Pelo menos nove baleias-piloto morreram encalhadas na Nova Zelândia

 

Pelo menos nove baleias-piloto morreram encalhadas na costa da Nova Zelândia, informaram esta segunda-feira as autoridades neozelandesas, estando as equipas de resgate a tentar salvar dezenas de cetáceos.

O Ministério de Conservação da Nova Zelândia disse que um grupo de 49 baleias-piloto ficaram presas em Farewell Spit, considerado o mais longo cordão de areia do mundo, na ilha Sul, a 90 quilómetros de Nelson.

As equipas de resgate, compostas por especialistas na conservação da vida marinha e seis dezenas de voluntários, estão a tentar manter os animais com vida até à subida da maré, mas pelo menos nove já morreram.

Farewell Spit, uma língua de areia com cerca de 30 quilómetros de comprimento, registou uma dezena de casos de baleias encalhadas nos últimos 15 anos. Em fevereiro de 2017, cerca de 700 mamíferos ficaram ali retidos, tendo morrido 250. O maior incidente deste tipo registado em todo o mundo ocorreu em 1918, quando cerca de mil baleias-piloto ficaram presas nas ilhas Chatham, no sudeste da Nova Zelândia.

Na Austrália, em setembro de 2020, 380 baleias-piloto morreram após terem ficado encalhadas, no maior incidente do género registado no país.

Concha Balsemão: «Estou a trabalhar para chegar ao circuito mundial»

Tem apenas 18 anos e surpreendeu tudo e todos com o 9.º lugar conseguido esta semana no Great Lakes Pro, a prova que marcou o arranque do WQS 2021. A viver actualmente na Austrália, onde divide os seus dias com o surf e os estudos, Concha Balsemão foi até Boomerang Beach, em Nova Gales do Sul, para mostrar a todos a evolução que tem tido.

“Este foi o meu melhor resultado até ao momento na World Surf League. Desde que vim para a Austrália que tenho estado muito focada e a trabalhar intensamente para alcançar melhores resultados. Já evoluí desde que cheguei. Consegui entrar no programa Surfing Excellence na escola, o que me deu oportunidade de surfar com alguns dos melhores juniores da Gold Coast três vezes por semana. Estou no Clube de Snapper Rocks e tenho um campeonato do clube por mês, o que me faz manter o ritmo. Além disso tenho sido bem acompanhada e tenho dedicado muito tempo aos meus treinos”, afirmou Concha Balsemão. 

Destaca as condições de mar grande que encontrou em Boomerang Beach e que ajudaram a causar sensação na prova australiana. No entanto, por agora o foco são os estudos. “Este ano entrei para a Universidade onde vou começar as aulas para a semana. Vou estudar Business and Enterprise. Essa é a principal razão pelo qual não vou entrar nos próximos eventos do WQS. Em princípio, em maio vou participar na etapa do QS de Burleigh Heads, que fica mais perto de minha casa”, frisa. 

“Concorri a uns trials do Sport Excellence Surfing na Escola PBC, onde consegui entrar. Vim fazer o 12.º ano com esse programa. Através dos resultados que fiz e, principalmente, pelo meu 2.º lugar no Queensland School Titles, em Setembro, na Sunshine Coast, ganhei uma bolsa de estudo para a Southern Cross University, que por acaso fica bem perto de Kirra e Snapper Rocks”, ressalva Concha, sobre duas das ondas mais famosas na Gold Coast, no estado de Queensland, onde se encontra.

A localização tem permitido à júnior portuguesa surfar alguns dos melhores picos da região e com muito nível dentro de água. Na Gold Coast os que costumo surfar mais são D-bah, Snapper Rocks, Kirra, Burleigh Heads e Currumbin, que é onde surfo regularmente. E sempre que o swell sobe costumo ir para Noosa, que é sem dúvida um dos meus picos preferidos. Para os lados de Nova Gales do Sul gosto de surfar em Cabarita, Yamba e Lennox Heads. O nível é bastante elevado, praticamente todos os australianos surfam bem o que me faz querer evoluir e surfar com pessoas com tanto nível”, assegura. 

Por fim, a surfista que é neta de Francisco Pinto Balsemão não esconde o desejo de regressar e no futuro lutar pelo acesso ao circuito mundial feminino. “Neste momento não tenho planos a longo prazo, mas, sim, vou voltar a competir em Portugal e na Europa com o objectivo de poder subir nos rankings do QS e poder qualificar-me um dia mais tarde para o WCT. Estou a trabalhar para isso e gostava muito que daqui a cinco anos estivesse a entrar para o WCT. Até lá vou continuar focada e com os meus planos de treino para continuar a evoluir”, remata Concha.    


 

Alqueva a três metros da cota máxima anima turismo, agricultura e pesca

 

A barragem de Alqueva “caminha” para a sua cota máxima à boleia da chuva que nas últimas semanas caiu no Alentejo, animando os autarcas dos concelhos abrangidos pelo regolfo da albufeira. Do turismo à rega, da pesca ao consumo humano, passando pela produção de energia, o maior lago artificial da Europa anuncia um 2021 generoso em recursos hídricos.

“O Alqueva na cota máxima tem uma maior atratividade e relevância nos investimentos em redor das infraestruturas náuticas”, congratula-se o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto. Após os anos de investimento e promoção realizados pela autarquia em torno do “grande lago”, 2017 marcou uma aposta de sucesso, com a criação da primeira praia fluvial junto à vila medieval de Monsaraz potenciada pelo extenso espelho de água.

Mas o autarca tem bem presente as dificuldades impostas no ano passado devido ao abaixamento do nível da albufeira, que tornou as margens mais pantanosas e áridas, obrigando o município a investir num “significativo reforço” de areia, para que os banhistas tivessem acesso facilitado à água. “Também tivemos que baixar as cotas dos embarcadouros e ancoradouros”, recorda, destacando ainda as atuais vantagens na segurança para a navegabilidade do Alqueva com cotas de água superiores.

“A praia fluvial e o centro náutico potenciaram outro tipo de procura turística na região, que passou de dois ou três dias para duas semanas”, revela José Calixto, dando expressão à importância do Alqueva “respirar saúde”, com impacto gerado pela barragem em todo o concelho. “Temos 14 povoações e todas elas têm unidades de alojamento que foram surgindo nos últimos anos”, revela, uma altura em que a capacidade turística de Reguengos já atinge as 2 mil camas, não passando despercebida a recuperação de património que chegou a estar em ruínas e que hoje está aberto a visitantes. “O Alqueva com cota elevada também tem impacto na visita de turistas que geram um rejuvenescimento das nossas comunidades”, acrescenta.

Mas em Reguengos de Monsaraz há vida para lá do turismo a espreitar o Alqueva, sobretudo numa altura em que o concelho viu a ser aprovado o bloco de rega destinado a fornecer água a 11 mil hectares de terrenos agrícolas, onde a área ocupada por extensos campos de vinhas assume o papel de relevo.

“Todas as infraestruturas que estamos construir à volta do lago necessitam muito desta água”, insiste, alertando que “as cotas muito baixas colocam em causa todo o investimento”, enquanto fica à espera que até abril a precipitação prossiga ao ponto de elevar o Alqueva à cota máxima, equivalente a 152 metros.

Se lá chegar, esta reserva estratégica alentejana assegura o quinto pleno armazenamento de 4150 hectómetros cúbicos, o que aconteceu pela primeira em 2010 – obrigando a descargas – depois das comportas terem sido encerradas pelo então primeiro-ministro, António Guterres, a 8 de fevereiro de 2002. O Alqueva passava a assumir-se como o maior lago artificial da Europa, com uma área inundável de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1100 quilómetros de margens, habilitado a responder a três anos consecutivos de seca, garantindo disponibilidade para abastecimento público, agricultura e produção de energia.

“Esperança para três anos”

Já em fevereiro o nível das águas da albufeira atingiu os 149 metros (80% da sua capacidade), estando a três metros do limite máximo, segundo revela o boletim diário da Empresa de Desenvolvimento e das Infraestruturas do Alqueva, o que, ainda assim, representa mais de 800 milhões de metros cúbicos.

Também o autarca de Portel – concelho onde está radicada a barragem na freguesia de Alqueva – agradece a chuva. José Manuel Grilo assistiu a três anos consecutivos de seca, que em agosto de 2020 provocaram uma redução do nível da água a albufeira para os 144,51 metros acima do nível do mar, traduzindo, na prática, apenas 63,8% do nível pleno da estrutura. É preciso recuar a 2004 para se assistir a um nível mais baixo.
“Este enchimento da barragem traz-nos esperança para três anos e isso tem um grande significado no concelho”, assume o autarca, apontando os benefícios para as bolsas de rega do perímetro instalado na zona de Monte do Trigo.

Mais de 3 000 pessoas pedem a abertura imediata da pesca lúdica

 

Mais de 3.200 pessoas assinaram até hoje uma petição a reivindicar a abertura imediata da pesca lúdica para pescadores com licença válida em 2020, pois a prática está proibida como medida de contenção à pandemia de covid-19.

Na petição, dirigida ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, os subscritores referem que a pesca lúdica é uma “importante” forma de subsistência para muitas famílias desfavorecidas.

A prática desta actividade tem um “importante papel no desenvolvimento económico, social e cultural do país”, tendo a sua proibição provocado milhões de euros de prejuízo ao sector, bem como ao Estado Português, reforçam.

Segundo os signatários, a pesca lúdica envolve, mais de um milhão de praticantes e de 300 lojas ligadas ao sector.

“Se a reabertura [da pesca lúdica] não vier a acontecer, poderemos estar a pôr em causa toda esta actividade com o encerramento de centenas de empresas e o consequente desemprego de milhares de pessoas”, dizem.

Os peticionários argumentam que as medidas de afastamento social já existem na pesca lúdica, já que as boas práticas da actividade preveem distanciamento entre pescadores.

“Na pesca apeada a distância mínima que deve ser respeitada entre pescadores apeados é de 10 metros, sem a qual há lugar a contraordenação punível com coima (cfr. alínea h) do nº 2 do artigo 14º do Decreto-Lei nº 246/2000 na redação dada pelo Decreto-Lei nº 101/2013 de 25 de julho”, lembram.

Os subscritores alegam que o fim do isolamento social e psicológico será benéfico para a saúde mental dos pescadores lúdicos, pois poderão regressar a praticar um desporto ao ar livre e em harmonia com a natureza.

Navio Português Zaire combate a pirataria no Golfo da Guiné

 

O navio português Zaire esteve esta semana empenhado em várias acções de combate à pirataria na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe, onde se encontra há três anos em missão de capacitação operacional da Guarda Costeira.

A informação foi divulgada pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), um dia depois de a Guarda Costeira de São Tomé ter emitido um comunicado em que diz ter recorrido a apoio internacional para responder a “um recrudescer de atos piratas de caris violento” nas suas águas nacionais.

De acordo com o EMGFA, o Zaire esteve envolvido em várias acções de combate à pirataria na Zona Económica Exclusiva (ZEE) de São Tomé na última semana.

“No dia 7 de fevereiro, a pedido da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, o Zaire foi activado, para prestar auxílio ao navio mercante Sea Phantom, que estava a ser alvo de um ataque de piratas, a cerca de 120 quilómetros a nordeste da Ilha do Príncipe. Quando se encontrava a navegar para a posição do ataque, foi informado que o Sea Phantom já não necessitava de auxílio e que se iria dirigir para os Camarões”, relata o comunicado do EGMFA.

Um dia depois, houve informação “de novos ataques em curso, a dois navios mercantes (Seaking e Madrid Spirit), numa posição a cerca de 100 quilómetros a sudeste da ilha de São Tomé”, tendo-se o Zaire dirigido imediatamente para o local, onde “iniciou patrulha por forma a garantir a segurança da navegação e dissuadir os ataques dos piratas”.

No dia 9 de fevereiro, o Zaire realizou o acompanhamento do navio mercante African River, de bandeira portuguesa, que atravessou a área e se encontrava em trânsito para o Porto Gentil no Gabão e, um dia depois, prestou auxílio ao navio mercante Maria E, “que tinha sofrido um ataque na véspera, e cuja tripulação se encontrava refugiada na cidadela do navio”.

O Maria E foi acompanhado pelo Zaire durante mais de 13 horas e 250 quilómetros até efectuar a passagem em segurança a uma Fragata da Guiné Equatorial, país para o qual o navio mercante se dirigia”, precisa o Estado-Maior-General das Forças Armadas.

No dia 11 de fevereiro, prossegue o comunicado, o navio português “detectou e acompanhou a embarcação de pesca LIANG PENG YU até entrar em águas territoriais do Gabão”, que tinha sido alvo de um ataque de piratas que raptaram dez dos seus 14 tripulantes.

Na sexta-feira, o Zaire continuou a sua patrulha, tendo regressado no sábado à Baía de Ana Chaves.

O navio português, actualmente operado por uma guarnição mista, constituída por militares portugueses e santomenses, prossegue a sua missão de capacitação da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, ilustrando a importância da cooperação bilateral entre estes dois países lusófonos, contribuindo, através de um esforço conjunto, para a segurança na região”, destaca o comunicado do EGMFA.

No sábado, um comunicado da Guarda Costeira são-tomense, a que a Lusa teve acesso, referia-se a “incidentes graves de pirataria nas águas sob sua jurisdição”, em três dias consecutivos, a poucas milhas do arquipélago, mencionando igualmente ao apoio do navio português.

A Guarda Costeira diz ter sido, por isso, obrigada a “mover acções concretas junto das autoridades competentes nacionais” à procura de apoios “a nível regional e com parceiros internacionais”.

Este apoio, de acordo com o comunicado, destina-se “a que, de forma rápida e efetiva, São Tomé e Príncipe possa ser apoiado no combate a esta praga que ameaça cortar linhas marítimas de navegação internacional, assim como linhas que dão acesso as ilhas”.

Em dezembro, quando esteve em São Tomé, o ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, afirmou que o navio português Zaire, a operar naquela região há três anos, tem já fama mundial no combate à pirataria, sendo elogiado por países como a China.

O navio Zaire, da Marinha Portuguesa, tem como principais missões reforçar a vigilância e a fiscalização dos espaços marítimos de São Tomé e Príncipe, a segurança marítima do Golfo da Guiné e a capacitação da guarda costeira deste país de língua portuguesa.

Degelo na Antártida é etapa fundamental na evolução das eras glaciares

 

Um novo estudo, do qual participou o Instituto Andaluz de Ciências da Terra (IACT) (CSIC-UGR), descreveu pela primeira vez uma etapa-chave do início das grandes eras glaciares e indica o que pode acontecer ao nosso planeta no futuro.

O estudo afirma ter encontrado uma nova conexão que poderia explicar o início da Era do gelo na Terra.

A dissolução dos icebergs da Antártida pode ser a chave para a ativação de uma série de mecanismos que fazem com que a Terra sofra períodos prolongados de arrefecimento global, segundo Francisco J. Jiménez-Espejo, investigador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra (CSIC-UGR), cujas descobertas foram publicadas recentemente na revista Nature.

Há muito se sabe que as mudanças na órbita da Terra, conforme se move ao redor do Sol, desencadeiam o início ou o fim dos períodos glaciares ao afetar a quantidade de radiação solar que atinge a superfície do planeta. No entanto, até agora, a questão de como pequenas variações na energia solar que chega até nós podem levar a mudanças tão dramáticas no clima do planeta permaneceu um mistério.

Neste novo estudo, um grupo de investigadores propõe que, quando a órbita da Terra em torno do Sol estiver correta, os icebergs da Antártida começarão a derreter cada vez mais para longe do continente, transportando enormes volumes de água doce do Oceano Antártico para o Atlântico .

Este processo faz com que o Oceano Antártico fique cada vez mais salgado, enquanto o Oceano Atlântico se torna mais fresco, afetando os padrões gerais da circulação oceânica, retirando CO2 da atmosfera e reduzindo o chamado efeito estufa. Esses são os estágios iniciais que marcam o início de uma era do gelo no planeta.

Neste estudo, os cientistas usaram várias técnicas para reconstruir as condições oceânicas no passado, incluindo a identificação de pequenos fragmentos de rocha que se desprenderam dos icebergs da Antártida à medida que se fundiam no oceano. Esses depósitos foram obtidos de núcleos de sedimentos marinhos recuperados pelo Programa Internacional de Descoberta do Oceano (IODP) durante a Expedição 361 nas margens do mar da África do Sul. Esses núcleos de sedimentos permitiram aos cientistas reconstruir a história dos icebergs que alcançaram essas latitudes no último milhão e meio de anos, sendo este um dos registos mais contínuos conhecidos.

O estudo descreve como esses depósitos rochosos parecem estar consistentemente associados a variações na circulação oceânica profunda, que foi reconstruída a partir de variações químicas em minúsculos fósseis do fundo do mar, conhecidos como foraminíferos. A equipa utilizou também novas simulações climáticas para testar as hipóteses propostas, descobrindo que enormes volumes de água doce são transportados para norte por icebergs.

O primeiro autor do artigo, Aidan Starr, da Universidade de Cardiff, observa que os investigadores estão “surpresos por terem descoberto que essa teleconexão está presente em cada uma das diferentes eras glaciares dos últimos 1.6 milhões de anos. Isto indica que o “oceano Antártico desempenha um papel importante no clima global, algo que os cientistas já perceberam há muito tempo, mas que agora demonstramos claramente.”

Francisco J. Jiménez Espejo, investigador do IACT, participou na qualidade de especialista em geoquímica inorgânica e propriedades físicas durante a expedição IODP 361 a bordo do navio de investigação JOIDES Resolution. Durante dois meses, entre janeiro e março de 2016, a equipa de pesquisa navegou entre Maurício e a Cidade do Cabo, recolhendo núcleos de sedimentos do fundo do mar.

A principal contribuição de Jiménez Espejo para o estudo centrou-se na identificação das variações geoquímicas associadas aos períodos glaciares e interglaciares, o que permitiu estimar com maior precisão a idade do sedimento e a sua sensibilidade às diferentes alterações ambientais associadas a esses períodos.

Ao longo dos últimos 3 milhões de anos, a Terra começou a experimentar arrefecimento glaciar periódico. Durante o episódio mais recente, há cerca de 20.000 anos, os icebergs alcançaram continuamente as costas atlânticas da Península Ibérica a partir do Ártico. Atualmente, a Terra está num período interglaciar quente conhecido como Holoceno.

No entanto, o aumento progressivo da temperatura global associado às emissões de CO2 das atividades industriais pode afetar o ritmo natural dos ciclos glaciares. No final das contas, o oceano Antártico poderia tornar-se muito quente para que os icebergs antárticos pudessem transportar água doce para o norte e, portanto, um estágio fundamental no início das eras glaciares – as variações na circulação termohalina – não ocorreria.

Ian Hall, também da Cardiff University, que co-dirigiu a expedição científica, indica que os resultados podem contribuir para a compreensão de como o clima da Terra pode responder às mudanças antrópicas. Da mesma forma, Jiménez Espejo, observa que “no ano passado, durante uma expedição a bordo do Hespérides, pudemos observar o imenso iceberg A-68 que acabava de se partir em vários pedaços próximo às ilhas da Geórgia do Sul. O aquecimento dos oceanos pode fazer com que as trajetórias e os padrões de degelo desses grandes icebergs se alterem no futuro, afetando as correntes e, portanto, o nosso clima e a validade dos modelos que os cientistas usam para o prever. “

Como as canções das baleias podem nos ajudar a explorar o oceano.

Algumas canções de baleias podem fornecer aos cientistas informações valiosas sobre a geografia do oceano, de acordo com um estudo publicado na revista Science. Além do mais, as suas canções podem ser usadas como uma forma de teste sísmico, que usa rajadas de som para mapear o fundo do oceano. Mas alguns usos dessa tecnologia podem ser prejudiciais às baleias e outras formas de vida marinha.

Se tivéssemos ouvido as baleias com mais atenção, talvez não precisássemos desenvolver certas práticas que as prejudicam.

“Não estou totalmente surpreendido com este estudo”, disse Michael Jasny, diretor do Projecto de Protecção de Mamíferos Marinhos do NRDC (Natural Resources Defense Council). “E se  tivesse pedido para adivinhar qual animal esse estudo usou, eu teria dito baleias-comuns. O canto da baleia-comum foi confundido por alguns anos como um gemido geológico regular…Demorou algum tempo até que os oceanógrafos descobrissem que se tratava de um animal.”

Jasny, que não esteve envolvido neste estudo, observou que cientistas e algumas indústrias que dependem de testes sísmicos vêm explorando há anos como substituir sons naturais, incluindo ruídos geológicos e sons de animais, por sons de origem humana.

As baleias-comuns podem gritar bem alto, hidrologicamente falando. As suas chamadas podem atingir até 189 decibéis – mais alto do que fogos de artifício ou tiros e comparáveis ​​aos ruídos de grandes navios, explica o estudo. Elas também são notavelmente consistentes: as baleias-comuns transformam sons individuais em canções longas e de baixa frequência que podem durar horas, fazendo pequenos intervalos apenas para respirar.

Este ruído consistente, o estudo descobriu, tem informações valiosas armazenadas dentro dele. Os investigadores analisaram seis canções diferentes, variando entre 2,5 e 5 horas, de baleias individuais capturadas em estações sismométricas do fundo do oceano na costa do Oregon, que foram inicialmente instaladas para monitorar a atividade sísmica ao longo de uma zona de falha.

“As poderosas ondas sonoras que essas músicas produzem reverberam e refratam através das camadas de rocha abaixo da estação”, observa o estudo. Os investigadores foram capazes de usar essas gravações para reunir informações sobre o sedimento ao longo do solo, bem como a crosta abaixo dele. “O nosso estudo demonstra que as vocalizações de animais são úteis não só para estudar os próprios animais, mas também para investigar o ambiente que eles habitam”, escrevem os autores.

É útil saber o que está acontecendo no fundo do oceano por diversos motivos. Infelizmente, a procura por reservas de petróleo e gás ao longo do fundo do oceano se tornou um dos usos mais comuns – e mais perturbadores – da tecnologia. Para pesquisar o fundo do mar, a indústria de combustíveis fósseis emprega armas sísmicas que disparam rajadas incrivelmente altas, perturbando mamíferos marinhos que evoluíram para usar o som como o seu navegador principal subaquático.

As armas sísmicas “são rebocadas atrás de navios na superfície da água”, Jasny explicou. “Os sons que eles geram têm que descer pela coluna de água, centenas ou milhares de metros, penetrar no fundo do mar, penetrar em camadas de sedimento – 8, 16 quilómetros abaixo de onde a indústria está interessada – e então o som tem que voltar e ser recebido pela embarcação para transmitir informações que valem milhões ou bilhões de dólares.”

“Os canhões de ar disparam aproximadamente a cada 10 segundos ou mais durante semanas ou meses a fio. Isso simplesmente destrói a estrutura da vida do oceano”, afirmou. “Houve estudos indicando que isso poderia mascarar o canto das baleias, especialmente baleias-comuns e jubarte, a milhares de quilómetros de distância da fonte – portanto, uma única pesquisa sísmica poderia interferir na reprodução de baleias-comuns.”

O estudo observa que o canto das baleias-comuns provavelmente não vai substituir esses tipos de pesquisas sísmicas de alta potência. Felizmente, à medida que o preço do petróleo despenca em todo o mundo e a prospecção de novas reservas offshore se torna uma aposta financeira mais arriscada, a indústria sofreu uma série de retrocessos no seu esforço para encontrar mais petróleo, incluindo a legislação nacional para proibir a prática em certas áreas e oposições locais concentradas.

Ainda assim, há outros usos para a tecnologia sísmica que não servem para combustíveis fósseis e que poderiam contar com a ajuda de novas pesquisas sobre o uso de sons naturais. O trabalho de construção offshore, por exemplo, incluindo a construção de turbinas eólicas e outras infraestruturas de energias renováveis, precisa se basear em dados sobre o que está no fundo do oceano para localizar os projectos de maneira adequada.

“Em geral, há muito potencial no uso de uma série de sons que são geológicos e também biológicos…[este é] um estudo empolgante”, disse Jasny. “Faz pensar nos sons que os animais fazem como mais um motor da exploração humana. Há tanto que não sabemos sobre os oceanos.”

 

Oceano. Qual a sua profundidade? E até onde o homem conseguiu ir?

 


A resposta para o quanto profundo são os oceanos é uma das mais misteriosas da humanidade. Afinal, exploradores começaram a mapeá-los há mais de 500 anos, porém calcular a profundidade deles não é tão fácil assim. Por isso, estima-se que ainda exista mais de 95% de área a ser explorada.

Em 1872, navegadores britânicos tentaram calcular essa profundidade com a ajuda de uma corda de 291 quilómetros. A viagem para o feito durou 4 anos, e os exploradores conseguiram coletar diferentes exemplares de pedras, lamas e animais de regiões variadas. Além disso, eles encontraram, realmente, uma das zonas mais profundas dos oceanos: a Fossa das Marianas, que tem uma extensão estimada de 2.540 quilômetros.

Vamos explorar um pouco mais os mistérios dos mares?

Qual a profundidade do oceano?

Actualmente, cientistas calculam que o oceano tem uma profundidade média de 3,4 quilómetros. Porém, esse número é apenas uma média, e alguns locais são muito mais profundos que isso, como a Fossa das Marianas.

A zona mais profunda conhecida pelo homem é justamente essa fossa, caracterizada por depressões longas e estreitas; e o ponto mais profundo também fica nela, e chamado de Depressão de Challenger (Challenger Deep), com quase 11 quilómetros.

No decorrer do tempo, foi possível analisar as características dos oceanos de acordo com a profundidade e, com isso, os cientistas descobriram que algumas espécies precisam de uma certa altitude para sobreviver. No portal The Deep Sea, desenvolvido por Neal Agarwal, é possível conferir algumas criaturas. Porém, apenas 5% dessas profundezas foi estudada, menos do que a superfície de Marte.

O que se sabe sobre os diferentes níveis de oceano?

O nível de 40 metros é a profundidade máxima permitida durante um mergulho seguro. Já o nível de 100 metros pode ser mortal para os seres humanos, porque é neste ponto que começa a síndrome de descompressão.

O primeiro recorde foi quebrado pelo austríaco Herbert Nitsch: ele atingiu 214 metros num mergulho rápido. Para isso, ficou sem equipamentos de protecção e usou objectos pesados para prender as pernas e a cabeça. Em seguida, o egípcio Ahmed Gabr quebrou esse recorde e atingiu 332 metros.

O limite de imersão no oceano para submarinos nucleares é de 500 metros. Nos 2 mil metros, a luz da superfície não alcança mais a região, sendo um local totalmente escuro. Nesse ponto, é possível encontrar lulas gigantes e, para ver os famosos e aterrorizantes peixes abissais, só a partir dos 4 mil metros de profundidade.

Em 2012, o director James Cameron foi ainda mais fundo e conseguiu alcançar o nível de 10.898 metros, e as imagens captadas no mergulho foram disponibilizadas no filme Deepsea Challenge 3D. Ele foi a terceira pessoa que tentou atingir o nível mais profundo do oceano e a primeira que fez isso sozinha.  

Para finalizar, há a Depressão de Challenger, que fica a 10.994 metros abaixo do nível do mar. 

Como foi mencionado, pouco foi explorado sobre os oceanos. Logo, é provável que mistérios e pontos ainda mais profundos do que a Depressão de Challenger existam por aí.

Os oceanos estão começando a expandi-se.

Estudos das placas tectónicas revelam que os oceanos estão expandindo-se gradualmente. O fenómeno está relacionado à actividade sísmica do manto de magma localizado no Dorsal do Atlântico Norte. Embora estudos anteriores apontassem que as placas não eram tão activas, os registros mostram atividades mais frequentes do que o esperado.

Com isso, a taxa de 5% de exploração pode ser ainda menor nos próximos anos, conforme as águas se expandem.

Mineração no oceano profundo deve ser travada, defende WWF

Relatório da WWF alerta para o desconhecimento que ainda existe sobre todo o oceano profundo e recomenda que não se introduza mais um factor de perturbação, com consequências imprevisíveis, até haver informação suficiente.

Em muitos aspectos, o oceano continua a ser um enorme desconhecido para a maioria das pessoas. Quando falamos do oceano profundo, podemos acrescentar que há ainda muito por descobrir até para a comunidade científica. É este o ponto de partida para um relatório elaborado pela WWF – World Wide Fund sobre os riscos de mineração no oceano profundo e agora divulgado, que deixa um alerta: enquanto não se souber o suficiente sobre as consequências desta actividade, ela não deve avançar. 

Foto: Reuters/Stelios Misinas

Conferência da Embaixada de Portugal nos EUA focada em ação climática e oceanos


A embaixada portuguesa nos Estados Unidos realizou uma conferência virtual com vários especialistas sobre o clima, em que se destacou a necessidade de reforçar a cooperação internacional e de acrescentar o problema dos oceanos nas prioridades mundiais.

A conversa foi moderada pelo embaixador de Portugal em Washington, Domingos Fezas Vital, e contou com a participação de especialistas europeus e norte-americanos, para discutir novas alianças transatlânticas antes da conferência climática da Organização das Nações Unidas, conhecida como COP26, em Glasgow, em novembro.

Para o embaixador português, esta sexta feira foi dia “de celebrar”, devido à reentrada dos Estados Unidos no Acordo de Paris, depois da saída ordenada pelo ex-Presidente Donald Trump. Os compromissos assumidos de novo pelos EUA junto da comunidade internacional dão asas para “maiores expectativas” para uma aliança transatlântica para o clima, que junte também esforços internacionais, disse o embaixador.

Na União Europeia, a presidência portuguesa está comprometida a fazer todos os progressos possíveis no diálogo para uma nova lei climática para assegurar que a Europa é o primeiro continente neutro em carbono até 2050“, declarou Domingos Fezas Vital.

Stavros Lambrinidis, embaixador da União Europeia nos Estados Unidos, declarou que “a Covid-19 é uma batalha imediata, mas as alterações climáticas e perda da biodiversidade são os desafios determinantes do nosso tempo“.

Stavros Lambrinidis, embaixador da União Europeia nos Estados Unidos, declarou que “a Covid-19 é uma batalha imediata, mas as alterações climáticas e perda da biodiversidade são os desafios determinantes do nosso tempo“.

Segundo Stavros Lambrinidis, a União Europeia tem um conjunto de propostas para a administração de Joe Biden, entre as quais assumir um objetivo de emissões zero até 2050, uma nova agenda ecológica e sustentável para o comércio transatlântico e uma aliança tecnológica verde.