Siemens Portugal vai modernizar Porto de Leixões

A Siemens Portugal vai modernizar o porto de Leixões, o maior terminal de contentores do Norte do país. Este projeto, adjudicado à Siemens pela Yilport Leixões, inclui a renovação de um pórtico de cais STS (ship to shore) e três pórticos de parque RMG (rail mounted gantry) no Porto de Leixões, já a partir do início de 2022.

Este projeto inclui a substituição dos sistemas de acionamento pelos novos inversores de última geração, mais eficientes, SINAMICS S120, bem como dos sistemas de automação existentes, pelo SIMATIC S7 Fail-Safe, que vai conferir um maior nível de segurança às operações dos pórticos.

A par destas intervenções, a Siemens Portugal vai fornecer ainda sistemas anticolisão e de supervisão embarcados e remotos. A multinacional também equipará estes pórticos no Porto de Leixões com novos sistemas de alarme para deteção de incêndios e sistemas de acesso de operadores via RFID (Radio Frequency Identification).

“Este projeto é um reconhecimento, por parte da Yilport Leixões, da capacidade, know-how e experiência da equipa da Siemens, que vai implementar e comissionar todo o projeto e respetivos sistemas, sendo ainda responsável pelo desenvolvimento de serviços de engenharia, do software dos controladores, dos sistemas a fornecer e pela programação dos acionamentos” refere Luís Bastos, responsável pela Digital Industries da Siemens Portugal.

A equipa da Siemens responsável por este projeto – do Cranes Engineering Hub – com mandato de atuação para a zona EMEA1foi responsável pela intervenção e modernização de cerca de 100 pórticos em dez países: Portugal, Grã-Bretanha,Espanha, França, Roménia, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Moçambique e Aruba.

O porto de Leixões conta com 150 trabalhadores, tendo sido responsável por movimentar em 2020 mais de 530 mil contentores.

Bandeira Portuguesa sobe 2 posições no Ranking Mundial

Portugal subiu duas posições na lista de maiores Estados de Bandeira em número de navios registados, com cerca de 600 navios sujeitos às convenções internacionais, ou seja, os mais relevantes.

De acordo com o último relatório da UNCTAD sobre o shipping, que foi hoje publicado e aborda os dados relativos a 2021, Portugal passou da 16ª para a 14ª posição no ranking mundial, mantendo a tendência de crescimento sustentado, mas com uma espetacular performance no período em análise (2020-2021). Dentro dos 20 principais Estados de Bandeira, Portugal foi o que mais cresceu em número de navios registados, com um aumento de 10% face ao período homólogo anterior.

Esta excelente performance no último período deve-se, essencialmente, à conjugação de vários fatores muito favoráveis à competitividade do Registo Internacional de Navios da Madeira, dos quais se destaca um importante conjunto de alterações legais que se fizeram sentir neste período, como por exemplo, a possibilidade dos navios terem guardas armados a bordo ou as simplificações em termos de hipotecas e certificados eletrónicos. Igualmente importante foi a nova dinâmica e sinergias em termos do conjunto de entidades envolvidas no registo, no âmbito de uma melhor resposta aos clientes, e, não menos importante, ao suporte das tutelas do registo (Mar e Justiça) e do Governo Regional da Madeira.

Para Portugal, o maior desafio atual é manter um crescimento sustentado, alicerçado no rigor técnico, em termos de critérios de entradas de navios e de manutenção dos mesmos.

O registo de navios continua a ser liderado mundialmente pelo Panamá, existindo atualmente em operação no mundo, de acordo com os dados relativos a 1 de janeiro do corrente ano, 99.800 navios mercantis de todos os tipos. Globalmente, comparando o relatório da UNCTAD de 2021 face ao relatório de 2020, a frota de navios mundial cresceu 3%.

 

Mais de 30 Entidades formam a A4S – Associação 4Shipping

Dinamizar a Economia azul e posicionar Portugal como destino do shipping internacional, são dois dos objectivos do grupo de trinta e duas entidades ligadas ao mar, em nome pessoal ou coletivo, que constituíram a A4S – Associação 4Shipping.

Na lista de objetivos estão ainda o apoio ao desenvolvimento dos subsetores tradicionais e emergentes da economia azul, em que Portugal possui ou pode ganhar vantagens competitivas, designadamente: transporte marítimo e serviços conexos, construção e reparação naval, energia oceânica, biologia marítima, dessalinização, defesa marítima e meios fixos submarinos.

Jorge d’Almeida, co-fundador da A4S, defende ser “fundamental que os intervenientes públicos e privados atuem de forma concertada na construção de uma política pública que permita Portugal assumir-se como destino para a atividade do shipping internacional.”

Para esse efeito, a A4S procurará:

• Colaborar na definição de políticas no domínio nacional, europeu e internacional relacionadas com o setor marítimo;

• Colaborar com instituições de ensino académico e profissional para a formação de profissionais e empreendedores marítimos;

• Contribuir para a produção e difusão de conhecimento no âmbito da sua atividade, através da organização e gestão de projetos, da prestação de serviços, da promoção e realização de ações de formação, da organização de reuniões, debates, conferências e outras atividades similares;

• Fomentar a colaboração entre as universidades, as empresas e a Administração Pública;

• Promover o intercâmbio de informação e experiências entre os seus associados e outros profissionais e entidades relevantes do setor marítimo.

De acordo com o estudo, de 2020, conduzido pela Oxford Economics para a European Community Shipowners’ Associations (ECSA), na União Europeia (UE) o shipping contribui diretamente com 685.000 postos de trabalho e €54 mM (milhares de milhões de euros) para o valor acrescentado bruto (VAB). 

Se a estes valores acrescentarmos os efeitos indiretos e induzidos que a atividade proporciona, estes aumentam para 2 milhões de postos de trabalho e €149 mM.

A A4S – Associação 4Shipping ambiciona alcançar para Portugal a meta de 5% do shipping europeu. O impacto estimado desta quota de mercado, tendo como base o referido estudo, é de 100.000 postos de trabalho e de €7 mM ou 3,5% do produto interno bruto (PIB). Números que colocam Lisboa no grupo das 50 principais capitais marítimas do mundo.

Na Assembleia Geral Constituinte, realizada pela A4S a 20 de maio de 2021, foram eleitos para o triénio 2021 – 2024, a Mesa da Assembleia Geral, presidida por Abílio Martins Ferreira, o Conselho Fiscal presidido pela Mogope, representada por Emanuel Gonçalves Pereira, e a Direção, ficando esta constituída pela Saconsult, na qualidade de Presidente, representada por Jorge d’Almeida e por quatro vogais: SRS Advogados, representada por José Luis Moreira da Silva, António Belmar da Costa, Cristina Lança Lopes e José Luís Gonçalves Cardoso.

54% dos portugueses afirma ter tomado medidas para proteger o oceano

 

Portugal é dos países do mundo que mais gosta de comer pescado. A compra regular de peixe e marisco é assumida por 95% dos consumidores portugueses, sendo que quase metade (45%) revela mesmo adorar comer peixe.

As conclusões são de um estudo de mercado encomendado pelo Marine Stewardship Council (MSC) à GlobeScan Incorporated, em 2020, e que analisa as tendências do consumo de peixe e principais preocupações dos consumidores em 23 países, num universo de mais de 26 mil pessoas entrevistadas. Não admira, portanto, que os portugueses se revelem preocupados com a preservação dos recursos marinhos. Se a poluição, sobretudo pelos plásticos e microplásticos, preocupa a maioria (67%), 48% apontou a sobrepesca e a extinção das espécies como a segunda maior preocupação.

Os consumidores portugueses têm uma maior preocupação com a poluição que a média global (44% versus 30%) dos países envolvidos no estudo, nomeadamente no que diz respeito aos produtos químicos e geneticamente modificados.

A preocupação com a sustentabilidade dos oceanos já conduziu 54% dos consumidores nacionais a tomar alguma medida no último ano, como mudar de marca para outra que afirme o seu compromisso com um oceano mais saudável. 90% revelou estar dispostos a tomar medidas no futuro com o mesmo objetivo.

No que toca à certificação, os consumidores portugueses reconhecem menos o Selo Azul”do MSC que a média global (41% comparado com 48%), também associam mais estas certificações à saúde (57% comparado com 52%), no entanto, revelam uma maior percepção de que os selos de sustentabilidade ajudam a assegurar a disponibilidade de peixe para as gerações futuras (74% versus 63%).

Fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian aceleram mais 17 startups da Bioeconomia Azul

Em jogo está um prémio de 45 mil euros ao qual se habilitam as quatro empresas portuguesas Blue Oasis Technology, Fhair, n9ve – Nature, Ocean and Value e Sensefinity. 

Um dos mais importantes programas de empreendedorismo ligado à Economia do Mar em Portugal está a decorrer até ao final da próxima semana e envolve 17 startups, duas fundações e 45 mil euros. Promovido pelas fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian, o “Blue Bio Value” (BBV) está este ano a acelerar empresas de dez países com projetos na biotecnologia azul, entre as quais as quatro startups portuguesas Blue Oasis Technology, Fhair, n9ve – Nature, Ocean and Value e Sensefinity.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Ana Brazão, gestora de projecto na Fundação Oceano Azul e responsável por este programa internacional, diz que o “Blue Bio Value” tem a mais-valia de mostrar as oportunidades que o país oferece nesta indústria. “Vamos demonstrar as mais-valias que o país tem. É importante destacar que Portugal é o país com maior biodiversidade marinha da Europa, portanto existe aqui a matéria-prima necessária para que isso aconteça, além do nosso conhecimento científico-tecnológico”, destaca.

Nesta quarta edição, o “Blue Bio Value” – que recebeu 80 inscrições de 28 nacionalidades – está a ser feito em formato híbrido, com sessões online e visitas de campo para as startups terem oportunidade de ir ao Biocant, o único parque de ciência e tecnologia no país 100% dedicado à biotecnologia, em Cantanhede, ao Ecomare (Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro) ou ao Algatec, um parque de negócios que acolhe empresas e empreendedores que trabalhem com algas e microalgas de forma sustentável.

É importante destacar que Portugal é o país com maior biodiversidade marinha da Europa, portanto existe aqui a matéria-prima necessária para demonstrar as mais-valias que o país tem – Ana Brazão

“Aumentámos em 30% as startups que recebemos, portanto temos 17 equipas que a partir desta segunda-feira [15 de novembro] estão em Portugal e nas últimas cinco semanas estiveram no programa remoto dado pela Maze com workshops, acompanhamento, treino, talks, revisão de planos de negócio e financeiro, parcerias… Agora é que vão cá estar juntas e trazer para Portugal este conhecimento e estas novas oportunidades”, sublinha a porta-voz.

“Quantos mais hambúrgueres as pessoas comem, mais nitrogénio entra no oceano”.

A maioria das pessoas não pensa no impacto que as suas escolhas diárias tem nos ecossistemas aquáticos, no entanto, os mesmos estão a ser afectados pelas águas residuais. Uma equipa da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB) decidiu estudar a presença de nitrogénio e de outros patógenos em mais de 130 mil bacias hidrográficas do mundo.

“Estimamos que 25 bacias hidrográficas contribuam com aproximadamente 46% das entradas globais de nitrogénio das águas residuais no oceano”, afirma Cascade Tuholske, um dos investigadores do estudo. Os resultados demonstram que quase metade do nitrogénio é efetivamente proveniente das águas residuais humanas, e não dos resíduos agrícolas.

Este aumento está a provocar a eutrofização das águas. Segundo a UCSB, trata-se de “um fenómeno no qual nutrientes excessivos criam florações de fitoplâncton perto da costa que produzem toxinas e privam as águas do oxigénio”. Além deste fenómeno prejudicar a sobrevivência da vida marinha, tem também impacto na cadeia alimentar.

“Todos os ecossistemas podem chegar a um estado altamente degradado quando os níveis de nutrientes estão muito altos. Os recifes de coral podem ser convertidos em campos de algas que crescem demasiado e matam os corais abaixo deles”, explica Benjamin Halpern, autor do estudo e diretor do Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológica da UCSB. “O nosso trabalho ajuda a mapear onde os nutrientes das águas residuais estão provavelmente a expor estes ecossistemas a um maior risco”.

Outras das observações dos autores foi o impacto que o sistema alimentar de cada país tem nos ecossistemas marinhos. O aumento da carne nas dietas modernas, adoptadas principalmente pelos países mais ricos, aumenta também a presença de nitrogénio nas águas residuais. “Quantos mais hambúrgueres as pessoas comem, mais nitrogénio entra no oceano”, aponta Cascade Tuholske.

Empresa Oceano Fresco angaria investimento de 6,1 milhões de euros

A Oceano Fresco, que se assume como pioneira mundial em aquicultura de bivalves, anunciou a conclusão da sua série B de investimento, no montante de 6,1 milhões de euros, “uma das maiores até hoje no sector”.

A ronda é co-liderada pelo fundo holandês de aquicultura sustentável Aqua-Spark e pela Semapa NEXT, braço de capital de risco do Grupo Semapa.

Com este investimento, a empresa irá expandir as suas operações e construir a sua primeira infraestrutura de armazenamento e embalamento.

De início, a expansão da empresa focar-se-á em Espanha e Portugal, “enquanto são estabelecidas as fundações de um negócio à escala global”.

“A Oceano Fresco tem-se distinguido como líder no sector das amêijoas, através da utilização de ferramentas avançadas e de uma abordagem de melhoramento contínuo das espécies baseada na ciência, trazendo inovação técnica e gestão ao emergente sector da economia azul”.

Na sequência de rondas de investimento anteriores lideradas pela BlueCrow Capital, a Oceano Fresco construiu um centro biomarinho (incluindo maternidade) na Nazaré e montou o primeiro viveiro de amêijoas, em mar aberto, ao largo do Algarve.

ÓPrepara-se agora para lançar, em larga escala, as suas operações comerciais, começando com variedades de espécies premium de amêijoas nativas da Europa, informa em comunicado.

A empresa tem sido até hoje financiada pelos seus fundadores, por apoios públicos, e por investidores de capital de risco que partilham a sua “visão disruptiva de uma verdadeira economia azul para a Europa e para o mundo”.

“É muito entusiasmante ter com a Oceano Fresco investidores tão experientes e reputados como a AquaSpark e a Semapa NEXT. Ambos partilham a nossa visão sobre alimentação sustentável e a importância da inovação para a concretizar. Chegámos a este ponto devido à nossa excepcional equipa. O futuro parece-nos brilhante”, afirma Bernardo Ferreira de Carvalho, fundador e CEO da Oceano Fresco.

“Uma etapa termina, outra começa. É gratificante saber que a empresa conta com um apoio tão forte entre os melhores; mas isto vem apenas aprofundar o sentido de responsabilidade que a equipa já tem, de estar sempre à altura das expectativas que vai criando”, diz por sua vez Nuno Arantes e Oliveira, co-fundador e presidente do CA da Oceano Fresco.

Ricardo Pires, CEO da Semapa NEXT, também citado naquele comunicado, sublinha que “uma das prioridades estratégicas desta empresa é “investir em empresas bem posicionadas para endereçar o imperativo da sustentabilidade com soluções escaláveis e economicamente viáveis”.

A Oceano Fresco “está inteiramente alinhada com esta visão, visto que está a trazer a produção de amêijoas para o século XXI através de uma abordagem completamente integrada, escalável, sustentável, e baseada na ciência”.

“Estamos entusiasmados com a perspectiva de trabalhar com esta equipa excepcional na vaga de crescimento que se avizinha, em que a empresa aumentará a produção e continuará a introduzir soluções inovadoras para ir ao encontro da crescente procura dos consumidores por fontes de proteína saborosas e sustentáveis”, afirma.

“Ficamos muito contentes por estar entre os investidores que lideram a série B da Oceano Fresco, visto que temos vindo a procurar a operação certa em bivalves desde que nos lançámos. Para nós, a Oceano Fresco destacou-se como um exemplo best-in-class no cultivo de moluscos, com o potencial de escalar e de reorientar a indústria numa direcção de maior sustentabilidade e transparência”, referem Mike Velings e Amy Novogratz, co-fundadores da Aqua-Spark.

A Oceano Fresco é uma empresa de alimentação sustentável que usa técnicas inovadoras de aquicultura para cultivar espécies de bivalves de alta qualidade.

“Os bivalves são uma alternativa reconhecidamente superior a todas as outras fontes de proteína de origem animal; a Oceano Fresco cultiva amêijoas nativas à Europa, designadamente das espécies V. corrugata e R. decussatus, ambas actualmente em declínio e ameaçadas por espécies exóticas invasoras, mas ambas também alvo de forte procura, contando-se entre os alimentos mais sustentáveis, naturalmente saudáveis e saborosos disponíveis em qualquer parte do mundo”, explica.

“As operações verticalmente integradas da Oceano Fresco permitem um cultivo sustentável e rastreável, alavancando os recursos do seu moderno Centro Biomarinho, do primeiro viveiro de amêijoas a mar aberto em todo o mundo (ambos em Portugal), e de um grupo de cientistas dedicado e totalmente apostado nos programas de I&D e de melhoramento selectivo da empresa”.

Governo investe 87 milhões de euros na Economia do Mar

O Ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, afirmou que o Governo vai investir 87 milhões de euros, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), em centros de investigação e de desenvolvimento de produtos para a Economia do Mar no Algarve, Lisboa, Oeiras, Peniche, Aveiro e  Porto. Nos Açores haverá um hub similar financiado por outro projecto da componente Mar no PRR.

Em Peniche, na abertura da Expo Fish Portugal, a primeira feira internacional virtual de pescado fresco ou transformado, o Ministro destacou que o investimento para o Hub Azul permite criar infraestruturas «para desenvolver as grandes tecnologias e promover a ligação entre as academias e as indústrias e os empreendedores em contextos da biotecnologia azul, das energias oceânicas, robótica submarina, das engenharias, construção naval».

Ricardo Serrão Santos acrescentou que o investimento visa «potenciar o sector da transformação do pescado e a biotecnologia» e promover uma maior ligação entre a investigação científica e as indústrias do sector.

“Vão ser centros de produção de produtos na parte da biotecnologia azul, para aumentar o número de patentes nacionais”, disse.

O Hub Azul, Rede de Infraestruturas para a Economia Azul, vai ter infraestruturas (novas e existentes) costeiras com acesso à água, laboratórios e zonas de teste, locais para prototipagem, scale-up pré e industrial e espaço de incubação e alavancagem de empresas, criando uma plataforma física e virtual em rede para dinamizar a bioeconomia azul e outras áreas emergentes da Economia do Mar descarbonizante em Portugal e na Europa.

O Hub Azul vai ter ainda uma «estreita ligação às universidades nacionais, principalmente às escolas com formação superior direccionada para o mar, e aos centros de formação profissional do mar».

Volume de capturas de Pescado em Portugal aumenta 48,4%

O volume de capturas de pescado em Portugal, em Agosto de 2021, aumentou 48,4% (+25,1% em Julho), justificado sobretudo pela maior captura de peixes marinhos, mas também de moluscos e crustáceos. Às 20.437 toneladas de pescado correspondeu uma receita de 38.607 mil euros, valor que representou um acréscimo de 34,8% (+12,7% em Julho), revela o Instituto Nacional de Estatística (INE), no seu Boletim Mensal da Agricultura e Pescas – Outubro de 2021.

Para este resultado, que constituiu o maior volume de capturas de pescado registado no mês de Agosto desde 2010, não será alheio, entre outros factores, a crise pandémica da Covid-19, que em 2020 obrigou este sector a um decréscimo assinalável da actividade, estando em 2021 a assistir-se a uma recuperação significativa relativamente ao ano transacto, refere o INE.

Na Região Autónoma dos Açores as capturas mais do que duplicaram (+115,5%), num total de 2.824 toneladas de pescado (+39,4% em Julho), resultado sobretudo da maior captura de atuns, mas também de carapau. Pelo contrário, na Região Autónoma da Madeira as 466 toneladas capturadas representaram um decréscimo de 0,8% (-20,3% em Julho), especialmente devido à menor captura de peixe-espada.

O volume de peixes marinhos capturados a nível nacional foi 19.063 toneladas e teve um aumento de 52,5% (+28,7% em Julho). Esta situação resultou fundamentalmente do maior volume de biqueirão, que com 2.807 toneladas, mais do que triplicou a sua captura em relação ao mês homólogo (+258,9%).

Aumentaram também significativamente as capturas de atuns (+120,0%), com 2.677 toneladas, cavala (+61,6%), com 5.135 toneladas e carapau (+47,0%), com 2.368 toneladas, tendo a captura de 3.840 toneladas de sardinha constituído um aumento de 11,1%. Em contrapartida, registou-se menor quantidade de peixe-espada (-10,5%), que não ultrapassou as 354 toneladas capturadas.

O volume de crustáceos (155 toneladas) teve um acréscimo de 9,9%, devido principalmente ao maior volume de gamba branca, caranguejo mouro e perceve. Os moluscos apresentaram igualmente um aumento de 7,9%, com 1 218 toneladas capturadas, sendo de destacar o maior volume de polvo, que quase duplicou, tendo também sido registado acréscimos para a pota e choco.

O Mar Báltico está a morrer

O Mar Báltico é um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta. Ali, as alterações climáticas podem ser observadas mais rapidamente do que em qualquer outro lugar.

Ervins Vilcins é pescador há mais de 35 anos. Ao longo do tempo, recolheu amostras de peixes para investigadores e testemunhou a mudança do clima. E não é apenas o tamanho das capturas que está a mudar. Os Invernos rigorosos são muito raros e é muito provável que a água fique mais quente. Vilcins conta que há mais variedades de peixe como o caboz redondo, uma espécie que não existia naquelas águas. “ A natureza muda rapidamente. E nem sequer estou a falar de pequenos microrganismos que não conseguimos ver”, sublinha o pescador. Por outro lado, o salmão e o bacalhau – até qui abundantes – são cada vez mais raros.

As espécies estão a desaparecer não só por causa da pesca excessiva, mas também porque os locais de desova foram reduzidos. Os cientistas dizem que no Mar Báltico, as águas abaixo dos 80 metros já são consideradas zonas mortas, uma vez que a quantidade de oxigénio não é suficiente para os organismos vivos. Por causa das alterações climáticas, a taxa de reposição de água está a diminuir, uma situação que cria graves problemas para um ecossistema semifechado.

Ivars Putnis, investigador do Instituto “BIOR” explica que as entradas de grande quantidade de água foram bastante regulares no século passado mas agora, nas últimas décadas, desapareceram e há apenas alguns afluxos de maior quantidade. Com estas entradas de água mais salina, o mar Mar Báltico recebe água oxigenada do Mar do Norte. Esta alteração é um dos factores que explicam a degradação deste ecossistema.

Mas não é só o aquecimento global que está a matar o mar. Há que ter em conta outros impactos ambientais. A poluição causada pela produção industrial e pela agricultura é um fardo pesado para um mar tão pequeno e pouco profundo. O Báltico é conhecido como um dos ecossistemas mais poluídos do mundo.

Juris Aigars, investigador do Instituto de Ecologia Aquática da Letónia, diz que não vê as pessoas a pensar de uma “forma séria” sobre a preservação daquele local. “Pensam mais em novas formas de obter algum benefício económico”, defende.