Portos da Ucrânia permanecerão fechados até fim da invasão russa

“Os portos ficarão fechados até ao fim da agressão russa no nosso território e (nós) restauraremos a capacidade de fornecer segurança marítima para navios comerciais”, disse Vitaliy Kindrativ à Reuters em comentários por e-mail.

Kindrativ afirmou que as autoridades ainda estão avaliando a extensão dos danos em Mariupol,  importante porto localizado no Mar de Azov, acrescentando que outros portos também sofreram alguns danos, o que “não era grave”.

“Mas acho que o cálculo final será feito após o fim da agressão russa, pois ainda há uma grande ameaça de desembarque de tropas russas pelos portos, o que pode causar grande destruição da infraestrutura portuária”, disse.

Muitas companhias de navegação suspenderam as viagens para os portos afectados do Mar Negro com prémios de seguro para viagens subindo nos últimos dias e pelo menos três navios comerciais atingidos por bombas desde 24 de fevereiro.

As previsões de grãos de primavera russos e ucranianos, que devem começar em breve, também podem ser afectadas pelo conflito.

Conflito na Ucrânia impacta logística marítima nacional, alerta sindicato

 

O Sindicato dos Capitães, Oficiais Pilotos, Comissários e Engenheiros da Marinha Mercante (OFICIAISMAR), filiado na Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), questionou o Governo português sobre as medidas que estão a ser tomadas para prevenir e mitigar as consequências do conflito na Ucrânia sobre a marinha mercante com pavilhão nacional e a nossa cadeia marítima de abastecimentos.

Nomeadamente, o sindicato pretende saber sobre quais as medidas que estão a ser implementadas pelo Governo no sentido de salvaguardar a operacionalidade dos navios com bandeira portuguesa e com isso manter as cadeias de abastecimento, incluindo aos portos portugueses, e quais as medidas que estão a ser coordenadas pela UE no sentido de salvaguardar a operacionalidade do transporte marítimo integrado nas cadeias logísticas internas e externas ao território europeu.

O comunicado da Fectrans refere que as perguntas do OFICIAISMAR foram feitas na base um memorando elaborado pela direcção do sindicato, no qual se sublinha o seguinte:

1) De acordo com dados de finais de 2019, são estrangeiros cerca de 95% dos marítimos (Comandantes e Oficiais) a bordo dos mais de 700 navios registados com bandeira portuguesa (2.º Registo).

O primeiro lugar é ocupado pelos nacionais ucranianos, com cerca de quatro mil oficiais, e o terceiro lugar é ocupado por nacionais russos, com cerca de dois mil oficiais. No conjunto, perto de metade dos Comandantes e Oficiais que fazem navegar os navios de bandeira portuguesa são oriundos daqueles dois países.

Trata-se de uma «realidade de dependência em relação à mão-de-obra de marítimos (Comandantes e Oficiais) oriundos fora de Portugal», alerta o sindicato.

2) No actual quadro, considerando as consequentes limitações de mobilidade dos marítimos de nacionalidade russa e ucraniana causadas pelos efeitos da escalada do conflito, bem como pelas sanções impostas à Rússia, será inevitável que a operacionalidade das frotas de marinha mercante mais dependentes daquela mão-de-obra, venham a sofrer fortes constrangimentos ou mesmo bloqueios efectivos às suas actividades comerciais.

Toda a cadeia logística será inevitavelmente afectada e é necessário o planeamento e execução de forma coordenada de soluções urgentes, respondendo ao que se descreve como «uma tendência de “movimento de desglobalização”».

Face a este quadro, além das perguntas colocadas ao Governo, a direcção do OFICIAISMAR reafirma, «como sempre defendemos», a urgência de «investir na promoção do aumento de tripulações e armadores portugueses que devem estar ao serviço dos interesses nacionais (sua economia, seu povo e sua soberania)»

Como medida imediata, propõe a imediata «criação de reservas nacionais estratégicas de sectores base essenciais à economia, como é o caso da marinha mercante e portos».

Opinião: "A extinção do Ministério do Mar."

 

A recente notícia da extinção do Ministério do Mar, na sequência da mudança da orgânica governamental e a sua passagem para o Ministério da Economia como Secretaria de Estado, é o culminar de uma cadeia de erros sucessivos, culminando nesta extinção, a meu ver completamente desnecessária e contra-produtiva.

Em 2019, a primeira machadada foi a retirada da tutela dos portos do Ministério do Mar para serem integrados no Ministério da Habitação e Infraestruturas, sendo Pedro Nuno Santos, o respectivo Ministro. Introduzir a parte portuária num Ministério com uma extensão enorme, desvalorizou o sector portuário, que contribui de forma generosa para o PIB do país e onde trabalham milhares de pessoas directamente, e outros tantos milhares indirectamente. A falta de interesse do respectivo Ministro no diálogo com determinadas representações do sector foi notória e devidamente registada.

Durante a pandemia, os portos foram um sector fulcral para a estabilidade do país nos mais variados sectores, devido ao espírito de sacrifício e dedicação que os seus trabalhadores/as, principalmente os portuários, e não só, que tiveram uma postura firme e digna.

O sector portuário tem os seus problemas, que merecem a respectiva atenção e não deveria ser uma maioria absoluta que deverá fazer com que os mesmos deixem de ser discutidos, ou que sejam ignorados por detalhe. É no diálogo sólido, duradouro e activo, que se esbatem diferenças e se encontram consensos benéficos para todos. Não há tempo a perder e esse caminho tem de ser trilhado. A estabilidade tanto na parte dos trabalhadores, como a estabilidade para quem quer investir no desenvolvimento do sector do país é possível e benéfico para todos. Não pode existir uma visão antiquada de todos contra todos, quando não se acrescenta nada com esse tipo de ambiente.

Desvalorizar o Mar terá sempre um preço elevado. O país não necessita disso. Se já tinha sido menosprezado com a retirada dessa tutela, pior foi a transformação do Ministério num órgão ministerial com pouca influência e poder residual. A actual extinção é um profundo retrocesso.

O futuro deste país passa muito pelo potenciar do sector maritimo e logístico associado. Esse facto inegável foi reconhecido recentemente pelos professores Francisco Andrade e Maria Adelaide Ferreira da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa FCUL/Centro de Ciência do Mar e do Ambiente – MARE ULisboa e por mais de 40 investigadores e professores que subscreveram o texto assinado no Jornal Público em que foi destacado o papel do Mar e a importância de não se prescindir de um Ministério do Mar.

Tudo acontece num ano em que a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, está marcada entre 27 junho e 01 de julho em Lisboa.

Tudo o que se pode fazer agora, é esperar que esta área não caia em esquecimento e que volte a ter a atenção que merece para contribuir ainda mais para a criação de riqueza, emprego e inovação. Portugal tem de superar-se cada vez mais no Mar, que é a maior parte da sua integridade territorial.

Paulo Freitas, Sindicalista e Deputado na Assembleia Municipal de Sines

Cosco lança porta-contentores eléctricos de 700 TEU

Cosco vai construir e operar dois navios porta-contentores 100% eléctricos, com uma capacidade de 700 TEU.

Os dois porta-contentores eléctricos deverão ser entregues no final de 2023 à Shanghai Pan-Asia Shipping, uma subsidiária da Cosco, que opera no transporte de contentores ao longo do rio Yangtzé.

No caso, os dois navios ligarão Wuhan e Xangai.

A construção está a cargo da Cosco Shipping Heavy Industry. O investimento anunciado é de 18,24 milhões de dólares.

Com 120 metros de comprimento e 5,5 metros de calado, os dois navios serão propulsionados por um motor eléctrico alimentado por baterias acondicionadas em 36 contentores de 20″, carregadas a partir de terra com uma potência de 50 000 KWh.

Os novos navios anunciados pela Cosco são substancialmente maiores que o Yara Birkeland, actualmente o maior porta-contentores 100% eléctrico em operação, mas com uma capacidade de apenas 120 TEU.

Mar, mal olhado, mal amado

Estilhaçar o mar em mil gotas é a receita errada para avançar decisivamente no que devia ser erguido a pilar perene de desenvolvimento e de liberdade do país.

A orgânica do Governo é, por estes dias, dissecada com base nos proto-sucessores e seu respetivo arrumo e a ligeira redução de pastas e de secretarias de Estado. É um ângulo que suscita interesse, mas tem curto alcance. Tem escapado, porém, a incompreensível menorização a que as políticas do mar estão subordinadas, a qual resulta de as matérias da pesca e aquicultura estarem adstritas à alimentação no Ministério da Agricultura e o mar, agora sim, no Ministério da Economia e do Mar – designação que é desrespeitosa para as atividades anteriormente mencionadas. Deste modo, rompeu-se um consenso de que o mar, esse gigante por desbravar, merece um tratamento holístico, de modo a que esta janela de liberdade seja devidamente cuidada e aproveitada. Atente-se que, sob a égide do mar, o qual alberga a esmagadora porção territorial do país, avultam áreas de extraordinário interesse, as quais, nestes tempos em que se reorientam os blocos para minorar dependências funestas, podem aportar uma vida nova, como a biotecnologia, a energia das ondas e eólica, o GPL, os portos e a sua relação com as cadeias logísticas, para além das relacionadas com a alimentação, sem excluir a importância no que à segurança e defesa diz respeito. 

E, entre estas, há várias que Portugal pode liderar: na investigação, no investimento, na preparação de condições administrativas para que haja um quadro de clareza e segurança jurídica e para que, dominando a cadeia de valor, Portugal tenha melhores condições para romper com a estagnação que nos assola. Para isso, é preciso ter nervo e prioridade. Definir um quadro claro e reunir as competências para derrotar as burocracias excessivas e coordenar essa vontade.

Há muito por fazer, mas estilhaçar o mar em mil gotas é a receita errada para avançar decisivamente no que devia ser erguido a pilar perene de desenvolvimento e de liberdade do país. A paixão pelo mar esfumou-se e já nem há um Prof. Cavaco Silva – que foi um dos seus mais aguerridos arautos -, o qual auxiliou, com o destaque que distinguia a matéria, que fosse possível no plano legislativo e da discussão das opções de futuro colocar o mar num patamar elevado, vencendo o estigma do Estado Novo a que muitos o votaram. 

Mas, tanto como a orgânica, o que se sente é que para os governos Costa o mar não é nem será uma prioridade. É tempo perdido, mas um dia o país perceberá que no mar reside muito do que somos e do que podemos ser.

Autor: Cristóvão Norte – Deputado do PSD.

Despejos de óleo no mar português continuam por sancionar

 

A 12 de outubro de 2021, pelas 21h05, a Marinha entrava em contacto com o navio “Pro Onyx”. “Hoje os satélites SAR detectaram uma mancha de óleo na água perto da vossa posição e as imagens podem estar correlacionadas com o percurso do vosso navio”, alertava essa comunicação, instando o navio a esclarecer se realizara alguma limpeza do tanque. A resposta chegaria na manhã seguinte, pelas 7h10. “O navio levou a cabo uma operação de limpeza do tanque. A última carga era de óleo de palma (um óleo vegetal). Confirmamos que esta operação não continha qualquer lodo, água contaminada, nem qualquer derrame de óleo no mar”, respondeu o “Pro Onyx”, um navio de 183 metros, com bandeira do Panamá.

Este é apenas um dos casos que vão passando pelas autoridades nacionais, associados a indícios de descargas de óleo e outros resíduos dos navios, numa prática conhecida como “bilge dumping”. Detectar este tipo de despejos ilegais no mar é um desafio partilhado com outros países europeus que vêm sentindo dificuldade em sancionar as empresas cujos navios fazem descargas ilegais dos resíduos que transportam em vez de os entregarem nos portos para serem devidamente tratados em terra.

Noticia do Expresso.

Ex-presidente de Viana é o novo secretário de Estado do Mar

O antigo presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, foi anunciado como novo secretário de Estado do Mar, integrando assim o XXIII Governo Constitucional da República.

José Maria Costa, de 61 anos, é Engenheiro Civil e antigo quadro dos extintos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) sucedeu a Defensor Moura, governando entre 2009 e 2021.

Natural de Maputo, Moçambique, José Maria Costa é formado em Engenharia Química pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto, e ingressou os quadros dos extintos ENVC, entre 1986 – 1994.

Plataforma de gelo na Antártida do tamanho de Roma colapsa totalmente

Uma plataforma de gelo com uma superfície de cerca de 1200 quilómetros quadrados (área semelhante à da cidade de Roma, em Itália) desabou completamente na Antártida Oriental. Nos últimos dias, têm-se registado temperaturas acima do habitual, tanto na Antártida como no Ártico.

A plataforma de gelo Conger desmoronou-se provavelmente no dia 15 de março, segundo anuncio feito ontem. O movimento começou entre os dias 5 e 7 de março. As temperaturas têm atingido números máximos na Antártida: a estação Concordia registou uma temperatura recorde de -11,8ºC no dia 18 de março, um valor 40 graus acima do normal para a época.

Desde meados dos anos 2000 até ao início de 2020 que esta plataforma de gelo foi diminuindo gradualmente. A partir daí, a perda acentuou-se e no dia 4 de março deste ano a superfície já tinha metade do tamanho em comparação com os dados registados no mês de janeiro.

Ministério do Mar foi extinto.







O Primeiro-Ministro António Costa decidiu criar na orgânica do XXIII Governo Constitucional o cargo de ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, e extinguiu o Ministério do Mar que passa para a dependência do ministro da Economia.

Estas mudanças constam do comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro sobre a orgânica do XXIII Governo Constitucional, que já foi apresentada ontem pelo primeiro-ministro ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta “fusão” levou à criação do Ministério da Economia e do Mar, tendo três secretários de Estado: Economia; Turismo, Comércio e Serviços; e Mar.

MSC e Maersk reduziram transporte de carga para a Rússia aos bens essenciais

A Mediterranean Shipping Company (MSC), com sede na Suíça, e a rival dinamarquesa Maersk, os dois maiores grupos mundiais de transporte de carga por via marítima, suspenderam temporariamente o envio de navios de e para a Rússia, na sequência da imposição das sanções da União Europeia, Reino Unido, Suíça, EUA, Canadá e Japão a Moscovo.

O grupo MSC (que é dono também da companhia de cruzeiros homónima), tinha anunciado em comunicação aos clientes citada pela Reuters, que a partir de 1 de Março iniciou “uma paragem temporária de todas as reservas de carga de e para a Rússia, cobrindo todas as áreas de acesso incluindo o Báltico, Mar Negro e extremo Oriente da Rússia”.

“O MSC continuará a aceitar e a seleccionar reservas para entrega de bens essenciais, tais como alimentos, equipamento médico e bens humanitários”, afirmou.

Em comunicação separada, a Maersk, por seu turno, disse que suspenderia temporariamente todo o transporte de contentores de e para a Rússia, acrescentando também que a suspensão , que abrangia todos os portos russos, não incluiria alimentos, material médico e humanitário.

“Como a estabilidade e segurança das nossas operações já está a ser directa e indirectamente afectada pelas sanções, novas reservas [de transporte] pela Maersk no oceano e por terra, para e da Rússia, serão temporariamente suspensas”, disse a empresa numa declaração. 

As duas comunicações vão isolar ainda mais a Rússia em termos de escalas de navios de carga – prejudicando importações e exportações de produtos para e da Rússia – depois de já a alemã Hapag Lloyd e a Ocean Network Express (com sede em Singapura) terem feito o mesmo.