolução do congestionamento e dos atrasos, que já afectam uma centena de navios nos portos de Los Angeles e Long Beach, Califórnia.

Nos portos vizinhos de Los Angeles e Long Beach, um total de 800 trabalhadores – 10% da mão-de-obra diurna destes portos – estão ausentes do trabalho por razões relacionadas com o vírus Covid-19, entre infectados, em isolamento profilático e à espera de resultados.

Segundo um relatório da ContainerxChange, citada pela S&P Global, os tempos de congestionamento estão perto de níveis recorde. Em 2021, os Estados Unidos e o Reino Unido registaram os tempos mais elevados por contentor, numa média de 50 e 51 dias, respectivamente.

Portos europeus também com recordes de congestionamento

Segundo a Sea Intelligence, também os portos europeus têm registado níveis recordes de congestionamento, os quais têm vindo a aumentar desde Outubro, e a previsão é que a tendência se mantenha.

Em 2021, a procura subiu 7% e a capacidade portuária diminuiu 11%, indicam os dados da Sea Intelligence, uma agência de recolha e análise de dados relacionados com a logística, focada nos contentores portuários, que partilhou estes números com a S&P Global.

A mesma fonte indica que, em novembro de 2021, 11,5% da capacidade operacional a nível global estava indisponível, quando o padrão é que a percentagem não ultrapasse os 2%.

Taxas continuam a subir

Por outro lado, as taxas de carga têm vindo a disparar. A 11 de Janeiro subiram 65% face ao dia homólogo, ficando ainda assim abaixo do pico que se verificou no quarto trimestre do ano passado, em outubro, na chamada “semana dourada” na China, que se estende desde o dia nacional, a 1 de Outubro, até ao dia 7 desse mês. Os dados são do Platts Container Rate Index, citados pela S&P Global.

O CEO da Sea Intelligence espera que estas taxas se mantenham numa tendência ascendente, tendo em conta os problemas de congestionamento e capacidade disponível.

As consequências são várias, elenca o Financial Times. Portos congestionados e armazéns a abarrotar, empresas mais pequenas a terem de lutar para assegurar espaço nos navios de carga, ao mesmo tempo que todas enfrentam pressão a nível financeiro, face às crescentes taxas de carga. Os consumidores deparam-se com prateleiras vazias, pouca disponibilidade dos produtos e também preços mais altos.

Soren Toft: MSC ser a maior não é o objectivo

 

“A dimensão não é um objectivo para nós”, garantiu Soren  Toft, CEO da MSC, depois de ter superado a Maersk como número um no shipping de contentores.

Mesmo se no último ano cresceu mais de 400 mil TEU e se tem uma carteira de encomendas de um milhão de TEU, a MSC não tem por objectivo ser a maior do mundo. Pelo menos é o que diz o seu CEO – e ex-COO da Maersk – Soren Toft.

“Na MSC, nunca fixámos o objectivo específico de sermos os os maiores. Crescimento, rendibilidade e apoiar os nossos clientes é o que nos move, e o que continuará a mover-nos para a frente”, disse  Soren Soft, na ressaca da notícia da rendição da Maersk como maior companhia mundial de transporte marítimo de contentoes.

Curiosamente, se a MSC não fazia questão de ser a número um mundial, a Maersk não fazia questão de continuar a sê-lo, a avaliar pelas declarações de Soren Skou, CEO dos dinamarqueses.

Em Maio, aquando da apresentação dos resultados de 2020, Soren Skou disse que “se a MSC acabar por ter mais capacidade do que nós, isso não será o fim do mundo”. Porque o que realmente importa, sublinhou então, “não é sermos número um. O nosso foco é ter a maior receita possível em cada contentor que transportamos”.

No início do ano, a MSC acabou com o reinado de 25 anos da Maersk e tornou-se a número um do mundo em termos de capacidade de transporte marítimo de contentores. No imediato, a diferença entre as duas parcerias na 2M é mínima, mas tenderá a aumentar com a entrega dos muitos navios que os helvéticos têm encomendados.


AGEPOR vê sinais de esperança nos portos

 

No arranque de um novo ano, a AGEPOR destaca os sucessos de 2021 e os projectos que dão sinais de esperança para o sector marítimo-portuário.

Em comunicado, a AGEPOR destaca “com entusiasmo os desenvolvimentos marítimo-portuários que ajudam a melhorar a tão necessária competitividade internacional do País”.

E, na verdade, a listagem dos sucessos e dos “sinais de dinâmica” elaborada pelos agentes de navegação é longa e abarca todos os principais portos nacionais. Começando pelo aumento das escalas (+12%) em Viana do Castelo e acabando na reactivação dos cruzeiros em Portimão.

Entre os muitos destaques, constam o recorde de 700 mil TEU movimentados em Leixões, o aumento nas escalas em Aveiro e Setúbal e o crescimento dos contentores em Sines, que permitiu atingir o 18.º lugar europeu.

Em matéria de investimentos, os agentes de navegação referem o arranque da extensão do molhe de Leixões, o anúncio da expansão da CSWind ASM em Aveiro, a chegada dos quatro novos STS para o terminal da Liscont, em Lisboa, e a continuação da expansão do Terminal XXI.

Entre as melhorias e os anúncios de projectos, avultam ainda a perspectiva de um terminal de águas profundas em Leixões, a navegação nocturna em Aveiro, o compromisso dos privados com a melhoria das acessibilidades marítimas na Figueira da Foz, as novas acessibilidades em Setúbal e os concursos para o terminal multipurpose e o novo terminal de contentores em Sines.

Transversal à maioria dos portos referidos, e ainda ao Funchal e Açores, a AGEPOR realça ainda o relançamento da indústria de cruzeiros.

Será caso para dizer que o balanço de 2021 é positivo, como positivas serão as perspectivas para 2022, com a AGEPOR, e os seus associados, empenhados em contribuir “para um futuro melhor”.

Maersk sobe previsões de lucros de 2021

 

Na posse dos resultados preliminares do quarto trimestre, a Maersk voltou a subir as previsões de lucros para 2021 e irá rever as estimativas para 2022.

No quarto trimestre, os resultados voltaram a superar as expectativas. Entre Outubro e Dezembro, a Maersk obteve receitas de 18,5 mil milhões de dólares, um EBITDA recorrente de oito mil milhões e um EBIT recorrente de 6,8 mil milhões.

A ajudar à festa esteve a subida de 80% nos fretes médios, em termos homólogos, que compensou a quebra de 4% nos volumes transportados. Explicação? As condições excepcionais do mercado, com a disrupção das cadeias de abastecimento globais.

Com isto, a Maersk prevê agora que 2021 ainda terá sido melhor do que o inicialmente previsto (e sucessivamente melhorado). As novas previsões são de um EBITDA recorrente de 24 mil milhões de dólares (22-23 mil milhões previstos ainda em Novembro), de um EBIT recorrente de 19,8 mil milhões de dólares (18-19 mil milhões) e um cash-flow de 16,4 mil milhões de dólares (14,5 mil milhões).

Os resultados anuais de 2021 serão publicados a 9 de Fevereiro, para quando a Maersk anuncia uma revisão das previsões para o primeiro trimestre de 2022 e para o todo o exercício que ainda agora começou.

Os primeiros oceanos da Terra eram muito mais salgados que os actuais

 

Cientistas da Universidade de Yale afirmam que os oceanos antigos da Terra eram muito mais salgados do que são hoje – uma descoberta que pode ajudar a nossa compreensão de como a vida, a atmosfera e o clima evoluíram no planeta.

Num novo estudo, os especialistas sugerem que, durante os primeiros 500 milhões de anos de existência da Terra, os seus oceanos podem ter contido um nível de sal de até 7,5%. Os oceanos de hoje, em comparação, têm cerca de 2,5% de sal.

As estimativas anteriores para a salinidade dos oceanos primitivos, todas baseadas em dados indiretos, variaram do nível atual a 10 vezes mais alto.

“Este é apenas o começo de decifrar a química do oceano primitivo, pois existem muitas outras incógnitas, mas agora temos uma base sólida para construir”, afirmou o professor de ciências da Terra e planetárias de Yale, Jun Korenaga, um dos autores do estudo.

Este estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os cientistas iniciaram a sua investigação com uma questão mais ampla e fundamental em mente. Queriam saber quanto material halógeno estável – elementos como flúor, cloro (encontrado no sal), bromo e iodo que, quando reagem com metais, produzem uma variedade de sais – existe na Terra.

Os halogénios desempenham um papel crítico em alguns dos processos mais básicos relacionados à formação e evolução do planeta, incluindo a forma como a atmosfera da Terra, os oceanos e o manto rochoso interagem. A presença de halogénios na água do mar é particularmente importante, devido à natureza essencial dos oceanos para tornar possível a vida na Terra.

Até agora, as estimativas para a abundância global de halogénios foram baseadas na suposição de que a proporção de certos elementos na crosta e no manto – a camada rochosa da Terra com 3.000 quilómetros de espessura – tem uma constante ao longo do derretimento e cristalização, e essas estimativas sugeriram que a maioria dos halogénios existe perto da superfície.

Os cientistas de Yale afirmam que não é o caso. Eles criaram um novo método para estimar os níveis globais de halogénios, com base numa nova ferramenta algorítmica e na ciência mais recente sobre como outros elementos circulam pela superfície da Terra e pelas camadas internas.

A nova descoberta sugere que o cloreto e outros halogénios foram em grande parte expelidos do interior do planeta durante os primeiros 500 milhões de anos da Terra – trazendo-os para mais perto da superfície crostosa da Terra e dos oceanos – e depois os ciclaram de volta para o manto.

“A nossa descoberta é totalmente oposta à sabedoria convencional”, disse Korenaga.

"É como sete bombas atómicas por segundo." Calor acumulado nos oceanos bate novo recorde

 

O calor acumulado nos oceanos bateu novos recordes pelo sexto ano consecutivo, indica uma investigação com dados até 2021, publicada na revista científica “Advances in Atmospheric Sciences“.

Os autores do trabalho, realizado por 23 investigadores de 14 institutos de vários países do mundo, alertam que as temperaturas no mar bateram recordes pelo sexto ano consecutivo, e lembram que são resultados do final do primeiro ano da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030).

O relatório resume dois conjuntos de dados internacionais, do Instituto de Física Atmosférica (IAP, na sigla original), da Academia Chinesa de Ciências, e dos Centros Nacionais de Informação Ambiental, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla original), dos Estados Unidos, que analisam observações sobre o calor nos oceanos e o seu impacto desde a década de 1950.

O aquecimento dos oceanos “está a aumentar incessantemente, a nível global, e este é um indicador primário da mudança climática induzida pela humanidade”, disse um dos autores do documento, Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Investigação Atmosférica do Colorado, Estados Unidos.

No último ano, os investigadores calcularam que os primeiros 2.000 metros de profundidade em todos os oceanos absorveram mais 14 zettajoules de energia sob a forma de calor do que em 2020, o equivalente a 145 vezes a produção mundial de eletricidade em 2020.

Toda a energia que os seres humanos utilizam em todo o mundo num único ano é cerca de metade de um zettajoule (um zettajoule é um joule, unidade para medir energia, seguido de 21 zeros).

Além de calor, os oceanos absorvem atualmente entre 20% e 30% das emissões de dióxido de carbono produzidas pela humanidade, levando à acidificação dos oceanos, disse Lijing Cheng (IAP), acrescentando que “o aquecimento dos oceanos reduz a eficiência da absorção de carbono e deixa mais dióxido de carbono no ar”.

Os investigadores também avaliaram o papel de diferentes variações naturais, tais como as fases de aquecimento e arrefecimento conhecidas como “El Niño” e “La Niña”, que afetam grandemente as mudanças de temperatura regionais.

Segundo Lijing Cheng, as análises regionais mostram que o forte e significativo aquecimento dos oceanos desde o final dos anos 1950 ocorre em todo o lado e que as ondas de calor marinhas regionais têm enormes impactos na vida marinha.

De acordo com Lijing Cheng o estudo mostra também que o padrão de aquecimento dos oceanos é o resultado de mudanças na composição atmosférica relacionadas com a atividade humana.

“À medida que os oceanos aquecem, a água expande-se e o nível do mar sobe. Os oceanos mais quentes também sobrecarregam os sistemas climáticos, criando tempestades e furacões mais poderosos, bem como aumentando a precipitação e o risco de inundações”, alertou.

“Oceanos são o super-herói esquecido das alterações climáticas”

Tiago Pitta e Cunha, criador da Fundação Oceano Azul e antigo coordenador da Comissão Estratégica dos Oceanos, afirma que se está a criar uma “tempestade perfeita” para destruição.

Em declarações, o vencedor do Prémio Pessoa de 2021 refere que o novo recorde de calor acumulado nos oceanos é a pior notícia que podia receber. “Mais de 90% do excesso de calor que o aquecimento global está a gerar no planeta é absorvido pelos oceanos. Nós só estamos vivos ainda e as nossas sociedades humanas só são viáveis porque esse calor está a ser absorvido pelos oceanos. A questão é saber até quando é que os oceanos vão conseguir”, indica. “Neste momento, é o equivalente a sete bombas atómicas por segundo durante 24 horas em 365 dias por ano.”

O especialista alerta para os três grandes problemas causados por esta realidade: “o impacto na vida dos seres marinhos” (nota, por exemplo, que, no espaço de 25 anos, desapareceram quase 50% dos corais do planeta); os “fenómenos atmosféricos extremos” (como furacões, depressões e ciclones), que põem em causa “a salvaguarda da vida humana já”, e, a longo prazo, o “degelo dos polos” e “o aumento no nível do mar”.

“Estamos aqui numa tempestade perfeita para chegarmos ao fim do século com um enorme aumento da temperatura que neste momento não é calculável pelos cientistas e que terá consequências imprevisíveis, pela inundação das bacias hidrográficas do planeta, onde produzimos a maior parte da alimentação dos seres humanos”, sublinha.

Para Tiago Pitta e Cunha, os oceanos são “o super-herói esquecido e ignorado” das alterações climáticas, pelo que é preciso criar “um programa de combate às alterações climáticas do oceano propriamente dito”.

Colónia gigante de peixes-gelo descoberta no mar da Antártida

A descoberta surpreendente de cerca de 60 milhões de ninhos ativos foi feita por uma equipa de biólogos durante a colheita de dados de rotina no sul do Mar de Weddell, na Antártida.

Antes desta descoberta, a maior colónia encontrada continha apenas 60 ninhos.

“Esperávamos ver o fundo do mar antártico normal [mas] durante as primeiras quatro horas do nosso mergulho, não vimos nada além de ninhos de peixes”, diz Autun Purser, do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Polar e Marinha na Alemanha, e principal autor do estudo publicado na Current Biology.


 O ecossistema foi encontrado por acidente usando um sistema de gravação de fotos e vídeos e de medições de habitats em águas profundas.

Os pesquisadores estavam inicialmente interessados ​​na área devido a um processo chamado ressurgência, no qual o vento e as correntes trazem água fria para a superfície, fazendo com que a água fique 2°C mais quente do que a área circundante.

Esta colónia de peixes-gelo é a maior encontrada até hoje, estendendo-se por mais de 240 quilómetros no fundo do mar.

O tamanho da colônia sugere que todo o ecossistema do Mar de Weddell é influenciado por estes ninhos.

“É extremamente provável que as focas estejam a alimentar-se destes ninhos de peixes”, diz Purser.

Purser diz ainda que a descoberta mostrou que ainda existem grandes lacunas na compreensão sobre como os ecossistemas do fundo do mar funcionam.

“Os mares profundos não são desertos, são realmente abundantes em vida”, diz, acrescentando que “o facto de existirem ecossistemas tão grandes que não conhecíamos mostra o quão, provavelmente, ainda há para ser descoberto.”

O ecossistema será monitorizado durante os próximos dois anos para tentar determinar como funciona e como interage com outros ecossistemas.

Os investigadores planeiam voltar à região em abril de 2022, para pesquisar as águas ao redor e ver se os peixes se reproduzem novamente nos mesmos ninhos.

 

Erupção do vulcão de Tonga alterou níveis do mar de Portugal

 


O tsunami desencadeado pela erupção de um vulcão em Tonga, no Oceano Pacífico, provocou em Portugal alterações no nível do mar nos Açores, na Madeira e na zona de Peniche, divulgou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

“O sinal de maior amplitude, cerca de 40 cm, foi registado em Ponta Delgada, Açores, tendo o fenómeno sido observado na ilha da Madeira (20 cm medidos no Funchal) e no Continente”, tendo os valores, aqui, sido genericamente “inferiores a 20 [centímetros], com exceção de Peniche, onde foram medidos 39 [centímetros]”, refere o IPMA, numa nota publicada no seu ‘site’, na Internet.

A nota explica que “a origem destes registos está relacionada com a onda de choque atmosférica resultante da explosão no vulcão, a qual se propagou pelo globo, gerando condições particulares sobre os oceanos que potenciam a geração de um tsunami, neste caso designado por meteo-tsunami de origem vulcânica”.

“Este tsunami, gerado no oceano Pacifico, propagou-se pelos vários oceanos, incluindo o Atlântico, tendo-se observado variações do nível do mar em praticamente todas as estações maregráficas em operação na costa portuguesa, variações essas com amplitudes inferiores a meio metro”, informa o IPMA, acrescentando que “está a acompanhar o desenvolvimento da situação”.

A erupção de Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, na sexta-feira, numa das ilhas desabitadas de Tonga, espoletou um tsunami que afetou o Pacífico, do Japão ao Peru e aos Estados Unidos, tendo sido emitidos vários alertas, na região, durante o dia de sábado.

Fonte: Carlos Manuel Martins/Global Imagens

Pescado: Procura geral aumentou 30%

Está a aumentar a procura por produtos da fileira do mar, em linha com a crescente preocupação dos consumidores com a sua alimentação e saúde. Entre 2013 e 2019, a procura por produtos de pescado cresceu globalmente 30%, segundo dados da AICEP, partilhados por José Junqueiro, especialista em economia do mar, por ocasião da conferência “Internacionalização do pescado português – barreiras e oportunidades” que teve lugar na feira Expo Fish Portugal, organizada pela Docapesca.

As exportações portuguesas de produtos de pesca têm sabido tirar partido desta tendência global do aumento da procura. O pescado português é atualmente o produto agroalimentar com mais peso nas exportações do País, seguido do vinho, azeite e hortícolas. A fileira, que inclui a pesca, a aquacultura e a transformação do pescado, gera anualmente um volume de exportações superior a mil milhões de euros, representa um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 1,7 mil milhões de euros e emprega 60 mil pessoas.

A tendência de crescimento das exportações da fileira registada na última década foi interrompida em 2020, em consequência da crise sanitária à escala global. A exceção foi para o subsetor das conservas de peixe, cujas exportações subiram 13,8% no ano passado, em termos homólogos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, as conservas de peixe foram o principal grupo de produtos exportado em Portugal em 2020.

No entanto, no primeiro semestre de 2021, as exportações da fileira recuperaram o ritmo de crescimento da última década, com um crescimento das vendas para o exterior, em valor, de 13%, face a igual período do ano anterior.

Entre janeiro e junho, as exportações de crustáceos, molúsculos e outros invertebrados aumentou 47,7%, as exportações de peixe cresceram 8% e as exportações de preparados de pesado e conservas subiram 6%, em relação ao período homólogo. A maioria das exportações nacionais (78%) tem como destino o mercado europeu, com um domínio demarcado do espanhol. Brasil e EUA lideram importações nos mercados extracomunitários.

Quando a indústria fala de peixe português refere-se ao peixe capturado em águas nacionais e ao pescado comprado no exterior e transformado e exportado pela indústria portuguesa. A balança comercial da fileira de produtos do mar é deficitária. “Se consumíssemos apenas peixe nacional, no final de abril já não tínhamos peixe para comer”, exemplifica António Guimarães, administrador da Soguima, empresa de Guimarães que processa cerca de 100 toneladas de peixe por dia.

“Grande parte do peixe que consumimos e exportamos é proveniente do exterior”, reitera o responsável que considera a não existência do acesso direto ao peixe uma das principais barreiras à exportação.

Apesar de Portugal importar muito mais pescado do que aquele que pesca e produz, a indústria transformadora acaba por atenuar o défice na balança comercial dos produtos de pesca pela sua relevância nas exportações. A Soguima, por exemplo, exporta cerca de 35% da sua produção anualmente para cerca de 30 países, mas ambiciona passar a quota de exportação para os 50%, em 2025.

O administrador da Soguima chama a atenção para a necessidade de diversificar os produtos, através da captura de novas espécies, de inovação e da aposta no serviço diferenciador, acrescentando valor à fileira, porque a avidez dos consumidores por comida não para de aumentar e os recursos são limitados. “Comemos cada mais e a nossa avidez por comida não para de aumentar. É fundamental promover o investimento externo da indústria portuguesa no exterior. Temos de ir atrás dos recursos e fazer fábricas onde está o peixe”.

António Guimarães chama ainda a atenção para a sustentabilidade do peixe produzido em aquacultura. “Qual é a diferença, em termos éticos e ambientais, de um aviário com 100 mil frangos e uma estufa de aquacultura com a mesma quantidade de salmão?”, pergunta o responsável. “Eu penso que estamos a falar da mesma coisa e que esse argumento a longo prazo virá para cima de nós”.

MSC ultrapassa Maersk e passa a liderar transporte marítimo de contentores

 

A MSC ultrapassou a Maersk Line, tornando-se no transportador marítimo de contentores com maior capacidade no mercado mundial.

De acordo com a informação divulgada pela Alphaliner, a Mediterranean Shipping Co. (MSC) passou para a liderança do sector, destronando a companhia dinamarquesa.

Os dados da Alphaliner mostram que a frota da MSC tem hoje capacidade para 4.284.728 TEU, mais 1.888 TEU do que a capacidade oferecida pela frota da Maersk Line, colocando ambas com a mesma quota de mercado: 17%.

Ainda de acordo com a Alphaliner, em 2021 a MSC aumentou a sua capacidade em 411 mil TEU. Já a Maersk aumentou em 142 mil.

Maersk Line destronada depois de décadas na liderança

A Maersk Line vinha liderando este ranking nas últimas décadas, depois de entrar no mercado em 1975 e de ficar conhecida pelos consecutivos recordes de capacidade dos seus navios. A companhia dinamarquesa continua a deter a frota própria com maior capacidade no mercado, uma vez que a MSC tem 65% dos seus navios afretados – a Maersk Line tem 42% da sua capacidade nessa condição.

“Nunca definimos o objectivo específico de sermos o maior operador”, refere o CEO da MSC, Soren Toft, que acrescenta que o foco da empresa está no crescimento no aumento do lucro.

Já o CEO da Maersk Line tinha admitido há alguns dias que ser o número 1 em capacidade não era relevante para a empresa que está igualmente apostada em expandir a sua oferta e capacidade logística em terra.