Porto de Lisboa: Liscont com escala regular para os EUA

A Liscont, o terminal de contentores de Alcântara concessionado à Yilport, vai ter a partir deste mês, uma escala regular transantlântica para os Estados Unidos. A informação foi avançada ao pelo diretor-geral regional da empresa de capitais turcos. Nuno David Silva adianta que a referida escala resulta de um acordo com um consórcio de vários armadores liderados pela ONE de (Ocean Network Express) com sede em Singapura.

A escala irá começar por ser mensal, mas o objectivo é aumentar a regularidade, passando para quinzenal, numa fase posterior semanal e irá transportar todo o tipo de carga contentorizada, segundo a mesma fonte.

A Liscont está a implementar a primeira fase de um investimento de 124 milhões de euros para aplicar em obras de infraestrutura e substituição de equipamentos no terminal de Alcântara cuja concessão foi prolongada, por acordo com o Estado, até 2038.

O projecto em desenvolvimento vai permitir reforçar a capacidade de transporte de mercadorias de Alcântara, sobretudo por uma melhor eficiência ao nível da operação através da instalação de equipamentos que podem operar navios de maior dimensão. Esta mudança irá desencadear novas rotas transantlânticas para mercados importantes nas relações comerciais com o nosso país, não só os Estados Unidos, mas igualmente a América do Sul, como Brasil e Argentina.

O mencionado investimento vai ainda contribuir para a descarbonização do terminal com equipamentos eléctricos, em vez de movidos a combustível , mais área para acolher camiões dentro do espaço do terminal e uma melhor integração paisagística na cidade com a criação de espaços verdes. O terminal de contentores da Liscont deverá terminar o ano com o transporte de 135 mil TEUS.

Comércio marítimo global poderá sofrer maior queda em décadas em 2023

O comércio marítimo global em 2023 deve evoluir numa média de 2,1%. A taxa será a mais lenta quando comparada aos 3,3% registrados nas três últimas décadas. A tendência deve-se manter até 2027, segundo a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento.

A agência da ONU projecta uma evolução moderada de 1,4% no último ano, após recuperação significativa registrada em 2021. Nesse período, o tipo de troca avançou 3,2% e o total de embarques rondou os 11 bilhões de toneladas. A taxa do ano passado representa uma melhoria de sete pontos percentuais, em comparação com a queda de 3,8% verificada em 2020.

África teve um dos maiores crescimentos no comércio marítimo ao subir 5,6% em relação a 2020. A Ásia permaneceu como o principal centro da carga marítima do mundo ao responder por 42% das exportações e 64% das importações. Já a América Latina e o Caribe tiveram um acréscimo de 3% no comércio marítimo em 2021.

Na Revisão do Transporte Marítimo 2022, a Unctad agrega estatísticas do comércio no sector e divulga uma análise das mudanças estruturais e cíclicas que afetam o tipo de troca, os portos e a navegação. Na publicação, a agência da ONU recomenda que haja um maior investimento nas cadeias de abastecimento marítimo. O argumento é que os portos, as frotas marítimas e as ligações devem estar mais bem preparados para futuras crises globais, mudanças climáticas e a transição para energia de baixo carbono.

O relatório aponta ainda a crise da cadeia dos últimos dois anos como tendo exposto a incompatibilidade entre a demanda e oferta de capacidade de logística marítima. Como efeitos da situação aconteceram aumentos nas taxas de frete, congestionamentos e interrupções nas cadeias de valor globais. Estima-se que actualmente os navios transportem mais de 80% das mercadorias comercializadas globalmente. A porcentagem é ainda maior para a maioria dos países em desenvolvimento.

Para dar resposta à situação, a publicação defende haver necessidade urgente de aumentar a resiliência a choques que interrompem as cadeias de abastecimento, alimentam a inflação e afectam mais os mais pobres. Para a secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan, é preciso que o mundo possa aprender com a actual crise da cadeia global para preparar melhor os futuros desafios e transições. As medidas propostas estão melhorar a infraestrutura do sistema de transporte, renovar a frota e melhorar o desempenho dos portos e a facilitação do comércio. Outra recomendação é não atrasar a descarbonização do transporte marítimo.

Maior iate a vela do mundo navegará em 2026

A Orient Express, parte do conglomerado hoteleiro Accor, com sede em Paris, revelou o maior barco veleiro do mundo, assistido pelo vento, que também funcionará com gás natural liquefeito (GNL).

O projecto foi desenvolvido em cooperação com a compatriota Chantiers de l’Atlantique e com a consultoria da Hetland Maritime. A empresa de design Stirling Design International, com sede em Nantes, é responsável pela arquitetura exterior do navio.

Segundo o director da Chantiers, Laurent Castaing, “será o que há de melhor de nosso savoir-faire nos campos da arquitetura naval”. o projecto o prevê cascos sofisticados, design de espaços luxuosos, bem como a instalação de um revolucionário sistema de propulsão eólica com três velas SolidSail medindo 1.500 metros quadrados cada uma. Apresenta, ainda, um sistema de propulsão híbrido movido a gás natural liquefeito (GNL). “O Silenseas vai se tornar, assim, o navio de referência em termos de operação e design ecológicos”, completa Laurent.

O Orient Express Silenseas, um veleiro de 220 metros de comprimento, navegará com o SolidSail, sistema desenvolvido pela Chantiers de l’Atlantique. Três velas rígidas com superfície de 1.500 metros serão içadas em uma plataforma balestron, com três mastros basculantes atingindo mais de 100 metros de altura.

O navio de cruzeiro celebrará a arte de viajar “à la Orient Express”, onde luxo e conforto tem prioridade. O Orient Express Silenseas contará com 54 suítes medindo, em média, 70 metros quadrados cada. A Suíte Presidencial, de 1.415 metros quadrados, possui uma área de suíte privativa com 530 metros quadrados. Traz ainda duas piscinas, incluindo uma piscina olímpica, dois restaurantes e um bar speakeasy.

PSA International movimentou globalmente 90,9 M TEU

O grupo PSA International, lider da sua área anunciou ter movimentado a nível global cerca de 90,9 milhões de TEU no ano passado, menos 0,7% que em 2021. Na seu habitat natural, a PSA movimentou 37 milhões de TEU, recuando 0,7% em relação ao exercício anterior.

No exterior, a sua presença em 42 países proporcionou a movimentação de 53,9 milhões de TEU, 0,7% abaixo que o atingido no período homólogo anterior.

Os números da PSA Sines ainda não foram tornados conhecidos, sendo que os dados disponibilizados apontavam para um valor de
1,39 milhões de TEU movimentados em Setembro com uma quebra de 5,9%.
Em comunicado, o CEO do Grupo PSA lembrou que “o mundo enfrentou mais um ano desafiante em 2022, e embora a maioria dos países começasse a emergir da pandemia global, muitos continuaram a sofrer com as ondas de choque, combinadas com a guerra na Ucrânia, a alta dos preços da energia, a inflação global e a disrupção nas cadeias de abastecimento”.

Oceanos registaram as temperaturas mais altas de sempre em 2022

Os oceanos registaram as temperaturas mais altas de sempre em 2022. A conclusão é de um estudo publicado esta quarta-feira pela revista Advances in Atmospheric Sciences, que mostra que mais de 90% do excesso de calor retido pelas emissões de gases com efeito de estufa é absorvido pelos oceanos.

A equipa internacional de cientistas que produziu a análise sobre o aumento da temperatura dos oceanos concluiu que “os ciclos de energia e água da Terra foram profundamente alterados devido à emissão de gases com efeito de estufa pelas actividades humanas, levando a mudanças generalizadas no sistema climático da Terra”.

O The Guardian explica que as temperaturas elevadas dos oceanos ajudam a aumentar a possibilidade de fenómenos climatéricos extremos, que podem levar a furacões ou tufões mais intensos e a mais humidade no ar, resultando em chuvas e inundações mais intensas. O mesmo jornal avança que dados registados a partir de 1958 mostram um aumento da temperatura dos oceanos, com uma aceleração após 1990.

John Abraham, professor da Universidade de St. Thomas (EUA) e parte da equipa que desenvolveu o estudo, afirmou que “medir [a temperatura] dos oceanos é a maneira mais precisa de determinar o quão desequilibrado” está o planeta. “Estamos a observar um clima mais extremo por causa do aquecimento dos oceanos e isso tem consequências tremendas em todo o mundo”, acrescentou.

Por sua vez, Michael Mann, professor da Universidade da Pensilvânia e coautor do estudo, disse que o facto de os oceanos estarem mais quentes significa que “há mais potencial para eventos de precipitação maior”. Para defender o seu ponto de vista deu como exemplo os fenómenos de precipitação registados em 2022 “na Europa e na Austrália” e actualmente nos EUA, onde as fortes chuvas registadas em grande parte do estado da Califórnia já provocaram 16 mortes.

Açores estudam “desigualdades” entre estivadores dos portos de Ponta Delgada e da Praia da Vitória

A secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infra-estruturas dos Açores, Berta Cabral, recebeu em audiência a FNSTP – Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários e o Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Ilha Terceira.

Após a audiência, que decorreu na sede da Secretaria Regional, em Ponta Delgada, Berta Cabral afirmou, em declarações aos jornalistas, que foram colocadas questões relacionadas com algumas situações de desigualdade na operação da estiva em alguns portos dos Açores.

Esta é uma situação que, segundo Berta Cabral, a Secretaria Regional que tutela os Transportes vai estudar, no sentido de encontrar uma situação mais igualitária, sobretudo nos dois maiores portos, Ponta Delgada e Praia da Vitória, refere o Executivo açoriano em nota de imprensa.

“As operações da OPERTerceira [Sociedade de Operações Portuárias da Praia da Vitória] e da OPERPDL [Sociedade Operações Portuárias de Ponta Delgada] não têm exactamente o mesmo âmbito. O que vamos estudar é a forma de tornar mais igualitário o âmbito das duas operações portuárias, em termos logísticos e em termos de movimentação vertical e horizontal. Ou seja, número e tipo de operações que são feitas nos dois portos”, disse a governante.

Berta Cabral adiantou que “ficou acordado entre todas as partes que este é um processo que tem de ser muito bem conduzido”.

E concretizou: “temos que ter em conta que, actualmente, há trabalhadores da Portos dos Açores que fazem este tipo de operações e que se as mesmas forem transferidas para a OPERTerceira é preciso salvaguardar a situação dos primeiros”.

Nauticampo regressa à FIL em Fevereiro

A 53ª edição da Nauticampo está de regresso à FIL, de 8 a 12 de Fevereiro. Este certame é a maior mostra nacional dos sectores da Náutica, Campismo, Desporto de Aventura e Destinos, e assume-se como o grande ponto de encontro do público em geral e dos profissionais.

“A Nauticampo regressa num momento oportuno em que as pessoas reaprenderam a valorizar a liberdade de sair, passear e usufruir da vida ao ar livre, neste cenário pós-pandemia”, referiu Miguel Anjos, gestor da feira, acrescentando que “é com enorme satisfação que identificamos o grande interesse de empresas nacionais e internacionais, em particular espanholas, que vêem na Nauticampo uma porta de entrada para o mercado português, quer para contactar com o cliente final quer para identificar representantes ou distribuidores das suas marcas.”

Mitsui em projecto de navio que produz hidrogénio a partir de energia dos ventos

A previsão do lançamento do navio produtor de hidrogénio é para o ano de 2024, sendo parte do projecto Wind Hunter da empresa japonesa

A gigante japonesa Mitsui O.S.K Lines (MOL) vai empreender no ocidente, mais especificamente no Brasil. O projecto da vez é um navio, equipado com diversas velas rígidas, que produzirá hidrogénio. O empreendimento será lançado no ano de 2024 e faz parte do portfólio da empresa que busca aplicações para energia eólica e combustível a partir do hidrogénio.

Os navios utilizados no empreendimento da empresa japonesa vão ser equipados com velas rígidas e dobráveis, utilizadas em navios capazes de absorver energia dos ventos fortes que geram hidrogénio.

Assim, com toda a tecnologia equipada, o navio não precisaria de abastecimento, sendo ele assistido com uma propulsão a vento juntamente com o hidrogénio produzido.

Além de todo o aparato de velas rígidas, o navio também vai possuir turbinas subaquáticas que vão gerar energia eléctrica que seria utilizada para efectuar electrólise com a água do mar e produzir hidrogénio. O armazenamento do hidrogénio será num tanque na forma de metilciclohexano líquido (MCH).

Se caso os ventos estiverem fracos no momento da navegação, o navio poderia utilizar  hidrogénio produzido para o abastecimento próprio e continuar navegando. O empreendimento está sendo planeado pela empresa japonesa para que o navio seja 100% autónomo, sem intervenção humana a bordo, sendo controlado com tecnologia digital.

De acordo com a empresa japonesa: “Até 2030, esperamos construir um grande navio cargueiro produtor de hidrogénio com emissão zero. Ainda há muitos desafios a serem resolvidos, mas assumir desafios é o que fazemos na Mitsui O.S.K. Lines, e esta é uma jornada que traçará uma rota directa para o futuro”.

UE destaca sector das algas como o "mais notório" da Bioeconomia Azul

A agricultura e a colheita de algas marinhas são ainda muito pequenas na Europa, mas têm uma grande potencialidade de crescimento, na medida em que 36% das empresas relacionadas com esta indústria estão sedeadas no espaço europeu. Porém, muitas são start-ups que ainda não estão operacionais comercialmente, revela o novo Relatório da Bioeconomia Azul da UE, publicado a cada dois anos pelo Observatório do Mercado Europeu dos Produtos da Pesca e da Aquacultura (EUMOFA).

A edição de 2022 do relatório, agora divulgada, coloca mesmo as algas no centro da bioeconomia azul, reconhecendo-o como o “mais notório da bioeconomia azul” da União Europeia (UE).

Para além da sua utilização na alimentação, cosmética, biomateriais ou energia, o relatório sublinha o “papel significativo” dos ecossistemas de algas marinhas no ciclo do carbono marinho, na medida em que atuam como um sequestrador de CO2. Destaca, por isso, a necessidade de desenhar acções para integrar as algas marinhas nas políticas climáticas, que incluem a conservação, restauração e agricultura de algas.

Porém, em comunicado, a Comissão Europeia destaca que é necessário colmatar as lacunas de conhecimento que existem sobre esta matéria. “Isto inclui a avaliação dos ecossistemas de algas marinhas selvagens existentes na Europa, a construção de um melhor conhecimento da disponibilidade de nutrientes e eutrofização nas costas e bacias da UE e a avaliação da pegada de carbono dos produtos à base de algas marinhas”, refere a CE.

A UE acolhe ecossistemas de algas marinhas selvagens significativos, mas representa menos de 0,25% da produção global de algas marinhas liderada pelo homem. Para além de ser de pequena escala, “a indústria europeia de algas marinhas é regionalmente desequilibrada”, afere o relatório.

A crescente procura de algas marinhas não pode ser satisfeita pelos produtores devido a uma variedade de factores, nomeadamente falta de transparência dos dados, ciclos de produção imprevisíveis, cadeias de fornecimento ineficientes e quadros regulamentares complexos. “Esta situação leva a que investidores e empresas avessos ao risco sejam desincentivados. Os desafios que a indústria europeia de algas marinhas enfrenta não são orientados pela tecnologia, mas mais relacionados com questões de governação e de mercado. A inversão desta tendência dependerá do acesso estável à matéria-prima, do desenvolvimento de produtos de valor acrescentado e da transferência de conhecimentos entre regiões onde a produção está bem desenvolvida e aquelas que desejam desenvolver a indústria”, refere a CE.

Empresas norueguesas com nova turbina eólica flutuante de alumínio reciclável

As empresas norueguesas Norsk Hydro e World Wide Wind (WWW) anunciaram os seus planos de usar materiais sustentáveis ​​e recicláveis, como o alumínio, na construção de turbinas eólicas offshore flutuantes. A Norsk Hydro, empresa norueguesa de alumínio e energia renovável, assinou uma carta de intenções com a compatriota World Wide Wind, empresa relativamente nova no sector que projectou uma inovadora turbina eólica offshore de eixo vertical.

Fundada em 2021, a turbina eólica offshore flutuante da WWW usa duas turbinas de rotação contrária que se inclinam com o vento, semelhante ao funcionamento de um veleiro. Sem nacelas, engrenagens, resfriamento ou guinada, a empresa afirma que sua turbina é escalável até 40 MW e 400 metros de altura. Além de exigir menos componentes, a turbina de contra-rotação reduz o efeito esteira de grandes parques eólicos e permite uma maior densidade de turbinas, o que significa que os parques eólicos poderiam acomodar mais turbinas grandes em suas áreas alugadas.

O novo acordo com a Norsk Hydro permitirá que ambas as empresas explorem o uso de alumínio no projecto das suas turbinas eólicas flutuantes. O objectivo das duas empresas é usar materiais sustentáveis ​​e recicláveis, como o alumínio, na construção civil.

“As turbinas eólicas usadas para o vento offshore flutuante têm mais ou menos o mesmo design das turbinas usadas para o vento onshore”, diz Trond Lutdal , CEO da World Wide Wind. “Na verdade, estamos transferindo tecnologia terrestre para o alto mar. Na WWW estamos desenvolvendo um novo tipo de turbina eólica flutuante para águas profundas, com vantagens significativas sobre a tecnologia atual em termos de produção de energia, custo, escalabilidade e pegada ambiental. O novo design dá-nos a oportunidade de usar componentes de alumínio em partes da estrutura da turbina eólica.”

Em última análise, a colaboração centrar-se-á no projecto detalhado de uma turbina que inclui a utilização de alumínio, seguindo-se a produção de protótipos e a criação de um consórcio de parceiros industriais.

“A Norsk Hydro vê o potencial do alumínio em muitas indústrias, incluindo a eólica”, acrescenta Trond Furu , director de pesquisa da Norsk Hydro Corporate Technology.