FCT Nova e Transitários de Portugal fazem parceria para novo Mestrado em Logística Marítima

A Nova School of Science and Technology (FCT Nova) estabeleceu uma parceria com a APAT – Associação dos Transitários de Portugal, de modo a contribuir para o desenvolvimento das Blue Skills a nível dos quadros superiores das organizações.

Esta parceria permite uma aproximação da FCT Nova “à realidade da indústria marítimo-portuária contribuindo, assim, para o desenho de ofertas educativas que satisfaçam as necessidades reais do tecido empresarial”, refere a instituição de ensino em nota de imprensa.

O protocolo oficial foi assinado com a presença do director da FCT Nova, José Júlio Alferes, e do presidente executivo da APAT, António Nabo Martins.

A mesma nota relembra que o Mestrado em Logística Marítima da FCT Nova é o primeiro Mestrado em Portugal especificamente focado neste tema. Reúne um conjunto fundamental de conhecimentos na área da Logística, com domínios adicionais em Engenharia e Gestão Industrial, e trata-se de um curso que permitirá aos profissionais da indústria marítimo-portuária desenvolver competências relevantes nas áreas de investigação, inovação, técnicas, digitais e soft skills, incluindo o raciocínio crítico e uma predisposição proactiva.

O novo sistema de monitorização europeu de navios SafeSeaNet

A Agência Europeia de Segurança Marítima está na origem da criação e implementação do novo sistema de tráfego e monitorização de navios, SafeSeaNet.  O sistema tornou-se totalmente operacional em 2009. 

“Cada embarcação, em função da sua dimensão e tipologia, deve, de acordo com determinadas convenções internacionais transmitir um sinal de rádio. Esse sinal fornece a identificação da embarcação, as coordenadas da embarcação, a velocidade, o rumo e informações sobre o destino, por exemplo. A Agência Europeia de Segurança Marítima centraliza essa informação recolhida pelos Estados membros. Essa informação é reunida e cruzada para compor um único quadro marítimo. O que nos torna muito mais eficientes porque partilhamos toda a informação entre os estados membros, e por isso há menos falhas de informação”, disse à euronews, Michael Risley, responsável da Agência Europeia de Segurança Marítima.

As torres SafeSeaNet

“A informação é transmitida pelos navios através de diferentes sistemas. Em torno da União Europeia, da linha costeira, há uma rede de torres chamadas SafeSeaNet que detectam os sinais transmitidos pelas embarcações. A tecnologia usada por essas torres chamada AIS (Automatic Identification System), também está instalada nos satélites. A agência recebe informação dos Estados membros que têm programas espaciais e do sector comercial. Essa informação AIS de satélite, é fundida numa única imagem. Deste modo temos à nossa disposição a posição mais actualizada para uma única embarcação, independentemente da fonte de onde provém”, acrescentou o responsável.

A prevenção de incidentes

“Há também muitas informações de segurança partilhadas pelos Estados membros. Por exemplo, será que a embarcação transporta material perigoso? É muito importante que os estados membros estejam cientes dessa questão, porque se houver um acidente no mar, precisamos de definir exactamente o que é preciso de colocar no local para responder à situação. Por exemplo, precisamos de determinados produtos químicos. Pode haver risco de explosão. A maior parte das vezes não há acidentes, felizmente. Quando a embarcação chega ao porto, precisamos de saber qual é o equipamento necessário para descarregar a embarcação em segurança. Se houver um determinado contentor que transporta um produto perigoso, será preciso ter um pouco de cuidado suplementar quando estamos a descarregar esse material”, concluiu Michael Risley.

Maersk encomenda mais seis navios movidos a metanol

Outros seis grandes navios porta-contentores movidos a metanol foram encomendados pela AP Moller – Maersk com classe ABS. O pedido eleva para 19, o total de embarcações com motor bicombustível que podem navegar com metanol verde para a Maersk com classe ABS.

Essas embarcações de 17.000 TEUs serão construídas na Hyundai Heavy Industries, com entrega prevista para 2025. Quando todas as 19 embarcações sob encomenda forem entregues, substituirão os navios mais antigos. Em consequência, estima-se uma economia anual de emissões de CO2 de cerca de 2,3 milhões de toneladas.

“A descarbonização do transporte marítimo é um desafio complexo com muitas partes móveis. O metanol verde é um combustível promissor para a descarbonização de nossa indústria e essas embarcações são um passo vital na criação de cadeias de suprimentos globais mais sustentáveis. A ABS orgulha-se de poder usar a sua visão sobre o metanol como combustível marítimo para apoiar a Maersk”, disse Christopher Wiernicki, chairman, presidente e CEO da ABS.

“Todas as embarcações que temos actualmente sob encomenda poderão operar com metanol verde, que vemos como a melhor solução de combustível verde para esta década. Estamos ansiosos para aproveitar o momento actual e continuar a cooperação com a ABS no nosso caminho para descarbonizar a nossa frota”, afirmou Palle Laursen, chief fleet & technical officer da Maersk.

Mais uma dúzia de navios para a MSC

A ítalo-suiça MSC estabeleceu contrato com os estaleiros chineses Yangzijiang Shipbuilding para a construção de uma dúzia de porta-contentores de 16 000 TEU, com sistema dual fuel, facto que foi avançado pela companhia chinesa numa nota sobre as mais recentes encomendas. O contrato da MSC está avaliado em 2,16 mil milhões de dólares. Os novos porta-contentores, estão preparados para operarem a GNL, e deverão ser entregues entre o final de 2024 e meados de 2025, acrescentou a Yangzijiang Shipbuilding. Com este anúncio, a MSC passa a contar 126 navios encomendados, num total de 1,8 milhões de TEU de capacidade, o equivalente a 39% da sua capacidade actual 4,5 milhões de TEU), segundo os dados da Alphaliner.

Alberto II do Mónaco vai apoiar esforços dos Açores na protecção do oceano

O príncipe do Mónaco alertou para a necessidade de preservar os oceanos “nestes tempos de alterações climáticas e de destruição da biodiversidade”

O príncipe Alberto II do Mónaco garantiu ontem que vai apoiar os “esforços” dos Açores na protecção do oceano, enquanto o presidente do Governo Regional reforçou que a ciência do mar permite ao arquipélago ter dimensão mundial.

Falando no Palácio de Sant’Ana, sede da Presidência do Governo dos Açores, em Ponta Delgada, acompanhado pelo líder do executivo regional, José Manuel Bolieiro, Alberto II do Mónaco elogiou a actuação da região na defesa dos oceanos, dando o exemplo do projecto Blue Azores.

“Aproveito para lhe dar os parabéns pelo seu projecto e ambição de preservar um território imenso como são os Açores, contando, é certo, com o apoio da Fundação da Oceano azul, mas também poderá contar com o apoio da minha própria fundação porque ela também está orientado para esse trabalho de futuro”, afirmou, dirigindo-se a Bolieiro.

O príncipe do Mónaco alertou para a necessidade de preservar os oceanos “nestes tempos de alterações climáticas e de destruição da biodiversidade”.

Alberto II reforçou ainda a importância de preservar os cetáceos do oceano atlântico e lembrou que o arquipélago está localizado numa “rota migratória de várias espécies” de aves. “Espero que possamos reunir os nossos esforços nesta perspectiva de cooperação”, vincou.

Por sua vez, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, exortou o príncipe a apoiar o arquipélago na “defesa dos oceanos”.

“Os Açores gostariam de contar com o apoio de Vossa Alteza Sereníssima nos seus desafios em prol da sustentabilidade ambiental e na defesa dos oceanos. Sei que podemos contar consigo”, afirmou.

Trimestre recorde para o shipping de contentores

No segundo trimestre de 2022, as companhias de topo de shipping de contentores atingiram um EBIT global de 41,6 mil milhões de dólares, segundo o cálculo da Sea-Intelligence. A soma não tem em conta o resultado da CMA CGM, que ainda não divulgou o EBIT ( Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do respectivo trimestre, ainda que, mesmo sem esse resultado, o EBIT alcançado já transforma o segundo trimestre de 2022 no melhor segundo trimestre de sempre do sector. Relativamente aos valores, assim que for contabilizado o EBIT da CMA CGM irá fazer com que os mesmos ultrapassem os excelentes resultados obtidos no último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano. Ainda assim, nem tudo é positivo, já que a consultora antecipa que a rendibilidade do sector poderá baixar no próximo trimestre, devido a uma mudança de circunstâncias.

Este país é 99% oceano e 1% terra. Nova expedição visa revelar os seus mistérios

Pense-se “Maldivas” e as primeiras imagens que vêm à mente de muitos são filas de moradias de luxo sobreaquáticas que saem de longas docas de madeira, ou praias deslumbrantes rodeadas de areias brancas deslumbrantes.

Mas apesar das Maldivas serem um dos lugares mais cobiçados do mundo para férias – para não mencionar serem um destino de sonho para mergulhadores -, os cientistas dizem que ainda há muito a aprender sobre os seus ecossistemas subaquáticos.

Agora, o governo das Maldivas e o instituto de investigação marinha britânico Nekton juntaram-se para desvendar alguns desses mistérios, lançando uma ambiciosa expedição para as águas inexploradas do país.

A Missão Nekton Maldives, inclui equipas de cientistas das Maldivas e do estrangeiro, planeia realizar uma extensa investigação abaixo dos 30 metros utilizando dois submersíveis de alta tecnologia – um dos quais pode ir até aos mil metros de profundidade.

O objectivo é ajudar as Maldivas a gerir o impacto da crise climática global.

“As Maldivas são 99% oceano e apenas 1% terra, assente em média 1,5 metros acima do mar. Como resultado, a nação enfrenta uma ameaça crescente da subida dos mares “, diz uma declaração da Nekton.

“Mas, armado de mais conhecimentos sobre o que as suas águas contêm, o trabalho pode começar a proteger o que aí vive e salvaguardar o ambiente que essas espécies habitam, o que, por sua vez, torna o país mais capaz de resistir melhor às alterações climáticas”.

O instituto diz que 10 cientistas marinhos das Maldivas foram selecionados como os primeiros “aquanautas das Maldivas” a liderar mais de 30 primeiras descidas em submersíveis para explorar as profundezas do país. A primeira descida será liderada por uma equipa só de aquanautas mulheres.

“Estamos a determinar a localização, saúde e resiliência dos nossos recifes de coral, especialmente os ecossistemas mais profundos, sobre os quais sabemos muito pouco, de modo a que os principais habitats possam ser identificados para proteção e gestão”, disse o líder da equipa das Maldivas, Shafiya Naeem, director-geral do Instituto de Investigação Marinha das Maldivas, numa declaração.

“Os recifes que rodeiam os nossos atóis ajudam a reduzir os impactos da subida do nível do mar e o aumento da frequência e intensidade das tempestades, e formam a base das nossas economias, meios de subsistência e sustento”.

"Expedição à vela" quer fazer "mapa do lixo marinho" em Portugal e Espanha

Uma “expedição à vela” com “carácter científico” vai fazer “o mapa do lixo marinho” das costas de Portugal e Espanha durante os próximos dez meses, numa iniciativa divulgada em San Sebastián, no País Basco espanhol.

A iniciativa “Espanha Azul” tem como protagonista o espanhol Nacho Dean, que já deu a volta ao mundo a pé e uniu os continentes do planeta a nado, em travessias de estreitos e outros pontos, com o objectivo de sensibilizar para as alterações climáticas, documentando os seus impactos nas diversas regiões do globo.

Desta vez, Nacho Dean e uma equipa que integra investigadores na área dos oceanos vão percorrer as costas da Península Ibérica e dos arquipélagos espanhóis das Canárias (no Atlântico) e das Baleares (no Mediterrâneo), para recolher amostras de lixo e poluição e assim construir um “mapa do lixo marinho“, segundo um comunicado divulgado pela iniciativa “Espanha Azul”.

Esta “expedição”, que conta com o apoio da Universidade de Cádiz, do Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha e do Instituto Espanhol de Oceanografia, entre outras entidades, levará dez meses a concluir e recolherá três “amostras” de lixo e poluição em cada uma das regiões espanholas e em Portugal — uma amostra na foz de um rio, outra numa cidade costeira e a terceira numa “zona virgem“.

Em Portugal, esta expedição terá lugar em dezembro deste ano e as amostras serão recolhidas no Porto, na foz do Tejo e no Parque Natural do Sudoeste Alentejano.

O projecto “Espanha Azul” arranca este mês no País Basco Espanhol e vai contornar a costa da Península Ibérica, das Canárias e das Baleares, até terminar na Catalunha.

Serão recolhidas conjuntos de três amostras no País Basco, Cantábria, Astúrias, Galiza, Portugal, Canárias, Andaluzia, Múrcia, Baleares, Comunidade Valenciana e Catalunha.

Entre os objectivos da “Espanha Azul” estão “realizar um relatório que apoie a declaração de 30% destas zonas como Parques Naturais Marinhos e Áreas Marinhas Protegidas” e registar níveis de poluição, percentagens de oxigénio nas águas, perdas de biodiversidade, subida dos níveis do mar ou impactos das construções urbanísticas e do turismo.

Quais os 6 países responsáveis pelo "continente de plástico"?

Os cientistas acabam de descobrir num estudo que 90% dos resíduos do “continente de plástico” do Oceano Pacífico são originários de somente seis países. A maioria destes países são asiáticos. Mais de um quarto dos resíduos é equipamento de pesca.

O “continente de plástico”, também conhecido como o “vórtice dos resíduos do Pacífico Norte”, não pára de aumentar. Localizado entre o Havai e a Califórnia, este sétimo continente de plástico, descoberto em 1997 pelo navegador Charles Moore, ocupa agora 1,6 milhões de quilómetros quadrados (três vezes o tamanho da França continental).

Estes resíduos recolhidos poderiam representar uma massa de mais de 80.000 toneladas. Investigadores do Ocean Cleanup Project e da Universidade de Wageningen nos Países Baixos descobriram recentemente, num estudo, que 90% destes resíduos plásticos provinham de apenas seis países. Então, quem são os responsáveis?

Para encontrar a origem destes resíduos, os investigadores examinaram 6.000 deles dentro do “vórtice”, procurando palavras impressas (para encontrar uma língua reconhecível), símbolos ou logótipos. No entanto, um terço dos resíduos não foi identificado.

O Japão encabeça a lista, sendo responsável por 33,6% dos resíduos identificados. A seguir vem a China (33,3%), seguida da Coreia do Sul (9,9%). Estes três países asiáticos são, portanto, responsáveis por mais de três quartos dos resíduos plásticos analisados e identificados.